BLOG DO ALEX MEDEIROS

19/01/2019
O mimimi com passaporte

Não são poucos os brasileiros privilegiados pelas generosas bolsas e mesadas estatais que mantêm suas estadias - que logo viram moradias - em países estrangeiros, principalmente nas partes nobres e belas da Europa e EUA.

Durante as quase duas décadas de governos do PT, o turismo escolar multiplicou. O glamour do academicismo sem fim, que profissionaliza estudos eternos às custas do erário, sempre teve uma segunda intenção: a militância à distância.

Agora, insatisfeitos com a eleição do capitão Jair Bolsonaro (eleito por voto direto do povo), duas centenas de intelectuais, jornalistas e ativistas lgbt decidem formar uma "entidade de luta" contra o que presumem e chamam de "ameaça do novo governo". 

Nas suas previsões sociológicas, os videntes da cidadania perdida se reuniram em Paris e formaram mais uma tendência de esquerda, a Arbre, com o devido charme do idioma francês originando a sigla. Na primeira reunião, a velha tática de contar com a repercussão doméstica como se o movimento fosse uma iniciativa da Europa.

Vamos acompanhar os próximos passos e passeatas indoor da turma "arbrejeta". 

           



19/01/2019
As espertezas na aldeia de Poti

Uma parceriazinha oportunista entre três donos de bares e a empresa Athenas Turismo está utilizando indevidamente a marca "The Beatles Fest" num show em São Miguel do Gostoso, onde disfarçadamemente acrescentaram a palavra "Verão" no título.

Quem tem um mínimo de conhecimento dos fatos amplamente destacados na imprensa potiguar desde 2016, sabe que o evento "The Beatles Fest" foi criado por mim e hoje é dirigido pelas produtoras Marana Torrezani e Suzy Leal, que prosseguiram realizando os shows com os sucessos dos Beatles no Bar Mormaço.

Qualquer uso da marca sem a prévia autorização delas duas é apropriação sujeita à intervenção judicial.

           



17/01/2019
Janete e as rosas

A dramaturgia televisiva brasileira tem que ser dividida entre antes e depois de Janete Clair, a escritora mineira que desde os 19 anos, em 1944, até morrer, em 1983, não ficou um só ano sem criar e roteirizar radionovelas e telenovelas, impondo uma marca que até hoje é copiada.

Depois de grande experiência nas décadas de 1940 e 1950 no rádio, ela começou a década seguinte entrando na seara dominada pelas tramas da escritora argentina Glória Magadan, 5 anos mais velha e maior referência na feitura das novelas de TV. Janete estreou em 1963, na TV Rio.

Até ser convidada pra levantar a audiência da então jovem TV Globo, ela emplacou novelas seguidas na TV Tupi, TV Itacolomi e na própria TV Rio, onde chegou a adaptar texto de ninguém menos que Oduvaldo Vianna, o teatrólogo que abrilhantou ainda mais a carreira do ator Procópio Ferreira.

Foi em 1967 que Clair estreou na Globo com a novela Anastácia, a Mulher sem Destino, que tinha de protagonista a estrela Leila Diniz, aos 22 anos, que naquele mesmo ano brilhava no cinema com Todas as Mulheres do Mundo e Mineirinho, Vivo ou Morto, além das rebeldias de tons feministas.

A chegada de Janete Clair na Globo foi um terremoto, no sentido ilustrativo e no sentido cenográfico. Ocorre que a trama, adaptada de um folhetim francês, não empolgava e foi preciso o improviso da escritora para minorar o desastre, após convite de Glória Magadan, a supervisora de novelas.

"Tenho um abacaxi para você", dissera a argentina, preocupada com o enredo confuso e a profusão de atores que o autor Emiliano Queiroz contratava como política empregatícia. Clair passou uma noite em claro, discutindo com o marido Dias Gomes, e meteu um terremoto no roteiro, matando mais da metade do elenco.

Antecipando o fim da trama, já fracassada, ela escreveu em tempo hábil Sangue e Areia, a primeira novela de um casal que se misturaria aos móveis e utensílios dos lares brasileiros: Tarcísio Meira e Glória Menezes. A atriz Arlete Salles também ali estreava na Globo, oriunda da TV Tupi.

Em 1968, Janete conseguiu trabalhar para duas televisões ao mesmo tempo. Fez Passos dos Ventos na Globo e Acorrentados na Record. Para completar a ousadia, fez um lance arriscado com dois pares românticos e tão queridos quanto Francisco Cuoco e Regina Duarte na TV Excelsior.

Tarcísio e Glória e Carlos Alberto e Yoná Magalhães encantavam os telespectadores, aí Janete Clair arrisca um suingue proposto por Magadan, juntando Yoná com Tarcísio na novela Gata de Vison e Glória com Carlos Alberto em Passos dos Ventos. O diretor Daniel Filho perdeu o emprego.

Pra não dizer que não falei de rosa, em 1969 ela adapta um texto que fez para o rádio, Rosa Malena, e batiza como Rosa Rebelde, sobre uma mulher revolucionária na França napoleônica. Há quem diga que o marido comunista influenciou na escolha do título como um drible na censura militar.

Fazia 50 anos da morte de Rosa Luxemburgo, a filósofa polaca de origem alemã, símbolo do comunismo internacional. Janete fez questão da novela estrear em janeiro, no mês da morte. E agora, faz 50 anos da Rosa Rebelde e 100 anos do falecimento de Rosa Luxemburgo. E nunca mais apareceu na TV ninguém como Janete Clair.

           



16/01/2019
Colecionando alguns sonetos

                         1
A saudade penetrando pela porta
refletindo nas noites sem espelho
o olhar se fechando de vermelho
e o poeta pisando em folhas mortas

A saudade noturna é uma fogueira
a queimar meu corpo que te espera
o teu vulto na esquina é uma quimera
um delírio, uma lombra passageira

Onde estás, em que beco, em que universo
tu se escondes de mim e do meu verso
numa espera que em mim nunca se cansa

Quando o corpo requer tua presença
eu te busco em tua estrela de nascença
e espero esperando de esperança.

                          2

Não embriagues o pudor com a poesia
esparrame a paixão em qualquer cama
nem apague o amor posto que é chama
de maneira que transborde em utopia

Hoje e sempre todo olhar é flamejante
se o desejo dia e noite te incendeia
seja a alma aquecida pelas veias
seja o sangue um riacho escaldante

Não precisa um padrão de movimento
nem ação vocabular de sentimento
tal quem chega como quem vai embora

O que importa é sentir encantamento
no calor de um instante, de um momento
cujo tempo há de ser sempre o agora.

           



15/01/2019
Censura é coisa feia

Um belo filme publicitário da indústria de sandálias Grendene, veiculado em 2009 para divulgar os modelos Hello Kitty Fashion Time e Guga K. Power Games, e que foi alvo de denúncia do Procon, provocado por uma dessas fundações que caçam cabelo em casca de ovo, teve uma multa de R$ 3 milhões confirmada por uma juíza que acatou a absurda acusação de "erotização precoce" na ideia do filme, onde meninas improvisam desfile de moda e são aplaudidas por meninos.

Na lógica censora, a Justiça e o Procon paulistas terão que começar a perseguir as famílias que cotidianamente compram produtos fashions, acessórios e cosméticos para suas meninas, que invariavelmente brincam de modelos em passarelas e telas de TV. A peça publicitária da Grendene é linda. A censura é coisa feia.

Em protesto, o filme está na capa de 
O Galo Informa em "vídeo do dia".

           



14/01/2019
Asterix aos 60, segue o baile

Só pra não perder o costume - travestido de estilo - de me contextualizar na narrativa, informo que eu tinha cinco dias de vida quando a primeira aventura de Asterix foi publicada em Paris, nas páginas da revista Pilote. Era o dia 29 de outubro de 1959 e a tiragem de "Asterix, o Gaulês" foi de apenas seis mil exemplares.

Dois anos depois, em 1961, o personagem criado pela dupla René Goscinny e Albert Uderzo ganhou edição própria e em 1965 passou a ter circulação de dois álbuns por ano num sucesso tão espetacular que uma pesquisa na época revelou que dois de cada três franceses já tinham lido alguma aventura do afobado velhote.

Asterix chegou no Brasil em 1967, em publicações da editora Bertrand Ibis com traduções de Maria José Mauperrin e Paulo Madeira Rodrigues. Depois passou a ser editado pela Cedibra (ex Bruguera, uma das especializadas em álbuns de figurinhas naqueles anos). A paixão por super-heróis impediu melhor contato com as edições que meu irmão levava para casa.

Já na casa dos vinte anos, adentrando a década de 80, passei a fazer melhor leitura das aventuras de Asterix, inclusive adquirindo os velhos álbuns da infância e que ainda guardo no meu anárquico acervo de quadrinhos, misturados com "os capas-duras" de Flash Gordon, Tarzan e Príncipe Valente.

Ao longo das décadas, Asterix foi editado com periocidade bem apropriada para seus qualificados fãs, com álbuns anuais que foram traduzidos para 111 idiomas pelo planeta afora espalhados em 380 milhões de cópias, uma marca que se se assemelha ás vendas dos grandes artistas da música pop.

Agora, quando o personagem que inspirou até um dos mais representativos blocos de carnaval de Natal (orgulho de ter sido folião da Bandagália, levado por Eugênio Cunha e Chico Alves) completa 60 anos, é anunciado o lançamento de mais um álbum especial e que terá a estratosférica tiragem de cinco milhões de exemplares.

A notícia foi dada pelo jornal dominical Le Journal du Dimanche, uma espécie de O Poti de Paris, numa entrevista do desenhista Didier Conrad e o roteirista Jean-Yves Ferri. O álbum de número 38 (o quarto da dupla) está tendo a supervisão de Albert Uderzo (aos 91 anos e fiel à obra que criou com o amigo já falecido).

O jornal publicou os primeiros rascunhos do novo álbum, que terá o roteiro concluído em 6 de junho. Segundo Conrad e Ferry, o lançamento mundial será no dia 24 de outubro, cinco dias antes da obra imortal completar 60 anos.

Nesse dia tão especial, eu também estarei sexagenário. Espero que com a saúde e o espírito irrequieto de um velho gaulês entre a festa e a batalha.

           



10/01/2019
Alô, alô, marciano

Um dos filmes que mais projetou a atriz Jodie Foster (além de Táxi Driver, Acusados e O Silêncio dos Inocentes) foi Contato, produção de 1997 com direção de Robert Zemeckis em roteiro baseado no livro de mesmo nome escrito pelo astrofísico americano Carl Sagan, autor da série de TV Cosmos.

Jodie interpreta uma cientista, Dra. Eleanor, que atua no projeto SETI que vasculha o universo em busca de vida alienígena. Após detectar fortes sinais de rádio, provavelmente enviados por uma civilização inteligente, ela segue instruções para criar uma máquina que permitirá contato com extraterrestres.

Nesta semana, a ficção do filme Contato ganhou versão de realidade quando astrônomos detectaram fortes ondas de rádio misteriosas e ultracurtas nas profundezas do espaço sideral, levando alguns cientistas a sugerirem que essas ondas podem ser fortes evidências de vida alienígena avançada.

É a segunda vez na história da astrofísica que as rajadas rápidas de rádio (conhecidas no ambiente científico como RRR, ou Fast Radio Bursts) são detectadas. Elas são pulsos de ondas de rádio de milissegundos e ainda desconhecidas. Estudiosos acham que estão bilhões de anos-luz distantes.

O professor Avi Loeb, do centro de astrofísica da universidade de Harvard, defende a tese de que as ondas detectadas agora são oriundas de tecnologia extraterrestre incrivelmente avançada. Outra tese é que são geradas por poderosos fenômenos, como os buracos negros ou estrelas de nêutrons.

A nova descoberta foi feita por uma equipe canadense de astrônomos e foi publicada na revista Nature. O grupo detectou treze flashes usando um novo tipo de rádio-telescópio, batizado de Experimento Canadense de Mapeamento de Intensidade de Hidrogênio (Chime, na sigla em inglês).

Na primeira vez que as rajadas foram detectadas, em 2007, foi por puro acidente, quando uma explosão de ondas foi observada em dados de radioastronomia. Os astrônomos que operam o sistema Chime estão sediados no Vale de Okanagan, situado na Columbia Britânica, no ocidente do Canadá.

A cientista Ingrid Stairs disse que até agora havia apenas uma RRR repetida conhecida, e sugeriu que diante da nova descoberta podem haver outras. Em 2017, os professores Avi Loeb e Manasvi Lingam aventaram a possibilidade de as ondas serem vazamentos de transmissores ETs do tamanho da Terra.

"As rajadas rápidas de rádio são muito brilhantes, pela curta duração e origem a grandes distâncias, e nós não identificamos uma fonte natural com confiança, valendo então a pena considerar e verificar uma origem artificial e inteligente", declarou Loeb num artigo publicado no tradicional Astrophysical Journal Letters, em circulação desde 1895.

           



09/01/2019
O retorno do competitivo Alonso

Notícias na mídia especializada europeia apontam que as mudanças na direção da Ferrari deverão abrir uma nova porta para a volta do piloto espanhol Fernando Alonso à Fórmula Um.

Os comentários são de que se a escuderia McLaren não oferecer um carro competitivo ao bicampeão asturiano, a Ferrari sob nova direção iria em busca do seu talento para as novas temporadas da modalidade.

Seria muito bom um retorno de Alonso na briga por título. A F1 só tem a ganhar na audiência mundial com a sua presença.

           



09/01/2019
Ainda a ousada licitação

Os sismógrafos espalhados nos gabinetes do Ministério Público estadual dão sinais de perigo para alguns comunicólogos que tentaram ao apagar das luzes do governo Robinson Faria impor ao erário uma licitação publicitária no valor de R$ 30 milhões.

Algumas fontes no MP apontam que o assunto ainda vai estremecer debaixo dos pés de alguns malabaristas do dinheiro público. Um promotor chegou a comentar que o ex-governador Robinson teve muita sorte da Justiça ter cancelado o insano certame, posto que tudo poderia cair nas costas dele.

É aguardar os efeitos desses sinais vindos do parquet.

           



09/01/2019
Nordeste de cabo a rabo

Na terça-feira, logo que terminou a reunião do presidente Jair Bolsonaro com seu ministério, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, atendeu ao enxame de repórteres e disse que o capitão pediu à equipe muita atenção nos seus compromissos de campanha, principalmente em relação ao Nordeste.

Uma das promessas foi a formatação de um grupo interministerial para cuidar exclusivamente dos assuntos relacionados com as necessidades da região, a única em que o presidente perdeu a disputa de votos contra o petista Fernando Haddad. O ministro disse que oito pastas trabalharão juntas na missão.

Horas depois, foi noticiada a formação de uma frente ampla e suprapartidária de parlamentares nordestinos dispostos a operar em bloco em favor das causas mais urgentes do Nordeste. A ideia me parece com duas dificuldades: juntar deputados de ideologias diferentes e ter fôlego para brigar unidos.

Desde os tempos em que eu tinha longos cabelos e a televisão era em branco e preto, coleciono (além de sonetos, como na canção de Chico) decepções como cidadão diante de intenções políticas como esta. Todas as vezes - que me lembro - em que houve isso, só deu para a sardinha dos estados maiores.

A coisa começava, o show de retórica ganhava a mídia regional, cada qual dos envolvidos iludindo seus respectivos conterrâneos, deputados conduzindo governadores e secretários na velha via crucis ministerial, para no fim não dar em quase nada. Exceto para os pernambucanos, cearenses e baianos.

Segundo declaração de Onyx Lorenzoni, a tal força-tarefa dos ministros de Bolsonaro fará uma primeira reunião amanhã. O grupo de parlamentares não divulgou ainda uma agenda de trabalho. Espera-se que dessa vez as conversas não sejam apenas papo-furado de início de governo e legislatura.

E que, em acontecendo um verdadeiro mutirão político-administrativo, as atenções às questões nordestinas possam contemplar cada um dos nove estados e que tenham rápido efeito nas necessidades prementes das comunidades mais carentes. Que não invistam só no cabo de força, mas também no rabo sempre esquecido da região.

           



03/01/2019
2019 nas telas de ontem

A mídia repercute nos primeiros dias do ano novo a reação de muitos cinéfilos com duas produções de ficção científica dos anos 1980 e que destacavam em seus roteiros um cenário futurista contextualizado num 2019 distópico e apocalíptico. O filme Blade Runner (1982) e o desenho Akira (1988).

Ambos tentaram antecipar no nosso imaginário a vida trinta anos adiante, nos aspectos tecnológico, arquitetônico e comportamental. O filme, baseado no romance de Philip K. Dick; e a animação, adaptada do mangá de Katsuhiro Otomo. Ridley Scott dirigiu o primeiro, enquanto Otomo dirigiu sua criação.

Felizmente, o tom profético da ficção não se consolidou agora, pelo menos nesses primeiros dias em que entramos em 2019 e rabiscamos os dias vindouros até que um novo reveillon faça velho o ano novo. Não houve a terceira guerra mundial, nem nos submetemos ao teste de Voight-Kampff.

Até que temos ouvido falar numa provável terceira guerra, quando postos diante de gestos e farpas de figuras como Kim Jong Un, Hassan Rohani, Tayyip Erdogan, Maduro, Putin e Trump. Mas não precisamos aplicar testes nas pessoas para descobrir quem é e quem não é um ser robótico inteligente.

Lembrar do fato que duas obras cinematográficas de mais de trinta anos atrás inseriram em suas tramas o ano de 2019 remete-nos a uma boa coincidência envolvendo ambas, pois depois de Blade Runner e Akira a ficção científica nunca mais foi a mesma nas telas de cinema. Uma mudança de azimute.

Vi Akira há muito pouco tempo, já nos primeiros anos do terceiro milênio, quando passei a comprar mangás para meu filho caçula. Já Blade Runner, assisti poucos anos após seu lançamento no Brasil, em julho de 1982, num momento histórico em que retornavam as eleições diretas para governador.

Para quem, como eu, aos 22 anos, consumia ficção científica nos moldes de velhas produções como Star Trek, Perdidos no Espaço e Túnel do Tempo - e que ainda se iniciava na era Star Wars - o impacto do filme com Harrison Ford e Rutger Hauer foi suficiente para repetecos quando surgiram as fitas VHS.

Na virada dos anos 80 para 90, aluguei inúmeras vezes Blade Runner. Lembro bem que imaginava meus filhos mais velhos com trinta anos em 2019, e ficava tentando vislumbrar o mundo deles. Tinha dúvidas se eu estaria por aqui, como estou agora. Resisti aos vícios, às tormentas pessoais e à tecnologia. Viva 2019!

           



31/12/2018
Feliz ano novo

"Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre".

(Carlos Drummond de Andrade)

           



30/12/2018
O triunvirato nacionalista nas Américas

O México, o Brasil e os Estados Unidos. Os três gigantes americanos - onde moram 660 milhões de pessoas do 1 bilhão que vive no continente - serão governados a partir de terça-feira, ao mesmo tempo, por três líderes que abraçam o nacionalismo.

Um triunvirato incomum, um equilíbrio, com Washington como principal farol, em que Jair Bolsonaro pretende ser seu parceiro predileto e com o Governo de Andrés Manuel López Obrador receoso dessa aproximação, temeroso de ficar emparedado e com a necessidade de se entender, pelo menos, com seu vizinho do norte.

Enquanto isso, um fator permeia o ambiente. A cada vez maior presença da China na região pode terminar por distorcer e ser o convidado externo do jogo a três do nacionalismo americano.

A geopolítica do continente irá girar em torno de Trump, López Obrador e Bolsonaro, três líderes com os quais a política externa não pode ser entendida sem um reforço prévio da interna. No papel, López Obrador e Donald Trump deram demonstrações de querer ter boa relação.

Se o inquilino da Casa Branca afirmou que fará grandes coisas com seu novo vizinho, o presidente mexicano, que chegou ao poder em 1 de dezembro, disse que não tem intenção de entrar em conflito com o vizinho do norte. Sua forma de fazer política, as maneiras, os gestos que tanto importam nesses tempos, não é tão diferente, como López Obrador se esforçou em demonstrar em apenas um mês.

Os dois não têm exatamente uma boa sintonia com a imprensa tradicional, mas estão permanentemente presentes nela, tentando marcar a agenda. Nenhum hesita em assumir erros, culpar suas equipes e voltar atrás em decisões controversas.

           



29/12/2018
A irmã de Chico

Morreu quinta-feira a cantora Miúcha. Não era integrante do meu clube de preferências musicais, mesmo sendo parceira de João Gilberto e mãe de Bebel Gilberto. Dos seus anos de vitalidade artística, minhas impressões sobre ela resumem-se ao belo sorriso nicotinado, tal o riso alcoolizado do irmão.

Entretanto, em 1999, quando eu estava prestes a fazer quarenta anos, Miúcha entrou quase que inadvertidamente no meu seleto acervo de vinil. E graças a uma obra do irmão Chico Buarque, que em 1977 colocou letra numa melodia de Sivuca e que acabou chegando às paradas de sucesso na voz de Nara Leão.

A canção João e Maria (agora eu era herói e o meu cavalo só falava inglês. ..) encantou meu coração pós-adolescência entre 1977 e 1978, ouvia repetidamente e cantarolava nas rodas de violão em Candelária. É daquelas que jamais provocam enjoos nos meus ouvidos nas muitas vezes que ainda ouço.

Pois bem. Naquele passeio ocioso por Recife em 1999, avistei num sebo um LP de Miúcha, que apesar de recém-lançado estava num lote de discos antigos. Alguém se desfez e o comerciante não percebeu a novidade da oferta. Na capa, a cantora sorrindo, com um gato nos braços, e o título "Rosa Amarela".

Ao manusear o disco, vi que ela regravara João e Maria, a bela obra do irmão que tanto marcou minha juventude. Peguei, paguei e levei a bolacha. À noite, no hotel, me inteirei melhor do repertório e vi que outras belas canções compunham o LP, como Valsa de uma Cidade, um hino ao Rio do cronista Antônio Maria.

Gravou também Querelas do Brasil, a irônica composição de Aldir Blanc que estourou na interpretação de Elis Regina em 1978. E um destaque histórico com "A Mesma Rosa Amarela", letra do poeta pernambucano Carlos Pena Filho com música do mestre Capiba, o ícone dos carnavais recifenses com seus frevos.

Na passagem de 1959 para 1960, Pena Filho passou o poema pra Capiba como encomenda para um frevo, mas o compositor achou tão bonito que preferiu fazer um samba com pegada de bossa nova. E aí foi gravada por Maísa em 1962, fazendo enorme sucesso que o poeta não viu, pois morreu dois anos antes.

Saí num lucro enorme com o único vinil de Miúcha em minha coleção. Além da balada dos meus anos de boy, ganhei a sua afinada interpretação do velho samba de Capiba no lindo poema de Pena Filho, escrito nos seus últimos dias. Segue abaixo o texto de A Mesma Rosa Amarela, que resumida virou título do LP.

Você tem quase tudo dela
O mesmo perfume
A mesma cor, a mesma rosa amarela
Só não tem o meu amor
Mas nestes dias de carnaval
Para mim você vai ser ela
O mesmo perfume, a mesma cor
A mesma rosa amarela
Mas não sei o que será
Quando chegar a lembrança dela
E de você apenas restar
A mesma rosa amarela
A mesma rosa amarela

           



29/12/2018
O compositor da melancolia

A música pop perdeu no último dia 19 o compositor norte-americano Norman Gimbel, autor de temas para o cinema e a televisão e que se tornou célebre com sucessos como Sway (versão do clássico mexicano Quien Será), Girl of Ipanema (a tradução da imortal Garota de Ipanema) e muitos outros ao longo de 65 anos criativos de carreira.

Mas, de todos os seus trabalhos o mais famoso foi Killing me Softly, gravado em 1973 pela cantora Roberta Flack, uma balada que estourou nas paradas do mundo inteiro e se tornou hit de gerações. Só pode entender a força de uma balada como aquela quem a dançou de ouvido e peito colados de paixão.

A bela canção carregada de uma vibração melancólica encantou pessoas de todas as idades naqueles primeiros anos da década de 70. A parceria com o inseparável amigo Charles Fox, autor da melodia, rendeu o prêmio de Música do Ano no Grammy de 1973. Na voz de Roberta Flack, ficou cinco semanas como número 1 na Bilboard.

Na biografia de Fox, o músico diz que ele e Gimbel fizeram juntos mais de 150 canções, muitas premiadas e até hoje gravadas, como I Got a Name, também de 1973 e sucesso na voz de Jim Croce, cujo disco foi lançado um dia após sua morte num acidente aéreo em setembro daquele ano.

A música foi tema do filme The Last American Hero (com a versão brasileira O Importante é Vencer), que narra a história real do piloto da Nascar, Junior Johnson e estrelado pelo ator Jeff Bridges. Anos depois a canção foi destaque nos filmes Tempestade de Gelo (73), Django Livre (2013), Invencível (2014), Logan (2017) e Lego Ninjago (2017).

A primeira estatueta do Oscar para a dupla veio em 1980 com a canção It Goes Like it Goes, composta no ano anterior e gravada por Jennifer Warnes como tema do filme Norma Rae, um drama biográfico sobre a operária Crystal Lee que liderou campanha contra as condições de trabalha numa indústria do Alabama.

Pouco tempo depois, em 1975, uma outra música com letra de Norman Gimbel recebe mais um Oscar, de melhor canção original no filme Uma Janela Para o Céu. Na interpretação, Olívia Newton-John. A obra ganhou fôlego três anos depois com a bela versão cantada pelo showman Barry Manilow.

É importante destacar que a versão em inglês que Gimbel fez para a obra-prima de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, e que lhe deu um prêmio Grammy em 1965, transformou o padrão do jazz contemporâneo e abriu espaço para dezenas de releituras de Garota de Ipanema ao longo do tempo.

A morte de Gimbel, que estava com 91 anos, só foi anunciada pela família e pelos representantes dos seus direitos autorais na sexta-feira, 28. Nos primeiros registros da imprensa americana sobre sua morte, ele foi tratado como um escritor e compositor talentoso e prolífico. A cantora Roberta Flack exprimiu pesar nas redes sociais.

O velho parceiro de tantos sucessos, Charles Fox, disse que sempre achou Killing me Softly "uma das mais belas obras saídas da caneta de Norman". Ainda na biografia que publicou em 2010 ele afirmou: "A poesia de Norman Gimbel tem uma extraordinária beleza, sensibilidade e compreensão da condição humana". Em 1984, o autor ganhou uma estrela no Hall da Fama dos Compositores.

           



29/12/2018
Um Natal em Marte

Quando o amigo Manoel Ramalho fundou e lançou o serviço de streaming Oldflix, uma bela sacada com oferta de filmes e seriados antigos nos moldes do que faz a poderosa Netflix com suas novidades, ele disse numa entrevista que se inspirou numa frase do escritor Michael Crichton publicada por mim.

Numa crônica que escrevi em 2006 no saudoso O Jornal de Hoje sobre o romance Linha do Tempo, o autor americano falecido em 2008 especulou que numa pesquisa sobre preferência de destino de viagem a maioria das pessoas não escolheria Paris ou Nova York, mas uma volta ao passado de si mesmas.

Realmente, quase todo mundo tem ou já teve vontade de poder viajar no tempo, visitar momentos felizes da infância ou instantes importantes da própria história humana. Acho - como achava Crichton - que o passado vence fácil o futuro na preferência de destino de viagem. E lembrar é bem melhor que vislumbrar.

Dia 26 de dezembro é o Dia da Lembrança no calendário promocional, e por ser um dia após as festas natalinas nos aponta bons motivos da escolha. Ninguém vive um "Feliz Natal" sem lembrar dos natais do passado, principalmente quem acumula as perdas que o percurso da vida impõe na trajetória do tempo.

A lembrança é a nossa própria máquina do tempo, e pode nos levar anos e anos para trás se o combustível da memória for suficiente. Nos dias atuais, as pessoas com menor capacidade de memória biológica podem suprir isso com a memória artificial, tamanha é a diversidade de opções de arquivos disponíveis.

Sugiro a quem tem dificuldade com a memória mal armazenada no cérebro - e que sente vontade de reviver dias felizes ou relevantes - que exercitem a memória artificial se utilizando do resgate de narrativas, imagens, cheiros e sons do próprio passado. Tudo isso estimula nossas reminiscências adormecidas.

Uma bela máquina do tempo que temos à mão é o YouTube com seus zilhões de vídeos sobre tudo o que você decidir procurar. Não importa o que seja, vasculhe, faça uma varredura na pesquisa e acabará achando. No dia 26, por ser o Dia da Lembrança, voltei a um Natal da infância viajando no YouTube.

Achei um filme de 1964, chamado "Papai Noel Conquista os Marcianos", uma produção tipo C que foi considerada uma das piores obras do cinema. Passou no Cine São José, das Quintas, com cinco anos de atraso, como era comum na vidinha provinciana de Natal do final dos anos sessenta do século vinte.

O roteiro de tão besta encantava os meninos da minha turminha (não lembro quantos estavam comigo naquela saudosa sessão): o rei do planeta vermelho preocupado com o vício dos dois filhos na programação de TV da Terra. E mais ainda com o efeito de uma entrevista do Papai Noel direta do Pólo Norte.

Aquela conjuntura natalina a mais de 50 milhões de quilômetros da Terra tinha semelhanças com os desejos da minha infância a cada dezembro. Não havia entrevistas de Papai Noel, mas o velhinho estava no rádio, nos jornais e nas imagens em preto e branco dos poucos televisores que havia na vizinhança.

Após o achado no YouTube, a emoção me fez navegar no Google Maps e pousar como quem vem do futuro, ou de Marte, diante da pequena casa em que vivi na infância. A viagem afetiva me pôs na janelinha do quarto, revendo a silhueta de papai colocando o presente debaixo da minha cama. Atrás dele, mamãe era pura satisfação.

           



28/12/2018
Um balanço da atividade na Assembleia

Na reta final da 61ª Legislatura, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte comemora os quatro anos de bons resultados nas atividades dentro da Casa. A produção Legislativa entre requerimentos, projetos de lei, resoluções e decretos, os deputados apresentaram e analisaram 10.627 propostas. As ações foram desde pleitos pontuais de pequenas comunidades, como a recuperação de vias públicas, até discussões sobre os rumos orçamentários. Além disso, o Legislativo se engajou em temas de relevância social através de campanhas de conscientização que tiveram forte repercussão dentro do Estado e serviu de exemplo para outras Casa Legislativas.

"É para isso que nós deputados trabalhamos. Para defender nossos produtos quando estimulamos a criação do Selo Potiguar, quando aprovamos a Lei dos Queijos e a Lei do Camarão. Nos alegramos com as conquistas de centenas de audiências públicas e projetos de cidadania para todo o Estado. Destaco nossas campanhas de comunicação social, que sempre trouxeram estímulos para debatermos temas importantes como doação de órgãos, adoção de crianças, abuso infantil, cuidado e respeito com o idoso e, mais recentemente, o Autismo. Experimentamos um modo diferente de estimular o debate. Deu certo e outras Casas Legislativas do país passaram a fazer o mesmo", observa Ezequiel Ferreira, presidente da Assembleia Legislativa.

Atenta às disposições administrativas que buscam uma gestão cada vez mais austera, a Casa cortou cargos e funções gratificadas. De igual modo, normatizou e modernizou a estrutura e atos com a reforma administrativa, promovida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A implantação do portal da transparência, que figura como um dos mais avançados do País, é exemplo dessa modernização e desse trabalho, que tem como exemplo também a transformação do Instituto Legislativo Potiguar (ILP) em Escola da Assembleia, ampliando a qualificação de servidores legislativos com a oferta de cursos de graduação, pós-graduação e parcerias com outras instituições de ensino.

A economicidade alcançada com as medidas implementadas, possibilitou ainda que a Assembleia atuasse além das funções essenciais. Foi assim durante a crise na Segurança Pública, quando o Legislativo tomou a iniciativa de comprar e repassar 50 viaturas para as forças policiais, e também na área da Saúde, quando adquiriu, com recursos próprios, 85 ambulâncias, encaminhadas para municípios de todo o Rio Grande do Norte. Para o presidente da Casa, as ações só foram possíveis graças ao modelo de gestão adotado na atual Legislatura.

"Efetivamente surge uma nova Assembleia, com austeridade nos gastos, redução de despesas, mais transparência, audiências públicas em sintonia com os temas sociais, políticos e econômicos, projetos voltados para a cidadania, educação, saúde e segurança pública. Assim foi possível, por exemplo, com a economia que fizemos, contribuir com a Saúde e Segurança Pública de nosso Estado. Enfrentamos debates para a correção e ajuste fiscal do Estado, fomos partícipes de medidas que buscam colocar o Executivo no rumo certo, como sempre fez esta Casa Legislativa em nome do povo norte-riograndense", disse Ezequiel, eleito como Parlamentar da Legislatura pelos jornalistas que cobrem o cotidiano da Casa.

A partir de 2015, a Assembleia deu início à implementação do Planejamento Estratégico traçado pela gestão do presidente da Casa, o deputado Ezequiel Ferreira (PSDB). A ampliação na transparência das ações, o enxugamento dos custos e modernização da administração contribuíram para que o Poder Legislativo potiguar conseguisse manter o pleno funcionamento do trabalho na Assembleia. O resultado foi a economia nos recursos públicos e ampliação da atividade legislativa.

"Passamos pela maior crise financeira no país e no Rio Grande do Norte registrada nas últimas décadas e conseguimos manter o trabalho da Assembleia acelerado, amplo e chegando a cada vez mais potiguares. Foram anos de muitos desafios e superação em que, com toda certeza, colhemos bons frutos", avalia o deputado Ezequiel Ferreira.

Até o fim do mês de novembro de 2018, o Legislativo potiguar realizou 191 audiências públicas na Casa, reunindo a população e autoridades do Rio Grande do Norte para a discussão de temas diversos, nas áreas da Saúde, Educação, Economia, Cultura, inclusão social, Segurança Pública e temas relacionados ao funcionalismo público. Durante o período, os deputados promoveram também 200 sessões solenes, reconhecendo o trabalho desenvolvido por grupos, pessoas e categorias em favor do Rio Grande do Norte. Essas atividades, além de terem sido prestigiadas por milhares de pessoas ao longo dos quatro anos da Legislatura, também foram levadas a grande parte do território potiguar através de transmissão da TV Assembleia. Em 2018 o deputado estadual, Hermano Morais (MDB), foi eleito como Parlamentar do Ano pelos jornalistas que fazem a cobertura da Casa.

"O Legislativo não só cumpriu sua função de dar voz à população do Rio Grande do Norte, como também ampliou o debate sobre assuntos importantíssimos e que requereram a atenção do Poder Público. Essas ações contribuíram para nortear o trabalho dos deputados e fazer com que os potiguares tivessem seus pleitos analisados e atendidos", afirma Ezequiel Ferreira.

           



27/12/2018
O depoimento do tarado

O charlatão João de Deus prestou ontem o 1º depoimento ao Ministério Público de Goiás e voltou a negar que tenha abusado sexualmente de pacientes. O seu advogado diz que ele afirmou que não se lembra das mulheres que o acusam.

Os promotores que investigam o caso já ouviram 77 mulheres que afirmam terem sido vítimas de João de Deus e trabalham para concluir a denúncia que precisa ser encaminhada à Justiça até o fim da semana. O tarado está preso há 11 dias e nega as acusações.

           



26/12/2018
Gerson Camata é assassinado

O ex-governador do Espírito Santo, Gerson Camata, foi morto a tiros na frente de um restaurante em plena luz do dia em Vitória, capital do seu estado. O suspeito do crime é um ex-assessor do político.

Segundo a polícia, ele confessou e afirmou que a motivação foi uma ação judicial que gerou o bloqueio de R$ 60 mil em sua conta bancária.

Camata foi governador do Espírito Santo entre 1982 e 1986, exerceu três mandatos como senador, de 1987 até 2011. Ele ainda foi vereador de Vitória, deputado estadual e deputado federal.

           



25/12/2018
Um poema natalino

Sempre fui um ateu à toa
se não creio nas religiões dos homens
acredito nos homens de boa fé

Irrequieto por natureza
mantenho a alma e o corpo
em festa permanente
como a contrapor
a melancolia intermitente

Apesar do vazio de crenças
de todas as datas festivas
a do natal é a que eu mais gosto
a que mais me envolvo
a que mais me importo

O natal vem como o vento
para reunir e formar laços
acordando o passado
de dias felizes na infância
o natal vem para abraçar e amar
sonhar e compartilhar

Compartilhar a paz de hoje
como se fosse ontem
e o amor de ontem
como se fosse amanhã

Por isso desejo a você, leitor
que a paz de hoje seja
a plena alegria de amanhã.

           



24/12/2018
Ato de fé plural no Parlamento

Um ato ecumênico marcou a comemoração do Natal dos servidores da Assembleia Legislativa do RN na manhã da última sexta-feira (21). O ato litúrgico foi celebrado no auditório da Casa pelo padre Carlos Sávio, pela pastora Eroisa Souza e pelo representante espírita Rubens Barros.

O presidente da Casa, Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB), e os deputados Cristiane Dantas (PPL), Kelps Lima (SDD), o eleito Alysson Bezerra (SDD), além da diretora administrativa e financeira da Assembleia, Dulcinéa Brandão, também estiveram presentes.
Ao final do ato ecumênico, os servidores da Casa fizeram a entrega de presentes para crianças da Organização Atitude Social e Ambiental (OASA), que escreveram cartinhas a Papai Noel.

As crianças são moradoras da praia de Búzios e vivem em área de risco. Encerrando a manhã, um lanche de confraternização foi servido no Salão de eventos da Assembleia.

           



23/12/2018
Tsunami mata 222 na Indonésia

Pelo menos 222 pessoas morreram e 843 ficaram feridas após um tsunami varrer o litoral do estreito de Sonda, entre as ilhas de Java e Sumatra, na Indonésia, neste sábado. Dezenas de edifícios foram danificados pela força do mar, que assolou as praias do sul da ilha de Sumatra e do extremo ocidental de Java. As autoridades avisaram que o número de vítimas pode aumentar com o passar das horas. A principal hipótese é que o tsunami se originou pela atividade do vulcão Anak Krakatoa, localizado em uma pequena ilha nesse estreito.

 


O número de vítimas foi confirmado neste domingo pela Agência Nacional de Gestão de Desastres através de seu porta-voz, Sutopo Purwo Nugroho, que informou que existem 35 pessoas desaparecidas. O tsunami, que chegou ao litoral entre as 21h27 e 21h35 de sábado, hora local (12h27 e 12h35 no horário de Brasília), dependendo da área, afetou especialmente a região costeira de Pangdeglang, um polo turístico popular entre os locais por suas praias localizado na ilha de Java, a 200 quilômetros de Jacarta, a capital do país. Lá foram registradas 92 mortes, enquanto o número de vítimas em Lampung Sul, do outro lado do estreito, chega a 35. Centenas de casas foram gravemente danificadas pela força da água.

           



22/12/2018
Final do Mundial de Clubes ao vivo

Os times do Real Madrid, da Espanha, e Al Ain, dos Emirados Árabes, se enfrentam neste sábado, às 14h30 (horário de Brasília), em Abu Dhabi, Emirados Árabes, pela final do Mundial de Clubes 2018. A partida será transmitida pelo canal SporTV (tv fechada). O blog vai acompanhar passo a passo o duelo pelo Twitter.


Atual bicampeão do torneio, o Real busca um inédito tricampeonato seguido que seria seu sétimo título mundial. Graças a uma atuação de gala de Gareth Bale, o clube espanhol não teve problemas para passar pelo Kashima Antlers na semifinal com um 3 a 1.

Já o Al Ain, que representa o país sede, aprontou em cima do River Plate e venceu os campeões da Libertadores nos pênaltis após um empate por 2 a 2 no tempo normal; antes, a equipe do brasileiro Caio Lucas venceu o Team Wellington, também nos pênaltis, e o Esperánce.

           



21/12/2018
As mentiras do sal rosa

Ao procurar "sal rosa do Himalaia" no Google, aparecem mais de 300.000 resultados em português. Muitos deles alardeiam os "incríveis benefícios" desse ingrediente. Regular o açúcar no sangue e a acidez do organismo e melhorar a saúde respiratória e cardiovascular são algumas das propriedades atribuídas a ele sem nenhum tipo de aval científico.

O que fica claro ao fazer a busca é que um quilo deste sal milagroso custa várias vezes mais que o comum de mesa, que não costuma passar de dois reais por quilo.A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um consumo máximo de 5 gramas de sal por dia, o equivalente a uma colherinha de café (algo que no Brasil mais do que duplicamos).

"O problema do sal está na quantidade de sódio que contém", diz Ramón de Cangas, dietista-nutricionista, doutor em Biologia Molecular e Funcional e membro da Academia Espanhola de Nutrição e Dietética.

Esse elemento é associado a diversos problemas de saúde pública, como a hipertensão arterial, os problemas cardiovasculares, os cálculos renais e inclusive o câncer de estômago, segundo a OMS, e o sal rosa do Himalaia não contém menos que o comum: "Ele fornece as mesmas quantidades de sódio que o sal de mesa", sentencia De Cangas. Portanto, as recomendações da OMS são igualmente aplicáveis a ele.

A diferença é que não é refinado e "contém outros minerais, como o ferro, que lhe dão essa característica cor rosa", explica De Cangas. Entretanto, "as quantidades não são significativas quanto ao seu impacto para a saúde.

Não há evidência científica de que o sal rosa do Himalaia forneça nenhum benefício para a saúde, nem tampouco que haja diferenças significativas entre consumir sal normal e este outro tipo."

Fica claro: se o que queremos é gastar mais dinheiro em sal porque é rosa, não há problema. Desde que não ultrapassemos a quantidade recomendada pela OMS.

Agora, talvez convenha saber que não só ele não tem as propriedades milagrosas que lhe são atribuídas como tampouco é extraído exatamente do Himalaia: provém da mina de Khewra, situada no Paquistão, a alguns quilômetros dos contrafortes dessa cordilheira asiática.


 

           



20/12/2018
Beto versus Mineiro

A campanha eleitoral de 2014 nem havia começado. Faltavam ainda alguns poucos dias para o período oficial das convenções partidárias, onde os candidatos ao governo Henrique Alves e Robinson Faria faziam suas costuras em busca de apoios que fortalecessem a luta, principalmente no horário da TV.

Poucos sabem, muitos negarão, mas naquele momento a então deputada federal Fátima Bezerra paquerou com o PMDB - leia-se família Alves - esperançosa de compor a chapa majoritária na condição de senadora. Já a ex-governadora Wilma de Faria aguardava os fatos, também de olho no PMDB.

As coisas tomaram novos rumos, os rumos modificaram as coisas, e lá se foi o PT negociar com o PSD de Robinson, enquanto Wilma se compôs com Henrique. Aí, poucos dias antes da convenção que homologaria a chapa Robinson-Fátima, os sismógrafos registraram movimentações em Mossoró.

O PP se aproxima do PSD visando uma aliança e colocando panos quentes na relação então desgastada entre Robinson Faria e Rosalba Ciarline, que formaram chapa em 2010 contra Iberê Ferreira. O PP tinha como principal objetivo eleger Beto Rosado deputado federal, na vaga que foi do seu pai.

O PT chiou com a nova sigla que chegava na coligação que ele estava formando com o PSD. Após as tradicionais plenárias (oriundas da fase estudantil dos seus líderes), os petistas foram em bloco - ou em cordas de caranguejo - conversar com Robinson e refutar a adesão do PP de Beto.

Mas não esperava a contundência com que o então vice-governador defendeu a aliança com o PP, de vital importância para vitaminar os minutos do horário eleitoral na TV e no rádio. O PT, óbvio, radicalizou e fez manha. Não ficaria na coligação se tivesse que dividir palanque com as tropas rosadas de Mossoró.

Robinson também radicalizou e avisou que sem o PP retiraria a candidatura. Não via chances numa luta só com o PT de aliado. E surpreendendo os petistas, ali diante dele na sua sala, sugeriu que Fernando Mineiro ou Fátima Bezerra assumissem a cabeça da chapa. Daria apoio total à alternativa.

Com duas posições radicais na conversa, ensaiou-se o rompimento. O que seria o terceiro durante aquele período de acertos e pingos nos is. Robinson decidiu hibernar na sua casa de praia e fechou as portas para o PT. Sequer atendeu telefonema de Mineiro, com quem mantinha estreita amizade.

E só abriu num domingo, após insistência e muita paciência do então presidente do PT, Eraldo Paiva, que foi lá avisar que o partido voltou atrás e iria aceitar a coligação com o PP de Beto Rosado. Faltavam poucos dias para a convenção, que aconteceu em paz numa grande festa na Zona Norte.

De briga mesmo só as demonstrações de força do PT e do PP, que invadiram o espaço Nélio Dias com militantes e charangas. Os muitos ônibus que vieram de Mossoró foram uma decoração à parte no acostamento da Avenida João Medeiros. Não foi fácil ao PT de Mineiro engolir o PP de Beto Rosado.

Quatro anos depois daqueles episódios, temos de novo o PP e o PT numa outra disputa, menos barulhenta e mais protocolar. À margem de um processo judicial alheio, Beto e Mineiro disputam as sobras de votos de suas coligações e, outra vez, o petista parece que vai ter que engolir o pepista. Faltam dez dias para acabar o ano.

           



19/12/2018
O fator Arnaldo

Na segunda-feira, por duas horas, saí do alcance das redes sociais, coisa que não acontecia desde o dia em que surgiram, necessariamente nessa ordem, os chats, o Orkut, o MySpace e o Twitter. Mesmo que eu quisesse não ficar concentrado no filme Aquaman, não conseguiria sinal de wifi na sala de projeção.

Na saída do shopping, caiu a bateria do celular. Mais alguns minutos isolado em órbita do mundo digital, os dedos coçando para navegar nos aplicativos e conferir as centenas de mensagens que chegam sem parar. Enquanto o aparelho carregava na tomada, fiquei vendo o programa Bem Amigos, no Sportv.

Entre um sem número de assuntos esportivos, Galvão Bueno arrancou lágrimas e arrepios dos parceiros de debate, dramatizando (como faz até com um pneu furado de fórmula um) a despedida do ex-árbitro Arnaldo Cezar Coelho, que decidiu pendurar o gogó (há muito pendurou o apito) e dar adeus à televisão.

Todos emocionados, Falcão, Junior, Caio, Muricy, Paulo Cesar Vasconcelos, Casagrande, mulher e filha do velho Arnaldo, célebre no futebol pela competência e por ter sido o primeiro brasileiro a apitar uma final de Copa do Mundo, aquela em que o Brasil tinha tudo para ganhar e caiu para a Itália.

Poucos bordões por aqui são tão populares e repetidos como o do carioca que trocou o apito pela bolsa de valores. Diante de qualquer dúvida sobre uma ocorrência dentro do gramado, a explicação como sentença: "a regra é clara", chavão que virou título do livro que publicou pela Editora Globo em 2002.

Ao final do programa do Galvão, a bateria do meu celular acordou quando os olhos já davam sinais de pescaria no lago de Morfeu. Tempo suficiente para abrir as redes sociais e descobrir que o "Caso Kerinho" avançou na alçada superior da justiça eleitoral, que decidiu em favor da validade dos seus 8.890 votos.

Na canetada do ministro Jorge Mussi, do TSE, ficou estabelecido que o TRE-RN computasse os votos do candidato do PDT, já que a documentação questionada havia sido encontrada. Com isso, o petista Fernando Mineiro deixa a vaga de deputado federal, que vai agora para o pepista Beto Rosado.

Fui navegar na repercussão local do fato, vários sites e blogues, daqui e dalhures, alguns se antecipando às reações positivas em Mossoró e às negativas no âmbito do PT. E comentários sobre o fato de que Fernando Mineiro perde a vaga após receber 98 mil votos, e Beto Rosado ganha com 71 mil.

São coisas do quociente eleitoral, uma regrinha básica da legislação e do jogo eleitoral, devidamente inventada e aprovada pela classe política, a única que cria as leis. Portanto, não cabem piadinhas, queixumes e chateações. Políticos como Mineiro, Beto e até Kerinho, o menos votado, só têm que entender que a regra é clara. Como bem disse o Arnaldo.

Eu já disse aqui que ele deixou a cadeira do programa do Galvão?

           



18/12/2018
Há um bairro Roma em nós

Quem viveu a infância e a puberdade na periferia de alguma cidade brasileira durante as décadas de 60 e 70 do século XX, decerto vai se ver retratado, de alguma forma, na narrativa do belo filme Roma, do diretor mexicano Alfonso Cuarón, uma ode que ele dedica à doméstica da sua casa de classe média.

Ausente das grandes telas há cinco anos, desde que nos surpreendeu em 2013 com a instigante abordagem de Gravidade, que lhe deu duas estatuetas do Oscar por direção e montagem em 2014, Cuarón sai da ficção científica e penetra na biografia de si mesmo, bebendo e relendo na fórmula de Fellini.

O bairro Roma da cidade do México no universo da infância de Cuarón é como a cidade de Roma na reminiscência de Fellini, sendo que há uma dimensão poética bem mais escancarada na obra do mexicano. O espaço-tempo da sua infância é o mesmo de quando o italiano rodou sua obra para-biográfica.

Roma também nos faz voltar aos nossos subúrbios, lembra a vida provinciana de Natal da infância, tem pitadas de Quintas, de Alecrim, de Rocas, os nossos bairros mais populares no tempo em que Cuarón narra a vida no México. Certeza que remete também às periferias de Recife, São Paulo, Salvador.

A empregada Cleo, protagonista do filme e da formação do cineasta, teve múltiplas versões nos lares da nossa realidade latina dos anos de sonhos e conflitos, num tempo em que as relações de fraternidade saltavam do núcleo familiar e se ramificavam nos agregados que quase sempre se eternizavam.

O filme em preto e branco romantiza mais ainda o amoroso teor da mensagem de louvor a quem foi tão maternal ao autor como a própria mãe, essa às vezes ausente nas angústias pela ausência do marido infiel. Cleo é a ingenuidade que se doa pela cria alheia, e que não sabe assimilar o fruto do próprio ventre.

Alfonso Cuarón utiliza com maestria uma técnica literária para enriquecer sua narrativa; inserindo o cotidiano da sua infância na conjuntura real daqueles anos. Coloca Cleo e a avó no cenário das revoltas estudantis de 1968, quando o sangue do "Massacre de Tlatelolco" banhou a cidade das Olimpíadas.

O rock inglês passeia entre os ponteiros das rádios Êxitos e La Pantera, que até o final do século XX mantiveram o gênero na crista da onda. Os brinquedos com referências à missão Apollo estão pela casa, os cartazes da Copa de 1970 decoram o quarto dos garotos. Beatles e Credence embalam os passeios de carro.

Lavando pratos ao som do rádio valvulado, as mulheres da infância do diretor reproduzem as tantas empregadas dos bairros do continente. O mexicano José José no original do argentino Dino Ramos cantarolando "La Nave del Olvido", que aqui Nilton Cesar versou com "Espere um pouco, um pouquinho mais".

Roma é um grandioso romance de história particular que nos arrebata numa nesga de história coletiva. É uma quase biografia de uma geração latina, aquela que sobreviveu na infância dos subúrbios de cidades que quarenta anos depois experimentariam a explosão demográfica que agora diariamente ameaça nossa ternura e nossa memória.

           



17/12/2018
O herói do mundo líquido

Público bom, críticas mais que favoráveis e uma legião de fãs de outros super-heróis incluindo Aquaman na sua lista de culto HQ. O filme estreou na sexta-feira com expectativas positivas dos produtores e da DC Comics, a editora rival da Marvel. Em Natal teve boa audiência, apesar da agitação do Carnatal.

Criado em 1941 pela dupla Paul Norris e Mort Weisinger, Aquaman foi como uma resposta a um outro super-herói aquático, Namor, criado dois anos antes pelo desenhista Bill Everett. Na origem, Aquaman foi criado pelo pai numa cidade aquática, enquanto Namor é um monarca do continente Atlântida.

A primeira aparição de ambos nas revistinhas em quadrinhos tem semelhanças aparentemente propositais. Namor, que era então um vilão com ódio dos humanos, ataca um navio que atirava explosivos no mar, enquanto Aquaman ajuda um navio de refugiados atacado por um submarino dos nazistas.

A partir dos anos 1960, na Era de Prata, os dois ficaram ainda mais parecidos. Primeiro a dupla Stan Lee e Jack Kirby retirou de Namor a condição de vilão e o colocou nas aventuras do Quarteto Fantástico. Depois, os roteiros da DC Comics inseriram Aquaman no grupo Liga da Justiça e lhe deram também uma aura imperial, tornando-o filho de uma princesa de um mundo submarino.

No Brasil, as primeiras histórias de Aquaman eram publicadas nas revistas do Superman, onde ele era chamado Homem Submarino, que causava confusão com o nome brasileiro de Namor, chamado Príncipe Submarino. A partir de 1967, Aquaman ganhou revista própria, circulando até meados de 1970.

Tratado muitas vezes como "rei dos mares" e "monarca da Atlântida", o personagem iniciou relações com outros super-heróis e costumava dizer aos humanos: "vocês têm centenas de campeões para defender as massas de terra; eu protejo os outros setenta por cento do planeta, e só há um de mim".

O Aquaman dos quadrinhos tinha um companheiro de aventuras, um sobrinho chamado Aqualad, com poderes semelhantes aos seus. Assim como o tio era da Liga da Justiça, o garoto pertencia ao primeiro grupo da Turma Titã, ao lado do Robin, Kid Flash, Ricardito e Dianinha (Moça Maravilha), de 1964.

Tenho no meu acervo uma boa parte das revistinhas do Aquaman editadas pela Ebal. O primeiro contato com o personagem foi nas edições do Superman, que traziam uma aventura do homem peixe, assim como ocorria também com o Arqueiro Verde. A partir das revistas Os Justiceiros, passei a vê-lo mais vezes.

No filme que está em cartaz, dirigido pelo malaio James Wan (Saw, Invocação do Mal) e com Aquaman na pele do ator Jason Momoa, sua origem se aproxima da versão dada por Stan Lee e Jack Kirby. O personagem é filho de um faroleiro e uma princesa de Atlantis, de quem herda os superpoderes.

A depender dos críticos, o filme dará um grande estímulo nas produções da DC Comics na guerra de bilheteria com a Marvel, que tem sido mais eficiente até agora. O mais relevante é que Aquaman ganha uma grande vitrine para conquistar novos fãs e para resgatar os antigos dos tempos da velha Ebal.

           



17/12/2018

           



17/12/2018
Quando Almodóvar encarou a censura nos EUA

Às vezes sua memória falha, porque é seletiva. "Mas desse capítulo me lembro perfeitamente", afirma Pedro Almodóvar, abandonando por alguns minutos a sala de montagem na qual termina seu novo filme, Dolor y Gloria. Em meados de 1990, o diretor decidiu processar a Motion Picture Association of America (MPAA), órgão fundado pelas majors, os grandes estúdios de Hollywood, para qualificar os filmes de estreia, por ter conferido a Ata-me! a letra mais temida do alfabeto: X.

Foi o começo de uma ofensiva que acabou por derrubar uma classificação aplicada desde novembro de 1968 e cuja criação agora completa meio século. Também foi a primeira vez em 20 anos que um cineasta atacava aquele sistema férreo. "Meu futuro, àquelas alturas, não dependia de Hollywood. Por isso não tive medo. Não me privei de chamar as coisas pelo nome: era censura", lembra Almodóvar.

A denúncia foi feita junto à distribuidora do filme, a Miramax, e seu então presidente, Harvey Weinstein. Este decidiu contratar o advogado William Kunstler, conhecido defensor dos direitos civis que tinha representado os Dez de Chicago e membros dos Panteras Negras, que se esforçou para demonstrar que essa qualificação era "arbitrária e caprichosa", pelo fato de equiparar o filme com a pornografia. "Transformei aquela luta em algo que representava todos os autores, apesar de essa ser uma linguagem entendida nos Estados Unidos.

Lá, o autor de um filme não é o diretor nem o roteirista, mas quem coloca o dinheiro", afirma Almodóvar. Ele lembra que a Miramax tinha interesses opostos aos dele. "Ficaram encantados com a polêmica e a transformaram em instrumento de marketing. Era muito desagradável notar que meu companheiro de viagem se comportava de modo absolutamente sensacionalista", acrescenta.

 

           



16/12/2018
Freddie antes de Mercury

Antes de ser ícone de uma geração globalizada, entre o hedonismo de Don't Stop Me Now e a consciência social do show beneficente Live Aid em Wembley, que mostrou a fome da África ao mundo, Mercury era um músico amador dos subúrbios de Londres. Por trás daquele sobrenome extraterrestre, havia um imigrante de origem parsi, cultura milenar influenciada pela astrologia do zoroastrismo.

Apelidado de Freddie durante seus estudos de artes plásticas, Mercury mudou seu nome quando estava nascendo o Queen. Desaparecia assim Farrokh Bulsara, o filho introvertido de uma família indiana criado a 250 quilômetros da antiga Bombaim, hoje Mumbai, berço de um artista cósmico.

O longa-metragem Bohemian Rhapsody, que já se tornou o filme biográfico musical de maior bilheteria da história, começa com o encontro do cantor na faixa dos 20 anos (que ainda se chamava Farrokh) com Brian May e Roger Taylor, germe do grupo que revolucionaria os anos oitenta. Mas os integrantes do Smile - a banda de May, Taylor e Tim Staffell - não foram os primeiros a acompanhá-lo em um palco.

Antes, um imberbe Mercury e quatro estudantes do Saint Peter, um colégio no coração da Índia, já faziam seus companheiros pular ao som das canções frenéticas do The Hectics, primeiro e único grupo onde Bulsara cantou e tocou durante sua infância.

           



15/12/2018
Novos protestos em Paris

As últimas concessões do presidente francês, Emmanuel Macron, não foram suficientes para desmobilizar os coletes amarelos, que saíram às ruas para protestar pelo quinto sábado consecutivo. A mobilização, no entanto, está sendo mais baixa que as violentas das semanas anteriores. Pelo menos 157 pessoas foram detidas em Paris e mais de 200 pontos de protestos foram registrados em todo o país. A prefeitura da capital francesa anunciou um reforço de segurança de 8.000 agentes adicionais, para os cerca de 66.000 manifestantes que estão nas ruas. Até o momento, ao menos cinco pessoas foram feridas.


O presidente francês anunciou na última segunda-feira um aumento de 100 euros no salário mínimo a partir do ano que vem, e que as horas extras passarão a ser isentas de impostos e contribuições. Também antecipou sua intenção de estimular as empresas para que paguem aos seus funcionários um abono extraordinário de final de ano, igualmente isento de impostos.

As medidas são parte de uma tentativa de reconquistar os franceses e aliviar a pressão dos manifestantes, que protestam pelo encarecimento da vida e o empobrecimento das classes médias. A nova jornada de manifestações ocorre na mesma semana em que um islamista francês matou a cinco pessoas em um atentado em Estrasburgo.

Os coletes amarelos - uma revolta sem líderes nem estrutura, que tem por emblema a veste fluorescente que todos os motoristas devem ter em seus veículos - começaram a se mobilizar em meados de novembro. Opunham-se a um novo imposto sobre os combustíveis, mas o protesto em seguida se ampliou para a reivindicação de um aumento do reduzido poder aquisitivo.

           



14/12/2018
Sábado de folia no Beco da Lama

O mais cultural de todos os becos do mundo, o Beco da Lama, no Centro de Natal, será palco neste sábado de mais uma edição do Carnabeco, o evento de folia fora de época criado como alternativa ao axé do Carnatal, que ocorre na Arena das Dunas.

A concentração começa ao meio-dia nos points boêmios do Beco da Lama, com saída do bloco carnavalesco, ao som do Frevo do Xico, às 16h30 pelas principais ruas da Cidade Alta.
As paradinhas ocorrerão nos seguintes bares:

Raimundinha
Selma
Lourenço
Chico

Neide
Nazaré
Bardallos
Zé Reeira
Naldo 

           



14/12/2018
As coisas de Jesus

Foi visto na goiabeira
no formato de um arbusto
juram que viram seu busto
numa panqueca inteira.

Já foi visto numa uva
no vidro da cristaleira
em nuvens cinzas de chuva
nos ramos das oliveiras.

Apareceu numa praia
num arco-íris no céu
nas costas de uma arraia
numa gruta em Israel

Na parede de um edifício
em folhas de bananeira
sempre é visto no hospício
nas noitadas da Ribeira

Já apareceu nas guerras
nas missas de sexta-feira
no ar, no mar e na terra
numa barraca de feira

Não vejo grande mistério
em tantas aparições
o que eu acho pouco sério
é a crença nessas visões.

           



14/12/2018
Começa hoje o Festival Halleluya

Tem início nesta sexta-feira, no anfiteatro da UFRN, a nona edição do Festival Halleluya Natal, com previsão de atrair mais de 80 mil pessoas nos três dias de apresentações musicais. O evento segue até domingo, e a entrada é gratuita.

 

Com uma proposta de atender públicos de gostos musicais diferentes, o festival traz uma programação diversificada com atividades de lazer, espaços gastronômicos e músicas de diversos estilos e gêneros.

Entre as atrações, destaque para a banda de rock católico, Rosa de Saron, que se apresentará na noite de hoje. Logo depois, sobem ao palco o cantor Thiago Brado e a banda JP2, com muito pop e reggae.

O cantor Naldo José se apresenta no sábado, 15, com o ritmo do forró, sucedido pela banda Missionário Shalom . Tem ainda os cantores Ana Gabriela e Cosme, além da banda de sertanejo universitário, Ecoar.

No domingo, encerrando a festa, o agito fica com as cantoras Irmã Kelly Patrícia e Eliana Ribeiro, o forró da banda Obra Nova e o swing do grupo LouvoGod. O Festival Halleluya tem como proposta central disseminar a paz e a tolerância.

           



13/12/2018
Um soneto ardente

Tome o fogo da quimera
queime uma floresta inteira
queime a lenha da fogueira
queime a nossa atmosfera

Queime o feijão e o arroz
queime a seda do cigarro
queime os pneus do carro
queime as fotos de nós dois

Queime o doce de banana
queime o jornal do dia
queime a luz e a pestana
queime o peito na azia

Queime os livros de história
queime o amor que ardia
queime até nossa memória
mas não queime a poesia.

           



12/12/2018
Os anjos caídos do rock

Quando um livro nos permite compreender temáticas distintas numa só leitura, invariavelmente é tratado como "a bíblia disso ou daquilo", numa expressa referência ao compêndio milenar que com seus muitos livros fundou e sustentou a doutrina cristã e suas diversas religiões criadas depois.

Pois bem, se algum fã do rock ‘n' roll quiser conhecer de uma só vez as origens e vertentes do punk rock, proto punk, grunge, new wave e eletropop, precisa ler a farta bibliografia do livro "Dangerous Glitter - Como David Bowie, Lou Reed e Iggy Pop Foram ao Inferno e Salvaram o Rock ‘n' Roll", de Dave Thompson.

É uma bela edição de luxo em capa dura com muito material iconográfico e fotos históricas do triunvirato maldito. Os três levaram aos limites extremos - como diz Galvão Bueno - a tradução metabólica do mantra criado pelos Rolling Stones, "sexo, drogas e rock ‘n' roll". A turma de Jagger não deu pro cheiro.

Vamos para o ano de 1971, quando o britânico David Bowie era apenas uma promessa de sucesso e um fã entusiasmado dos americanos Lou Reed, e seu grupo Velvet Underground, e Iggy Pop, com sua banda The Stooges. E os dois, diga-se, achavam que o inglês tocava alguma coisa muito próxima do lixo.

Mas Bowie tinha a mesma loucura dos seus ídolos e se danou para os EUA só para conhecê-los. Não dava nem para imaginar um empurrão do mercado do Tio Sam, já que naquele ano encerrou o programa Ed Sullivan Show, cuja audiência catapultou Beatles, Rolling Stones e tudo que veio da Inglaterra.

A Guerra do Vietnã seguia sangrenta e a conjuntura cultural demonstrava agitação tanto nos EUA quanto no Brasil. Foi em 71 que Augusto Boal criou o Teatro do Oprimido, que Nabokov lançou "Poemas e Problemas" 16 anos após o sucesso de Lolita, e que o poeta Ferreira Gullar foi empurrado para o exílio.

Não foi fácil para Bowie flertar com a dupla e romper a rejeição artística. Mas no ano seguinte deu namoro e sinais de bom casamento. No primeiro encontro com Lou Reed, numa mesa do restaurante Ginger Man, no coração de Nova York, a conversa fluiu graças à alcova dos executivos da gravadora RCA.

Os dois viviam situações distintas no âmbito musical; com Lou Reed se divorciando da Velvet Underground, pensando numa carreira solo, enquanto Bowie ensaiava voos em direção à estratosfera com o êxito mundial do seu quinto disco, The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars.

O extenso nome, que lembrava a revolução sonora dos Beatles quatro anos antes com o álbum Sgt. Pepper's, caiu na boca do mundo resumido para Ziggy Stardust, que virou um alter ego. E Bowie acabou produzindo o maior sucesso da carreira solo de Reed, o seu segundo disco chamado "Transformer".

O encontro com Iggy Pop seguiu o mesmo clima e se tornou uma boa amizade, invertendo os papeis como já ocorrera com Lou Reed. O bruxo da cultura punk americana também passou a admirar Bowie. Em 2016, disse que o músico inglês não só o entendia como o ressuscitou para a vida e para o rock.

Infelizmente, aqueles primeiros anos da década de 1970 foram os únicos instantes em que o trio trabalhou junto. Uma conectividade tão fértil e transgressora que produziu um pouco que se tornou muito para a historiografia da música pop.

Foram três demônios criativos, anjos caídos que mudaram as abordagens cênica, técnica e comportamental das variações do rock ‘n' roll.

           



12/12/2018
Militares falam de segurança com Bolsonaro

Um grupo de 15 militares apresentou nesta terça-feira (11) ao presidente eleito, Jair Bolsonaro, a situação da segurança nos estados do país. A informação foi passada pelo presidente do Conselho Nacional dos Comandantes Gerais da Polícia Militar, Marco Antônio Nunes. Segundo ele, Bolsonaro deixou claro o interesse de resolver, especialmente, a situação de Roraima. O encontro, que teve também a presença do vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, ocorreu no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, nesta manhã.

"O comandante de Roraima estava presente e conversou um pouco. Ele [Bolsonaro] demonstrou interesse em resolver a situação no estado", afirmou Nunes. "Viemos confirmar o apoio que as corporações sempre deram ao presidente eleito e conversamos sobre pautas da segurança pública que são importantes principalmente para a sociedade", acrescentou. De acordo com ele, o conselho que representa mais de 600 mil homens em todo o país, reuniu informações de estratégias e experiências das corporações para apresentar à equipe de transição.

A expectativa do grupo é levar o mesmo estudo ao futuro ministro da Justiça e Segurança, Sergio Moro. Ainda não há data acertada para o encontro. Sobre mudanças do sistema de Previdência da categoria, Nunes afirmou que o assunto será tratado quando o Congresso Nacional se debruçar na questão.

"Vamos levar nossa realidade ao Congresso Nacional: como é nosso trabalho, as características, a idade média de vida dos policiais, o dia a dia e como contribuem em cada estado", afirmou.
Bolsonaro se reúne com o governador eleito de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva (PSL), um dos seus principais aliados. Durante a campanha eleitoral, Moisés, que é coronel do Corpo de Bombeiros, não era apontado como favorito. Porém, venceu as eleições.

           



10/12/2018
O cordão vermelho do destino

Há uma lenda oriental, presente nas remotas literaturas mitológicas da China e do Japão, de que as pessoas destinadas a se conhecer estão conectadas por um cordão vermelho invisível, cujas duas pontas estão presas a seus dedos. O fio jamais se rompe, não importa o tempo, a distância ou as circunstâncias.

Segundo os versos e cantigas milenares de grandes poetas e trovadores orientais, não existe limites para a extensão do fio do destino. As chamadas almas gêmeas, ligadas por ele, tanto podem se conhecer cedo ou tarde, viverem separados por terras e oceanos, um dia estarão juntas, aqui ou no infinito.

Quaisquer que sejam os obstáculos, o tempo de vida, nada poderá romper o cordão. Irá se esticar a tamanhos estelares ou se contrair em centímetros, mas permanecerá inquebrantável, regido pelo destino. É atado ao dedo das pessoas ao nascer, não importando em que tempo e espaço esteja a outra ponta.

Foi baseada na lenda do cordão do destino (não confundi com o fio prateado do espiritismo) que a cineasta argentina Daniela Goggi roteirizou e dirigiu o belíssimo romance "El Hilo Rojo del Destino", já traduzido na Netflix Brasil para "A Linha Vermelha do Destino", que tem recebido boas críticas desde 2016.

A trama, ou história de amor, é protagonizada pelos personagens Manuel e Abril, interpretados pelos atores Benjamin Vicuña e Eugênia Suarez, ela que além de atriz é uma das modelos mais famosas e belas da Argentina. O fio entre ambos começa a surgir num saguão de aeroporto, ambos ouvindo a mesma música.

Abril é comissária de bordo e tem como principal sonho voar pelo mundo inteiro, enquanto Manuel tem uma pequena vinícola que busca expandir seus vinhos pelo continente sul-americano e Espanha. O primeiro sinal de conectividade ocorre na audição mútua de "You Know i'm no Good", de Amy Whinehouse.

Da química inicial que bate entre eles no embarque, logo explode a física dentro do avião. Entre beijos e amassos, um primeiro encontro formal no setor de imigração do aeroporto de Madrid, abortado pela burocracia da segurança interna. O fio se estica, eles se perdem de vista e se encontrarão 7 anos após.

Aí ambos já estão casados, ele com uma fotógrafa renomada, ela com um produtor de música pop; ele tem uma filha, ela tem um filho. As chances são mínimas para uma nova decolagem da paixão surgida na casualidade de uma viagem aérea. Mas há o fio invisível, desencapado pela centelha do amor.

O reencontro é morno, depois esquenta; os desejos despertam, depois geram pesadelos e remorsos. Nova distância, outra reaproximação, o constrangimento dos seus cônjuges trabalhando juntos. Tensões, medos, dores e perdas. Mais um filme argentino com sabor de cinema bem feito.

SPOILER: ao fim das filmagens, os atores saltaram do roteiro, encerraram seus respectivos casamentos e se juntaram numa paixão de vida real.

           



08/12/2018
As novas barricadas em Paris

A espetacular ação policial e as detenções preventivas não impediram novos distúrbios em Paris no quarto sábado de protesto do movimento dos "coletes amarelos".

Já houve mais de 700 prisões só hoje e confrontos esporádicos entre manifestantes e agentes da lei em várias partes da capital francesa.

De acordo com as primeiras estimativas das autoridades policiais, os encontros reuniram cerca de 8.000 pessoas em Paris e 31.000 em todo o país. Cerca de 36 mil que, segundo o secretário de Estado do Interior, Laurent Núñez, foram mobilizados no último final de semana.

O principal ponto de atrito são as grandes avenidas, onde pouco depois das 13h (local) grupos de manifestantes formaram barricadas com material que foram retirados de alguns estabelecimentos próximos e com mobiliário urbano, antes de incendiá-lo.

A Polícia está usando veículos com mangueiras de água pressurizada e joga gás lacrimogêneo para expulsar os agressores das brigas que ocorrem no passeio público. As depredações seguem acontecendo e os comerciantes reforçam suas fachadas com tapumes.

Os principais pontos turísticos de Paris, como a Torre Eiffel e a Avenida Champs Elisée, estão fechados à visitação. Alguns países já começam a pedir aos seus cidadãos que evitem viajar para a França.

           



08/12/2018
Os pseudo empreendedores privados

Alguns sanguessugas do erário, os mesmos de sempre que vomitam verborragia de autoelogios numa falsa condição de empreendedores privados, escondendo na dissimulação as fortunas acumuladas com dinheiro público, andam por aí nos grupos de WhatsApp e nas rodinhas de rapapés esculhambando comigo.

Na verdade, essa tem sido uma prática antiga, desde quando eu parei de fazer a coluna Portfolio no Diário de Natal e passei a escrever sobre diversos assuntos, inclusive o que contraria os interesses dessa gente, a quem não devo porra nenhuma.

Aliás, se alguma dívida existe por aí, deveria ser deles para comigo. Ao longo de décadas, acumulei informações que se houvesse transformado em notas e comentários teria provavelmente que transformar meu espaço jornalístico numa espécie de delação premiada. Mas como detesto deduragem, preferi incorrer na leniência.

Entretanto, há algo tão escroto quanto a delação: é o cinismo de quem prega em favor dos negócios privados, emposta a voz como arauto da livre iniciativa, e vive agarrado nas verbas do serviço público.

           



08/12/2018
Revelado o mistério de Bazinga

Os fãs da série de TV The Big Bang Theory, no ar desde 2007 pelo canal americano CBS e com transmissão no Brasil pelo SBT e Warner Channell, sempre foram curiosos para saber o significado da palavra Bazinga, constantemente gritada pelo personagem Sheldon Cooper, interpretado pelo ator Jim Parsons.

Agora, a origem da estranha palavra foi desvendada, e isso só ocorreu graças ao spin-off da série, The Young Sheldon, um novo seriado centrado na infância do hilário Sheldon Cooper. Num dos primeiros episódios, o telespectador pode ver o protagonista numa loja de revistas em quadrinhos e lá descobre um carrinho de brinquedo da marca Bazinga, o que o deixa espantado.

O slogan da marca fictícia de brinquedos é "Se é divertido, é Bazinga", uma frase que fica colada na mente do jovem Sheldon, e que na medida em que o tempo passa ele vai usá-la para o resto de sua vida, como se pode ver até hoje no sucesso de The Big Bang Theory.

           



08/12/2018
Fazenda sugere fim do abono salarial

A política de reajuste do salário mínimo deverá ser revista e o abono salarial extinto, para reequilibrar as contas do governo depois da aprovação da reforma da Previdência. As sugestões constam de documento do Ministério da Fazenda com o balanço da atual gestão e recomendações para o próximo governo, disponível na página da pasta na internet.

A pasta também recomenda o controle dos gastos públicos, com a redução de privilégios e incentivos fiscais para setores da economia, revisão dos gastos com o funcionalismo público e direcionamento dos benefícios sociais aos mais pobres para reduzir a desigualdade. Segundo o documento, o salário mínimo, cuja política de reajuste será substituída em 2020, deverá ser compatível com os salários do setor privado e o aperto nas contas públicas.

Desde 2011, o salário mínimo é reajustado com base na inflação dos 12 meses anteriores pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no poaís) de dois anos antes. Caso o resultado do PIB seja negativo, a correção se dá apenas pelo índice de inflação. Essa política vigorará até 2019, sendo substituída no ano seguinte.

Segundo o Ministério da Fazenda, cada R$ 1 de alta no salário mínimo aumenta os gastos da União em R$ 304 milhões. A maior parte desses gastos o impacto decorre do reajuste do piso pago pela Previdência Social. A nova política de cálculo do mínimo deverá ser encaminhada pelo futuro governo até 15 de abril, quando será apresentado o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2020.

           



07/12/2018
Santos afros como super-heróis

Um homem negro, forte com superpoderes. Poderia ser o Pantera Negra, mas aqui é o Rei Xangô, protagonista de Contos dos Orixás. O livro (Graphic Novel) de 120 páginas traz histórias de mitos do povo Yorubá no estilo dos heróis em quadrinhos da Marvel. O projeto do quadrinista Hugo Canuto, 32 anos, começou em 2016. Primeiro, com pôsteres e revistas. Dois anos e meio depois, acaba de ficar pronta a história em quadrinhos com narrativas cheias de ação com Yemanjá, Iansã , Oxum e outros. O lançamento será em São Paulo, no CCXP (Comic Con Experience), no São Paulo Expo, na Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, que acontece de quinta-feira (6/12) até domingo (9/12).


O Contos dos Orixás só foi possível por um financiamento coletivo bem sucedido pela internet. Embora a campanha ainda esteja no ar até 18 de janeiro de 2019, no Catarse, o crowdfunding que era de 20.000 reais atingiu três vezes essa meta. Dependendo do valor da colaboração, é possível receber revistas impressas e o livro em casa. Como Hugo consegui mais do que esperava, decidiu destinar parte do recurso para programas sociais de Salvador, sua cidade natal. Também serão doados 100 exemplares para espaços culturais.

           



06/12/2018
Um filho de Bolsonaro na mira do Coaf

Um ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, movimentou 1,2 milhão de reais em uma conta entre janeiro de 2016 e o mesmo mês de 2017. O montante, considerado atípico, foi citado em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de fiscalização ligado ao Ministério da Fazenda, revelou nesta quinta-feira O Estado de S.Paulo.


O ex-assessor, Fabrício José Carlos de Queiroz, é policial militar e trabalhava como motorista e segurança de Flávio Bolsonaro. De acordo com o jornal, ele estava lotado no gabinete do parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) até 15 de outubro deste ano, quando foi exonerado.

O relatório do Coaf em que aparece o nome de Queiroz faz parte da investigação que originou a operação que, no mês passado, levou à prisão de dez deputados estaduais do Rio de Janeiro. O Ministério Público Federal -diz o jornal- havia pedido ao Coaf um pente fino em todos os funcionários e ex-trabalhadores da Assembleia com transações financeiras suspeitas.

           



05/12/2018
A bola do mundo todo

O atual presidente da FIFA, o suíço-italiano Gianni Infantino, tem se mostrado um grande globalista, mais até que os recentes sucessores. Sua gestão não para de criar condições para a expansão dos negócios do futebol pelos cinco continentes do planeta. Chega já no Ártico, que parece ser outro continente.

A careca lustrosa do executivo tem se destacado nas mais distantes arquibancadas, se traçarmos a distância geográfica a partir da sede da entidade maior do futebol, em Zurique, na Suíça. Ele foi o primeiro dirigente da FIFA a viajar para ver uma final de Taça Libertadores na América do Sul.

Sua ida a Buenos Aires não teve como único e exclusivo objetivo assistir o duelo Boca vs River, por mais que ele e o resto do mundo saibam que o clássico platino é um dos mais empolgantes entre todos os grandes clássicos. Infantino veio aos trópicos com a mesma intenção que irá à China e EUA.

Ele quer o futebol ocupando todas as terras do globo terrestre, e para isso, tem o elemento mais forte para seus argumentos: a Copa do Mundo e os 300 bilhões de dólares que o popular esporte gera todo ano. A passagem exitosa do torneio pela Rússia e a próxima parada no Qatar estimulam a pretensão.

Quando a sede da Copa do Mundo de 2022 foi confirmada no rico emirado do mundo árabe, pouco tempo depois a FIFA soltou a boa nova de que a Copa de 2026, nos EUA, Canadá e México, contaria com 48 seleções, num acréscimo de 16 países aos 32 atuais. Mas agora, Infantino cresceu os olhos e quer mais.

De repente - quem sabe estimulado por cálculos recentes de cifras futuras - ele quer aumentar a quantidade de seleções já no próprio Qatar, propondo ainda que o rico país aceite que se espalhe por outras nações algumas chaves da Copa. Vai apelar para que os jogos de 2022 já sejam compartilhados.

Numa entrevista recente, o dirigente máximo do futebol declarou que seria muito bonito a Copa do Mundo ser compartilhada com outros países pelo Qatar, se antecipando ao formato previamente definido para ocorrer em 2026 na América do Norte. A ideia é que o futebol crie laços entre os países árabes.

Infantino sabe e admite que não é fácil, a essa altura, com as obras do Qatar avançadas, propor o compartilhamento. Mas também acredita que para o futebol nada é impossível, por mais que transpareça muito complicado. As confederações continentais aceitarão certamente 48 equipes já no Qatar.

Entretanto não basta a FIFA e seu presidente desejarem; é preciso respeitar acordos firmados anteriormente com o país sede, que pode muito bem não concordar em dividir uma festa que praticamente já pagou antecipado a decoração.

Além de 48 seleções, ainda há uma proposta da Copa ocorrer a cada dois anos. Há de se ter cuidado com a vulgarização, lembrando da fábula dos ovos dourados da galinha.

           



04/12/2018
O amor que contamina o mundo

Os amantes sempre morrem, um dia hão de morrer, mas o amor, somente o amor, resistirá ao tempo com a sua eternidade. Isto é fato e a ninguém cabe ou é permitido explicar. Tanto no aspecto do macrocosmo fictício, como nos romances tipo Romeu e Julieta ou Tristão e Isolda, quanto no microuniverso de um jovem e comum casal, como os americanos Christian Kent e Michelle Avila.

Pouco sabemos deles, apenas que viviam com os seus pais, em Newport Beach, na ensolarada Califórnia, sonho de consumo dos surfistas nos delirantes anos 60, 70 e 80. Além de viverem sobre as ondas, como no desejo da canção de Nelson Motta interpretado por Lulu Santos em 1982, Michele (23 anos) e Christian (20) se amavam de forma apaixonada.

Não foi o surf que permitiu a ambientação para que o casal se tornasse célebre. O mundo tomou ciência dos jovens por causa do seu amor, que eles escancaravam com paixão, alegria e plasticidade em imagens postadas nas redes sociais. Indivisíveis em seu idílio juvenil, eram um só corpo em cada foto, em cada vídeo, em cada singela frase de declarações amorosas.

O francês François de La Rochefoucauld, que longe de ser filósofo ou poeta foi um aristocrata apaixonado por compor conceitos amorosos e poéticos, disse que "o que faz com que os amantes nunca se entediem de estar juntos é o falar sempre de si próprios". E a vida de Michelle e Christian era assim, uma bolha só deles, imune às desgraças e maledicências desse mundo tão hostil.

Viviam apenas um para o outro, curtindo juntos o surf e as aventuras que o seu amor alimentava. O amor presente, sem pressa, sem adiamento e sem planejamentos que gerem dúvidas com o futuro. Eles eram a ilustração em vida da poesia de Chico Buarque em Futuros Amantes: "não se afobe, não, que nada é pra já, o amor não tem pressa, ele sabe esperar em silêncio..."

Eles contaminaram de amor as redes sociais, um ambiente totalmente afetado por ódios, frustrações, invejas e neuroses de toda espécie. As fotos, muitas fotos, postadas diariamente com juras de amor, com palavras de mimo e gestos de carinho de um para o outro, emocionaram pessoas de todas as idades, de tantas cidades, de várias nações. Eles choveram amor entre nós.

No entanto, desde o dia 14 de outubro, Michelle Avila e Christian Kent saíram do mundo, se foram, apareceram mortos, abraçados como nos romances que há séculos emocionam e ao mesmo tempo entristecem os mais distintos corações e mentes. A morte do casal é um mistério para as famílias e a Polícia. Não havia sinais de violência, nem cartas de despedida, nem resíduos de substâncias proibidas.

O quarto da garota, onde o casal foi encontrado morto, é um retrato da sua juventude e do seu amor; cartazes nas paredes, lençóis floridos, fotos do mar e deles, ela e Christian em momentos felizes, os mesmos que eles publicavam nas redes sociais e que conquistaram as pessoas.

Em seu perfil do Instagram, a garota escreveu "A vida é uma aposta", como a justificar as escolhas pelo estilo aventureiro e o gosto por música e viagens. Suas cinzas foram espalhadas nas águas do Hawaí, local preferido do casal, enquanto o corpo do namorado foi sepultado no mausoléu da família.
Os corpos dos amantes se foram, mas ficou o amor, imutável como sempre.

E como todos os amores adiados, um dia, quem sabe, serão elementos de estudo dos escafandristas do futuro, como cantou Chico. Ou voltarão todos, procurando seus pares, como a gritar na imorredoura poesia de Maiakovski: "Ressuscita-me, nem que seja só por isso". Porque todo o amor não terminado será recompensado com inumeráveis noites de luas e estrelas.

           



03/12/2018
Bolsonaro na festa do Palmeiras

O presidente eleito Jair Bolsonaro acompanhou na tarde de hoje (2), no estádio Allianz Parque, a partida entre Palmeiras e Vitória, da Bahia, pela última rodada do Campeonato Brasileiro. O time alviverde venceu por 3 a 2 e conquistou o decacampeonato.

Vestindo camisa do time paulista, Bolsonaro, que é palmeirense, assistiu a partida no camarote da diretoria do clube paulista e, ao final do jogo, desceu ao gramado onde entregou as medalhas aos jogadores e ao técnico Felipão, além da taça de campeão ao capitão Bruno Henrique.

O Palmeiras - por antecipação - se sagrou domingo passado campeão contra o Vasco (1x0), e jogou hoje apenas para cumprir tabela. O presidente eleito volta ainda hoje para o Rio de Janeiro.

Bolsonaro desembarcou às 13h40 no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, vindo em um voo comercial do Rio de Janeiro. Ele posou para fotos com a camisa do time e deixou o aeroporto às 14h25, sem passar pelo saguão de passageiros ou falar com a imprensa que o aguardava do lado de fora em direção ao estádio. O carro com Bolsonaro foi escoltado por 14 motos da Polícia Militar e viaturas da Tropa de Choque até o estádio.

           



02/12/2018
Nicki Minaj defende o namorado

Desde que a notícia de que Nicki Minaj estava namorando novamente foi divulgada, imprensa e fãs ficaram inquietos. Isso porque a rapper assumiu um relacionamento com Kenneth Petty, ex-presidiário que cumpriu pena de quatro anos, por uma acusação de estupro.

Os seguidores de Nicki não demoraram para expressar seu descontentamento e foram às redes sociais escrever mensagens agressivas ou de lamentação sobre a escolha dela. Porém, a voz de "Anaconda" não poderia ligar menos para tudo o que está acontecendo.

Ela e Kenneth já haviam namorado durante a sua adolescência. Apaixonada, Nicki foi às redes sociais responder o comentário de um fã e defendeu o namorado.

"Ele tinha 15 anos, ela tinha 16... eles namoravam. Mas fale o que quiser, Internet. Vocês não podem tomar conta da minha vida. Vocês não tomam conta nem das próprias vidas. Obrigada", respondeu a polêmica artista.

           



01/12/2018
O caráter e elegância de George Bush

A morte de George Herbert Walker Bush, o quadragésimo primeiro presidente dos Estados Unidos, consternou a vida política norte-americana. O anúncio por seu filho e também ex-presidente, George W. Bush, gerou muitas manifestações de respeito e condolências por personalidades republicanas e democratas.

Bush se foi poucos meses após o falecimento de sua esposa, Bárbara Bush, com quem ele foi casado durante 73 anos e juntos formaram uma família de cinco filhos e dezessete netos. No Twitter, o filho ilustre avisou aos irmãos: "a Jeb, Neil, Marvin e Doro me entristece anunciar que nosso amado pai morreu".

George Bush governou os EUA entre 1989 e 1993, no período do final da histórica Guerra Fria com a Rússia. No seu governo, o país venceu a primeira Guerra do Golfo. O ex-presidente Barack Obama declarou que o país perdeu um patriota que "ajudou a acabar com a Guerra Fria sem disparar um único tiro".

Na Argentina, onde estava participando da cúpula do G20, o atual presidente Donald Trump destacou a "autenticidade essencial, a inteligência afiada e o compromisso inabalável de Bush com a fé, a família e o país", lembrando que o ex-presidente inspirou gerações de compatriotas a entrarem no serviço público.

O firme caráter de George H. W. Bush ficou bastante visível e refletido numa carta que ele deixou no birô do Salão Oval da Casa Branca, quando estava prestes a deixar o governo e entregá-lo ao democrata Bill Clinton, que o derrotou na eleição presidencial de 1992. O que há de simples, há de emoção na missiva.

Em 2016, quando a mulher de Clinton, a senadora Hillary Clinton, estava enfrentando o republicano Donald Trump, ela postou a foto da carta de Bush no Instagram, numa forma de exibir a grandeza de um ícone adversário que não apoiava a candidatura do próprio partido. A família Bush torceu por Hillary.

Eis a carta do derrotado Bush para o vitorioso Clinton: "Caro Bill, quando entrei neste gabinete agora, senti o mesmo sentimento de reverência e respeito que senti há quatro anos quando aqui cheguei. Eu sei que você vai sentir isso também. Eu te desejo muita felicidade aqui. Eu nunca senti a solidão que alguns presidentes descreveram.
Haverá momentos muito difíceis, ainda mais difíceis por causa das críticas que você pode não achar justas. Eu não sou muito bom em dar conselhos, mas não deixe que as críticas o desencorajem ou tirem você do curso. Você será nosso presidente quando ler esta carta, e eu já o terei sido. Seu sucesso agora é o sucesso do nosso país. Desejo muito encorajamento. Muita sorte. George
".

Na quarta-feira, haverá uma homenagem póstuma oficial em Washington, por determinação do presidente Donald Trump, com alcance nacional. Depois, o corpo do ex-presidente será levado para o Texas, terra natal da família Bush, onde será sepultado na Biblioteca e Museu que leva o seu nome.

           



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