BLOG DO ALEX MEDEIROS

03/01/2017
Quem precisa de assessor?

Uma multidão compareceu aos cumprimentos de fim de ano ao governador Robinson Faria. É uma tradição do mundo político republicano, herdado das monarquias ricas e pobres desde que inventaram o dia de natal e a passagem de ano.

No meio do povo estavam mais de uma centena de cargos comissionados - dentre eles muitos jornalistas que assessoram as repartições. Talvez tenha sido o único momento desde que Robinson assumiu o governo que tais auxiliares estiveram diante do governador.

Para quem não sabe, ou nunca quis saber, um cargo comissionado é auxiliar do governador, de forma direta ou indireta assessorando um secretário de estado ou dirigente de empresas estatais e fundações. Deve fidelidade ao governo, assim como o servidor público deve ao Estado. Os ingleses chamam "dever de lealdade".

Só para ilustrar a diferença, um servidor concursado tem direito e liberdade de discordar da administração pública e do seu titular, o que não é o caso (nem o direito) do assessor num cargo em comissão. Este é, podemos dizer, um militante do governo.

Nessa lógica, é de se imaginar que o governador tem um exército considerável para atuar em sua defesa, principalmente nas batalhas da comunicação em se tratando de tantos jornalistas à sua disposição. A lógica seria essa, mas não no âmbito do governo Robinson Faria.

Em dois anos de gestão, quando o governo enfrenta (como tantos outros da Federação) uma das piores crises da história do País, o que se vê é um exército de assessores em silêncio diante dos ataques de duas dúzias de blogueiros e "fakes" de redes sociais que não dão folga ao governador, inclusive com agressões verbais no aspecto pessoal.

Enquanto a caravana dos inimigos passa por cima da imagem de Robinson, os cargos comissionados (boa parte com o salário em dia, diga-se) calam-se e ficam impassíveis, ignorando solenemente a conjuntura. Não há um só que se utilize dos seus espaços nas redes sociais para contraditar, discutir, rebater os agressores.

Pelo contrário. Aparecem diariamente, alegres e virtualmente saltitantes, exibindo sorrisos e poses em momentos de lazer ou mesmo em outros locais de trabalho fora do ambiente governamental. É fácil, hein, assumir uma assessoria dada pelo governador (ou a pedido de um aliado político) e se alienar da interação na guerra diária da administração dele.

Repito: um servidor público concursado não tem que prestar fidelidade a Robinson Faria ou a qualquer outro que esteja no posto de mandatário do governo, mas o cargo comissionado tem, é seu dever de auxiliar direto e indireto. Quem prefere a vaidade, exibindo o próprio cotidiano livre da crise, deveria repensar o que quer no e do governo.

É como eu entendo pra que serve um assessor.





03/01/2017
Lixo cultural

Em todo verão é a mesma coisa. A cada temporada, surge uma merda boiando na lama da baboseira musical brasileira. Irrompe na virada de ano, emporcalha ainda mais o reveillon da choldra e contamina o carnaval, principalmente em Salvador, a meca da breguice foliã.

A bosta da hora se chama "Deu Onda", um ritmo primário numa letra medíocre e que já conquistou a maioria ignara da republiqueta de bananas e macacos. 





02/01/2017
Feliz ano novo







07/12/2016
uma questão de interpretação

Já diz aquele ditado popular, "de cabeça de juiz e bunda de neném ninguém sabe o que vem". Hoje, muita gente ficou estarrecida com a sentença que saiu das cabeças dos ministros do Superior Tribunal Federal em relação ao caso Renan Calheiros.

Por 6 votos a 3, ficou decidido que o senador alagoano não deixará a presidência do Senado Federal, contrariando e deslegitimando a liminar do ministro Marco Aurelio que determinava o afastamento de Renan.

Como se fala no jargão jurídico, é tudo uma questão de interpretação das vossas excelências, os guardiões da Constituição. Para seis deles, o hoje réu Renan Calheiros pode permanecer na presidência do Senado, mas não pode ficar na linha sucessória da Presidência da República.

Ou seja - também posso interpretar - um criminoso pode presidir uma casa do Poder Legislativo, mas não o Palácio do Planalto. Assim (valei-me nossa senhora do corporativismo), o STF anula o segundo homem na linha da sucessão de Michel Temer e abre espaço para um homem (na verdade, uma mulher) do seu próprio plenário.

Sem Renan, quem entra na fila, atrás do deputado Rodrigo Maia, é a presidente do STF, ministra Carmem Lucia. Quem foi mesmo que disse que é preciso acabar com o tal jeitinho brasileiro? 





01/12/2016
Sonhos de Eleonora

Por Augusto Fontenele



       "Não pode ser". Foi o que Eleonora pensou tão logo viu o tal sujeito. "Como ele pode estar aqui?". Seguiu-o com os olhos até ele desaparecer atrás de uma das gôndolas do supermercado. Teve que se voltar para frente porque chegara sua vez e a menina do caixa estava esperando ela passar os produtos do carrinho. Continuou olhando para trás, tentando ver novamente o homem.
Fora do supermercado, ainda pensou em voltar e falar com ele. Mas chegou à conclusão de que seria ridículo se aproximar de alguém e perguntar por que ele estava aparecendo em seus sonhos nas últimas semanas. De qualquer forma, demorou mais do que o normal até chegar ao carro, guardar as compras, ligar o veículo e sair, na esperança de ainda vê-lo no estacionamento.

                 -ooOoo-

       - É ele - apontou Eleonora quase gritando, enquanto entravam no restaurante para almoçar.
A princípio, Cris não levou muito a sério a conversa da amiga sobre as aparições do homem dos sonhos. Pensou que fosse imaginação dela. Mas, depois de quase esbarrar com ele na porta do restaurante, não teve outro jeito se não concordar, pois já era a segunda vez que o via. A primeira fora no dia anterior, quando andavam pelo shopping e ele passou pelas duas.
- Que coisa estranha... - comentou Cris, enquanto dirigiam-se para a mesa.
- Você acha estranho? Eu acho assustador.
Eleonora chegou a vê-lo ainda outro dia, quando saía do trabalho e ele estava entrando num táxi. Além de assustada, estava intrigada com a situação e já decidira que iria falar com ele, saber por que a perseguia ali e, o mais incrível, em seus sonhos. O problema é que o homem sempre surgia de forma rápida, sem dar chance dela se aproximar.
- Como ele aparece nos sonhos? - perguntou Cris, enquanto folheava o cardápio.
- De diversas formas...
No último sonho em que o homem misterioso apareceu, Eleonora estava se afogando numa piscina, quando ele chegou e a salvou. No anterior, ele estava ao seu lado num carro, enquanto ela dirigia para algum lugar distante.
- Ainda bem que você o viu... Pelo menos, assim, não vou achar que sou doida.
- Eu ficaria horrorizada se fosse comigo.
- Se ao menos eu conseguisse falar com ele...
- Porque você não tenta se comunicar com ele nos sonhos?
Cris contou que leu na Internet que existe uma forma de controlar os sonhos, tendo o que chamam de sonho lúcido, quando você tem consciência de que está sonhando. Disse que era coisa séria, comprovada, utilizada, inclusive, em alguns tipos de terapia. Eleonora achou a ideia de controlar os sonhos fascinante, mas não menos assustadora...

                  -ooOoo-

           Na Internet, Eleonora leu o que pôde sobre controle dos sonhos e aprendeu que o segredo estava em fazer com que o cérebro tomasse consciência de que estava sonhando. Para isso, começou uma série de exercícios diários de concentração, como se perguntar se estava ou não acordada, apagar e acender a luz - a iluminação não muda durante o sonho. Depois de alguns dias, conseguiu seu primeiro sonho consciente.
Estava em uma sala com uma longa mesa à sua frente, cercada por umas 30 pessoas comendo, bebendo e se divertindo exacerbadamente. O ambiente estava impregnado pelas conversas e gargalhadas. De imediato, começou a andar na lateral da mesa procurando o rosto do homem que costumava ver em seus sonhos. Finalmente encontrou-o numa das extremidades. Ao contrário dos outros, que a ignoravam totalmente, ele olhou em sua direção e sorriu. Pediu para ela sentar ao seu lado, numa cadeira que repentinamente apareceu vazia.
Eleonora sentou, mas nesse momento o homem se integrou novamente à conversa do grupo à sua volta e a deixou de lado. Tentou por mais de uma vez chamar sua atenção, mas ele voltava o olhar em sua direção, dava o mesmo sorriso, e a deixava novamente sozinha.
Isolada, sem um mínimo de atenção, começou a sentir-se abandonada. Teve vontade de chorar, mas se segurou, com receio de parecer ainda mais humilhada.
- Por que você não participa? - Ele perguntou.
Meio atordoada com o interesse repentino, ela respondeu:
- Como?
- Participando, se entrosando.
- Mas ninguém me dá atenção...
- Você fica aí do lado, com essa cara de choro, parece criança.
De repente, a sala ficou em silêncio. Ela notou que todos pararam para olhar em sua direção. Todos os rostos ganharam a mesma expressão forte, de quase condenação. Sentiu-se como um réu que espera apenas a sentença final. Sem se aguentar, saiu correndo e chorando. E, antes de acordar, chegou a ouvir todos rirem às suas costas. Abalada, quase não dormiu naquela noite, entre sonhos aleatórios e pesadelos.
No final da tarde, encontrou-se com Cris num café onde as duas costumavam ir. A amiga ficou assustada com a aventura noturna de Eleonora e temeu pela sua saúde emocional. Mas antes que pudesse expressar a sua preocupação, as duas veem a cena se repetir, com o mesmo homem saindo apressado do café.
- Não vou desistir. Vou até o fim... Quero saber o que está realmente acontecendo - garantiu Eleonora.

                    -ooOoo-

        - Por que você me persegue? O que você quer?
Estavam em outro sonho e desta vez começou a interrogá-lo assim que o viu, não dando chance para qualquer outro tipo de distração. Estavam mais uma vez no carro, só que quem dirigia agora era ele.
- Mas eu estou apenas aqui, não estou perseguindo ninguém.
- Como não, se você se intromete até na minha vida real?
- Vida real?
Quando ele acabou de falar, o carro entrou na curva e do outro lado surgiu uma serra, dessas de regiões frias, coberta por uma faixa de neve no cume. Aos poucos, uma bela paisagem vai surgindo, eles vão cruzando florestas, lagos e montanhas.
- É lindo, não? - perguntou ele.
- É - respondeu, sem demonstrar muito convicção e interesse em mudar o foco da conversa.
Quanto mais o carro avançava, mais paisagens diferentes descortinavam-se à sua frente. Na verdade, eram lugares que ela conhecera, alguns visitados há muito tempo, ou que sempre tivera vontade de conhecer. Percebendo isso, começou a se divertir, imaginando e automaticamente contemplando lugares de todos os tipos. Quase sem se dar conta, viu-se rindo, deliciando-se por estar ali, vendo o mundo transformar-se à sua frente. Extasiada, quis nunca mais sair... Nunca mais acordar...
Os raios de sol entraram pelo quarto e deixaram o rosto moreno claro de Eleonora iluminado pelo dourado da manhã. A enfermeira que cuidava dela nos últimos meses, e que acabara de escancarar as janelas, notou que, mesmo totalmente imóvel, o rosto de Eleonora estava sereno, cândido e por muito, muito pouco, sorrindo. Olhando a expressão dela assim, ficou se perguntando se realmente as pessoas em coma não sonham.





30/11/2016
As capas mais emotivas

As emocionantes homenagens ao time da Chapecoense feitas por seis jornais esportivos em seis cidades diferentes. 





29/11/2016





29/11/2016
Tragédias aéreas no futebol

A tragédia que abateu a delegação da Chapecoense e o próprio mundo esportivo já é a maior na história do futebol brasileiro - talvez mundial - e vem se somar a uma série de acidentes que marcaram com tristeza e comoção coletiva as trajetórias de outras equipes do futebol internacional.

Dois grandes acidentes aéreos com times de futebol já foram motivos de crônicas que publiquei à época do vespertino O Jornal de Hoje e transcrevi aqui no blog há alguns anos: tragédias com os clubes Torino, da Itália, e Manchester United, da Inglaterra, respectivamente em 1949 e 1958.

Em 4 de maio de 1949, a aeronave que transportava a grande equipe do Torino, um dos melhores do mundo naquele tempo, bateu no campanário da Basílica de Superga, em Turim, matando 31 pessoas. O time voltava de Lisboa, após um jogo contra o Benfica.

Dos craques de então, o maior deles, o húngaro Kubala, só escapou porque retornou de Portugal de automóvel com medo de ser preso no aeroporto por agentes da ditadura comunista da Hungria. Depois fugiu para a Espanha onde se tornou o maior ídolo do Barcelona, sendo superado somente agora por Lionel Messi.

Em 6 de fevereiro de 1958, o supertime do Manchester United, chamado de "Busby Babes" (os meninos do técnico Matt Busby), despencou no aeroporto de Munique por causa de uma tempestade de neve, após voltar de uma partida pela Copa da UEFA contra o Estrela Vermelha, da ex-Iugoslávia, em Belgrado. Morreram 23 pessoas.

Entre alguns sobreviventes, estava aquele que viria a ser o maior jogador da Inglaterra e responsável pelo título da Copa do Mundo de 1966, Bobby Charlton. A base do Manchester era considerada um fator determinante para fazer da seleção britânica uma das grandes favoritas à Copa de 1958, na Suécia, vencida pelo Brasil.

Em 16 de julho de 1960, oito jogadores da seleção da Dinamarca morreram num acidente aéreo no aeroporto de Kastrup, na capital Copenhagen, durante a decolagem.

Quase um ano depois, em 3 de abril de 1961, um novo acidente deixou 24 mortos nos Andes, a 350 quilômetros de Santiago, No voo estavam jogadores do Club de Deportes Green Cross, que desde 1985 se chama Green Cross Temuco.

Em 26 de setembro de 1969, um avião que transportava jogadores do time The Strongest, da Bolívia, caiu na localidade de Viloco, a 70 quilômetros de La Paz, em plena cordilheira andina de Tres Cruces. Morreram 74 pessoas, entre elas 17 jogadores.

E em 11 de agosto de 1979, uma aeronave russa despencou entre as cidades de Minsk e Tashkent, no Uzbequistão, matando 178 passageiros, entre eles 17 jogadores do time do Tashkent FK.







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