BLOG DO ALEX MEDEIROS

13/11/2018
Para sempre stanleenista

Os heróis, assim como os deuses, não nascem, eles são feitos, criados por mentes expansivas. No contexto do planeta Terra, o já saudosíssimo Stan Lee é em grande parte aquele que melhor ilustrou uma mitologia, o historiador de fantasias que estampou uma teogonia própria e mudou a face da nona arte.

Eu viajei para o universo dos super-heróis na metade dos anos 1960, moleque de menos de dez anos, encantado pelas aventuras do Superman nas revistas em quadrinhos da velha Ebal, a Editora Brasil América Ltda., fundada pelo russo Adolfo Aizen em 1945, numa dissidência com o editor Roberto Marinho.

Depois do filho de Kripton, descobri outras figuras poderosas, Batman, Lanterna Verde, Miss América (Mulher Maravilha), Ajax, Flash, Aquaman, Arqueiro Verde e uma legião de heróis adolescentes comandados por Superboy e Mon-El, os primos invulneráveis. Eu rejeitava a tropa da Marvel.

Minha fidelidade aos personagens da DC Comics começou a ficar vulnerável quando apareceu um novo morador na minha rua, um garoto meio nerd que consumia compulsivamente as revistinhas do Homem-Aranha, um herói criado em 1963 e que a editora Ebal passou a publicar suas aventuras em 1969.

Depois vieram Thor, Hulk, Homem-de-Ferro, Demolidor, o Quarteto Fantástico; as figuras poderosas da Marvel passaram a dividir espaço com os meus preferidos da DC. Era a teia de influência de Stan Lee, o cara que fez da sua criação um divisor de águas na história dos quadrinhos de super-heróis.

Talvez não por coincidência, Lee começou a trabalhar no ocaso da Era de Ouro, no final da Segunda Guerra Mundial, como assistente de Jack Kirby - o criador do Capitão América em 1940 - e vinte anos depois ele seria a força criadora da Era de Prata, o resgate mercadológico das revistinhas de HQ.

Kirby seria o grande parceiro da revolução "stanleenista" iniciada em 1961 com o Quarteto Fantástico e estendida com o Homem-Aranha, Hulk e Thor em 1962; Homem-de-Ferro, X-Men e Doutor Estranho em 1963; Demolidor em 1964; e consolidada com o Pantera Negra e o Surfista Prateado em 1966.

A diferença essencial entre a Era de Prata do estadista da Marvel e a Era de Ouro foi a releitura que Stan Lee estabeleceu com seus personagens, inserindo noções populares nos roteiros, dando humanidade aos heróis, que não enfrentavam apenas vilões, mas também seus demônios internos; como nós.

Com Stan Lee, as histórias em quadrinhos deixaram a condição de subliteratura para crianças e se tornaram a mola propulsora de um mercado poderoso que com deuses de papel gerando bilhões de dólares em licenciamentos. As HQs viraram cultura pop na década dourado do rock n roll.

Foram quase 80 anos dedicados ao ofício de entreter os fãs, uma abnegação que mantinha a conexão do senhor de um império com o garoto que iniciou nos anos 1940 para minorar as necessidades da família romena que migrou para Nova York. Ele dizia que criava heróis pensando apenas em pagar o aluguel.

O mundo construído por Stan Lee salvou o mundo do cinema, fortunas erguidas em bilheterias e produtos de inúmeros gêneros, seus heróis arrasando quarteirões, tanto no sentido das batalhas quanto no aspecto comercial. Seu legado se mantém nas revistas que guardo com o carinho de quem preserva imagens de família. Sou um órfão stanleenista.





13/11/2018
O rei é azul

Depois de vinte e dois anos, o rei Roberto Carlos está lançando um LP em vinil, recheado de músicas inéditas, muitas cantadas em espanhol. Nada de muito diferente na capa, que segue a tradição da sua estampa em destaque. E por dentro, uma bolacha que é azul e não preta como o velho padrão universal.

Um vinil azul é fato inédito em se tratando do cantor maior da MPB, mas no histórico fonográfico já teve coisa semelhante no passado. Nos anos 1960, os discos de contos e músicas infantis, principalmente os compactos, tinham cores variadas nos vinis. As fábulas rodavam em vermelho, azul, amarelo...

Um dos grandes clássicos do rock inglês, o LP "Athomic Heart Mother", lançado pelo Pink Floyd em 1970, ganhou depois uma versão em vinil vermelho. Por aqui, no começo dos anos 1980, a banda paulistana Língua de Trapo lançou um LP em vinil de cor verde, recheado de ritmos diferentes.

A cor azul se tornou uma constante na vida e obra de Roberto Carlos, em virtude do TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo - que o levou a usar apenas roupas de tons azuis - ou brancos - e aplicar a cor em todos os seus discos desde 1980. Por décadas, o rei não se aproximava da cor marrom.

A ligação na cor celeste e rejeição ao marrom ou preto nem sempre foram presença na patologia do rei. No auge da fase Jovem Guarda, num LP de 1965, um dos seus maiores sucessos praticamente desprezava o azul: "De que vale o céu azul e o sol sempre a brilhar...". E aí mandava tudo pro inferno.

Um ano depois, em 1966, ele berrava nas rádios e nos auditórios a versão que Getúlio Côrtes fez de um hit pop americano: "Eu sou um negro gato, miauuuu!". E em 1969, chorou o fim do azul na canção As Flores do Jardim da Nossa Casa: "As nuvens brancas escureceram e o nosso céu azul se transformou...".

Já em 1971, numa das suas composições de maior beleza poética, a compaixão real com um súdito exilado o fez ilustrar os caracóis dos cabelos de Caetano Veloso no azul das praias baianas: "Um dia em areia branca seus pés irão tocar, e vai molhar seus cabelos a água azul do mar...". Virou clássico.

Apesar de há algum tempo o cantor ter noticiado que se curou da moléstia, a chegada de um novo LP vinil com o disco azul não deixa de remeter ao problema que muito lhe atrapalhou na vida e na carreira. O novo disco, chamado Amor sem Limite, chega às lojas no próximo dia 16 de novembro.

Desde quando passou a sofrer do TOC, Roberto passou umas três décadas cultuando a cor do céu e do mar. Ao ponto de inserir nos seus shows anuais e nas turnês marítimas que faz a bordo de navios de cruzeiro um clássico da Jovem Guarda de autoria do compositor maranhense Nonato Buzar.

Morto em 2014 aos 81 anos, Buzar fez músicas para nomes como Luiz Gonzaga, Elizeth Cardoso, Maysa, Nelson Gonçalves, Elis Regina, Wilson Simonal, Jair Rodrigues e outros. Em 1968 compôs Vesti Azul, que se tornou popular em 69 e 70 nas gravações de Adriana e Simonal, respectivamente.

Roberto tem cantado Vesti Azul, mas nunca a colocou em disco. O novo LP Amor Sem Limite é o primeiro vinil dele desde 1996. Apesar da cor da bolacha, a velha patologia parece ter sumido mesmo. Que a nova fase da vida e da carreira do rei seja, então, definitivamente azul. O cara merece, senão pela longevidade artística, mas principalmente por ter colorido o coração dos milhões de fãs.





12/11/2018
O sucesso e a tragédia de Tattoo

Quem viveu os anos 1970, chamados muitas vezes de a década da fantasia, alimentou num seriado de TV de 1978 seus próprios sonhos de aventuras nas fantasias dos personagens que desembarcavam na Ilha da Fantasia, gerenciada pelo protocolar Sr. Roarke, interpretado por Ricardo Montalbán.

Inesquecível ficou a cena inicial com o pequeno ator Hervé Villechaize, na pele de Tattoo, o dileto auxiliar do anfitrião, que subia uma escada em espiral e lá no alto de uma guarita gritava "o avião, o avião". Era a chegada dos hóspedes que iriam viver na paradisíaca ilha as suas fantasias, como a toque de mágica.

O seriado fez sucesso no mundo inteiro e até hoje se repete por aí em alguns canais fechados e serviços de streaming. O papel de Tattoo na Ilha da Fantasia fez do ator Hervé Villechaize o anão mais famoso do mundo. Chegou a ser mais popular no Brasil do que o cantor romântico Nelson Ned, também anão.

Nascido na França, o diminuto ator venceu profissionalmente nos EUA, tendo adquirido fama a partir de 1974 quando atuou no filme "007 Contra o Homem da Pistola de Ouro", interpretando um terrorista. Três anos depois inicia o trabalho na famosa série, até ser demitido nos anos 80 e cair em depressão.

Hervé praticou suicídio aos 50 anos, em 1993, com um tiro no peito, deixando uma carta de despedida. Agora, 25 anos depois da sua morte, a HBO lançou um filme sobre sua trajetória, intitulado "Meu Jantar com Hervé", com o ator Peter Dinklage (Tyrion Lannister de Game of Thrones), no seu papel.

O filme é baseado num encontro de Hervé com o jornalista britânico Sacha Gervasi, ocorrido em Los Angeles dias antes do anão se matar. O que era para ser uma reportagem acabou se tornando uma biografia derramada dramaticamente diante dos olhos estarrecidos do então jovem repórter.

Com vinte e poucos anos, Gervasi procurou Hervé para uma entrevista, que acabou durando três dias com longos passeios dentro de uma limusine. O ator o recebeu dizendo "você já deve ter ouvido merdas sobre mim; quer ouvir a história verdadeira, novato?", e saiu a contar a tragédia que foi a sua vida.

A limusine percorre um cenário regado a álcool, sexo e armas, onde o pequeno ator exibe o delírio do seu ostracismo desde a demissão nos últimos anos de A Ilha da Fantasia. O roteiro é a história de como um homem de 122 centímetros atinge o alto de Hollywood para depois cair no fosso profundo da depressão.

O ator Jamie Dornan, que interpretou o personagem Christian Grey no filme 50 Tons de Cinza, faz o papel do jornalista Sacha Gervasi, hoje com 52 anos e que assina a cooprodução do filme junto com o ator principal Peter Dinklage, que é um pouco maior que Hervé, com 135cm e prestes a fazer 50 anos.

Quando vestiu o paletó branco de Tattoo, o pequeno francês se tornou o anão mais célebre do planeta, mas só até o temperamento agressivo provocar uma revolta por não receber o mesmo salário do astro Ricardo Montalbán, o que culminou na demissão sumária, no começo da depressão e num fim trágico.





11/11/2018
Roberto Carlos todo azul

Depois de 22 anos, o rei Roberto Carlos lança um LP em vinil, onde a bolacha tradicionalmente preta é azul. O fato é inédito em se tratando do cantor maior da MPB, mas teve coisa semelhante no passado.

Nos anos 60, os discos de contos e músicas infantis, principalmente os compactos, tinham cores variadas nos vinis. Já no começo dos anos 80 a banda paulistana Língua de Trapo lançou um LP de cor verde.

A cor azul se tornou uma constante na vida e obra de Roberto Carlos, em virtude do TOC - transtorno obsessivo compulsivo - que o levou a usar apenas roupas de tons azuis e aplicar a cor em todos os seus discos desde 1980. Por décadas, o rei não se aproximava da cor marrom.

Apesar de há algum tempo ele ter noticiado que se curou da moléstia, a chegada de um LP com o vinil em azul não deixa de remeter à velha mania do compositor. O novo disco, chamado Amor sem Limite, chega às lojas no próximo dia 16 de novembro.

Desde quando passou a sofrer do toc, Roberto Carlos passou umas três décadas cultuando a cor do céu e do mar. Ao ponto de inserir nos seus shows anuais e nas turnês marítimas que faz a bordo de grandes navios de cruzeiro um clássico da Jovem Guarda composto em 1968 pelo compositor Nonato Buzar (morto em 2014 aos 81 anos), popularizado em 1969 e 1970 por Adriana e Simonal respectivamente. A canção Vesti Azul só faltou aparecer em algum álbum de Roberto.

É a primeira vez desde 1996 que o artista mais querido do Brasil coloca no mercado um álbum em LP. Que tudo saia azul para o rei. Ele sempre merece.





09/11/2018
A insensatez num estado falido

Todo mundo sabe que o Tesouro Nacional publicou dias atrás um relatório colocando o Rio Grande do Norte como o estado mais ameaçado de insolvência, com mais de 80% da sua receita utilizada para pagamento da folha.

Muita gente viu também o controlador do estado Alexandre Santos Azevedo afirmar que o próximo governo vai precisar demitir 13 mil servidores se quiser equilibrar as finanças. No momento, o estado tem ainda em aberto cinco (5) folhas de pagamento(parte de outubro, novembro, dezembro,parte do 13º de 2017 e o 13º de 2018).

Na segunda-feira passada, em entrevista ao programa Bom Dia Cidade, na 94 FM, o vice-governador Fábio Dantas afirmou para mim e par Jener Tinoco que a governadora eleita Fátima Bezerra vai herdar um déficit de R$ 2 bilhões.

Durante toda a sua gestão que termina em dezembro, o governador Robinson Faria repetiu à exaustão as condições do estado que ele recebeu em janeiro de 2015, e sempre fez questão de destacar a grave crise que assola o RN.

Parce que nada disso sensibilizou os gênios do marketing governamental, auxiliares diretos do governador que insistem na realização de uma insensata licitação publicitária que prevê torrar R$ 30 milhões ao longo de doze meses, dez deles já dentro do futuro governo.

Um dado grave é que circula nos grupos de publicitários do WhatsApp o comentário de que a decisão de realizar a tal licitação ocorreu ainda no mês de agosto, num claro sinal de cartas marcadas.

De onde virá a providência republicana que impeça tamanho golpe no erário? O que dizem o Ministério Público, o Tribunal de Contas e todos aqueles que tenham a consciência de fiscalização e de zelo pela coisa pública?





09/11/2018
Os Ringos e Djangos reais

Num tempo onde as guerras eram resolvidas no corpo a corpo, tinham papel essencial nos avanços táticos os franco-atiradores, os famosos snipers, que com seus tiros de precisão conseguiam mudar os rumos das batalhas. Como eles estão em moda no Brasil, segue abaixo os maiores de todos os tempos.
  
O finlandês Simo Häyhä era conhecido como "A morte branca"; ele abateu 505 soldados russos utilizando um fuzil M28 Pystykorva, que era uma variante do fuzil soviético Mosin Nagant. Com apenas 1,52 metro, movia-se quase invisível e quando estava na caça de inimigos nunca utilizava a mira telescópica.

Adelbert Waldron é considerado o recordista de mortes na Guerra do Vietnã, tendo abatido 109 soldados vietnamitas. Pertencia à 9ª Divisão de Infantaria do Exército dos EUA. Seu compatriota Carlos Hathcock era chamado "Pluma branca" e matou 93 vietnamitas com uma metralhadora Browning M2 50.

Um dos snipers mais letais da história foi o russo Mihail Ilych Surkov, integrante da 4ª Divisão de Rifles durante a Segunda Guerra Mundial, quando eliminou nada menos que 702 soldados nazistas. A ucraniana Lyudmila Pavlichenko derrubou 309 alemães e foi condecorada como heroína da União Soviética.

O canadense Francis Pegahmagabow foi considerado o atirador mais eficiente na Primeira Guerra Mundial, tendo abatido 378 inimigos em duas batalhas na Bélgica e na França. O americano Timothy Murphy mudou os rumos da Guerra da Independência com tiros de 300 jardas, chamado então "Homem do Rifle".

Com apenas 25 anos, o russo Ivan Kulbertinov eliminou 487 soldados alemães na Segunda Guerra, recebendo a Ordem da Bandeira Vermelha da Fama. O também russo Vassili Zaitsev matou 400 nazistas, recebeu a comenda Ordem de Lênin, virou herói nacional e ganhou até um filme sobre sua façanha.

O americano Chris Kyle foi essencial na Guerra do Iraque durante a gestão George W. Bush, eliminando 150 soldados iraquianos além de um franco-atirador que abatia americanos. Ele foi motivo do filme "Sniper Americano", dirigido por Clint Eastwood em 2014. Morreu assassinado aos 38 anos.

Ivan Sidorenko matou 500 alemães entre 1941 e 1945, e repetia o lema "um disparo, um morto". Foi motivo de excessiva propaganda do regime comunista russo. Mas o atirador mais condecorado no Exército Vermelho foi Vasilli Kvachantiradze, um fuzileiro que teria abatido 534 soldados inimigos.

O americano Chuck Mawhinney é um herói vivo que derrubou 213 guerrilheiros vietnamitas quando servia nos Marines. O rifle M40-A1 que ele usou está exposto no Museu Nacional do Corpo de Fuzileiros. Já o terrorista Abu Yusef Al Turki foi o maior sniper da Al Qaeda, tendo abatido mais de uma centena.

Rob Furlong é o canadense que primeiro acertou um alvo a mais de 2km de distância, derrubando um miliciano talibã com um fuzil McMillan Tac-50. Esse recorde foi superado pelo sniper inglês Craig Harrison, que abateu dois guerrilheiros também talibãs na distância de 2,475km usando um rifle L115A3.

A destreza dos atuais franco-atiradores, unida às novas tecnologias bélicas, permite disparos que podem acertar um alvo a mais de 3km de distância. No Brasil já existem militares devidamente treinados para efetuar tiros precisos em grandes distâncias; são eles que poderão abater traficantes nos morros do país.





07/11/2018
Cuidando das merdas do mundo

O americano Bill Gates é mundialmente conhecido por ser fundador de uma das maiores e poderosas empresas tecnológicas do planeta: a Microsoft. Sua trajetória de vida, um jovem meio nerd e meio hippie que transformou o sistema IBM no segredo de uma revolução digital, é uma riqueza de conteúdo peculiar.

Dos últimos anos até aqui, Gates também é famoso por frequentar os topos das listas de maiores bilionários e de também promover ações filantrópicas dignas de aplausos. As horas de trabalho no direcionamento da Microsoft não impedem que ele esteja sempre criando campanhas de cunho social.

Nessa semana, durante uma palestra na Reinvented Toilet Expo, uma grande feira de produtos sanitários realizada em Pequim, na China, ele subiu ao palco e colocou do seu lado um jarro de cristal com fezes humanas dentro. E surpreendeu a todos perguntando se todos sabiam o que havia no recipiente.

"Vocês acertaram. São fezes, sim. E nesta pequena quantidade pode ter 200 trilhões de células rotavírus, 20 bilhões de bactérias Shigella e 100 mil ovos de vermes parasitas". E continuou dizendo que agentes patogênicos como esses causam doenças e matam meio milhão de crianças no mundo todos os anos.

A presença de Bill Gates numa feira de objetos de banheiros, diante de dezenas de empresas do setor, tinha só um objetivo: apresentar sua nova missão social, que é melhorar a vida de pessoas em países pobres dando-lhes condições sanitárias dignas, desde o vaso até o serviço de esgotamento.

Ontem ele postou no Twitter uma foto em que está sentado num vaso sanitário, num cenário de pobreza em alguma zona periférica de algum lugar do mundo. E para ilustrar a imagem, Gates escreveu: "Há poucas coisas que eu gosto mais de falar do que banheiros". Um recado direto às empresas do evento.

O programa de Bill Gates consiste em doar às comunidades os equipamentos sanitários e a alternativa do esgotamento sem uso da água; na apresentação da ideia em Pequim, o acompanhou uma grande equipe da sua Fundação Bill & Mellinda Gates, que ele criou juntamente com a sua esposa

Nos últimos anos, o magnata investiu US$ 200 milhões em ações sociais, muitas delas voltadas para salvar vidas de crianças carentes. "Isto é a que se expõem continuamente os meninos quando estão jogando bola nas ruas, se tornam vítimas de enfermidades que levam à desnutrição e à morte precoce".

Depois de deixar impactada a plateia da feira chinesa, Bill Gates passou a mostrar o processo inodoro de esgotamento sanitário que dispensa água, e também os produtos químicos que transformarão fezes humanas em matéria fertilizante. Um impacto de verdade, que deveria ser copiado pelos governos do mundo.





07/11/2018
Parem com isso enquanto é tempo

Estão chamando a licitação de fim de ano de licitação do fim do mundo. O edital publicado pela secretaria estadual de comunicação licita R$ 30 milhões e especifica os fins como "prestação de contas".

Ora; ou se imagina uma queima de dinheiro em menos de dois meses, ou então deixam para o novo governo que assume em janeiro prestar contas daquilo que nem existe ainda. A data para abertura das propostas das agências é 26 de novembro. Quem conhece um processo desse, sabe que a conclusão pode ocorrer já no governo de Fátima Bezerra.

Veículos de comunicação e várias agências de propaganda do RN ficaram estarrecidos com a notícia dada aqui e na minha coluna do jornal Agora. Na lista da comissão julgadora elencada e publicada no edital há profissionais que são fornecedores da administração pública na condição de pessoas jurídicas.

Informada do caso, a governadora eleita convocou seus assessores da área de comunicação para uma conversa na sexta-feira, onde decidirá a providência futura adotada, se a licitação ocorrer. Convém informar que a petista nunca teve relação com agências do mercado local.

A mim não interessam os prováveis argumentos legais, jurídicos que forem, sobre a vergonhosa licitação. Na condição de amigo pessoal do governador Robinson Faria, observo o lado moral da infeliz iniciativa dos responsáveis por lançar a licitação sem o seu conhecimento. O governo atual tem cinco folhas de pagamento em aberto (outubro, novembro e dezembro, além de dois 13º)

E digo mais. Um ponto fraco da administração Robinson Faria sempre foi a comunicação. Nunca me meti no assunto, mas não deixei de alertá-lo várias vezes. Por mais que o atraso de salários e os efeitos da violência urbana tenham prejudicado a gestão, o auxílio da comunicação foi deveras insuficiente para minorar o prejuízo da imagem do governador.

Essa maldita licitação é, por ironia, a cereja azeda que faltava no bolo amargo da confraria inculta que foi a política de comunicação do governo. Ele, o governador, merecia coisa melhor para auxiliá-lo nas suas boas intenções e no seu espírito público que dou testemunho. Ele poderá ser o único prejudicado na lambança que é essa licitação.





05/11/2018
A carta de morte de Baudelaire

No soneto "Remorso Póstumo", do clássico As Flores do Mal, o poeta francês Charles Baudelaire expressa o sentimento mórbido e depressivo não raramente encontrado ao longo da sua obra. Quem por acaso perceber Augusto dos Anjos ali, o paraibano tinha 17 anos quando morreu o parisiense.

Vamos lá ao trecho do soneto, que apesar de romântico se derrama em linhas fúnebres: "O túmulo que tem seu confidente em mim / Porque o túmulo sempre há de entender o poeta / Na insônia sepulcral destas noites sem fim". É Baudelaire em estado puro de angústia no vazio aberto por mil problemas.

Acumulou em vida todos os fracassos e sentimentos de ausência, sofria colapsos oriundos de uma hemiplegia que lhe paralisava parte do corpo, além de ter contraído a sífilis, tão comum no nosso legado lusitano. Morreu sem ver uma edição de As Flores do Mal, referência para milhares de poetas depois.

Por várias vezes ensaiou se matar, uma alternativa radical para escapar dos problemas familiares, das constantes e corrosivas críticas literárias, da falta de dinheiro e do alcoolismo que adquiriu a partir de tudo isso. Aos 24 anos apenas, buscou na ponta de um punhal o fim de todos os seus martírios.

A fracassada tentativa de suicídio foi em 1845, três anos após ter conhecido a dançarina haitiana Jeanne Duval, que se tornaria sua amante e musa, devidamente retratada numa tela do pintor Édouard Manet. Ao praticar o improvisado haraquiri ocidental, Baudelaire fez uma carta de despedida.

Ele começa a missiva usando um dos sobrenomes utilizados pela mulher, Lemer (ela usava também Lemaire e Prosper, não se sabe o mais certo): "Quando, Jeanne Lemer, te entreguem esta carta, estarei morto", diz o poeta, que ao longo da despedida escreve coisas como "horripilante inquietude".

Num trecho, dizia ser "insuportável tanto a fadiga de dormir quanto a de despertar", num claro quadro de vazio na alma que lhe contaminava o corpo. A carta era uma versão crônica dos tantos versos que cantavam seu desconforto. Se o punhal falhou, coube à sífilis o golpe certo matando-o dois anos depois.

Passados 173 anos daquela punhalada, a carta do poeta para sua musa apareceu numa casa de leilão em Paris, sua terra natal. Um colecionador arrebatou o manuscrito por 234 mil euros, um valor que Baudelaire jamais imaginou ganhar em vida. O preço foi três vezes maior do que o avaliado.

Juntamente com a carta do quase suicídio, foram arrematadas também outras cartas, enviadas a Charles Baudelaire por figuras como Victor Hugo, Delacroix e Manet, além de alguns poemas que ele remeteu ao então seu editor Auguste Poulet-Malassis. Que as flores do mal ou do bem nunca parem de germinar.





05/11/2018
De olho em 2020

Dando sequência à série de notas sobre prováveis articulações visando a eleição de prefeito de Natal, seguem mais duas possibilidades ventiladas no mundo político e nas rodas de conversas da capital potiguar.

Ninguém se surpreenda caso algum grupo político ou movimento privado sugira o nome do blogueiro Bruno Giovanni como uma opção para prefeito. Há quem aposte no seu prestígio, ao ponto de influenciar os interesses de alguns partidos com assento na Assembleia e Câmara.

Por outro lado, o desempenho nas urnas de Natal na disputa para governador, estimula eleitores do partido Solidariedade a apostarem em Breno Queiroga na sucessão de Álvaro Dias. Resta saber se o deputado Kelps Lima, comandante da legenda, não tentará ele próprio mais uma vez entrar na luta municipal.





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