BLOG DO ALEX MEDEIROS

17/02/2018
Tragédias de hoje e de ontem

As mortes executadas por atiradores solitários não são fatos novos no cotidiano dos EUA, ocorrem há décadas com semelhantes volume e circunstâncias dos assassinatos com faca e peixeira na história do Nordeste brasileiro. Entre o direito ou não à posse de armas, está o ser humano.

A adolescente americana Carly Novell, de 17 anos, é uma das estudantes da Marjory Stoneman Douglas High School, o colégio da Flórida que foi palco do sangrento tiroteio que deixou 17 pessoas mortas, todas vítimas de um ex-aluno ensandecido e armado com um rifle AR-15.

Quando os projéteis começaram a voar e sibilar entre corredores e paredes da escola, a menina sentiu uma sensação de déjà vu, ou precisamente uma reprise do que já ouvira algum dia em sua curta vida. Lhe marcou a história contada por seu avô, que sobrevivera a um tiroteio 70 anos atrás.

E foi essa lembrança que a fez escapar das balas de Nikolas Cruz, o autor da tragédia. Carly repetiu o que seu avô, Charles Cohen (já falecido), fez quando tinha 12 anos, se abrigando num armário para fugir do tiroteio perpetrado por um tal Howard Unruh, em setembro de 1949, em Nova Jersey, que matou 13 pessoas.

O crime de Unruh é considerado o primeiro caso de execução coletiva feita por um só atirador civil nos EUA. Entre as vítimas estavam vários familiares do avô de Carly Novell, inclusive pai e mãe. "A mãe do meu avô disse que ele ficasse no armário enquanto os tiros cessassem", contou a garota.

Ela disse ao jornal Huff Post que correu para um armário e chamou outras amigas. Falou que não ouviu os gritos das vítimas, mas sentiu o terror que se espalhou na escola. "Estávamos apertados enquanto acalmávamos uma colega que sofria um ataque de pânico, não tínhamos ideia de quando íamos sair", declarou.

A mãe de Carly, Merri Novell, falou para o jornal que enquanto a filha crescia o avô narrava a desventura de infância. "Me alivia que meu pai não esteja aqui para reviver a dor e angústia de novo, dessa vez com a filha e a neta". Se dizendo orgulhosa da iniciativa de Carly em buscar sobreviver ajudando as amigas, Merri concluiu: "Nada disso é novo, é a História que se repete".





17/02/2018
Os contos de Heraldo Palmeira

"Fui para casa completamente enfeitiçado por aquela mulher. O corpo dela na penumbra revelou uma beleza que vivia escondida em roupas premeditadas para a feiura". Trecho do livro Trinta Contos de Réis (Editora Alameda), de Heraldo Palmeira.

O livro terá sessões múltiplas de autógrafos, conforme datas, horários e locais abaixo:

Dia 22/2, 18h, Temis Club (América)
Dia 23/2, 21h, Bombar (Largo Atheneu)
Dia 24/2, 12h, Letra & Música (Petrópolis)
Dia 03/3, 16h, Flora Café (Rodrigues Alves)





17/02/2018
Mais prêmio às letras romenas

Minha curiosidade com a literatura do Leste Europeu é maior do que o volume de linhas que já li oriundas dos autores de lá. Em setembro passado, peguei numa livraria do Shopping Vila Olímpia, em São Paulo, um exemplar de Corações Cicatrizados, de Max Blecher, quando em verdade procurava algum livro de Herta Muller, que ganhou o Nobel de Literatura em 2009.

No dia em que ela ganhou o prêmio, escrevi um artigo sobre Herta a partir de uma entrevista num jornal espanhol, me atraiu seu comprometimento com a memória dos anos de ditadura comunista em seu país e o empenho do uso das letras como alerta contra erros futuros.

Na juventude, já havia lido algumas poucas coisas dos poetas Tristan Tzara e Mihai Eminescu, este uma espécie de patrono de toda a poesia da Romênia. Os dois apareciam nos cadernos de cultura do Jornal do Brasil e Folha de S. Paulo, que eu comprava na cigarreira Tio Patinhas nos finais de tarde da Cidade Alta.

Ontem, uma boa surpresa ganhou manchetes nas editorias culturais da Europa com o anúncio do vencedor de 2018 do tradicional Prêmio Thomas Mann de Literatura, concedido anualmente pela Cidade Hanseática de Lübeck e a Academia Bávara de Bellas Artes de Munique. O vencedor: o romeno Mircea Cartarescu.

Nos últimos quarenta anos, ninguém é mais importante na literatura romena do que ele, um craque na poesia, romance, contos e ensaios. A honraria veio por causa de uma trilogia que espero não demorar muito a ter tradução em português como aconteceu com alguns dos seus compatriotas.

A trilogia se intitula "Cegador", escrita entre 1996 e 2007, com cada um dos livros tendo os títulos seguindo uma linha de aproximação que atrai o leitor. O primeiro volume é "Pela Esquerda", o segundo "Corpo" e o terceiro "Pela Direita". Que não demore a chegar nos trópicos.





17/02/2018
Balanço do carnaval potiguar

Não há ainda um quadro geral sobre os efeitos do carnaval na capital e no interior. Os governos do estado e da capital já mostraram que a soma de segurança e organização gerou a festa mais tranquila e animada dos últimos anos. Vamos aguardar o balanço das entidades do comércio varejista, do serviço e do turismo.

Já se sabe, extraoficialmente, que os hotéis, bares e restaurantes não tem do que reclamar. O mercado informal também nunca vendeu tanto. Os blocos carnavalescos geraram um bom número de empregos provisórios, a maioria contratou acima de cem pessoas.

Pra se ter uma ideia, faltou gelo em cubo em Natal.





16/02/2018
Enredo eleitoral

O carnavalesco da escola de samba Paraíso do Tuiuti, Jack Vasconcelos, acabou sendo mais vitorioso do que a agremiação com o vice-campeonato na Marquês de Sapucaí. Vai explorar naturalmente o sucesso para tentar fortalecer sua candidatura a deputado federal pelo PT do Rio.





16/02/2018

Vem aí Contos do Mundo Delirante, mais um livro da escritora e professora universitária Cellina Muniz, cearense que adotou Natal há sete anos. O livro encerra uma trilogia iniciada com O Livro de Contos de Alice N, de 2012, e Uns Contos Ordinários, de 2014.





15/02/2018
Padres, pastorinhas e pastores

Ao final do ano passado, uma aliança inusitada apareceu na imprensa e nas redes sociais, uma sintonia de propósitos e ira santa entre padres católicos e pastores evangélicos, todos liderados por seus bispos. O ponto em comum não era Jesus, mas uma reação moral à Rede Globo.

Acusado de manipular a opinião pública, o império midiático carioca virou alvo dos sermões e homilias; as duas igrejas pedindo abertamente aos seus fiéis para boicotarem sua programação que atentava contra os princípios cristãos e a essência da família brasileira.

Neste começo de ano, o aplicativo WhatsApp vem sendo congestionado com vídeos de lideranças religiosas, novamente católicas e evangélicas, desta feita focando a mira nos políticos e nos governos das três esferas da República. Há padres e pastores se revelando oradores de passeatas e comícios, alguns com leitura de conjuntura de invejar sociólogo de botequim.

Sinceramente, mesmo sendo ateu convicto e blasfemador, eu gosto quando vejo chefes religiosos trazendo seus seguidores para o mundo real e material, alertando para fatos que se não salvam a alma, podem minorar os problemas que afligem o corpo. Só não gosto da hipocrisia do discurso do sujo falando do mal lavado.

Quando ouço a divinização do protesto contra a forma de aplicação dos recursos públicos, contra as reformas fiscais e previdenciárias, não posso evitar de sentir um asco por saber que tal verborragia é emitida por um setor campeão de benesses e de auxílios luxuosos. Não há no mundo, capitalista ou socialista, um setor que se expandiu tanto sem pagar impostos quanto as igrejas.

Os padres e pastores que berram ao céu palavras sobre sonegação, que se solidarizam com os sem-terra e sem-teto, que golpeiam governantes exigindo segurança pública, poderiam liderar a revolução sócio-teológica dando exemplos: pagando impostos sob a atividade religiosa, não usando policiais como guarda-costas e cedendo pedaços do seu enorme patrimônio imobiliário para suas almas pastorinhas.





12/02/2018
Os petistas caem matando

Peço perdão pela analogia que faço. Mas observando a condenação de Lula e a reação do PT diante do Poder Judiciário foi automático lembrar do melhor filme de bang bang da história do cinema, Butch Cassidy and the Sundance Kid, uma bela obra de 1969 protagonizada pelos astros Paul Newman e Robert Redford.

Como muitos dos fãs do filme, eu sempre imaginei cenas posteriores ao grand finale, quando a imagem congela deixando na nossa mente a conclusão ou continuação do destino dos dois bandoleiros cercados por soldados bolivianos. Escrevi até uma crônica no Jornal de Hoje como pretenso argumento para um remake.

E o que o clássico de George Hill e William Goldman tem a ver com a politicagem nacional? É que invariavelmente aquele final nos faz imaginar a reação típica do pistoleiro de faroeste, que cercado pelos inimigos escolhem morrer levando com eles algumas más companhias. E é isso que vejo no day after do julgamento de Lula.

A condenação além de inviabilizar uma candidatura do líder partidário, desmonta qualquer alternativa para suprir o vácuo da sua ausência na eleição. O trio de juízes desarmaram o poder de reação do PT, que diante da terrível circunstância saiu estabanado a metralhar (ou petralhar) o Poder Judiciário e suas benesses salariais. E o pior é que conseguiu atingir o reino da toga.

Com a revelação dos gordos e imorais valores pagos como auxílio moradia para os juízes protagonistas da operação Lava Jato, como o paranaense Sergio Moro e o carioca Marcelo Bretas, a militância petista conseguiu, com invejável histeria vingativa, lançar juízes, desembargadores, ministros, procuradores, promotores e o escambau nas barras do tribunal popular.

As redes sociais, contando até com opositores radicais do pensamento de esquerda, logo se contaminaram com críticas duríssimas aos senhores da Lei. A sociedade grita e quer um basta nos penduricalhos que mesmo numa legalidade de letra quase morta carrega a vergonha da imoralidade. O Judiciário está nu após ter praticamente matado o PT, que caiu disparando tiros certeiros.

Brasil que segue...





12/02/2018
Quincy Jones e Paulo Cezar Caju

Abril-maio de 2002, Rio de Janeiro. Eu lançava na cultuada Livraria Argumento, no Leblon, o livro "Todos Juntos, Vamos - Memórias do Tri", a coletânea com crônicas de personalidades locais e nacionais narrando seus testemunhos da conquista da Copa do Mundo pela seleção brasileira, em 1970, no México.

O seridoense Augusto Ariston, figura respeitada na cena carioca desde os anos 60, advogado e jornalista, naquele instante chefe do gabinete do Palácio Guanabara, conseguiu arregimentar boa parte da colônia potiguar e gente badalada dos mundos do futebol, jornalismo, política e empresariado.

Na companhia do seu compadre Ismael Wanderley, armou mesa no charmoso e aconchegante Restaurante Severino, nos fundos da livraria, me deixando no centro da loja entregue aos convidados que chegavam para os autógrafos. O programa Quintal da Globo, da rádio homônima, botou um repórter para entradas ao vivo com alguns craques que para lá foram atraídos.

Carlos Alberto Torres, o eterno capitão do tri; Rogério, o ponta do Botafogo que foi cortado mas acompanhou a seleção como olheiro de Zagallo; o canhota Gerson, gerente das feras; e Paulo Cezar Caju, cracaço de bola em todos os times onde atuou, principalmente no meu Botafogo. Não demorou, conseguiu me convencer, com um drible de lábia, liberar a cerveja no bar.

Em pouco tempo, emulado pela loura suada, Caju ficava interrompendo a feitura de um autógrafo e puxando conversa comigo com o seu exemplar folheando na minha cara. A conversa se transformou em queixa, em crítica, em verdadeira ira com todas as fotos de Pelé e algumas de Jairzinho. Queria paridade, mesmo destaque pra ele. Batia no peito e gritava, "PC black panther, Pelé negro branco".

Lembrei do hilário episódio quando li ontem no site americano Vulture (traduzido no Google, obvio) uma entrevista com o lendário produtor e arranjador Quincy Jones, hoje com 84 anos e com a língua tão afiada quanto a de Paulo Cezar. O velho detona dois mitos da história da música pop, Beatles e Michael Jackson.

Dizendo que só fala a verdade e que não tem medo de nada, acusou Michael Jackson de roubar canções e letras alheias, chamou o quarteto de Liverpool de péssimos músicos, e não economizou autoelogios e bravatas ufanas como "não tenho nada a perder". O amigo de Donald Trump só livrou a cara de Eric Clapton, aquele apelidado de "Deus".

Em 2002, meus argumentos com o jogador bêbado foi que todos reconheciam seu talento, mas os donos da bola na Copa 70 foram aqueles que ele apontava como paparicados no livro. Ele era Paulo Cezar, mas os caras eram Pelé e Jairzinho.

Faltou ao repórter da Vulture trazer o entrevistado para a realidade, apenas prestando uma informação: ele era Quincy Jones, gênio, mas os outros eram Beatles e Michael Jackson. Que nem cabe adjetivação.





09/02/2018
Alemanha poderá liberar maconha

O assunto já é velho nos EUA e a liberação do uso recreativo da maconha já é realidade em algumas cidades. No Brasil, um ex-presidente da República reforçou o coro de intelectuais, artistas e usuários e há anos defende publicamente uma atenção não policial ao caso.

"Na história da humanidade, nunca houve uma sociedade sem o uso de drogas. Isso é algo que deve ser aceito". As aspas não são do colunista, mas de um grupo de estudo pertencente à Polícia da Alemanha, que acaba de enviar ao governo a sugestão de descriminalizar a maconha em todo o país.

A entidade policial BDK, sigla em alemão para Associação de Diretores Criminais, passou a defender abertamente a descriminalização total do consumo de maconha. O diretor do grupo e deputado, Andre Schulz, disse ao jornal Bild que a proibição estigmatiza pessoas e acaba "estimulando que carreiras criminosas comecem".

Ele argumentou que "a proibição da canabis sempre foi, historicamente, arbitrária e não inteligente". Lembrou que já é aceito na Alemanha o uso medicinal da planta, e que o uso recreativo deveria ser encarado como é com os cigarros e as bebidas alcóolicas. Schulz defende que continue proibido para quem vai dirigir automóveis e similares.

A iniciativa dos policiais da BDK repercutiu na Inglaterra, que também debate no momento um pedido parlamentar em favor da descriminalização. O jornal The Independent entrevistou o analista político Steve Rolles, que declarou ser "sempre bom ouvir pedidos de reforma sobre o tratamento da canabis proveniente de setores da Polícia, porque ele tem a autoridade da experiência diante do fracasso da guerra travada até agora".

O debate na Alemanha e Inglaterra ganhou força após pesquisas revelarem que o uso da maconha para fins médicos levou a uma redução significativa dos crimes violentos nos EUA. Nove estados americanos e o Distrito de Columbia legalizaram a droga. Um estudo foi publicado no The Economic Journal confirmando a redução de roubos e assassinatos em 12,5%.





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