BLOG DO ALEX MEDEIROS

17/12/2018
O herói do mundo líquido

Público bom, críticas mais que favoráveis e uma legião de fãs de outros super-heróis incluindo Aquaman na sua lista de culto HQ. O filme estreou na sexta-feira com expectativas positivas dos produtores e da DC Comics, a editora rival da Marvel. Em Natal teve boa audiência, apesar da agitação do Carnatal.

Criado em 1941 pela dupla Paul Norris e Mort Weisinger, Aquaman foi como uma resposta a um outro super-herói aquático, Namor, criado dois anos antes pelo desenhista Bill Everett. Na origem, Aquaman foi criado pelo pai numa cidade aquática, enquanto Namor é um monarca do continente Atlântida.

A primeira aparição de ambos nas revistinhas em quadrinhos tem semelhanças aparentemente propositais. Namor, que era então um vilão com ódio dos humanos, ataca um navio que atirava explosivos no mar, enquanto Aquaman ajuda um navio de refugiados atacado por um submarino dos nazistas.

A partir dos anos 1960, na Era de Prata, os dois ficaram ainda mais parecidos. Primeiro a dupla Stan Lee e Jack Kirby retirou de Namor a condição de vilão e o colocou nas aventuras do Quarteto Fantástico. Depois, os roteiros da DC Comics inseriram Aquaman no grupo Liga da Justiça e lhe deram também uma aura imperial, tornando-o filho de uma princesa de um mundo submarino.

No Brasil, as primeiras histórias de Aquaman eram publicadas nas revistas do Superman, onde ele era chamado Homem Submarino, que causava confusão com o nome brasileiro de Namor, chamado Príncipe Submarino. A partir de 1967, Aquaman ganhou revista própria, circulando até meados de 1970.

Tratado muitas vezes como "rei dos mares" e "monarca da Atlântida", o personagem iniciou relações com outros super-heróis e costumava dizer aos humanos: "vocês têm centenas de campeões para defender as massas de terra; eu protejo os outros setenta por cento do planeta, e só há um de mim".

O Aquaman dos quadrinhos tinha um companheiro de aventuras, um sobrinho chamado Aqualad, com poderes semelhantes aos seus. Assim como o tio era da Liga da Justiça, o garoto pertencia ao primeiro grupo da Turma Titã, ao lado do Robin, Kid Flash, Ricardito e Dianinha (Moça Maravilha), de 1964.

Tenho no meu acervo uma boa parte das revistinhas do Aquaman editadas pela Ebal. O primeiro contato com o personagem foi nas edições do Superman, que traziam uma aventura do homem peixe, assim como ocorria também com o Arqueiro Verde. A partir das revistas Os Justiceiros, passei a vê-lo mais vezes.

No filme que está em cartaz, dirigido pelo malaio James Wan (Saw, Invocação do Mal) e com Aquaman na pele do ator Jason Momoa, sua origem se aproxima da versão dada por Stan Lee e Jack Kirby. O personagem é filho de um faroleiro e uma princesa de Atlantis, de quem herda os superpoderes.

A depender dos críticos, o filme dará um grande estímulo nas produções da DC Comics na guerra de bilheteria com a Marvel, que tem sido mais eficiente até agora. O mais relevante é que Aquaman ganha uma grande vitrine para conquistar novos fãs e para resgatar os antigos dos tempos da velha Ebal.

       



17/12/2018

       



17/12/2018
Quando Almodóvar encarou a censura nos EUA

Às vezes sua memória falha, porque é seletiva. "Mas desse capítulo me lembro perfeitamente", afirma Pedro Almodóvar, abandonando por alguns minutos a sala de montagem na qual termina seu novo filme, Dolor y Gloria. Em meados de 1990, o diretor decidiu processar a Motion Picture Association of America (MPAA), órgão fundado pelas majors, os grandes estúdios de Hollywood, para qualificar os filmes de estreia, por ter conferido a Ata-me! a letra mais temida do alfabeto: X.

Foi o começo de uma ofensiva que acabou por derrubar uma classificação aplicada desde novembro de 1968 e cuja criação agora completa meio século. Também foi a primeira vez em 20 anos que um cineasta atacava aquele sistema férreo. "Meu futuro, àquelas alturas, não dependia de Hollywood. Por isso não tive medo. Não me privei de chamar as coisas pelo nome: era censura", lembra Almodóvar.

A denúncia foi feita junto à distribuidora do filme, a Miramax, e seu então presidente, Harvey Weinstein. Este decidiu contratar o advogado William Kunstler, conhecido defensor dos direitos civis que tinha representado os Dez de Chicago e membros dos Panteras Negras, que se esforçou para demonstrar que essa qualificação era "arbitrária e caprichosa", pelo fato de equiparar o filme com a pornografia. "Transformei aquela luta em algo que representava todos os autores, apesar de essa ser uma linguagem entendida nos Estados Unidos.

Lá, o autor de um filme não é o diretor nem o roteirista, mas quem coloca o dinheiro", afirma Almodóvar. Ele lembra que a Miramax tinha interesses opostos aos dele. "Ficaram encantados com a polêmica e a transformaram em instrumento de marketing. Era muito desagradável notar que meu companheiro de viagem se comportava de modo absolutamente sensacionalista", acrescenta.

 

       



16/12/2018
Freddie antes de Mercury

Antes de ser ícone de uma geração globalizada, entre o hedonismo de Don't Stop Me Now e a consciência social do show beneficente Live Aid em Wembley, que mostrou a fome da África ao mundo, Mercury era um músico amador dos subúrbios de Londres. Por trás daquele sobrenome extraterrestre, havia um imigrante de origem parsi, cultura milenar influenciada pela astrologia do zoroastrismo.

Apelidado de Freddie durante seus estudos de artes plásticas, Mercury mudou seu nome quando estava nascendo o Queen. Desaparecia assim Farrokh Bulsara, o filho introvertido de uma família indiana criado a 250 quilômetros da antiga Bombaim, hoje Mumbai, berço de um artista cósmico.

O longa-metragem Bohemian Rhapsody, que já se tornou o filme biográfico musical de maior bilheteria da história, começa com o encontro do cantor na faixa dos 20 anos (que ainda se chamava Farrokh) com Brian May e Roger Taylor, germe do grupo que revolucionaria os anos oitenta. Mas os integrantes do Smile - a banda de May, Taylor e Tim Staffell - não foram os primeiros a acompanhá-lo em um palco.

Antes, um imberbe Mercury e quatro estudantes do Saint Peter, um colégio no coração da Índia, já faziam seus companheiros pular ao som das canções frenéticas do The Hectics, primeiro e único grupo onde Bulsara cantou e tocou durante sua infância.

       



15/12/2018
Novos protestos em Paris

As últimas concessões do presidente francês, Emmanuel Macron, não foram suficientes para desmobilizar os coletes amarelos, que saíram às ruas para protestar pelo quinto sábado consecutivo. A mobilização, no entanto, está sendo mais baixa que as violentas das semanas anteriores. Pelo menos 157 pessoas foram detidas em Paris e mais de 200 pontos de protestos foram registrados em todo o país. A prefeitura da capital francesa anunciou um reforço de segurança de 8.000 agentes adicionais, para os cerca de 66.000 manifestantes que estão nas ruas. Até o momento, ao menos cinco pessoas foram feridas.


O presidente francês anunciou na última segunda-feira um aumento de 100 euros no salário mínimo a partir do ano que vem, e que as horas extras passarão a ser isentas de impostos e contribuições. Também antecipou sua intenção de estimular as empresas para que paguem aos seus funcionários um abono extraordinário de final de ano, igualmente isento de impostos.

As medidas são parte de uma tentativa de reconquistar os franceses e aliviar a pressão dos manifestantes, que protestam pelo encarecimento da vida e o empobrecimento das classes médias. A nova jornada de manifestações ocorre na mesma semana em que um islamista francês matou a cinco pessoas em um atentado em Estrasburgo.

Os coletes amarelos - uma revolta sem líderes nem estrutura, que tem por emblema a veste fluorescente que todos os motoristas devem ter em seus veículos - começaram a se mobilizar em meados de novembro. Opunham-se a um novo imposto sobre os combustíveis, mas o protesto em seguida se ampliou para a reivindicação de um aumento do reduzido poder aquisitivo.

       



14/12/2018
Sábado de folia no Beco da Lama

O mais cultural de todos os becos do mundo, o Beco da Lama, no Centro de Natal, será palco neste sábado de mais uma edição do Carnabeco, o evento de folia fora de época criado como alternativa ao axé do Carnatal, que ocorre na Arena das Dunas.

A concentração começa ao meio-dia nos points boêmios do Beco da Lama, com saída do bloco carnavalesco, ao som do Frevo do Xico, às 16h30 pelas principais ruas da Cidade Alta.
As paradinhas ocorrerão nos seguintes bares:

Raimundinha
Selma
Lourenço
Chico

Neide
Nazaré
Bardallos
Zé Reeira
Naldo 

       



14/12/2018
As coisas de Jesus

Foi visto na goiabeira
no formato de um arbusto
juram que viram seu busto
numa panqueca inteira.

Já foi visto numa uva
no vidro da cristaleira
em nuvens cinzas de chuva
nos ramos das oliveiras.

Apareceu numa praia
num arco-íris no céu
nas costas de uma arraia
numa gruta em Israel

Na parede de um edifício
em folhas de bananeira
sempre é visto no hospício
nas noitadas da Ribeira

Já apareceu nas guerras
nas missas de sexta-feira
no ar, no mar e na terra
numa barraca de feira

Não vejo grande mistério
em tantas aparições
o que eu acho pouco sério
é a crença nessas visões.

       



14/12/2018
Começa hoje o Festival Halleluya

Tem início nesta sexta-feira, no anfiteatro da UFRN, a nona edição do Festival Halleluya Natal, com previsão de atrair mais de 80 mil pessoas nos três dias de apresentações musicais. O evento segue até domingo, e a entrada é gratuita.

 

Com uma proposta de atender públicos de gostos musicais diferentes, o festival traz uma programação diversificada com atividades de lazer, espaços gastronômicos e músicas de diversos estilos e gêneros.

Entre as atrações, destaque para a banda de rock católico, Rosa de Saron, que se apresentará na noite de hoje. Logo depois, sobem ao palco o cantor Thiago Brado e a banda JP2, com muito pop e reggae.

O cantor Naldo José se apresenta no sábado, 15, com o ritmo do forró, sucedido pela banda Missionário Shalom . Tem ainda os cantores Ana Gabriela e Cosme, além da banda de sertanejo universitário, Ecoar.

No domingo, encerrando a festa, o agito fica com as cantoras Irmã Kelly Patrícia e Eliana Ribeiro, o forró da banda Obra Nova e o swing do grupo LouvoGod. O Festival Halleluya tem como proposta central disseminar a paz e a tolerância.

       



13/12/2018
Um soneto ardente

Tome o fogo da quimera
queime uma floresta inteira
queime a lenha da fogueira
queime a nossa atmosfera

Queime o feijão e o arroz
queime a seda do cigarro
queime os pneus do carro
queime as fotos de nós dois

Queime o doce de banana
queime o jornal do dia
queime a luz e a pestana
queime o peito na azia

Queime os livros de história
queime o amor que ardia
queime até nossa memória
mas não queime a poesia.

       



12/12/2018
Os anjos caídos do rock

Quando um livro nos permite compreender temáticas distintas numa só leitura, invariavelmente é tratado como "a bíblia disso ou daquilo", numa expressa referência ao compêndio milenar que com seus muitos livros fundou e sustentou a doutrina cristã e suas diversas religiões criadas depois.

Pois bem, se algum fã do rock ‘n' roll quiser conhecer de uma só vez as origens e vertentes do punk rock, proto punk, grunge, new wave e eletropop, precisa ler a farta bibliografia do livro "Dangerous Glitter - Como David Bowie, Lou Reed e Iggy Pop Foram ao Inferno e Salvaram o Rock ‘n' Roll", de Dave Thompson.

É uma bela edição de luxo em capa dura com muito material iconográfico e fotos históricas do triunvirato maldito. Os três levaram aos limites extremos - como diz Galvão Bueno - a tradução metabólica do mantra criado pelos Rolling Stones, "sexo, drogas e rock ‘n' roll". A turma de Jagger não deu pro cheiro.

Vamos para o ano de 1971, quando o britânico David Bowie era apenas uma promessa de sucesso e um fã entusiasmado dos americanos Lou Reed, e seu grupo Velvet Underground, e Iggy Pop, com sua banda The Stooges. E os dois, diga-se, achavam que o inglês tocava alguma coisa muito próxima do lixo.

Mas Bowie tinha a mesma loucura dos seus ídolos e se danou para os EUA só para conhecê-los. Não dava nem para imaginar um empurrão do mercado do Tio Sam, já que naquele ano encerrou o programa Ed Sullivan Show, cuja audiência catapultou Beatles, Rolling Stones e tudo que veio da Inglaterra.

A Guerra do Vietnã seguia sangrenta e a conjuntura cultural demonstrava agitação tanto nos EUA quanto no Brasil. Foi em 71 que Augusto Boal criou o Teatro do Oprimido, que Nabokov lançou "Poemas e Problemas" 16 anos após o sucesso de Lolita, e que o poeta Ferreira Gullar foi empurrado para o exílio.

Não foi fácil para Bowie flertar com a dupla e romper a rejeição artística. Mas no ano seguinte deu namoro e sinais de bom casamento. No primeiro encontro com Lou Reed, numa mesa do restaurante Ginger Man, no coração de Nova York, a conversa fluiu graças à alcova dos executivos da gravadora RCA.

Os dois viviam situações distintas no âmbito musical; com Lou Reed se divorciando da Velvet Underground, pensando numa carreira solo, enquanto Bowie ensaiava voos em direção à estratosfera com o êxito mundial do seu quinto disco, The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars.

O extenso nome, que lembrava a revolução sonora dos Beatles quatro anos antes com o álbum Sgt. Pepper's, caiu na boca do mundo resumido para Ziggy Stardust, que virou um alter ego. E Bowie acabou produzindo o maior sucesso da carreira solo de Reed, o seu segundo disco chamado "Transformer".

O encontro com Iggy Pop seguiu o mesmo clima e se tornou uma boa amizade, invertendo os papeis como já ocorrera com Lou Reed. O bruxo da cultura punk americana também passou a admirar Bowie. Em 2016, disse que o músico inglês não só o entendia como o ressuscitou para a vida e para o rock.

Infelizmente, aqueles primeiros anos da década de 1970 foram os únicos instantes em que o trio trabalhou junto. Uma conectividade tão fértil e transgressora que produziu um pouco que se tornou muito para a historiografia da música pop.

Foram três demônios criativos, anjos caídos que mudaram as abordagens cênica, técnica e comportamental das variações do rock ‘n' roll.

       



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