BLOG DO ALEX MEDEIROS

06/03/2018
Scorsese revisita Scorsese

O cineasta Martin Scorsese concluiu as filmagens de "The Irishman" (O Irlandês), seu novo filme produzido com exclusividade para a Netflix e que tem no elenco um trio estelar com Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci. O drama criminal vem sendo produzido desde 2008.

Demorou para Scorsese juntar os três monstros das telas, um desejo pessoal do diretor. Muitos fãs até se confundem imaginando que o trio já atuou junto, mas esta será a primeira vez. Em verdade, De Niro, Pacino e Pesci participaram dos mais importantes filmes sobre máfia e crime, mas separadamente ou no máximo em dois.

O novo longa tem roteiro baseado no livro "I Hear You Paint Houses", de 2003, do escritor Charles Brandt. Na trama, um sindicalista (De Niro) com ligações com a máfia afirma ter participado do assassinato de um chefão em 1975 (o personagem de Pacino), enquanto um lendário detetive (Pesci) investiga tudo.

É o reencontro de Scorsese com as ações de gângsters, autor de obras magistrais do gênero, como Caminhos Perigosos, Os Bons Companheiros, Cassino, Gangues de Nova York e Os Infiltrados. Em princípio, "The Irishman" seria bancado pela Paramount Pictures, mas a Netflix abriu o cofre poderoso e disponibilizou US$ 140 milhões. Estreia somente em 2019.





06/03/2018
Julgamento do HC de Lula ao vivo

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) julga nesta terça-feira (6), a partir das 13h, o pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para impedir a prisão após esgotarem os recursos no Tribunal Regional Federal da 4° Região (TRF-4), que o condenou no âmbito da Lava Jato. O julgamento será realizado no prédio sede do STJ, em Brasília, na sala de sessões da Quinta Turma. A sessão será transmitida pelo canal do tribunal no YouTube.

Cinco ministros que compõem a Quinta Turma do STJ vão analisar o mérito do habeas corpus preventivo do ex-presidente. O colegiado é formado pelos ministros Jorge Mussi, Reynaldo Soares, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Felix Fischer - que é o relator do pedido de Lula e dos outros processos da Lava Jato que chegam ao Superior Tribunal de Justiça. A Quinta Turma é responsável pelas matérias de direito penal no STJ, junto da Sexta Turma.

 





06/03/2018
Rumos da revolução proletária

Não se sabe ainda se o fato que vou historiar aqui tem ligação direta com o golpe perpetrado pelo Partido Comunista Chinês que perpetuou no poder o presidente Xi Jinping. Nem se há influência do Kremlin após o ousado anúncio de avanço nuclear feito por Vladimir Putin na semana passada.

A questão é que as forças político-ideológicas da esquerda internacional estão em ebulição como nos momentos históricos que provocaram profundas alterações de rumo na concepção dos conceitos que distinguem as ações comunistas das ações socialistas.

Nos últimos dias, os mais atentos sociólogos e comentaristas políticos se debruçam sobre suas leituras de conjuntura para avaliar uma nova divergência nos mesmos moldes daquelas que já dividiram Stálin e Trotsky, Gramsci e Lukács, João Amazonas e Carlos Prestes, Fátima Bezerra e Fernando Mineiro.

As análises ainda são superficiais dado a complexidade da mudança contextual que pode aprofundar o mais novo racha no movimento conhecido como Internacional Socialista. Ninguém arrisca um prognóstico sobre o porvir, estão todos envoltos na perspectiva advinda da troca do vice-governador Fabio Dantas, que está deixando o revolucionário PCdoB para assumir o revisionista PSB.

Nas ruas, um só grito: trabalhadores do mundo, uni-vos!





05/03/2018
Poesia do dia

Dia de aniversário
e a rosa púrpura
é do Cairo
Uma manhã ou mais
e a rosa branca
é da paz
A tarde só para ela
feito uma rosa
amarela
Seu olhar que espelha
a boca em rosa
vermelha
A noite é multicor
e a rosa negra
é amor.





02/03/2018
Neymar, a seleção e a glória

É neste sábado, 3, a cirurgia num dos dedos do pé de Neymar. Numa clínica de Belo Horizonte, de propriedade do jovem médico Rodrigo Lasmar, o responsável pela saúde dos jogadores da seleção brasileira e do Atlético Mineiro.
O episódio da contusão do craque do PSG transformou-se em mais dos recorrentes dramas envolvendo atletas em vésperas de Copa do Mundo. Analistas esportivos e torcedores tratam de fazer contas sobre o tempo de recuperação.
Todos torcem e rezam para o rapaz se recuperar em tempo hábil para estar 100% na Rússia. A luz vermelha acendeu quando os médicos franceses avisaram que o tempo de convalescença durará três meses. A conta bate na tabela da Copa. E agora? Neymar vai total ou meia-boca pra seleção?
E o drama não é só da canarinho e dos seus 200 milhões de pachecos, mas é também, principalmente, de Neymar. Ele depende das performances do PSG e do Brasil para sonhar com aquilo que o fez ir para Paris: ganhar a Bola de Ouro de melhor do mundo.
No primeiro confronto com o Real Madrid, além do time perder, ele teve uma atuação pífia. Estará fora da partida decisiva, terça-feira, e ficará torcendo para que seus companheiros descasquem o pepino da classificação. Se o PSG dançar, como é provável, restará apenas a Copa na Rússia.
Enquanto Neymar preocupa o país e se angustia com a conquista pessoal, vai crescendo o clube dos craques que orbitam as estrelas Messi e Ronaldo, e que querem quebrar a dicotomia da Bola de Ouro. Neymar tem agora a ameaça de De Bruyne, Harry Kane, Grizmann, Aguero, Salah e Immobile.





01/03/2018
O peso dos prefeitos

A manchete de capa do jornal Agora RN na edição de ontem me gerou de imediato uma pergunta: por que o deputado estadual Ezequiel Ferreira não é, ele próprio, o candidato a governador, se pode colocar à disposição do vice-governador Fábio Dantas quase 90 prefeitos?
Sem a menor intenção de diminuir funções e biografias públicas de ninguém, me faço a pergunta apenas avaliando friamente os atuais perfis políticos de Dantas e de Ferreira. Ora, o RN inteiro sabe que a presidência da Assembleia Legislativa tem muito mais peso do que a vice-governadoria.
No âmbito pessoal, Ezequiel comanda uma estrutura partidária muito maior do que a de Fábio. Nem precisa - ou sim - lembrar que para viabilizar-se na chapa de Robinson Faria, o atual vice se filiou num partido que em nenhuma circunstância, optativa ou casual, tem ou teve ligação política com suas origens.
Outra indagação é se realmente um agrupamento de 89 prefeitos é garantia eleitoral numa chapa majoritária. Convém lembrar de 2002 quando o então vice-governador Fernando Freire se lançou à sucessão de Garibaldi Filho contando com a força de 111 prefeitos. O favorito era o senador Fernando Bezerra, com mais de 120 alcaides. Wilma atropelou os dois.
Mais recente, a eleição de 2014 tinha um candidato praticamente eleito antes mesmo de começar. Na escala PPP (pesquisas, prognósticos e pitacos) o candidato Henrique Alves ganhava com disparada maioria. Tinha quase a totalidade dos 167 prefeitos do estado. Perdeu para Robinson Faria numa maioria recorde de mais de 150 mil sufrágios.





27/02/2018
Temer demite o delegado do MDB

Sai um diretor falastrão que tentava defender seus aliados. Entra um discreto, com perfil mais executivo e que tentará manter a isonomia das investigações. Foi assim que três policiais com trânsito na cúpula da Polícia Federal analisaram a troca de comando na corporação nessa terça-feira.

A demissão de Fernando Segovia na direção-geral da PF e sua substituição por Rogério Galloro foi o primeiro ato de Raul Jungmann como novo ministro da Segurança Pública.

A troca do homem que chegou ao posto máximo da PF pelas mãos de dois figurões do MDB e caiu justamente por minimizou uma investigação policial em andamento contra Michel Temer é vista em Brasília como uma tentativa do presidente de passar a imagem de que não quer interferir em nenhuma apuração, nem as que ocorrem contra ele mesmo.

Logo após a posse de Jungmann, na manhã desta terça-feira, o presidente foi questionado por jornalistas se havia alguma recomendação contra a Operação Lava Jato.

De maneira enfática ele respondeu: "Não há um movimento sequer com vistas à interrupção. Aliás, vamos registrar um fato: segurança pública é combater a criminalidade. Que tipo de criminalidade? Aquela, digamos, mais, podemos dizer assim, vivenciada, tráfico de drogas, a bandidagem em geral, e, evidentemente, a corrupção".

 





25/02/2018
A disléxica periferia do mundo

Feliz 2.278! Gritarão os mais de dez mil participantes do réveillon holográfico às margens do Atlântico, na secular Via Costeira que se estende com seu cinturão de cassinos de jogos digitais, pontos de encontro dos turistas africanos e sul-americanos sem acesso às festas na Lua.
Enquanto suas imagens confraternizam em cores e luzes, os dez mil em carne e osso comungam em silêncio a passagem de mais um ano, trancados em prédios bem vigiados por milícias robóticas, aparentemente preservados contra as multidões de famintos e desempregados que ocupam o que resta de Natal.
Tal cenário urbano é apenas mais um entre tantos espalhados pelo território brasileiro, que vive uma crise de profundeza abissal nos aspectos demográfico e educativo. Os governantes apostam as últimas fichas no projeto que se iniciou em 2.256, quando uma revolução cultural se iniciou para tirar o país da miserável dislexia que destruiu seu processo civilizatório.
Os gritos de feliz 2.278 são uma referência animadora ao fato de que no princípio do século 21 um estudo do antigo Banco Mundial apontou como luz no fim do túnel a perspectiva de que em 260 anos os brasileiros conseguiriam um mesmo nível de leitura do mundo desenvolvido.
A chegada do ano novo é, pois, aponta para o momento histórico de redenção de uma parte da sociedade que finalmente estará inserida no contexto cognitivo dos novos leitores em nível de quase excelência. Por toda a nação, começarão as buscas pelos resgatados, e em Natal a estimativa é de que mais uma dúzia chegou finalmente lá, disse o prefeito trans Idalécio Maialves Bezerra.





23/02/2018
A erotização dos pequenos

Mais uma operação policial no Sudeste botou na cadeia duas dezenas de pedófilos que compartilhavam e arquivavam imagens de crianças em situações de exploração e exposição sexuais. Tais crimes se avolumam aqui e no mundo, envolvendo tarados de todas as idades, raças e religiões.
A tara por criança é tão antiga quanto a prostituição e a corrupção política. E isso em qualquer cultura ao longo dos séculos, da Grécia à China, de Roma ao mundo muçulmano. Por milênios, os detentores do poder e das leis trataram com tolerância o uso de meninos e meninas para suprir desejos de adultos.
Nos dias atuais, há também uma espécie de tolerância tácita da sociedade com a pedofilia como acontece em relação ao consumo de drogas. Assim como o tráfico se alimenta do dinheiro de todas as classes que usam crack, cocaína e coisa mais pesada, os pedófilos são municiados pela erotização das crianças, promovida pela própria sociedade adulta.
Não há a menor chance de conter a sanha de predadores sexuais enquanto a sexualidade for coisificada por pretensos intelectuais que misturam a exposição fácil de crianças com conceitos tortos de liberdade de expressão. No Brasil, os próprios pais estimulam suas meninas a se vestirem de Anitta, como já aconteceu antes com Tiazinha e as dançarinas do Tchan.
Quanto mais a polícia identifica e prende caçadores de menores ou punheteiros prostrados diante de imagens infantis num computador, mais as mamães modernas aplicam batom vermelho nas bocas das suas meninas e os papais filmam no celular as dancinhas eróticas, algumas supondo até pole dance e remelexo funk.
Desde a década de 90, a indústria cultural inseriu crianças nos estereótipos propagandeados na televisão. Bonecas ganharam namorados e acessórios sensuais, botaram meninas entre 2 e 10 anos pra dançar na boquinha da garrafa, tudo estimulado por adultos sorridentes, os mesmos que vociferam contra pedófilos presos na hora do telejornal.
Rosnam como se o crime fosse um fato psicologicamente isolado, restrito ao criminoso. Quando o jornal acaba, saem para comprar o novo shortinho da Anitta ou o batom de Pabllo Vittar para a filhota de 6 anos. E ainda há o fato da mídia proteger a identidade dos criminosos e a contemporização ideológica de muitos com a pedofilia.
Ano passado, o filósofo católico e reacionário Olavo de Carvalho percebeu uma escrota estratégia daqueles que preferem a tolerância e driblam os incautos com discurso de liberdade e produção artística: "Primeiro dizem que é doença para não dizer que é crime. Depois tornam crime dizer que é doença".





22/02/2018
Sai de Baixo, a maldição

Li com tristeza ontem a notícia de um novo internamento hospitalar da atriz Claudia Rodrigues, a comediante que com apenas 47 anos tem uma bagagem no palco e nas telas de altíssimo grau nas escalas Oscarito e Mazzaropi.

Sofrendo de esclerose múltipla desde o ano 2000, ela só passou a ter problemas com a doença seis anos depois e desde lá sua carreira é interrompida por surtos, ao ponto de precisar de um transplante de célula-tronco em 2015.

Claudia fez história como a protagonista de A Diarista e também no papel de Ofélia, histórica personagem e esposa burra de Fernandinho (Lucio Mauro). Mas me chamou a atenção mesmo foi quando assumiu a doméstica do apartamento de Sai de Baixo, o sitcom inspirado na velha Família Trapo dos anos 60.

Sua xará Claudia Jimenez interpretava a empregada Edileuza na primeira temporada, tendo que sair no final por desentendimentos com os produtores. Deu lugar a Ilana Kaplan, que fracassou na função. Aí entrou Márcia Cabrita como a doméstica Neide Aparecida, que devolveu a graça de Jimenez ao programa.

Uma gravidez tirou a terceira empregada, que tempos depois adquiriu uma doença que a matou em novembro de 2017, aos 53 anos. O rodízio na faxina do apartamento do Largo do Arouche trouxe Claudia Rodrigues interpretando a baixinha espevitada Sirene. Um show de riso, uma usina de improviso.

Numa terrível coincidência e ou triste ironia com o humor, todas as mulheres que interpretaram a empregada de Sai de Baixo tiveram sérios problemas de saúde, culminando na morte de Márcia Cabrita, nas crises que bloquearam o talento de Claudia Jimenez várias vezes e nesta esclerose que já comprometeu a voz e a visão de Claudia Rodrigues.

Sugere realmente uma maldição do humorístico criado por Luís Gustavo, numa espécie de releitura como tributo ao sitcom mais importante da televisão brasileira, a louca família formada por ícones da comédia, como Ronald Golias, Jô Soares, Otelo Zeloni e Renata Fronzi. E que bebeu no roteiro de A Noviça Rebelde, de 1959.

E se não bastasse atingir as atrizes que fizeram as humildes trabalhadoras da casa, um dos atores num papel de semelhança social também teve o mesmo infortúnio. Para substituir Tom Cavalcante, que fazia o porteiro Ribamar, foram buscar o ator Luiz Carlos Tourinho, que interpretou Ataíde. Em 2008, morreu aos 43 anos.

Tanto o Sai de Baixo quanto A Diarista e a Escolinha do Professor Raimundo, programas que contam com o talento irreverente da grande pequenina Claudia Rodrigues estão sendo exibidos no canal Viva, a tv de saudosismo da Rede Globo. Seus fãs são inteligentes o suficiente para ensaiar um adeus.





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