BLOG DO ALEX MEDEIROS

27/12/2018
O depoimento do tarado

O charlatão João de Deus prestou ontem o 1º depoimento ao Ministério Público de Goiás e voltou a negar que tenha abusado sexualmente de pacientes. O seu advogado diz que ele afirmou que não se lembra das mulheres que o acusam.

Os promotores que investigam o caso já ouviram 77 mulheres que afirmam terem sido vítimas de João de Deus e trabalham para concluir a denúncia que precisa ser encaminhada à Justiça até o fim da semana. O tarado está preso há 11 dias e nega as acusações.

       



26/12/2018
Gerson Camata é assassinado

O ex-governador do Espírito Santo, Gerson Camata, foi morto a tiros na frente de um restaurante em plena luz do dia em Vitória, capital do seu estado. O suspeito do crime é um ex-assessor do político.

Segundo a polícia, ele confessou e afirmou que a motivação foi uma ação judicial que gerou o bloqueio de R$ 60 mil em sua conta bancária.

Camata foi governador do Espírito Santo entre 1982 e 1986, exerceu três mandatos como senador, de 1987 até 2011. Ele ainda foi vereador de Vitória, deputado estadual e deputado federal.

       



25/12/2018
Um poema natalino

Sempre fui um ateu à toa
se não creio nas religiões dos homens
acredito nos homens de boa fé

Irrequieto por natureza
mantenho a alma e o corpo
em festa permanente
como a contrapor
a melancolia intermitente

Apesar do vazio de crenças
de todas as datas festivas
a do natal é a que eu mais gosto
a que mais me envolvo
a que mais me importo

O natal vem como o vento
para reunir e formar laços
acordando o passado
de dias felizes na infância
o natal vem para abraçar e amar
sonhar e compartilhar

Compartilhar a paz de hoje
como se fosse ontem
e o amor de ontem
como se fosse amanhã

Por isso desejo a você, leitor
que a paz de hoje seja
a plena alegria de amanhã.

       



24/12/2018
Ato de fé plural no Parlamento

Um ato ecumênico marcou a comemoração do Natal dos servidores da Assembleia Legislativa do RN na manhã da última sexta-feira (21). O ato litúrgico foi celebrado no auditório da Casa pelo padre Carlos Sávio, pela pastora Eroisa Souza e pelo representante espírita Rubens Barros.

O presidente da Casa, Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB), e os deputados Cristiane Dantas (PPL), Kelps Lima (SDD), o eleito Alysson Bezerra (SDD), além da diretora administrativa e financeira da Assembleia, Dulcinéa Brandão, também estiveram presentes.
Ao final do ato ecumênico, os servidores da Casa fizeram a entrega de presentes para crianças da Organização Atitude Social e Ambiental (OASA), que escreveram cartinhas a Papai Noel.

As crianças são moradoras da praia de Búzios e vivem em área de risco. Encerrando a manhã, um lanche de confraternização foi servido no Salão de eventos da Assembleia.

       



23/12/2018
Tsunami mata 222 na Indonésia

Pelo menos 222 pessoas morreram e 843 ficaram feridas após um tsunami varrer o litoral do estreito de Sonda, entre as ilhas de Java e Sumatra, na Indonésia, neste sábado. Dezenas de edifícios foram danificados pela força do mar, que assolou as praias do sul da ilha de Sumatra e do extremo ocidental de Java. As autoridades avisaram que o número de vítimas pode aumentar com o passar das horas. A principal hipótese é que o tsunami se originou pela atividade do vulcão Anak Krakatoa, localizado em uma pequena ilha nesse estreito.

 


O número de vítimas foi confirmado neste domingo pela Agência Nacional de Gestão de Desastres através de seu porta-voz, Sutopo Purwo Nugroho, que informou que existem 35 pessoas desaparecidas. O tsunami, que chegou ao litoral entre as 21h27 e 21h35 de sábado, hora local (12h27 e 12h35 no horário de Brasília), dependendo da área, afetou especialmente a região costeira de Pangdeglang, um polo turístico popular entre os locais por suas praias localizado na ilha de Java, a 200 quilômetros de Jacarta, a capital do país. Lá foram registradas 92 mortes, enquanto o número de vítimas em Lampung Sul, do outro lado do estreito, chega a 35. Centenas de casas foram gravemente danificadas pela força da água.

       



22/12/2018
Final do Mundial de Clubes ao vivo

Os times do Real Madrid, da Espanha, e Al Ain, dos Emirados Árabes, se enfrentam neste sábado, às 14h30 (horário de Brasília), em Abu Dhabi, Emirados Árabes, pela final do Mundial de Clubes 2018. A partida será transmitida pelo canal SporTV (tv fechada). O blog vai acompanhar passo a passo o duelo pelo Twitter.


Atual bicampeão do torneio, o Real busca um inédito tricampeonato seguido que seria seu sétimo título mundial. Graças a uma atuação de gala de Gareth Bale, o clube espanhol não teve problemas para passar pelo Kashima Antlers na semifinal com um 3 a 1.

Já o Al Ain, que representa o país sede, aprontou em cima do River Plate e venceu os campeões da Libertadores nos pênaltis após um empate por 2 a 2 no tempo normal; antes, a equipe do brasileiro Caio Lucas venceu o Team Wellington, também nos pênaltis, e o Esperánce.

       



21/12/2018
As mentiras do sal rosa

Ao procurar "sal rosa do Himalaia" no Google, aparecem mais de 300.000 resultados em português. Muitos deles alardeiam os "incríveis benefícios" desse ingrediente. Regular o açúcar no sangue e a acidez do organismo e melhorar a saúde respiratória e cardiovascular são algumas das propriedades atribuídas a ele sem nenhum tipo de aval científico.

O que fica claro ao fazer a busca é que um quilo deste sal milagroso custa várias vezes mais que o comum de mesa, que não costuma passar de dois reais por quilo.A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um consumo máximo de 5 gramas de sal por dia, o equivalente a uma colherinha de café (algo que no Brasil mais do que duplicamos).

"O problema do sal está na quantidade de sódio que contém", diz Ramón de Cangas, dietista-nutricionista, doutor em Biologia Molecular e Funcional e membro da Academia Espanhola de Nutrição e Dietética.

Esse elemento é associado a diversos problemas de saúde pública, como a hipertensão arterial, os problemas cardiovasculares, os cálculos renais e inclusive o câncer de estômago, segundo a OMS, e o sal rosa do Himalaia não contém menos que o comum: "Ele fornece as mesmas quantidades de sódio que o sal de mesa", sentencia De Cangas. Portanto, as recomendações da OMS são igualmente aplicáveis a ele.

A diferença é que não é refinado e "contém outros minerais, como o ferro, que lhe dão essa característica cor rosa", explica De Cangas. Entretanto, "as quantidades não são significativas quanto ao seu impacto para a saúde.

Não há evidência científica de que o sal rosa do Himalaia forneça nenhum benefício para a saúde, nem tampouco que haja diferenças significativas entre consumir sal normal e este outro tipo."

Fica claro: se o que queremos é gastar mais dinheiro em sal porque é rosa, não há problema. Desde que não ultrapassemos a quantidade recomendada pela OMS.

Agora, talvez convenha saber que não só ele não tem as propriedades milagrosas que lhe são atribuídas como tampouco é extraído exatamente do Himalaia: provém da mina de Khewra, situada no Paquistão, a alguns quilômetros dos contrafortes dessa cordilheira asiática.


 

       



20/12/2018
Beto versus Mineiro

A campanha eleitoral de 2014 nem havia começado. Faltavam ainda alguns poucos dias para o período oficial das convenções partidárias, onde os candidatos ao governo Henrique Alves e Robinson Faria faziam suas costuras em busca de apoios que fortalecessem a luta, principalmente no horário da TV.

Poucos sabem, muitos negarão, mas naquele momento a então deputada federal Fátima Bezerra paquerou com o PMDB - leia-se família Alves - esperançosa de compor a chapa majoritária na condição de senadora. Já a ex-governadora Wilma de Faria aguardava os fatos, também de olho no PMDB.

As coisas tomaram novos rumos, os rumos modificaram as coisas, e lá se foi o PT negociar com o PSD de Robinson, enquanto Wilma se compôs com Henrique. Aí, poucos dias antes da convenção que homologaria a chapa Robinson-Fátima, os sismógrafos registraram movimentações em Mossoró.

O PP se aproxima do PSD visando uma aliança e colocando panos quentes na relação então desgastada entre Robinson Faria e Rosalba Ciarline, que formaram chapa em 2010 contra Iberê Ferreira. O PP tinha como principal objetivo eleger Beto Rosado deputado federal, na vaga que foi do seu pai.

O PT chiou com a nova sigla que chegava na coligação que ele estava formando com o PSD. Após as tradicionais plenárias (oriundas da fase estudantil dos seus líderes), os petistas foram em bloco - ou em cordas de caranguejo - conversar com Robinson e refutar a adesão do PP de Beto.

Mas não esperava a contundência com que o então vice-governador defendeu a aliança com o PP, de vital importância para vitaminar os minutos do horário eleitoral na TV e no rádio. O PT, óbvio, radicalizou e fez manha. Não ficaria na coligação se tivesse que dividir palanque com as tropas rosadas de Mossoró.

Robinson também radicalizou e avisou que sem o PP retiraria a candidatura. Não via chances numa luta só com o PT de aliado. E surpreendendo os petistas, ali diante dele na sua sala, sugeriu que Fernando Mineiro ou Fátima Bezerra assumissem a cabeça da chapa. Daria apoio total à alternativa.

Com duas posições radicais na conversa, ensaiou-se o rompimento. O que seria o terceiro durante aquele período de acertos e pingos nos is. Robinson decidiu hibernar na sua casa de praia e fechou as portas para o PT. Sequer atendeu telefonema de Mineiro, com quem mantinha estreita amizade.

E só abriu num domingo, após insistência e muita paciência do então presidente do PT, Eraldo Paiva, que foi lá avisar que o partido voltou atrás e iria aceitar a coligação com o PP de Beto Rosado. Faltavam poucos dias para a convenção, que aconteceu em paz numa grande festa na Zona Norte.

De briga mesmo só as demonstrações de força do PT e do PP, que invadiram o espaço Nélio Dias com militantes e charangas. Os muitos ônibus que vieram de Mossoró foram uma decoração à parte no acostamento da Avenida João Medeiros. Não foi fácil ao PT de Mineiro engolir o PP de Beto Rosado.

Quatro anos depois daqueles episódios, temos de novo o PP e o PT numa outra disputa, menos barulhenta e mais protocolar. À margem de um processo judicial alheio, Beto e Mineiro disputam as sobras de votos de suas coligações e, outra vez, o petista parece que vai ter que engolir o pepista. Faltam dez dias para acabar o ano.

       



19/12/2018
O fator Arnaldo

Na segunda-feira, por duas horas, saí do alcance das redes sociais, coisa que não acontecia desde o dia em que surgiram, necessariamente nessa ordem, os chats, o Orkut, o MySpace e o Twitter. Mesmo que eu quisesse não ficar concentrado no filme Aquaman, não conseguiria sinal de wifi na sala de projeção.

Na saída do shopping, caiu a bateria do celular. Mais alguns minutos isolado em órbita do mundo digital, os dedos coçando para navegar nos aplicativos e conferir as centenas de mensagens que chegam sem parar. Enquanto o aparelho carregava na tomada, fiquei vendo o programa Bem Amigos, no Sportv.

Entre um sem número de assuntos esportivos, Galvão Bueno arrancou lágrimas e arrepios dos parceiros de debate, dramatizando (como faz até com um pneu furado de fórmula um) a despedida do ex-árbitro Arnaldo Cezar Coelho, que decidiu pendurar o gogó (há muito pendurou o apito) e dar adeus à televisão.

Todos emocionados, Falcão, Junior, Caio, Muricy, Paulo Cesar Vasconcelos, Casagrande, mulher e filha do velho Arnaldo, célebre no futebol pela competência e por ter sido o primeiro brasileiro a apitar uma final de Copa do Mundo, aquela em que o Brasil tinha tudo para ganhar e caiu para a Itália.

Poucos bordões por aqui são tão populares e repetidos como o do carioca que trocou o apito pela bolsa de valores. Diante de qualquer dúvida sobre uma ocorrência dentro do gramado, a explicação como sentença: "a regra é clara", chavão que virou título do livro que publicou pela Editora Globo em 2002.

Ao final do programa do Galvão, a bateria do meu celular acordou quando os olhos já davam sinais de pescaria no lago de Morfeu. Tempo suficiente para abrir as redes sociais e descobrir que o "Caso Kerinho" avançou na alçada superior da justiça eleitoral, que decidiu em favor da validade dos seus 8.890 votos.

Na canetada do ministro Jorge Mussi, do TSE, ficou estabelecido que o TRE-RN computasse os votos do candidato do PDT, já que a documentação questionada havia sido encontrada. Com isso, o petista Fernando Mineiro deixa a vaga de deputado federal, que vai agora para o pepista Beto Rosado.

Fui navegar na repercussão local do fato, vários sites e blogues, daqui e dalhures, alguns se antecipando às reações positivas em Mossoró e às negativas no âmbito do PT. E comentários sobre o fato de que Fernando Mineiro perde a vaga após receber 98 mil votos, e Beto Rosado ganha com 71 mil.

São coisas do quociente eleitoral, uma regrinha básica da legislação e do jogo eleitoral, devidamente inventada e aprovada pela classe política, a única que cria as leis. Portanto, não cabem piadinhas, queixumes e chateações. Políticos como Mineiro, Beto e até Kerinho, o menos votado, só têm que entender que a regra é clara. Como bem disse o Arnaldo.

Eu já disse aqui que ele deixou a cadeira do programa do Galvão?

       



18/12/2018
Há um bairro Roma em nós

Quem viveu a infância e a puberdade na periferia de alguma cidade brasileira durante as décadas de 60 e 70 do século XX, decerto vai se ver retratado, de alguma forma, na narrativa do belo filme Roma, do diretor mexicano Alfonso Cuarón, uma ode que ele dedica à doméstica da sua casa de classe média.

Ausente das grandes telas há cinco anos, desde que nos surpreendeu em 2013 com a instigante abordagem de Gravidade, que lhe deu duas estatuetas do Oscar por direção e montagem em 2014, Cuarón sai da ficção científica e penetra na biografia de si mesmo, bebendo e relendo na fórmula de Fellini.

O bairro Roma da cidade do México no universo da infância de Cuarón é como a cidade de Roma na reminiscência de Fellini, sendo que há uma dimensão poética bem mais escancarada na obra do mexicano. O espaço-tempo da sua infância é o mesmo de quando o italiano rodou sua obra para-biográfica.

Roma também nos faz voltar aos nossos subúrbios, lembra a vida provinciana de Natal da infância, tem pitadas de Quintas, de Alecrim, de Rocas, os nossos bairros mais populares no tempo em que Cuarón narra a vida no México. Certeza que remete também às periferias de Recife, São Paulo, Salvador.

A empregada Cleo, protagonista do filme e da formação do cineasta, teve múltiplas versões nos lares da nossa realidade latina dos anos de sonhos e conflitos, num tempo em que as relações de fraternidade saltavam do núcleo familiar e se ramificavam nos agregados que quase sempre se eternizavam.

O filme em preto e branco romantiza mais ainda o amoroso teor da mensagem de louvor a quem foi tão maternal ao autor como a própria mãe, essa às vezes ausente nas angústias pela ausência do marido infiel. Cleo é a ingenuidade que se doa pela cria alheia, e que não sabe assimilar o fruto do próprio ventre.

Alfonso Cuarón utiliza com maestria uma técnica literária para enriquecer sua narrativa; inserindo o cotidiano da sua infância na conjuntura real daqueles anos. Coloca Cleo e a avó no cenário das revoltas estudantis de 1968, quando o sangue do "Massacre de Tlatelolco" banhou a cidade das Olimpíadas.

O rock inglês passeia entre os ponteiros das rádios Êxitos e La Pantera, que até o final do século XX mantiveram o gênero na crista da onda. Os brinquedos com referências à missão Apollo estão pela casa, os cartazes da Copa de 1970 decoram o quarto dos garotos. Beatles e Credence embalam os passeios de carro.

Lavando pratos ao som do rádio valvulado, as mulheres da infância do diretor reproduzem as tantas empregadas dos bairros do continente. O mexicano José José no original do argentino Dino Ramos cantarolando "La Nave del Olvido", que aqui Nilton Cesar versou com "Espere um pouco, um pouquinho mais".

Roma é um grandioso romance de história particular que nos arrebata numa nesga de história coletiva. É uma quase biografia de uma geração latina, aquela que sobreviveu na infância dos subúrbios de cidades que quarenta anos depois experimentariam a explosão demográfica que agora diariamente ameaça nossa ternura e nossa memória.

       



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