BLOG DO ALEX MEDEIROS

07/08/2018
A musa do carrasco de Lennon

Quando John Lennon pisou pela primeira vez nos EUA, em 1964, havia no Texas um garoto que ao mesmo tempo que assistia os Beatles no programa Ed Sullivan Show via o pai espancar a mãe. No dia que Elvis Presley morreu, em 1977, o mesmo garoto - agora com 22 anos - tentava suicídio no Hawaí.

Entre os 9 e 22 anos, Mark Chapman passou por bullying, drogas, psicopatia e delírios de poder e celebridade. Em 23 de outubro de 1980, se demitiu do emprego e no último cartão de ponto assinou John Lennon no lugar do próprio nome. Fez as malas, pegou um livro de J.D. Salinger e foi para Nova York.

Passou a frequentar o Central Park e as cercanias do Edifício Dakota, lugares onde o líder dos Beatles passeava e morava respectivamente. A década de 80 iniciara com Lennon voltando a produzir após o silêncio musical do final da década anterior. Em novembro, lançou com Yoko o álbum Double Fantasy.

Antes disso, a revista Esquire publicou um longo artigo destacando a fase de reclusão do artista, a vida doméstica num apartamento decadente e, provavelmente, concentrado apenas em contar os milhões no banco e cuidar do filho pequeno, nascido em 1975. Chapman leu, antes de ir pra Big Apple.

E leu também, bastante, o romance O Apanhador no Campo de Centeio, única obra célebre de Salinger que fala de um adolescente depressivo, mentiroso, mau aluno e temperamento dividido entre afeto e ódio. No dia 8 de dezembro de 1980, ele ficou circulando diante do prédio onde morava John Lennon.

O compositor passou aquele dia se deslocando para entrevistas sobre o novo disco, algumas vezes parando para dar autógrafos aos muitos fãs que sempre seguiam seus passos. Numa das vezes, o próprio David Chapman foi alvo da gentileza do beatle. Mas, na segunda vez, foi abatido com quatro tiros.

Trinta e oito anos depois do assassinato que desolou milhões de fãs dos Beatles em todo o mundo, e a poucos dias do criminoso ter sua pena avaliada mais uma vez, uma entrevista no jornal inglês The Mirror agita a beatlomania.

Gloria Hiroko Chapmam, a mulher do assassino, revelou que o marido lhe avisou da ideia de matar Lennon dois meses antes de concretizar o crime. Ela disse que quando ouviu a notícia no rádio e na TV, logo teve a certeza de que sabia quem foi o autor dos disparos na zona oeste do famoso Central Park.

Em setembro de 1980, Chapman foi até Nova York e voltou assustado com uma ideia arriscada que tinha o objetivo de tornar seu nome famoso. Gloria disse ao jornal que o marido lhe contou e que teria desistido por amor a ela. Na segunda viagem dele, ela disse que não imaginou que o motivo era o mesmo.

Ela revelou que Chapman mentiu ao dizer que havia jogado no mar a pistola adquirida ao tempo do emprego de segurança no Hawaí. Contou que estava vendo TV e viu os créditos "John Lennon foi baleado por um homem branco".

Glória ainda espera o marido, que no dia 20 próximo terá seu décimo pedido de liberdade condicional avaliado pela justiça americana. Já a viúva de Lennon, Yoko Ono, jamais aceitou a soltura do homem que calou o autor da canção Imagine, um hino pacifista feito em 1971, no auge da Guerra do Vietnã.

       



06/08/2018
Morreu Joël Robuchon

Luto no mundo gastronômico. Faleceu aos 73 anos o chef de cozinha francês Joël Robuchon, o maior ganhador de estrelas no famoso e rigoroso Guia Michelin, que avalia os restaurantes do mundo inteiro. Foram 32 estrelas.


Nascido em 1945 em Poitiers, na parte central da França, Robuchon recebeu muitos reconhecimentos ao longo da carreira de cozinheiro, sendo considerado o melhor do século XX pela renomada revista Gault & Millau, que revolucionou o universo gastronômico e patrocinou a Nouvelle Cuisine.

Sua morte foi consequência de um tumor no pâncreas, que o levou a um procedimento cirúrgico há um ano. O chef da cozinha do Palácio dos Campos Elíseos, sede do governo francês, Guillaume Gómez, postou no Twitter: "O maior profissional que a cozinha francesa já teve, um exemplo para as futuras gerações de chefs".

       



06/08/2018
45 anos hoje do programa Fantástico

Num dia como hoje, em 1973, uma noite de domingo, a TV Globo estreava um novo programa, uma revista eletrônica com a função de entreter e também de informar. Fruto da criatividade e antevisão de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, entrou no às 20h o Fantástico: o Show da Vida.

Eu tinha 14 anos e nas imediações da casa dos meus pais existia no máximo uma dezena de televisores, nenhum ainda em cores, apesar das improvisadas telas que imitavam o colorbar dos futuros aparelhos coloridos, só que em faixas horizontais. Era o tempo em que a maioria assistia tudo nos televizinhos.

Apenas no ano de estreia o programa foi apresentado em preto e branco, numa abertura tipo musical, onde um par de crianças adentrava o palco e abria uma cortina para o surgimento de dançarinos circenses, enquanto a música-tema abria com sons de piano, harpa e xilofone, num barulho de águas e sinos.

A letra foi composta pelo próprio Boni, enquanto Guto Graça Mello criou a melodia e os arranjos. A execução ficou com a orquestra e o coral da gravadora Som Livre, que poucos meses depois lançou o LP com a canção em diversos estilos. Não demorou e se tornou a sonoridade das noites dominicais.

Foi um ano de grandes mudanças no Brasil. A cena musical pós Tropicália explodiu com produções que se tornariam épicas, como os discos e canções de Raul Seixas, Secos & Molhados, Luiz Melodia, Sergio Sampaio e Walter Frango. Os bregas e românticos reeditavam a Jovem Guarda na audiência.

Aquele 1973 foi citado literalmente em duas músicas que não paravam de tocar no rádio. Campeão de vendas de discos, Antônio Marcos emocionava cristãos com O Homem de Nazaré, letra de Claudio Fontana: "1973, tanto tempo faz que ele morreu, o mundo se modificou, mas ninguém jamais o esqueceu".

O outro a cantar - e gritar - o ano foi o maluco Raulzito fundindo a cuca do país com a música e letra de Ouro de Tolo: "... ganho quatro mil cruzeiros por mês, eu devia agradecer ao Senhor por ter tido sucesso na vida como artista, eu devia estar feliz porque consegui comprar um Corcel 73".

Na guerra pela audiência das famílias brasileiras, a Globo brigava com a Tupi com suas novelas. Quando o Fantástico estreou naquele agosto, a Tupi tinha acabado de exibir Vitória Bonelli, sucesso que iniciara em setembro de 1972 e tinha grande elenco, destacando um jovem ator chamado Tony Ramos.

A Globo atacava com um time de peso na novela Cavalo de Aço, que sairia do ar no meio do mês da estreia do Fantástico. Não foi fácil para a Tupi enfrentar o talento de Tarcísio Meira, Glória Menezes, José Wilker, Betty Faria, Arlete Sales, Claudio Cavalcanti, Renata Sorrah, Carlos Vereza e Stênio Garcia.

A emissora dos Diários Associados sustentou a briga com Rosa dos Ventos, iniciada em julho logo que terminou Vitória Bonelli e atravessaria o ano inteiro até novembro. No elenco, de novo Tony Ramos e mais Arlete Montenegro, Geraldo Del Rey, Fausto Rocha, Wanda Estefânia, Nicette Bruno, Adriano Reys, Nathália Timberg, Ruthinéa de Moraes e a gata da hora, Nádia Lippi.

Nesses 45 anos de Fantástico, tudo mudou quase para pior: mudaram as novelas, as canções, o entretenimento televisivo e também o próprio Show da Vida, resumido hoje a matérias policiais, aberrações comportamentais e tudo quando é miséria do século XXI. O Fantástico agora é o Show da Morte.

       



03/08/2018
Mídia, fakenews e Shakespeare

Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a filosofia. Isto se repete com dez entre dez pessoas que jamais leram Hamlet. Assim como há outra coisa maior por trás da cruzada da grande mídia contra os fakenews. Não, mil vezes não. A imprensa clássica não abraçou de repente a verdade.

Falsas notícias sempre existiram, assim como manipulação dos fatos, que ao fim e ao cabo são a mesma coisa. O que os jornalões e as televisões, com rima e tudo, estão fazendo é uma espécie de delação premiada para impedir que aqueles que hoje os repetem não assaltem seus usuários.

A mídia oficial está num cagaço cuja visibilidade extrema não tem jeito de ser camuflada por uma campanhazinha de doutrinação dos leitores, ouvintes e telespectadores, que só tem uma finalidade: não perdê-los para as redes sociais, para os blogs e sites independentes e para grupos do WhatsApp.

O advento da Internet mudou o azimute da comunicação social, tirou da mídia estabelecida a exclusividade dos fatos e a reserva de mercado dos acessos a opiniões e análises. Há um fenômeno que poucos estão percebendo, além da midiazona, que é a onipresença dos aplicativos.

Foram-se os tempos dos leitores privilegiados com acesso a artigos, crônicas, críticas e debates até então restritos aos ambientes acadêmicos, políticos e intelectuais. Nos mais distantes recônditos do país, nos mais esquecidos grotões do mapa, o tal zap zap está fazendo um estrago.

Lê-se tudo pelo Brasil afora, sem precisar dos acessos aos jornais, revistas e canais de TV. Um vaqueiro repassa pra outro textos presumíveis de Arnaldo Jabor, um feirante discute em grupo sobre Lula e Bolsonaro, milhões de brasileiros compartilham o que antes era assunto de uma elite.

Mesas redondas em canais fechados e comentários analíticos em telejornais das grandes redes são desmitificados por versões de um mesmo fato na boca de um youtuber; os velhos plantões das redações sofrem atraso de longos minutos em relação ao fato disseminado no Twitter ou Facebook...

No processo eleitoral que se avizinha, o efeito disso tudo já está nas ruas, através de uma rejeição gigantesca à política. A massa já não tem manobra, molda sozinha, ou em nichos internéticos, sua opinião sobre tudo e sobre todos. É essa realidade que a campanha anti fakenews camufla em si mesma.

Lembra Hamlet, no esforço de esconder de Horácio e Marcellus os detalhes do encontro com o fantasma (seria um fake?). Após revelar tudo, quer que ambos saibam assimilar só para eles o fato. A questão é que entre verdades e mentiras, a imprensa sempre navegou na fronteira das duas. Ser fake ou não ser, eis a questão.

       



02/08/2018
Violência, saúde e economia na pauta da AL

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte terá uma agenda vasta para o mês de agosto. Importantes debates estão programados para o período, com a realização de seis audiências públicas, discutindo desde violência contra mulher, economia, combate às drogas, proteção à criança e saúde pública.

No dia 7 de agosto, o tema em debate no Poder Legislativo será a Lei Maria da Penha, que trata sobre proteção às mulheres vítimas de violência doméstica. População, autoridades e parlamentares discutirão acerca dos avanços e desafios da legislação, que completa 12 anos. A discussão está prevista para as 14h, no auditório da Casa.

Uma semana depois, no dia 14, o tema em discussão será o combate ao uso de entorpecentes. Também agendada às 14h, o debate vai tratar políticas sobre drogas e famílias junto às comunidades terapêuticas.

Especialistas no assunto estarão no Legislativo para tratar do tema. Um dia depois, o assunto será a discussão do futuro da economia do Rio Grande do Norte.

A Frente Parlamentar em Defesa do Comércio, Indústria, Turismo, Serviços e Empreendedorismo vai discutir junto à população o projeto Mais RN, voltado ao desenvolvimento econômico do estado.

Na segunda-feira seguinte, dia 20, o debate terá como foco o respeito aos direitos da criança e da mulher. Na audiência, também agendada para às 14h no auditório da Casa, sociedade civil organizada, representantes de movimentos sociais e autoridades debaterão junto aos deputados os deveres do Estado para garantir os direitos estabelecidos por lei.

Dois dias depois, em 22 de agosto, os jovens também serão foco do debate, mas em discussão sobre o sistema de garantia à criança e ao adolescente vítima ou testemunha de atos de violência. Representantes do Estado, da área de Segurança Pública, Direitos Humanos e a sociedade civil participarão da discussão.

Ainda no mês, dia 23, a saúde será foco de discussão dos parlamentares. Dessa vez, o sistema de assistência odontológica à população será discutido no auditório Cortez Pereira, às 14h.

Os desafios, problemas e as alternativas para melhorias no atendimento serão discutidas por representantes da Secretaria Estadual de Saúde, unidades de saúde, servidores e representantes de classe.

Todas as audiências públicas são abertas à população, que pode participar dos debates no auditório, tirando dúvidas ou acrescentando ao debate. Além disso, as discussões também são transmitidas pela TV Assembleia para todo o estado.

       



31/07/2018
Coisas & coisas

COISA COM COISA
UMA COISA É A FLOR
OUTRA A MARIPOSA
 

       



30/07/2018
Após estagnar, Bolsonaro se recupera

Aconteça o que acontecer, o futuro do fenômeno Jair Bolsonaro, o pré-candidato de extrema-direita ao Planalto, vai depender de sua capacidade de capitalizar o uso das redes sociais. É que o seu PSL não conseguiu fechar alianças e, por causa disso, o ex-capitão do Exército terá reduzido espaço na propaganda oficial de rádio e TV - o partido terá menos de 10 segundos diários na programação de 24 minutos - e ausência de palanques fortes nos Estados. O problema para o presidenciável, e não só para ele, é que ainda não se sabe o quanto a eleição brasileira ainda é dependente do horário eleitoral gratuito, que começa em 31 de agosto. Antes mesmo que essa pergunta crucial seja respondida, a Internet, considerada maior trunfo e boia de salvação do militar reformado, deu sinais de arrefecer no fervor por sua candidatura. Nas últimas semanas, o apoio a Bolsonaro na redes sociais estagnou em relação ao seus concorrentes de campanha, segundo levantamento da consultoria Atlas Político. Só deu sinais de recuperação nos últimos dias, justo antes e na esteira de sua participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira.


A participação no Roda Viva é um dos testes de fogo de Bolsonaro, que lidera as pesquisas de opinião, ainda que sem grandes crescimentos recentes, se o nome de Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba, não é considerado. No centro do cenário e cercado de jornalistas, ele deixou sua zona de conforto nas redes, onde fala para boa parte dos convertidos, e se deparou com representantes dos principais jornais brasileiros, muitos dos quais ele critica frequente e insistentemente. Os primeiros momentos do pré-candidato foram tensos. Aparentando estar nervoso, ele enfrentou uma bateria de perguntas sobre as violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar. Ele repetiu sua argumentação negacionista: argumentou que não houve golpe em 1964 e minimizou o uso de tortura, que descreveu como o uso, "talvez", de "algumas maldades". Em outro momento, chegou a elogiar o ex-deputado preso pela Operação Lava Jato, Eduardo Cunha, pelo apoio do carioca ao projeto que obriga a existência de voto impresso. "Eu gostaria de ter estado mais vezes ao lado do Eduardo Cunha", disse. No decorrer dos blocos, fugiu de perguntas específicas sobre propostas programáticas, como para a recuperação econômica, e manteve o tom de enfrentamento e discurso contra as mazelas da escravidão e as cotas raciais.

       



29/07/2018
Rejeição total na pesquisa da FIERN

A Federação das Indústrias do RN publicou na manhã de domingo, 29, uma nova pesquisa de opinião (não é de hoje que a entidade investe em pesquisas nos anos eleitorais), agora realizada pelo Instituto Certus, averiguando o cenário do estado no âmbito econômico, administrativo e político.

Entre diversas aferições feitas, também foram aplicados questionários sobre a intenção de voto do eleitor potiguar para as eleições de outubro. E o resultado para a disputa ao governo do estado exibiu um quadro que se repete em outras pesquisas anteriores, tanto no RN quanto no Brasil inteiro.

Os índices da aferição espontânea, por exemplo, exibem pela enésima vez a rejeição absoluta do povo ao processo eleitoral, numa consequência clara do descrédito generalizado com a prática política no país nas últimas três décadas, desde que a proliferação de partidos ocupou o serviço público.

Há três décadas (desde meus tempos no Diário de Natal e no Jornal de Hoje) venho alertando os leitores sobre a importância da pergunta respondida espontaneamente, quando o questionário da pesquisa não induz o entrevistado com a apresentação prévia dos nomes dos candidatos.

É muito mais real um resultado na espontânea do que na estimulada. E o que mais uma vez a pesquisa da FIERN e da Certus mostrou foi simplesmente uma indiferença gigantesca do povo com os candidatos, como já vem ocorrendo em outros estados. Ninguém suporta assunto político faz tempo.

A pesquisa espontânea apontou mais de 80% dos eleitores potiguares rejeitando todos os candidatos a governador. Foram 49,15% se dizendo indecisos e 31,35% afirmaram não votar em nenhum. Fátima Bezerra (PT) obteve 8,72%, Carlos Eduardo (PDT) 6,10% e Robinson Faria (PSD) 2,91%.

Essa rejeição popular também se apresenta, inclusive, na aferição estimulada, quando há a presença dos nomes no questionário. Foram, 34,11% dizendo não votar em nenhum, enquanto 10,43% estão indecisos. Fátima Bezerra 29,15%; Carlos Eduardo, 15,39% e Robinson Faria, 6,31%.

Foi feita também uma averiguação do sentimento do eleitor com a eleição para presidente da República, e a indiferença potiguar se apresentou robusta na pesquisa espontânea, onde uma maioria de 65% rejeitou todos os nomes. O líder entre os citados, Lula (que nem é candidato), teve 24%.

Uma pergunta instigante na pesquisa foi sobre o poder de influência do voto, onde 52,48% responderam que ninguém influencia, enquanto 19,72% disseram ser os prefeitos. Já 5,25% responderam os vereadores; 6,38% o padre católico; 4,18% o pastor evangélico; e 3,83% o deputado estadual.

Uma coisa curiosa na divulgação da pesquisa é que foi feita apenas na página da FIERN no Twitter, iniciativa justificada pela própria pesquisa que mostrou 69,39% dos eleitores acessando a Internet. Entretanto, as postagens obtiveram pouquíssimas curtidas e compartilhamentos no microblog do passarinho azul.

       



29/07/2018
Andrômeda, a galáxia canibal que vai nos engolir

Daqui a quatro bilhões de anos, Andrômeda vai colidir com a Via Láctea. Modelos matemáticos e imagens de telescópios como o Hubble preveem a fusão entre as duas maiores galáxias do Grupo Local, a grande família galáctica que dominam com sua descomunal capacidade de atração gravitacional. Apesar do que podem sugerir as imagens dos telescópios, as galáxias não são bolas de luz hiperdensas. As estrelas dessas galáxias, milhões ao todo, estão separadas entre si por distâncias inimagináveis, e quando o choque acontecer não deve haver impactos entre seus mundos. Será mais uma reorganização progressiva, que acabará por formar uma gigantesca galáxia elíptica e mandará o Sistema Solar para uma região ainda mais periférica do que ocupa atualmente na Via Láctea.

Para saber o que acontecerá, pode ser útil olhar para o passado. Nesta semana, na revista Nature Astronomy, um grupo de cientistas publicou o que pode ser considerado um autêntico trabalho de detetive sobre o tempo profundo. Observando Andrômeda, concluíram que há dois bilhões de anos ela cometeu um ato de canibalismo galáctico. Naquele tempo, além de Andrômeda e da Via Láctea havia uma terceira grande galáxia no Grupo Local.

M32p - uma galáxia com nome muito mais anódino que suas companheiras vivas - foi despedaçada por Andrômeda, mas deixou um rastro de pistas agora reconstruído por astrônomos da Universidade de Michigan (EUA). Segundo eles, existe em torno da galáxia canibal um grande halo de estrelas que ocupam um espaço maior que a própria Andrômeda, e junto a ela uma estranha galáxia extremamente compacta, com uma densidade de estrelas que não se encontra em quase nenhum outro lugar do universo. Tratar de explicar a origem deste objeto misterioso foi o início da investigação. Os autores do trabalho publicado na Nature Astronomy afirmam que essa galáxia satélite, conhecida como M32 e que poderia se confundir com uma pequena galáxia elíptica, é na verdade o núcleo da galáxia apanhada por Andrômeda.

       



28/07/2018
MDB não crê em isolamento de Meirelles

Nas semanas em que se celebram as convenções partidárias no Brasil, as legendas estão acertando os últimos detalhes das alianças que vão definir a musculatura de cada candidatura ao Palácio do Planalto neste ano. O Centrão - grupo formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade - fechou filas com Geraldo Alckmin, do PSDB; Ciro Gomes (PDT) e emissários do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se digladiam pelo apoio do PSB e do PCdoB, em busca de uns segundos a mais de tempo de tevê que lhes permita construir a candidatura mais estruturada no campo da esquerda. Enquanto isso, quase que alheio às movimentações dos demais partidos, um gigante da política brasileira caminha para alçar seu primeiro voo solo em 24 anos - mesmo que o nome escolhido para a empreitada seja considerado por membros da própria sigla como fadado ao insucesso.


"Nós sabemos que o Henrique Meirelles vai ter muita dificuldade na eleição", avalia um interlocutor do presidente Michel Temer. Mas a importância da chapa presidencial que deverá ser encabeçada pelo ex-ministro da Fazenda para a cúpula do MDB, e principalmente para Temer, não pode ser medida pelo seu fraco desempenho nas últimas pesquisas de opinião (ele somou apenas 1% da preferência do eleitorado no último Ibope). A baixa probabilidade de uma vitória nas urnas é tratada como uma questão secundária. Para os assessores mais próximos de Temer, é mais importante garantir ao menos um candidato na disputa pelo Planalto que esteja disposto a defender as políticas adotadas pelo presidente emedebista, que ostenta índices recordes de rejeição. Nesta sexta, o partido divulgou uma Carta Aberta à Nação, defendendo seu papel na recuperação econômica do país, depois da recessão que durou dois anos. "Agora, o MDB conduziu o país através da tempestade, livrando-nos do desastre econômico e social. Se neste momento temos condições de acreditar no futuro, foi porque o Brasil não descarrilhou de vez em 2015", descreve o texto.

       



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