BLOG DO ALEX MEDEIROS

01/04/2018
Só um poeminha transgressor

Ideologia virou coisa raivosa
fanatismo na cabeça e na pele
nos partidos, de PT ao PSL
feminismo, da feia ou gostosa
na ditadura, pobre ou poderosa
o que há de bom ela repele
ideologia é arma mentirosa
que cria mitos como Marielle.





30/03/2018
O Rio de Janeiro continua feio

Meninos eu vi. Eu vivi para ver o torcedor e a mídia potiguares repercutirem muito mais um clássico paulista do que um carioca. Quarta-feira, pouco se falou em Botafogo e Flamengo desde as primeiras horas da manhã até o horário do jogo, transmitido para o RN pela Globo.

O que testemunhei nas redes sociais e nas conversas pessoais e pelo WhatsApp foi o assunto dominante da decisão paulistana entre Corinthians e São Paulo, que foi transmitido apenas por canais fechados ou nos pacotes pagos. Foi-se o tempo em que natalenses e vizinhanças só consumiam o estadual do Rio.

Entre os anos de 1950 e 1980, o RN ignorava completamente o futebol de São Paulo, consequência da audiência das rádios cariocas Nacional e Tupi, quando os canais de televisão exerciam pouco influência no imaginário papa-jerimum. Eu mesmo, só vi clubes paulistas tocando bola nos filmetes do Canal 100, dominado pelos espetáculos no Maracanã.

Nem mesmo a onipresença divinal do rei Pelé conseguiu alterar a relação dos potiguares com os times cariocas. Havia, claro, os torcedores do Santos, mas jamais ocorreu de alguma sala de visita, bar ou boteco reunir grupos para ver uma final do estadual paulista. O oposto em se tratando de confronto carioca.

Foram as transmissões ao vivo pela TV e as constantes conquistas dos clubes de SP, como o tricampeonato mundial do São Paulo FC, os shows de bola do Palmeiras da Parmalat e o reencontro do Corinthians com as vitórias que fizeram brotar paixão nas novas gerações de Natal e interior.

Some-se a isso o processo de decadência do futebol carioca, o empobrecimento das gestões clubistas e o avanço da violência urbana que contaminou as torcidas de Vasco, Fluminense, Flamengo e Botafogo, anexando a isso a ineficiência policial no combate aos embates das ruas.

Hoje o que vemos é que os chamados quatro grandes do RJ só jogam pra consumo interno, estão longe do padrão continental dos paulistas e até de gaúchos e mineiros. Para servir de referência, o Flamengo (time de maior tradição no País) não ganha uma Libertadores há quase 40 anos.

Não há time grande na Europa nem na Argentina que fique tanto tempo numa seca dessa. O Flamengo que perdeu para um Botafogo tipo série B é um amontoado de jogadores medíocres comandados por um Diego moribundo, refugo europeu em fim de carreira. Chega de ilusão: ganhar estadual não vale grande coisa. É como ser rico no Banco Imobiliário.





28/03/2018
Spielberg desperta nossa meninice

Quem ainda não foi assistir o filme Jogador Nº 1, nova produção do gênio Steven Spielberg, é bom fazer um pequeno, mas profundo ritual antes de comprar o ingresso. Convém se desnudar da alma adulta e vestir a fantasia do adolescente que já foi um dia.

Se na superfície da trama há um filme futurista com jogadores celebrando os prazeres da brincadeira, na profundidade do roteiro (baseado num livro de 2011 cheio de referências aos anos 80) há o mergulho filosófico na existência, nas buscas cotidianas que muita gente abandona diante da dura realidade.

Deixe a criança interior se acomodar na poltrona do cinema, pegue a pipoca e o refrigerante, e não se preocupe por não entender os games dos dias atuais ou não lembrar dos jogos do passado. Basta confiar a Spielberg o joystick da sua imaginação, que a distopia da aventura lhe carrega.

Jogador Nº 1 é entretenimento puro, com aquela pitadinha de recados psicológico e filosófico tão presentes nas obras desse produtor e diretor que parece não cansar de nos chamar para se divertir com ele. Spielberg surpreende com uma improvável mistura de tecnologia e saudosismo.

Garantia de arrepios emotivos e vontade de se esconder no escuro imaginando as segundas sessões de antigamente.





26/03/2018
Começa a Copa da adivinhação

No final do ano passado, como é de praxe para a alimentação do imaginário esotérico das pessoas, videntes de todas as espécies trataram de avisar que 2018 seria melhor do que 2017, que para muitos foi um ano carregado de negatividade e outros babados.

Mas, bastou se aproximar a Copa do Mundo na Rússia e a atração por oráculos dos tempos modernos tomou conta das editorias de amenidades e também de futebol. Todo mundo quer saber o que dizem os astros, os números, as runas, os orixás, as cartas sobre o torneio mundial de futebol.

Num canal português, um programa de auditório repleto de frescuras entrevistou uma senhora especializada em tarot, que arrisca nova glória da seleção de Ronaldo, repetindo o que ocorreu na Eurocopa. Num tablóide londrino, um quase bruxo garante uma nova era para o jovem "real team".

No Brasil, o popular astrólogo João Bidu não comunga com a torcida pacheca numa confiança total na seleção de Tite. Diz que apesar de favorito, o Brasil pode ser atrapalhado por Júpiter e Saturno e tropeçar diante de adversários experientes. Avisa que será muito difícil a conquista da taça, bem diferente do que imagina os torcedores da Canarinho.

A sensitiva Márcia Fernandes, figurinha fácil nos programas de bobagens de pequenas TVs abertas, sente um astral divergente do prenunciado pelo colega de adivinhações. Não sei se ficou empolgada com o amistoso em que o Brasil titular vencer a Alemanha reserva por 1 x 0, mas revela que pode pintar uma final como revanche dos 7 x 1.

Envolvida com os mistérios da quiromancia, Sara Zaad vai nos detalhes e avisa que a seleção brasileira vai perder a final para uma seleção europeia. E a decisão será nos pênaltis. Diz que Neymar não fará uma boa Copa e que um outro bom jogador irá se machucar nas quartas-de-final. Ainda diz França, Inglaterra e Portugal vão dar trabalho.

As previsões mais negativas para o Brasil são do vidente Carlinhos e do premonitor Jucelino Luz, talvez os dois mais famosos. O primeiro antecipou a contusão de Neymar e garante que o craque não jogará a Copa. Foi ele quem previu a queda do avião da Chapecoense. O segundo informa que problemas técnicos derrubarão a seleção precocemente.

Mas nem tudo é notícia ruim para a nação dos pachecos. Os dois adivinhões são taxativos: nem Lula nem Bolsonaro ganhará a eleição para presidente do Brasil. Ufa!





23/03/2018
No Brasil, a Justiça vareia

Muita gente já disse que o STF virou um circo. E a sessão dessa quinta-feira, me fez lembrar o saudoso programa Os Trapalhões, o original com Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Não lembrei pelas palhaçadas do quarteto (respeito a atividade dos palhaços), mas por um bordão de Renato Aragão.

Encarnando o cearense misto de bobo e esperto, o comediante atropelava o vernáculo bradando "aí vareia", tirando o verbo variar do padrão culto da linguagem e o lançando como neologismo no padrão coloquial da matutice nacional.

Ontem fiquei prostrado na TV, como na meninice diante dos Trapalhões, acompanhando a sessão do Superior Tribunal Federal, que julgava a aceitabilidade do direito de habeas corpus apresentado pelos advogados do senhor Luiz Inácio.

Impressionou-me a capacidade de eloquência do doutor Batochio, que cuspiu um francês fluente na augusta Corte e encarnou um arauto das liberdades em favor de Lula, como se reeditasse a defesa de Sobral Pinto para tirar Carlos Prestes das garras da ditadura getulista.

Vomitou décadas de juridiquês na tese da presunção de inocência; umedeceu militantes de grelo duro ao bradar sobre a volúpia do encarceramento numa onda de autoritarismo; sensibilizou o companheiro Lewandowski, no outro lado do balcão, que logo falou em uso generoso do habeas corpus.

Aliás, mais bonito fez Marco Aurélio, o primo de Collor, que ilustrou seu voto com um "heroico habeas corpus", para logo a seguir preferir honrar uma poltrona de avião do que a cadeira do Supremo. Foi um festival de português castiço, quase galego, para defender um condenado por corrupção.

E os dez minutos de intervalo que duraram cinquenta? No tempo dos Trapalhões, os humoristas davam pausa para aprimorar a palhaçada, improvisar a piada, estender o riso da plateia. O STF tramou o que já era premeditado, variou o tempo num buraco de minhoca da conveniência.

Ora, tanto contorcionismo jurídico e tamanho esforço linguístico em favor de um político ladrão, líder dos dois maiores escândalos de desvios do dinheiro público - Mensalão e Petrolão. Tentar subverter a Constituição para não prendê-lo, apesar de julgado, enquanto outros corruptos seguem presos sem um julgamento.

A Justiça do Brasil é para todos, mas vareia muito.





22/03/2018
Letras de A até agora

Nas páginas da mídia impressa, lá se vão trinta anos desde os primeiros artigos, crônicas e poemas publicados no semanário Dois Pontos (a pedido de Rejane Cardoso), nos alternativos Preto no Branco e A Franga, e na revista RN Econômico. Ah, jamais esquecer os panfletos poéticos e folhetos de cordel.

Nesta quinta, 22, seria aniversário de 96 anos da minha mãe, Dona Nenzinha, falecida em 1993. Devo tudo a ela e ao meu pai, que apesar da ausência de estudos foram incansáveis no incentivo para que eu estreitasse a relação com os livros, com a leitura em geral.

Seu Luiz cuidava dos mimos em quadrinhos, mas só depois que ela me desarnou no alfabeto, me colocou em aulas de reforço quando faltava matrícula e me deu lápis e papel para rabiscar o A do meu nome, a primeira letra que aprendi enchendo a superfície de um saco de pão como a fazer uma carta.

Ali pelos meus 13, 14 anos, ela me pegou pela mão e botou para estudar datilografia, uma iniciativa que moldou meu destino. Devo aquele gesto a vida até aqui; virou meu ofício teclar por três décadas. Se não aprendi a trocar lâmpadas ou pneus, é porque só restou escrever. Só faço isso.

Há poucos dias, uma jovem perguntou porque escrevo muito, bem além das obrigações profissionais. Pensei nos primeiros rabiscos e nos dias em que fui empurrado para as letras na preocupação dos meus pais com algum futuro. Na puberdade ainda, fiz versinhos, escrevi cartas a pedidos, tirei boas notas.

Então, depois de tanto tempo, percebi que escrevo para entender o mundo e a mim mesmo; escrevo porque me tornei um bom leitor; escrevo para me relacionar com outras pessoas, com aquelas que me leem, e para compartilhar meu aprendizado. Também para me distrair no prazer de pesquisar sobre um tema.

Escrevo porque além de gostar, o ato se tornou meu ofício, minha obrigação e também meu legado, iniciado naquele saquinho de pão que eu pensei ser papel-carta. E escrevo, finalmente, porque escrever e publicar é um fator individual de alcance coletivo. Escrevo no presente para que no futuro alguns saibam que tive passado.





22/03/2018
Contos e crônicas

O engenheiro e músico Fernando Fontes, guitarrista da banda de rock e blues Efeito Doppler, está lançando seu primeiro livro, "Dois Consecutivos", no próximo sábado, 19h, no Barões do Café, no Shopping Seaway. Tem duas capas (lado A e B) para que o leitor leia até de trás pra frente. O livro sai pelo selo independente Máquina, do próprio autor.





22/03/2018
Abril vermelho, azul e amarelo

Ontem me chamaram a atenção duas colunas do diário paulista O Estado de São Paulo, a do valente paraibano José Nêumanne Pinto e a da versátil repórter Vera Magalhães, que acompanho desde seus tempos na Ilustrada com o editor potiguar Rodrigo Levino.

Nêumane escreveu que Lula poderia ser "beneficiário de anistia num lance sórdido, conhecido no popular como tapetão". Depois alfinetou o STF que poderia se "configurar como puxadinho da mal afamadíssima justiça desportiva".

Confiando no feeling e na própria leitura de conjuntura, Vera afirmou que "o senador Aécio Neves não deve ser candidato a nada nas eleições em outubro". E logo após, reafirmou no microfone da Rádio Jovem Pan, informando que o mineiro conversou com os advogados e tomou a decisão.

Ambos alvos da Operação Lava Jato, Lula e Aécio não tem em comum apenas a condição de ícones dos dois partidos que há quase três décadas dividem o fanatismo partidário no País. Num ilustrado túnel das suas carreiras, a luz que se vê ao final é a de uma cela de cadeia.

Enquanto um se debate nas ruas, tentando vestir-se de mártir, o outro se recolhe ao limbo eleitoral. Agem de forma diferente, mas sabem que há similaridade em seus futuros. A Justiça - leia-se establishment - vai buscar uma saída salomônica para amainar as trincheiras petistas e tucanas: xadrez para os dois. E pode ser em abril.

Aguardemos.





22/03/2018
Justiça tardia e pai fujão

O ator Dado Dolabella, 37 anos, está preso há mais de um mês numa cadeia de São Paulo por não pagar a pensão alimentícia referente a um dos seus três filhos.

De acordo com o portal G1, o artista deve mais de 190 mil reais a um filho que teve com uma estudante de direito. A informação foi confirmada pela mãe do ator, a também atriz Pepita Rodrigues.

"Ele está lá e eu estou como uma mãe pode estar nesta situação: muito mal", disse Pepita. Dado Dolabella foi preso no dia 5 de fevereiro e, segundo as autoridades, poderá ficar preso durante mais um mês se não pagar o que deve.

O ator já tinha contestado o valor cobrado pela mãe do filho. "O valor da pensão está errado, eu não recebo mais o que recebia. Eu queria poder dar mais ao meu filho", afirmou quando foi preso.

O caso de Dolabella não é o único em que alguém célebre acaba na cadeia por não pagar pensão de alimentos. No começo da semana, amigos do jogador de basquete Lucas Tischer, ex-pivô da seleção brasileira, pagaram sua dívida de R$ 4,7 mil para tirá-lo do xadrez.

Um caso que deu audiência foi o do ator Paulo Cesar Pereio, que foi preso e chorou na TV, em 1994; já os ex-craques de futebol, Romário, Roberto Carlos e Edilson também sofreram ordem de prisão.

Há poucos dias, muitos se comoveram com a desventura da jogadora Cristina Pirv, tentando ajuda do pai dos filhos, o ídolo do vôlei Giba.

Dizem que a prisão por não pagamento de pensão alimentícia é a única coisa no Brasil que não distingue rico de pobre nem famoso de anônimo. No entanto, um caso que se arrasta por anos num forum de Parnamirim excede a regra.

Tratado até como "segredo de Justiça", o processo de ação de alimentos contra um canalha chamado Gil Tomás começou quando sua filha era bebê; hoje a menina tem 16 anos e jamais recebeu auxílio do safado. No Brasil, a justiça tardia é patifaria.





20/03/2018
Os amarelinhos de Flávio

A inteligência do empresário Flávio Rocha é suficiente para não lhe deixar se iludir com uma multidão uniformizada.
O marketing preliminar na imagem de um comício repleto de camisas amarelas não pode nem deve fazê-lo crer que uma candidatura está madura.





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