BLOG DO ALEX MEDEIROS

20/07/2018
Sharon Tate days

A modelo e atriz Sharon Tate foi barbaramente assassinada em 9 de agosto de 1969.
No ano que vem faz 50 anos, boa oportunidade para instituir o Dia Mundial Contra o Genocídio da Mulher Branca.





20/07/2018
A chapa Dudu

Nas eleições do Rio Grande do Norte vai ter uma chapa majoritária formada com Carlos Eduardo (PDT) para governador e Carlos Eduardo (PP) para vice.

Uma unidade de nomes pessoais escondendo a discrepância entre os partidos de Leonel Brizola e Paulo Maluf.





20/07/2018
Vestidos para voar

Li num dos jornais ingleses que acesso de manhã cedo a notícia de que um engenheiro britânico chamado Richard Browing acabou de colocar à venda algumas unidades de uma roupa que ele inventou para nos fazer voar. A vestimenta dividida em cinco peças custa a bagatela de 380 mil euros.

A reportagem diz que o mecanismo foi construído a partir de uma impressora 3D e que fica nos braços a propulsão que permite ao usuário levantar voo e atingir velocidade de até 51 km por hora, numa altura que se aproxima dos 4.000 metros. A roupa precisa de gasolina ou diesel para sair do chão.

Voar talvez seja a maior das vontades humanas, quiçá um legado de Ícaro presente nos sonhos de todas as gerações e que alimentou a fantasia dos homens pelos séculos além, tanto na concepção religiosa dos anjos ou na cultura ficcionista dos super-heróis. Todas as pessoas já sonharam voando.

Há também aquele sonho do voo acordado, feito nas asas da imaginação, do pensamento. Eu comecei a voar ainda na primeira infância, correndo num beco da Cidade Alta, a rua Padre Calazans, de uma esquina a outra - coisa de poucos metros - para observar as duas luas cheias nos céus do Potengi.

Um dia, ali por 1965 ou 1966, vi um homem voador. Vestido de azul e vermelho estampado na capa de uma revista em quadrinhos. Foi meu primeiro contato com o Superman, um impacto de rito de passagem. Fazia pouco tempo que eu aprendera a dominar o alfabeto e a partir dali, passei a devorar leituras.

A relação diária com o super-herói da DC Comics, publicado aqui pela Ebal de Adolfo Aizen, provocou alguns prejuízos domésticos, como as toalhas e lençóis de mamãe, puídos de tanto amarrá-los ao pescoço no improviso da capa do homem de aço. Também havia os arranhões e hematomas das decolagens.

Lá pelos dez anos, aprendi a administrar o sonho de voar e a compreender as possibilidades do sonho imaginativo. O Superman já havia me apresentado outros colegas voadores, como Ajax, Supergirl, Shazan, Lanterna Verde, Miss América, Mon-El... Com eles, voei na criatividade de inventar brinquedos.

O voo solitário do pensamento me ensinou a brincar sozinho e não depender de companhia nos períodos de aula, quando os amigos não estavam disponíveis na rua em tempo integral. Criava jogos com tampas de garrafa, papéis de cigarro, caixas de fósforo, botões de roupa coloridos, latas de leite.

Meus desejos de voar, de ter superpoderes, de viajar no tempo, também deram capacidade de inventar roteiros e pegadinhas para trolar colegas desavisados e mais ingênuos. Cheguei a pregar trotes num garoto que hoje se enquadrariam na prática de bullying. O pobrezinho também vivia sonhando.

Diferente de mim, que queria voar mas sabia que não podia, ele queria e acreditava que existiam condições além das leis da física para fazê-lo voar. Eu tratava, então, de alimentar seus desejos inventando coisas malucas que o garoto logo adotava, sem a menor consciência dos desconfortos trazidos.

Entre 1970 e 1971, um livro do acervo do meu irmão me chamou atenção. Li Fernão Capelo Gaivota num voo só e logo descobri que a obra do americano Richard Bach era uma campeã de vendas, como foi O Pequeno Príncipe nas décadas anteriores. A leitura me deu mais autoridade sobre a arte de voar.

Mas, também forjava em mim uma superioridade intelectual sobre o amigo ingênuo. Daí ele acreditava que voaria se tomasse café misturado com pó de k-suco de framboesa, ou se amarrasse uma folha de castanhola na cabeça e se jogasse do alto de uma calçada. Queria encontrá-lo agora pra dividir a roupa de voar que está à venda em Londres.





18/07/2018
Um campeão restaurado

No intervalo de vinte anos desde a conquista da única copa do mundo, a seleção francesa tinha um ponto de conjunção com aquele passado quando iniciou a corrida pela taça da FIFA em campos russos. O técnico Didier Deschamps era essa figura de ligação com a glória da geração de Zidane.

Em 1998, quando a França esmagou o Brasil na final da copa no Stade de France, em Saint Denis, cidade ao norte de Paris, ele era o volante e capitão do time comandado pelo técnico Aimé Jacquet. Também era jogador da Juventus, saindo nas duas temporadas seguintes para o Chelsea e Valência.

No mesmo ano em que encerrou a carreira no time espanhol, em 2001, ainda com 32 anos, começou a treinar a equipe do Mônaco, levando-o à final da Champions League em 2004. Dois anos depois assumiu a Juventus que havia sido rebaixada à série B, devolvendo o time à principal série do Calcio.

Deschamps voltou pra liga francesa em 2009 para dirigir o Olympique de Marseille, que já amargava 18 anos sem títulos. Encheu a equipe de jogadores argentinos, enfiou um espanhol no meio e completou com pratas de casa, ganhando com autoridade o campeonato e reforçando sua boa reputação.

Foi em 2012 que topou a missão de reestruturar a seleção nacional, que naufragou em três copas seguidas, perdendo a final de 2006 num jogo dramático contra uma rival sempre surpreendente, a Itália. Para piorar as coisas, os azuis deram vexame na Copa de 2010, caindo na primeira fase.

Deschamps tinha então quase a obrigação de reorganizar o time para as copas de 2014 e 2016. Começou bem a campanha no Brasil, batendo Honduras por 3 x 0 e Suíça por incríveis 5 x 2, mas tropeçou no Equador num 0 x 0 preocupante. Avançou nas oitavas com 2 x 0 na Nigéria e seguiu confiante.

Só que nas quartas lhe esperava a Alemanha, a seleção que havia inovado num planejamento ilustrado pelo mistério de uma concentração escondida em bucólicas terras da Bahia. Os franceses caíram por 1 x 0 num gol do zagueiro Hummels, que tinha dez anos quando Deschamps ganhou a Copa 1998.

A desclassificação não comprometeu o trabalho de apenas dois anos na seleção, que logo depois iria tentar ganhar a Eurocopa de 2016 jogando em casa. A final contra Portugal fez acender no treinador a agonia do vice-campeonato do Mônaco, quando o Porto fez 3 x 0 e levou a taça de 2004.

Já disseram que um técnico aprende mais nas derrotas do que nas vitórias. E domingo, após conquistar o bicampeonato mundial, Didier Deschamps revelou numa das tantas coletivas de imprensa que os traumas diante do futebol português o ajudaram a reconstruir a essência campeã da França de 98.

Os títulos perdidos frente aos colegas lusos José Mourinho (2004) e Fernando Santos (2016) estiveram sempre como súbitas sombras em sua prancheta de desenho tático. Foi ele quem expandiu em campos russos o futebol de craques como Griezmann, MBappé, Kanté e Pogba, todos monstruosos na vitória.

Vinte anos depois da glória da sua geração, a geração do gênio Zidane, Deschamps e seu pragmatismo recolocaram a França no topo do planeta bola. Seu time superou os rivais com velocidade, eficiência técnica, solidez tática e um espírito de equipe só inferior à própria Croácia.
O título foi obra da restauração, onde a França voltou a ser exposta no Louvre da Copa.





16/07/2018
Os extremos nas urnas

Desde o final do ano passado, o Instituto Paraná Pesquisas vem realizando aferições em diversos estados do país a respeito da disputa presidencial. A partir de maio deste ano, com as costuras políticas iniciadas e algumas pré-candidaturas mantidas, o confronto esquerda vs direita tomou forma.

Assim como os demais institutos, o Paraná também pesquisou cenários com a presença e ausência de Lula, gerando desconfianças do eleitorado anti-PT por um lado, e provocando histeria em líderes petistas por outro. Entre maio e junho, os números apurados mostram agora uma nova realidade no ar.

Até maio, por exemplo, a liderança de Lula representava quase o dobro do segundo colocado, o deputado carioca Jair Bolsonaro. Mas a partir daí, o confronto entre ambos adquiriu ares de Fla x Flu, principalmente nos cinco maiores colégios eleitorais do Brasil. Há uma leve vantagem para Bolsonaro.

Em São Paulo, ele aparece com 20,6% e Lula tem 19,5%. Sem o petista, o candidato do PSL vai a 21,4% e o ex-governador do estado Geraldo Alckmin sobe para 18,4%. O ex-prefeito Fernando Haddad, plano B do PT, atinge apenas 5,1%, atrás de Marina Silva e até do cearense Ciro Gomes.

No Rio de Janeiro, Bolsonaro vence em qualquer simulação, tanto com Lula ou sem ele. O ex-capitão do Exército tem 25,1% contra 21,5% do preso da Lava Jato. Quando o candidato do PT é Haddad, aí Bolsonaro pula para 27,4%. A mesma situação do duelo no Rio se repete no Rio Grande do Sul.

Bolsonaro é o preferido dos gaúchos na pesquisa do dia 12 de junho. Seu índice é de 28,1%, enquanto o de Lula é de 20,5%. A briga no quinto colégio do país se concentra nos dois e não sobra espaço para os outros postulantes ao Planalto, sendo terceiro colocado Ciro Gomes com apenas 6,9%. Filha da terra, a deputada Manuela D'Ávila aparece com pífios 4,4%.

Já em Minas Gerais ocorre uma vantagem de Lula sobre Jair Bolsonaro. O petista alcança 27,8%, enquanto o adversário tem 23,4%. Marina tem 11,6%, Ciro 7,5% e Alckmin 6,5%. Na retirada de Lula pelo nome de Fernando Haddad, a liderança é de Bolsonaro, com 25,6%, e Marina vai a 18,1%.

Na Bahia, estado com forte presença do PT na estrutura de poder, Lula dispara com 43,4%, enquanto Bolsonaro se isola na segunda posição com 16,8%, o dobro de Marina que tem 8,3%. Sem Lula e com Haddad, Bolsonaro e Marina estão tecnicamente empatados com 19,6% e 18% respectivamente.

No balanço dos cinco maiores colégios, o cenário baiano é o único onde o nordestino Ciro Gomes atinge dois dígitos, 13,5%. Há uma tendência visível dos votos de Lula distribuídos entre Marina e Bolsonaro, num fenômeno de fundir a cuca dos sociólogos. Precisam saber que os extremos se atraem.





11/07/2018
O último silêncio de Steve Ditko

Quando as moedas que meu pai me dava para comprar revistas em quadrinhos permitiram os primeiros contatos com o Homem-Aranha, em 1969, um dos criadores do herói já nem estava mais em parceria com Stan Lee. Os desenhos de Steve Ditko conquistavam fãs com efeito retroativo no Brasil.

Publicada pela Ebal, a revista do Aranha estreou aqui 7 anos depois do lançamento nos EUA, quando Ditko assumiu a elaboração do personagem, superando a concepção de Jack Kirby. Foi dele a ideia das cores do uniforme e os jatos de teias no punho, adaptando sugestão do colega Eric Stanton.

Ao lado de Stan Lee e Jack Kirby, Steve Ditko formou a mais brilhante e criativa trindade da nona arte, sendo também os três pilares de sustentação da Marvel na chamada era de prata dos quadrinhos. Quando pariram juntos o Homem-Aranha, em 1962, já tinham doze anos de parceria e amizade.

Filho de uma família oriunda da antiga Tchecoslováquia, Steve Ditko cresceu na Pensilvânia folheando revistas do Príncipe Valente, de Hal Foster; Batman, de Bob Kane; The Spirit, de Will Eisner; e O Fantasma, de Lee Falk; todos jovens desenhistas e roteiristas da geração que fantasiou toda sua infância.

Pouco antes de conhecer Kirby e Lee, deixou o ensino médio e se alistou no exército americano, servindo na Alemanha do pós-guerra, onde desenhou para um jornal interno. Ao retornar, foi estudar na Escola de Cartunistas e Ilustradores, em Nova York. Ali montou estúdio com o amigo Eric Stanton.

Em 1963, um ano após o Homem-Aranha, Ditko concebeu o personagem Dr. Estanho, a partir de uma solicitação de Stan Lee para inserir um novo vilão nas revistas. Se inspirou no mágico Mandrake - como já fizera mascarando por completo Peter Parker a partir do Batman. Bebeu Lee Falk e Bob Kane.

Brigou com a Marvel e os parceiros em 1966 e saiu vendendo sua genialidade para outras editoras, inclusive a rival DC Comics, chegando a botar seu traço no herói de infância, Batman, e a mudar conceitos no visual da Legião dos Super-Heróis, outra publicação da Ebal que nos trouxe Ditko com atraso.

Steve Ditko foi referência para muita gente que mudou os quadrinhos depois dele, como os britânicos Alan Moore, Neil Gaiman e Mark Millar. O próprio John Romita, que deu dimensão épica ao Homem-Aranha, reconhecia o legado, mesmo tendo sido um jovem que quase nada leu do herói antes de adotá-lo.

As batalhas jurídicas pela co-autoria do Homem-Aranha, que lhe afastaram dos velhos parceiros, nunca lhe empurraram para a imprensa; tinha aversão à exposição pessoal ou notoriedade; bastavam seus direitos. Já velho, ao saber dos primeiros traços do aracnídeo em leilão, disse: "isso pouco me importa".

O silêncio que o acompanhou em vida foi mais enorme na morte, cuja notícia chegou à mídia vários dias depois de ocorrida. Seu coração parou em 27 de junho e os fãs só tomaram conhecimento no último fim de semana. Steve Ditko merece todas as homenagens e honras dedicadas a Stan Lee e Jack Kirby.

Dessa trindade, não é fácil identificar quem é pai, filho e espírito santo.





11/07/2018
Sexta tem resenha da Copa na FM Cidade

Próxima sexta-feira, antevéspera da grande final da Copa 2018, estarei logo cedo no programa Bom Dia Cidade, apresentado na rádio 94 FM pelos amigos Jener Tinoco e Gustavo Negreiros. Vamos bater papo sobre a copa que está terminando, um bate-bola descontraído como foi na primeira vez que fui lá.

Aliás, a primeira conversa que tive com a dupla de apresentadores foi no dia 4 de junho, dez dias antes do começo dos jogos na Rússia. Naquele, dia Jener me perguntou sobre as chances das seleções e eu falei sobre algumas, favoritas ou não.

Querem saber o que eu disse? Vão lá na capa do site e cliquem na seção "Vídeo do Dia". Prestem atenção nas três primeiras seleções que eu citei como prováveis candidatas a fazer bonito na Copa.





10/07/2018
Bié, bié, Brasil pacheco

Sou órfão da geração de Zico, Sócrates e Falcão. Réu confesso - e, às vezes, possesso - desde o tombo diante de Paolo Rossi, naquele fatídico 1982, não torço mais pela seleção brasileira, herdando gesto da geração do meu pai que desencantou após a Copa de 1950. E sou avesso ao mundinho dos pachecos.

De 1990 até hoje, cada vez que o time da CBF tropeça numa copa eu faço questão de lembrar e repetir uma assertiva do escritor Paulo Mendes Campos, que percebia como poucos a mediocridade da imprensa esportiva em sua prática diária de vender como análises emoções chinfrins de arquibancada.

O cronista botafoguense, autor de livros como "O Gol é Necessário" e "Os Bares Morrem Numa Quarta-Feira", sentenciava a ignorância da mídia esportiva dizendo que esta não havia chegado sequer na Semana de Arte Moderna de 1922. Morto há 27 anos, Mendes continua em dia na sentença.

É a imprensa esportiva o alicerce sem massa cinzenta que sustenta a catedral de pieguice das multidões uniformizadas que, como cardumes de zumbis patrióticos, se aglomeram de quatro em quatro anos para viver a ilusão do futebol como sentimento único a vestir a ignorância com roupa de cidadania.

Gostei, torci e fiz piadas na derrota para a Bélgica. Sim, sou adepto da tese de que não basta festejar a queda da selecinha amarela, mas urge tripudiar ao máximo, como um esforço teimoso no objetivo de expor o ufanismo medíocre de validade bissexta, representado nas bandeirinhas e fantasias sazonais.

Como nos 7 x 1 de 2014, botei o aplicativo emocional em modo gozo quando vi e ouvi as lamentações da imprensa pacheca, a busca do improviso desnorteado de Galvão Bueno em seu padrão bobo da corte, o crupiê da euforia prévia em dia de fantoche das circunstâncias e das frustrações.

Lembrei de todas as resenhas dos canais esportivos antes da Copa, da chiadeira antecipada nos perfis oficiais de cada um dos seus apresentadores, comentaristas e repórteres. Gargalhei nas desculpas e consolos inúteis posteriores à vitória belga, versões adaptadas ao campeão moral de 1978.

Mais hilário ainda foi o circo de proteção armado em torno da reputação de Neymar, quando a imprensa mundial começou a ridicularizá-lo logo após o jogo contra o México. Numa caricatura da fábula de Esopo, tentavam salvar a galinha dos ovos de ouro, infelizmente já decepada nas redes sociais.

No mais novo fracasso, reedita-se no imaginário da Pachecolândia as mesmas conspirações de sempre: o pseudocampeão moral de 78, que empatou os dois primeiros jogos; os derrotados por água batizada em 90; os goleados por trama da Nike em 98; e os atropelados nos 7 x 1 porque Neymar não jogou. Kkkk!

É uma pena que, como disse Paulo Mendes Campos, não seja apenas a mídia boleira a única atrasada no tempo. É triste, constrangedor, constatar que o fanatismo nas copas continua sendo o fator que revela até num intelectual um imbecil escondido na camisa usada como um fardão de amarela notoriedade.





09/07/2018
Um Nobel para Garcia Lorca

Para muitos o maior poeta espanhol, Federico Garcia Lorca é uma ausência permanentemente presente no imaginário do seu povo, que jamais conseguiu dar um merecido sepultamento ao seu corpo, fuzilado em 1936 por milícias franquistas durante o começo da Revolução Civil Espanhol.

Quando se completam 120 anos do seu nascimento e 110 da sua primeira obra, "Impressões e Paisagens", três deputados representantes da região da Andaluzia, berço do escritor, querem um Nobel de Literatura póstumo para Lorca no ano em que um escândalo sexual cancelou a honraria na Suécia.

Os parlamentares Alberto Garzón, Miguel Ángel Bustamante e Eva García Sempre deram entrada com o projeto no Congresso pedindo que o parlamento encaminhe para que o governo espanhol faça oficialmente a solicitação do prêmio à Academia Sueca responsável pelo Nobel, alterando suas normas.

Há algum tempo, as nominações póstumas não são mais consideradas na academia, e por isso os deputados andaluzes fazem um chamamento ao governo para solicitar a suspensão de tais normas, de maneiras que Garcia Lorca seja contemplado pela importância da sua obra para a Cultura mundial.

No pedido, os deputados apelam para que seja reconhecida "a trajetória de uma personalidade excepcional, símbolo imortal do diálogo entre a literatura e a sociedade civil". Um Nobel representa a reparação ao terrível assassinato do poeta que em vida foi referência para Pablo Picasso, mais velho que ele.

Quando jovem, escreveu no poema "Céu Vivo" um quase epitáfio de lirismo profético: "Eu não poderei queixar-me / se não encontrei o que buscava / próximo das pedras sem sumo e dos insetos vazios / não verei o duelo do sol com as criaturas em carne viva". Um Nobel póstumo há de ser desejo do mundo.







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