BLOG DO ALEX MEDEIROS

16/03/2016
Do poeta Gabo Penaforte

Como o crime se encaixa
no brasileiro jeitinho
o Lula foi de fininho
e pegou de volta a faixa 

           



16/03/2016
Cinismo, leniência e leninismo

Aloizio Mercadante só faltou se declarar marxista-kardecista, tamanha foi sua solidariedade diante do sofrimento pessoal de Delcídio Amaral. E olha que o ministro da Educação sempre detestou o senador, nunca sequer respeitou seus cabelos brancos.

É incrível a capacidade dos petistas com formação leninista de juntar à perfeição retórica e cinismo. Sentam diante de uma platéia de jornalistas, com transmissão para o País inteiro, e se derramam em humanismo para ilustrar a mentira.

Outro dia o padre Fabio Mello, um dos superstars da igreja católica, declarou que prefere conviver com um ateu decente do que com um religioso canalha. Os adjetivos que ele usou não foram bem esses, mas não altera o significado do seu recado.

Na questão da podridão que envolve o PT e seus cúmplices, empresariais e partidários, penso que é mais sanitário discutir com fanáticos religiosos do que com petistas dissimulados. São todos especialistas em mentir para salvar a ideologia.

Surpreendeu a cara de pau de Mercadante em insistir na tese de que procurou o assessor de Delcídio por pura compaixão humana, por ter valores morais que o deixaram arrasado ao ver a situação da família do senador que ele detesta.

Não muito diferente do ministro da Educação, a horda de petistas que habitam as redes sociais, inclusive alguns com qualificação acadêmica (pasmem), saiu em sua defesa minimizando o conteúdo da delação premiada e a gravação do assessor.

O cinismo é tanto que nenhum deles disfarçou nas postagens para encontrar o contra-argumento em favor do colega militante. A mesma delação que refutam é utilizada para condenar os nomes da oposição citados por Delcício Amaral.

A desonestidade intelectual da esquerda brasileira já levou o poeta Bráulio Tavares a cunhar no passado a frase "a direita nunca me enganou, a esquerda já". Sempre que leio a petralhada cuspindo teses no Twitter e Facebook para defender o partido que virou organização criminosa, lembro de Shakespeare: "Oh! que formosa aparência tem a falsidade!"

           



14/03/2016
Animais e o bicho homem

Desde a tenra juventude, tenho me manifestado no Dia da Poesia, em 14/3, de maneiras distintas, em atos coletivos (anos 80) ou isoladamente (até os dias atuais publicando poemas em jornal ou internet).
A poesia divide a data com os animais, que para muitas pessoas são encantadores como um bom poema. Nunca criei bichinho de estimação; mas, na infância havia gatos e porquinhos da Índia na casa dos meus pais, por iniciativa de mamãe e meu irmão.
Hoje, quero destacar a data pela primeira vez contando um belo caso sobre a relação gente-bicho, narrada pelo mestre Câmara Cascudo em seu clássico consagrado "O Tempo e Eu", de 1968, o ano em que um gato alvinegro chamado Nito sumiu lá de casa deixando minha mãe entristecida por semanas.
Cinco anos antes, em 63, a filha de Cascudo, Ana Maria, era uma jovem promotora pública na cidade de São Gonçalo, pertinho de Natal.
Um dia, em visita à delegacia para tomar ciência das ocorrências policiais, foi informada de uma prisão por agressão. Pediu ao delegado para ver o prisioneiro e ao ter acesso indagou-lhe do ocorrido.
O homem disse que não praticou crime, apenas quis castigar com a justiça dos seus punhos um elemento que maltratou um cachorro. Ana perguntou se ele viu a covardia do outro ou apenas ficou sabendo por terceiros.
Para seu espanto, o preso revelou que só soube e que a única testemunha era o próprio animal. - "Você está querendo dizer que fala com os animais?", perguntou a promotora.
E o espanto aumentou com a resposta: - "Falo, sim, senhora, compreendo todos, e é isso que tá deixando minha vida complicada". Antes de qualquer reação de Ana Maria, o homem apontou algumas galinhas que atravessaram a sala e avisou: - "Essas aqui, por exemplo, não têm jeito. Não há como andarem direito".
A filha do mestre do folclore levantou, olhou para o delegado e mandou soltar o improvisado advogado e justiceiro dos animais.
Deve ter lembrado que 700 anos antes um jovem frade começou a conversar com bichos, foi chamado de louco, ignorado pelo Vaticano, mas acabou virando santo e patrono de todas as espécies que habitam a natureza terrena.
No noticiário diário há sempre casos de bichos salvando gente. E de gente maltratando bicho; numas vezes mutilando, noutras os devorando. Difícil entender o bicho homem, né?

           



12/03/2016
Nádia Lippi, a grande borboleta

O filme "Motyle" (traduzido por aqui como As Borboletas) é um clássico do cinema polonês dirigido em 1972 pelo cineasta Janusz Nasfeter. A obra é um poema épico em homenagem ao primeiro amor e aos sonhos românticos que escancaram a vida da gente na pré-adolescência.

Narra a aventura do garoto Eddie, de 12 anos, que vai passar as férias de verão na casa da tia Heli, moradora de um bucólico lugar às margens de um grande lago. O menino faz amizade com outros três e descobre a paixão na contemplação da pequena Monika, que com ele curte passeios pela mata, banhos no lago e olhares gêmeos em direção ao céu.

Quando assisti "Motyle" pela vez primeira, em meados dos anos 1980, numa sessão matutina do saudoso Cine Rio Grande, foi impossível não mergulhar num mar de memórias, numa lúdica viagem aos primeiros anos da minha adolescência, ali entre 1972 e 1975, quando experimentei os primeiros impactos cardíacos das paixões germinais.

Lembrei da emoção que me invadia quando a moreninha dos cabelos de Iracema aparecia na casa do vizinho, durante as férias escolares. Disputei sua atenção com o colega que morava em frente. Parada dura, mas acabei vencendo aquela batalha pelo amor platônico da menina.

Pouco tempo depois, meu vício pela televisão me transportou dos seriados americanos para as telenovelas da Tupi, Excelsior, Globo e Record, todas elas habitando as páginas dos álbuns de figurinhas que a gurizada do bairro curtia em ritmo constante. Até então, minha atriz preferida vinha do cinema, a voluptuosa americana Raquel Welch (capa da minha carteira de plástico comprada na Feira das Quintas).

Mas, aí veio uma paulistana louríssima que eu já havia visto de relance nas novelas "A Menina do Veleiro Azul" (de Ivani Ribeiro, 1969) e "A Revolta dos Anjos" (de Carmem da Silva, 1972). Foi só em "Rosa dos Ventos" (de Teixeira Filho, 1973), que eu percebi totalmente a beleza angelical da atriz Nádia Lippi, que no ano seguinte, em "A Barba Azul" (de Ivani Ribeiro, 1974) substituiu de vez Raquel Welch na minha carteirinha.

Eu não perdia um capítulo, só para esperar a aparição de Babi, estonteante num shortinho ou minissaia, os lábios suculentos e um olhar felino que hipnotizava. Com ela, esqueci também a moreninha do vizinho, pois logo surgiu na rua uma branquinha quase clone da atriz. Bingo! Meu coração mudou de endereço na rapidez da passagem de um frame na TV.

De novo eu estava vivendo a fantasia do pequeno personagem do filme polonês de Nasfeter. E a jovem Nádia Lippi se fez "Fada Madrinha" da minha nova paixão. Lembro que pelo menos três músicas da trilha sonora da novela serviram de fundo para meus sonhos juvenis naqueles anos: aprendi Shadows, de Demis Roussos, num "embromation" fluente; me arrepiava ouvindo Don't Let Me Cry, de um tal Mark Davis que logo se tornaria Fábio Jr.; e berrava imitando um imitador de Tim Maia, chamado Tony, que cantava "Procuro Por Você", versão de Yours Until Tomorrow, da Carole King, que era o tema de Babi.

Depois daqueles anos, guardados em mim como férias de verão que nunca acabam, conservei a admiração por Nádia Lippi não apenas pelos trabalhos que fez na TV, no cinema e no teatro, mas também pela importância histórica da sua estampa de musa da minha geração. Um grande diferencial para as divas contemporâneas de Raquel Welch é que Nádia era da mesma faixa etária daqueles que a idolatraram na juventude.

Hoje, sábado, 12 de março, quando transcorre mais um seu aniversário, rememoro minhas paixões adolescentes que habitaram meu ser dividindo espaço com a imagem televisiva de uma atriz que deixou sua marca na dramaturgia nacional e no consciente coletivo das pessoas. E para inseri-la no contexto amoroso do clássico filme "Motyle", de 1972, chamo a musa de "Grande Borboleta", aquela que Caetano Veloso disse "Seja completa mente solta". Querida Nádia Lippi, toma esta crônica como um beijo!

           



10/03/2016
A arte do crime

As versões sobre como, quem e o porquê do encontro entre o ator Sean Penn e o rei do tráfico Joaquin "El Chapo" Guzmán não param de crescer. A mais recente veio à luz depois que o caso passou a ter probabilidade de se tornar um documentário televisivo nos EUA e já com o título de "El Chapo & Sean Penn: Desvario na Selva", segundo afirma o jornal The Daily Mail.

De acordo com o roteiro do documentário, o motivo real que levou Penn a entrevistar o bandido mexicano não foi em verdade a entrevista, publicada um dia depois que El Chapo foi preso, mas uma conversa agendada para conhecer o traficante e discutir os detalhes sobre um filme em que o ator o encarnaria nas telas.

O tal filme seria dirigido pelo cineasta Oliver Stone, famoso por obras como Platoon (1986), JFK (1990) e os dois thrillers sobre Wall Street (1987 e 2010), que armou o encontro para que Penn cumprisse também uma outra missão: adquirir os direitos de dramatização da vida do líder do Cartel de Sinaloa, pela bagatela de R$ 6 milhões.

Pouco tempo antes do encontro, El Chapo havia assistido na íntegra a série Narcos, sobre o colombiano Pablo Escobar, produzida pela Netflix, e ficou sonhando com algo semelhante para ele. Oliver Stone tem uma boa experiência no submundo do crime, com duas pérolas de referência, no roteiro de Scarface (1983) e na direção de Selvagens (2012).

           



10/03/2016
Fazendo uma fezinha no Brasil

Estamos prestes a ter de volta na cena urbana nacional o jogo do bicho, os bingos e os cassinos, estes últimos proibidos desde 1946.
  
A Comissão Especial do Desenvolvimento Nacional aprovou ontem, quarta-feira (9), o substitutivo do senador Blairo Maggi (PR-MT) para o Projeto de Lei do Senado (PLS) 186/2014, do senador Ciro Nogueira (PP-PI).

O texto amplia o leque dos jogos de azar permitidos no Brasil, regulamentando o jogo do bicho (que foi à bancarrota no Rio de Janeiro pelo martelo da então juíza Denise Frossard que depois virou deputada), os bingos e os cassinos.

Blairo Maggi informou terem sido apresentadas 16 emendas, das quais acatou cinco. Uma delas propõe estender os requisitos de idoneidade a todos os sócios da pessoa jurídica que detenha direitos para exploração de jogos de azar.

Outra emenda amplia a proibição de que detentores de mandatos eletivos explorem jogos de azar, de forma a abranger também cônjuge, companheiro ou parente em linha reta até o 1° grau. O projeto agora segue para a análise do Plenário do Senado.

           



10/03/2016
Delfim saiu do grupo

Execrado pela esquerda nos anos 1970 como o símbolo da economia do governo militar, o economista Delfim Netto atravessou quatro décadas como representante do capitalismo e das classes dominantes, até que o PT chegou ao poder e lhe fez guru de Lula, conselheiro econômico da companheirada.

Até ontem, pelo visto.

A mídia reproduziu agora o seguinte comentário do velho intelectual de direita:

"É hora de enfrentar a esquerdopatia eleitoral oportunista, que esconde o corporativismo do PT."

O barco de Dilma deu água mesmo.

           



08/03/2016
Cultura da delinquência

Quem me conhece, sabe muito bem do meu posicionamento quanto aos gastos públicos com instituições voltadas para setores como cultura e turismo. Acho que quem faz e incrementa ambos é a sociedade civil, são os artistas em sintonia com o mercado.

Alguém sabe o nome do ministro da Cultura dos EUA, ou do ministro do Turismo da Inglaterra? Já leram ou viram alguma coisa a respeito do secretário de Cultura ou Turismo de Nova York, de Londres, de Frankfurt, de Estocolmo, de Berlim?

A estrutura estatal brasileira voltada para a Cultura vive um fluxo de desperdício desde a volta das eleições diretas para os cargos executivos, em 1982. Vivemos entre milhões para Luan Santana e Claudia Leite e migalhas para poetas e músicos suburbanos.

Nos dois casos, o paternalismo governamental está presente. Como se o processo cultural fosse apenas uma agenda de eventos. Defendo o fechamento da FJA desde o final dos anos 1970, quando a poesia urbana se engajou na militância política.

Em meados dos anos 1980, participei de dois projetos alternativos de cunho jornalístico e literário, dois tabloides que não poupavam bombardeio no cabide de emprego instalado na Fundação: Os jornais A Franga e o Preto no Branco achincalhavam.

Sei de parentes e afilhados de políticos que viveram por décadas, entrando o século XXI, recebendo à distância polpudos salários pagos pela folha da FJA. Gente que até fez morada e vida no exterior e em estados do Sudeste. Como hoje tem na Assembleia.

A entidade tem apenas a fachada de fomento da cultura, mas é uma estrutura estéril desnecessária e muitas vezes voltada para o assistencialismo lítero-musical como se patrocínio disso ou daquilo estabelecesse mesmo uma política cultural de longo alcance.

Esta semana, ao ver a histeria ideológica do presidente Crispiniano Neto, num surto de guerrilha dos anos 1960, reforcei mais ainda minha posição de frontal oposição à existência da velha casa criada por Aluízio Alves e fundada por Walfredo Gurgel.

O cara sequer usou sua tradicional linguagem de rimas em quadrinhas para agredir gregos e troianos - ou leigos e tucanos, pra ficar inserido no contexto - com ameaças de fogo em carros da imprensa e até vitupérios ensandecidos contra o juiz Sergio Moro.

Uma breve navegada na timeline do Twitter de Crispiniano, durante os últimos cinco dias, fiquei curioso sobre a sua carga horária na Fundação. O homem vomita sandices contra opositores do PT em série, a cada hora. Deve ser a cultura da operação padrão.

Como se já não fosse um fato gravíssimo de incitação ao crime, como as postagens convocando o MST a atacar os "infiéis" com foices, machados e enxadas, sua delinquência virtual atingiu também a imagem do governo e do governador Robinson.

A maioria dos meus leitores, independente das escolhas políticas, conhece o perfil sereno e respeitoso de Robinson Faria. Eu convivo com o governador, meu amigo de longa data, diariamente, e atesto o pacifismo e a elegância dele desde a juventude.

As palavras maledicentes do presidente da Fundação José Augusto não encontram nenhuma via sequer de ligação com a estampa republicana do governador. O destempero contra veículos de comunicação e cidadãos livres não cabe no governo.

Aprendi durante os tempos de movimentos estudantis e culturais que pessoas públicas não estão dissociadas das suas manifestações individuais. O presidente do órgão de Cultura deveria guardar seu deslize verbal para os seus versos de pé-quebrado.

           



Veja o video:

03/03/2016
Novo boato sobre o fim do Foo Fighters

Depois que o vocalista e guitarrista da banda americana Foo Fighters, Dave Grohl, apareceu sozinho na festa do Oscar, colocando música no vídeo em memória dos artistas falecidos em 2015, cresceram de novo os rumores de uma possível dissolução do grupo.

A tese que reveste os boatos é de que o mau relacionamento de Grohl com o baterista Taylor Hawkins estaria levando o primeiro a iniciar uma carreira solo, como já fizera quando da fundação do Foo Fighters, projeto que ele investiu de forma solitária.

Em resposta, a banda produziu e postou um vídeo de sete minutos em que descarta e ironiza os rumores sobre seu próprio fim. O vídeo começa com uma assustadora música que acompanha a captura de capas de sites e portais que publicaram a notícia da atuação de Grohl na entrega do Oscar.

Depois, inicia-se uma espécie de falso documentário de humor mostrando um arrogante Dave Grohl se propondo a ensinar como é fácil fazer música eletrônica, "apenas apertando um botão". Ao final, um texto avisa: "Pela milésima vez, nós não vamos nos separar".

           



03/03/2016
O sabor da pré-história

Uma gastronomia de um milhão de anos. É assim que podemos chamar o livro de receitas escrito pela dupla Eudald Carbonell e Cinta Bellmunt, e com fotografias de Maria Ángeles Torres, lançado recentemente na Espanha e ainda sem tradução para o português.

Em "Recetas Paleo: la Dieta de Nuestras Orígenes para una vida Saludable" (editora Cúpula), o trio usou pitadas de arqueologia, jornalismo e olhar fotográfico - as especialidades profissionais dos três - para compor os sabores dos tempos do Paleolítico, ou o gosto na mesa dos nossos ancestrais mais remotos (mesa aqui é ilustração rasteira, como o chão das cavernas).

Na dieta do distante passado humano não havia pastas, nem produtos lácteos, atesta a publicação. Carbonell diz que naquele tempo nossos ancestrais não sintetizavam ainda a lactose. O que se vê, segundo comprovações arqueológicas, é muita alimentação vegetariana e carnes de animais, com destaque para as partes do corpo como tíbias e fêmures.

Uma das receitas comentadas pelos autores é medula de bisão-americano com framboesa, apresentada com toques de humor: "primeiro deve-se dispor de um bisão, depois ter licença para mata-lo, se for o caso de não ser um experiente caçador". O estilo pré-histórico de cozinhar ou servir a mesa está a disposição dos leitores, um milhão de anos depois.

           



03/03/2016
Arquivo de Bob Dylan vira espaço acadêmico

Um surpreendente arquivo secreto com décadas de documentos acumulados pelo gênio pop Bob Dylan, que inclui gravações desconhecidas, manuscritos e instrumentos musicais, será exposto em Tulsa, no estado de Oklahoma (EUA), informou a George Kaiser Family Foundation.

No lote de 6 mil objetos que engloba mais de 60 anos de trabalho se encontram as primeiras gravações do músico, datadas de 1959, assim como um caderno com as letras escritas de alguns de seus sucessos como "Tangle Up In Blue" e "Simple Twist Of Fate", do disco Blood on the Tracks, de 1975.

A coleção, que foi vendida à GKFF e à Universidade de Tulsa por um valor entre US$ 15 milhões e US$ 20 milhões, está atualmente sendo catalogada e digitalizada no Brady Arts District de Tulsa.

Bob Dylan é um artista de costumes nômades, uma figura esquiva quanto ao convívio social, e está imerso numa turnê sem fim desde o final do século XX, tendo já feito mais de 100 shows num só ano em todo o mundo e ainda encontrando tempo para as gravações de estúdio.

À imprensa, ele disse estar feliz por finalmente seus arquivos terem encontrado uma casa. Num comunicado oficial da GKFF, o presidente Ken Levit assinalou que Dylan "é um tesouro nacional cujo maior trabalho continua enriquecendo as vidas de milhões de pessoas pelo mundo".

"Esperamos que, como resultado, Tulsa logo atrairá os fãs e os estudiosos da obra de Bob Dylan", destacou Levit. Por seu lado, o autor de "Like a Rolling Stone", considerada a mais importante canção da história do rock, se mostrou satisfeito com o destino da sua coleção, que tem como um dos mais icônicos objetos a jaqueta de couro que ele vestiu no Festival de Newport em 1965, ano em que surpreendeu todos adotando uma guitarra elétrica.

"Estou muito contente que meus arquivos, que foram compilados durante todos esses anos, tenham finalmente encontrado uma casa e vão estar acompanhando os trabalhos de Woody Ghtrie", disse o artista se referindo ao Woody Guthrie Center que guarda parte da obra do cara que foi seu grande ídolo musical e ainda é considerado um dos mais populares cantores dos EUA.

O decano da Universidade de Tulsa, Steadman Upham, afirmou que a "dylanologia" é uma coisa crescente na área da pesquisa em ciências sociais e humanidades, e a cidade se converterá no epicentro internacional da pesquisa acadêmica em tudo que se relacione com Bob Dylan e também com a Pop Art.

           



31/12/2015
FELIZ ANO NOVO

PARA OS AMIGOS E LEITORES

           



22/12/2015
A modelo do ano

Ela lembra Brigitte Bardot na suculenta juventude dos anos 1950. Com 22 anos, a modelo alemã Anna Ewers acaba de desbancar beldades que foram destaque na mídia e no mundo fashion em 2015, como Gigi Hadid e Kendall Jenner.

Retratada recentemente numa série de toalhas do fotógrafo Mario Testino, ela foi eleitra a top do ano pelo site www.models.com, pouco tempo depois de ganhar espaço no ranking do site como uma das 50 modelos mais importantes da atualidade.

No seu currículo, só neste 2015, Anna protagonizou algumas campanhas para Alexander Wang, Balenciaga, Mango, Moschino e Marc Jacobs, e capas para revistas como "Vogue" Paris, Alemanha e Inglaterra. Também desfilou para Chanel e Versace.

           



22/12/2015
O homem do ano

O Grupo Diários América (GDA), que reúne jornais impressos do nosso continente, elegeu Leopoldo López, o líder opocionista preso na Venezuela, a personalidade do ano em 2015.

Ontem, na cúpula do Mercosul, o presidente argentino Mauricio Macri criticou duramente a ditadura bolivariana de Nicolas Maduro, enquanto Dilma Rousseff enalteceu o espírito democrático da última eleição no país de Chavez.

           



22/12/2015
As pequenas glórias

Apesar do patriotismo exagerado dos blogues de Natal, a geração Marta do futebol feminino ganhou de novo o torneio da Caixa Econômica(sem a presença de grandes equipes como EUA, Alemanha ou Dinamarca), mas vai encerrando carreira sem jamais ter vencido uma Copa do Mundo ou Olimpíadas.

E as jogadoras mais destacadas não podem ser comparadas a alguns craques como Zico ou Cruijff que não ganharam copas, mas que conquistaram competições de expressão mundial como Champions, Mundial de Clubes e Olimpíadas (neste último caso cabem Messi e Puskas, por exemplo).

           



08/12/2015
Cartas na mesa

Enquanto milhares de brasileiros decidiram atender à campanha de adoção de uma cartinha dos Correios, feita por crianças pobres, o vice-presidente Michel Temer resolveu enviar sua própria carta, não para Papai Noel, mas para a presidente Dilma Rousseff.

A cartinha de Temer, iniciada no puro latim dos seus tempos de estudante de Direito, diz que "as palavras voam, os escritos se mantêm", o que pode até ser uma espécie de alento para donos de jornais nesses tempos de extinção da mídia impressa. No PT, porém, voaram os escritos e as palavras do vice, vazados ao léu.

E não faltaram os piadistas de plantão para traduzir do latim o termo "verba volant, scripta manent" para a linguagem habitual do PMDB, "verba valendo, nós mantemos a escrita". O vice não poupou verbo para imprimir as mágoas com Dilma. Algumas com toques de ciúme político.

"É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo", diz Temer num clássico sentimento peemedebista presente ao final dos governos que historicamente o partido adere e depois salta fora. Deve ter sido também assim nos planos municipal e estadual com Micarla de Sousa, em Natal, e Rosalba Ciarlini, no Rio Grande do Norte.

O pior é que a carta explodiu na mídia horas depois que a presidente jurou não haver um milímetro de desconfiança da parte dela para com seu vice. E ele tascou na missiva "sempre tive ciência da absoluta desconfiança da senhora e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB".

Se autoproclamando um "vice decorativo", Michel Temer enumerou os episódios em que o desprestígio dele e do seu partido ficou latente. Mas não faltou uma mentirinha, quando afirma que manteve a unidade do PMDB em torno do governo. Ora, o partido já está há meses com um pé dentro e outro fora (vide Eliseu Padilha).

Também não demorou para o vice confirmar as suspeitas da má relação com Dilma e o PT (que ele trata como "entorno"). Sua carta, que ele protocolou como de cunho pessoal, vazou na imprensa e nas redes sociais muito rapidamente. Dizem que Jacques Wagner, a serviço de Lula, fez o serviço.

O entorno do Palácio do Planalto, enfim, vazou a carta e o clima de rompimento do PMDB subiu de grau na fervura do impeachment de Dilma. E é obvio que Michel Temer está tramando sua queda, como faz qualquer vice. Não ao ponto maquiavélico e nojento do que fez o potiguar Café Filho satisfeito com a morte de Getúlio Vargas, aquele da carta famosa.

           



03/12/2015
Dilma bolada e molhada

O velho e batido ditado "quem está na chuva é para se molhar" é o mais adequado para refutar o discurso petista contra o processo de impeachment pelo fato de Dilma Rousseff ter sido eleita pelo voto do povo.

Ora, nunca houve nem jamais haverá impeachment contra quem não foi eleito. E nem muito menos é golpe na democracia, posto que só nas democracias um governante é afastado impedimento votado no Congresso.

Nas ditaduras, qualquer que seja seu viés ideológico, é que se derruba governo de forma abrupta e radical, sem discussão política ou técnica. Quando foi arrancado do Planalto, em 1992, Fernando Collor também argumentou que estava sendo golpeado.

Mas a sociedade brasileira não engoliu o choro do então presidente e entendeu que o processo, mais que necessário, era democrático. Minha geração que entrava na casa dos trinta, juntou-se aos jovens caras-pintadas.

Para que aquele processo de julgamento ficasse bem esclarecido, o Brasil contou com o apoio total de um partido político, o que melhor defendeu a instalação do impeachment e foi às ruas junto com o povo.

A história da nossa República deve isso ao PT.

Mais de vinte anos depois, temos hoje outro presidente na chuva.

           



30/11/2015
Morre uma lenda dos mangás

O conceituado desenhista de histórias em quadrinhos japoneses, os mangás, Shigeru Mizuki, famoso por suas obras com criaturas sobrenaturais e aventuras autobiográficas, morreu aos 93 anos, num hospital de Tóquio, informou a rede pública de TV NHK (com sinal em Natal pela Sky, Cabo e Net).

Mizuki nasceu em 1922 na cidade de Osaka e seu nome está intimimamente ligado à localidade costeira de Sakaiminato, no Oeste do Japão. Quando tinha apenas 20 anos, em 1942, foi convocado para a Segunda Guerra e mandado para a Papua Nova Guiné.

Durante o conflito, perdeu um braço e aprendeu a desenhar com o outro, até que em 1957 deu seu grande salto enveredando pelos quadrinhos com o personagem Rocketman. A mutilação e uma surdez crônica não foram empecilhos para o sucesso quando criou o mundo sobrenatural dos "yokai", figuras do folclore japonês.

Depois lançou sua obra-prima, Gegege no Kitaro, onde narrava histórias do mundo dos "yokai" adaptando as narrativas que escutava quando criança pela boca de uma velha chamada Nonnonba que vivia nos arredores de Sakaiminato.

Logo passou a escrever também aventuras sobre a Segunda Guerra, em que utilizava sua própria experiência para criar situações e climas épicos com os personagens. Fez uma biografia de Hitler e contou no mangá as consequências brutais da expansão japonesa na Ásia.

Nos últimos anos de vida, Mizuki desenhava esporadicamente. Um museu com sua obra foi aberto na cidade de Sakaiminato, que tem uma rua com seu nome, além de diversas estátuas. Infelizmente, ontem em Natal, os organizadores do evento Saga não lembraram - ou não sabiam da sua morte - de homenagear esse grande nome da cultura pop nipônica.

Aliás, no sábado, a desorganização no Saga fez os milhares de adolescentes lembrarem do apelido do Japão (País do Sol Levante). Plantados a céu aberto numa fila, entre 9h e 12h, os jovens quase pegam insolação. Ninguém sabia porque os portões da Arena das Dunas ficaram tanto tempo fechados.

           



30/11/2015
Moídos e ruídos na radiodifusão

Rádios e televisões sofrem em silêncio os efeitos da crise. Não noticiam seus próprios problemas, ocupadas que estão em divulgar os problemas dos outros.

Enquanto a TV Record demitiu uns 500 numa tacada só e a TV Bandeirantes negocia a venda de 30% do controle acionário para o grupo Turner, dos EUA, a Globo se contorce para manter a dinheirama do governo Dilma, tipo Petrobras e Caixa, espalhada em seu sistema de comunicação, nem que para isso comprometa o jornalismo, omitindo o noticiário ruim para o Planalto.

Por falar em radiodifusão, aqui em Natal as seis emissoras de rádio na faixa AM (Globo, CBN, Rural, Poti, Eldorado e Nordeste) já estão aptas a migrarem para a faixa FM, que passa a ser obrigatória a partir de 2016.

Na semana passada, o Ministério das Comunicações definiu o valor da outorga para a alteração depois de muita pressão dos radiodifusores e análises dos técnicos estatais. O maior valor para o caso local é em torno de R$ 204 mil.

Das seis rádios natalenses, pelo menos duas - Poti e Eldorado - estão sendo procuradas por grupos empresariais e/ou políticos interessados em adquiri-las. A Eldorado, que pertenceu ao ex-vereador Tony Edson, falecido em 2014, já recebeu umas três ou quatro propostas.

           



30/11/2015
Brincando com a crise

Nem todos os setores da indústria vivem no inferno da crise. Pelo menos na horta dos brinquedos a perspectiva é que 2015 encerre com um faturamento beirando R$ 6 bilhões, o que equivale a 15% acima da movimentação do ano passado.

O pessoal da Abrinq, a Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos, acredita que em dezembro o Papai Noel vai estar com seu saco bem recheado para atender mais crianças do que nos dezembros de anos passados. Quem garante isso é Synésio Batista, o presidente da entidade.

           



30/11/2015
Coisas de imbecil

"Que loucura, que idiota! Coisa de imbecil!"
Aspas de Lula sobre as conversas do senador Delcídio Amaral (PT) gravadas pelo filho de Cerveró.

"Que loucura, que idiota! Coisa de imbecil!"
Aspas de milhões de brasileiros sobre a traquinagem do filho de Lula copiando a Wikipedia para amealhar
R$ 2,5 milhões para sua empresinha de fundo quintal.

"Que loucura, que idiota! Coisa de imbecil!"
Aspas minhas sobre as opiniões daqueles que imaginaram importância na fabriqueta da Ambev que fechou
sem ter gerado sequer 100 empregos, rendendo muito menos do que uma boca de fumo.

           



30/11/2015
Delcídio e o bem querer presidencial

A presidente Dilma Rousseff nunca escondeu a simpatia pelo senador Delcídio Amaral, uma figura que não economiza auto-elogio para referir-se aos seus gostos musicais joviais, como o rock ‘n' roll.

Pelo fato de Dilma brincar às vezes o tratando como um espécime de "latin lover", certa vez ele entrou às pressas numa reunião no Planalto, sorrindo quando alguém avisou que a presidente estava chamando o "senador bonitinho".

Quando Delcídio chegou todo esbaforido e gritou "oi, presidente, chamou?", ouviu como resposta "calma, Delcídio, você é só queridinho, o bonitinho é o Lindbergh Farias".

           



30/11/2015
Cala a boca, Luciana Leite!

Quando os especialistas em memes de redes sociais forem juntar Claudia Leite e Luciana Gimenez num ser híbrido para representar a burrice nacional, por favor vejam lá como farão a junção dos sobrenomes.

É melhor batizar a besta de Luciana Leite, evitando assim dar o nome que remeta a uma atriz e comediante inteligente como Claudia Jimenez, cuja fonética do segundo nome da cantora baiana não altera por causa do J no lugar do G.

Claudia, a cantorinha de axé, está cada dia mais semelhante a Luciana, a apresentadora de TV. Tem dado um show de cultura no The Voice, a cópia mal feita da Globo para o original americano.

Depois de citar frase de Fernando Pessoa dando autoria a Saint-Exupery, a loira comentou que a doença lúpus também atingiu Lady Gaga e Selena Gomez (na verdade foi só a segunda). E ainda tascou "lúpus é bizarro".

           



23/11/2015
Os melhores técnicos da América

Na última Copa América, vencida pelo Chile, a imprensa esportiva do continente americano não evitou a perplexidade quando todas as seleções classificadas à semifinal tinham em comum os seus técnicos argentinos.

Os anfitriões ganharam sob o comando do argentino Jorge Sampaoli, que foi acompanhado na reta final pelos compatriotas Ramón Diaz, que dirigiu o Paraguai; Ricardo Gareca, com o Peru; e Tata Martino, tocando a própria Argentina.

A hegemonia dos treinadores hermanos se confirma também no tradicional prêmio que o jornal uruguaio El País concede há décadas para jogadores e técnicos. E os três melhores do ano são argentinos: Marcelo Gallardo (campeão da Libertadores com o River Plate), Jorge Sampaoli (Chile) e José Pekerman (da Colômbia).

           



23/11/2015
Pito na senadora

Frequentadora habitual do Restaurante Petrópolis, na rua Rodrigues Alves, desde quando este se chamava La Távola e pertencia a um amigo, a senadora Fátima Bezerra (PT) experimentou um pouco da onda de rejeição que sofre seu partido no pelo país afora.

Na semana passada, após cumprimentar alguns clientes da casa e levar um demorado papo com o agropecuarista e economista José Bezerra 'Ximbica' Junior, a parlamentar foi interpelada na calçada por um pastorador de carros: "Senadora Fátima, o PT mais nunca, viu?"

Em pé na porta, até Ximbica - um assumido antipetista - fez cara de constrangimento.

           



14/11/2015
O terror islâmico ataca de novo

A conta foi aumentando ao passar dos minutos. O mundo estarrecido contando os mortos
em Paris no novo ataque dos terroristas islâmicos, esses insetos que tentam impor
sua subcultura fanática ao Ocidente livre.

Ao final do insosso jogo de futebol entre o Brasil e a Argentina, fui dormir com o terrível
número de 153 mortos, divulgados em alguns sites europeus. A imprensa brasileira falava
em 128.

A diferença numérica em nada alterava a tragédia que se abateu na França, apenas
dez meses depois dos assassinatos dos jornalistas do tabloide Charlie Hebdo, só que
agora mais violenta, mais sangrenta, mais covarde.

Há poucas semanas, postei em minhas redes sociais comentários sobre o risco das
multidões de muçulmanos atravessando as fronteiras da Europa. Blogueiros de Paris,
Londres e Berlim falavam da mesma coisa: terroristas do Estado Islâmico estavam se
infiltrando entre os refugiados sírios.

Não vi qualquer referência ao fato na imprensa nacional. Todos estavam na mesma
situação do planeta, com os corações amolecidos sofrendo com as imagens das
famílias caminhando léguas a pé, deixando para trás seus velhos e crianças que
não suportaram o êxodo do desespero.

O ataque veio como uma vingança enlouquecida, horas após uma forte contraofensiva
dos EUA, Inglaterra e França nas hordas terroristas escondidas no Iraque e Síria, quando
morreu um dos ícones da covardia do EI, o carrasco Jihadi John, aquele que cortava
gargantas de jornalistas ocidentais.

Ainda de madrugada, na hora parisiense, veio a reivindicação dos atentados, uma
declaração por escrito, no idioma francês, publicado na internet e onde o grupo jihadista
dava detalhes sobre a operação assassina. Mencionava oito terroristas.

"Oito irmãos usavam cintos de explosivos e armados com rifles de assalto destinados
a atacar locais cuidadosamente escolhidos, no coração de Paris", dizia o comunicado.
O texto alertava ainda que a França continuará sendo um alvo privilegiado.

Mais adiante, a afirmação de que os ataques foram uma resposta ao bombardeio da
terra muçulmana, em referência às partes da Síria e Iraque controladas pelo Estado
Islâmico. Parece que, finalmente, os drones americanos localizaram o esconderijo
dos bandidos.

A tragédia francesa mobilizou o mundo e levou os principais líderes políticos a
darem declarações oficiais sobre os ataques e expressarem solidariedade ao
país que cunhou o lema "igualdade, fraternidade e liberdade", estabelecendo
a democracia que conhecemos hoje.

Minutos antes das falas de Barack Obama, François Hollande e David Cameron,
vi em pelo menos três sites de notícias, dois na França e um no Chile, o alerta
para uma hashtag no Twitter (expressão usada no microblog para destacar
um assunto) criada pelos terroristas do EI.

Através das palavras #باريس_تشتعل (não consegui descobri o significado nem o idioma)
ameaçava novos ataques em Roma, Londres e Washington. Minha timeline congestionou
de replicadas e curtidas, que se multiplicaram em ritmo exponencial, desde às 19h de
ontem até agora, quando escrevo, às 9h30 do sábado (hora de Natal).

Revendo as imagens de Paris, acompanhando os debates na TV, lendo novas
notícias nos sites do mundo todo, é impossível não me remeter ao fatídico dia
11 de setembro de 2001, quando vimos a queda das torres em Nova York. Não há
como não alimentar aversão política e nojo social contra o terror islâmico.

Não importam os discursos pacifistas, as teses sociológicas antibélicas, os apelos
religiosos de muitos. É urgente que o Ocidente se levante de uma vez para conter
o avanço do fanatismo muçulmano. Os EUA devem aumentar os bombardeios
e varrer da face da Terra os assassinos do EI e outros grupos.

De uma vez por todas, é preciso, enfim, entender as razões da desproporcionalidade
nas reações militares de Israel. Não há de se ter compaixão com esse tipo de
subespécie humana. Se é feito com fogo o falso diálogo islâmico, que com fogo
seja feito o inferno que irá engolir cada um dos terroristas.

Viva Paris! Viva o Ocidente!

           



11/11/2015
Aos insetos e roedores no Oeste

Existe uma enorme diferença entre o povo de Mossoró e "um povo de Mossoró".
Meu alvo é o clubinho de meia dúzia de recalcados com a derrota de Henrique Alves,
que diariamente se incomoda com minhas postagens nas redes sociais.

As mentes inteligentes e limpas da cidade oestana sabem muito bem fazer a leitura
das rebatidas que dou nos impuros e bajuladores do ministro do Turismo, que aliás,
não pode ser responsável pelos desarranjos cerebrais dessa gente.

Ah, um informe: não sou nem nunca fui assessor de governo nenhum.
Sou jornalista. E intolerante com mentes provincianas.

           



11/11/2015
O mau cheiro do esquerdismo

O senhor Luiz Inácio disse ontem na Colômbia, durante uma conferência sobre ciências sociais, que sente "um cheiro de retrocesso na América do Sul".

Ele tem razão.

O mau cheiro se alastrou faz tempo, desde que o esquerdismo petista e bolivariano invadiu as estruturas republicanas das nações, principalmente Brasil e Venezuela. A podridão da corrupção tem deixado essa parte da América cada vez mais latrina.

Esse mau cheiro espalhado é provocado pelas reações dos cidadãos que resolveram mexer no lixo acumulado pelas quadrilhas comandadas por gente como ele, Lula, e pelo defunto Hugo Chávez, além de Cristina Kirchner, Evo Morales e Rafael Correa.

O mais risível na fala do senhor Luiz Inácio é que ele comparou a reação popular contra a esquerdopatia petralha aos movimentos no Oriente Médio e norte da África chamados de Primavera Árabe.

Ué, mas os ideólogos do PT e os professores-militantes das universidades federais não viviam enaltecendo a tal primavera quando ela se iniciou a partir de 2010? Não foram eles que, do alto do conhecimento sociológico, achavam que as manifestações no Egito, Síria e outros países eram marchas com destino ao socialismo?

Além de quebrarem a cara na análise, ainda têm que aceitar a realidade brasileira com o PT na condição de partido mais rejeitado na história recente da política nacional, como mostrou pesquisa do Ibope no começo da semana.

Lula precisa entender que a fedentina que ele sente no continente é a do mar de lama podre dos escândalos engendrados por seu partido e os aliados do PMDB e outros de mesmo perfil criminoso.

E se conformar com o fato de que sua figura quixotesca e proto-messiânica no contexto das decisões da sociedade brasileira já não fede nem cheira.

           



06/11/2015
A face abutre da Ambev

A Ambev mamou seus lucros no RN, pagando baixíssimos impostos. A empresa provavelmente vai usar como argumento para sair do estado o provável fim do PROADI.

Mas já estava se desmobilizando, produzindo apenas as garrafas de litro, comprovadamente de baixa venda.

Depois de passar anos pagando ICMS de apenas 7,5% (quando o normal seria pagar 25%), ganhar literalmente milhões de Reais com esse incentivo, a AMBEV resolve abandonar o RN justamente quando ele mais precisa de emprego, renda e receita tributária.

Quando decidiu vir para o RN a empresa sabia que o PROADI tinha prazo p se encerrar. A população do estado não pode conceder esse incentivo eternamente para a empresa.

Vamos descobrir quantos milhões a empresa obtém anualmente de benefícios fiscais. Multiplicar pelos anos que ela está aqui... Comparar com o que daria para investir com o volume dos benefícios concedidos.

Os abutres do oportunismo vão tentar vitimizar a Ambev e demonizar o governo do RN.

           



29/10/2015
Pia só, esse menino

A Famiglia Silva nunca esteve tão prestes a ser desmascarada, apesar do silêncio da TV Globo em troca de publicidade chapa-branca e milionária.

Ontem a TV Record anunciou uma série de reportagens especiais sobre o enriquecimento de Lula e seus filhos. A Band vem destacando as investigações da PF e Receita Federal nas contas de Luiz Claudio, o Lulinha 2 (irmão de Fabio Luiz).

Os meninos do ex-presidente mudaram de vida muito rapidamente, o primeiro deixou de ser auxiliar de preparador físico de time de futebol para virar dono de uma mega empresa de marketing esportivo. O segundo era monitor de zoológico e hoje é grande fazendeiro e dono de empresas nos setores de informática e comunicação.

           



27/10/2015
A desgraça do PT

"Por implosão e por explosão, parece que o ciclo de poder do PT acabou". 
As aspas são do jornalista Ricardo Boechat, hoje cedo no seu programa da rádio Bandeirantes e exibido pelo telejornal Café Com Jornal, da Band.

Antes da sentença, Boechat comentou, indignado, o fato das pedaladas fiscais de Dilma Rousseff não terem sido feitas - como apregoaram os petistas - para pagamentos de programas sociais, mas sim para pagar lobistas.

           



27/10/2015
Fricotes das redes

Que interpretação é mais provável para o fato de uma esposa de promotor público anunciar nas redes sociais, com ares de repórter investigativo, novidades sobre uma investigação judiciail que corre sob segredo de Justiça?

Podemos pensar em informação privilegiada, em vazamento qualificado ou a senhora pode estar trabalhando nas investigações? Não consigo imaginar uma quarta indagação. E vocês?

           



27/10/2015
O mal das carnes

Hoje é um dia ruim para os carnívoros, sobretudo para os amantes do bacon, das salsichas e dos hamburgueres e outros tipos de carnes processadas. A Organização Mundial de Saúde acaba de incluir todas no mesmo grupo das substâncias cancerígenas, iguais ao tabaco ou o arsênico.

E se não bastasse o mal das carnes tradicionais, até os produtos processados como especiais, como os vegetarianos, provocam problemas na saúde humana.

Um recente estudo realizado pela companhia Clear Food revelou que algumas das salsichas etiquetadas como vegetarianas na realidade contém algo mais que soja, sal e outros condimentos, que dão sabor de carne verdadeira. 

Em pelo menos 10% desses produtos há substâncias oriundas da carne. E o que mais preocupou os pesquisadores que analisaram mais de 300 marcas diferentes nos EUA é que em 2% delas foram encontrados resíduos de DNA humano, inclusive entre as vegetarianas.

           



19/10/2015
Falcão Negro e a noiva de Thor

A Marvel Comics anunciou uma nova série de HQ em que a personagem Jane Foster, eterna namorada do Thor, aparece aos beijos com o Falcão Negro, o melhor amigo do Capitão América.

A notícia do beijo havia vazado nas redes e logo alimentou as neuras da militância LGBT que tratou de espalhar que se tratava de um beijo entre Thor e o Capitão. A baitolagem engajada vive atrás de afrescalhar o mundo dos super-heróis e não aceitou bem quando a DC Comics aboiolou um personagem decadente e esquecido, o Lanterna Verde dos anos 40.

Dessa vez, a Marvel foi rápida em abortar o boato e antecipar aos leitores a nova aventura que une Jane e Falcão, não necessariamente em definitivo. O contexto do beijo ainda não foi esmiuçado. 

Jane Foster é uma enfermeira criada pela dupla Stan Lee e Jack Kirby em 1962. Tornou-se a namorada mortal do deus do trovão e é interpretada no cinema pela atriz Natalie Portman, nos fimes do Thor de 2011 e 2013.

Foi numa série impressa de 1978 que Jane adquiriu superpoderes ao encontrar o martelo mágico "Mjolnir" e batê-lo no chão virando a heroína Thordis. Com isso, ela salva o namorado Dr. Don Blake que estava prisioneiro, e que logo reassume a condição divina de filho de Odin.

           



19/10/2015
Cascudo em São Paulo

Aberta nessa segunda-feira, 19, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, a megaexposição "O Tempo e Eu", dedicada inteiramente à obra e vida da maior personalidade potiguar, o folclorista e historiador Luís da Câmara Cascudo.

Num espaço de 600 metros quadrados, o evento homenageia a universalidade de quem se autoproclamava um provinciano incurável, uma maneira lírica de declarar seu amor à cidade do Natal.

A exposição ficará aberta ao público até o mês de fevereiro de 2016, tempo suficiente para os potiguares que gostam de cultura e de Cascudo a visitarem. Algumas autoridades políticas, intelectuais e empresários locais já demonstraram interesse de passar no Museu da Língua Portuguesa no período da mostra.

           



19/10/2015
País da piada pronta

A ONU acaba de condenar os cortes no orçamento da Educação feitos pela senhora Dilma Rousseff.
Nada é mais ilustrativo para o descaso de um governo que mente no próprio slogan publicitário da gestão.

           



18/10/2015
Gols e reações distinitas

Há pouco tempo, o atacante polonês Lewandowski, marcou 5 gols em apenas 9 minutos, entrando para o livro dos recordes. Nas redes sociais, ele se disse feliz por
fazer história no Bayern de Munique.

Dias depois, o argentino Kun Aguero repetiu a façanha pelo Manchester City com cinco gols em 20 minutos, colocando o time na liderança da liga inglesa. No Twitter, o rapaz postou foto mostrando a mão aberta no sinal do cinco.

Ontem, o brasileiro Neymar fez quatro gols na goleada do Barcelona sobre o Rayo Vallecano e horas depois postou no Twitter sua impressão do feito, dando "honra e glória ao senhor", exibindo a nova opção religiosa que lhe trouxe de volta o layout capilar da adolescência em Santos.

Jogadores de futebol que decidem jogar no time de Jesus adoram estabelecer posicionamento esportivo dos seus deuses, como se tais entidades optassem em torcer contra o clube adversário. Há muitos anos, o gênio Albert Einstein disse que "deus não joga dados".

E eu duvido que entenda ou goste de futebol.

           



15/10/2015
Vai começar a sucessão municipal

O deputado Fernando Mineiro (PT) não economizou ironia na crítica feita ao prefeito Carlos Eduardo (PDT) em sua página do Twitter, quando o chamou de "maquiador mor" logo após constatar a queda de uma cobertura num ponto de ônibus da cidade.
Para observadores que estimam dificuldades do petista na sucessão do próprio Carlos, o gesto um tanto agressivo em se tratando do quase sempre elegante parlamentar, é sinal de que ele decidiu recuperar o espaço que anda bastante ocupado nesses dias por outros postulantes ao gabinete central do Palácio Felipe Camarão, principalmente Robério Paulino (PSOL), Rogério Marinho (PSDB) e Kelps Lima (SDD).
Mas nas hostes do PT, onde o nome de Mineiro é praticamente unânime para a luta municipal de 2016, há avaliações positivas que entendem ser ele o único ainda com capacidade de polarizar a campanha com o atual prefeito, mesmo diante de uma conjuntura adversa onde o desgaste politico e moral do partido é enorme.
Os analistas petistas acham que Paulino não avançará além do voto juvenil e rebelde; que Marinho está abatido por uma suposta rejeição alimentada pela torcida do ABC FC; e que Lima não conseguirá ameaçar eleitoralmente Carlos Eduardo apenas com sua pirotecnia midiática.
Há ainda, porém, umas variantes que podem ser decisivas no jogo político do próximo ano. Não se sabe ao certo como se comportarão as tropas do governador Robinson Faria (PSD), do senador José Agripino (DEM), da vice-prefeita Wilma de Faria (PSB), da ex-governadora Rosalba Ciarlini (PP) e dos setores do PMDB que não simpatizam a união da família Alves em torno do filho de Agnelo.
Mas, que o jogo está começando, isso está. E com bastante possibilidade de contar com outros personagens, além dos cinco destacados aqui em texto e foto.

           



15/10/2015
E a greve, doutores?

Todos os dias, vemos desembargadores, juízes e plenários de tribunais decretarem a ilegalidade das greves no serviço público, onde os prejudicados sempre são os contribuintes, imprensados entre a incapacidade estrutural dos governos e a intolerância dos grevistas.
Hoje, mais uma vez, vimos no Bom Dia Brasil a Justiça decretar como ilegal a greve de médicos, enfermeiros e servidores da saúde no Distrito Federal. No RN, a UERN já vai para o quinto mês de greve dos professores e não há uma autoridade que julgue ilegal um absurdo desses. E o pior é que os salários foram pagos mesmo sem os docentes trabalharem. Os mais de 13 mil alunos já perderam o ano.
Eu, como cidadão, já entrei com uma reclamação na Ouvidoria do Ministério Público solicitando o ressarcimento dos R$56,6 milhões que o governo derramou na conta dos grevistas. Até agora, três promotores analisaram o pedido, Renno Silva, Andrezza Silvino e Raimundo Caio, tendo este último remetido a denúncia para o setor de Patrimônio Público do MP. 

           



10/10/2015
Aumenta tensão na Faixa de Gaza e Jerusalém

O recrudescimento dos conflitos entre israelenses e palestinos estão conduzindo nas últimas horas a uma situação de tensão e incerteza na Faixa de Gaza.

A incipiente onda de violência aumenta ao passar das horas. As hostilidades entre os palestinos e as forças de segurança de Israel na Cisjordânia ocupada continuam sendo o foco central dos enfrentamentos, desde que a tensão surgiu há várias semanas na Esplanada das Mesquitas, local sagrado no território ocupado de Jerusalém para muçulmanos e judeus.

Os distúrbios foram intensificados na cidade santa e na Cisjordânia, se estendendo até outras localidades de Israel. Neste semana houve uma explosão de violência na Faixa de Gaza, onde jovens palestinos enfrentaram com pedras os soldados israelenses, com a morte de seis palestinos entre 19 e 21 anos e ainda 86 feridos.

A consequência disso é que o Hamas lançou uma convocação para fazer do conflito uma nova intifada palestina com objetivos claros de "libertar Jerusalém". Em nota, o líder Ismail Haniyeh disse, "Confirmo que Gaza apoia a batalha por Jerusalém e pela mesquita de Al Aqsa e apoia a bendita intifada, apesar da dor, do bloqueio e das conspirações".

A posição do Hamas e seu apoio a uma possível nova intifada são questões que reproduzem com intermitência, mas que ganharam força nos últimos dias.

A ruptura do líder palestino Mahmud Abás com os acordos de Oslo, que desde 1993 marcavam os caminhos do processo de paz com Israel não é um gesto suficientemente forte para o grupo islamita, que empurra o líder palestino a um rompimento com qualquer tratado firmado com Israel.

Nos últimos dias Abás tem mantido seu posicionamento em busca da paz e há exigido que Israel se mantenha distante dos lugares sagrados dos palestinos, tanto cristãos quanto muçulmanos. O líder tem evitado condenar os ataques por parte da sua população ao exército israelense.

Para o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, é uma mostra de que Abás é o principal instigador dos ataques, se bem que fontes do serviço de inteligência não concordam com este critério de julgamento e inclusive consideram que o chefe palestino tem se esforçado para reduzir a tensão.

Mas a verdade mais dura é que a possibilidade de uma terceira intifada e o aumento das posições palestinas mais radicais estão tendo respostas das partes engajadas e mais conservadoras dos assentamentos israelenses.

O clima na região não é nada bom para o contexto político em que vive o mundo nesse momento. A imagem do jovem palestino com um singelo estilingue não retrata o real e duro perigo do conflito.

Chargistas de Tel Aviv começam a colocar no humor dos jornais o traço assustador de um novo tempo de terror. Um deles desenhou uma mensagem de réveillon fora de época: "Bem vindos aos anos 1960".

           



10/10/2015
Assim é fácil ser de esquerda

           



05/10/2015
Corrupção de Lula dá vertigem, diz Vargas Llosa

O escritor peruano Mário Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura 2010, afirmou que a corrupção bilionária de Lula causa vertigens e denunciou o aumento da corrupção na América Latina com os governos de esquerda.

Vargas Llosa participou da Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), realizada em Charleston, EUA, no último sábado, 3 de outubro. Suas declarações repercutem até agora na imprensa mundial e atinge gravemente a reputação de Lula, já em baixa com os escândalos do mensalão e do petrolão do PT.

Durante sua fala, criticou ferozmente também os governos da Venezuela, Argentina, Equador e Bolívia. Chamou a ditadura bolivariana de Nicolas Maduro de "putrefação total" e acusou as eleições de fraudulentas em vários países da América Latina, hoje vítima "da corrupção do socialismo do século XXI".

"A corrupção é um problema grave, a maior ameaça para a democracia, especialmente com as novas e recentes democracias latino-americanas. O Brasil parecia ter decolado, mas o que freou de repente e está provocando o retrocesso? A corrupção, que está de volta mais forte que nunca, acima do pico de todos os níveis já alcançados, vinda de um governo que todos no mundo acreditavam que era exemplar", disse o renomado escritor.

Vargas Llosa concluiu a dura crítica contra o ex-presidente do Brasil afirmando: "Lula implantou um governo profundamente corrupto. Dá até vertigem os montantes bilionários roubados pelos grandes ladrões do governo Lula. A história da Petrobras é incrível. É uma indicação do que pode acontecer se se combater a corrupção, que se manifesta na América Latina de modo muito perturbador. Já não são os guerrilheiros, utopias socialistas, os golpes. São todos ladrões, como os narcotraficantes. Será terrível que a democracia continue a ser esmagada e sufocada pela corrupção".

           



01/10/2015
Fala aí, Nelson Rubens

OK, OK, OK! É tão lindo, tão republicano, tão democraticamente animador quando eu vejo o senhor Janot, nosso Nelson Rubens do parquet, acusar insetos como Cunha e Renan, mas não exprimir qualquer intenção de acusar bichos como Lula e Dilma. Os surtos ideológicos de setores do MP e do Judiciário atravancam o Brasil.

           



01/10/2015
Ganhando sem trabalhar

Ontem, procurei a Ouvidoria do Ministério Público, na condição de cidadão, e postei no site oficial uma manifestação que espero tenha atenção do ouvidor. Reivindiquei o ressarcimento dos R$ 56,6 milhões que o governo do estado pagou aos grevistas da UERN durante os quatro meses de paralisação das funções. O meu texto abaixo:

Senhor ouvidor.

A instituição universal do sindicato foi criada na Inglaterra medieval do Século 18, com a função de auxiliar e arrecadar donativos para os trabalhadores têxteis em suas lutas paredistas na era da Revolução Industrial.
Na condição de grevistas, era natural a ausência de salários. Não se pode pagar a quem não cumpre seu trabalho. A partir do começo do século 20, no advento das teses comunistas postas em prática na Revolução Russa de 1917, criou-se a errônea interpretação de que existe um direito ao salário para trabalhadores em greve.
Evidente que há greves e greves, distintas nos aspectos da reivindicação justa e na intolerância da paralisação irresponsável. O Rio Grande do Norte assiste há quatro (4) meses uma greve de professores da UERN que se mostra insana, ao ponto de comprometer sem chances de reparos o ano letivo dos seus cerca de 13 mil alunos.
Após mais de uma dezena de reuniões dos líderes da greve com o governo do estado e o próprio reitor, estabeleceu-se uma inércia que a nada levou e esgotou qualquer possibilidade de diálogo, mesmo com o governador não optando pela judicialização, o que decerto levaria algum desembargador ou mesmo um plenário de magistrados a condenar o movimento paredista.
Na segunda-feira, 28 de setembro, o governo emitiu uma nota chamando mais uma vez ao diálogo e expondo a crua e dura realidade dos limites prudenciais do erário impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (tão bem defendida diuturnamente pelo Ministério Público) e que não permite reajustes salariais como os propostos pelos professores grevistas.
Na mesma nota, o governo revela e declara que nos 4 meses de greve foram pagos R$ 56,6 milhões referentes à folha dos docentes da UERN. Tais cifras representam uma insanidade num momento de crise em que os poderes públicos locais se antecipam numa política de cortes e ajustes operacionais.
É inadmissível que funcionários públicos recebam proventos sem dar uma só hora de trabalho num espaço de tempo tão grande. Há juristas que interpretam tal fato como uma similaridade com enriquecimento ilícito, inclusive com efeitos legais de improbidade administrativa do próprio estado pagador.
Diante do exposto, venho na condição de cidadão e contribuinte reivindicar o ressarcimento do montante pago aos servidores ausentes das suas funções públicas.

Com respeito, Alex Medeiros, jornalista.

           



18/04/2015
Martelo General

Alex Medeiros e Gustavo Lamartine (1995-2015)

Não duvides se falo com certeza
que um final na verdade é um começo
nem me erga se caio num tropeço
acredite que o feio é uma beleza
toda calma de mar tem correnteza
numa reza também tem carnaval
todo bem é a véspera de um mal
e um anjo é um diabo travestido
todo rock é um baião pervertido
no suingue de um martelo general

Na coragem reside a covardia
o trabalho é parido pelo ócio
caridade no fundo é um negócio
e amor só é grande com agonia
a ciência é o avanço da magia
o dinheiro não é crime capital
a goteira no teto é temporal
uma valsa é um xote sem libido
embolada é um rap atrevido
no suingue de um martelo general

Que seria de mim não fosse eu
no passado ergo muros do futuro
na sujeira de tudo surge o puro
o marido da viúva já morreu
o rebento da mãe morta não nasceu
a verdade se esconde no jornal
a mentira ganhou roupa virtual
o partido foi pra puta que pariu
bossa nova é um jazz que eclodiu
no suingue de um martelo general

Alma minha gentil tu nem ouvisse
o cantar do fantasma de papai
instalaram no céu uma rede wifi
a divina conexão da esquisitice
num duelo o morto já é vice
natureza morta no sobrenatural
aquarela de um anjo infernal
na moldura de nuvens de pecado
toda troika um dia foi xaxado
no suingue de um martelo general

A ressaca da alma está no sonho
o cansaço do corpo é pesadelo
um cavalo corcunda é um camelo
o namoro contínuo é enfadonho
de onde tiro é o mesmo de onde ponho
premedito o encontro casual
ficção é o princípio do real
eleição é a rifa do Brasil
toda dança política é imbecil
no suingue de um martelo general.

           



06/03/2015
Um lar de l, l, l

Quarta-feira, 4, após acompanhar o futebol pelo mundo, fui folhear velhas revistas dos anos 1940/1950 em busca de reportagens e fotos da cantora Inezita Barroso, a aniversariante que chegava aos 90 anos sustentando a bandeira do cancioneiro nacional.

Sempre quando posso, assisto seu programa, Viola Minha Viola, na TV Cultura, que já tem 35 anos no ar, um feito épico para uma senhora frágil que não desiste de resgatar e manter em evidência a riqueza musical do país, como faz também Rolando Boldrin.

Inesquecível e arrepiante foi a participação de Jair Rodrigues, pouco tempo antes de morrer, prestando homenagens aos seus ídolos seresteiros, como Sílvio Caldas, Francisco Alves, Orlando Silva e aquele que considerava eterno, Agostinho dos Santos.

Achei muita coisa sobre Inezita entre as traças do meu acervo de passado, mas o melhor garimpo quem acabou me proporcionando foi Graco Medeiros, o velho mano que vive nos becos de Olinda e nas pontes do Recife. O achado veio pelo seu Facebook.

Achou simplesmente uma canção que na nossa infância era cantarolada por nossos pais e que a própria Inezita gravou nos anos 1950. A toada "Maria Júlia" é tão antiga que já caiu no domínio público e gerou versões em alguns trechos pelo Brasil afora.

Ao ouvir a música inteira, pelo YouTube, cada verso que escapava da memória remota arrepiava meu corpo inteiro, lembrando dos solfejos e cantaroladas que ecoavam pelas casas em que vivi dos 4 aos 16 anos, nos bairros Cidade Alta, Santos Reis e Quintas.

Graco lembrou que papai gostava muito da quarta estrofe, pois provocava uma relação com uma arma branca que ele mantinha desde os tempos da Segunda Guerra. Há poucos meses, minha irmã Zorilda me pediu para cuidar do velho punhal de cabo listrado.

No YouTube há a antiga gravação de Inezita, no áudio do LP, mas também há uma versão moderna que ela fez em 2013 no programa da TV, num acompanhamento espetacular de viola, violão, sanfona, baixo e pandeiro. A toada é unguento de alma.

É Graco quem ilustra a versão "Maria Júlia" de papai e mamãe: "Enquanto papai, no ritmo dele de embolador meio desentoado, ficava cantarolando trechos, completando com solfejos, mamãe cantava toda a letra, trocando São Pedro por São Migué".

Meus saudosos velhos eram chegados em música e foram determinantes no apuro musical dos filhos. Quando Gilberto Gil lançou a canção Refazenda, do LP homônimo, em 1975, papai ouviu primeiro do que eu. Adorou o quase trava-língua das rimas.

Aprendi a curtir os violeiros nas primeiras horas da manhã e no início da noite quando o rádio era ligado nos programas de música regional. Sei compor todo e qualquer tipo de poesia de cordel, algumas delas já musicadas pela turma de Babal e os 40 Galvões.

Os 90 anos de Inezita Barroso deveriam ter sido um evento de interesse nacional, por sua luta gloriosa em defesa da cultura popular. Aliás, no mesmo dia, lembra Graco, nasceu a potiguar Ademilde Fonseca e morreram Johnny Alf e Celly Campello.

Homenageando a cantora, também torcendo para que ela se restabeleça no Hospital Sírio Libanês e cultuando a memória dos meus pais que me ensinaram a gosta de música, deixo com os leitores a antiga e raríssima letra da linda toda "Maria Júlia".

- Maria Júlia / embarcou pra Seriema / coitadinha da morena / quase morreu de chorar / Ela pediu pra mim dar voto por ela / morena cor de canela / peço um beijo / ela me dá.

É lua nova / quarteirão quarto minguante / Nossa Senhora do Monte / São Pedro, menino deus / Cristo nasceu foi por obra do divino / sacristão bateu no sino / luz do sol apareceu.

São sete hora, sete noite, sete dia / são sete salão de baile / sete sala de quadria,
sete baiano, sete pandeiro ruflando / sete moça namorando / sete noite de luar.

Eu vou comprar um punhal de aço puro / pra nós dois jogar no escuro / que meu bem vem me buscar / morena linda tens sua cor de ouro / morena larga de choro / que eu nasci foi pra te amar
.

           



03/03/2015
Mame amava Cauby

Quando Ben Jor ainda era Jorge Ben, em 1980, declarou que Cauby Peixoto era o eterno amante da Conceição, anexando ao comentário uma reflexão shakespeariana: "ser ou não ser Cauby, eis a questão". E o maestro Tom Jobim sentenciou: "Cauby é ótimo!".

Foi minha mãe quem estabeleceu na minha maneira de ver e escutar o cantor Cauby uma atemporalidade misteriosa que eu nunca compreendi direito. Não entendia como uma mulher nascida em 1922 foi tiete na juventude de um cara nascido em 1931.

Lembro-me da meninice ouvindo mamãe expressar seu culto ao seresteiro que gravou seu primeiro disco aos vinte anos, em 1951, quando nasceu o primeiro filho dela, meu mano Graco. E aí cresci sem acreditar que Cauby fosse apenas nove anos mais novo.

A cronologia sempre pareceu não operar em Cauby seguindo as regras clássicas da física, sua própria estampa tem sido ao longo das décadas como um truque de espelhos na maquiagem extravagantemente calculada, e sem a quase escatologia de Serguei.

O aniversário dos 25 anos de sucesso, por exemplo, foi marcado com um disco da Som Livre lançado 4 anos depois. Aliás, um puta álbum com canções compostas só para ele por Caetano Veloso, Chico Buarque, Roberto Carlos e Tom Jobim, entre outros.

Se fosse possível um teste de DNA na discografia do rock brasileiro, Cauby Peixoto teria definitivamente declarada a paternidade do gênero em solo nacional, quando em 1957 gravou a canção "Rock and Roll em Copacabana", composta por Miguel Gustavo.

Quando comecei a gostar de rock, no princípio dos anos 1970, via em Cauby a antítese musical dos rapazes remanescentes da Jovem Guarda e dos cabeludos das bandas britânicas. E fazia muxoxo da satisfação de minha mãe com a voz dele no rádio.

A ignorância de roqueiro iniciante nem de longe desconfiava que exatamente no ano do meu nascimento, 1959, a TIME e a LIFE, principais revistas da pátria do rock, o batizaram de "O Elvis Presley brasileiro", após sua temporada de 14 meses nos EUA.

O pesquisador Ricardo Cravo Albin diz em seu famoso dicionário da MPB que entre 1953 e 1954 Cauby já havia alcançado tamanho estrelato no rádio, ao ponto de superar um fenômeno chamado Orlando Silva. A tietagem se espalhou pelo país afora.

O assédio feminino tomou proporções que provavelmente só se viu igual no Brasil dos anos 1960 com Roberto Carlos e Ronnie Von, ídolos e rivais do momento histórico em que o rock plantado por Cauby começava a vestir tons verdes-amarelos com o iê-iê-iê.

O ano da gravação do primeiro rock tupiniquim também é consagrador para o estilo romântico de Cauby, ao gravar monstros sagrados como Noel Rosa, Ary Barroso, Mário Lago, Custódio Mesquita, Silvio Caldas, João de Barro, Dunga e Orestes Barbosa.

Atravessou a história da MPB com uma onipresença jamais vista em outro artista, interpretando de forma inigualável os maiores clássicos do samba, da bossa nova e até do tropicalismo, confirmando aquela atemporalidade que mamãe me passou sem querer.

Ouçam com ele "Chão de Estrelas", "Ronda", "Alguém me Disse", "Molambo", "Negue", "Nada Além", "Viola Enluarada", "Eu Sei que Vou te Amar", "Perfídia", "Bastidores", "Anos Dourados", "Valsinha"... Ouçam e tentem conter o arrepio.

Quem haverá de questionar a palavra do rei Roberto Carlos, que decretou 35 anos atrás?: "Para mim, o maior cantor do Brasil é Cauby Peixoto. Eu sou apenas um intérprete". Já a mim, basta a paixão da minha mãe quando jovem. Eu me lembro muito bem.

           



02/03/2015
Morre a amante de Fidel

Morreu aos 89 anos, em Havana, Natalia Revuelta Clews, a ex-amante de Fidel Castro com quem teve a filha Alina Fernández Revuelta. A notícia foi divulgada hoje pelo portal Café Fuerte, de Cuba. A causa da morte foi enfisema pulmonar.

A filha Alina (de preto na foto com Natalia), que mora em Miami há 21 anos depois que pediu asilo aos EUA, havia regressado à capital cubana para acompanhar o estado delicado de saúde da mãe.

A história pessoal de Naty, como era chamada, começou como militante do Partido Ortodoxo, onde se destacou para fundar o Movimento 26 de Julho. Sua relação extraconjugal com Fidel Castro ganhou repercussão mundial quando nasceu Alina.

Filha de uma família de classe média, ela casou com um respeitado cardiologista e era considerada uma das mais belas mulheres de Havana. Conheceu Fidel num comício contra o governo Fulgência Batista em 1952.

O caso amoroso com o líder dos comunistas só começou pra valer três anos depois, até que houve a separação com o exílio de Fidel no México. Ele partiu e ela ficou na ilha com o vestido cada dia mais curto, como cantou Chico Buarque. A criança nasceu em 1956.

Mesmo após romper oficialmente o caso amoroso, Natalia Revuelta nunca ficou politicamente contra o pai da sua filha. Mas Fidel jamais soube dedicar amor à Alina, que quando ganhou noção do mundo fugiu da ditadura comunista do pai.

           



31/01/2015
Cime no brinquedo

A boa visão de mercado dos pais tirou os dois irmãos do ambiente provinciano e empurrou-os para São Paulo, a meca financeira do país, ainda de pé no torvelinho inflacionário da era traumática com a morte de Tancredo e o improviso de Sarney.

Por mais imbuídos que estivessem de trabalhar para acumular dinheiro, os manos não tinham como evitar que o auge das suas juventudes se locupletasse no clima de ressurreição do rock nacional travestido nas canções de um movimento new wave.

No embalo do grupo Kid Abelha, o refrão de Leo Jaime gritava "ainda encontro a fórmula do amor", enquanto Kazuza, o poeta daquela geração, cantarolava "exagerado, jogado aos teus pés, eu sou mesmo exagerado, adoro um amor inventado".

Não que os irmãos não tivessem cancha econômica para se misturarem nos inferninhos paulistanos e tentarem um lero com as garotas de tênis cano alto e blusas coloridas, as pós-cocotas que circulavam entre os bares do Bexiga e as galerias do Centro Vergueiro.

Eram tempos em que o dinheiro era comido pelas traças da superinflação, em perdas tão rápidas que o valor da manhã já não era igual no almoço. Mas eles se aguentavam no bolso; o que não dava para aguentar mesmo era o liseu amoroso, a seca de sexo.

Cazuza tinha dado a dica do amor inventado, e lá foi um deles inventar o amor de cada dia, naquele instante mais imprescindível do que o pão da reza que a mãe ensinou em Natal. E a fórmula do amor, como na canção, estava disponível num sex shop qualquer.

Foi o irmão mais velho quem achou a boneca inflável. Amor e pagamento à primeira vista, o alvo do desejo represado embrulhado numa caixa, pronta para encarar o sopro e ficar ereta para os primeiros idílios de um amor com cheiro de plástico bem novinho.

No rádio do táxi, João Bosco atiçou a carência do rapaz: "ser feliz, no teu colo dormir e depois acordar, sendo o seu colorido brinquedo de papel machê". A primeira sensação em casa parecia o hit do Ultraje a Rigor, "me want to play, me love to get money".

Gostar de dinheiro e querer brincar são dois sentimentos devidamente próximos, não importando que a brincadeira seja de amor inanimado. Alguns aninhos antes de Lulu Santos afirmar, o dono da boneca entrou numas de considerar toda forma de amor.

Era amor ardente, numa temperatura perigosa para a anatomia da boneca. Parecia que os Heróis da Resistência cantavam para o, digamos, casal: "eu te imagino, eu te conserto, eu faço a cena que eu quiser, eu tiro a roupa pra você, minha maior ficção de amor".

Porém, a musa de plástico não estava bem guardada só para o prazer do dono. E eis, que num certo (ou errado) dia, o irmão mais jovem descobriu o esconderijo da estranha cunhada. Arrancou-a da caixa, meteu a boca no pito e depois as mãos nos peitos.

Percebendo os horários da ausência do outro, passou a ser presente no pequeno apartamento, lambendo os beiços para quando houvesse chance de ficar a sós com a boneca. Paixão cruel, desenfreada, ele também aprendeu a adorar um amor inventado.

Mas, as investidas não duraram muito quando o ciúme lançou sua flecha preta. Nos resíduos do amor que o caçula deixou, inadvertidamente, nas partes pudicas da amante do irmão. Erasmo Carlos cantava à época "vejo manchas, intrigas dentro do nosso astral".

Foi o fim de uma harmonia fraternal, mais uma vez a figura feminina se interpondo entre irmãos, como nos exemplos literários, cinematográficos e televisivos, citados na crônica anterior, "Uma mulher entre irmãos", publicada na edição do JH de 30 de janeiro.

O plástico da discórdia infernizou o duo familiar e a vida paulistana dos natalenses virou um dramalhão de novela, pendenga amorosa das músicas bregas de então: "perigo é ver você assim sorrindo, isso é muita tentação", dizia o pé de lã para a inflada cunhadinha.

Nas noites da TV, a voz cavernosa de Zé Ramalho ecoava em Roque Santeiro: "mistérios da meia-noite que voam longe, que você nunca, não sabe nunca, se vão se ficam, quem vai, quem foi". Foi numa noite dessas que o triângulo fez do brinquedo uma tragédia.

Durante uma discussão áspera, num puxa-puxa passional pela posse da amante cor de rosa, esta se aproveita e permite que o seu pito seja pressionado. Ao escape do ar, a boneca voa pela sala e escolhe o suicídio no abismo lá fora da janela.

Até hoje, os irmãos se entreolham às vezes com um jeito de acusação mútua pela morte da amante inesquecível. Aqueles foram anos de trabalho duro, de mulher mole e de amor inventado e extinto num piscar de olhos, no tesão de um sopro.

           



30/01/2015
Uma mulher entre irmos

Fosse um novelista da TV Globo o redator do livro do Gênesis, no Velho Testamento, e teríamos nos motivos do assassinato de Abel por seu irmão Caim o elemento do ciúme provocado por uma mulher, provavelmente uma meia-irmã de ambos ou uma sobrinha.

Nunca como nos anos desse terceiro milênio, as novelas globais abordaram tanto a paixão de dois irmãos por uma mesma mulher, um dos temas centrais do atual roteiro de "Alto Astral", de Daniel Ortiz, com o triângulo Thiago Lacerda, Sergio Guizé e Nathalia Dill.

A trama não é, entretanto, invenção dos dramaturgos da Globo, é fato comum na TV, no cinema e, principalmente, na literatura universal, presente em clássicos e em romances populares, de Schiller a Machado de Assis, de Daniel Defoe a Érico Veríssimo.

A extinta TV Tupi distribuiu emoção e confusão nos anos de 1974 e 1975 com uma dupla de manos disputando, no amor e na raça, o coração de uma mesma donzela. Foi em Ídolo de Pano, escrita por Teixeira Filho e estrela por Tony Ramos e Denis Carvalho.

A moça era Elaine Cristina, na pele da operária Andréa, alvo da paixão de Luciano (Ramos) e grávida na canalhice de Jean (Carvalho). O primeiro casa com ela, apesar do filho ser do outro, num final que parou o Brasil pelo tom trágico e emotivo do caso.

Quem leu os clássicos nacionais na meninice não esquece o romance "Esaú e Jacó", de Machado de Assis, onde dois irmãos que política e diametralmente são opostos (um monarquista, outro republicano), mas amam uma só mulher que acaba morrendo.

A partir dos anos 1980, a saga O Tempo e o Vento escrita pelo gaúcho Erico Veríssimo, distribuída em três livros, ganhou popularidade com as versões na TV e no cinema. O terceiro livro, "Arquipélago", há o amor cruzado de Floriano e Jango por Sílvia.

Bem antes dos nossos dois ícones literários, o poeta e filósofo alemão Friedrich Schiller abordou a temática dos irmãos em conflito por uma mulher na peça teatral "A Noiva de Messina", de 1803. Refugiada num convento, a bela Beatriz é disputada por ambos.

Nas sessões de reprises da televisão passa de vez em quando o lacrimoso e épico romance "Lendas da Paixão", com Anthony Hopkins e Brad Pitt no elenco. A jovem Susannah (Julia Ormond) divide os irmãos Samuel (Henry Thomas) e Tristan (Pitt).

E nas gôndolas das livrarias atuais sempre recheadas de aventuras juvenis, é fácil encontrar misturados livros de escritores eruditos, como Daniel Defoe, e coloquiais, como Charlotte Lamb, ambos oriundos da Inglaterra, mas em tempos distintos.

Em "Contos de Fantasmas", há um episódio chamado "Uma Estranha Experiência de Dois Irmãos", em que ambos são transportados para o passado, e lá acabam se apaixonando pela mesma mulher. Porém, um quer amor e o outro quer apenas sexo.

Com o pseudônimo Sheila Holland, um de tantos que ela usou em 63 anos de vida e tantos livros, Charlotte Lamb está em exposição com o romance "Segredos", um duelo alucinante entre os irmãos Stonor e Wolfe pelo amor de Sophia, que quer os dois.

Recentemente elevado ao panteão dos autores de best sellers, pelo sucesso de "A Menina que Roubava Livros", o australiano Makus Zuzak, 40 anos, está com um novo romance na praça, "A Garota que eu Quero", abordando o conflito fraterno-amoroso.

Na trama de Zuzak, a jovem Octavia afunda os irmãos Cameron e Rube no oceano dos seus olhos verdes. Mas, nada é mais instigante em se tratando de briga de irmãos por uma mulher do que o caso ocorrido entre Natal e São Paulo, nos agitados anos 80.

Não percam, amanhã, a crônica "Ciúme não é Brinquedo".

           



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