BLOG DO ALEX MEDEIROS

25/07/2018
Resta o Prêmio Multishow

Neymar não precisa brigar este ano pela "bola de bronze" de terceiro melhor do mundo. Se bem que não seria fácil superar uns quinze caras que jogaram mais que ele na temporada. Ontem, a FIFA pôs uma pá de cal no fracasso da Copa e no deboche mundial a que o jogador foi exposto, num recorde de memes.

Dez craques estão na lista da disputa do The Best, o prêmio criado como paralelo à Bola de Ouro da revista France Football, e nela não consta o camisa 10 da seleção de Tite, que, aliás, também ficou fora da lista dos melhores técnicos do mundo. Foram selecionados onze treinadores, sem o brasileiro.

Horas depois da divulgação dos candidatos ao prêmio, a mídia de Pindorama tratou de buscar argumentos que servissem de unguento ao universo pacheco que desde as eliminatórias da Copa 18 sonhava e delirava com um Neymar absoluto, como Pelé, ou mágico, como Garrincha, levando o Brasil ao título.

O jogo sujo das simulações de faltas, as quedas como armas de malandragem, os chiliques de menino mimado, tudo isso forjou os resultados pessoais que afastaram o jogador das honrarias que ele sonha como glória, mas caindo no pecado de não se inserir no sucesso coletivo. Tem sido assim desde o Santos.

Pois foi assim na trágica final interclubes em que o time paulista tomou um vareio de bola do Barcelona; e Neymar assistindo Messi jogar para depois atirar elogios que vislumbravam a transferência para o clube catalão. E lá chegando, viveu incomodado com a coadjuvância, até nos gols de Suarez.

Se foi para o PSG deixando a porta do Barça fechada exatamente no setor da torcida, que o bombardeou de desaforos. Baixou em Paris como um invasor mal-humorado, peitando Cavani sem entender que o uruguaio era o ídolo da bastilha. Agora já sabe que terá outra sombra, bem maior, de MBappé.

Na semana passada, o portal de notícias Onda Cero, da Espanha, publicou matéria revelando que a diretoria do PSG só considera invendível o garoto que virou símbolo da conquista francesa em campos russos. Se Neymar não sentiu o problema, seu despreparado pai decerto já viu que não vai ser tão fácil.

O inferno astral do jogador e os esforços da mídia pacheca em tentar esconder a rejeição mundial me lembra aqueles tempos em que o peladeiro Robinho era o sonho de consumo da torcida nacional. A imagem catapultada por robustos jabás travestidos de marketing era quase um novo símbolo cívico da Pátria.

Na coluna de O Jornal de Hoje e no Twitter, eu remava contra a corrente pra frente em favor do boçal da Vila. Qualquer pedalada ridícula que ele aplicava num zagueiro botocudo era motivo de louvação da choldra. Até dondoca semiletrada me abordava em restaurante repetindo as loas de Galvão Bueno.

No ano passado, fui fuzilado por não apostar na ascensão europeia do PSG só pelo fato da presença de Neymar. Pra provocar, apostei que o time não iria longe na Champions; e que não foi mesmo. Antes e durante a Copa do Mundo, era uma expectativa só no país: o hexa estava no papo e Neymar reinaria.

Aí vieram os fricotes do rapaz (chamam-no de menino Ney), as quedas premeditadas, a histeria contra juízes, imprensa e até colegas de bola. Depois veio o deboche internacional e agora a ausência na lista da FIFA. Mas, quem sabe, o tosco estágio de ator mambembe reserve ainda o Prêmio Multishow.





24/07/2018
A figurante inesquecível

Na penumbra do mundo de glamour do cinema, por trás dos holofotes, longe das câmeras de Hollywood, há muitos sonhos destruídos, episódios sórdidos, carreiras efêmeras e talentos que se dissolvem no ar da noite para o dia, artistas que jamais experimentaram a glória, mesmo por um tempo breve.

E há também, em grande quantidade, estrelas e astros que brilham por algum tempo, mas que a escuridão dos traumas e das angústias pessoais acabam apagando esse brilho. Gente como a atriz Grace Lee Whitney, a loirinha que em 1966 conquistou a geração Star Trek na pele da ordenança Janice Rand.

A personagem assessorava o Capitão Kirk, eterno papel de William Shatner, e mesmo tendo a aprovação dos fãs do épico seriado de Gene Roddenberry logo começou a ser empurrada para os corredores e o fundo de cena da nave Enterprise. Tímida e discreta, Grace Lee tinha então 36 anos naquele tempo.

Não se sabe os motivos da evaporação gradual do seu papel, principalmente para os fatos cenográficos e reais ali expostos, já que a paquera entre o capitão e sua ordenança contaminara os artistas Shatner e Whitney. Mas ele próprio concordara em reduzir a presença de Janice perto de James T. Kirk.

A vida real de Grace era um buraco negro de sentimentos contidos, que não escapavam para o mundo lá fora. Tudo só veio à tona em 1998, quando ela aos 68 anos publicou sua autobiografia, revelando feridas que atravessaram sua juventude sem qualquer cura e sonhos que nunca conseguiu realizar.

No auge da participação em Star Trek, ela encarou uma dura jornada de assédios no ambiente de trabalho, até que um dos produtores a estuprou no próprio set de filmagens da rede de televisão NBC. Isto somado à revelação de que era filha adotiva (fato doloroso desde os 7 anos) foi um choque estelar.

Depois do estupro, sua batalha diária se dividiu em três frentes: manter o emprego na série, fazer terapia contra depressão e tentar escapar do vício do álcool e das pílulas de dieta pra segurar o corpo sedutor. Mas não há mal que não traga o pior, e ela foi demitida do seriado 24 horas após ser violentada.

Grace Lee merecia um destino de êxito profissional e de equilíbrio pessoal; já buscava o mundo artístico aos 3 anos cantando na luz da geladeira e estreou nos palcos ainda adolescente, chegando depois a Broadway. Os primeiros passos no cinema foram num filme de Billy Wilde e na série Gunsmoke.

Em 1976, quando se recuperou do álcool e administrou os traumas, ela foi procurar o próprio Gene Roddenberry, que a colocou nos filmes da saga. A série havia parado desde 1969 e ela retorna na versão das telas, mas não conta com o apoio moral dos colegas, apenas de Leonard Nimoy, o Dr. Spok.

Em seu livro, ela conta sobre os ataques sexuais sofridos pelas atrizes naqueles anos. Tornou-se uma voz presente nos eventos sobre Star Trek, interagindo com os fãs, e manteve uma forte amizade com Nimoy, o prefaciador da sua autobiografia. Morreu em maio de 2015, pouco tempo depois do velho amigo. Tinha 85 anos.





23/07/2018
Mentiras de um ditador vermelho

Engana-se quem pensa que os grandes arsenais de armas nucleares e a força tecnológica dos exércitos de países ricos são os maiores riscos para a continuidade civilizatória do planeta. Há outras armas, de destruição em massa, que não se enquadram em qualquer convenção armamentista.

Nada pode superar em poder letal a arma da mentira, da dissimulação política, tão bem manejadas por ditadores e governos corruptos. Quanto maior a mentira, melhor para os interesses escusos de tais regimes e seus canalhas de plantão. No mundo atual, Putin, Trump, Maduro, Temer e Lula são useiros.

O chefe russo jura que não existem tropas russas na Ucrânia; o boneco americano garante que acredita na democracia; o jagunço venezuelano afirma todo dia que não mata seu povo de fome; o vampiro brasileiro vende o fim de uma crise que nem chegou no meio; e o sapo petista é um poço de mentiras.

Nesse momento, o mundo assiste aos crimes bárbaros de um grande aluno desses bostas citados no parágrafo acima. Seu nome é Daniel Ortega, um verdugo socialista que na juventude se fantasiou de arauto da liberdade e que agora, no poder absoluto da Nicarágua, aponta canhões para as massas.

Na passagem dos anos 70 para 80, minha geração acompanhou atentamente a luta dos partidários de Ortega para derrubar a ditadura de Anastácio Somoza. Nas praças, nos botecos, nos cinemas e nos corredores da faculdade, torcíamos pelos jovens nicaraguenses - como nós - da Frente Sandinista.

Mas hoje aquilo tudo é passado, apodrecido na mentira do presente em que se transformou o governo Ortega, agora a repetir as mesmas maldades, a mesma violência que um dia sofreu das tropas somozistas. Daniel acusa os estudantes de delinquentes, os padres católicos de satânicos, num discurso canalha.

Como bom companheiro de Lula e seus asseclas, Ortega utiliza a mesma prática de aplicar a mentira para forjar sua falsa verdade. Chama de golpistas as massas que se levantam contra sua ditadura, manda seus gorilas milicianos atacar os estudantes, num saldo de horror com 400 mortos em três meses.

A Nicarágua dominada pela ditadura socialista já não busca ajuda do movimento de direitos humanos, como no tempo da juventude do seu chefão. Pelo contrário, os representantes da ONU agora são "personas non gratas", tratados como inimigos da revolução mentirosa que um dia Ortega inventou.

O cinismo e a mentira do regime truculento nicaraguense enojam. E pensar que a cada geração há sempre jovens dispostos a crer na fantasia comunista, com disposição de levantar bandeiras e sustentar partidos como se tudo isso fosse realmente a prioridade de suas vidas ainda em estágio seminal.

Em quase 40 anos de domínio sandinista, Daniel Ortega foi eleito presidente pela primeira vez em 1984, e após perder algumas eleições voltou ao poder em 2007, numa ampla aliança onde couberam malandros sindicais e empreiteiros ladrões (lembra alguém?). E segue no poder dominando milicos e juízes.

Na Nicarágua de Ortega, a militância socialista ocupou os espaços no serviço público, criou um Estado fanático e assassino, e a mentira virou um programa de governo. Uma prática que já ergueu ditadores por toda a América Latina, como já fizera no Leste da Europa. Desde 1989, o Brasil a tem ouvido também.





20/07/2018
Sharon Tate days

A modelo e atriz Sharon Tate foi barbaramente assassinada em 9 de agosto de 1969.
No ano que vem faz 50 anos, boa oportunidade para instituir o Dia Mundial Contra o Genocídio da Mulher Branca.





20/07/2018
A chapa Dudu

Nas eleições do Rio Grande do Norte vai ter uma chapa majoritária formada com Carlos Eduardo (PDT) para governador e Carlos Eduardo (PP) para vice.

Uma unidade de nomes pessoais escondendo a discrepância entre os partidos de Leonel Brizola e Paulo Maluf.





20/07/2018
Vestidos para voar

Li num dos jornais ingleses que acesso de manhã cedo a notícia de que um engenheiro britânico chamado Richard Browing acabou de colocar à venda algumas unidades de uma roupa que ele inventou para nos fazer voar. A vestimenta dividida em cinco peças custa a bagatela de 380 mil euros.

A reportagem diz que o mecanismo foi construído a partir de uma impressora 3D e que fica nos braços a propulsão que permite ao usuário levantar voo e atingir velocidade de até 51 km por hora, numa altura que se aproxima dos 4.000 metros. A roupa precisa de gasolina ou diesel para sair do chão.

Voar talvez seja a maior das vontades humanas, quiçá um legado de Ícaro presente nos sonhos de todas as gerações e que alimentou a fantasia dos homens pelos séculos além, tanto na concepção religiosa dos anjos ou na cultura ficcionista dos super-heróis. Todas as pessoas já sonharam voando.

Há também aquele sonho do voo acordado, feito nas asas da imaginação, do pensamento. Eu comecei a voar ainda na primeira infância, correndo num beco da Cidade Alta, a rua Padre Calazans, de uma esquina a outra - coisa de poucos metros - para observar as duas luas cheias nos céus do Potengi.

Um dia, ali por 1965 ou 1966, vi um homem voador. Vestido de azul e vermelho estampado na capa de uma revista em quadrinhos. Foi meu primeiro contato com o Superman, um impacto de rito de passagem. Fazia pouco tempo que eu aprendera a dominar o alfabeto e a partir dali, passei a devorar leituras.

A relação diária com o super-herói da DC Comics, publicado aqui pela Ebal de Adolfo Aizen, provocou alguns prejuízos domésticos, como as toalhas e lençóis de mamãe, puídos de tanto amarrá-los ao pescoço no improviso da capa do homem de aço. Também havia os arranhões e hematomas das decolagens.

Lá pelos dez anos, aprendi a administrar o sonho de voar e a compreender as possibilidades do sonho imaginativo. O Superman já havia me apresentado outros colegas voadores, como Ajax, Supergirl, Shazan, Lanterna Verde, Miss América, Mon-El... Com eles, voei na criatividade de inventar brinquedos.

O voo solitário do pensamento me ensinou a brincar sozinho e não depender de companhia nos períodos de aula, quando os amigos não estavam disponíveis na rua em tempo integral. Criava jogos com tampas de garrafa, papéis de cigarro, caixas de fósforo, botões de roupa coloridos, latas de leite.

Meus desejos de voar, de ter superpoderes, de viajar no tempo, também deram capacidade de inventar roteiros e pegadinhas para trolar colegas desavisados e mais ingênuos. Cheguei a pregar trotes num garoto que hoje se enquadrariam na prática de bullying. O pobrezinho também vivia sonhando.

Diferente de mim, que queria voar mas sabia que não podia, ele queria e acreditava que existiam condições além das leis da física para fazê-lo voar. Eu tratava, então, de alimentar seus desejos inventando coisas malucas que o garoto logo adotava, sem a menor consciência dos desconfortos trazidos.

Entre 1970 e 1971, um livro do acervo do meu irmão me chamou atenção. Li Fernão Capelo Gaivota num voo só e logo descobri que a obra do americano Richard Bach era uma campeã de vendas, como foi O Pequeno Príncipe nas décadas anteriores. A leitura me deu mais autoridade sobre a arte de voar.

Mas, também forjava em mim uma superioridade intelectual sobre o amigo ingênuo. Daí ele acreditava que voaria se tomasse café misturado com pó de k-suco de framboesa, ou se amarrasse uma folha de castanhola na cabeça e se jogasse do alto de uma calçada. Queria encontrá-lo agora pra dividir a roupa de voar que está à venda em Londres.





18/07/2018
Um campeão restaurado

No intervalo de vinte anos desde a conquista da única copa do mundo, a seleção francesa tinha um ponto de conjunção com aquele passado quando iniciou a corrida pela taça da FIFA em campos russos. O técnico Didier Deschamps era essa figura de ligação com a glória da geração de Zidane.

Em 1998, quando a França esmagou o Brasil na final da copa no Stade de France, em Saint Denis, cidade ao norte de Paris, ele era o volante e capitão do time comandado pelo técnico Aimé Jacquet. Também era jogador da Juventus, saindo nas duas temporadas seguintes para o Chelsea e Valência.

No mesmo ano em que encerrou a carreira no time espanhol, em 2001, ainda com 32 anos, começou a treinar a equipe do Mônaco, levando-o à final da Champions League em 2004. Dois anos depois assumiu a Juventus que havia sido rebaixada à série B, devolvendo o time à principal série do Calcio.

Deschamps voltou pra liga francesa em 2009 para dirigir o Olympique de Marseille, que já amargava 18 anos sem títulos. Encheu a equipe de jogadores argentinos, enfiou um espanhol no meio e completou com pratas de casa, ganhando com autoridade o campeonato e reforçando sua boa reputação.

Foi em 2012 que topou a missão de reestruturar a seleção nacional, que naufragou em três copas seguidas, perdendo a final de 2006 num jogo dramático contra uma rival sempre surpreendente, a Itália. Para piorar as coisas, os azuis deram vexame na Copa de 2010, caindo na primeira fase.

Deschamps tinha então quase a obrigação de reorganizar o time para as copas de 2014 e 2016. Começou bem a campanha no Brasil, batendo Honduras por 3 x 0 e Suíça por incríveis 5 x 2, mas tropeçou no Equador num 0 x 0 preocupante. Avançou nas oitavas com 2 x 0 na Nigéria e seguiu confiante.

Só que nas quartas lhe esperava a Alemanha, a seleção que havia inovado num planejamento ilustrado pelo mistério de uma concentração escondida em bucólicas terras da Bahia. Os franceses caíram por 1 x 0 num gol do zagueiro Hummels, que tinha dez anos quando Deschamps ganhou a Copa 1998.

A desclassificação não comprometeu o trabalho de apenas dois anos na seleção, que logo depois iria tentar ganhar a Eurocopa de 2016 jogando em casa. A final contra Portugal fez acender no treinador a agonia do vice-campeonato do Mônaco, quando o Porto fez 3 x 0 e levou a taça de 2004.

Já disseram que um técnico aprende mais nas derrotas do que nas vitórias. E domingo, após conquistar o bicampeonato mundial, Didier Deschamps revelou numa das tantas coletivas de imprensa que os traumas diante do futebol português o ajudaram a reconstruir a essência campeã da França de 98.

Os títulos perdidos frente aos colegas lusos José Mourinho (2004) e Fernando Santos (2016) estiveram sempre como súbitas sombras em sua prancheta de desenho tático. Foi ele quem expandiu em campos russos o futebol de craques como Griezmann, MBappé, Kanté e Pogba, todos monstruosos na vitória.

Vinte anos depois da glória da sua geração, a geração do gênio Zidane, Deschamps e seu pragmatismo recolocaram a França no topo do planeta bola. Seu time superou os rivais com velocidade, eficiência técnica, solidez tática e um espírito de equipe só inferior à própria Croácia.
O título foi obra da restauração, onde a França voltou a ser exposta no Louvre da Copa.





16/07/2018
Os extremos nas urnas

Desde o final do ano passado, o Instituto Paraná Pesquisas vem realizando aferições em diversos estados do país a respeito da disputa presidencial. A partir de maio deste ano, com as costuras políticas iniciadas e algumas pré-candidaturas mantidas, o confronto esquerda vs direita tomou forma.

Assim como os demais institutos, o Paraná também pesquisou cenários com a presença e ausência de Lula, gerando desconfianças do eleitorado anti-PT por um lado, e provocando histeria em líderes petistas por outro. Entre maio e junho, os números apurados mostram agora uma nova realidade no ar.

Até maio, por exemplo, a liderança de Lula representava quase o dobro do segundo colocado, o deputado carioca Jair Bolsonaro. Mas a partir daí, o confronto entre ambos adquiriu ares de Fla x Flu, principalmente nos cinco maiores colégios eleitorais do Brasil. Há uma leve vantagem para Bolsonaro.

Em São Paulo, ele aparece com 20,6% e Lula tem 19,5%. Sem o petista, o candidato do PSL vai a 21,4% e o ex-governador do estado Geraldo Alckmin sobe para 18,4%. O ex-prefeito Fernando Haddad, plano B do PT, atinge apenas 5,1%, atrás de Marina Silva e até do cearense Ciro Gomes.

No Rio de Janeiro, Bolsonaro vence em qualquer simulação, tanto com Lula ou sem ele. O ex-capitão do Exército tem 25,1% contra 21,5% do preso da Lava Jato. Quando o candidato do PT é Haddad, aí Bolsonaro pula para 27,4%. A mesma situação do duelo no Rio se repete no Rio Grande do Sul.

Bolsonaro é o preferido dos gaúchos na pesquisa do dia 12 de junho. Seu índice é de 28,1%, enquanto o de Lula é de 20,5%. A briga no quinto colégio do país se concentra nos dois e não sobra espaço para os outros postulantes ao Planalto, sendo terceiro colocado Ciro Gomes com apenas 6,9%. Filha da terra, a deputada Manuela D'Ávila aparece com pífios 4,4%.

Já em Minas Gerais ocorre uma vantagem de Lula sobre Jair Bolsonaro. O petista alcança 27,8%, enquanto o adversário tem 23,4%. Marina tem 11,6%, Ciro 7,5% e Alckmin 6,5%. Na retirada de Lula pelo nome de Fernando Haddad, a liderança é de Bolsonaro, com 25,6%, e Marina vai a 18,1%.

Na Bahia, estado com forte presença do PT na estrutura de poder, Lula dispara com 43,4%, enquanto Bolsonaro se isola na segunda posição com 16,8%, o dobro de Marina que tem 8,3%. Sem Lula e com Haddad, Bolsonaro e Marina estão tecnicamente empatados com 19,6% e 18% respectivamente.

No balanço dos cinco maiores colégios, o cenário baiano é o único onde o nordestino Ciro Gomes atinge dois dígitos, 13,5%. Há uma tendência visível dos votos de Lula distribuídos entre Marina e Bolsonaro, num fenômeno de fundir a cuca dos sociólogos. Precisam saber que os extremos se atraem.





11/07/2018
O último silêncio de Steve Ditko

Quando as moedas que meu pai me dava para comprar revistas em quadrinhos permitiram os primeiros contatos com o Homem-Aranha, em 1969, um dos criadores do herói já nem estava mais em parceria com Stan Lee. Os desenhos de Steve Ditko conquistavam fãs com efeito retroativo no Brasil.

Publicada pela Ebal, a revista do Aranha estreou aqui 7 anos depois do lançamento nos EUA, quando Ditko assumiu a elaboração do personagem, superando a concepção de Jack Kirby. Foi dele a ideia das cores do uniforme e os jatos de teias no punho, adaptando sugestão do colega Eric Stanton.

Ao lado de Stan Lee e Jack Kirby, Steve Ditko formou a mais brilhante e criativa trindade da nona arte, sendo também os três pilares de sustentação da Marvel na chamada era de prata dos quadrinhos. Quando pariram juntos o Homem-Aranha, em 1962, já tinham doze anos de parceria e amizade.

Filho de uma família oriunda da antiga Tchecoslováquia, Steve Ditko cresceu na Pensilvânia folheando revistas do Príncipe Valente, de Hal Foster; Batman, de Bob Kane; The Spirit, de Will Eisner; e O Fantasma, de Lee Falk; todos jovens desenhistas e roteiristas da geração que fantasiou toda sua infância.

Pouco antes de conhecer Kirby e Lee, deixou o ensino médio e se alistou no exército americano, servindo na Alemanha do pós-guerra, onde desenhou para um jornal interno. Ao retornar, foi estudar na Escola de Cartunistas e Ilustradores, em Nova York. Ali montou estúdio com o amigo Eric Stanton.

Em 1963, um ano após o Homem-Aranha, Ditko concebeu o personagem Dr. Estanho, a partir de uma solicitação de Stan Lee para inserir um novo vilão nas revistas. Se inspirou no mágico Mandrake - como já fizera mascarando por completo Peter Parker a partir do Batman. Bebeu Lee Falk e Bob Kane.

Brigou com a Marvel e os parceiros em 1966 e saiu vendendo sua genialidade para outras editoras, inclusive a rival DC Comics, chegando a botar seu traço no herói de infância, Batman, e a mudar conceitos no visual da Legião dos Super-Heróis, outra publicação da Ebal que nos trouxe Ditko com atraso.

Steve Ditko foi referência para muita gente que mudou os quadrinhos depois dele, como os britânicos Alan Moore, Neil Gaiman e Mark Millar. O próprio John Romita, que deu dimensão épica ao Homem-Aranha, reconhecia o legado, mesmo tendo sido um jovem que quase nada leu do herói antes de adotá-lo.

As batalhas jurídicas pela co-autoria do Homem-Aranha, que lhe afastaram dos velhos parceiros, nunca lhe empurraram para a imprensa; tinha aversão à exposição pessoal ou notoriedade; bastavam seus direitos. Já velho, ao saber dos primeiros traços do aracnídeo em leilão, disse: "isso pouco me importa".

O silêncio que o acompanhou em vida foi mais enorme na morte, cuja notícia chegou à mídia vários dias depois de ocorrida. Seu coração parou em 27 de junho e os fãs só tomaram conhecimento no último fim de semana. Steve Ditko merece todas as homenagens e honras dedicadas a Stan Lee e Jack Kirby.

Dessa trindade, não é fácil identificar quem é pai, filho e espírito santo.





11/07/2018
Sexta tem resenha da Copa na FM Cidade

Próxima sexta-feira, antevéspera da grande final da Copa 2018, estarei logo cedo no programa Bom Dia Cidade, apresentado na rádio 94 FM pelos amigos Jener Tinoco e Gustavo Negreiros. Vamos bater papo sobre a copa que está terminando, um bate-bola descontraído como foi na primeira vez que fui lá.

Aliás, a primeira conversa que tive com a dupla de apresentadores foi no dia 4 de junho, dez dias antes do começo dos jogos na Rússia. Naquele, dia Jener me perguntou sobre as chances das seleções e eu falei sobre algumas, favoritas ou não.

Querem saber o que eu disse? Vão lá na capa do site e cliquem na seção "Vídeo do Dia". Prestem atenção nas três primeiras seleções que eu citei como prováveis candidatas a fazer bonito na Copa.





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