BLOG DO ALEX MEDEIROS

21/01/2019
O amigão de Freddie

O cineasta austríaco Rudi Dolezal, 61, um dos mais íntimos amigos do cantor britânico Freddie Mercury, acaba de conceder uma entrevista ao jornal americano The New York Post, onde revela dois fatos sobre o vocalista da banda Queen e que ainda era ignorado pelo mundo do rock.

Contou que havia um projeto de formação de um supergrupo musical integrando o escocês Rod Stewart, o inglês Elton John e o próprio Freddie, e que até o nome já havia sido criado: "Nose, Teeth & Hair". As palavras significam "nariz, dentes e cabelo", ideia sugerida por Rod Stewart.

"Creio que ocorreu a Rod a ideia do grupo com esse nome, porque ele tinha um grande nariz, Elton tinha problemas de queda de cabelos e Freddie tinha enormes dentes", disse Dolezal ao diário de Nova York. Disse ainda que o próprio Mercury gozava dos defeitos alheios e dos dele.

Outra revelação do cineasta foi sobre as últimas palavras do cantor do Queen, ditas ao seu assessor pouco antes de morrer. Segundo Dolezal, o assistente lhe contou que Mercury vivia assistindo aos vídeos "I'm going slightly mad" e "These are the days of our lives", que são de sua autoria.

O amigo lembra que durante os momentos mais duros da doença que acometia o cantor, ele ficava pedindo: "coloca de novo, põe outra vez", e se deliciava com os vídeos de Dolezal, que é autor de documentários sobre ele, destacando um sobre o álbum tributo "Lover of Life, Singer of Songs".

Rudi conta na entrevista que a última noite de Freddie Mercury vivo ele pediu ao seu cozinheiro, Joe Fanelli, que fizesse um banquete para seus amigos. Foram servidos sopa de verdura, costelas de porco com salsa e pasteis de maçã, tudo regado com champanhe francês e vodca gelada.

O cantor não experimentou nenhum dos pratos e morreu no dia seguinte, como já foi narrado num livro sobre ele escrito pelo jornalista Eric Frattini e pelo chef Andrés Madrigal. De acordo com Rudi Dolezal, uma doação de meio milhão de libras ficou como herança para o cozinheiro Joe Fanelli.

Além de ter sido um dos maiores amigos de Mercury, o cineasta também conviveu com outros grandes nomes da música pop, como Michael Jackson, os Rolling Stones, Frank Zappa e Bruce Springsteen. Em 2015 ele criou o Dolezal Backstage, um programa de TV contando seus encontros com os mitos. Já ganhou prêmios e em 2017 dividiu a direção do documentário "Whitney Houston, Whitney Can I Be Me".

       



21/01/2019
Morre o agente da CIA que inspirou Argo

Tony Mendez, o agente da CIA que inspirou o ator e diretor americano Ben Affleck no filme Argo (2012), morreu no sábado aos 78 anos no Estado de Maryland, nos arredores de Washington, informou a imprensa local.

A rádio pública dos Estados Unidos, NPR, explicou em seu site que Mendez, que sofria de Parkinson, morreu na residência onde foi internado em Frederick (Maryland).

Mendez tornou-se uma lenda da CIA durante a crise dos reféns com o Irã pelo seu resgate em 1980 de seis funcionários da embaixada dos EUA em Teerã que se refugiaram no consulado do Canadá.

Essa história inspirou Affleck a filmar Argo, no qual o próprio ator interpretou Mendez e recebeu três Oscars em 2013, incluindo o de Melhor Filme.

Ao saber de sua morte, o próprio Ben Affleck disse ontem à noite em sua conta no Twitter que "Tony Mendez era um verdadeiro herói americano. Ele era um homem de extraordinária elegância, decência, humildade e bondade, ele nunca procurou o centro das atenções por suas ações, ele simplesmente procurou servir o seu país, estou orgulhoso de ter trabalhado para ele e contou uma de suas histórias", disse.

Toni Mendez era de origem mexicana.

       



21/01/2019
A poesia é ela

(Um poema do mano Graco Medeiros nos anos 80)

A poesia
não tem dia
não tem hora
é um bicho caipora
aparece e evapora
como o corvo dos umbrais

A poesia
como amor dos carnavais
e a luz dos pantanais
chega e some de repente
qual um bote de serpente
e o par nos bacanais

A poesia
não tem cortesia
é humor de velha tia
fazendo o bolo da festa
comendo logo a fatia
para ter direito à sesta

A poesia
é uma bruxa
é uma gueixa
é uma fada
rapariga depravada
mostrando os seios na feira

Uma dama
uma donzela
uma rameira
a menina da cancela
à meia-noite, sexta-feira

E lá vem ela
é ela sim
a velha parca fiandeira
tecendo e dando risada
é ela sim
a maldita colhedeira
com a foice na estrada

É ela
Agora vejo bem
é ela
e já vem
minha louca columbina
minha gata querubina
rindo e vindo para mim
é ela sim!


       



19/01/2019
O mimimi com passaporte

Não são poucos os brasileiros privilegiados pelas generosas bolsas e mesadas estatais que mantêm suas estadias - que logo viram moradias - em países estrangeiros, principalmente nas partes nobres e belas da Europa e EUA.

Durante as quase duas décadas de governos do PT, o turismo escolar multiplicou. O glamour do academicismo sem fim, que profissionaliza estudos eternos às custas do erário, sempre teve uma segunda intenção: a militância à distância.

Agora, insatisfeitos com a eleição do capitão Jair Bolsonaro (eleito por voto direto do povo), duas centenas de intelectuais, jornalistas e ativistas lgbt decidem formar uma "entidade de luta" contra o que presumem e chamam de "ameaça do novo governo". 

Nas suas previsões sociológicas, os videntes da cidadania perdida se reuniram em Paris e formaram mais uma tendência de esquerda, a Arbre, com o devido charme do idioma francês originando a sigla. Na primeira reunião, a velha tática de contar com a repercussão doméstica como se o movimento fosse uma iniciativa da Europa.

Vamos acompanhar os próximos passos e passeatas indoor da turma "arbrejeta". 

       



19/01/2019
As espertezas na aldeia de Poti

Uma parceriazinha oportunista entre três donos de bares e a empresa Athenas Turismo está utilizando indevidamente a marca "The Beatles Fest" num show em São Miguel do Gostoso, onde disfarçadamemente acrescentaram a palavra "Verão" no título.

Quem tem um mínimo de conhecimento dos fatos amplamente destacados na imprensa potiguar desde 2016, sabe que o evento "The Beatles Fest" foi criado por mim e hoje é dirigido pelas produtoras Marana Torrezani e Suzy Leal, que prosseguiram realizando os shows com os sucessos dos Beatles no Bar Mormaço.

Qualquer uso da marca sem a prévia autorização delas duas é apropriação sujeita à intervenção judicial.

       



17/01/2019
Janete e as rosas

A dramaturgia televisiva brasileira tem que ser dividida entre antes e depois de Janete Clair, a escritora mineira que desde os 19 anos, em 1944, até morrer, em 1983, não ficou um só ano sem criar e roteirizar radionovelas e telenovelas, impondo uma marca que até hoje é copiada.

Depois de grande experiência nas décadas de 1940 e 1950 no rádio, ela começou a década seguinte entrando na seara dominada pelas tramas da escritora argentina Glória Magadan, 5 anos mais velha e maior referência na feitura das novelas de TV. Janete estreou em 1963, na TV Rio.

Até ser convidada pra levantar a audiência da então jovem TV Globo, ela emplacou novelas seguidas na TV Tupi, TV Itacolomi e na própria TV Rio, onde chegou a adaptar texto de ninguém menos que Oduvaldo Vianna, o teatrólogo que abrilhantou ainda mais a carreira do ator Procópio Ferreira.

Foi em 1967 que Clair estreou na Globo com a novela Anastácia, a Mulher sem Destino, que tinha de protagonista a estrela Leila Diniz, aos 22 anos, que naquele mesmo ano brilhava no cinema com Todas as Mulheres do Mundo e Mineirinho, Vivo ou Morto, além das rebeldias de tons feministas.

A chegada de Janete Clair na Globo foi um terremoto, no sentido ilustrativo e no sentido cenográfico. Ocorre que a trama, adaptada de um folhetim francês, não empolgava e foi preciso o improviso da escritora para minorar o desastre, após convite de Glória Magadan, a supervisora de novelas.

"Tenho um abacaxi para você", dissera a argentina, preocupada com o enredo confuso e a profusão de atores que o autor Emiliano Queiroz contratava como política empregatícia. Clair passou uma noite em claro, discutindo com o marido Dias Gomes, e meteu um terremoto no roteiro, matando mais da metade do elenco.

Antecipando o fim da trama, já fracassada, ela escreveu em tempo hábil Sangue e Areia, a primeira novela de um casal que se misturaria aos móveis e utensílios dos lares brasileiros: Tarcísio Meira e Glória Menezes. A atriz Arlete Salles também ali estreava na Globo, oriunda da TV Tupi.

Em 1968, Janete conseguiu trabalhar para duas televisões ao mesmo tempo. Fez Passos dos Ventos na Globo e Acorrentados na Record. Para completar a ousadia, fez um lance arriscado com dois pares românticos e tão queridos quanto Francisco Cuoco e Regina Duarte na TV Excelsior.

Tarcísio e Glória e Carlos Alberto e Yoná Magalhães encantavam os telespectadores, aí Janete Clair arrisca um suingue proposto por Magadan, juntando Yoná com Tarcísio na novela Gata de Vison e Glória com Carlos Alberto em Passos dos Ventos. O diretor Daniel Filho perdeu o emprego.

Pra não dizer que não falei de rosa, em 1969 ela adapta um texto que fez para o rádio, Rosa Malena, e batiza como Rosa Rebelde, sobre uma mulher revolucionária na França napoleônica. Há quem diga que o marido comunista influenciou na escolha do título como um drible na censura militar.

Fazia 50 anos da morte de Rosa Luxemburgo, a filósofa polaca de origem alemã, símbolo do comunismo internacional. Janete fez questão da novela estrear em janeiro, no mês da morte. E agora, faz 50 anos da Rosa Rebelde e 100 anos do falecimento de Rosa Luxemburgo. E nunca mais apareceu na TV ninguém como Janete Clair.

       



16/01/2019
Colecionando alguns sonetos

                         1
A saudade penetrando pela porta
refletindo nas noites sem espelho
o olhar se fechando de vermelho
e o poeta pisando em folhas mortas

A saudade noturna é uma fogueira
a queimar meu corpo que te espera
o teu vulto na esquina é uma quimera
um delírio, uma lombra passageira

Onde estás, em que beco, em que universo
tu se escondes de mim e do meu verso
numa espera que em mim nunca se cansa

Quando o corpo requer tua presença
eu te busco em tua estrela de nascença
e espero esperando de esperança.

                          2

Não embriagues o pudor com a poesia
esparrame a paixão em qualquer cama
nem apague o amor posto que é chama
de maneira que transborde em utopia

Hoje e sempre todo olhar é flamejante
se o desejo dia e noite te incendeia
seja a alma aquecida pelas veias
seja o sangue um riacho escaldante

Não precisa um padrão de movimento
nem ação vocabular de sentimento
tal quem chega como quem vai embora

O que importa é sentir encantamento
no calor de um instante, de um momento
cujo tempo há de ser sempre o agora.

       



15/01/2019
Censura é coisa feia

Um belo filme publicitário da indústria de sandálias Grendene, veiculado em 2009 para divulgar os modelos Hello Kitty Fashion Time e Guga K. Power Games, e que foi alvo de denúncia do Procon, provocado por uma dessas fundações que caçam cabelo em casca de ovo, teve uma multa de R$ 3 milhões confirmada por uma juíza que acatou a absurda acusação de "erotização precoce" na ideia do filme, onde meninas improvisam desfile de moda e são aplaudidas por meninos.

Na lógica censora, a Justiça e o Procon paulistas terão que começar a perseguir as famílias que cotidianamente compram produtos fashions, acessórios e cosméticos para suas meninas, que invariavelmente brincam de modelos em passarelas e telas de TV. A peça publicitária da Grendene é linda. A censura é coisa feia.

Em protesto, o filme está na capa de 
O Galo Informa em "vídeo do dia".

       



14/01/2019
Asterix aos 60, segue o baile

Só pra não perder o costume - travestido de estilo - de me contextualizar na narrativa, informo que eu tinha cinco dias de vida quando a primeira aventura de Asterix foi publicada em Paris, nas páginas da revista Pilote. Era o dia 29 de outubro de 1959 e a tiragem de "Asterix, o Gaulês" foi de apenas seis mil exemplares.

Dois anos depois, em 1961, o personagem criado pela dupla René Goscinny e Albert Uderzo ganhou edição própria e em 1965 passou a ter circulação de dois álbuns por ano num sucesso tão espetacular que uma pesquisa na época revelou que dois de cada três franceses já tinham lido alguma aventura do afobado velhote.

Asterix chegou no Brasil em 1967, em publicações da editora Bertrand Ibis com traduções de Maria José Mauperrin e Paulo Madeira Rodrigues. Depois passou a ser editado pela Cedibra (ex Bruguera, uma das especializadas em álbuns de figurinhas naqueles anos). A paixão por super-heróis impediu melhor contato com as edições que meu irmão levava para casa.

Já na casa dos vinte anos, adentrando a década de 80, passei a fazer melhor leitura das aventuras de Asterix, inclusive adquirindo os velhos álbuns da infância e que ainda guardo no meu anárquico acervo de quadrinhos, misturados com "os capas-duras" de Flash Gordon, Tarzan e Príncipe Valente.

Ao longo das décadas, Asterix foi editado com periocidade bem apropriada para seus qualificados fãs, com álbuns anuais que foram traduzidos para 111 idiomas pelo planeta afora espalhados em 380 milhões de cópias, uma marca que se se assemelha ás vendas dos grandes artistas da música pop.

Agora, quando o personagem que inspirou até um dos mais representativos blocos de carnaval de Natal (orgulho de ter sido folião da Bandagália, levado por Eugênio Cunha e Chico Alves) completa 60 anos, é anunciado o lançamento de mais um álbum especial e que terá a estratosférica tiragem de cinco milhões de exemplares.

A notícia foi dada pelo jornal dominical Le Journal du Dimanche, uma espécie de O Poti de Paris, numa entrevista do desenhista Didier Conrad e o roteirista Jean-Yves Ferri. O álbum de número 38 (o quarto da dupla) está tendo a supervisão de Albert Uderzo (aos 91 anos e fiel à obra que criou com o amigo já falecido).

O jornal publicou os primeiros rascunhos do novo álbum, que terá o roteiro concluído em 6 de junho. Segundo Conrad e Ferry, o lançamento mundial será no dia 24 de outubro, cinco dias antes da obra imortal completar 60 anos.

Nesse dia tão especial, eu também estarei sexagenário. Espero que com a saúde e o espírito irrequieto de um velho gaulês entre a festa e a batalha.

       



10/01/2019
Alô, alô, marciano

Um dos filmes que mais projetou a atriz Jodie Foster (além de Táxi Driver, Acusados e O Silêncio dos Inocentes) foi Contato, produção de 1997 com direção de Robert Zemeckis em roteiro baseado no livro de mesmo nome escrito pelo astrofísico americano Carl Sagan, autor da série de TV Cosmos.

Jodie interpreta uma cientista, Dra. Eleanor, que atua no projeto SETI que vasculha o universo em busca de vida alienígena. Após detectar fortes sinais de rádio, provavelmente enviados por uma civilização inteligente, ela segue instruções para criar uma máquina que permitirá contato com extraterrestres.

Nesta semana, a ficção do filme Contato ganhou versão de realidade quando astrônomos detectaram fortes ondas de rádio misteriosas e ultracurtas nas profundezas do espaço sideral, levando alguns cientistas a sugerirem que essas ondas podem ser fortes evidências de vida alienígena avançada.

É a segunda vez na história da astrofísica que as rajadas rápidas de rádio (conhecidas no ambiente científico como RRR, ou Fast Radio Bursts) são detectadas. Elas são pulsos de ondas de rádio de milissegundos e ainda desconhecidas. Estudiosos acham que estão bilhões de anos-luz distantes.

O professor Avi Loeb, do centro de astrofísica da universidade de Harvard, defende a tese de que as ondas detectadas agora são oriundas de tecnologia extraterrestre incrivelmente avançada. Outra tese é que são geradas por poderosos fenômenos, como os buracos negros ou estrelas de nêutrons.

A nova descoberta foi feita por uma equipe canadense de astrônomos e foi publicada na revista Nature. O grupo detectou treze flashes usando um novo tipo de rádio-telescópio, batizado de Experimento Canadense de Mapeamento de Intensidade de Hidrogênio (Chime, na sigla em inglês).

Na primeira vez que as rajadas foram detectadas, em 2007, foi por puro acidente, quando uma explosão de ondas foi observada em dados de radioastronomia. Os astrônomos que operam o sistema Chime estão sediados no Vale de Okanagan, situado na Columbia Britânica, no ocidente do Canadá.

A cientista Ingrid Stairs disse que até agora havia apenas uma RRR repetida conhecida, e sugeriu que diante da nova descoberta podem haver outras. Em 2017, os professores Avi Loeb e Manasvi Lingam aventaram a possibilidade de as ondas serem vazamentos de transmissores ETs do tamanho da Terra.

"As rajadas rápidas de rádio são muito brilhantes, pela curta duração e origem a grandes distâncias, e nós não identificamos uma fonte natural com confiança, valendo então a pena considerar e verificar uma origem artificial e inteligente", declarou Loeb num artigo publicado no tradicional Astrophysical Journal Letters, em circulação desde 1895.

       



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