BLOG DO ALEX MEDEIROS

21/03/2019
O mestre Telê na história

Todos os anos, desde 1956, com um breve intervalo que culminou na junção com um troféu similar da FIFA, a revista esportiva parisiense France Football faz a entrega do prêmio Bola de Ouro que define o melhor jogador do mundo por temporada. Os maiores vencedores, todos sabem, são Messi e Ronaldo.

Na última edição, a publicação resolveu elencar os melhores técnicos de futebol de todos os tempos, com votos de jornalistas especializados, pesquisadores e figuras que vivem ou viveram o universo do esporte mais mágico do planeta. Na lista dos maiores, apenas um brasileiro em destaque.

No comando da melhor performance mundial de um time brasileiro, o São Paulo, e regendo uma das melhores gerações de craques do Brasil nas copas de 1982 e 1986, o mestre Telê Santana aparece na 35ª posição da lista, na frente de nomes consagrados como Rafa Benítez, Bobby Robson e Aragonés.

O trabalho de Telê no São Paulo jamais será esquecido pela imensa torcida tricolor, enquanto que sua passagem pela seleção brasileira ainda está na memória do mundo todo. A imprensa internacional sempre lembra do futebol glamouroso dos craques Zico, Falcão, Sócrates, Junior, Leandro, Cereso...

Na memória afetiva do povo brasileiro, a participação do Brasil de Telê na Copa do Mundo de 1982 tem mais peso emotivo, por exemplo, do que a própria conquista do pentacampeonato, em 1994 nos EUA. A pele de quem presenciou aquela orquestra até hoje arrepia ao lembrar dos espetáculos.

Telê Santana incorporou com seu futebol de pura fantasia o sonho coletivo da nação em busca de mudança. Todos esperavam modificações políticas e econômicas, assim como o resgate do bom futebol brasileiro carente de glória desde a geração de Pelé em 1970. O mestre nos deu fé no quase impossível.

Confiram a lista dos 50 técnicos escolhidos pela revista francesa. O holandês responsável pela revolução do futebol total da "laranja mecânica" encabeça, enquanto o maestro daquele time aparece em quarto. Telê Santana é um dos quatro sul-americanos elencados, sendo que os três são todos argentinos.


1. Rinus Michels (Holanda)
2. Alex Ferguson (Escócia)
3. Arrigo Sacchi (Itália)
4. Johan Cruyff (Holanda)
5. Pep Guardiola (Espanha)
6. Valeriy Lobanovskiy (Ucrãnia)
7. Helenio Herrera (Argentina)
8. Carlo Ancelotti (Itália)
9. Ernst Happel (Áustria)
10. Bill Shankly (Escócia)
11. Matt Busby (Escócia)
12. Giovanni Trapattoni (Itália)
13. José Mourinho (Portugal)
14. Miguel Muñoz (Espanha)
15. Brian Clough (Inglaterra)
16. Marcello Lippi (Itália)
17. Nereo Rocco (Itália)
18. Louis Van Gaal (Holanda)
19. Ottmar Hitzfeld (Alemanha)
20. Béla Guttmann (Hungria)
21. Fábio Capello (Itália)
22. Zinedine Zidane (França)
23. Viktor Maslov (Rússia)
24. Herbert Chapman (Inglaterra)
25. Jupp Heynckes (Alemanha)
26. Bob Paisley (Inglaterra)
27. Jürgen Klopp (Alemanha)
28. Albert Batteux (França)
29. Guus Hiddink (Holanda)
30. Udo Lattek (Alemanha)
31. Diego Simeone (Argentina)
32. Arséne Wenger (França)
33. Vicente Del Bosque (Espanha)
34. Jock Stein (Escócia)
35. Telê Santana (Brasil) ]
36. Vic Buckingham (Inglaterra)
37. Rafa Benítez (Espanha)
38. Hennes Weisweiler (Alemanha)
39. Bobby Robson (Inglaterra)
40. Dettmar Cramer (Alemanha)
41. Mircea Lucescu (Romênia)
42. Tomislav Ivic (Croácia)
43. Stefan Kovacs (Romênia)
44. Luís Aragonés (Espanha)
45. Frank Rijkaard (Holanda)
46. Otto Rehhagel (Alemanha)
47. Raymond Goethals (Bélgica)
48. Marcelo Bielsa (Argentina)
49. Antonio Conte (Itália)
50. Jean Claude Suaudeau (França)

       



20/03/2019
A televisão moribunda

O gigante Google tem todas as ferramentas para controlar uma rede de televisão ou de jornal, duas coisas que por décadas resguardaram sob a superfície da comunicação um profundo poder lucrativo nos negócios da propaganda. Mas o site de buscas preferiu investir na indústria dos games.

A marca vai investir num setor que está bem à frente da TV, do rádio e do jornal, que lidera em crescimento e faturamento os negócios do mercado de entretenimento nos EUA. Ao lado dos serviços de streaming, os games já dominam mais de 35% dos aparelhos de TV nos lares norte-americanos.

Quando a Amazon, outro gigante, comprou o outrora poderoso jornal The Washington Post, se imaginou que se estabeleceria uma corrida do mundo digital em busca do controle do velho universo analógico e de celuloide. Mas ao que parece é que o comportamento das atuais gerações anulou o assédio.

Há poucos dias noticiou-se a incrível realidade do mercado editorial em mais de 1,4 mil cidades americanas, que simplesmente perderam seus jornais impressos, a maioria deixando de circular e outra parte partindo para a opção digital, disputando mercado com zilhões de sites, blogueiros e youtubers.

A mídia como nós conhecemos no século XX vai se tornando literal e tecnicamente coisa do passado. A crise que desde os anos 90 atingiu a televisão aberta, hoje já chegou também nas TVs por assinatura, superadas nos PCs e celulares por atrações como a Netflix, YouTube, Prime Vídeo...

Outro fator preponderante para o esvaziamento da audiência televisiva é, sem dúvida, a indústria dos jogos eletrônicos, que agora chamou de uma vez a atenção do Google. Em países como os EUA, Japão, Coreia e Índia, os games já ultrapassaram a TV e o cinema no quesito preferência dos consumidores.

O Brasil talvez seja hoje o mercado onde é mais visível a decadência das televisões abertas, não apenas no tocante à qualidade da programação, mas também na audiência. Ficaram esquecidos no século passado aqueles índices do Ibope acima dos 50, 60, até 70 pontos. Agora mal se atinge dois dígitos.

Um exemplo foi no último sábado, quando o SBT comemorou a ultrapassagem em cima da Globo com a estreia do programa da adolescente Maísa, que registrou risíveis 9 pontos, mas o suficiente para vencer os 8,7 pontos da outrora poderosa dona da audiência. Atingir hoje mais de 30% é milagre.

Se nos países desenvolvidos a ameaça vem das novas tecnologias dos games e dos serviços de streaming, aqui ainda há a ousadia recente das emissoras de rádio, que fizeram da internet um braço de apoio a suas programações.

Após trocarem o sinal AM por FM, as rádios caíram nas redes, instalaram câmeras e agora também roubam o público das TVs.

       



18/03/2019
A amável leveza de ser

Começou jogando uma bolinha quando criança, e jogou um bolão quando cresceu. O ex-lateral esquerdo Anchieta brincava com o amigo Rui Barbosa no barro da Rua Alberto Silva, em Lagoa Seca, trocando chutes de canhota numa bolinha de borracha vermelha, como tenistas na arena aberta de uma vacaria.

Rui foi ajudar o pai, vendendo leite de bicicleta ou carroça de burro, e Anchieta se deixou levar pelos encantos do futebol. Entrou no modesto Atlético Potiguar e logo foi ser campeão inconteste no belo time do Alecrim de 1968, aquele que nesse mesmo ano hospedou na ponta direita um tal de Mané Garrincha.

Nos torneios de caixinhas de fósforo de 1970, sucesso de público nas calçadas do bairro das Quintas, era dureza escolher o melhor lateral esquerdo, já que os times das figurinhas dos produtos Weston dificultavam a escolha entre Marinho Chagas (ABC), Cosme (América), Everaldo (Brasil) e Anchieta (Alecrim).

No campeonato de verdade, que rolava no gramado do Juvenal Lamartine, o galego Marinho arrebentou naquele ano e atraiu a atenção do Náutico, que o levou por curto tempo, vendendo-o para o Botafogo. A melhor alternativa do mais querido na chaga aberta pelo gênio foi tirar Anchieta do time periquito.

Podia até não jogar a exuberância da "bruxa", mas não permitiu sentimento de orfandade quando os olhares da frasqueira se dirigiam para o lado esquerdo do time. Jogava com a disciplina de um "kung fu negro", como disse uma vez o saudoso Hélio Câmara diante da precisão suave em anular os atacantes.

Tinha em campo a leveza das relações extracampo, jamais meteu a botina com deslealdade, nem lançou desaforos aos adversários e muito menos aos árbitros. Nunca em toda a carreira tomou um cartão vermelho, e só não ganhou o Troféu Belfort Duarte de disciplina porque as súmulas da FNF sumiram.

Na memória afetiva de todas as torcidas potiguares e no testemunho de quem acompanhou de perto os muitos campeonatos do seu tempo de jogador, Anchieta será lembrado como um gentleman com a bola e com os amigos, uma figura de uma leveza quase religiosa, digna do trocadilho "Padre Anchieta".

Depois da carreira, reencontrou o amigo da bolinha vermelha, Rui Barbosa, este na condição de empresário, dono da companhia de vigilância Emserv, que se tornou o primeiro time-empresa do futebol amador do RN, onde ambos voltaram a jogar. Por anos, foi um exímio e cuidadoso motorista do amigo.

No ano de 1992, meu saudoso amigo Ismael Wanderley me convidou para atuar na propaganda da campanha da sua então esposa, Ana Catarina, candidata a prefeita de Natal. Foi disponibilizado para meu uso diário um automóvel Voyage azul, aos cuidados de um motorista. Era ele, Anchieta.

Convivi durante a eleição daquele ano diariamente com o craque mais vezes do que com meus familiares. Almoçávamos e jantávamos juntos todos os dias, onde ele ouvia meu leriado de jornalista bocudo numa paciência de monge. E como nos avisos dos ônibus, ele, o motorista, só falava somente o necessário.

Uma vez minhas irmãs deixaram um recado no comitê da campanha. Anchieta anotou: papai passou mal em Currais Novos, onde tinha ido, sem autorização médica nem de mamãe, visitar parentes. O seu médico avisou que ele não poderia retornar em ônibus, só de ambulância ou automóvel de passeio.

Eu quase em pânico com a indisponibilidade de ambulâncias, aí Anchieta começou a falar, e muito, me acalmando e dando a solução. Ele iria com minha irmã e traria papai, eu só precisava autorizá-lo, já que o Voyage estava sob minha responsabilidade. Os três anos de sobrevida do velho eu devo a ele.

Liguei pra Rui Barbosa, que estava triste com a ausência do amigo. Eu também fiquei; e com o coração feito uma bolinha vermelha de saudade.

       



15/03/2019
Quem desarma o MST?

Um professor foi preso em Brasília ao entrar armado com arco e flecha na sede da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Ele também carregava uma faca e foi interceptado por policiais e nada de grave ocorreu.

Ontem, na periferia do Rio de Janeiro, um rapaz esfaqueou um jovem. Depois de preso, descobriu-se que ele frequentava foruns de debates digitais em que participavam também os assassinos do massacre de Suzano, em SP.

Já que o clima de medo estimulou precauções tardias, por que as autoridades policiais não começam a desarmar os militantes do MST, que há anos circulam nas zonas rurais e urbanas armados até os dentes com foices, facões, peixeiras e enxadas?

Qual a diferença no risco de crime entre as armas de usuários de video game e dos baderneiros do MST?

       



15/03/2019
O mundo de Paulo Ito

Eu estava apenas procurando notícias sobre eventos e manifestações poéticas em algumas partes do mundo, já que o 14 de março também é dia da poesia em âmbito internacional. É uma antiga curiosidade tentando confirmar se Natal é mesmo uma das poucas cidades a viver a data desde o final dos anos 1970.

Então me danei a navegar por sites europeus, americanos e argentinos, procurando alguma coisa sobre a data nas sessões de cultura da imprensa mundial. E dou de cara com a poesia das tintas, do traço cômico e irônico do grafiteiro brasileiro Paulo Ito, destacado em sites da Holanda, Itália e Espanha.

E quem é Paulo Ito? É um paulista de 41 anos, já consagrado nas paredes e muros do Brasil, mas que ganhou popularidade mundial quando deu o chute mais importante da Copa do Mundo de 2014, um chute de bico na cara da FIFA, da CBF e de todos que vendiam a farsa do legado da Copa no País.

Naquela época, enquanto o governo Dilma Rousseff e todos os governos regionais vendiam a ilusão do maior evento de futebol espalhado nas arenas milionárias que seriam depois um campo de corrupção, Paulo Ito jogava nas tintas a imagem de uma criança faminta com uma bola num prato de sopa.

Aquele grafite ganhou as páginas de sites e jornais de planeta, foi exibido nas telas de canais de TV pelos cinco continentes, e se tornou um símbolo dos protestos contra o que foi um festival de roubalheira, cujo desfecho foi a lambança da seleção brasileira esmagada diante da seleção da Alemanha.

O chute rebelde do grafite de Paulo Ito foi a antítese do chute errado dado por uma geringonça que o neuropetista Miguel Nicolelis anexou no corpo de um homem sem movimentos na perna, cobaia de uma fantasia vaidosa de quem imaginava impactar o mundo com uma revolução tecnológica e medicinal.

Na quinta-feira, no Dia Nacional (e Mundial) da Poesia, a arte de Paulo Ito estava ilustrando as páginas da mídia internacional, encantada com a arte urbana carregada de uma de uma força cromática que leva os transeuntes a refletir sobre os problemas cotidianos dos povos. Degustem alguns grafites do artista.

       



15/03/2019
O jogo real da morte

Com um tremendo sangue frio com pitadas de sadismo, o autor material do massacre na mesquita de Al Noor, na Nova Zelândia, desceu do carro com um rifle, executou as primeiras vítimas na porta de entrada, voltou ao carro para trocar de arma e avançou casa adentro atirando e filmando os assassinatos.

E se digo autor material é porque o canalha australiano Brenton Tarrant não está sozinho nisso. E nem é um doido solitário, posto que doido não tem método como ficou claro no ritual tipicamente premeditado, o que sugere planejamento criminoso nos moldes de qualquer pequeno grupo terrorista.

O sadismo foi a transmissão ao vivo que ele fez pelo Facebook, instalando uma câmera de vídeo no capacete, evidentemente ligada a um celular, por sua vez linkado na página da rede social e, obvio, contando com o sinal de wifi da mesquita. O cara exibiu para o mundo a versão real dos games de guerra.

Pelo que li nos sites europeus, não ficou claro se ele também foi o encarregado do segundo ataque na mesquita de Linwood, apesar de haver indícios de que foi ele também o atirador. Tarrant tem 28 anos e defendia nas redes uma reação violenta aos migrantes islâmicos que se mudam para o Ocidente.

Mas está claro que o crime foi planejado e bem orquestrado, talvez, durante semanas. O atirador deve ter levado bom tempo para escrever com giz, nas armas e carregadores, os nomes de terroristas que são suas referências ideológicas, como Anders Breivik, que matou 77 pessoas na Noruega em 2011.

Há nomes de autores de massacres contra muçulmanos nos tempos das Cruzadas e também terroristas contemporâneos, como o espanhol Josué Estébanez que apunhalou o jovem Carlos Palomino, no metrô de Madrid, em 2007. E o asturiano Dom Pelayo que combateu muçulmanos no ano de 700.

Assassinos em massa também foram homenageados nos rabiscos de Tarrant, como o canadense Alexandre Bissonette, que em 2017 matou seis pessoas abrindo fogo numa mesquita de Quebec; e o italiano Luca Traini que disparou contra um grupo de imigrantes africanos em Macerata, perto de Roma.

Muitas das inscrições remetem a batalhas históricas e aos pretensos heróis cristãos contra tropas islâmicas, como é o caso da guerra de Lepanto, em 1571, quando os católicos derrotaram os turcos. Entre as figuras dessa batalha destacam-se Sebastiano Venier e Marco Antonio Colonna, ambos italianos.

Alguns nomes foram destacados mais de uma vez, todos eles considerados heróis católicos da era da Inquisição. São eles o ortodoxo eslavo Novak Vujosevic, o veneziano Marco Antonio Baradin, o polaco Feliks Kazimierz Potocki, Segismundo de Luxemburgo e o britânico Edward Codrington.

Por toda a sexta-feira sangrenta, um dia tradicional para os muçulmanos, o terrível episódio da transmissão ao vivo pelo Facebook gerou debates na mídia sobre o controle de atos de tal natureza. E cada vez que citam os games de violência, me lembro dos hipócritas que proibiram armas de plástico como brinquedos. Agora refaçam as teses alarmistas.

       



14/03/2019
Oh, Suzano, choro por ti

Oh! Suzano
choveu a noite toda
no dia em que assistí,
o tom de voz do locutor
estava seco, engasgado
o sol se apagou na TV
as crianças apagadas
Suzano, eu choro

Oh! Suzano,
não chore por mim
não sou do Alabama
eu vim do Alecrim
pulei a bordo do lap top
e trombelado de susto
como um pai perdido

Vi o temor ampliado
no cheiro de morte
eu fecho os olhos
vejo Columbia e Alabama
seguro a respiração
Suzano, eu choro

Eu tive um sonho triste
na noite mais estranha
quando aqui trovejava
como os tiros na tua escola
descia uma colina
com crianças estiradas
e não era guerra de bolo
ou de trigo ou de mourisco

Eu tinha lágrimas nos olhos
tristeza vinda do norte
Oh, Suzano, teus garotos
mortos por outros garotos
aí perto ganhei uma menina
aí perto está meu menino
Suzano, eu choro

A vida vai acabando
aqui, aí, em New Orleans
novas iorques e parnamirins
basta olhar em volta
de Natal, Realengo, Suzano
valores desmoronando
um tempo sem porvir
civilização caída no chão
Oh, Suzano, choro por ti.

       



14/03/2019
A lógica do cinismo

Coerência tem sido produto em falta no mercado das vaidades da aldeia de Cascudo. Se uma pessoa integra uma equipe ou um projeto que não deu certo, precisa ter honestidade intelectual de não acusar de fracasso os primeiros dias de uma outra equipe ou de outro projeto.

Torcer contra é só uma bobagem. Além de cinismo.

       



14/03/2019
Michael Jackson na mira

Além dos estragos provocados pelo documentário "Leaving Neverland", feito pela dupla Wade Robson e James Safechuck (que está em cartaz pelo mundo exibindo os assédios pedófilos), a imagem do rei do pop foi arranhada de novo, agora pelo produtor da série Os Simpsons, Al Jean, que acusou Michael Jackson de usar o desenho para atrair crianças.

       



11/03/2019
Mil vezes Messi

A foto que ilustra o artigo de hoje está no site oficial do Barcelona FC, o time catalão que desde 2005, quando um jovem Messi de 18 anos estreou, tem sido uma máquina de futebol a dominar o planeta do século XXI como fez seu rival Real Madrid no século XX. A imagem ocupa toda uma tela de computador.

O Barcelona decidiu festejar a marca de mil gols dando relevância à produção do craque desde o tempo da infância até agora. A contagem começa com os primeiros tentos no time argentino Newell's Old Boys a partir dos 8 anos, em 1995, devidamente catalogados nos fichários do clube da cidade de Rosário.

Aliás, no sábado dia 2, quando o time perdeu para o River Plate por 4 x 2, uma faixa foi estendida nas arquibancadas com a frase "Messi 1000 gols, tudo começou aqui". Convém destacar que o jogador não está comemorando tal feito e sequer deu entrevistas sobre o assunto. É coisa de fãs e dos dois times.

O fato repercutiu nos canais esportivos brasileiros, como Sportv e Fox Sports, onde houve quem usasse os exemplos de Romário e Pelé nos critérios da contagem. O baixinho computou gols feitos aos 13 anos, enquanto o rei somou gols no time do Exército e em jogos festivos contra empresas e sindicatos.

Domingo passado, a torcida e a diretoria do Barcelona também comemoraram a marca dos 800 jogos de Messi com a camisa azul-grená. O mesmo número também significa a soma de 575 gols mais 225 assistências no seu histórico no time. Nesse momento, ele lidera mais uma vez o ranking da Chuteira de Ouro.

Na verdade, Lionel Messi tem em sua carreira profissional, adulta, 652 gols marcados, convertidos pelo Barça e pela seleção da Argentina. A quantificação dos mil gols, celebrada no site, deve-se ao fato de que todos os seus gols nas categorias inferiores estão certificados, como os 105 na época do Sub-13.

Quando ele deixou a Argentina para tentar a sorte na Espanha, contava então com 234 gols acumulados, após acrescentar mais jogando pelo time juvenil do Newell's, que foi chamado pela imprensa platina de "The Machine of 87", numa alusão a ele e aos outros garotos nascidos no mesmo ano de 1987.

Também estão considerados os 18 gols que fez pela seleção Sub-20 da Argentina, campeã mundial de 2005. E mais dois pela seleção olímpica na campanha da segunda medalha de ouro, em 2008. Um dado diferente de Romário, Pelé e Túlio é que 23 gols em jogos de caridade não estão na conta.

A vida profissional começou exatamente em 1 de maio de 2005, a poucos dias de completar 18 anos. Uma estreia iluminada pelo talento de Ronaldinho Gaúcho, na época o grande ídolo da equipe. O seu primeiro gol foi uma pintura copiada da primeira tentativa anulada pelo juiz. A vítima foi o Albacete.

O mais importante dessas manifestações sobre mil gols é a tradicional discrição do gênio. Lionel Messi jamais demonstrou qualquer interesse em fazer tal contagem, segue jogando seu futebol mágico há ininterruptos 15 anos. Se bem que como dizia Gerson, todo gol feito e testemunhado é história.

       



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