BLOG DO ALEX MEDEIROS

10/01/2019
Alô, alô, marciano

Um dos filmes que mais projetou a atriz Jodie Foster (além de Táxi Driver, Acusados e O Silêncio dos Inocentes) foi Contato, produção de 1997 com direção de Robert Zemeckis em roteiro baseado no livro de mesmo nome escrito pelo astrofísico americano Carl Sagan, autor da série de TV Cosmos.

Jodie interpreta uma cientista, Dra. Eleanor, que atua no projeto SETI que vasculha o universo em busca de vida alienígena. Após detectar fortes sinais de rádio, provavelmente enviados por uma civilização inteligente, ela segue instruções para criar uma máquina que permitirá contato com extraterrestres.

Nesta semana, a ficção do filme Contato ganhou versão de realidade quando astrônomos detectaram fortes ondas de rádio misteriosas e ultracurtas nas profundezas do espaço sideral, levando alguns cientistas a sugerirem que essas ondas podem ser fortes evidências de vida alienígena avançada.

É a segunda vez na história da astrofísica que as rajadas rápidas de rádio (conhecidas no ambiente científico como RRR, ou Fast Radio Bursts) são detectadas. Elas são pulsos de ondas de rádio de milissegundos e ainda desconhecidas. Estudiosos acham que estão bilhões de anos-luz distantes.

O professor Avi Loeb, do centro de astrofísica da universidade de Harvard, defende a tese de que as ondas detectadas agora são oriundas de tecnologia extraterrestre incrivelmente avançada. Outra tese é que são geradas por poderosos fenômenos, como os buracos negros ou estrelas de nêutrons.

A nova descoberta foi feita por uma equipe canadense de astrônomos e foi publicada na revista Nature. O grupo detectou treze flashes usando um novo tipo de rádio-telescópio, batizado de Experimento Canadense de Mapeamento de Intensidade de Hidrogênio (Chime, na sigla em inglês).

Na primeira vez que as rajadas foram detectadas, em 2007, foi por puro acidente, quando uma explosão de ondas foi observada em dados de radioastronomia. Os astrônomos que operam o sistema Chime estão sediados no Vale de Okanagan, situado na Columbia Britânica, no ocidente do Canadá.

A cientista Ingrid Stairs disse que até agora havia apenas uma RRR repetida conhecida, e sugeriu que diante da nova descoberta podem haver outras. Em 2017, os professores Avi Loeb e Manasvi Lingam aventaram a possibilidade de as ondas serem vazamentos de transmissores ETs do tamanho da Terra.

"As rajadas rápidas de rádio são muito brilhantes, pela curta duração e origem a grandes distâncias, e nós não identificamos uma fonte natural com confiança, valendo então a pena considerar e verificar uma origem artificial e inteligente", declarou Loeb num artigo publicado no tradicional Astrophysical Journal Letters, em circulação desde 1895.

       



09/01/2019
O retorno do competitivo Alonso

Notícias na mídia especializada europeia apontam que as mudanças na direção da Ferrari deverão abrir uma nova porta para a volta do piloto espanhol Fernando Alonso à Fórmula Um.

Os comentários são de que se a escuderia McLaren não oferecer um carro competitivo ao bicampeão asturiano, a Ferrari sob nova direção iria em busca do seu talento para as novas temporadas da modalidade.

Seria muito bom um retorno de Alonso na briga por título. A F1 só tem a ganhar na audiência mundial com a sua presença.

       



09/01/2019
Ainda a ousada licitação

Os sismógrafos espalhados nos gabinetes do Ministério Público estadual dão sinais de perigo para alguns comunicólogos que tentaram ao apagar das luzes do governo Robinson Faria impor ao erário uma licitação publicitária no valor de R$ 30 milhões.

Algumas fontes no MP apontam que o assunto ainda vai estremecer debaixo dos pés de alguns malabaristas do dinheiro público. Um promotor chegou a comentar que o ex-governador Robinson teve muita sorte da Justiça ter cancelado o insano certame, posto que tudo poderia cair nas costas dele.

É aguardar os efeitos desses sinais vindos do parquet.

       



09/01/2019
Nordeste de cabo a rabo

Na terça-feira, logo que terminou a reunião do presidente Jair Bolsonaro com seu ministério, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, atendeu ao enxame de repórteres e disse que o capitão pediu à equipe muita atenção nos seus compromissos de campanha, principalmente em relação ao Nordeste.

Uma das promessas foi a formatação de um grupo interministerial para cuidar exclusivamente dos assuntos relacionados com as necessidades da região, a única em que o presidente perdeu a disputa de votos contra o petista Fernando Haddad. O ministro disse que oito pastas trabalharão juntas na missão.

Horas depois, foi noticiada a formação de uma frente ampla e suprapartidária de parlamentares nordestinos dispostos a operar em bloco em favor das causas mais urgentes do Nordeste. A ideia me parece com duas dificuldades: juntar deputados de ideologias diferentes e ter fôlego para brigar unidos.

Desde os tempos em que eu tinha longos cabelos e a televisão era em branco e preto, coleciono (além de sonetos, como na canção de Chico) decepções como cidadão diante de intenções políticas como esta. Todas as vezes - que me lembro - em que houve isso, só deu para a sardinha dos estados maiores.

A coisa começava, o show de retórica ganhava a mídia regional, cada qual dos envolvidos iludindo seus respectivos conterrâneos, deputados conduzindo governadores e secretários na velha via crucis ministerial, para no fim não dar em quase nada. Exceto para os pernambucanos, cearenses e baianos.

Segundo declaração de Onyx Lorenzoni, a tal força-tarefa dos ministros de Bolsonaro fará uma primeira reunião amanhã. O grupo de parlamentares não divulgou ainda uma agenda de trabalho. Espera-se que dessa vez as conversas não sejam apenas papo-furado de início de governo e legislatura.

E que, em acontecendo um verdadeiro mutirão político-administrativo, as atenções às questões nordestinas possam contemplar cada um dos nove estados e que tenham rápido efeito nas necessidades prementes das comunidades mais carentes. Que não invistam só no cabo de força, mas também no rabo sempre esquecido da região.

       



03/01/2019
2019 nas telas de ontem

A mídia repercute nos primeiros dias do ano novo a reação de muitos cinéfilos com duas produções de ficção científica dos anos 1980 e que destacavam em seus roteiros um cenário futurista contextualizado num 2019 distópico e apocalíptico. O filme Blade Runner (1982) e o desenho Akira (1988).

Ambos tentaram antecipar no nosso imaginário a vida trinta anos adiante, nos aspectos tecnológico, arquitetônico e comportamental. O filme, baseado no romance de Philip K. Dick; e a animação, adaptada do mangá de Katsuhiro Otomo. Ridley Scott dirigiu o primeiro, enquanto Otomo dirigiu sua criação.

Felizmente, o tom profético da ficção não se consolidou agora, pelo menos nesses primeiros dias em que entramos em 2019 e rabiscamos os dias vindouros até que um novo reveillon faça velho o ano novo. Não houve a terceira guerra mundial, nem nos submetemos ao teste de Voight-Kampff.

Até que temos ouvido falar numa provável terceira guerra, quando postos diante de gestos e farpas de figuras como Kim Jong Un, Hassan Rohani, Tayyip Erdogan, Maduro, Putin e Trump. Mas não precisamos aplicar testes nas pessoas para descobrir quem é e quem não é um ser robótico inteligente.

Lembrar do fato que duas obras cinematográficas de mais de trinta anos atrás inseriram em suas tramas o ano de 2019 remete-nos a uma boa coincidência envolvendo ambas, pois depois de Blade Runner e Akira a ficção científica nunca mais foi a mesma nas telas de cinema. Uma mudança de azimute.

Vi Akira há muito pouco tempo, já nos primeiros anos do terceiro milênio, quando passei a comprar mangás para meu filho caçula. Já Blade Runner, assisti poucos anos após seu lançamento no Brasil, em julho de 1982, num momento histórico em que retornavam as eleições diretas para governador.

Para quem, como eu, aos 22 anos, consumia ficção científica nos moldes de velhas produções como Star Trek, Perdidos no Espaço e Túnel do Tempo - e que ainda se iniciava na era Star Wars - o impacto do filme com Harrison Ford e Rutger Hauer foi suficiente para repetecos quando surgiram as fitas VHS.

Na virada dos anos 80 para 90, aluguei inúmeras vezes Blade Runner. Lembro bem que imaginava meus filhos mais velhos com trinta anos em 2019, e ficava tentando vislumbrar o mundo deles. Tinha dúvidas se eu estaria por aqui, como estou agora. Resisti aos vícios, às tormentas pessoais e à tecnologia. Viva 2019!

       



31/12/2018
Feliz ano novo

"Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre".

(Carlos Drummond de Andrade)

       



30/12/2018
O triunvirato nacionalista nas Américas

O México, o Brasil e os Estados Unidos. Os três gigantes americanos - onde moram 660 milhões de pessoas do 1 bilhão que vive no continente - serão governados a partir de terça-feira, ao mesmo tempo, por três líderes que abraçam o nacionalismo.

Um triunvirato incomum, um equilíbrio, com Washington como principal farol, em que Jair Bolsonaro pretende ser seu parceiro predileto e com o Governo de Andrés Manuel López Obrador receoso dessa aproximação, temeroso de ficar emparedado e com a necessidade de se entender, pelo menos, com seu vizinho do norte.

Enquanto isso, um fator permeia o ambiente. A cada vez maior presença da China na região pode terminar por distorcer e ser o convidado externo do jogo a três do nacionalismo americano.

A geopolítica do continente irá girar em torno de Trump, López Obrador e Bolsonaro, três líderes com os quais a política externa não pode ser entendida sem um reforço prévio da interna. No papel, López Obrador e Donald Trump deram demonstrações de querer ter boa relação.

Se o inquilino da Casa Branca afirmou que fará grandes coisas com seu novo vizinho, o presidente mexicano, que chegou ao poder em 1 de dezembro, disse que não tem intenção de entrar em conflito com o vizinho do norte. Sua forma de fazer política, as maneiras, os gestos que tanto importam nesses tempos, não é tão diferente, como López Obrador se esforçou em demonstrar em apenas um mês.

Os dois não têm exatamente uma boa sintonia com a imprensa tradicional, mas estão permanentemente presentes nela, tentando marcar a agenda. Nenhum hesita em assumir erros, culpar suas equipes e voltar atrás em decisões controversas.

       



29/12/2018
A irmã de Chico

Morreu quinta-feira a cantora Miúcha. Não era integrante do meu clube de preferências musicais, mesmo sendo parceira de João Gilberto e mãe de Bebel Gilberto. Dos seus anos de vitalidade artística, minhas impressões sobre ela resumem-se ao belo sorriso nicotinado, tal o riso alcoolizado do irmão.

Entretanto, em 1999, quando eu estava prestes a fazer quarenta anos, Miúcha entrou quase que inadvertidamente no meu seleto acervo de vinil. E graças a uma obra do irmão Chico Buarque, que em 1977 colocou letra numa melodia de Sivuca e que acabou chegando às paradas de sucesso na voz de Nara Leão.

A canção João e Maria (agora eu era herói e o meu cavalo só falava inglês. ..) encantou meu coração pós-adolescência entre 1977 e 1978, ouvia repetidamente e cantarolava nas rodas de violão em Candelária. É daquelas que jamais provocam enjoos nos meus ouvidos nas muitas vezes que ainda ouço.

Pois bem. Naquele passeio ocioso por Recife em 1999, avistei num sebo um LP de Miúcha, que apesar de recém-lançado estava num lote de discos antigos. Alguém se desfez e o comerciante não percebeu a novidade da oferta. Na capa, a cantora sorrindo, com um gato nos braços, e o título "Rosa Amarela".

Ao manusear o disco, vi que ela regravara João e Maria, a bela obra do irmão que tanto marcou minha juventude. Peguei, paguei e levei a bolacha. À noite, no hotel, me inteirei melhor do repertório e vi que outras belas canções compunham o LP, como Valsa de uma Cidade, um hino ao Rio do cronista Antônio Maria.

Gravou também Querelas do Brasil, a irônica composição de Aldir Blanc que estourou na interpretação de Elis Regina em 1978. E um destaque histórico com "A Mesma Rosa Amarela", letra do poeta pernambucano Carlos Pena Filho com música do mestre Capiba, o ícone dos carnavais recifenses com seus frevos.

Na passagem de 1959 para 1960, Pena Filho passou o poema pra Capiba como encomenda para um frevo, mas o compositor achou tão bonito que preferiu fazer um samba com pegada de bossa nova. E aí foi gravada por Maísa em 1962, fazendo enorme sucesso que o poeta não viu, pois morreu dois anos antes.

Saí num lucro enorme com o único vinil de Miúcha em minha coleção. Além da balada dos meus anos de boy, ganhei a sua afinada interpretação do velho samba de Capiba no lindo poema de Pena Filho, escrito nos seus últimos dias. Segue abaixo o texto de A Mesma Rosa Amarela, que resumida virou título do LP.

Você tem quase tudo dela
O mesmo perfume
A mesma cor, a mesma rosa amarela
Só não tem o meu amor
Mas nestes dias de carnaval
Para mim você vai ser ela
O mesmo perfume, a mesma cor
A mesma rosa amarela
Mas não sei o que será
Quando chegar a lembrança dela
E de você apenas restar
A mesma rosa amarela
A mesma rosa amarela

       



29/12/2018
O compositor da melancolia

A música pop perdeu no último dia 19 o compositor norte-americano Norman Gimbel, autor de temas para o cinema e a televisão e que se tornou célebre com sucessos como Sway (versão do clássico mexicano Quien Será), Girl of Ipanema (a tradução da imortal Garota de Ipanema) e muitos outros ao longo de 65 anos criativos de carreira.

Mas, de todos os seus trabalhos o mais famoso foi Killing me Softly, gravado em 1973 pela cantora Roberta Flack, uma balada que estourou nas paradas do mundo inteiro e se tornou hit de gerações. Só pode entender a força de uma balada como aquela quem a dançou de ouvido e peito colados de paixão.

A bela canção carregada de uma vibração melancólica encantou pessoas de todas as idades naqueles primeiros anos da década de 70. A parceria com o inseparável amigo Charles Fox, autor da melodia, rendeu o prêmio de Música do Ano no Grammy de 1973. Na voz de Roberta Flack, ficou cinco semanas como número 1 na Bilboard.

Na biografia de Fox, o músico diz que ele e Gimbel fizeram juntos mais de 150 canções, muitas premiadas e até hoje gravadas, como I Got a Name, também de 1973 e sucesso na voz de Jim Croce, cujo disco foi lançado um dia após sua morte num acidente aéreo em setembro daquele ano.

A música foi tema do filme The Last American Hero (com a versão brasileira O Importante é Vencer), que narra a história real do piloto da Nascar, Junior Johnson e estrelado pelo ator Jeff Bridges. Anos depois a canção foi destaque nos filmes Tempestade de Gelo (73), Django Livre (2013), Invencível (2014), Logan (2017) e Lego Ninjago (2017).

A primeira estatueta do Oscar para a dupla veio em 1980 com a canção It Goes Like it Goes, composta no ano anterior e gravada por Jennifer Warnes como tema do filme Norma Rae, um drama biográfico sobre a operária Crystal Lee que liderou campanha contra as condições de trabalha numa indústria do Alabama.

Pouco tempo depois, em 1975, uma outra música com letra de Norman Gimbel recebe mais um Oscar, de melhor canção original no filme Uma Janela Para o Céu. Na interpretação, Olívia Newton-John. A obra ganhou fôlego três anos depois com a bela versão cantada pelo showman Barry Manilow.

É importante destacar que a versão em inglês que Gimbel fez para a obra-prima de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, e que lhe deu um prêmio Grammy em 1965, transformou o padrão do jazz contemporâneo e abriu espaço para dezenas de releituras de Garota de Ipanema ao longo do tempo.

A morte de Gimbel, que estava com 91 anos, só foi anunciada pela família e pelos representantes dos seus direitos autorais na sexta-feira, 28. Nos primeiros registros da imprensa americana sobre sua morte, ele foi tratado como um escritor e compositor talentoso e prolífico. A cantora Roberta Flack exprimiu pesar nas redes sociais.

O velho parceiro de tantos sucessos, Charles Fox, disse que sempre achou Killing me Softly "uma das mais belas obras saídas da caneta de Norman". Ainda na biografia que publicou em 2010 ele afirmou: "A poesia de Norman Gimbel tem uma extraordinária beleza, sensibilidade e compreensão da condição humana". Em 1984, o autor ganhou uma estrela no Hall da Fama dos Compositores.

       



29/12/2018
Um Natal em Marte

Quando o amigo Manoel Ramalho fundou e lançou o serviço de streaming Oldflix, uma bela sacada com oferta de filmes e seriados antigos nos moldes do que faz a poderosa Netflix com suas novidades, ele disse numa entrevista que se inspirou numa frase do escritor Michael Crichton publicada por mim.

Numa crônica que escrevi em 2006 no saudoso O Jornal de Hoje sobre o romance Linha do Tempo, o autor americano falecido em 2008 especulou que numa pesquisa sobre preferência de destino de viagem a maioria das pessoas não escolheria Paris ou Nova York, mas uma volta ao passado de si mesmas.

Realmente, quase todo mundo tem ou já teve vontade de poder viajar no tempo, visitar momentos felizes da infância ou instantes importantes da própria história humana. Acho - como achava Crichton - que o passado vence fácil o futuro na preferência de destino de viagem. E lembrar é bem melhor que vislumbrar.

Dia 26 de dezembro é o Dia da Lembrança no calendário promocional, e por ser um dia após as festas natalinas nos aponta bons motivos da escolha. Ninguém vive um "Feliz Natal" sem lembrar dos natais do passado, principalmente quem acumula as perdas que o percurso da vida impõe na trajetória do tempo.

A lembrança é a nossa própria máquina do tempo, e pode nos levar anos e anos para trás se o combustível da memória for suficiente. Nos dias atuais, as pessoas com menor capacidade de memória biológica podem suprir isso com a memória artificial, tamanha é a diversidade de opções de arquivos disponíveis.

Sugiro a quem tem dificuldade com a memória mal armazenada no cérebro - e que sente vontade de reviver dias felizes ou relevantes - que exercitem a memória artificial se utilizando do resgate de narrativas, imagens, cheiros e sons do próprio passado. Tudo isso estimula nossas reminiscências adormecidas.

Uma bela máquina do tempo que temos à mão é o YouTube com seus zilhões de vídeos sobre tudo o que você decidir procurar. Não importa o que seja, vasculhe, faça uma varredura na pesquisa e acabará achando. No dia 26, por ser o Dia da Lembrança, voltei a um Natal da infância viajando no YouTube.

Achei um filme de 1964, chamado "Papai Noel Conquista os Marcianos", uma produção tipo C que foi considerada uma das piores obras do cinema. Passou no Cine São José, das Quintas, com cinco anos de atraso, como era comum na vidinha provinciana de Natal do final dos anos sessenta do século vinte.

O roteiro de tão besta encantava os meninos da minha turminha (não lembro quantos estavam comigo naquela saudosa sessão): o rei do planeta vermelho preocupado com o vício dos dois filhos na programação de TV da Terra. E mais ainda com o efeito de uma entrevista do Papai Noel direta do Pólo Norte.

Aquela conjuntura natalina a mais de 50 milhões de quilômetros da Terra tinha semelhanças com os desejos da minha infância a cada dezembro. Não havia entrevistas de Papai Noel, mas o velhinho estava no rádio, nos jornais e nas imagens em preto e branco dos poucos televisores que havia na vizinhança.

Após o achado no YouTube, a emoção me fez navegar no Google Maps e pousar como quem vem do futuro, ou de Marte, diante da pequena casa em que vivi na infância. A viagem afetiva me pôs na janelinha do quarto, revendo a silhueta de papai colocando o presente debaixo da minha cama. Atrás dele, mamãe era pura satisfação.

       



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