BLOG DO ALEX MEDEIROS

10/10/2018
Nordeste a los 17

Alô, João Pessoa
apagou o poste
na boa

Valente Maceió
que não deixou
o capitão só

Valeu Recife
já pode criar
um clube do rifle

Aracajuventude
na velha política
não se ilude

Bem-vinda
eterna rebeldia
de Olinda

Xô, petista
tu não se avexa
em Paulista

O que é pior
jamais entrou
em Mossoró

Igualzinho ao Sul
o voto virado
em Caruaru

Puxão de orelhas
nos mensaleiros
em Parelhas


Povo de pique
não vende voto
em Coruripe

Aquela gangue
não enganou
Campina Grande

Natal libertária
não vota aloprado
nem petralha.





06/10/2018
Permitido votar com camisa do candidato

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou, nesta sexta-feira (5), uma orientação aos tribunais regionais para que liberem o uso de camisetas que façam alusão a candidatos no dia da eleição.

Como uma resolução da Corte limitava a manifestação individual dos cidadãos no domingo ao uso de adesivos, bandeiras e broches, alguns TREs haviam proibido as camisetas e, então, o Ministério Público Eleitoral pediu ao TSE que firmasse um entendimento sobre o tema.

Conforme a decisão, o eleitor poderá usar camiseta com nome de seu candidato preferido, mas como forma de manifestação individual, sem fazer propaganda eleitoral a favor dele e sem aglomeração.

De acordo com a lei eleitoral, está proibida a aglomeração de pessoas com vestuário padronizado, além de manifestações coletivas e ruidosas e qualquer tipo de abordagem, aliciamento ou persuasão de eleitores. A camiseta não pode ser distribuída pelo candidato.

No Rio Grande do Norte, o presidente do Tribunal Eleitoral, desembargado Glauber Rego, emitiu na quinta-feira um ofício-circular dirigido aos juízes e promotores eleitorais orientando sobre o direito individual de manifestação do eleitor, mas pedindo atenção para que seja coibida aglomerações padronizadas e distribuição de propaganda.

Glauber Rego destacou "o direito fundamental à livre manifestação do pensamento, de acordo com o artigo 5º, inciso II e IV, da Constituição Federal Brasileira". 





05/10/2018
Choremos por Letícia

Letícia Tanzi tinha apenas 13 anos. Era uma menina linda de subúrbio, morava numa casa modesta, no município paulista de São Roque, perto de Sorocaba. Como quase todas as garotas sonhadoras da região, ela também cantarolava canções românticas dos muitos artistas sertanejos que brotam por ali.

Mas, no olhar de inocência bem próprio da sua idade, ela escondia um inferno que lhe queimava a alma, feria sua dignidade, rasgava suas emoções e sujava seu corpo. Letícia era constantemente abusada sexualmente por um monstro camuflado naquilo que ela pensava ser sua maior segurança: o próprio pai.

Não era ela a única vítima do criminoso, mulheres mais velhas também eram estupradas por ele, algumas inclusive parentes próximas da garota. Um dia o desespero venceu o medo, a angústia superou a ameaça e alguém denunciou o verme imundo, o estuprador contumaz. E então ele foi levado à prisão.

O nome completo do canalha é Horácio Nazareno Lucas, de 28 anos, que em nada se assemelha a cada um dos três nomes que remetem a um dos grandes poetas da antiga Roma, ao maior ícone da cultura e da religião cristãs e ao apóstolo do Novo Testamento que é padroeiro dos artistas e dos médicos.

Estava preso desde julho por estuprar uma cunhada, mas foi solto para responder o crime em liberdade, nessa velha e escrota prática da justiça contemporizar com potenciais predadores. No dia seguinte, menos de 24 horas depois de ser liberado, ele atacou outra vez Letícia. A mãe resolveu agir.

Quando sua esposa tentou ligar para a Polícia, o monstro a agrediu e depois partiu para cima da filha, aplicando-lhe golpes com uma faca. Um filho de apenas 6 anos que presenciou a tragédia correu para a rua e encontrou uma viatura policial: "papai matou minha irmã", gritou o pequenino em pânico.

Enquanto o inseto fugia pela mata, os policiais levavam Letícia para o hospital, onde chegou sem vida. Sua morte é a mais bárbara, violenta e covarde das últimas décadas no terrível histórico de agressões e assédios contra mulheres. O Brasil precisa se indignar com esse crime, principalmente a imprensa.

Letícia Tanzi era uma adolescente frágil diante de um monstro travestido de pai, era uma filha que não merecia tão devastador destino. Letícia Tanzi não era ainda uma eleitora, não tinha simpatias políticas, não pertencia a movimentos ditos sociais. Não teve tempo de viver e encontrar uma bandeira.

Que seja ela a bandeira de todos nós contra a impunidade e a favor de medidas duras contra assassinos hediondos. Que o sangue inocente de Letícia possa lavar as sujeiras debaixo dos tapetes das leis. Que sua memória sirva para que o Estado seja implacável com estupradores. E que o safado que lhe tirou a graça queime no inferno de alguma cadeia insalubre. Pena de morte já no Brasil!





04/10/2018
Aznavour à eternidade

Um dos últimos gigantes da música mundial, Charles Aznavour se foi na noite do último domingo, depois de uma vida de 94 anos e uma carreira que atravessou fronteiras, atingiu distintas gerações e avançou além do seu tempo. O mais célebre cantor francês morreu em casa, no Alpilles, no sul da França.

Há trinta anos, ele recebeu uma honraria que define bem sua condição lendária na história da música do século passado. Em 1988, o canal de TV CNN, dos EUA, e o jornal The Times, da Inglaterra, concederam o título de "Cantor da variedade mais importante do século XX". Foram 1,2 mil músicas em 7 idiomas.

Além disso, Aznavour vendeu mais de 100 milhões de discos no planeta, se apresentou em 94 países e teve 60 participações no cinema. Uma consagração em múltiplas terras para quem nasceu numa nação que diversas vezes se viu ameaçada de ser varrida do mapa. A Armênia é uma história de resiliência.

E como bom e resistente armênio, que venceu no mundo a partir da França, sua pátria adotada, ele manteve a voz afinada por 70 anos e que só emudeceu nas horas que antecederam sua partida. Morreu pouco tempo após uma turnê no Japão e se recolher por causa de um braço quebrado numa queda.

Charles Aznavour se encantou cedo pela música, tocando violino aos nove anos por incentivo da mãe, que era atriz. Adolescente, durante a Segunda Guerra Mundial, formou dupla com o amigo Pierre Roche, até que no fim do conflito, quando fez 21 anos, um encontro com Edith Piaf muda seu destino.

A diva da "chanson française" convida os dois jovens para acompanhá-la numa turnê de dois anos pela França, Canadá e Estados Unidos. Diferente da recepção francesa, o ritmo alegre da dupla agrada aos ouvidos de americanos e canadenses. Mas não demora e Roche abandona a carreira musical.

A partir daí, Aznavour resiste e toca a carreira solo, superando as enormes dificuldades que aparecem no caminho. Cantar não é apenas cantar, e ele tem que ser motorista, telefonista, iluminador, sonoplasta e empresário, tudo num só cantor.
Algumas canções surgem, mas distantes de alcançar sucesso.

Preocupada, Piaf chega a sugerir desistência, mas um armênio jamais se deixa abater. Ele compõe sem parar para diversos artistas, Juliette Greco, Patachou, Gilbert Bécaud e a própria Edith, que encanta o público com "Jezebel". E aí, dez anos depois da guerra, a França assiste Aznavou ao vivo na televisão.

Surge o astro e sua peculiar postura, um baixinho de voz suave e quase anasalada, mãos nos bolsos e gestos bem planejados para parecer casuais. Logo, o espaço geográfico francês será pequeno para conter o gigantesco talento, os sucessos que explodem em profusão, um monstro da voz.

Durante as décadas seguintes, os milhões de fãs espalhados pelo mundo se comportam como os franceses: todo mundo sabe cantar - ou arremedar o idioma - pelo menos uma canção dele. Ao lado de Piaf, ele é a mais completa tradução da música romântica francesa. Sempre terá fãs de 19 a 90 anos.

No próximo dia 8 de novembro, ele iniciaria uma turnê doméstica por Saint-Etienne, Rouen, Tours, Dijon e Estrasburgo. Os ingressos já estavam esgotados. Meses antes de morrer, ele disse a uma irmã que iria viver 100 anos. Não há dúvida que Aznavour estará por aqui por 1.000 anos ainda.





02/10/2018
Saudade das horas de Ângela

A cantora Ângela Maria faz parte da gênese das minhas inclinações musicais. Não por ter sido um assíduo ouvinte das suas canções, o que não fui, mas porque os seus sucessos das décadas de 1950 e 1960 entraram em meus ouvidos nas vozes das duas mulheres que eu mais amava na primeira infância.

Naquela que é a fase considerada de maior capacidade cognitiva na gente, minha mãe Nenzinha e uma sobrinha dela, chamada Maria José, cuidavam de mim e da casa cantarolando hits românticos que compuseram o tempo dourado do samba-canção. E as canções de Ângela Maria ecoavam pelas tardes.

Tinha pouco mais de cinco anos quando decorei "A Lua é dos Namorados", clássico de Armando Cavalcanti eternizado por Ângela Maria e repetido diariamente pela prima em papel de mãe sobressalente. Outra música que saltava das ondas do rádio e ia por meus ouvidos adentro era "Olhinhos do Menino".

Já adolescente, testemunhei nos rádios valvulados e nas tvs em preto e branco a presença marcante da cantora na preferência do povo e sua influência nas gerações pós-samba-canção que surgiam nos programas de calouros. Seu rosto caboclo com largo e alvo sorriso, era figurinha destacada nos álbuns ilustrados da época.

A dimensão do apogeu musical de Ângela Maria pode ser medida no repertório consagrado em décadas de aprovação popular. Sua carreira é capítulo de leitura obrigatório no interminável livro da MPB. Ela foi essencial na força comercial do gênero romântico, entre boleros, baladas e sambas-canções.

No livro "A Noite do Meu Bem", do escritor e jornalista Ruy Castro, onde numa bela narrativa ele traça um catálogo literário da música que dominou o Brasil e serviu de fonte para a Bossa Nova, Ângela tem lugar especial ao lado de outros ícones como Dolores Duran, Maysa, Dalva de Oliveira e Elizeth Cardoso.

Nas vesperais de sábado do saudoso cinema São José, vi Ângela Maria, Carmen Miranda, além de algumas beldades da Jovem Guarda. Lembro a cena de um filme de Mazzaropi, "Fuzileiro do Amor", onde ela canta cercada por marinheiros. O vestido branco, disse Ruy Castro, causava suspiros nos fãs.

Baixinha como Carmem Miranda (tinha só 1,50m), a cantora carioca foi gigantesca na cena musical de um tempo em que o rádio e a TV (e os discos de goma-laca e vinil) eram os melhores atalhos para o grosso da população se inserir no glamour das boates e dos teatros. Sua morte gera outras saudades.





28/09/2018
A luta do #NeleNão vs #NeleSim

As trocas de desaforo nas redes sociais entre seguidores de partidos e candidatos estão em altíssima combustão pornográfica. A batalha dos "likes" e "deslikes" no Facebook, YouTube, Twitter e Instagram instalou um clima de guerra fria doméstica: brasileiros do #NeleNão contra brasileiros do #NeleSim.

As duas hashtags se espalham na internet confrontando amigo versus amigo, irmão versus irmão, sulista versus sulista, nordestino versus nordestino, artista versus artista e fãs versus artistas. Em nome dos candidatos Bolsonaro e Haddad, cantoras, atrizes e outras celebridades viraram bandeiras eleitorais.

No aplicativo WhatsApp se multiplicam em velocidade exponencial os grupos em defesa desse e daquele candidato ou partido. Há quem não desvie o olho um minuto do celular para acompanhar ou alimentar as pendengas. Ontem, as duas hashtags ganharam cada uma uma quadrinha de cordel. Confiram:

#NeleNão

Voto na mãe de pantanha
nas kengas do calçadão
voto no Homem-Aranha
e até em Brinquedo do Cão
mas no fim dessa campanha
eu não voto NELE NÃO!

Sapirico dos infernos
subejo do cramunhão
malefício dos milicos
criador de confusão
e mesmo que haja gritos
eu não voto NELE NÃO!

Infeliz que é odiado
pelo povo da nação
vive sendo renegado
à escória e podridão
foi até esfaqueado
mas não voto NELE NÃO!

Filhote incompetente
da ditadura, da coação
querendo ser presidente
defende a segregação
pois eu grito veemente
eu não voto NELE NÃO!

(Jorge Eduardo)

#NELESIM

Meu é contra o PT
e a safadeza sem fim
é pra tirar do poder
esses safados tudim
para o Brasil se erguer
é que eu voto NELE SIM!

Pra derrotar a maldade
da bandalheira carmim
para que o roubo acabe
façamos todos assim
ninguém vota no Haddad
vamos juntos NELE SIM!

Chega de Lula ladrão
de Zé Dirceu rasputin
partido do mensalão
rouba mais que o Salim
contra a corrupção
é que eu voto NELE SIM!

Chega de patifaria
de ideologia chinfrim
lutemos por harmonia
apagando a estrela ruim
e votando com alegria
dia sete NELE SIM!

(Jorge Armado)







27/09/2018
Propaganda ilegal do PT

O Ministério Público Eleitoral e a Polícia Federal inicaram investigações sobre publicidade irregular do Partido dos Trabalhadores nos estados de Santa Catarina, Bahia, Rio de Janeiro, Piauí e Rio Grande do Sul. A maioria das peças de vídeo e material impresso destaca a figura de Lula, preso e inelegível por corrupção e lavagem de dinheiro.

No Rio Grande do Norte, as redes sociais mostram diariamente casos de propaganda ilegal na campanha do PT, onde aparecem filmes com Lula no horário eleitoral da candidata ao governo Fátima Bezerra e panfletos e santinhos da candidata a deputada federal Natália Bonavides com "Lula presidente".





27/09/2018
Pugilismo verbal no Rio de Janeiro

O deputado estadual e candidato ao senado pelo PSL carioca, Flávio Bolsonaro, partiu para o ataque mais duro ao seu oponente na disputa eleitoral, o senador Lindberg Farias, do PT, que tenta a reeleição e está em terceiro lugar nas pesquisas, atrás do próprio Flávio e do ex-prefeito César Maia.

"Te desafio a fazer um exame toxicológico para ver quem está limpo para disputar uma vaga ao senado", reagiu o deputado ao responder a uma postagem de Lindbergh no Twitter. Não é de hoje que candidatos da esquerda são convidados e desafiados a se abrir sobre o consumo de drogas ilícitas.

O petista, por sua vez, provocou o adversário afirmando que a campanha que faz ao Senado "só cresce e estamos empatados tecnicamente com o filho de Bolsonaro", para em seguida atacar: "Machismo, racismo, homofobia, intolerância, mais perda de direitos do trabalhador não podem chegar ao Senado."

A pendenga na cena política carioca envolvendo os dois candidatos é apenas uma página do livro da batalha entre o PT e o capitão que lidera as pesquisas no plano nacional. Por mais que a esquerda não aceite, o fato é que Jair Bolsonaro provoca hoje nas ruas do país o que Lula fez há alguns anos.

Após ser esfaqueado em Juiz de Fora, o candidato do PSL está há mais de duas semanas internado no Hospital Albert Einstein e viu sua campanha tomar proporções históricas, com multidões em todas as regiões assumindo a caça do voto, de forma espontânea, sem dinheiro de fundo partidário ou doações.

Sociólogos e analistas políticos estão fundindo a cuca para encontrar uma explicação sobre o fenômeno em que Bolsonaro se transformou. O cara só tem 8 segundos no horário de TV e rádio, mas mesmo assim se mantém preferido dos eleitores há meses, e tendo contra ele a crítica diária da grande imprensa.

Em São Paulo, seu filho Fábio está entre os cinco mais votados para deputado federal, derrotando nomes importantes e tradicionais do espectro partidário. No Rio, o outro filho, Flávio, está prestes a encerrar a carreira de Lindbergh Faria no Senado, numa perda considerável para a bancada histriônica do PT.

No pugilismo verbal da campanha no Rio, Fábio ameaça processar o petista na Justiça: "Você terá que provar que eu sou racista, homofóbico, etc, não vou deixar passar mais esse seu crime ileso. Seu delírio é livre, Lula não!" disse com ironia o filho de Bolsonaro.

Lindbergh, ainda não tocou no assunto do exame toxicológico. Aliás, quem na esquerda tem coragem de assumir a vida pregressa. Até um fino baseado do passado assusta os radicais do presente.





26/09/2018
Quarta gorda nos gramados

A bola vai rolar nesta quarta-feira nos principais campeonatos do mundo, com destaque para as semifinais da Copa do Brasil. Veja abaixo as opções de jogos e procure acompanhá-los, alguns serão transmitidos pela TV, outros pela internet através de aplicativos e sites especializados.

Copa do Brasil:

Corinthians x Flamengo
Cruzeiro x Palmeiras

Liga inglesa:

Arsenal x Brentford
Liverpool x Chelsea
Nothingham Fores x Stoke City
West Ham x Macclesfield
Tottenham x Watford

Liga italiana

Udinese x Lazio
Roma x Frosinone
Atalanta x Torino
Cagliari x Sampdoria
Genoa x Chievo
Juventus x Bologna
Napoli x Parma

Liga espanhola

Athletic Bilbao x Villarreal
Leganes x Barcelona
Sevilha x Real Madrid
Valencia x Celta Vigo

Liga francesa

Dijon x Olympique Lyon
Bordeaux x Lille OSC
Olympique Marseille x Strasbourg
Nimes x Guingamp
Amiens x Rennes
Caen x Montpellier
PSG x Stade Reims





26/09/2018
Galileu e sua carta de defesa

Ela foi procurada por muitos durante anos. Extraviada nos vastos arquivos da Real Sociedade Britânica, a mais importante entidade científica da história, ela foi praticamente esquecida e dada como perdida, menos para os pesquisadores. E eis que a revista Nature deu recentemente seu paradeiro.

Estou falando da carta do físico, filósofo e matemático florentino Galileu Galilei escrita em resposta às acusações da igreja católica contra ele no século 17. Foi encontrado o original da primeira carta, que desencadeou outras (na verdade artigos científicos) no processo de heresia que o condenou em 1633.

Na primeira resposta, Galileu repele as denúncias, defende suas descobertas astronômicas e confirma sua fé na teoria de Nicolau Copérnico (1473-1543) sobre a Terra girar em torno do Sol e não o contrário. Desde 1616, Roma rejeitava a tese copernicana e somente em 1983 concedeu perdão a Galileu.

A carta foi encontrada e analisada, segundo reportagem da revista Nature e testemunho do cientista Allison Abbot. Não foram revelados detalhes do conteúdo inteiro da carta, que só serão conhecidos na conclusão do trabalho, que terá publicação no boletim da Real Sociedade nos próximos meses.

Allison Abbot adiantou apenas que a análise revelou parte da estratégia de Galileu para evitar conflitos mais graves com o Vaticano. Afinal, ele debateu com a igreja, mas sem jamais renegar a doutrina católica. A forma da defesa das suas convicções evitou que fosse queimado como Giordano Bruno.

O que se tinha até agora eram sete páginas de parte das correspondências, iniciadas em 1613 e endereçadas ao matemático Benedetto Castelli, da Universidade de Pisa, defendendo a manutenção da pesquisa científica além dos dogmas religiosos e não vendo conflito entre Copérnico e a Bíblia.

O documento está cheio de alterações e supressões, e a análise indicou que foi o próprio Galileu quem fez. Não foi fácil distinguir esse texto original da versão conhecida em que sua queixa é baseada. O astrônomo suavizou a narrativa e devolveu para Castelli assim que o conflito ganhou gravidade.

Por trás da descoberta da carta há um fato que parece roteiro de filme juvenil. O jovem historiador italiano Salvatore Ricciardo procurou em bibliotecas inglesas citações das obras de Galileu, quando achou uma referência a uma carta enviada ao matemático Castelli em 1613. Aí viu que achou algo grande.

Ele começou a estudar o caso na Universidade de Bérgamo e depois comunicou à Real Sociedade, que agora - além da análise da carta - vai investigar o tempo em que está de posse do documento sem que ninguém nunca tenha percebido. Tudo indica que o texto de Galileu está lá há 300 anos.





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