BLOG DO ALEX MEDEIROS

18/01/2018
Entre o show e o bom senso

Quatro gols e duas assistências. Foi o resultado de todas as somas na operação de Neymar diante do frágil Dijón, quando o PSG estabeleceu a maior goleada da liga francesa nesta temporada. 

A performance do brasileiro na partida com ares de jogo-treino serve como remediação ao fato de Neymar não ter fechado 2017 como sonhavam seus fãs. Entrou 2018 vendo o uruguaio Cavani eleito melhor jogador do campeonato.

Fazer quatro gols no modesto Dijón me remete ao ano de 1976 quando Dario (Dadá Maravilha) meteu dez gols no Santo Amaro, atuando pelo Sport na Ilha do Retiro. Por anos o atacante preferido do general Médici usou isso pra se comparar com Pelé.

Para quem não sabe, e só agora tomou ciência da existência do campeonato francês, o Dijón é um clube das divisões inferiores e experimenta pela terceira vez apenas a participação na primeira divisão. Está para a França como ABC e América estão para o Brasil.

Em meio ao faniquito de alguns fanáticos canarinhos com a goleada do PSG, a Folha de S. Paulo foi o único veículo brasileiro a destacar o que boa parte da mídia europeia destacou: "Atuação de gala de Neymar vira pano de fundo em briga com torcida", disse o jornalão paulistano.

Neymar, depois da experiência que teve no Barcelona, já era para entender que por mais craque que seja não deve nem pode disputar o coração da torcida com quem já ascendeu à condição de ídolo da massa. Poderia ter evitado manchar o show de bola com as vaias da arquibancada.

Já havia feito três gols, dado duas assistências, mas pela enésima vez deixou a vaidade falar mais forte na boca da alma. Ao pegar a bola para bater o pênalti, sabia pelo sibilar dos apupos que a torcida queria Cavani na cobrança que lhe daria o título de maior artilheiro da história do clube. 

Ignorou o décimo segundo jogador do time, bateu para converter o quarto gol, e decidiu se isolar da festa no gramado, descendo ao vestiário com cara de menino arteiro. Despido de bom senso, saiu literalmente à francesa do estádio Parc des Princes.

Ou como publicou um jornal espanhol, saiu a "tomar las de Villadiego", uma expressão que se popularizou na Espanha em alusão a quem sai de fininho pra não correr risco. Na Idade Média os judeus fugiam para Villadiego, uma localidade perto da cidade de Burgos.





14/01/2018
Zidane jogando a toalha

Pior do que uma derrota em casa para o Villarreal foi a sensação humilhante de ver o Barcelona com 16 pontos de dianteira. A toalha já foi jogada no Santiago Bernabeu, é quase impossível uma recuperação.

Não está nada fácil a atual temporada do Real Madrid em La Liga, situação também terrível para o técnico Zinedine Zidane que já vê a imprensa madrilenha insinuar e até sugerir sua demissão.

Enquanto isso, o arquirrival da Catalunha vive uma das melhores temporadas de todos os tempos. E como se não bastasse, o craque do time, Lionel Messi, também experimenta um período mágico.

Tudo isso serve também para pulverizar qualquer tese sobre prejuízos na saída de Neymar. Os números, tanto do Barça quanto de Messi, rebaixam a zero um suposto peso da ausência do brasileiro que se foi para o PSG.

Aliás, o time francês pode ser mais uma dor de cabeça para o Real Madrid. A continuar jogando como hoje, corre sério risco de ser eliminado na Champions League pelo clube de Neymar, Cavani e Mbappé.





11/01/2018
Ronaldo constata erro de Neymar

Deixar de ser coadjuvante de Messi para ser a mesma coisa de Cavani é um comentário que cada vez chega mais aos ouvidos de Neymar. Sem falar na diferença abissal na troca do Barcelona pelo PSG.

Nestes primeiros dias de 2018, o craque obteve dois reveses pessoais que se incorporam às críticas pela escolha clubista, apesar do fator milionário da empreitada.

Depois de perder para Cavani a condição de maior ídolo do time de Paris (a imprensa francesa elegeu o uruguaio melhor do PSG), Neymar não viu seu nome na seleção da Europa com os melhores de 2017, divulgada hoje pela UEFA.

E para completar, no meio da tarde o craque Ronaldo Nazário comentou que foi um erro sair do Barcelona para tentar a sorte pessoal e coletiva no Paris Saint Germain.

Em tempo: sem Neymar, o Barcelona vive uma das melhores temporadas da sua história, com Messi voando em talento e protagonismo. E Cavani já é um dos artilheiros da Europa e queridinho da torcida parisiense.





11/01/2018
Dos anais da Copa 70

Em 1969 a Revista do Esporte parou de circular. A falência não poderia chegar em ano tão impróprio, quando o craque Tostão danou-se a fazer gols ajudando a seleção de Saldanha a garantir a classificação para a Copa do México.

O ídolo do Cruzeiro jogou por ele e Pelé, que não andava bem por uma contusão e um problema no olho (o próprio Tostão passaria por problema pior e acabou fazendo cirurgia no olho esquerdo).

No alvorecer de 1970, a editora Abril decidiu ocupar o vazio aberto pela Revista do Esporte e lançou a Placar. Na edição número 0, só dois jogadores mereceram mais de uma página: Pelé e George Best.

Ao se aproximar a Copa, foi escalada uma seleção de jornalistas e colaboradores para cobrir o evento na terra de Cantinflas. E o cartunista Henfil ficou responsável por uma página de humor sempre relativa à seleção brasileira.

Entre as coisas que mais irritavam o ranzinza técnico Zagallo, tinha destaque biliar o fato de que não fora ele a montar a orquestra afinada por Saldanha. E ninguém tinha mais prazer em cutucar as fraquezas humanas do que o criador do provocador e politicamente incorreto Fradim.

Numa das páginas impagáveis do irmão de Betinho na Placar, uns quadrinhos com Zagallo durante uma coletiva de imprensa. No meio de dezenas de microfones, câmeras e fios, uma voz pergunta: "Mister Zagallo, é verdade que quem escala o time é o Pelé?".

No quadro seguinte, um então jovem Lobo babando ódio em estado pré-infarto, gritando que aquilo era intriga da imprensa comunista, carrega uma passeata de repórteres em direção ao vestiário para que todos ouçam a resposta na boca do próprio Rei do futebol. "Pelé, diga pra eles a verdade. É você que escala a seleção?".

O number one do esporte bretão, todo ensaboado, responde com a monárquica sinceridade: "É mentira. Eu só dou umas dicas, quem escala é o Gerson!".

PS - Crônica em homenagem aos 77 anos do craque Gerson, o canhotinha de ouro da seleção tricampeã do mundo. 





09/01/2018
Coutinho é oficialmente do Barcelona

A segunda maior transação do futebol foi concretizada ontem (8), logo que o Liverpool aceitou a proposta de 160 milhões de euros (R$ 620 milhões) feita pelo Barcelona para ter o meia-atacante Philippe Coutinho.

O namoro do clube catalão com o craque brasileiro já vinha acontecendo, mas nada de casamento na janela de transferências. Ano passado, o time inglês chegou a castigar Coutinho, sacando-o do quadro titular, só porque o jogador demonstrou interesse no Barça.

Philippe Coutinho foi apresentado ontem mesmo no Camp Nou, com direito a todas as honras de uma grande aquisição. Fez embaixadas para a torcida e deu entrevista.

Em uma das primeiras perguntas, foi questionado por que havia escolhido o Barcelona para essa mudança. Foi curto e grosso: "porque é o Barça", disse.

O jornal inglês "Daily Mail" acompanhou todos os últimos passos do brasileiro, até o anúncio oficial dos espanhóis. Na reportagem, relata que, o tempo todo, Philippe fala do Barcelona dando ênfase que se tratava de um sonho de infância vestir a camisa azulgrená.

"Grandes ídolos meus passaram por este clube e estão jogando por este clube", disse o brasileiro. E quando questionado se estava, atualmente, se referindo a Messi e Suárez, disse que sim.

"Tenho a sorte de dividir o vestiário com eles", declarou o brasileiro, que, revelou ser um sonho poder jogar ao lado do "melhor do mundo", se referindo ao camisa 10 da equipe e da seleção argentina.

O camisa 10 do Liverpool fez 201 partidas pelos Reds, marcando 54 gols e sendo considerado o melhor do time algumas vezes. No Barcelona, terá que escolher outro número, obviamente, mas o talento permanecerá o mesmo.

Philippe Coutinho tem sido considerado por jornalistas europeus o melhor brasileiro em atividade no continente. Quando o comparam a Neymar, argumentam que o craque do PSG divide o protagonismo com o uruguaio Cavani, enquanto ele é absoluto no Liverpool.

Nas Olimpíadas do Rio, por exemplo, foi visível o papel primordial de Coutinho na conquista do ouro inédito para o Brasil. A seleção brasileira mudou pra melhor com sua participação. Foi o maestro da campanha.

 





09/01/2018
Greve como plataforma eleitoral

Não se enganem os incautos. Por trás das paralisações em curso no RN, iniciadas com as polícias civil e militar, não está apenas o argumento do atraso de salário e falta de condições materiais de trabalho.

Há também um componente eleitoral em jogo. É a tática disfarçada dos sindicalistas envolvidos nas greves com a clara intenção de marcar posições para quando o processo da eleição de outubro começar.

Sindicatos são braços de partidos, que já estão com suas candidaturas em ritmo de ensaios como os blocos de carnaval. E no meio da paralisação policial, já se levantam figuras sonhando com uma cadeira na Assembleia Legislativa.





09/01/2018
Mudança radical na comunicação do governo

A jornalista Juliska Azevedo não suportou a pressão da crise generalizada no governo do estado, que naturalmente atinge a comunicação na consequente maculação da imagem da administração.

Agradeceu os dois anos de confiança do governador Robinson Faria e entregou o cargo. Ela já havia substituído a colega Georgia Nery, que deixou a secretaria no começo do governo.

Ambas são de extrema confiança do governador, trabalharam com ele por anos quando Faria era deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa. 

Ontem mesmo, o governo anunciou o substituto de Juliska, o publicitário Pedro Ratts, que fez carreira no mercado da propaganda como redator e como fundador da agência que leva o seu nome.

O anúncio de Ratts como novo secretário estadual de comunicação surpreendeu o mercado, pelo fato da sua ligação pessoal e profissional com Arturo Arruda, cunhado de Henrique Alves. Ratts teria trabalhado na campanha de Alves contra Robinson em 2014.

Outro fato comentado nos grupos de WhatsApp é que Pedro Ratts foi um dos principais ideólogos da criativa campanha digital de Kelps Lima, que se elegeu deputado estadual usando a Internet como catapulta do seu nome.

E é notória a posição radical de Kelps na Assembleia Legislativa contra o governo de Robinson Faria. O nome de Pedro Ratts para substituir Juliska Azevedo contou com o apoio de alguns auxiliares do governador, principalmente do seu filho deputado Fabio Faria.





05/01/2018
A história passeia no Palácio José Augusto

Quem percorre os espaços públicos do Palácio José Augusto, pode relembrar traços da história política do Estado. A começar pelo governador que dá nome à sede da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, basta que se tenha acesso ao Salão Nobre Deputado Iberê Ferreira de Souza e ao Auditório Deputado Cortez Pereira para lembrar personagens que deixaram suas marcas também como gestores.

A história continua sendo contada quando se chega ao Plenário Deputado Clóvis Motta, à Sala de Redação Jornalista Luciano Herbert ou passa pelo Espaço Cultural Deputada Maria do Céu Fernandes.

Depois de atuar como Procurador da República em 1905 e juiz da Comarca de Caicó, José Augusto Bezerra de Medeiros, patrono da Casa Legislativa, começou sua carreira política como deputado estadual em 1913. Na Assembleia, ajudou a escrever a Constituição do Estado, em 1915, ao lado de deputados como Henrique Castriciano, Tomás Salustino e Alberto Maranhão.

José Augusto teve uma carreira política vitoriosa com sete mandatos de deputado federal, dois de senador da República, e no meio destes, um mandato de governador do Rio Grande do Norte, de 1924 a 1928. "José Augusto é uma figura pública de uma proeminência incrível no Rio Grande do Norte", ressalta o historiador Plínio Sanderson, explicando que o potiguar chegou ao Governo a partir da amizade com o então presidente da República, Arthur Bernardes. "Teve um episódio chamado ‘As cartas falsas', onde o presidente foi acusado de enviar cartas falando mal das Forças Armadas. E foi José Augusto quem terminou provando que as cartas não eram verdadeiras, e assim ele ficou muito amigo de Arthur Bernardes", explicou Plínio.

Segundo o historiador, José Augusto, autor de duas revistas cariocas - ‘A Educação' e ‘A Educação Brasileira' - governou o Rio Grande do Norte e elegeu como sucessor o tio Juvenal Lamartine. "Ele fez um governo interessante, onde apoiou a mudança genética do algodão mas, o maior destaque foi a lei do voto feminino, que foi em 1927", disse Plínio.

Assim como José Augusto, José Cortez Pereira também foi indicado para administrar o Rio Grande do Norte. Ele foi o primeiro governador biônico do Estado (1971 a 1975) e foi escolhido pelo presidente Emílio Garrastazu Médici em 1970. "Foi durante uma conferência em Recife, ele fez um discurso na Academia Militar e esse discurso foi muito bem visto pelos militares, o que lhe proporcionou a indicação", conta Plínio Sanderson, que classifica Cortez Pereira como um homem visionário. "Como governador ele plantou as raízes do desenvolvimento no Rio Grande do Norte. Ele estudou a questão agrária e criou projetos como o Polo Nordeste, Chapada do Apodi, Serra do Mel (com base em kibutz de Israel), o Bicho da Seda, e até cultivou amoras em Nísia Floresta", lembrou o historiador, que cita como destaque o Projeto Camarão, que ficou conhecido em todo o mundo.

"Ele transformou uma área que naquele tempo não tinha muito valor, que eram os manguezais, em criadouros de camarão. Ainda lutou pelo plantio de café nas serras do Rio Grande do Norte, foi o primeiro gestor a se preocupar com planejamento familiar, com o Projeto Minerva", ressaltou Plínio, lamentando que, pelo que conta a história, os ESPAÇOS NOBRES grandes projetos de Cortez Pereira, por questões políticas, foram "engavetados" pelos gestores seguintes, impedindo que o plano de desenvolvimento do Estado desse seguimento.

Cortez Pereira foi cassado depois de sua gestão, e quando morreu, em 2004, exercia o mandato de prefeito do município de Serra do Mel. Como legado do Governo Cortez, a Assembleia Legislativa aprovou, em julho de 2015, a denominada ‘Lei Cortez Pereira', que regulamentou a atividade de carcinicultura em bases sustentáveis no Rio Grande do Norte.

Também começando a carreira política como deputado estadual, exercendo dois mandatos, e depois federal, com cinco mandatos consecutivos, Iberê Ferreira de Souza, que dá nome ao Salão Nobre da Casa, foi governador do Rio Grande do Norte. Como vice eleito na chapa da então governadora Wilma de Faria em 2006, assumiu o Governo em 31 de março de 2010, quando a titular renunciou para disputar uma vaga no Senado. Iberê governou até 31 de dezembro do mesmo ano.

Além dos mandatos eletivos, Iberê foi auxiliar dos governos chefiados por Lavoisier Maia, José Agripino Maia, Garibaldi Alves Filho e do primeiro Governo Wilma de Faria. Como deputado federal, ajudou a escrever a Constituição de 1988, sempre mantendo o tom de parlamentar municipalista que permeou seu carreiro como político.

"Uma vez o partido reuniu a bancada federal para definir como iria se posicionar para votar o aumento de um ano do presidente José Sarney. Iberê disse que só responderia depois de ligar para os prefeitos aliados no Rio Grande do Norte", lembrou o ex-deputado estadual, ex-presidente da Assembleia Legislativa e primo de Iberê, Ezequiel Ferreira de Souza. "Iberê era um grande municipalista e tinha um amor enorme pela sua terra e pelo povo de Santa Cruz; exerceu a vida pública como sacerdócio e prestou muitos serviços ao Rio Grande do Norte", ressaltou Ezequiel, pai do atual presidente da Casa, Ezequiel Galvão Ferreira de Souza.

Iberê morreu no dia 13 de setembro de 2014, em decorrência de complicações causadas por um câncer que foi diagnosticado em 2010, ano em que assumiu o Governo.

Plenário

Como vice do governador Monsenhor Walfredo Gurgel, Clóvis da Motta exerceu a presidência da Assembleia Legislativa no período de 1966 a 1971, época em que o vice-governador automaticamente assumia a presidência do legislativo. Antes, em 1954, foi eleito deputado estadual, tendo se destacado pela recriação do Corpo de Bombeiros Militar, criado em 1917. "Quando ele morreu foi transportado para o sepultamento em carro aberto do Corpo de Bombeiros", lembrou o cunhado Carlito Meirelles.

Clóvis Motta, que dá nome ao Plenário da Assembleia Legislativa, exerceu ainda dois mandatos como deputado federal, e foi eleito presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN). Os herdeiros políticos são o deputado estadual Ricardo Motta e o deputado federal Rafael Motta.

Quem passa pelo principal corredor do Palácio José Augusto se depara com uma permanente exposição de obras de arte assinadas por artistas plásticos do Rio Grande do Norte. O lugar denominado Espaço Cultural Deputada Maria do Céu Fernandes, homenageia a primeira mulher a ocupar o cargo de parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. A potiguar nascida em Currais Novos também foi a primeira deputada estadual do Brasil. Eleita com 12.058 votos, teve seu mandato cassado em 1937, por discordância das ideias getulistas durante o Estado Novo.

Com um olhar curioso sobre todos os personagens que dão nome a espaços de destaque na Assembleia Legislativa, cobrindo a política que contava a história de cada um dos personagens citados, o jornalista Luciano Herbert também entrou para a história do Palácio José Augusto, e não apenas como coordenador de Comunicação, cargo que exerceu no período de 2006 a 2009. O editor da Tribuna do Norte, Diário de Natal, e repórter correspondente do Jornal do Brasil, que morreu em outubro de 2015, vítima de um câncer, hoje dá nome à sala da Assessoria de Imprensa da Casa. Decisão do plenário com apoio dos 24 deputados da legislatura.

 





03/01/2018
O vômito verbal das castas

Nas minhas redes sociais tem todos os tipos de gente e de visões ideológicas. Entre todos, já identifiquei faz tempo os mais barulhentos, os que se travestem de chicote do mundo, os plantonistas do vitimismo alheio que se jactam porta-vozes da coletividade.

Praticam mais "mimimi" do que militontos que seguem às cegas Lula ou Bolsonaro. São, em esmagadora maioria, legítimos componentes das castas que esbaldam gordos salários sugados do erário, quase sempre gozados em viagens transatlânticas ou nos passeios diários em shoppings do País, após alguns minutos em repartições públicas que eles teimam em chamar de "trabalho". Alguns arrastam sacolas de livros, que servirão para estudar os problemas do mundo ou para exibir nos cafés diante de incautos olhares.

Acampados no mais das vezes nos wifis dos órgãos estatais, teclam rugidos de indignação em nome de pobres, de servidores públicos, de professores ou de policiais, escondendo no cinismo das postagens a real preocupação umbilical: o luxuoso auxílio salarial. Todos lembram a canção "Eles", de Caetano: "Eles guardam dinheiro pro dia de amanhã".

Ninguém caga tanta regra nas redes sociais quanto os inescrupulosos marajás do serviço público. Dá pra sentir a boçalidade de postura nas suas postagens. As matrículas que garantem os benefícios são a própria fantasia de "otoridade" garantida no Judiciário, Ministério Público, Tribunais de Contas, cargos diretivos e consultivos no Executivo e Legislativo, ou em órgãos federais.

Essa gente carrega na pseudo consciência cidadã a mais nojenta das posturas, é a mentira de si mesma elevada a uma desonestidade intelectual que enoja. A suposta elegância de gestos e poses no passeio público é apenas uma casca a camuflar a indecência interior. Como a crosta fibrosa que esconde embaixo uma ferida pútrida, um tumor purulento.





02/01/2018
R.I.P. Arimateia Fernandes

Não deu certo.
Toda aquela enxurrada de mensagens que troquei no reveillon, as centenas de postagens com o tradicional "feliz ano novo", tudo se perdeu na formalidade dos festejos.
Pelo menos pra mim, o novo ano não começou feliz. Começou arrasador, levando embora esse grande amigo que foi Arimateia Fernandes, nosso "Boscora", um engenheiro de formação e construtor de amizades de coração.
E foi seu grande coração tão bem habitado de amigos que fadigou hoje e parou de bater, deixando amigos e familiares parados, rasgados, na sua brusca ausência.
Sem Arimatea, 2018 começa mal pra mim. Não é fácil ser feliz assim; perder amigos é perder fatias de vida.





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