BLOG DO ALEX MEDEIROS

12/08/2018
Nos armários da DC Comics

Em meados de 2012, quando os estúdios DC Comics decidiram atender o universo gay estampando em seus quadrinhos um super-herói saído do armário, os executivos resgataram um personagem esquecido nos anos 1940, mas com a mesma identidade de outro famoso desde 1960: Lanterna Verde.

Tratava-se do Lanterna Verde criado pela dupla Bill Finger e Martin Nodell, um ano depois da chegada do Batman e do Capitão Marvel ao mundo de aventuras onde já reinava o Superman. Com a afirmação da Era de Prata, o primeiro Lanterna, Alan Scott, perdeu popularidade para o novo, Hall Jordan.

Portanto, o super-herói do anel do poder verde, que voa pelos quadrinhos desde os anos 1960, não é o que foi inserido na fantasia lgbt e sim o que se estabeleceu como o principal Lanterna Verde, membro da Liga da Justiça e que na vida civil é piloto de avião. O outro foi um consolo politicamente correto.

Seis anos depois do ocorrido, eis que a DC Comics utiliza outra vez o mesmo expediente para dar uma satisfaçãozinha à homomilitância, dessa feita inserindo no mundo do Batman uma heroína lésbica que vestirá a roupa da Batwoman, mais um personagem secundário da sua tropa interminável.

É preciso não confundir a Batwoman com a famosa Batgirl, presença constante nas aventuras do Batman e do Robin, tanto nas revistinhas quanto na TV e cinema. Na verdade, a primeira é a tia de uma das tantas batgirls que já assumiram o auxílio sensual nas batalhas do dono da mansão Wayne.

Mary Elizabeth Kane, a Beth Kane, surgiu no contexto de Gotham City em 1961, criada pelo mesmo Bill Finger do Lanterna Verde. Tinha uma queda pelo Robin e se tornou a primeira Batgirl, sobrinha de Kathy Kane, a Batwoman. A partir de 1967, Beth deu lugar a Bárbara Gordon, a bela filha do comissário.

Nos roteiros de Gardner Fox e nos traços de Carmine Infantino, um dos gênios da Era de Prata, Bárbara se impôs como a Batgirl mais popular, e na pele da atriz Yvonne Craig se eternizou no icônico seriado do Batman na TV da década de 60, dividindo a atenção dos marmanjos com Julie Newmar, a Mulher Gato.

No final dos anos 80, surgiu uma terceira Batgirl: Cassandra, uma adolescente com deficiência na fala, lutadora de artes marciais. A quarta foi Stephanie, também chamada "Salteadora". Nos percursos e percalços dos roteiros do universo do morcego, Beth se tornou "Labareda" e Bárbara virou "Oráculo".

Quanto à Batwoman, que desde 1956 esteve em segundo plano nas aventuras do Cavaleiro das Trevas, acaba de ganhar espaço numa série de TV e será interpretada pela atriz australiana Ruby Rose, que tem na vida real todos os motivos e estímulos para dar um perfil lésbico à personagem resgatada.

Ruby se assumiu homossexual com apenas 12 anos, sofreu bullying nas escolas que nunca conseguiu permanecer e foi estuprada por um parente. Em entrevistas depois de anunciada como Batwoman, ela disse estar realizando um sonho de criança. A atriz se divide entre a dramaturgia e a militância lgbt.





09/08/2018
Música é a melhor notícia

O slogan da rede CBN é "a rádio que toca notícias". Desde sua inauguração, no final de 1991, tem sido a única sintonia radiofônica que tenho no som do carro. Se não a estou ouvindo é porque as opções CD e pen-drive estão em uso. Aliás, no quesito música prefiro a CBN a qualquer outra emissora.

Como outros milhões de ouvintes espalhados pelo país, sou viciado no programa Sala de Música, apresentado por João Marcello, o filho da cantora Elis Regina com o jornalista e produtor cultural Ronaldo Bôscoli. No final da tarde, ele bate um papo com Tatiana Vasconcellos e Fernando Andrade.

A conversa, descontraída e animada, se dá em torno de uma canção que o primogênito da Pimentinha pesquisou e escolheu para comentar com os parceiros e os ouvintes. É uma primorosa aula historiando a composição e gravação da obra e muito também sobre a vida e carreira do autor ou cantor.

Tudo que é gênero desfila nos poucos minutos em que o trio exibe o bom gosto musical do programa, de rock a bossa nova, de jazz a chorinho, de samba de raiz a forró de pé de serra. O atavismo sonoro presente em João Marcello, um atento ouvido desde o ventre, enriquece a música além do que já sabíamos.

Um ecletismo sem preconceito está presente na honestidade intelectual dos comentários dele. Mês passado, em dois programas que o longo percurso do carro permitiu minha audição, o rapaz saltou de Beatles para Gilliard numa naturalidade espantosa para quem aprendeu a erguer paredes preferenciais.

Primeiro, resgatando um papo do dia anterior durante um happy hour com ouvintes convidados, contou sobre como a humanidade e a ciência devem aos Beatles o advento da ressonância magnética. É que a gravadora EMI tinha também um setor de pesquisas médicas e desejava ler o corpo humano.

Como os recursos necessários para a empreitada eram enormes, foi graças à explosão mundial da banda de Liverpool que o faturamento permitiu o investimento para que os primeiros equipamentos de ressonância fossem elaborados e produzidos. Todos nós devemos essa aos Fab Four.

Na outra vez, me surpreendeu o enaltecimento de João Marcello ao cantor natalense Gilliard Cordeiro, quando pediu para Tatiana Vasconcellos mandar tocar a música "Festa dos Insetos", do começo dos anos 80, e que ficou popular no Brasil inteiro com o improvisado título "A Pulga e o Percevejo".

Versando um pouco sobre a carreira do artista, lembrou que era um cara de estilo romântico, da escola de Roberto Carlos, mas que tinha uma voz suave e bem diferente de alguns que hoje se utilizam da mamata do computador. E contou que a canção conquistou crianças e famílias na época da sua infância.

Sua experiência em estúdios garantia que aquilo era uma música bem feita, redondinha em termos de arranjos e execução, e carregada de valores eternos que poderão jogá-la no domínio público como clássicos tipo "Cai Cai Balão". É preciso entrar na Sala de Música da CBN para ouvir e cantar boas notícias.





07/08/2018
A musa do carrasco de Lennon

Quando John Lennon pisou pela primeira vez nos EUA, em 1964, havia no Texas um garoto que ao mesmo tempo que assistia os Beatles no programa Ed Sullivan Show via o pai espancar a mãe. No dia que Elvis Presley morreu, em 1977, o mesmo garoto - agora com 22 anos - tentava suicídio no Hawaí.

Entre os 9 e 22 anos, Mark Chapman passou por bullying, drogas, psicopatia e delírios de poder e celebridade. Em 23 de outubro de 1980, se demitiu do emprego e no último cartão de ponto assinou John Lennon no lugar do próprio nome. Fez as malas, pegou um livro de J.D. Salinger e foi para Nova York.

Passou a frequentar o Central Park e as cercanias do Edifício Dakota, lugares onde o líder dos Beatles passeava e morava respectivamente. A década de 80 iniciara com Lennon voltando a produzir após o silêncio musical do final da década anterior. Em novembro, lançou com Yoko o álbum Double Fantasy.

Antes disso, a revista Esquire publicou um longo artigo destacando a fase de reclusão do artista, a vida doméstica num apartamento decadente e, provavelmente, concentrado apenas em contar os milhões no banco e cuidar do filho pequeno, nascido em 1975. Chapman leu, antes de ir pra Big Apple.

E leu também, bastante, o romance O Apanhador no Campo de Centeio, única obra célebre de Salinger que fala de um adolescente depressivo, mentiroso, mau aluno e temperamento dividido entre afeto e ódio. No dia 8 de dezembro de 1980, ele ficou circulando diante do prédio onde morava John Lennon.

O compositor passou aquele dia se deslocando para entrevistas sobre o novo disco, algumas vezes parando para dar autógrafos aos muitos fãs que sempre seguiam seus passos. Numa das vezes, o próprio David Chapman foi alvo da gentileza do beatle. Mas, na segunda vez, foi abatido com quatro tiros.

Trinta e oito anos depois do assassinato que desolou milhões de fãs dos Beatles em todo o mundo, e a poucos dias do criminoso ter sua pena avaliada mais uma vez, uma entrevista no jornal inglês The Mirror agita a beatlomania.

Gloria Hiroko Chapmam, a mulher do assassino, revelou que o marido lhe avisou da ideia de matar Lennon dois meses antes de concretizar o crime. Ela disse que quando ouviu a notícia no rádio e na TV, logo teve a certeza de que sabia quem foi o autor dos disparos na zona oeste do famoso Central Park.

Em setembro de 1980, Chapman foi até Nova York e voltou assustado com uma ideia arriscada que tinha o objetivo de tornar seu nome famoso. Gloria disse ao jornal que o marido lhe contou e que teria desistido por amor a ela. Na segunda viagem dele, ela disse que não imaginou que o motivo era o mesmo.

Ela revelou que Chapman mentiu ao dizer que havia jogado no mar a pistola adquirida ao tempo do emprego de segurança no Hawaí. Contou que estava vendo TV e viu os créditos "John Lennon foi baleado por um homem branco".

Glória ainda espera o marido, que no dia 20 próximo terá seu décimo pedido de liberdade condicional avaliado pela justiça americana. Já a viúva de Lennon, Yoko Ono, jamais aceitou a soltura do homem que calou o autor da canção Imagine, um hino pacifista feito em 1971, no auge da Guerra do Vietnã.





06/08/2018
Morreu Joël Robuchon

Luto no mundo gastronômico. Faleceu aos 73 anos o chef de cozinha francês Joël Robuchon, o maior ganhador de estrelas no famoso e rigoroso Guia Michelin, que avalia os restaurantes do mundo inteiro. Foram 32 estrelas.


Nascido em 1945 em Poitiers, na parte central da França, Robuchon recebeu muitos reconhecimentos ao longo da carreira de cozinheiro, sendo considerado o melhor do século XX pela renomada revista Gault & Millau, que revolucionou o universo gastronômico e patrocinou a Nouvelle Cuisine.

Sua morte foi consequência de um tumor no pâncreas, que o levou a um procedimento cirúrgico há um ano. O chef da cozinha do Palácio dos Campos Elíseos, sede do governo francês, Guillaume Gómez, postou no Twitter: "O maior profissional que a cozinha francesa já teve, um exemplo para as futuras gerações de chefs".





06/08/2018
45 anos hoje do programa Fantástico

Num dia como hoje, em 1973, uma noite de domingo, a TV Globo estreava um novo programa, uma revista eletrônica com a função de entreter e também de informar. Fruto da criatividade e antevisão de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, entrou no às 20h o Fantástico: o Show da Vida.

Eu tinha 14 anos e nas imediações da casa dos meus pais existia no máximo uma dezena de televisores, nenhum ainda em cores, apesar das improvisadas telas que imitavam o colorbar dos futuros aparelhos coloridos, só que em faixas horizontais. Era o tempo em que a maioria assistia tudo nos televizinhos.

Apenas no ano de estreia o programa foi apresentado em preto e branco, numa abertura tipo musical, onde um par de crianças adentrava o palco e abria uma cortina para o surgimento de dançarinos circenses, enquanto a música-tema abria com sons de piano, harpa e xilofone, num barulho de águas e sinos.

A letra foi composta pelo próprio Boni, enquanto Guto Graça Mello criou a melodia e os arranjos. A execução ficou com a orquestra e o coral da gravadora Som Livre, que poucos meses depois lançou o LP com a canção em diversos estilos. Não demorou e se tornou a sonoridade das noites dominicais.

Foi um ano de grandes mudanças no Brasil. A cena musical pós Tropicália explodiu com produções que se tornariam épicas, como os discos e canções de Raul Seixas, Secos & Molhados, Luiz Melodia, Sergio Sampaio e Walter Frango. Os bregas e românticos reeditavam a Jovem Guarda na audiência.

Aquele 1973 foi citado literalmente em duas músicas que não paravam de tocar no rádio. Campeão de vendas de discos, Antônio Marcos emocionava cristãos com O Homem de Nazaré, letra de Claudio Fontana: "1973, tanto tempo faz que ele morreu, o mundo se modificou, mas ninguém jamais o esqueceu".

O outro a cantar - e gritar - o ano foi o maluco Raulzito fundindo a cuca do país com a música e letra de Ouro de Tolo: "... ganho quatro mil cruzeiros por mês, eu devia agradecer ao Senhor por ter tido sucesso na vida como artista, eu devia estar feliz porque consegui comprar um Corcel 73".

Na guerra pela audiência das famílias brasileiras, a Globo brigava com a Tupi com suas novelas. Quando o Fantástico estreou naquele agosto, a Tupi tinha acabado de exibir Vitória Bonelli, sucesso que iniciara em setembro de 1972 e tinha grande elenco, destacando um jovem ator chamado Tony Ramos.

A Globo atacava com um time de peso na novela Cavalo de Aço, que sairia do ar no meio do mês da estreia do Fantástico. Não foi fácil para a Tupi enfrentar o talento de Tarcísio Meira, Glória Menezes, José Wilker, Betty Faria, Arlete Sales, Claudio Cavalcanti, Renata Sorrah, Carlos Vereza e Stênio Garcia.

A emissora dos Diários Associados sustentou a briga com Rosa dos Ventos, iniciada em julho logo que terminou Vitória Bonelli e atravessaria o ano inteiro até novembro. No elenco, de novo Tony Ramos e mais Arlete Montenegro, Geraldo Del Rey, Fausto Rocha, Wanda Estefânia, Nicette Bruno, Adriano Reys, Nathália Timberg, Ruthinéa de Moraes e a gata da hora, Nádia Lippi.

Nesses 45 anos de Fantástico, tudo mudou quase para pior: mudaram as novelas, as canções, o entretenimento televisivo e também o próprio Show da Vida, resumido hoje a matérias policiais, aberrações comportamentais e tudo quando é miséria do século XXI. O Fantástico agora é o Show da Morte.





03/08/2018
Mídia, fakenews e Shakespeare

Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a filosofia. Isto se repete com dez entre dez pessoas que jamais leram Hamlet. Assim como há outra coisa maior por trás da cruzada da grande mídia contra os fakenews. Não, mil vezes não. A imprensa clássica não abraçou de repente a verdade.

Falsas notícias sempre existiram, assim como manipulação dos fatos, que ao fim e ao cabo são a mesma coisa. O que os jornalões e as televisões, com rima e tudo, estão fazendo é uma espécie de delação premiada para impedir que aqueles que hoje os repetem não assaltem seus usuários.

A mídia oficial está num cagaço cuja visibilidade extrema não tem jeito de ser camuflada por uma campanhazinha de doutrinação dos leitores, ouvintes e telespectadores, que só tem uma finalidade: não perdê-los para as redes sociais, para os blogs e sites independentes e para grupos do WhatsApp.

O advento da Internet mudou o azimute da comunicação social, tirou da mídia estabelecida a exclusividade dos fatos e a reserva de mercado dos acessos a opiniões e análises. Há um fenômeno que poucos estão percebendo, além da midiazona, que é a onipresença dos aplicativos.

Foram-se os tempos dos leitores privilegiados com acesso a artigos, crônicas, críticas e debates até então restritos aos ambientes acadêmicos, políticos e intelectuais. Nos mais distantes recônditos do país, nos mais esquecidos grotões do mapa, o tal zap zap está fazendo um estrago.

Lê-se tudo pelo Brasil afora, sem precisar dos acessos aos jornais, revistas e canais de TV. Um vaqueiro repassa pra outro textos presumíveis de Arnaldo Jabor, um feirante discute em grupo sobre Lula e Bolsonaro, milhões de brasileiros compartilham o que antes era assunto de uma elite.

Mesas redondas em canais fechados e comentários analíticos em telejornais das grandes redes são desmitificados por versões de um mesmo fato na boca de um youtuber; os velhos plantões das redações sofrem atraso de longos minutos em relação ao fato disseminado no Twitter ou Facebook...

No processo eleitoral que se avizinha, o efeito disso tudo já está nas ruas, através de uma rejeição gigantesca à política. A massa já não tem manobra, molda sozinha, ou em nichos internéticos, sua opinião sobre tudo e sobre todos. É essa realidade que a campanha anti fakenews camufla em si mesma.

Lembra Hamlet, no esforço de esconder de Horácio e Marcellus os detalhes do encontro com o fantasma (seria um fake?). Após revelar tudo, quer que ambos saibam assimilar só para eles o fato. A questão é que entre verdades e mentiras, a imprensa sempre navegou na fronteira das duas. Ser fake ou não ser, eis a questão.





02/08/2018
Violência, saúde e economia na pauta da AL

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte terá uma agenda vasta para o mês de agosto. Importantes debates estão programados para o período, com a realização de seis audiências públicas, discutindo desde violência contra mulher, economia, combate às drogas, proteção à criança e saúde pública.

No dia 7 de agosto, o tema em debate no Poder Legislativo será a Lei Maria da Penha, que trata sobre proteção às mulheres vítimas de violência doméstica. População, autoridades e parlamentares discutirão acerca dos avanços e desafios da legislação, que completa 12 anos. A discussão está prevista para as 14h, no auditório da Casa.

Uma semana depois, no dia 14, o tema em discussão será o combate ao uso de entorpecentes. Também agendada às 14h, o debate vai tratar políticas sobre drogas e famílias junto às comunidades terapêuticas.

Especialistas no assunto estarão no Legislativo para tratar do tema. Um dia depois, o assunto será a discussão do futuro da economia do Rio Grande do Norte.

A Frente Parlamentar em Defesa do Comércio, Indústria, Turismo, Serviços e Empreendedorismo vai discutir junto à população o projeto Mais RN, voltado ao desenvolvimento econômico do estado.

Na segunda-feira seguinte, dia 20, o debate terá como foco o respeito aos direitos da criança e da mulher. Na audiência, também agendada para às 14h no auditório da Casa, sociedade civil organizada, representantes de movimentos sociais e autoridades debaterão junto aos deputados os deveres do Estado para garantir os direitos estabelecidos por lei.

Dois dias depois, em 22 de agosto, os jovens também serão foco do debate, mas em discussão sobre o sistema de garantia à criança e ao adolescente vítima ou testemunha de atos de violência. Representantes do Estado, da área de Segurança Pública, Direitos Humanos e a sociedade civil participarão da discussão.

Ainda no mês, dia 23, a saúde será foco de discussão dos parlamentares. Dessa vez, o sistema de assistência odontológica à população será discutido no auditório Cortez Pereira, às 14h.

Os desafios, problemas e as alternativas para melhorias no atendimento serão discutidas por representantes da Secretaria Estadual de Saúde, unidades de saúde, servidores e representantes de classe.

Todas as audiências públicas são abertas à população, que pode participar dos debates no auditório, tirando dúvidas ou acrescentando ao debate. Além disso, as discussões também são transmitidas pela TV Assembleia para todo o estado.





29/07/2018
Rejeição total na pesquisa da FIERN

A Federação das Indústrias do RN publicou na manhã de domingo, 29, uma nova pesquisa de opinião (não é de hoje que a entidade investe em pesquisas nos anos eleitorais), agora realizada pelo Instituto Certus, averiguando o cenário do estado no âmbito econômico, administrativo e político.

Entre diversas aferições feitas, também foram aplicados questionários sobre a intenção de voto do eleitor potiguar para as eleições de outubro. E o resultado para a disputa ao governo do estado exibiu um quadro que se repete em outras pesquisas anteriores, tanto no RN quanto no Brasil inteiro.

Os índices da aferição espontânea, por exemplo, exibem pela enésima vez a rejeição absoluta do povo ao processo eleitoral, numa consequência clara do descrédito generalizado com a prática política no país nas últimas três décadas, desde que a proliferação de partidos ocupou o serviço público.

Há três décadas (desde meus tempos no Diário de Natal e no Jornal de Hoje) venho alertando os leitores sobre a importância da pergunta respondida espontaneamente, quando o questionário da pesquisa não induz o entrevistado com a apresentação prévia dos nomes dos candidatos.

É muito mais real um resultado na espontânea do que na estimulada. E o que mais uma vez a pesquisa da FIERN e da Certus mostrou foi simplesmente uma indiferença gigantesca do povo com os candidatos, como já vem ocorrendo em outros estados. Ninguém suporta assunto político faz tempo.

A pesquisa espontânea apontou mais de 80% dos eleitores potiguares rejeitando todos os candidatos a governador. Foram 49,15% se dizendo indecisos e 31,35% afirmaram não votar em nenhum. Fátima Bezerra (PT) obteve 8,72%, Carlos Eduardo (PDT) 6,10% e Robinson Faria (PSD) 2,91%.

Essa rejeição popular também se apresenta, inclusive, na aferição estimulada, quando há a presença dos nomes no questionário. Foram, 34,11% dizendo não votar em nenhum, enquanto 10,43% estão indecisos. Fátima Bezerra 29,15%; Carlos Eduardo, 15,39% e Robinson Faria, 6,31%.

Foi feita também uma averiguação do sentimento do eleitor com a eleição para presidente da República, e a indiferença potiguar se apresentou robusta na pesquisa espontânea, onde uma maioria de 65% rejeitou todos os nomes. O líder entre os citados, Lula (que nem é candidato), teve 24%.

Uma pergunta instigante na pesquisa foi sobre o poder de influência do voto, onde 52,48% responderam que ninguém influencia, enquanto 19,72% disseram ser os prefeitos. Já 5,25% responderam os vereadores; 6,38% o padre católico; 4,18% o pastor evangélico; e 3,83% o deputado estadual.

Uma coisa curiosa na divulgação da pesquisa é que foi feita apenas na página da FIERN no Twitter, iniciativa justificada pela própria pesquisa que mostrou 69,39% dos eleitores acessando a Internet. Entretanto, as postagens obtiveram pouquíssimas curtidas e compartilhamentos no microblog do passarinho azul.





27/07/2018
O esquema bancário suspeito de Toffoli

A revista Crusoé chegou às bancas exibindo uma reportagem-bomba na capa, representada graficamente na foto do ministro do STF, Dias Toffoli, futuro presidente da corte, o órgão máximo de defesa da Constituição.

Segundo a matéria, baseada em minuciosa investigação técnica de profissionais do Banco Mercantil, o ministro mantém uma conta gerenciada por um assessor do próprio STF onde depósitos mensais de R$ 100 mil são feitos, oriundos de uma conta do Itáu pertencente à sua mulher, que adminisrra um escritório de advocacia.

O rastreamento dos depósitos e também das retiradas sugerem um esquema suspeito que não passou pela fiscalização do COAF - o Conselho de Atividades Financeiras, nem pelo Banco Central. Há também uma espécie de triângulo afetuoso-pecuniário com transferência de metade dos R$ 100 mil para uma ex-esposa de Toffoli.

Veja a íntegra da explosiva reportagem no site da revista Crusoé, aqui: 
www.crusoe.com.br





26/07/2018
Textos liberados para todos

Alguns nomes icônicos estão na lista dos autores com textos sob domínio público a partir deste 2018. A começar pelo americano Winston Churchill, o romancista que durante o início do século XX foi bem mais conhecido que o mítico político britânico, que por sinal também foi escritor e até ganhou o Nobel.

Apesar de ofuscado pelo inesquecível primeiro-ministro do reino, o Churchill romancista conseguiu a proeza de ser inclusive um best-seller. Muitos dos seus livros foram por vezes atribuídos ao Churchill inglês, que só escreveu um romance, chamado Savrola. Ambos também eram pintores e trocaram cartas.

A iniciativa foi do político da Inglaterra, solicitando um entendimento com o xará dos EUA quanto à autoria nas capas dos respectivos livros. O inglês informou que publicaria suas obras como Winston S. Churchill (S de Spencer), deixando ao americano o uso do Winston Churchill. E assim foi acertado e feito.

No meio dos escritores com textos liberados dos direitos autorais está um inglês não muito famoso quanto Churchill, mas cultuado até hoje por tribos de contraventores culturais e filosóficos. Seu nome é Aleister Crowley, que ficou notório como ocultista, pintor, poeta e romancista. Foi até espião recrutado.

Frequentou a Universidade de Cambridge e praticava montanhismo, período em que aderiu a uma espécie de seita chamada Ordem Hermética que o treinou nos rituais de magia cerimonial. Se aventurou em regiões inóspitas na Escócia e no México, e estudou práticas hindus e budistas na Índia.

No começo do século XX, enquanto passava a lua de mel com a esposa Rose Edith no Egito, declarou ter sido contatado por uma entidade sobrenatural de nome Aiwass. Tal figura teria lhe fornecido o Livro da Lei, com o qual ele compôs sua própria seita chamada Thelema, onde tudo é permitido, é da lei.

Crowley se tornou guru de onze entre dez roqueiros durante as décadas de 1960 e 1970, influenciando músicos, poetas e compositores, com destaque no Brasil para Raul Seixas e Paulo Coelho, que se inspiraram na Thelema para compor a música Sociedade Alternativa, cuja letra cita o satanista britânico.

Sob domínio público também estão as obras surrealistas do pintor belga René Magritte, que subverteu percepções da realidade com imagens provocativas de objetos comuns, mas inseridos em contextos incomuns. Ele dizia que suas criações evocavam mistérios. E muito influenciaram a geração da pop art.

Por falar em obra provocativa, quem também está na lista é a americana Alice Babette, personagem importante da transgressora vanguarda de Paris no início do século XX. Ela e a escritora Gertrude Stein se encontraram na capital francesa, sobreviventes do devastador terremoto de 1906, em São Francisco.

Se tornaram amantes e nos anos da "geração perdida", entre a Primeira Guerra e o "crash" de 1929 montaram acampamento na casa parisiense para abrigar artistas expatriados como Hemingway, Picasso, Scott Fitzgerald, Ezra Pound, Matisse, John dos Passos, T. S. Eliot e posteriormente James Joyce.

Uma curiosidade na obra de Gertrude é que seu livro mais popular foi exatamente a biografia de Alice Babette, de 1933. A autobiografia viria 30 anos depois, quase 20 anos depois da morte de Gertrudes. Alice publicou também um livro cheio de receitas próprias, entre elas uma mistura de frutas, nozes e maconha que acabou batizada com o nome "brownies de Alice B. Toklas".





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