BLOG DO ALEX MEDEIROS

02/10/2018
Saudade das horas de Ângela

A cantora Ângela Maria faz parte da gênese das minhas inclinações musicais. Não por ter sido um assíduo ouvinte das suas canções, o que não fui, mas porque os seus sucessos das décadas de 1950 e 1960 entraram em meus ouvidos nas vozes das duas mulheres que eu mais amava na primeira infância.

Naquela que é a fase considerada de maior capacidade cognitiva na gente, minha mãe Nenzinha e uma sobrinha dela, chamada Maria José, cuidavam de mim e da casa cantarolando hits românticos que compuseram o tempo dourado do samba-canção. E as canções de Ângela Maria ecoavam pelas tardes.

Tinha pouco mais de cinco anos quando decorei "A Lua é dos Namorados", clássico de Armando Cavalcanti eternizado por Ângela Maria e repetido diariamente pela prima em papel de mãe sobressalente. Outra música que saltava das ondas do rádio e ia por meus ouvidos adentro era "Olhinhos do Menino".

Já adolescente, testemunhei nos rádios valvulados e nas tvs em preto e branco a presença marcante da cantora na preferência do povo e sua influência nas gerações pós-samba-canção que surgiam nos programas de calouros. Seu rosto caboclo com largo e alvo sorriso, era figurinha destacada nos álbuns ilustrados da época.

A dimensão do apogeu musical de Ângela Maria pode ser medida no repertório consagrado em décadas de aprovação popular. Sua carreira é capítulo de leitura obrigatório no interminável livro da MPB. Ela foi essencial na força comercial do gênero romântico, entre boleros, baladas e sambas-canções.

No livro "A Noite do Meu Bem", do escritor e jornalista Ruy Castro, onde numa bela narrativa ele traça um catálogo literário da música que dominou o Brasil e serviu de fonte para a Bossa Nova, Ângela tem lugar especial ao lado de outros ícones como Dolores Duran, Maysa, Dalva de Oliveira e Elizeth Cardoso.

Nas vesperais de sábado do saudoso cinema São José, vi Ângela Maria, Carmen Miranda, além de algumas beldades da Jovem Guarda. Lembro a cena de um filme de Mazzaropi, "Fuzileiro do Amor", onde ela canta cercada por marinheiros. O vestido branco, disse Ruy Castro, causava suspiros nos fãs.

Baixinha como Carmem Miranda (tinha só 1,50m), a cantora carioca foi gigantesca na cena musical de um tempo em que o rádio e a TV (e os discos de goma-laca e vinil) eram os melhores atalhos para o grosso da população se inserir no glamour das boates e dos teatros. Sua morte gera outras saudades.

           



28/09/2018
A luta do #NeleNão vs #NeleSim

As trocas de desaforo nas redes sociais entre seguidores de partidos e candidatos estão em altíssima combustão pornográfica. A batalha dos "likes" e "deslikes" no Facebook, YouTube, Twitter e Instagram instalou um clima de guerra fria doméstica: brasileiros do #NeleNão contra brasileiros do #NeleSim.

As duas hashtags se espalham na internet confrontando amigo versus amigo, irmão versus irmão, sulista versus sulista, nordestino versus nordestino, artista versus artista e fãs versus artistas. Em nome dos candidatos Bolsonaro e Haddad, cantoras, atrizes e outras celebridades viraram bandeiras eleitorais.

No aplicativo WhatsApp se multiplicam em velocidade exponencial os grupos em defesa desse e daquele candidato ou partido. Há quem não desvie o olho um minuto do celular para acompanhar ou alimentar as pendengas. Ontem, as duas hashtags ganharam cada uma uma quadrinha de cordel. Confiram:

#NeleNão

Voto na mãe de pantanha
nas kengas do calçadão
voto no Homem-Aranha
e até em Brinquedo do Cão
mas no fim dessa campanha
eu não voto NELE NÃO!

Sapirico dos infernos
subejo do cramunhão
malefício dos milicos
criador de confusão
e mesmo que haja gritos
eu não voto NELE NÃO!

Infeliz que é odiado
pelo povo da nação
vive sendo renegado
à escória e podridão
foi até esfaqueado
mas não voto NELE NÃO!

Filhote incompetente
da ditadura, da coação
querendo ser presidente
defende a segregação
pois eu grito veemente
eu não voto NELE NÃO!

(Jorge Eduardo)

#NELESIM

Meu é contra o PT
e a safadeza sem fim
é pra tirar do poder
esses safados tudim
para o Brasil se erguer
é que eu voto NELE SIM!

Pra derrotar a maldade
da bandalheira carmim
para que o roubo acabe
façamos todos assim
ninguém vota no Haddad
vamos juntos NELE SIM!

Chega de Lula ladrão
de Zé Dirceu rasputin
partido do mensalão
rouba mais que o Salim
contra a corrupção
é que eu voto NELE SIM!

Chega de patifaria
de ideologia chinfrim
lutemos por harmonia
apagando a estrela ruim
e votando com alegria
dia sete NELE SIM!

(Jorge Armado)



           



27/09/2018
Propaganda ilegal do PT

O Ministério Público Eleitoral e a Polícia Federal inicaram investigações sobre publicidade irregular do Partido dos Trabalhadores nos estados de Santa Catarina, Bahia, Rio de Janeiro, Piauí e Rio Grande do Sul. A maioria das peças de vídeo e material impresso destaca a figura de Lula, preso e inelegível por corrupção e lavagem de dinheiro.

No Rio Grande do Norte, as redes sociais mostram diariamente casos de propaganda ilegal na campanha do PT, onde aparecem filmes com Lula no horário eleitoral da candidata ao governo Fátima Bezerra e panfletos e santinhos da candidata a deputada federal Natália Bonavides com "Lula presidente".

           



27/09/2018
Pugilismo verbal no Rio de Janeiro

O deputado estadual e candidato ao senado pelo PSL carioca, Flávio Bolsonaro, partiu para o ataque mais duro ao seu oponente na disputa eleitoral, o senador Lindberg Farias, do PT, que tenta a reeleição e está em terceiro lugar nas pesquisas, atrás do próprio Flávio e do ex-prefeito César Maia.

"Te desafio a fazer um exame toxicológico para ver quem está limpo para disputar uma vaga ao senado", reagiu o deputado ao responder a uma postagem de Lindbergh no Twitter. Não é de hoje que candidatos da esquerda são convidados e desafiados a se abrir sobre o consumo de drogas ilícitas.

O petista, por sua vez, provocou o adversário afirmando que a campanha que faz ao Senado "só cresce e estamos empatados tecnicamente com o filho de Bolsonaro", para em seguida atacar: "Machismo, racismo, homofobia, intolerância, mais perda de direitos do trabalhador não podem chegar ao Senado."

A pendenga na cena política carioca envolvendo os dois candidatos é apenas uma página do livro da batalha entre o PT e o capitão que lidera as pesquisas no plano nacional. Por mais que a esquerda não aceite, o fato é que Jair Bolsonaro provoca hoje nas ruas do país o que Lula fez há alguns anos.

Após ser esfaqueado em Juiz de Fora, o candidato do PSL está há mais de duas semanas internado no Hospital Albert Einstein e viu sua campanha tomar proporções históricas, com multidões em todas as regiões assumindo a caça do voto, de forma espontânea, sem dinheiro de fundo partidário ou doações.

Sociólogos e analistas políticos estão fundindo a cuca para encontrar uma explicação sobre o fenômeno em que Bolsonaro se transformou. O cara só tem 8 segundos no horário de TV e rádio, mas mesmo assim se mantém preferido dos eleitores há meses, e tendo contra ele a crítica diária da grande imprensa.

Em São Paulo, seu filho Fábio está entre os cinco mais votados para deputado federal, derrotando nomes importantes e tradicionais do espectro partidário. No Rio, o outro filho, Flávio, está prestes a encerrar a carreira de Lindbergh Faria no Senado, numa perda considerável para a bancada histriônica do PT.

No pugilismo verbal da campanha no Rio, Fábio ameaça processar o petista na Justiça: "Você terá que provar que eu sou racista, homofóbico, etc, não vou deixar passar mais esse seu crime ileso. Seu delírio é livre, Lula não!" disse com ironia o filho de Bolsonaro.

Lindbergh, ainda não tocou no assunto do exame toxicológico. Aliás, quem na esquerda tem coragem de assumir a vida pregressa. Até um fino baseado do passado assusta os radicais do presente.

           



26/09/2018
Quarta gorda nos gramados

A bola vai rolar nesta quarta-feira nos principais campeonatos do mundo, com destaque para as semifinais da Copa do Brasil. Veja abaixo as opções de jogos e procure acompanhá-los, alguns serão transmitidos pela TV, outros pela internet através de aplicativos e sites especializados.

Copa do Brasil:

Corinthians x Flamengo
Cruzeiro x Palmeiras

Liga inglesa:

Arsenal x Brentford
Liverpool x Chelsea
Nothingham Fores x Stoke City
West Ham x Macclesfield
Tottenham x Watford

Liga italiana

Udinese x Lazio
Roma x Frosinone
Atalanta x Torino
Cagliari x Sampdoria
Genoa x Chievo
Juventus x Bologna
Napoli x Parma

Liga espanhola

Athletic Bilbao x Villarreal
Leganes x Barcelona
Sevilha x Real Madrid
Valencia x Celta Vigo

Liga francesa

Dijon x Olympique Lyon
Bordeaux x Lille OSC
Olympique Marseille x Strasbourg
Nimes x Guingamp
Amiens x Rennes
Caen x Montpellier
PSG x Stade Reims

           



26/09/2018
Galileu e sua carta de defesa

Ela foi procurada por muitos durante anos. Extraviada nos vastos arquivos da Real Sociedade Britânica, a mais importante entidade científica da história, ela foi praticamente esquecida e dada como perdida, menos para os pesquisadores. E eis que a revista Nature deu recentemente seu paradeiro.

Estou falando da carta do físico, filósofo e matemático florentino Galileu Galilei escrita em resposta às acusações da igreja católica contra ele no século 17. Foi encontrado o original da primeira carta, que desencadeou outras (na verdade artigos científicos) no processo de heresia que o condenou em 1633.

Na primeira resposta, Galileu repele as denúncias, defende suas descobertas astronômicas e confirma sua fé na teoria de Nicolau Copérnico (1473-1543) sobre a Terra girar em torno do Sol e não o contrário. Desde 1616, Roma rejeitava a tese copernicana e somente em 1983 concedeu perdão a Galileu.

A carta foi encontrada e analisada, segundo reportagem da revista Nature e testemunho do cientista Allison Abbot. Não foram revelados detalhes do conteúdo inteiro da carta, que só serão conhecidos na conclusão do trabalho, que terá publicação no boletim da Real Sociedade nos próximos meses.

Allison Abbot adiantou apenas que a análise revelou parte da estratégia de Galileu para evitar conflitos mais graves com o Vaticano. Afinal, ele debateu com a igreja, mas sem jamais renegar a doutrina católica. A forma da defesa das suas convicções evitou que fosse queimado como Giordano Bruno.

O que se tinha até agora eram sete páginas de parte das correspondências, iniciadas em 1613 e endereçadas ao matemático Benedetto Castelli, da Universidade de Pisa, defendendo a manutenção da pesquisa científica além dos dogmas religiosos e não vendo conflito entre Copérnico e a Bíblia.

O documento está cheio de alterações e supressões, e a análise indicou que foi o próprio Galileu quem fez. Não foi fácil distinguir esse texto original da versão conhecida em que sua queixa é baseada. O astrônomo suavizou a narrativa e devolveu para Castelli assim que o conflito ganhou gravidade.

Por trás da descoberta da carta há um fato que parece roteiro de filme juvenil. O jovem historiador italiano Salvatore Ricciardo procurou em bibliotecas inglesas citações das obras de Galileu, quando achou uma referência a uma carta enviada ao matemático Castelli em 1613. Aí viu que achou algo grande.

Ele começou a estudar o caso na Universidade de Bérgamo e depois comunicou à Real Sociedade, que agora - além da análise da carta - vai investigar o tempo em que está de posse do documento sem que ninguém nunca tenha percebido. Tudo indica que o texto de Galileu está lá há 300 anos.

           



24/09/2018
A operação da mídia contra Bolsonaro

A pouco mais de uma semana para as eleições, o mecanismo midiático lançou seu último e mais poderoso ataque contra a candidatura do capitão Jair Bolsonaro (PSL). Com a nova pesquisa Ibope, inicia-se o serviço criminoso de ludibriar a nação com a irrigação dos índices de votos da esquerda.

Apesar das multidões ocuparem as ruas em favor de Bolsonaro, as pesquisas irão tentar mostrar o contrário. O esquema de empresas de comunicação como Rede Globo, Folha, Estadão, Band, que controlam o noticiário nacional, farão crer que os candidatos esquerdistas Haddad e Ciro se aproximam para superar o representante do Exército.

A sociedade que rejeita a política tradicional e corrupta precisa entender que a grande imprensa é parte de todo o esquema imoral e delinquente que promove a roubalheira nos cofres públicos. A crise é obra deles todos. E eles sabem que Bolsonaro, como apoio do povo e das Forças Armadas, irá desmantelá-los.

O Brasil nesse momento não precisa de Bolsonaro para arrumar a economia do país, nem para implantar grandes projetos de infraestrutura, mas sim para acabar de uma vez com o império da mídia encastelada na verba pública de publicidade. É preciso desidratar a Globo, Folha, Estadão, Record, Band...

Depois disso, é varrer a esquerda do cenário eleitoral e político. Não acreditem no que dizem as pesquisas da imprensa imunda.

           



24/09/2018
O empoderamento despudorado

As redações esportivas da Pachecolândia estão saltitantes com o prêmio da FIFA para a jogadora Marta. Até aí, tudo bem. A brasileira derrotou suas concorrentes estrangeiras, duas delas bem mais favoritas do que ela. No geral, a imprensa considerou uma surpresa sua escolha.

Mas, o que é risível é a patriotada da imprensa boleira comparando os seis troféus da Marta com os cinco de Ronaldo e Messi. Uma comparação completamente inadequada, posto que não há a menor semelhança do futebol masculino com o feminino, nem existe paridade de talento entre os sexos. Fazer zoada verde-amarela no caso é imaginar que o tal empoderamento feminista vai derrotar o glamour do futebol masculino.

           



20/09/2018
O cordel é patrimônio cultural

Quatro versos em decassílabo para festejar a elevação da literatura de cordel a patrimônio nacional. O texto está também na minha coluna do jornal Agora, distribuído gratuitamente em toda a Natal e Grande Natal.

No país da corrupção sem freio
da política nojenta, de latrina
de partidos afundados na propina
e nas vãs ideologias de rateio
todo um povo vivendo no aperreio
a mercê do poder irracional
a miséria no paralelo e oficial
os valores lançados no bordel
ainda bem que a cultura do cordel
se tornou patrimônio nacional.

Não tá fácil a vida do brasileiro
enganado por todos os sabidos
na eleição são sempre iludidos
por alguns trocados de dinheiro
é chamado até de companheiro
pelo malandrão que lhe faz mal
se engana no discurso social
de algum comunista ou coronel
ainda bem que a cultura do cordel
se tornou patrimônio nacional

Hoje a vida não vale uma ruela
é sem graça o gosto da multidão
tanto lixo chamado de canção
como trilha na fossa da novela
no teatro, no cinema, é só balela
besteirol no debate digital
já não presta sequer o carnaval
a imprensa hoje é coisa de cartel
ainda bem que a cultura do cordel
se tornou patrimônio nacional

A república mambembe picareta
dominada por castas parasitas
os poderes nas mãos de sibaritas
e as leis aplicadas na mutreta
a censura disfarçada e careta
no politicamente correto e boçal
os bandidos na Polícia Federal
e nas ruas fazendo escarcéu
ainda bem que a cultura do cordel
se tornou patrimônio nacional.

 

           



20/09/2018
Bélgica e França empatam no ranking FIFA

Pela primeira vez na história do ranking da FIFA, duas seleções lideram empatadas. Na nova atualização, a Bélgica emparelhou com a França e agora ambas têm a mesma pontuação, 1.729 pontos.

A seleção brasileira manteve a terceira posição com 1.663, seguida pela Croácia que tem 1.634. A quinta posição é do Uruguai, a sexta da Inglaterra. E seguem, Portugal (7), Suíça (8), Espanha (9) e Dinamarca, a décima colocada.

           



17/09/2018
Os brinquedos do amor

Eis que o universo amoroso começa a se dividir entre as brincadeiras do sexo e o sexo de brincadeira. Uma coisa que há algum tempo poderia ser absurda ou própria das histórias de ficção científica tipo B, agora já é realidade na Europa, pelo menos nas cidades de Moscou, Barcelona e Turim.

Acabam de ser criados por lá bordéis onde as garotas de programa não são mulheres de carne e osso e sim de silicone, as já conhecidas "sexy dolls" (bonecas hiper-realistas) fabricadas principalmente no Japão e alguns países europeus como Rússia, Itália e Holanda. A marca Lumidolls inventou o bordel.

Na quarta-feira passada, a polícia de Turim invadiu a unidade local e fechou a partir do argumento sanitário, já que a casa não tinha algumas licenças para funcionar com a estranha natureza comercial e de lazer. De acordo com jornais europeus, a adesão às bonecas vem aumentando a cada semana.

A procura é tamanha que no bordel de Turim que as reservas que iam até janeiro do ano que vem já haviam esgotado antes da chegada da polícia. Em Moscou, o preço da brincadeirinha chega a 180 euros e quem ficar satisfeito pode comprar aa companhia e levar para casa. A Lumidolls está faturando.

Nos escritórios da empresa, que é uma das mais especializadas na fabricação das bonecas, já existem 160 pedidos para abertura de bordeis em diversas cidades da Europa. O anonimato dos clientes é garantido, mas alguns se empolgam tanto que acabam se revelando na própria divulgação do prazer.

A tecnologia das bonecas (há também bonecos) conta com silicone e termoplástico, equipadas até com um sistema que simula os batimentos cardíacos, que aceleram à medida que a atividade sexual aumenta. Nos quartos dos cabarés há banheiras e televisão com programação pornô.

O tempo de permanência no local é de meia hora a duas horas, variando entre 80 e 180 euros. A clientela é obrigada a acatar o código de ética e não danificar a mulher-objeto ou homem-objeto. Ao final da brincadeira, uma equipe faz tratamento de limpeza e higiene nas bonecas, que ficam prontas pra outra.

Os bordéis da Lumidolls funcionam até meia-noite. Falta saber o que acontecerá depois da intervenção policial em Turim. Mas em Moscou e Barcelona segue sem incidentes. Para a compra, as bonecas custam entre 865 e 1.731 euros, com opção de escolha da altura, cor da pele e dos olhos.

Na Europa, as encomendas levam em torno de 15 ou 20 dias para a entrega. Um usuário natalense que experimentou declarou que as garotas de silicone são lindas, macias e numa discrição enorme. Não há risco de falarem em empoderamento, nem fazerem mimimi por causa de Haddad ou Bolsonaro.

           



15/09/2018
Bolsonaro cresce em todas as regiões

A pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira pelo Jornal Nacional e pelo diário Folha de S. Paulo trouxe alterações nos índices dos cinco candidatos melhor colocados na disputa presidencial.

O líder Jair Bolsonaro subiu dois pontos e foi a 26%, o cearense Ciro Gomes estacionou nos 13% e agora está empatado com o petista Fernando Haddad que subiu quatro pontos e também tem 13%. O tucano Geraldo Alckmin caiu 1 ponto (tem 9%) e Marina Silva segue despencando, tendo agora 8%.

O dado mais significativo para a consolidação da liderança de Bolsonaro é que ele segue avançando em todas as regiões, liderando no Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte, e num empate técnico no Nordeste com Haddad e Ciro (os três cresceram).

O candidato que está internado há nove dias no Hospital Albert Einstein após sofrer atentado em Juiz de Fora, tem 36% das intenções de votos no Centro-Oeste, 33% no Sul, 29% no Norte, 28% no Sudeste e 17% no Nordeste.

Os números dos demais adversários por região estão bem abaixo, exceto no Nordeste onde Haddad tem 20% e Ciro tem 18%. Confira abaixo os percentuais de todos eles nas cinco regiões.

Ciro Gomes tem 12% no Sudeste, 9% no Sul, 18% no Nordeste, 10% no Centro-Oeste e 12% no Norte.
Fernando Haddad tem 10% no Sudeste, 9% no Sul, 20% no Nordeste, 11% no Centro-Oeste e 13% no Norte.
Geraldo Alckmin tem 11% no Sudeste, 11% no Sul, 7% no Nordeste, 7% no Centro-Oeste e 7% no Norte.
Marina Silva tem 9% no Sudeste, 5% no Sul, 8% no Nordeste, 8% no Centro-Oeste e 12% no Norte.

           



13/09/2018
O dom de se iludir

"Pra que mentir se tu ainda não tens esse dom de saber iludir...", cantou o poeta Noel Rosa em 1937, provocando 39 anos depois a leitura de Caetano Veloso em "Dom de Iludir", onde diz "Cada um tem a dor e a malícia de ser o que é".

Pois eis que na campanha eleitoral de 2018, o PT inventou um jeitinho maroto de se iludir e transferir essa ilusão à sua fanática militância. Juntou uma revista sem leitores, um sindicalismo sem caráter e um instituto sem moral para forjar uma pesquisa com o poste Fernando Haddad em primeiro lugar, com 22%.

Há muito que se sabe a função panfletária da revista Carta Capital, gerenciada pelo decadente Mino Carta (o mesmo que apoiou os militares em 64 e hoje é amigo do peito do Lula), um editor sedento de verbas publicitárias oficiais nos anos Dilma.

Nem precisa dizer o que é a CUT, a famigerada central sindical, antro de parasitas e militantes do PT disfarçados de trabalhadores. Nem também apresentar o instituto Vox Populi, cujo dono, Marcos Coimbra, é um dos tantos aloprados investigados nos escândalos de Lula e companhia.

A auto-ilusão tem sido uma nova marca do PT desde que Lula não conseguiu o velho fôlego da transferência de votos nas eleições para prefeito em 2016, quando a legenda não emplacou um só alcaide nas capitais e grandes cidades.

Após ser engaiolado na Polícia Federal por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula permaneceu iluminando com trevas a mente doentia dos petistas, agora liderados por uma primeira-dama delirante e doidivanas que se esgoela por aí tentando vender como multidões os grupelhos de fanáticos enxertados por delinquentes do MST e outras gangues do gênero e de gênero.

Recentemente, uma pesquisa Datafolha mostrou o atual poder de votos do chefão do crime. Na aferição espontânea, Lula só tem 9%, equivalente ao voto estimulado de Haddad, o novo poste a vestir a fantasia já esfarrapada por Dilma. Nos últimos dias, todas as pesquisas apontaram que o candidato plano B e caixa 2 tem a chance de superar Marina Silva na disputa pelo quarto lugar.

Mas o PT alimenta a ilusão da militância com a pesquisazinha fajuta da CUT e da Carta Capital, parodiando as canções de Noel e Caetano que tratam do velho dom de iludir. Aliás, a ilusão petista já é tão visível que o próprio Caetano Veloso, que andava por aí com Chico Buarque em palanques gritando "Lula livre", já se bandeou para o discurso de Ciro Gomes, o cearense que promete almoçar Haddad antes que o paulistano jante o povo, como fez a gaúcha-mineira Dilma.

           



12/09/2018
Para sempre Octavio Paz

No livro O Arco e a Lira, de 1955, o poeta mexicano Octavio Paz cantou no poema Entre Partir e Ficar: "Dissipa-se o instante / sem mover-me / eu permaneço e parto / sou uma pausa". Reeditado em 1967, o livro foi bilhete para a entrada de Paz nas estantes dos compositores tropicalistas brasileiros.

Meu primeiro contato com sua poesia (ele interpretava como distintos poema e poesia) foi exatamente numa edição desse livro, lançado pela Nova Fronteira em 1984. Comprei na histórica Livraria Brasiliense, no Tatuapé, onde costumeiramente passava para pegar as boas edições da revista Leia Livro.

Agora que faz vinte anos da morte de Octávio Paz, andei mirando outra vez o velho livro, que na verdade adquiri porque naqueles anos de saudade de casa gostava de pensar no fato - de importância exclusivamente minha - de que o poeta era contemporâneo do meu pai, ambos nascidos no ano de 1914.

O contato com o exemplar de mais de trinta anos me levou a fazer buscas sobre o autor na internet, onde descobri que no recente dia 26 de julho faleceu sua viúva, a francesa Marie José Tramini, e sua morte está gerando uma grande operação de transformação do legado de Paz em patrimônio nacional.

O poeta, que morreu em 1998 (oito anos após ganhar o Nobel de Literatura) deixou um testamento com ordem de só ser obedecido após a morte da sua esposa e musa. Marie, por sua vez, não fez testamento nenhum. Paz queria que o Colégio Nacional fosse depositário dos seus papeis e documentos.

Fundado e formado por cientistas, artistas e escritores, a entidade deverá administrar a biblioteca, os originais, os rascunhos, as cartas e toda a documentação do acervo de Octavio Paz. Já os imóveis e outros objetos do casal deverão ter outro destino, segundo diz a Secretaria de Cultura do México.

Há poucas semanas, entidades culturais mexicanas se reuniram com o objetivo de discutir o legado do poeta e trata-lo como patrimônio cultural do país. Três instituições estão tocando a operação: Secretaria de Cultura Federal, Instituto Nacional de Belas Artes, Conselho Jurídico Municipal e Colégio Nacional.

Octavio Paz e Marie José se conheceram em Nova Delhi, Índia, em 1962. Ele se apaixonou, mas ela era uma jovem artista já casada. Quando a procurou em Paris, o amor foi correspondido durante um debate sobre a obra de Balzac. Em poucos dias, ela estava separada e voltando para a Índia com o poeta.

A notícia da morte de Marie e das providências do traslado do legado de Paz remetem ao poema que abre esse artigo. Há esse instante que se dissipa na ausência física do poeta e sua musa, mas há também sua poesia a mover-se como patrimônio de todos. Permanecendo e partindo, sua poesia é pausa que não cessa.

           



11/09/2018
Bolsonaro segue líder em nova pesquisa Datafolha

O Jornal Nacional da TV Globo divulgou na noite da segunda-feira uma nova rodada de pesquisa do Instituto Datafolha. Tanto Folha quanto Globo dizem que a pesquisa é uma nova e não a que foi suspensa semana passada.

O candidato do Jair Bolsonaro (PSL) manteve a liderança que tinha na última aferição do dia 21 de agosto, subindo dois pontos e chegando a 24%. Ele é seguido por Ciro Gomes (PDT) que tem 13%, Marina Silva (Rede) com 11%, Geraldo Alckmin (PSDB) com 10% e Fernando Haddad (PT), com 9% das intenções de voto. Os quatro estão empatados tecnicamento em segundo lugar.

Os candidatos Alvaro Dias (Podemos), João Amoêdo (Novo) e Henrique Meirelles (MDB) alcançaram 3% das intenções. Guilherme Boulos (PSOL), Vera (PSTU), Cabo Daciolo (Patriota) atingiram 1%. João Goulart Filho (PPL) e Eymael (DC) não ponturaram. Os votos branco e nulos somaram 15%, enquanto não sabe/não respondeu foram 7%.

           



11/09/2018
A freira e o diabo

Aconteceu há 342 anos, num convento italiano. Uma freira chamada Maria Crocifissa della Concezione disse ter sido possuída pelo demônio durante uma noite, enquanto dormia, e quando acordou estava com o corpo coberto de tinta e tendo ao lado centenas de páginas escritas num estranho idioma.

O convento era em Palma di Montechiaro, na Sicília, onde a freira vivia desde os 15 anos. O caso veio à tona numa manhã de 1676 e a história se alastrou pela comunidade e vizinhança, compondo uma lenda com pitadas de maldição, mas com a devida coleção de cartas que teriam sido ditadas pelo próprio diabo.

O material ficou preservado e durante os três séculos jamais foi decifrado, até que um grupo de pesquisadores do Centro de Ciência Ludum, na Itália, se debruçou sobre os muitos rascunhos e diz ter traduzido sua mistura bizarra de letras que sugere alfabetos arcaicos e extintos. A mídia aguarda detalhes.

Para interpretar os escritos, os cientistas utilizaram um software que descobriram navegando na "Deep Web", a internet obscura onde as leis do bom senso, da ética e da moral não existem, a cyber profundeza habitada por golpistas, traficantes, terroristas e pedófilo, segundo o que se diz no mundo de cá.

Um dos estudiosos disse ter ouvido falar do software a partir da informação de que este era muito usado por agentes de inteligência que se infiltram na "Deep Web" à procura de criminosos. Assim, o grupo preparou um sistema com os alfabetos grego, árabe, rúnico e latim, segundo reportagem do The Times.

Declaração da diretora do centro científico, Danielle Abate, dá conta de que uma das páginas da freira Maria Concezione descreve a trindade cristã (Deus, Jesus e Espírito Santos) como figuras mortas-vivas, como os zumbis. Um rascunho diz "Deus pensa que pode libertar os mortais, mas isso não funciona assim".

Outro texto cita o Rio Estige, situado no Tártato (profundezas de Hades, o inferno na mitologia grega) e destaque na Divina Comédia, obra imortal de Dante Alighieri, onde as almas são levadas pelo barqueiro Caronte. O rio separava o reino dos vivos do submundo dos mortos.

Apesar do mistério revelado depois de três séculos, os pesquisadores não acreditam que Maria tenha sido possuída por forças místicas. A doutora Danielle Abate acha que ela foi acometida de um surto esquizofrênico, e como tinha domínio dos idiomas, inventou o código e o diálogo noturno com o demônio.

           



10/09/2018
Jogos de hoje e amanhã na Liga das Nações

Portugal x Itália
Suécia x Turquia
Escócia x Albânia
Sérvia x Romênia
Montenegro x Lituânia
Andorra x Cazaquistão
Malta x Arzebaijão
Kosovo x Ilhas Faroe

TERÇA-FEIRA

Islândia x Bélgica
Espanha x Croácia
Bósnia x Áustria
Finlândia x Estônia
Hungria x Grécia
Moldávia x Bielorrússia
San Marino x Luxemburgo

           



10/09/2018
Começa a cair rejeição de Bolsonaro

A nova pesquisa do Instituto Datafolha será divulgada nesta segunda-feira à noite, no site do jornal Folha de S. Paulo, no portal UOL e no Jornal Nacional da TV Globo. O campo foi realizado no final de semana e mostrará a primeira aferição após o atentado que vitimou o candidato Jair Bolsonaro, do PSL.

Algumas redações, como a do portal O Antagonista, já estão adiantando que a pesquisa mostrará o crescimento da intenção de voto em Bolsonaro, que estaria com 30%, e também uma queda vertiginosa de Marina Silva, da Rede. O candidato Ciro Gomes (PDT) teria se cristalizado no segundo lugar.

Hoje também já circula na internet e nas redes sociais uma pesquisa do banco BTG-Pactual, que mostra Bolsonaro com o dobro da preferência de Lula na pesquisa espontânea. Eles teriam 26% e 12% respectivamente. 

Na aferição estimulada, Bolsonaro lidera com 30%, seguido por Ciro com 12%, tendo Marina, Alckmin e Haddad todos com 8%. Os candidatos João Amoedo (Novo), Álvaro Dias (Podemos) e Henrique Meirelles (MDB) têm 3%. Enquanto Boulos (Psol) e Daciolo (Patriota) estão com 1%.

           



10/09/2018
Liga das Nações reúne a nata da Europa

Menos de dois meses após a Copa do Mundo da Rússia, o mundo está outra vez diante de grandes jogos, agora na recém-criada Liga das Nações da UEFA, reunindo as seleções da Europa. Na estréia, os fãs do futebol-espetáculo já tiveram o duelo França x Alemanha. Os jogos estão sendo transmitidos no Brasil pelo canal TNT, disponível nas maiores operadoras de TV e por aplicativo.

           



06/09/2018
Jair Bolsonaro contra os merdas

No dia 22 de junho de 1941, as tropas nazistas invadiram a União Soviética. Vinte dias depois, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill propôs ao presidente russo Joseph Stálin um tratado de aliança com o objetivo específico das duas nações combaterem juntas o terror do Terceiro Reich.

Diante da parceria sugerida por Churchill, setores da oposição no Parlamento e também da imprensa questionaram tal aproximação com um ditador comunista afamado por executar divergentes internos. O velho sábio respondeu: "Se Hitler ameaçar invadir o inferno, eu me alio imediatamente com o demônio".

Nos rebeldes anos 1960, quando as chamas das barricadas de Paris se espalharam pelo mundo, os ideólogos marxistas perceberam a potência revolucionária dos estudantes, e logo a esquerda se aproximou de todas as rebeliões juvenis, inclusive assimilando o rock, o sexo livre e as drogas.

Não demorou e os movimentos comunistas na América Latina se juntaram à Guerra do Vietnã como preocupações imediatas de Washington, levando o establishment da Casa Branca e do Pentágono a iniciar uma contraofensiva. Do Brasil ao Equador, Che Guevara já ameaçava Elvis Presley em culto.

A providência mais adequada para evitar uma total adesão da juventude latina aos partidos de esquerda partiu do setor de inteligência, especificamente da CIA, que elaborou ações estratégicas com alcance na cena cultural do continente que estimulava a simpatia e adesão ao movimento hippie.

Com a eclosão dos atos terroristas da esquerda, dos focos de guerrilha urbana que englobavam assaltos a bancos e sequestros de personalidades, os homens da CIA e também do FBI justificavam a contemporização com o mundo lisérgico afirmando que "era melhor um jovem ser hippie do que guerrilheiro".

Os dois episódios acima, sobre Churchill e a CIA, representam uma ação tática de fator preventivo contra o mal maior, contra o inimigo mais venal. Lênin tinha a tese do companheiro de viagem, ilustrada num vagão de trem onde dois estranhos se tornavam amigos de percurso, mas só até o fim da jornada.

A eleição presidencial no Brasil tem hoje uma única alternativa com chances futuras de enfraquecer a esquerda, principalmente PT, PCdoB, Psol e PSTU, que se chama Jair Bolsonaro. Não tem um grande perfil para administrar o país, nem bagagem de conhecimentos; mas é inimigo dos comunistas.

A vitória de Bolsonaro nas urnas, interrompendo décadas de governos esquerdistas e centro-esquerdistas, é essencial para que em quatro anos de poder a conjuntura favorável aos aloprados se desmanche, perca a periculosidade em relação à imposição de pautas escrotas e escatológicas.

Quando algum amigo refuta o voto em Bolsonaro, dizendo que ele é uma merda, evito maiores debates dizendo que entre a grande merda que é a esquerda, o capitão é a merda disponível com menor fedor e sujeira. Só Bolsonaro é capaz de enfrentar pra valer o futuro de merda que o PT planejou.

           



06/09/2018
O super-herói jornaleiro

Saiu, enfim, o primeiro teaser trailer do filme do Capitão Marvel, que vem com o título de Shazam, outro nome do personagem a partir da sigla que quando pronunciada concede poderes ao garoto Billy Batson. É a união das primeiras letras de seis entidades: Salomão, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio.

O leitor pode assistir agora a peça de divulgação na capa do Galo Informa. Aos antigos fãs do super-herói, informo que o filme vem todo baseado na história da origem dos poderes, e que foi tema da revista número 1 que a Ebal publicou no Brasil em setembro de 1973.

Aos fãs da nova geração, aviso que apesar do nome Capitão Marvel, nada há em relação aos estúdios responsáveis pelos Vingadores e outros heróis da Marvel. Shazam é a segunda figura voadora da DC Comics, criada em 1939 no rastro do Superman (1938) e no mesmo ano do surgimento do Batman.

Era tão evidente, e assumidamente escancarada a referência do Superman na criação da dupla C. C. Beck e Bill Parker, que mais de trinta anos depois do lançamento, a revista do Shazam chegou no Brasil com uma capa em que a imagem do herói de Kripton se destacava apresentando o seu semelhante.

Nas imagens que ilustra este artigo, com a capa e as páginas da edição de 73 (além do ator Zachary Levi que encarna o herói no filme), o leitor poderá comparar com o trailer lá no site para conferir a fidelidade do diretor David Sandberg com a aventura de estreia na revista em quadrinhos da velha Ebal.

Na assumida inspiração do Superman, até o ambiente jornalístico foi mantido, com as figuras de Clark Kent e Billy Batson trabalhando em jornais, dissociados nas funções, já que o primeiro é um repórter e o segundo é um gazeteiro. Para quem não sabe, Capitão Marvel foi pioneiro como super-herói no cinema.

Em 1941, quando Batman, Mulher Maravilha, Namor e Capitão América nem tinham fãs clubes como o Superman, o garoto que se transformava num adulto poderoso ganhou uma série de 12 episódios exibidos ao final das sessões de cinema, com o ator Tom Tyler (assíduo nos faroestes) de protagonista.

Aventuras da velha série ainda podem ser vistas nos canais do YouTube, assim como uma outra produção da rede CBS que foi ao ar entre 1974 e 1977, com exibição posterior no Brasil através do SBT. Nos anos 1950, quando Superman ganhou a segunda série, os dois heróis se esbarraram na Justiça.

Acusado de plágio pela editora National Comics (atual DC), Shazam foi aos poucos perdendo a casa em que nasceu, a Fawcett Comics. Mesmo após se mudar para a DC, a rivalidade com o Superman permaneceu no imaginário dos leitores de HQ, ao ponto da revista Mad publicar uma batalha hilária em 1953.

A verdadeira briga nos quadrinhos só veio em 1979, na edição 58 da revista americana All-News Collectors Edition. O título "Superman vs Shazam" foi reproduzido no Brasil em 1980 numa edição da Ebal. Essa briga deverá continuar, pois já há quem diga que o filme que estreia em 2019 é o melhor da grife DC, superando todos os do homem-de-aço. Será?

           



Veja o video:

03/09/2018
Veja o trailer legendado de Shazan

           



03/09/2018
Nas cinzas da História

"Triste constatação
o Rio já tava morto
hoje foi a cremação
"

Entre estupefação e ira, cometi o hai-kai para resumir o quadro de degradação do Rio de Janeiro, a nossa Marvel City que só continua linda vista de cima, na janela de um avião, ou nas imagens dos tempos de glamour e paz. O fogo provocado pelo descaso alastrou tão rápido quanto a insensatez pública.

Das 19h30 às 21h da noite de domingo, as labaredas engoliram 200 anos de história no Museu Nacional, primeira instituição científica do país e referência mundial. Havia múmias egípcias, artefatos de Pompeia, e nosso primeiro fóssil humano. Após milhares de anos no ventre da terra, sumiram em minutos.

O incêndio foi a materialização da nossa desgraça cultural e tecnocientífica, que vem morrendo à míngua há décadas, pela indiferença de governos em série. Não há inocentes no meio das cinzas do Palácio de São Cristovão, como já não houve nos sinistros anteriores que levaram pedaços de nossa gente.

O filósofo e poeta simbolista francês, Paul Valery, disse que "os livros têm os mesmos inimigos que o homem: o fogo, a umidade, os bichos, o tempo e o próprio conteúdo". Na verdade, no caso brasileiro, a cultura num todo tem por aqui apenas um inimigo: o homem público, o político escroto e mau caráter.

O Museu Nacional vinha se deteriorando faz tempo, alvo desse inimigo, que (data vênia Paul Valery) não planeja nem pensa cultura fazendo prevenção de incêndio, contendo a umidade, afastando bichos, observando a interferência do tempo e zelando pelo conteúdo. Todos os governos são culpados da tragédia.

No Brasil há bilhões de reais destinados a um famigerado fundo partidário que financia a farra eleitoral dos partidos. Há verbas generosas e graciosas para artistas vagabundos, para atos escatológicos travestidos de projetos artísticos. Não faltam uns milhõezinhos para mentes vaidosas mascaradas pela prática científica. E há até gastos para formar militantes políticos em universidades.

Pior é ver durante a consternação nacional mensagens cínicas de quem nada fez pela cultura quando teve chances. No Twitter, o palerma presidente da República postou que a perda era incalculável, que não se podia mensurar os danos do prédio histórico. Ora, Michel Temer! Não se calcula é sua cretinice.

Por outro lado, a cínica senadora Gleisi Hoffmann latiu a baboseira de que o museu foi vítima do golpe da turma do austericídio, dos tucanos e de Bolsonaro. Esqueceu que ela era chefe da Casa Civil quando Dilma cortou verbas da UFRJ a partir de 2013, provocando o fechamento do museu em 2015.

Há pouco tempo se comemorou os 200 anos do Museu Nacional, numa grande cerimônia que não apareceu nenhum político. Numa entrevista à GloboNews, o sub-diretor da entidade confirmou que Juscelino Kubitschek foi o único presidente eleito a visitar o local, em 1958. E ainda ironizou: "os presidentes militares vieram".

De José Sarney a Michel Temer, todos os canalhas que nos governaram serviram de combustão para o fogo da insensatez política que reduziu a cinzas o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista

           



02/09/2018
O preço do fundo partidário

Além de já ser um absurdo financiar partidos e candidatos com dinheiro público, agora o famigerado fundo que canaliza a grana para os diretórios partidários está provocando o maior cu de burro na campanha eleitoral, em diversos estados.

Tem sido difícil evitar desentendimentos entre candidatos e dirigentes na distribuição do quinhão que é transferido pelos diretórios nacionais para os regionais.

           



02/09/2018
Mais de 70% sem candidato a governador

A FIERN publicou neste domingo mais uma pesquisa do Instituto Certus, a terceira de uma série de cinco aferições contratadas via concorrência onde participaram outros dois institutos de Natal.

No questionário mais relevante, com pergunta espontânea sobre a preferência para governador do estado, a soma de "Nenhum" e "Não Sabe" atinge 70,35% contra apenas 12.26% da soma de todos os candidatos.

Na aferição espontânea, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, a candidata do PT, Fátima Bezerra, tem 32,84%; seguida de Carlos Eduardo Alves (PDT) com 15,74% e o governador Robinson Faria (PSD) com 8,37%.

A disputa para o Senado apresenta uma indiferença do eleitor ainda maior do que a de governador. O capitão Styvenson (Rede), tem 10,85%, empatado tecnicamente com Garibaldi Filho (MDB) que tem 10,39%. A seguir vem Zenaide Maia (PHS) com 8,48%, Geraldo Melo (PSDB) com 7,41% e Antonio Jácome (Podemos) com 3,65%.

           



02/09/2018
Sempre nascem estrelas

1937. Imaginemos a coluna "Palco e Estrelas", no jornal A República, anunciando mais um grande sucesso do cinema americano sendo exibido na tradicional "sessão das moças" na tela do sofisticado Royal Cinema. Em cartaz, Nasce uma Estrela, protagonizado pela dupla Janet Gaynor e Fredric March.

No roteiro, a busca de uma jovem chamada Esther que sonha conquistar espaço em Hollywood e na Broadway. Com uns trocados juntados pela avó, ela vai para a cidade do cinema e tenta um emprego de figurante. Numa primeira saída na noite, conhece seu ídolo, o ator Norman Maine, já decadente.

Muitas donzelas e senhoras natalenses devem ter lacrimado com a relação de Esther e Norman; ele tentando colocá-la nas telas enquanto sua fama se desmancha no alcoolismo que já não controla. O título do filme está diretamente ligado ao fato de que ela se torna estrela no apagar dele.

1954. Talvez a versão do original dirigido em 37 por William Wellman tenha chegado em Natal somente em 1955. Na releitura do diretor George Cukor, ele juntou dois queridinhos do público no mundo inteiro: a atriz Judy Garland e o ator James Mason. O Cine Rio Grande lotou na estreia de Nasce uma Estrela.

Mais uma vez, como 17 anos atrás, muitos natalenses viram o drama da sonhadora que galga a fama na companhia de um astro tomado pelo vício em álcool. O estrelato alcançado por Esther (nome artístico Vicki Lester) é abalado pelo desequilíbrio emocional do marido. Aí está o que dá dramaticidade à fita.

1976. O clima natalino envolvia o Grande Ponto com as vitrines decoradas e o cheiro de caju nas calçadas. Aos 17 anos, poucos dias antes gastei uns trocados na compra do almanaque da Ebal, que juntava numa só edição os super-heróis Superman, Shazan e Batman. Agora, eu queria ir ao cinema.

No cartaz envidraçado do Cine Nordeste, a grande foto em tonalidade sépia de Bárbra Streisand e Kris Kristofferson se beijando. Ambos reencarnando o velho clássico Nasce uma Estrela, desta feita dirigido por Frank Pierson, que naquele mesmo ano ganharia um Oscar de roteiro original por Um Dia de Cão.

O casal do drama agora se chamava Esther Hoffman e John Norman Howard. Obviamente a nova versão tinha elementos tecnológicos e financeiros para dar dimensão maior ao fator emocional da plateia. Outra força do filme foi a trilha sonora, que logo alavancou um LP de Barbra e reafirmou o talento de Kris.

2018. Vale a pena aguardar o lançamento por aqui, não mais nos cinemas de rua e sim de shoppings, a quarta narrativa de Nasce uma Estrela, primeiro longa-metragem dirigido pelo ator Bradley Cooper que acumula a função de protagonista contracenando com a cantora Lady Gaga, estreante nas telas.

O casal agora se chama Jackson Maine e Ally, envolvido no mesmo drama original mas envolto numa pegada mais forte, sem romantismo flor de laranja, colocada por Cooper, que dirigiu sozinho a partir de um roteiro que dividiu a feitura com Eric Roth e Will Fetters. Foi aplaudido no Festival de Veneza e considerado pela mídia um nocaute emocional. Que venha a estrela Gaga!

           



31/08/2018
O legado de Onã e a moral

Morrer aos 17 anos, ficar cego antes dos 30, gerar um balaio de milacrias nas genitais e contaminar até a saúde do coração. Tais coisas seriam as consequências, os riscos reais, para aqueles que se tornam devotos de Onã, o neto de Jacó que provocou o termo onanismo, sinônimo da masturbação.

Eu disse "seriam" porque só são, pelo menos, para um estranho manual publicado na França em 1830 e que traz na capa o enigmático título "Livro sem Nome", como que referindo "en passant" ao gesto do "coitus interruptus" de Onã na relação com Tamar, a irmã viúva do seu irmão, como conta o Gênesis.

O manual narra em pequenos cartazes, chamados de selos, a desventura de um jovem solitário em Dakota do Sul (EUA) numa cruzada (trocadilho involuntário) constante que se torna letal, onde ele entra numa espiral de decadência física. O ato é comparado aos grandes vícios químicos da época.

Aqueles tempos do século 19 ainda eram bastante influenciados pela moral de décadas anteriores e mantinham em evidência os discursos religiosos e médicos que apontavam a velha e popular punheta como uma degeneração do corpo e uma perdição da alma. Os guardiões da moral só pensavam naquilo.

A Era Vitoriana, por exemplo, produziu muitas lições didáticas condenando a masturbação e dando dimensões apocalípticas aos danos físicos, ao enorme número de doenças provocadas, e, principalmente, à condenação da alma por um pecado que, apesar de não enquadrado nos mortais era quase isso.

Já no alvorecer do século XX, o ato de fazer justiça ao prazer com as próprias mãos passou a ser combatido com argumentos científicos, através de gravuras que ilustravam consultórios médicos. Nas escolas, havia caças aos meninos assanhados, candidatos a contrair "oftalmia espermotréica", a cegueira.

O velho e hoje esquecido manual francês passou a insignificância com o avanço dos estudos psicológicos, a força de uma literatura emergente nos chamados anos perdidos e os primeiros indícios da revolução sexual que explodiria nos anos 1960. Some-se a tudo os conceitos da psicanálise.

Das personalidades com peso na formação de uma consciência coletiva, Sigmund Freud foi o primeiro a usar uma visão não condenatória e apontar argumentos racionais e biológicos. Chamou de um grande hábito oriundo de uma necessitava primitiva. E influenciou outros doutores em torno dele.

O psiquiatra de origens austríaca e ucraniana, Wilhelm Stekel, que colaborou com Freud vários anos, publicou em 1920 o livro Impotência Masculina, onde aborda perturbações psíquicas na função sexual, mas absolvendo a masturbação da acusação de causa de doenças físicas ou psicológicas.

Os anos 1960 e 1970, que provocaram profundas mudanças no comportamento humano, nos campos político, social, cultural e sexual, inseriram a masturbação no cenário da fantasia erótica, dissolvendo a sombra de preconceito e pecado. A via solitária emplacou na mão e contramão.

Se duas décadas antes o poeta James Joyce já tinha enaltecido a serventia do ato, lembrando que "estava sempre à nossa mão", o cineasta Woddy Allen ilustrou apelando para ninguém desprezar, já que era "fazer sexo com a pessoa que você mais ama". Minha geração viveu a tara nas revistas, com coelhinhas e estrelas de cinema capazes de cegar a gota serena.

           



28/08/2018
Pedro Dirceu Caroço

O ano de 1975 começou com o presidente da República Ernesto Geisel nominando e nomeando os governadores dos estados (eleição direta só viria em 1982) e planejando com seu chefe da Casa Civil, general Golbery, uma abertura "lenta, gradual e segura" para uma retomada democrática no Brasil.

Ao entregar a Golbery do Couto e Silva as rédeas da abertura, Geisel unia sua intenção de amenizar o extremismo do regime (que combatia o extremismo da esquerda) à confiabilidade que seu principal auxiliar oferecia aos setores democráticos, tais como o MDB, o PCB e os movimentos operários de SP.

Naquele ano, o sindicalista Luiz Inácio da Silva dava os primeiros passos para se tornar Lula elegendo-se presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, contando com o apoio de trabalhadores e patrões, e tendo o auxílio tático e clandestino de Golbery e dos empresários Wolfgang Sauer e Mário Garnero, da Volks.

A abertura de Geisel seguiu em frente até o fim do seu governo, ganhando até um programa na TV Tupi, batizado de Abertura e apresentado por Gláuber Rocha, que malgrado a cara feia dos leninistas entrevistou Golbery e o chamou de "gênio da raça". A esquerda batizou o general como "bruxo da ditadura".

Em 1975, muita gente ainda estava exilada fora do país - a maioria retornaria a partir de 1979 quando Geisel assinou a anistia "ampla, geral e irrestrita". Mas um ex-líder estudantil acusado por terrorismo achou por bem voltar de Cuba naquele primeiro ano do quarto presidente militar. E foi se instalar no Paraná.

O mineiro José Dirceu de Oliveira e Silva, então com 29 anos, fez plástica em Havana e entrou na cidade de Cruzeiro do Oeste com a nova identidade de Carlos Henrique Gouveia de Mello. As duas primeiras providências foram arrumar jeito de ganhar dinheiro e encontrar uma companheira pra recomeçar.

Botou o olho em Clara Becker, uma viuvinha de 34 anos que administrava uma loja de roupas. Naquele ano, as rádios do país tocavam o sucesso de Genival Lacerda, "Severina Xique-Xique", composição de João Gonçalves, poeta de Campina Grande muitas vezes censurado pelas letras de duplo sentido.

A letra cantava, "Pedro Caroço, filho de Zé Fagamela, passa o dia na esquina fazendo aceno pra ela; ele tá de olho é na boutique dela". O enredo da canção, com a dona da boutique sendo paquerada, caiu como uma luva. Os moradores de Cruzeiro do Oeste apelidaram o tal Carlos Henrique de "Pedro Caroço".

Escondido no interior paranaense, Dirceu ouviu e leu as notícias sobre a morte de Lúcio Flávio, o bandido mais procurado e charmoso do Rio de Janeiro. E lembrou de quando atiçava estudantes nas ruas paulistanas. Naquele 1975, poderia ter lido o livro "Vigiar e Punir", lançado pelo filósofo Michel Foulcaut.

Pensando na reconstrução, ensaiando vida com Clara, cabia melhor a leitura de "A Família Constrói o Mundo", lançado em São Paulo pelo arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns. Afinal, até o maluco Raul Seixas casaria em 75 cantando ironia contra moderninhos: "mas pra eles é careta se alguém falar de amor".

Em 2018, no dia 4 de setembro, em plena Semana da Pátria, o mentor petista lança "Zé Dirceu - Memórias", que escreveu numa cadeia do mesmo Paraná onde buscou refazer o caminho da militância delinquente travestida de revolução. Fala das decepções com Lula e insulta ministros do Supremo.

Uma das mágoas tem dosagem de ciúmes; quando Lula o substituiu por José Genoíno no discurso da festa da vitória, em 2003. No documentário Entreatos, que João Moreira Salles fez durante a campanha, fica claro que Dirceu era o único com ascendência sobre o presidente. Era outra vez o "Pedro Caroço".

           



27/08/2018
Silêncio nada inocente

Curo ressaca me deitando de frente para a televisão, fazendo cansar os olhos na leitura das legendas de algum filme. E quando a ressaca me traz a insônia, busco retomar o sono do mesmo jeito. Quebrantar as pálpebras e cansar os olhos são partes do moto contínuo das noites de ressaca e insônia, invariavelmente com um filme no meio.

Na madrugada da quinta-feira passada, revi O Silêncio dos Inocentes, com Anthony Hopkins e Jodie Foster, disponível no serviço de streaming da Amazon, o Prime Vídeo. A escolha teve motivação dupla, primeiro por um fato recente, segundo pelo ano de lançamento do filme, 1991, quando lancei meu primeiro livro.

Explico: circulou nas redes sociais um flyer sobre a referência no cartaz oficial de uma arte de Salvador Dali na borboleta que cobre a boca de Foster. E quando lancei meu livro em abril de 91, viajei dois ou três meses depois para um fim de semana em Recife e assisti a estreia de O Silêncio dos Inocentes, num shopping.

É um dos grandes thrillers de terror psicológico, baseado no livro de 1988 do escritor Thomas Harris, o criador do personagem Hannibal Lecter e autor de outros romances que geraram filmes, como Domingo Negro (1975) e Dragão Vermelho (1981). Com direção de Jonathan Demme, o filme narra o difícil diálogo da agente do FBI Clarice Starling com o perigoso prisioneiro Hannibal Lecter.

O Silêncio dos Inocentes foi marcante pelas interpretações de Hopkins e Foster, que impuseram o clima de sutil violência - nas falas dele - e pavor - no olhar dela - além da própria trama do bem construído roteiro fiel ao romance de Harris. Mas há um fato que foi essencial para estabelecer a brilhante interlocução da dupla, digna das duas estatuetas do Oscar que cada um levou em 1992.

Aqueles espetaculares gestos e olhares que consagraram a tensão do relacionamento da agente com o psicopata teve o luxuoso auxílio de Anthony Hopkins, que foi magistral em fugir do script para dar a Jodie Foster a capacidade de superar o nervosismo e construir a essência psicológica do seu pergonagem.

Anos depois do filme, ambos revelaram em entrevistas distintas que na primeira cena em que Hannibal e Clarice ficam frente a frente, o ator surpreendeu todos repreendendo a atriz como se não houvesse ainda iniciado a filmagem. Conhecendo o histórico pessoal de Jodie, ele a chamou de caipira, zombou do sotaque sulista, e, antes que ela perdesse o rumo, fez olhares para que entendesse a jogada.

Jodie Foster nunca deixou de agradecer e elogiar o improviso de Anthony Hopkins que a fez encarnar perfeitamente a assustada e ao mesmo tempo determinada Clarice Starling, a jovem policial que caçou um assassino em série com a ajuda dos conselhos e dicas de um dos mais aterradores psicopatas da história do cinema.

           



24/08/2018
Miscigenando o homo sapiens

Os denisovanos são, junto com os neandertais, os parentes extintos mais próximos dos seres humanos, segundo ficou comprovado numa nova pesquisa realizada na Alemanha após análises dos restos de um indivíduo que teria sido fruto da relação entre ambas as espécies. O estudo foi publicado na Nature.

Os cientistas envolvidos na investigação dos restos mortais já sabiam por estudos anteriores que os neandertais e os denisovanos teriam tido filhos em algum momento histórico, mas nunca imaginaram que poderiam ter a sorte de encontrar elementos apontando uma descendência real dos dois grupos.

De acordo com reportagens publicadas ontem na Europa após a divulgação da revista Nature, a descoberta se constitui na primeira prova direta do encontro sexual entre os dois remanescentes do homo sapiens. O achado foi graças a um pequeno fragmento de osso, com dois centímetros de largura.

Isso permitiu aos pesquisadores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, situado na cidade alemã de Leipzig, analisar parte dos restos mortais. "O fragmento fazia parte de um osso e por ele podemos estimar que o indivíduo tinha 13 anos de idade", disse um dos cientistas envolvidos.

O osso, que foi encontrado em 2012 numa caverna de Denísova, na Sibéria, por cientistas russos, foi levado até Leipzig para ser submetido a uma análise genética, que comprovou se tratar de um hominídeo. O local siberiano é único do mundo onde se achou restos de denisovanos, por isso o nome.

"Um aspecto interessante deste genoma é que nos permite aprender coisas sobre as populações: os neandertais por parte da sua mãe e os denisovanos por parte do seu pai", explicou o professor Fabrizio Mafessoni, do instituto alemão e coautor do estudo que foi publicado na revista científica.

De acordo com os pesquisadores, a mãe se encontrava geneticamente mais perto dos neandertais que viviam na Europa ocidental do que dos que residiam nas cavernas de Denisova. Isto mostra que os neandertais migraram entre as Eurásias ocidental e a oriental dezenas de milhares de anos antes do seu desaparecimento.

O pai denisovano, por sua parte, tinha ao menos um antepassado neandertal em sua árvore genealógica. "Desde este genoma podemos detectar múltiplas interações anteriores entre neandertais e denisovanos", disse Benjamin Vernot, um dos investigadores.

"É surpreendente que tenhamos encontrado este menino", reconheceu Svane Pääbo, o diretor do departamento de genética evolutiva do Instituto Max Planck. "Quiçá os neandertais e os denisovanos não tiveram muitas oportunidades para se conhecer, mas quando o fizeram, devem ter se encontrado com mais frequência do que já tínhamos pensado", sentenciou.

           



23/08/2018
Lula e Maluf

Comparados em licença poética ou profética aos dois vizinhos de Jesus no Gólgota, os dois políticos que fizeram carreira em São Paulo encarnariam respectivamente os ladrões Dimas, o bom, e Gestas, o mau. O primeiro foi crucificado à direita do Cristo e o segundo à sua esquerda.

Na literatura apócrifa do cristianismo, o bom ladrão reconheceu Jesus e se resignou no cumprimento da pena pelos crimes. O mau ignorou o nazareno, o desafiou a salvar-se a si mesmo e era de uma extrema impenitência.

Nos dois históricos, Maluf foi bem mais digno do que Lula, assim como Dimas em relação a Gestas.

           



22/08/2018
O suposto abuso da assediada

A atriz e roteirista italiana Asia Argento decolou sua carreira no combustível da fama do pai, o consagrado cineasta Dario Argento. Hoje aos 42 anos, ela conta com três dezenas de filmes, tendo estreado nas telas ainda uma criança de 11 anos no thriller de terror Demônios II, do diretor Lamberto Bava, em 1986.

A partir de outubro do ano passado, o nome da artista compôs uma plêiade de estrelas de Hollywood citadas em reportagem do The New York Times como vítimas de assédio por parte do produtor Harvey Weinstein, um dos mais poderosos da indústria do cinema. Até hoje rola investigação contra ele.

As denúncias se tornaram um poderoso alicerce para a criação do movimento Time's Up (o tempo acabou), chancelado por 300 mulheres de peso midiático como Meryl Streep, Angelina Jolie, Ashley Judd, Gwyneth Paltrow, Lea Seydoux, Cate Blanchett, Natalie Portman, Gloria Steinem e Asia Argento.

Quase um ano depois da verdadeira caçada feminista aos machistas da sétima arte, o mesmo jornal de Nova York surpreendeu o mundo domingo com a revelação de que Argento molestou sexualmente um ator adolescente e negociou seu silêncio sobre o caso por 380 mil dólares. O jornal diz ter provas.

O ator Jimmy Bennett, hoje com 22 anos, acusa a atriz de tê-lo assediado e molestado em 2013, quando ele havia completado 17 anos, num hotel da Califórnia, estado em que a idade legal de consentimento sexual é de 18 anos. Asia conheceu Jimmy quando ele tinha 8 anos, no filme Maldito Coração.

Ao saber da matéria do NYT, ela divulgou um comunicado através da assessoria, rechaçando o conteúdo da notícia e negando qualquer contato íntimo com o ator. "Nunca tive relação sexual com Bennett. Estou profundamente afetada pela leitura da reportagem absolutamente equivocada".

Argento disse também que não há mais remédio para as pessoas contestarem as mentiras e protegerem-se em todos os sentidos. Segundo o jornal, o ator que também é músico de rock garante que foi agredido sexualmente num quarto de hotel. Fotos do casal foram enviadas anonimamente à redação.

A atriz, entretanto, não nega haver dado dinheiro ao jovem ator, mas assegura que o fez com o único propósito de ajudá-lo economicamente quando ele se encontrava com dificuldades financeiras. O advogado de Argento acusa Bennett de ter chantageado o falecido namorado dela, o chef Anthony Bourdain, a quem o ator exigia altas somas para não expor a atriz.

           



21/08/2018
As patranhas dos petralhas

Aí o Fernando Haddad, com aquela mesma cerimônia abilolada de quando tomou uma surra do janota João Dória, foi às redes sociais e sentenciou: "É muito raro que um Estado desafie as Nações Unidas. Uma decisão que tem peso sobre nosso ordenamento jurídico. Essa decisão da ONU é de garantia do regime democrático".

Poucas horas depois espocou a luz da verdade no pântano da mentira em que o Partido dos Trabalhadores acostumou-se a mergulhar na tentativa de fazer valer seus desejos politiqueiros, capazes de lançar inveja sobre os mais delinquentes partidos que ilustram o tecido criminal da República.

A decantada declaração do "Conselho de Direitos Humanos da ONU" em favor da legitimação da candidatura de Lula era tão somente um simulacro de direito internacional, era um insosso e inodoro panfleto de um reles comitê de militantes políticos e jurídicos em rito de inquilinato informal.

Mais uma invencionice dos dirigentes e advogados do PT para enganar desavisados e ao mesmo tempo dar aviso de sonho delirante aos fanáticos seguidores de Lula. Outra balela compondo a tabela periódica das patranhas dos petistas, uma nova mentira para ser repetida à exaustão como ensinou o mentor publicitário do nazismo (primo do comunismo), Joseph Goebbels.

Assim como já acontecera com outros tantos "fake news" paridos no coletivo doentio da Orcrim, a petralhada danou-se a ecoar na internet o fajuto documento com a verborragia de sempre, maquiando de importância. Mais uma vez, Gleisi Hoffmann postou latidos virtuais como faz com todas as notícias falsas fabricadas em favor do seu condenado favorito.

Já havia feito isso com a piada da indicação de Lula ao Prêmio Nobel da Paz, fato defecado na demência intelectual do argentino Adolfo Esquivel, uma versão arquitetônica de um famigerado cientista brasileiro, ambos ridicularizados em seus ambientes profissionais pelo conjunto da obra politicamente escatológica e pelo perfil temperamental de loroteiros.

Houve também o risível caso do terço abençoado pelo papa Francisco, noticiado dias antes da Copa da Rússia no próprio perfil de Lula no Twitter. Teria sido enviado para o petista pelas mãos de outro maluco argentino chamado Juan Grabois. Indagado pela imprensa, o Vaticano negou o mimo católico, um rosário que a PF não deixou entrar na carceragem de Curitiba.

No conjunto de inverdades dos petralhas, que acabam caindo no campo da piada, é difícil elencar o caso mais ridículo. Um dos espetacularmente mentirosos foi aquele que transformou Lula em colunista do maior jornal do planeta, o americano The New York Times. Pareceu ficção tirada do filme "Tanga", lançado em 1987 pelo cartunista Henfil, que, aliás, era petista.

Durante meses, jornalistas brasileiros e brasileiros residentes em Nova York buscavam a cara de Lula nas edições do diário, sem sucesso, enquanto por aqui a militância entorpecida e doutrinada gozava a idolatria num boletim virtual que um escritório do jornal distribuía na América Latina com textos de tudo quanto é político, do Brasil a Porto Rico, da Argentina a El Salvador.

De tanto inventar e acreditar na própria mentira, o PT vai construindo seu cabedal de futilidades com o objetivo de camuflar a decadência moral, ética e política da legenda e de vários dos seus dirigentes, a maioria com uma folha policial comparada aos maiores corruptos que um dia já combateu.

           



12/08/2018
Nos armários da DC Comics

Em meados de 2012, quando os estúdios DC Comics decidiram atender o universo gay estampando em seus quadrinhos um super-herói saído do armário, os executivos resgataram um personagem esquecido nos anos 1940, mas com a mesma identidade de outro famoso desde 1960: Lanterna Verde.

Tratava-se do Lanterna Verde criado pela dupla Bill Finger e Martin Nodell, um ano depois da chegada do Batman e do Capitão Marvel ao mundo de aventuras onde já reinava o Superman. Com a afirmação da Era de Prata, o primeiro Lanterna, Alan Scott, perdeu popularidade para o novo, Hall Jordan.

Portanto, o super-herói do anel do poder verde, que voa pelos quadrinhos desde os anos 1960, não é o que foi inserido na fantasia lgbt e sim o que se estabeleceu como o principal Lanterna Verde, membro da Liga da Justiça e que na vida civil é piloto de avião. O outro foi um consolo politicamente correto.

Seis anos depois do ocorrido, eis que a DC Comics utiliza outra vez o mesmo expediente para dar uma satisfaçãozinha à homomilitância, dessa feita inserindo no mundo do Batman uma heroína lésbica que vestirá a roupa da Batwoman, mais um personagem secundário da sua tropa interminável.

É preciso não confundir a Batwoman com a famosa Batgirl, presença constante nas aventuras do Batman e do Robin, tanto nas revistinhas quanto na TV e cinema. Na verdade, a primeira é a tia de uma das tantas batgirls que já assumiram o auxílio sensual nas batalhas do dono da mansão Wayne.

Mary Elizabeth Kane, a Beth Kane, surgiu no contexto de Gotham City em 1961, criada pelo mesmo Bill Finger do Lanterna Verde. Tinha uma queda pelo Robin e se tornou a primeira Batgirl, sobrinha de Kathy Kane, a Batwoman. A partir de 1967, Beth deu lugar a Bárbara Gordon, a bela filha do comissário.

Nos roteiros de Gardner Fox e nos traços de Carmine Infantino, um dos gênios da Era de Prata, Bárbara se impôs como a Batgirl mais popular, e na pele da atriz Yvonne Craig se eternizou no icônico seriado do Batman na TV da década de 60, dividindo a atenção dos marmanjos com Julie Newmar, a Mulher Gato.

No final dos anos 80, surgiu uma terceira Batgirl: Cassandra, uma adolescente com deficiência na fala, lutadora de artes marciais. A quarta foi Stephanie, também chamada "Salteadora". Nos percursos e percalços dos roteiros do universo do morcego, Beth se tornou "Labareda" e Bárbara virou "Oráculo".

Quanto à Batwoman, que desde 1956 esteve em segundo plano nas aventuras do Cavaleiro das Trevas, acaba de ganhar espaço numa série de TV e será interpretada pela atriz australiana Ruby Rose, que tem na vida real todos os motivos e estímulos para dar um perfil lésbico à personagem resgatada.

Ruby se assumiu homossexual com apenas 12 anos, sofreu bullying nas escolas que nunca conseguiu permanecer e foi estuprada por um parente. Em entrevistas depois de anunciada como Batwoman, ela disse estar realizando um sonho de criança. A atriz se divide entre a dramaturgia e a militância lgbt.

           



09/08/2018
Música é a melhor notícia

O slogan da rede CBN é "a rádio que toca notícias". Desde sua inauguração, no final de 1991, tem sido a única sintonia radiofônica que tenho no som do carro. Se não a estou ouvindo é porque as opções CD e pen-drive estão em uso. Aliás, no quesito música prefiro a CBN a qualquer outra emissora.

Como outros milhões de ouvintes espalhados pelo país, sou viciado no programa Sala de Música, apresentado por João Marcello, o filho da cantora Elis Regina com o jornalista e produtor cultural Ronaldo Bôscoli. No final da tarde, ele bate um papo com Tatiana Vasconcellos e Fernando Andrade.

A conversa, descontraída e animada, se dá em torno de uma canção que o primogênito da Pimentinha pesquisou e escolheu para comentar com os parceiros e os ouvintes. É uma primorosa aula historiando a composição e gravação da obra e muito também sobre a vida e carreira do autor ou cantor.

Tudo que é gênero desfila nos poucos minutos em que o trio exibe o bom gosto musical do programa, de rock a bossa nova, de jazz a chorinho, de samba de raiz a forró de pé de serra. O atavismo sonoro presente em João Marcello, um atento ouvido desde o ventre, enriquece a música além do que já sabíamos.

Um ecletismo sem preconceito está presente na honestidade intelectual dos comentários dele. Mês passado, em dois programas que o longo percurso do carro permitiu minha audição, o rapaz saltou de Beatles para Gilliard numa naturalidade espantosa para quem aprendeu a erguer paredes preferenciais.

Primeiro, resgatando um papo do dia anterior durante um happy hour com ouvintes convidados, contou sobre como a humanidade e a ciência devem aos Beatles o advento da ressonância magnética. É que a gravadora EMI tinha também um setor de pesquisas médicas e desejava ler o corpo humano.

Como os recursos necessários para a empreitada eram enormes, foi graças à explosão mundial da banda de Liverpool que o faturamento permitiu o investimento para que os primeiros equipamentos de ressonância fossem elaborados e produzidos. Todos nós devemos essa aos Fab Four.

Na outra vez, me surpreendeu o enaltecimento de João Marcello ao cantor natalense Gilliard Cordeiro, quando pediu para Tatiana Vasconcellos mandar tocar a música "Festa dos Insetos", do começo dos anos 80, e que ficou popular no Brasil inteiro com o improvisado título "A Pulga e o Percevejo".

Versando um pouco sobre a carreira do artista, lembrou que era um cara de estilo romântico, da escola de Roberto Carlos, mas que tinha uma voz suave e bem diferente de alguns que hoje se utilizam da mamata do computador. E contou que a canção conquistou crianças e famílias na época da sua infância.

Sua experiência em estúdios garantia que aquilo era uma música bem feita, redondinha em termos de arranjos e execução, e carregada de valores eternos que poderão jogá-la no domínio público como clássicos tipo "Cai Cai Balão". É preciso entrar na Sala de Música da CBN para ouvir e cantar boas notícias.

           



07/08/2018
A musa do carrasco de Lennon

Quando John Lennon pisou pela primeira vez nos EUA, em 1964, havia no Texas um garoto que ao mesmo tempo que assistia os Beatles no programa Ed Sullivan Show via o pai espancar a mãe. No dia que Elvis Presley morreu, em 1977, o mesmo garoto - agora com 22 anos - tentava suicídio no Hawaí.

Entre os 9 e 22 anos, Mark Chapman passou por bullying, drogas, psicopatia e delírios de poder e celebridade. Em 23 de outubro de 1980, se demitiu do emprego e no último cartão de ponto assinou John Lennon no lugar do próprio nome. Fez as malas, pegou um livro de J.D. Salinger e foi para Nova York.

Passou a frequentar o Central Park e as cercanias do Edifício Dakota, lugares onde o líder dos Beatles passeava e morava respectivamente. A década de 80 iniciara com Lennon voltando a produzir após o silêncio musical do final da década anterior. Em novembro, lançou com Yoko o álbum Double Fantasy.

Antes disso, a revista Esquire publicou um longo artigo destacando a fase de reclusão do artista, a vida doméstica num apartamento decadente e, provavelmente, concentrado apenas em contar os milhões no banco e cuidar do filho pequeno, nascido em 1975. Chapman leu, antes de ir pra Big Apple.

E leu também, bastante, o romance O Apanhador no Campo de Centeio, única obra célebre de Salinger que fala de um adolescente depressivo, mentiroso, mau aluno e temperamento dividido entre afeto e ódio. No dia 8 de dezembro de 1980, ele ficou circulando diante do prédio onde morava John Lennon.

O compositor passou aquele dia se deslocando para entrevistas sobre o novo disco, algumas vezes parando para dar autógrafos aos muitos fãs que sempre seguiam seus passos. Numa das vezes, o próprio David Chapman foi alvo da gentileza do beatle. Mas, na segunda vez, foi abatido com quatro tiros.

Trinta e oito anos depois do assassinato que desolou milhões de fãs dos Beatles em todo o mundo, e a poucos dias do criminoso ter sua pena avaliada mais uma vez, uma entrevista no jornal inglês The Mirror agita a beatlomania.

Gloria Hiroko Chapmam, a mulher do assassino, revelou que o marido lhe avisou da ideia de matar Lennon dois meses antes de concretizar o crime. Ela disse que quando ouviu a notícia no rádio e na TV, logo teve a certeza de que sabia quem foi o autor dos disparos na zona oeste do famoso Central Park.

Em setembro de 1980, Chapman foi até Nova York e voltou assustado com uma ideia arriscada que tinha o objetivo de tornar seu nome famoso. Gloria disse ao jornal que o marido lhe contou e que teria desistido por amor a ela. Na segunda viagem dele, ela disse que não imaginou que o motivo era o mesmo.

Ela revelou que Chapman mentiu ao dizer que havia jogado no mar a pistola adquirida ao tempo do emprego de segurança no Hawaí. Contou que estava vendo TV e viu os créditos "John Lennon foi baleado por um homem branco".

Glória ainda espera o marido, que no dia 20 próximo terá seu décimo pedido de liberdade condicional avaliado pela justiça americana. Já a viúva de Lennon, Yoko Ono, jamais aceitou a soltura do homem que calou o autor da canção Imagine, um hino pacifista feito em 1971, no auge da Guerra do Vietnã.

           



06/08/2018
Morreu Joël Robuchon

Luto no mundo gastronômico. Faleceu aos 73 anos o chef de cozinha francês Joël Robuchon, o maior ganhador de estrelas no famoso e rigoroso Guia Michelin, que avalia os restaurantes do mundo inteiro. Foram 32 estrelas.


Nascido em 1945 em Poitiers, na parte central da França, Robuchon recebeu muitos reconhecimentos ao longo da carreira de cozinheiro, sendo considerado o melhor do século XX pela renomada revista Gault & Millau, que revolucionou o universo gastronômico e patrocinou a Nouvelle Cuisine.

Sua morte foi consequência de um tumor no pâncreas, que o levou a um procedimento cirúrgico há um ano. O chef da cozinha do Palácio dos Campos Elíseos, sede do governo francês, Guillaume Gómez, postou no Twitter: "O maior profissional que a cozinha francesa já teve, um exemplo para as futuras gerações de chefs".

           



06/08/2018
45 anos hoje do programa Fantástico

Num dia como hoje, em 1973, uma noite de domingo, a TV Globo estreava um novo programa, uma revista eletrônica com a função de entreter e também de informar. Fruto da criatividade e antevisão de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, entrou no às 20h o Fantástico: o Show da Vida.

Eu tinha 14 anos e nas imediações da casa dos meus pais existia no máximo uma dezena de televisores, nenhum ainda em cores, apesar das improvisadas telas que imitavam o colorbar dos futuros aparelhos coloridos, só que em faixas horizontais. Era o tempo em que a maioria assistia tudo nos televizinhos.

Apenas no ano de estreia o programa foi apresentado em preto e branco, numa abertura tipo musical, onde um par de crianças adentrava o palco e abria uma cortina para o surgimento de dançarinos circenses, enquanto a música-tema abria com sons de piano, harpa e xilofone, num barulho de águas e sinos.

A letra foi composta pelo próprio Boni, enquanto Guto Graça Mello criou a melodia e os arranjos. A execução ficou com a orquestra e o coral da gravadora Som Livre, que poucos meses depois lançou o LP com a canção em diversos estilos. Não demorou e se tornou a sonoridade das noites dominicais.

Foi um ano de grandes mudanças no Brasil. A cena musical pós Tropicália explodiu com produções que se tornariam épicas, como os discos e canções de Raul Seixas, Secos & Molhados, Luiz Melodia, Sergio Sampaio e Walter Frango. Os bregas e românticos reeditavam a Jovem Guarda na audiência.

Aquele 1973 foi citado literalmente em duas músicas que não paravam de tocar no rádio. Campeão de vendas de discos, Antônio Marcos emocionava cristãos com O Homem de Nazaré, letra de Claudio Fontana: "1973, tanto tempo faz que ele morreu, o mundo se modificou, mas ninguém jamais o esqueceu".

O outro a cantar - e gritar - o ano foi o maluco Raulzito fundindo a cuca do país com a música e letra de Ouro de Tolo: "... ganho quatro mil cruzeiros por mês, eu devia agradecer ao Senhor por ter tido sucesso na vida como artista, eu devia estar feliz porque consegui comprar um Corcel 73".

Na guerra pela audiência das famílias brasileiras, a Globo brigava com a Tupi com suas novelas. Quando o Fantástico estreou naquele agosto, a Tupi tinha acabado de exibir Vitória Bonelli, sucesso que iniciara em setembro de 1972 e tinha grande elenco, destacando um jovem ator chamado Tony Ramos.

A Globo atacava com um time de peso na novela Cavalo de Aço, que sairia do ar no meio do mês da estreia do Fantástico. Não foi fácil para a Tupi enfrentar o talento de Tarcísio Meira, Glória Menezes, José Wilker, Betty Faria, Arlete Sales, Claudio Cavalcanti, Renata Sorrah, Carlos Vereza e Stênio Garcia.

A emissora dos Diários Associados sustentou a briga com Rosa dos Ventos, iniciada em julho logo que terminou Vitória Bonelli e atravessaria o ano inteiro até novembro. No elenco, de novo Tony Ramos e mais Arlete Montenegro, Geraldo Del Rey, Fausto Rocha, Wanda Estefânia, Nicette Bruno, Adriano Reys, Nathália Timberg, Ruthinéa de Moraes e a gata da hora, Nádia Lippi.

Nesses 45 anos de Fantástico, tudo mudou quase para pior: mudaram as novelas, as canções, o entretenimento televisivo e também o próprio Show da Vida, resumido hoje a matérias policiais, aberrações comportamentais e tudo quando é miséria do século XXI. O Fantástico agora é o Show da Morte.

           



03/08/2018
Mídia, fakenews e Shakespeare

Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a filosofia. Isto se repete com dez entre dez pessoas que jamais leram Hamlet. Assim como há outra coisa maior por trás da cruzada da grande mídia contra os fakenews. Não, mil vezes não. A imprensa clássica não abraçou de repente a verdade.

Falsas notícias sempre existiram, assim como manipulação dos fatos, que ao fim e ao cabo são a mesma coisa. O que os jornalões e as televisões, com rima e tudo, estão fazendo é uma espécie de delação premiada para impedir que aqueles que hoje os repetem não assaltem seus usuários.

A mídia oficial está num cagaço cuja visibilidade extrema não tem jeito de ser camuflada por uma campanhazinha de doutrinação dos leitores, ouvintes e telespectadores, que só tem uma finalidade: não perdê-los para as redes sociais, para os blogs e sites independentes e para grupos do WhatsApp.

O advento da Internet mudou o azimute da comunicação social, tirou da mídia estabelecida a exclusividade dos fatos e a reserva de mercado dos acessos a opiniões e análises. Há um fenômeno que poucos estão percebendo, além da midiazona, que é a onipresença dos aplicativos.

Foram-se os tempos dos leitores privilegiados com acesso a artigos, crônicas, críticas e debates até então restritos aos ambientes acadêmicos, políticos e intelectuais. Nos mais distantes recônditos do país, nos mais esquecidos grotões do mapa, o tal zap zap está fazendo um estrago.

Lê-se tudo pelo Brasil afora, sem precisar dos acessos aos jornais, revistas e canais de TV. Um vaqueiro repassa pra outro textos presumíveis de Arnaldo Jabor, um feirante discute em grupo sobre Lula e Bolsonaro, milhões de brasileiros compartilham o que antes era assunto de uma elite.

Mesas redondas em canais fechados e comentários analíticos em telejornais das grandes redes são desmitificados por versões de um mesmo fato na boca de um youtuber; os velhos plantões das redações sofrem atraso de longos minutos em relação ao fato disseminado no Twitter ou Facebook...

No processo eleitoral que se avizinha, o efeito disso tudo já está nas ruas, através de uma rejeição gigantesca à política. A massa já não tem manobra, molda sozinha, ou em nichos internéticos, sua opinião sobre tudo e sobre todos. É essa realidade que a campanha anti fakenews camufla em si mesma.

Lembra Hamlet, no esforço de esconder de Horácio e Marcellus os detalhes do encontro com o fantasma (seria um fake?). Após revelar tudo, quer que ambos saibam assimilar só para eles o fato. A questão é que entre verdades e mentiras, a imprensa sempre navegou na fronteira das duas. Ser fake ou não ser, eis a questão.

           



02/08/2018
Violência, saúde e economia na pauta da AL

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte terá uma agenda vasta para o mês de agosto. Importantes debates estão programados para o período, com a realização de seis audiências públicas, discutindo desde violência contra mulher, economia, combate às drogas, proteção à criança e saúde pública.

No dia 7 de agosto, o tema em debate no Poder Legislativo será a Lei Maria da Penha, que trata sobre proteção às mulheres vítimas de violência doméstica. População, autoridades e parlamentares discutirão acerca dos avanços e desafios da legislação, que completa 12 anos. A discussão está prevista para as 14h, no auditório da Casa.

Uma semana depois, no dia 14, o tema em discussão será o combate ao uso de entorpecentes. Também agendada às 14h, o debate vai tratar políticas sobre drogas e famílias junto às comunidades terapêuticas.

Especialistas no assunto estarão no Legislativo para tratar do tema. Um dia depois, o assunto será a discussão do futuro da economia do Rio Grande do Norte.

A Frente Parlamentar em Defesa do Comércio, Indústria, Turismo, Serviços e Empreendedorismo vai discutir junto à população o projeto Mais RN, voltado ao desenvolvimento econômico do estado.

Na segunda-feira seguinte, dia 20, o debate terá como foco o respeito aos direitos da criança e da mulher. Na audiência, também agendada para às 14h no auditório da Casa, sociedade civil organizada, representantes de movimentos sociais e autoridades debaterão junto aos deputados os deveres do Estado para garantir os direitos estabelecidos por lei.

Dois dias depois, em 22 de agosto, os jovens também serão foco do debate, mas em discussão sobre o sistema de garantia à criança e ao adolescente vítima ou testemunha de atos de violência. Representantes do Estado, da área de Segurança Pública, Direitos Humanos e a sociedade civil participarão da discussão.

Ainda no mês, dia 23, a saúde será foco de discussão dos parlamentares. Dessa vez, o sistema de assistência odontológica à população será discutido no auditório Cortez Pereira, às 14h.

Os desafios, problemas e as alternativas para melhorias no atendimento serão discutidas por representantes da Secretaria Estadual de Saúde, unidades de saúde, servidores e representantes de classe.

Todas as audiências públicas são abertas à população, que pode participar dos debates no auditório, tirando dúvidas ou acrescentando ao debate. Além disso, as discussões também são transmitidas pela TV Assembleia para todo o estado.

           



31/07/2018
Coisas & coisas

COISA COM COISA
UMA COISA É A FLOR
OUTRA A MARIPOSA
 

           



30/07/2018
Após estagnar, Bolsonaro se recupera

Aconteça o que acontecer, o futuro do fenômeno Jair Bolsonaro, o pré-candidato de extrema-direita ao Planalto, vai depender de sua capacidade de capitalizar o uso das redes sociais. É que o seu PSL não conseguiu fechar alianças e, por causa disso, o ex-capitão do Exército terá reduzido espaço na propaganda oficial de rádio e TV - o partido terá menos de 10 segundos diários na programação de 24 minutos - e ausência de palanques fortes nos Estados. O problema para o presidenciável, e não só para ele, é que ainda não se sabe o quanto a eleição brasileira ainda é dependente do horário eleitoral gratuito, que começa em 31 de agosto. Antes mesmo que essa pergunta crucial seja respondida, a Internet, considerada maior trunfo e boia de salvação do militar reformado, deu sinais de arrefecer no fervor por sua candidatura. Nas últimas semanas, o apoio a Bolsonaro na redes sociais estagnou em relação ao seus concorrentes de campanha, segundo levantamento da consultoria Atlas Político. Só deu sinais de recuperação nos últimos dias, justo antes e na esteira de sua participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira.


A participação no Roda Viva é um dos testes de fogo de Bolsonaro, que lidera as pesquisas de opinião, ainda que sem grandes crescimentos recentes, se o nome de Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba, não é considerado. No centro do cenário e cercado de jornalistas, ele deixou sua zona de conforto nas redes, onde fala para boa parte dos convertidos, e se deparou com representantes dos principais jornais brasileiros, muitos dos quais ele critica frequente e insistentemente. Os primeiros momentos do pré-candidato foram tensos. Aparentando estar nervoso, ele enfrentou uma bateria de perguntas sobre as violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar. Ele repetiu sua argumentação negacionista: argumentou que não houve golpe em 1964 e minimizou o uso de tortura, que descreveu como o uso, "talvez", de "algumas maldades". Em outro momento, chegou a elogiar o ex-deputado preso pela Operação Lava Jato, Eduardo Cunha, pelo apoio do carioca ao projeto que obriga a existência de voto impresso. "Eu gostaria de ter estado mais vezes ao lado do Eduardo Cunha", disse. No decorrer dos blocos, fugiu de perguntas específicas sobre propostas programáticas, como para a recuperação econômica, e manteve o tom de enfrentamento e discurso contra as mazelas da escravidão e as cotas raciais.

           



29/07/2018
Rejeição total na pesquisa da FIERN

A Federação das Indústrias do RN publicou na manhã de domingo, 29, uma nova pesquisa de opinião (não é de hoje que a entidade investe em pesquisas nos anos eleitorais), agora realizada pelo Instituto Certus, averiguando o cenário do estado no âmbito econômico, administrativo e político.

Entre diversas aferições feitas, também foram aplicados questionários sobre a intenção de voto do eleitor potiguar para as eleições de outubro. E o resultado para a disputa ao governo do estado exibiu um quadro que se repete em outras pesquisas anteriores, tanto no RN quanto no Brasil inteiro.

Os índices da aferição espontânea, por exemplo, exibem pela enésima vez a rejeição absoluta do povo ao processo eleitoral, numa consequência clara do descrédito generalizado com a prática política no país nas últimas três décadas, desde que a proliferação de partidos ocupou o serviço público.

Há três décadas (desde meus tempos no Diário de Natal e no Jornal de Hoje) venho alertando os leitores sobre a importância da pergunta respondida espontaneamente, quando o questionário da pesquisa não induz o entrevistado com a apresentação prévia dos nomes dos candidatos.

É muito mais real um resultado na espontânea do que na estimulada. E o que mais uma vez a pesquisa da FIERN e da Certus mostrou foi simplesmente uma indiferença gigantesca do povo com os candidatos, como já vem ocorrendo em outros estados. Ninguém suporta assunto político faz tempo.

A pesquisa espontânea apontou mais de 80% dos eleitores potiguares rejeitando todos os candidatos a governador. Foram 49,15% se dizendo indecisos e 31,35% afirmaram não votar em nenhum. Fátima Bezerra (PT) obteve 8,72%, Carlos Eduardo (PDT) 6,10% e Robinson Faria (PSD) 2,91%.

Essa rejeição popular também se apresenta, inclusive, na aferição estimulada, quando há a presença dos nomes no questionário. Foram, 34,11% dizendo não votar em nenhum, enquanto 10,43% estão indecisos. Fátima Bezerra 29,15%; Carlos Eduardo, 15,39% e Robinson Faria, 6,31%.

Foi feita também uma averiguação do sentimento do eleitor com a eleição para presidente da República, e a indiferença potiguar se apresentou robusta na pesquisa espontânea, onde uma maioria de 65% rejeitou todos os nomes. O líder entre os citados, Lula (que nem é candidato), teve 24%.

Uma pergunta instigante na pesquisa foi sobre o poder de influência do voto, onde 52,48% responderam que ninguém influencia, enquanto 19,72% disseram ser os prefeitos. Já 5,25% responderam os vereadores; 6,38% o padre católico; 4,18% o pastor evangélico; e 3,83% o deputado estadual.

Uma coisa curiosa na divulgação da pesquisa é que foi feita apenas na página da FIERN no Twitter, iniciativa justificada pela própria pesquisa que mostrou 69,39% dos eleitores acessando a Internet. Entretanto, as postagens obtiveram pouquíssimas curtidas e compartilhamentos no microblog do passarinho azul.

           



29/07/2018
Andrômeda, a galáxia canibal que vai nos engolir

Daqui a quatro bilhões de anos, Andrômeda vai colidir com a Via Láctea. Modelos matemáticos e imagens de telescópios como o Hubble preveem a fusão entre as duas maiores galáxias do Grupo Local, a grande família galáctica que dominam com sua descomunal capacidade de atração gravitacional. Apesar do que podem sugerir as imagens dos telescópios, as galáxias não são bolas de luz hiperdensas. As estrelas dessas galáxias, milhões ao todo, estão separadas entre si por distâncias inimagináveis, e quando o choque acontecer não deve haver impactos entre seus mundos. Será mais uma reorganização progressiva, que acabará por formar uma gigantesca galáxia elíptica e mandará o Sistema Solar para uma região ainda mais periférica do que ocupa atualmente na Via Láctea.

Para saber o que acontecerá, pode ser útil olhar para o passado. Nesta semana, na revista Nature Astronomy, um grupo de cientistas publicou o que pode ser considerado um autêntico trabalho de detetive sobre o tempo profundo. Observando Andrômeda, concluíram que há dois bilhões de anos ela cometeu um ato de canibalismo galáctico. Naquele tempo, além de Andrômeda e da Via Láctea havia uma terceira grande galáxia no Grupo Local.

M32p - uma galáxia com nome muito mais anódino que suas companheiras vivas - foi despedaçada por Andrômeda, mas deixou um rastro de pistas agora reconstruído por astrônomos da Universidade de Michigan (EUA). Segundo eles, existe em torno da galáxia canibal um grande halo de estrelas que ocupam um espaço maior que a própria Andrômeda, e junto a ela uma estranha galáxia extremamente compacta, com uma densidade de estrelas que não se encontra em quase nenhum outro lugar do universo. Tratar de explicar a origem deste objeto misterioso foi o início da investigação. Os autores do trabalho publicado na Nature Astronomy afirmam que essa galáxia satélite, conhecida como M32 e que poderia se confundir com uma pequena galáxia elíptica, é na verdade o núcleo da galáxia apanhada por Andrômeda.

           



28/07/2018
MDB não crê em isolamento de Meirelles

Nas semanas em que se celebram as convenções partidárias no Brasil, as legendas estão acertando os últimos detalhes das alianças que vão definir a musculatura de cada candidatura ao Palácio do Planalto neste ano. O Centrão - grupo formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade - fechou filas com Geraldo Alckmin, do PSDB; Ciro Gomes (PDT) e emissários do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se digladiam pelo apoio do PSB e do PCdoB, em busca de uns segundos a mais de tempo de tevê que lhes permita construir a candidatura mais estruturada no campo da esquerda. Enquanto isso, quase que alheio às movimentações dos demais partidos, um gigante da política brasileira caminha para alçar seu primeiro voo solo em 24 anos - mesmo que o nome escolhido para a empreitada seja considerado por membros da própria sigla como fadado ao insucesso.


"Nós sabemos que o Henrique Meirelles vai ter muita dificuldade na eleição", avalia um interlocutor do presidente Michel Temer. Mas a importância da chapa presidencial que deverá ser encabeçada pelo ex-ministro da Fazenda para a cúpula do MDB, e principalmente para Temer, não pode ser medida pelo seu fraco desempenho nas últimas pesquisas de opinião (ele somou apenas 1% da preferência do eleitorado no último Ibope). A baixa probabilidade de uma vitória nas urnas é tratada como uma questão secundária. Para os assessores mais próximos de Temer, é mais importante garantir ao menos um candidato na disputa pelo Planalto que esteja disposto a defender as políticas adotadas pelo presidente emedebista, que ostenta índices recordes de rejeição. Nesta sexta, o partido divulgou uma Carta Aberta à Nação, defendendo seu papel na recuperação econômica do país, depois da recessão que durou dois anos. "Agora, o MDB conduziu o país através da tempestade, livrando-nos do desastre econômico e social. Se neste momento temos condições de acreditar no futuro, foi porque o Brasil não descarrilhou de vez em 2015", descreve o texto.

           



27/07/2018
O esquema bancário suspeito de Toffoli

A revista Crusoé chegou às bancas exibindo uma reportagem-bomba na capa, representada graficamente na foto do ministro do STF, Dias Toffoli, futuro presidente da corte, o órgão máximo de defesa da Constituição.

Segundo a matéria, baseada em minuciosa investigação técnica de profissionais do Banco Mercantil, o ministro mantém uma conta gerenciada por um assessor do próprio STF onde depósitos mensais de R$ 100 mil são feitos, oriundos de uma conta do Itáu pertencente à sua mulher, que adminisrra um escritório de advocacia.

O rastreamento dos depósitos e também das retiradas sugerem um esquema suspeito que não passou pela fiscalização do COAF - o Conselho de Atividades Financeiras, nem pelo Banco Central. Há também uma espécie de triângulo afetuoso-pecuniário com transferência de metade dos R$ 100 mil para uma ex-esposa de Toffoli.

Veja a íntegra da explosiva reportagem no site da revista Crusoé, aqui: 
www.crusoe.com.br

           



26/07/2018
Textos liberados para todos

Alguns nomes icônicos estão na lista dos autores com textos sob domínio público a partir deste 2018. A começar pelo americano Winston Churchill, o romancista que durante o início do século XX foi bem mais conhecido que o mítico político britânico, que por sinal também foi escritor e até ganhou o Nobel.

Apesar de ofuscado pelo inesquecível primeiro-ministro do reino, o Churchill romancista conseguiu a proeza de ser inclusive um best-seller. Muitos dos seus livros foram por vezes atribuídos ao Churchill inglês, que só escreveu um romance, chamado Savrola. Ambos também eram pintores e trocaram cartas.

A iniciativa foi do político da Inglaterra, solicitando um entendimento com o xará dos EUA quanto à autoria nas capas dos respectivos livros. O inglês informou que publicaria suas obras como Winston S. Churchill (S de Spencer), deixando ao americano o uso do Winston Churchill. E assim foi acertado e feito.

No meio dos escritores com textos liberados dos direitos autorais está um inglês não muito famoso quanto Churchill, mas cultuado até hoje por tribos de contraventores culturais e filosóficos. Seu nome é Aleister Crowley, que ficou notório como ocultista, pintor, poeta e romancista. Foi até espião recrutado.

Frequentou a Universidade de Cambridge e praticava montanhismo, período em que aderiu a uma espécie de seita chamada Ordem Hermética que o treinou nos rituais de magia cerimonial. Se aventurou em regiões inóspitas na Escócia e no México, e estudou práticas hindus e budistas na Índia.

No começo do século XX, enquanto passava a lua de mel com a esposa Rose Edith no Egito, declarou ter sido contatado por uma entidade sobrenatural de nome Aiwass. Tal figura teria lhe fornecido o Livro da Lei, com o qual ele compôs sua própria seita chamada Thelema, onde tudo é permitido, é da lei.

Crowley se tornou guru de onze entre dez roqueiros durante as décadas de 1960 e 1970, influenciando músicos, poetas e compositores, com destaque no Brasil para Raul Seixas e Paulo Coelho, que se inspiraram na Thelema para compor a música Sociedade Alternativa, cuja letra cita o satanista britânico.

Sob domínio público também estão as obras surrealistas do pintor belga René Magritte, que subverteu percepções da realidade com imagens provocativas de objetos comuns, mas inseridos em contextos incomuns. Ele dizia que suas criações evocavam mistérios. E muito influenciaram a geração da pop art.

Por falar em obra provocativa, quem também está na lista é a americana Alice Babette, personagem importante da transgressora vanguarda de Paris no início do século XX. Ela e a escritora Gertrude Stein se encontraram na capital francesa, sobreviventes do devastador terremoto de 1906, em São Francisco.

Se tornaram amantes e nos anos da "geração perdida", entre a Primeira Guerra e o "crash" de 1929 montaram acampamento na casa parisiense para abrigar artistas expatriados como Hemingway, Picasso, Scott Fitzgerald, Ezra Pound, Matisse, John dos Passos, T. S. Eliot e posteriormente James Joyce.

Uma curiosidade na obra de Gertrude é que seu livro mais popular foi exatamente a biografia de Alice Babette, de 1933. A autobiografia viria 30 anos depois, quase 20 anos depois da morte de Gertrudes. Alice publicou também um livro cheio de receitas próprias, entre elas uma mistura de frutas, nozes e maconha que acabou batizada com o nome "brownies de Alice B. Toklas".

           



26/07/2018
Ronaldo paga 19 milhões de euros ao fisco espanhol

A Receita Federal da Espanha aprovou o acordo entre Cristiano Ronaldo e as autoridades de Justiça do país para que o ex-jogador do Real Madrid pague uma multa de quase 19 milhões de euros e seja condenado a dois anos de prisão. Fontes jurídicas informaram à agência EFE sobre o acordo, que implica que o jogador português, que a partir da próxima temporada defenderá a Juventus, da Itália, não será preso caso se declare culpado de cometer quatro delitos fiscais.


O acordo alcançado entre a acusação e a defesa do jogador estava pendente da aprovação da Receita Federal, organismo que denunciou Cristiano. As autoridades acusaram Cristiano de quatro delitos contra a Agência Tributária, cometidos entre 2011 e 2014 e que supõem uma fraude de 14.768.897 euros. As quotas defraudadas são de 1,39 milhões em 2011; 1,66 milhões em 2012; 3,20 milhões em 2013 e de 8,5 milhões em 2014. O acordo final através do tribunal criminal reduz esse montante defraudado para 5,7 milhões de euros, mas o montante total a ser pago adicionando a multa e juros chega a quase 19 milhões. Também pagará os custos da Barra Estadual no processo, de acordo com as fontes consultadas.

           



25/07/2018
Resta o Prêmio Multishow

Neymar não precisa brigar este ano pela "bola de bronze" de terceiro melhor do mundo. Se bem que não seria fácil superar uns quinze caras que jogaram mais que ele na temporada. Ontem, a FIFA pôs uma pá de cal no fracasso da Copa e no deboche mundial a que o jogador foi exposto, num recorde de memes.

Dez craques estão na lista da disputa do The Best, o prêmio criado como paralelo à Bola de Ouro da revista France Football, e nela não consta o camisa 10 da seleção de Tite, que, aliás, também ficou fora da lista dos melhores técnicos do mundo. Foram selecionados onze treinadores, sem o brasileiro.

Horas depois da divulgação dos candidatos ao prêmio, a mídia de Pindorama tratou de buscar argumentos que servissem de unguento ao universo pacheco que desde as eliminatórias da Copa 18 sonhava e delirava com um Neymar absoluto, como Pelé, ou mágico, como Garrincha, levando o Brasil ao título.

O jogo sujo das simulações de faltas, as quedas como armas de malandragem, os chiliques de menino mimado, tudo isso forjou os resultados pessoais que afastaram o jogador das honrarias que ele sonha como glória, mas caindo no pecado de não se inserir no sucesso coletivo. Tem sido assim desde o Santos.

Pois foi assim na trágica final interclubes em que o time paulista tomou um vareio de bola do Barcelona; e Neymar assistindo Messi jogar para depois atirar elogios que vislumbravam a transferência para o clube catalão. E lá chegando, viveu incomodado com a coadjuvância, até nos gols de Suarez.

Se foi para o PSG deixando a porta do Barça fechada exatamente no setor da torcida, que o bombardeou de desaforos. Baixou em Paris como um invasor mal-humorado, peitando Cavani sem entender que o uruguaio era o ídolo da bastilha. Agora já sabe que terá outra sombra, bem maior, de MBappé.

Na semana passada, o portal de notícias Onda Cero, da Espanha, publicou matéria revelando que a diretoria do PSG só considera invendível o garoto que virou símbolo da conquista francesa em campos russos. Se Neymar não sentiu o problema, seu despreparado pai decerto já viu que não vai ser tão fácil.

O inferno astral do jogador e os esforços da mídia pacheca em tentar esconder a rejeição mundial me lembra aqueles tempos em que o peladeiro Robinho era o sonho de consumo da torcida nacional. A imagem catapultada por robustos jabás travestidos de marketing era quase um novo símbolo cívico da Pátria.

Na coluna de O Jornal de Hoje e no Twitter, eu remava contra a corrente pra frente em favor do boçal da Vila. Qualquer pedalada ridícula que ele aplicava num zagueiro botocudo era motivo de louvação da choldra. Até dondoca semiletrada me abordava em restaurante repetindo as loas de Galvão Bueno.

No ano passado, fui fuzilado por não apostar na ascensão europeia do PSG só pelo fato da presença de Neymar. Pra provocar, apostei que o time não iria longe na Champions; e que não foi mesmo. Antes e durante a Copa do Mundo, era uma expectativa só no país: o hexa estava no papo e Neymar reinaria.

Aí vieram os fricotes do rapaz (chamam-no de menino Ney), as quedas premeditadas, a histeria contra juízes, imprensa e até colegas de bola. Depois veio o deboche internacional e agora a ausência na lista da FIFA. Mas, quem sabe, o tosco estágio de ator mambembe reserve ainda o Prêmio Multishow.

           



24/07/2018
A figurante inesquecível

Na penumbra do mundo de glamour do cinema, por trás dos holofotes, longe das câmeras de Hollywood, há muitos sonhos destruídos, episódios sórdidos, carreiras efêmeras e talentos que se dissolvem no ar da noite para o dia, artistas que jamais experimentaram a glória, mesmo por um tempo breve.

E há também, em grande quantidade, estrelas e astros que brilham por algum tempo, mas que a escuridão dos traumas e das angústias pessoais acabam apagando esse brilho. Gente como a atriz Grace Lee Whitney, a loirinha que em 1966 conquistou a geração Star Trek na pele da ordenança Janice Rand.

A personagem assessorava o Capitão Kirk, eterno papel de William Shatner, e mesmo tendo a aprovação dos fãs do épico seriado de Gene Roddenberry logo começou a ser empurrada para os corredores e o fundo de cena da nave Enterprise. Tímida e discreta, Grace Lee tinha então 36 anos naquele tempo.

Não se sabe os motivos da evaporação gradual do seu papel, principalmente para os fatos cenográficos e reais ali expostos, já que a paquera entre o capitão e sua ordenança contaminara os artistas Shatner e Whitney. Mas ele próprio concordara em reduzir a presença de Janice perto de James T. Kirk.

A vida real de Grace era um buraco negro de sentimentos contidos, que não escapavam para o mundo lá fora. Tudo só veio à tona em 1998, quando ela aos 68 anos publicou sua autobiografia, revelando feridas que atravessaram sua juventude sem qualquer cura e sonhos que nunca conseguiu realizar.

No auge da participação em Star Trek, ela encarou uma dura jornada de assédios no ambiente de trabalho, até que um dos produtores a estuprou no próprio set de filmagens da rede de televisão NBC. Isto somado à revelação de que era filha adotiva (fato doloroso desde os 7 anos) foi um choque estelar.

Depois do estupro, sua batalha diária se dividiu em três frentes: manter o emprego na série, fazer terapia contra depressão e tentar escapar do vício do álcool e das pílulas de dieta pra segurar o corpo sedutor. Mas não há mal que não traga o pior, e ela foi demitida do seriado 24 horas após ser violentada.

Grace Lee merecia um destino de êxito profissional e de equilíbrio pessoal; já buscava o mundo artístico aos 3 anos cantando na luz da geladeira e estreou nos palcos ainda adolescente, chegando depois a Broadway. Os primeiros passos no cinema foram num filme de Billy Wilde e na série Gunsmoke.

Em 1976, quando se recuperou do álcool e administrou os traumas, ela foi procurar o próprio Gene Roddenberry, que a colocou nos filmes da saga. A série havia parado desde 1969 e ela retorna na versão das telas, mas não conta com o apoio moral dos colegas, apenas de Leonard Nimoy, o Dr. Spok.

Em seu livro, ela conta sobre os ataques sexuais sofridos pelas atrizes naqueles anos. Tornou-se uma voz presente nos eventos sobre Star Trek, interagindo com os fãs, e manteve uma forte amizade com Nimoy, o prefaciador da sua autobiografia. Morreu em maio de 2015, pouco tempo depois do velho amigo. Tinha 85 anos.

           



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