BLOG DO ALEX MEDEIROS

07/02/2018
Sangue no YouTube

O maior portal de vídeos do planeta não consegue estabelecer um critério para sua política comercial com anúncios publicitários, que mais das vezes abrem vídeos de violência ou inadequados até para maiores. Há um vídeo, por exemplo, que mostra o Comando Vermelho decapitando uma jovem, logo após exibição de propaganda do Midway Mall.





05/02/2018
Hoje é o Dia Mundial da Nutella

Evidentemente não foi alguém "raiz" que inventou a data, mas o fato que me faz agir como blogueiro nutella em divulgar isso é que o dia de hoje é dedicado ao famoso creme de avelã, criado na Itália em 1963 e que desde fevereiro do ano passado provocou uma das maiores ondas de memes no planeta.

Não se sabe bem como a frescura começou, nenhum ´pesquisador de Google ou acadêmico de boteco realizou estudos para historiar as comparações que se multiplicaram em escala exponencial e que agora estão aí, como ilustrações verbais e plásticas da cena urbana, de Natal a Vladivostok, do Oiapoque ao Jiqui.

E como a provar que esse mundo anda nutelado, raquítico pela ausência da musculatura dos grandes valores morais e culturais, muita gente pelo mundo vai comemorar a nascitura efeméride, estimulada pelos restaurantes, bares, cafés e bistrôs, que oferecerão promoções com guloseimas inventadas a partir do produto italiano.

Portanto, hoje nada de oferecer nada à base de chocolate para o seu amor, quer seja ele uma paquera raiz ou um crush nutella. Leve-o para um bar com decoraçãozinha oriental e paredes em dégradée, ouvindo som sertanejo ou forró pasteurizado.

Não vá emborcar garrafas em botecos de mesas com tamboretes, rolando CD de rock ou samba, enfumaçado no cigarro e com o cheiro de gordura encharcando vossas narinas.

Desenvolva uma conversinha sobre o processo criativo da comédia, mostre como sociologicamente é dispensável piadas que chateiem quaisquer tipos de raças, grupos sociais, religiões, torcidas de futebol e fãs do Pablo Vittar.

Uma discreta simpatia pelos partidos de esquerda tem tudo a ver para demonstrar sua essência avelã dos trópicos. Ah, e na hora do sexo, peça licença para mordiscar os bicos dos seios e se desculpe caso seu joelho faça pressão involuntária nas coxas do mozão. Viva o dia da nutella!





05/02/2018
Cair, sim, tropeçar no passo, não

O bloco carnavalesco pernambucano O Galo da Madrugada é o maior do mundo, e completa 40 anos neste 2018 com um formato simples para explicar o sucesso: é gratuito. O bloco paraibano Muriçocas do Miramar é o maior do mundo no quesito pré-carnavalesco, faz 32 anos e segue o esquema do homólogo recifense: é gratuito.

O carnaval de rua de Olinda, Recife e Rio de Janeiro, com suas centenas de blocos e fanfarras contaminaram o resto do país e agora contam com a companhia de cidades como São Paulo, Belo Horizonte e outras que experimentam um boom na folia de rua graças à gratuidade do passo no meio das ruas, independente de quem compra camisa.

Há anos, várias pessoas em Natal batalham para devolver à cidade um carnaval de rua nos moldes do que já existiu até princípio dos anos 70 e depois entrou numa entressafra de décadas. O esforço rendeu os frutos que estamos colhendo dos últimos anos para cá, em que pese o caldo de cultura que o modelo baiano impôs com o sucesso estrondoso do Carnatal.

A folia foi se espalhando, sem corda e sem abadá, nos devolvendo a espontaneidade dos tempos dos blocos chamados de elite, onde carros alegóricos eram puxados por tratores. As paradinhas em ambientes residenciais pré-estabelecidos, também chamadas de "assaltos", deram lugar aos bares e botecos. Os blocos se multiplicam entre Petrópolis e Ponta Negra.

Mas nesse passo e compasso da alegria momesca, não se pode perder o rumo do resgate que ainda não se concretizou e que depende bastante desse formato descontraído e relativamente barato para os foliões.

Eu temo um retrocesso quando vejo blocos em crescimento adotando formatos oriundos das micaretas do axé. Já basta a compra de camisetas, bem baratas em comparação aos abadás; e vejo um risco na venda de ingressos para shows em locais fechados.

O nosso carnaval de rua vem superando os contratempos do passado, não pode comprometer o futuro com um contrapasso.





01/02/2018
Abril também é mentira no Vietnã

Quem gosta de trama política (politicalha idem) e de jornalismo à moda antiga (sem blogs e Google), não deve deixar de assistir "The Post - a Guerra Secreta", filme dirigido por Steven Spielberg, e com Meryl Streep e Tom Hanks de protagonistas. A batalha entre o jornal The Washington Post e o governo do presidente Richard Nixon, no alvorecer dos anos 1970.

O ponto central do filme é a luta contra a censura e pela liberdade de imprensa. Um documento secreto sobre a Guerra do Vietnã, vazado dos escaninhos governamentais, é publicado pelo diário The New York Times, que é imediatamente proibido de prosseguir com a revelação das verdades que não chegavam à sociedade americana.

Uma cópia do material chega à redação do The Post, cuja proprietária é amiga pessoal de um secretário de Estado, assim como o editor havia sido amigo de John Kennedy. Entre relações festivas com o poder e o espírito investigativo da redação, vem o conflito sobre enfrentar os desejos da Casa Branca publicando o material bombástico. O resto, vocês conferem no cinema. Corram!

Um salto aqui para outra frente de luta contra a censura. Dessa vez naquele Vietnã dominado por regime comunista que acabou dividindo o país em dois até os dias de hoje. O tempo passou e a repressão contra a opinião e a informação ficou como legado do ditador Ho Chi Min, que tudo fez - assim como os EUA - para esconder os acontecimentos na Guerra do Vietnã.

E é isso a temática central de um livro chamado "Um abril silencioso em Saigon", escrito pela romancista vietnamita Thuân, um dos nomes mais excitantes e versáteis da geração de escritores do Vietnã nascida nos anos 70. Ela vive em Paris e lá já escreveu quatro livros que foram muito bem recebidos pela crítica e pelo mercado literário europeu. Os quatro foram publicados no Vietnã, mas o quinto, não.

É que Thuân aborda um tabu existente até hoje no seu país, mesmo com a adesão ao capitalismo e à democracia (faz tempo que abriu loja McDonald's na Saigon que se tornou Ho Chi Min City). Ela escreve sobre o ano de 1975, quando em abril aconteceu o "Saigon Falls", invasão das tropas do norte na capital do Vietnã do Sul, aliado dos EUA.

Thuân era uma menininha em 1975, oriunda de família do norte, e ouvia as acusações contra os irmãos do sul, tratados como proprietários capitalistas. Lembra de 1979, quando o regime incendiava livros com conteúdos ocidentais. O pai lhe contou sobre literatos e intelectuais sulistas levados para campos de reeducação do governo comunista. Até hoje, o romance "1984", de George Orwell, é proibido por lá.

O novo livro bem poderia se tornar uma conexão cinematográfica para Steven Spielberg, no rastro de "The Post". Os segredos revelados e os nunca revelados por norte-americanos e norte-vietnamitas são provas e contraprovas de que nenhuma guerra foi mais secreta do que aquela na pátria de Thuân.





31/01/2018
Morreu o poeta da antipoesia

Quando minha geração começou a ouvir as canções da chilena Violeta Parra em meados dos anos 1970, ela já estava morta desde 1967 ao cometer suicídio, exatamente um ano depois de compor o clássico "Gracias a la Vida". Suas canções viraram hinos - "Volver a los 17" também era hit obrigatório nos idílios estudantis da minha juventude - a embalar sonhos e ensaios de luta.

Violeta tinha quase uma dezena de irmãos, padrão das famílias camponesas da América Latina em princípios do século XX. Um deles, Nicanor Parra, foi fundamental para sua carreira artística, que além da música se destacavam poesia, artesanato e pintura. Ele foi o porto seguro quando ela se mudou do interior para Santiago.

Três anos mais velho que a irmã, Nicanor nasceu em 1914 e faleceu no último 23 de janeiro aos 103 anos, depois de viver os últimos anos num balneário próximo da capital chilena. Sua morte abre um vácuo profundo nos contextos literário e acadêmico do Chile. Ele foi um dos seus maiores personagens.

A literatura o apanhou a partir dos anos 1930, apesar de uma relação mais estreita com os números do que com as letras, posto que era formado em matemática. O primeiro livro de poemas foi "Cancionero sin nombre", que lhe estimularia a confeccionar outros e a estabelecer o azimute de novos conceitos. Viveu anos entre os EUA e a Inglaterra e retornou ao Chile em 1951.

Se para muitos, aquela era a década dourada, assim também o foi pra ele, que disparou a publicar livros de poesias, tendo em "Poemas y antipoemas", de 1954, a obra mestra em que desenvolveu a criação da antipoesia. "Em poesia tudo é permitido", disse uma vez como a deixar a conclusão "inclusive nada".

Em 1969, quando o fantasma da irmã Violeta flutuava nas passeatas e nas plenárias universitárias cantarolando as canções em outras vozes, Nicanor conquistou o primeiro galardão literário, o Prêmio Nacional de Literatura de Chile com o livro "Obra gruesa". E muitos vieram, inclusive na velhice com o Cervantes, o Rainha Sofia, finalista no Príncipe de Astúrias e algumas indicações ao Nobel de Literatura.

A estrofe final do antipoema "O Homem Imaginário":
E nas noites de lua imaginária
sonha com a mulher imaginária
que o brindou com amor imaginário
volta a sentir essa mesma dor
esse mesmo prazer imaginário
e volta a palpitar o coração
do homem imaginário
.

A máquina de escrever de Nicanor Parra, uma extensão do seu enorme talento, foi colocada por ele num plano de seguros, sob o número 1.552, com a ordem expressa de permanecer custodiada no Instituto Cervantes, na Espanha, até o dia 5 de setembro de 2064, quando se fará 150 anos do seu nascimento.





30/01/2018
Violência é sempre violência

Nos anos 70, os direitistas provocavam o movimento estudantil chamando a repressão policial de "cassetete democrático". Os jovens reagiam com gritos de "fascistas".

Não vejo diferença nos dias atuais quando sindicalistas ligados a partidos de esquerda impedem, com violência, que outros trabalhadores adentrem ao local de trabalho.

O ataque à integridade física de qualquer pessoa, por si só, é um ato fascista, não importa a motivação. Agredir e atirar objetos em alguém é repetir eras obscuras que ficaram nos anais.

Servidores públicos impedirem o ir e vir de outros servidores, como os do Legislativo, é violência. E a violência não é uma coisa escrota de esquerda ou de direita, é só violência.





30/01/2018
O paradoxo das idolatrias

O filme "O Destino de uma Nação", narrando a ascensão de Winston Churchill ao cargo de primeiro-ministro britânico no começo da Segunda Guerra Mundial, tem merecido elogios da crítica especializada e renovado na assistência o sentimento de empatia com o personagem político, para muitos considerado o maior nome da história do século XX.

Nas cenas em que Churchill trava debates sobre a estratégia certa para combater o avanço do nazismo na Europa, quando supera visões divergentes ao conquistar a aprovação do rei George, pai da futura rainha Elizabeth que também contará com os préstimos do primeiro-ministro, fica estabelecido um legado do líder conservador: nunca negociar com um fascista ou com gente igual a Hitler.

Isso me remeteu automaticamente aos dias atuais, quando meio-mundo treme a cada semana com os posicionamentos do presidente americano Donald Trump. Não vou classificar o republicano como fascista, nem quero aqui cometer o desatino de procurar comparações entre ele e Winston Churchill. Já basta Lula impor aos seus fanáticos seguidores semelhanças suas com figuras como Jesus e Mandela.

O que me chama a atenção são as visões construídas sobre alicerces empíricos e que geram idolatrias pessoais por perfis tão antagônicos. Exemplos: o mesmo fã de um Churchill refuta um Trump como se tudo na essência de cada um fosse o oposto do outro. O petista admirador de Fidel Castro o considera diferente de Pinochet.

Eu mesmo sou um tiete de Winston Churchill pelo conjunto da obra, mas sabedor de algumas posições que ele teve capaz de ruborizar outros admiradores. O filme e algumas biografias não destacam o Churchill racista e preconceituoso - assim como Trump - seguidor radical dos conceitos darwinista para a raça humana. Como Hitler com os arianos, Churchill queria ingleses puros.

Como Trump com os imigrantes de países "de merda", Churchill tinha horror aos estrangeiros das nações pobres, que iriam misturar a raça britânica. Também rejeitava os próprios ingleses que tivessem a "impureza" da incapacidade física ou das doenças mentais. Defendia o isolamento, como Hitler fez com judeus, ciganos, gays e aleijados. Dizia que era direito das raças superiores dominarem as inferiores.

Quando começou a ter relações diplomáticas e pessoais com os EUA, chegou a defender o processo civilizatório que precisou dizimar nações indígenas. Chamava índios, quer sejam americanos ou africanos, de hordas bárbaras. Povos do norte da África ele chamava de comedores de bosta de camelo. O culto aos mitos precisa de mais ciência e menos conveniência.





26/01/2018
Raio Negro na TV

Está no ar na Netflix o primeiro episódio do seriado do super-herói Raio Negro, baseado no personagem da DC Comics criado em 1977 pela dupla Tony Isabella e Trevor von Eden.

Originalmente atleta olímpico e mestre em artes marciais, ele tem poderes de gerar descargas elétricas e criar campos de força magnéticos. Seu alter ego é Jefferson Pierce.

O que pouca gente sabe é que existem mais dois super-heróis com o mesmo nome, um criado em 1965 para a Marvel pela dupla genial Stan Lee e Jack Kirby e outro nascido no Brasil em 1966 pelas mãos do paulista Gedeone Malagola.

O Raio Negro da Marvel surgiu na revista do Quarteto Fantástico, edição de dezembro de 1965. Tem muito mais poderes do que o xará da DC: manipula matéria e energia, tem super força e telepatia, além de um grito semi-sônico. 

O Raio Negro brasileiro tem um anel oriundo do planeta Saturno, que lhe dá vários poderes, inclusive o de voar. Fato que já confessa a inspiração no super-herói Lanterna Verde, da DC. A roupa e o visor lembram o personagem Cíclope, do grupo X-Men, mas o criador jamais admitiu a referência. O alter ego do herói é o piloto da FAB Roberto Salles.

Na foto acima, o primeiro é o da Marvel, seguido pelo da DC e o da GEP, editora que publicou o Raio Negro do Brasil.





26/01/2018
As capas da unanimidade

As três principais revistas semanais do País já circulam na noite dessa sexta, 26, se antecipando a talvez o fim de semana mais esperado por seus leitores. E como não poderia deixar de ser, Lula está em todas as capas e nas reportagens de destaque das três publicações.

A Época é a única tem uma manchete, entre três, um tanto favorável ao ex-presidente e distinta das outras duas que estampam o ocaso eleitoral do petista.

Enquanto a IstoÉ grafa na capa vermelha "O cara acabou", e a Veja apela no pedido da prisão, a revista do sistema Globo (costumeiramente atacado pelo PT) afirma que Lula ainda não acabou.





26/01/2018
Deputado abdica do salário

O deputado estadual José Dias apresentou requerimento ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte no sentido de que sejam suspensos os depósitos do seu subsídio mensal, excluídos os descontos obrigatórios, até que o pagamento dos servidores estaduais seja regularizado por parte do Governo do Estado.

A medida, segundo o deputado, tem caráter "financeiramente simbólico", mas é de extrema importância no momento em que milhares de famílias de funcionários públicos sofrem na pele e têm seus cotidianos prejudicados diante do atraso dos salários.

"É um gesto de solidariedade ao próximo e, meramente emblemático e solidário, mas estou fazendo a minha parte. É como na fábula do passarinho que, diante um incêndio na floresta, procurava apagar o fogo levando pequenas porções de água no bico. Questionado sobre a inutilidade do gesto, declarou: ‘pode ser pouco mas estou fazendo a minha parte'."

José Dias lembrou ainda que, num momento de crise como essa que o RN enfrenta, no qual o funcionalismo estadual tem sido injustamente castigado, todos devem reconhecer que o mais justo e correto é que, quem já recebe menos, ao menos receba primeiro, antes dos demais.

O deputado fez questão de lembrar ainda que, como integrante da Casa, está lutando para a aprovação de medidas que busquem sanar o problema, não apenas a curto prazo, mas a longo prazo também. "Quem paga os salários dos servidores são os impostos arrecadados que, por sua vez, dependem de uma economia forte. Precisamos tomar medidas para o fortalecimento da economia, ao mesmo tempo em que o Governo precisa diminuir seus gastos. O que não pode é o funcionalismo público - e milhares de famílias - padecerem ainda mais, numa realidade que já é difícil diante dos graves problemas de segurança e saúde que prejudicam a todos os norte-rio-grandenses."

José Dias enfatizou que o momento não é o de buscar culpados: "Chegamos a uma situação praticamente ingovernável, resultado de anos de administrações populistas, e não fruto de um único governo. Sempre fui um parlamentar de oposição, mas minha oposição nunca foi meramente de cores políticas, mas sempre em defesa dos interesses do meu estado."

 





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