BLOG DO ALEX MEDEIROS

22/02/2019
Super sábado folião

Neste sábado vai ter overdose de folia por toda a Natal, desde o meio da manhã até a madrugada do domingo. São dezenas de prévias de blocos e alguns bailes preparando o corpo e o espírito dos foliões para quando o carnaval chegar. Natal se insere numa tendência nacional de expansão da maior festa do povo.

Para quem curte de verdade as festas carnavalescas, é bom ficar atento aos locais, horários e, principalmente, aos blocos e grupos que estarão realizando as prévias de um sábado que promete demorar a terminar. É preciso energia de sobra para encarar a folia, que segundo consta terá esse ano 80 blocos.

Para facilitar os viciados na alegria, vamos enumerar cada um dos eventos que acontecerão amanhã, começando por um dos mais animados blocos da cidade, o Aponta, que há 9 anos agita as areias da praia de Ponta Negra. A concentração começa logo às 10h da manhã em frente ao Hotel Manary.

Ao meio-dia, tem início a farra do bloco Não Empurre Não, criado há alguns anos pela SAMBA - Associação dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências. Concentra no Bar do Pedrinho e segue no meio da tarde até o Bar de Nazaré, estendendo a brincadeira até o véu da noite ser perfurado pela luz da manhã.

Já no próprio Bar de Nazaré tem às 16h o Baile no Beco, onde as tribos chegam mais cedo, algumas antes do meio-dia. Teremos então uma simbiose de animação, já que o bloco Não Empurre Não se mistura ao baile quando chegar no começo da noite. O músico Carlança, falecido, é o homenageado.

O repertório da alegria estará sob a batuta do maestro Bethoven e a Orquestra Frevo do Xico e também com o som elétrico do Implacável do Vinil. Do outro lado da Rio Branco, o frevo também explode. É a prévia do bloco Bode Expiatório, que concentra a partir das 16h no tradicional Bar do Zé Reeira.

Da Cidade Alta um pulinho na beirada de Petrópolis e vai encontrar a brincadeira do pessoal da confraria da loja Letra & Música, na Floriano Peixoto, com a prévia do bloco Se Ligue, cuja palavra de ordem é "concentra mas não sai". O local, pra quem não sabe, tem a Heineken mais gelada da província.

Saindo da Floriano pela Seridó desemboca no Largo do Atheneu, onde muita gente estará aguardando o cordão do bloco Enquanto Campos Corre Sales só Caminha, que terá concentração na sede do América, um templo dos carnavais históricos. E ali mesmo, acontece também o Palumbo Folia, no segundo ano.

O clima carnavalesco se espalha por toda a cidade, atingindo também os bairros de Morro Branco e Nova Descoberta, onde o bloco Acorda Morro Branco que a Banda já Chegou se concentra a partir das 18h na Churrascaria do Arnaldo e faz percurso pelo Pastel Lanche ao som da banda Leão de Judá.

Em Ponta Negra, onde Aponta a alegria, tem também às 16h a prévia do bloco Jegue Empacado, animando as tropas com banda de frevo e o maestro Junior do Sax, além do show de Carlos Pontanegra e convidados. O local é na Cigarreira do Gil, por trás do Beleza Bar. Além da folia, terá também bingo.

O sábado estará tão carregado de energia festiva que haverá folia até para a turma acima dos sessenta, com o Baile da Melhor Idade, a partir das 17h, no Praia Shopping. E a velha Ribeira não ficará em silêncio, pois às 21h terá início o Baile do Barreto, no espaço cultural Casa da Ribeira.

Salve-se e sábado quem puder.

       



19/02/2019
As lindas fotos de Linda

Nesta segunda-feira, 18, foi o aniversário de Yoko Ono. 82 anos e uma das artistas mais ricas do mundo. Nunca admirei a mulher de John Lennon como artista, apenas como gerente-geral de um marido que de tão apaixonado se tornou manicaca. Yoko foi, junto com Pearl Harbor, dois grandes atentados japoneses ao Ocidente.

Os Beatles foram bombardeados pela pequena nipônica a partir de 1966, quando ela penetrou no grupo, mudando as opiniões de John, acabando seu casamento com Cynthia, a namorada de adolescência, e dando tantos pitacos nos estúdios, irritando diversas vezes George Harrison e Paul McCartney.

Dito isto, dou um salto no nariz de cera de Yoko e entrou no assunto central do artigo: a primeira mulher de Paul McCartney, a americana Linda Louise Eastman, que conheceu em 1967, durante um show do inglês Georgie Fame que ela foi fotografar para a revista Rolling Stone. Foi amor à primeira vista.

Linda não era apenas uma fotógrafa a serviço de um órgão de imprensa, mas naqueles anos de reboliço cultural foi a única profissional com acesso a um evento promocional dos Rolling Stones no Rio Hudson e autora da primeira foto de Eric Clapton na capa da revista que é hoje sinônimo de história do rock.

Se o namoro com Paul começou no período em que os Beatles lançavam o revolucionário álbum Sgt Peppers, o casamento aconteceu quase dois anos depois quando a banda estava fazendo o disco Abbey Road, o último gravado antes da dissolução dos quatro (o último foi Let it Be, com eles já separados).

Linda McCartney manteve sua profissão após o casamento, aprendeu a tocar teclado e aguçou o talento para compor. Antes de participar da banda Wings, que formou com o marido, rejeitou proposta de participar do grupo The Smiths, considerada uma das mais importantes do rock produzido nos anos 1980.

Ao lado de Paul, formou a banda Wings e foi coautora de diversos sucessos, alguns atingindo as primeiras posições nas paradas americanas e britânicas, como a Billboard e a Dutch Top. Mas o grande legado artístico de Linda McCartney foi realmente suas fotografias no ambiente pop dos anos 1960/70.

Fotos das viagens a Londres, em pautas da revista Rolling Stone cobrindo a explosão do "Swinging Sixties", a revolução cultural ocorrida na capital inglesa a partir das bandas e estrelas de um rock em releitura às matrizes americanas do folk, blues, rockabilly, boogie woogie, country e gospel, entre outros.

Seus trabalhos ajudaram a popularizar as imagens de ícones como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Eric Clapton, Bob Dylan, The Who, Neil Young, Aretha Franklin, Simon and Garfunkel, The Doors e, obviamente, os Beatles, que entre tantos hinos ao amor têm o clássico "My Love", que McCartney fez para ela.

E fez mais. São canções inspiradas em Linda "Maybe I'm Amazed", "The Long and Winding Road", "I am Your Singer", "Silly Love Songs" e "Lovely Linda". Outro legado está no pioneirismo da defesa dos animais, sendo uma das principais celebridades a contribuir para a criação da PETA, a famosa ONG hoje atuante no mundo inteiro.

Certa vez John Lennon se referiu a Linda McCartney como uma "fã chata e de meia-idade dos Beatles", um triste comentário de quem talvez estivesse cuspindo o próprio recalque de uma experiência íntima. Enquanto sua mulher contribuiu para destruir uma banda, a mulher de Paul o ajudou a criar outra.

       



18/02/2019
EUA manda ultimato a Maduro

O presidente dos EUA, Donald Trump, não só enviou no fim de semana mais ajuda humanitária e soldados à fronteira da Venezuela, para atender o pedido do líder oposicionista Juan Guaidó, como também mandou para lá o senador republicano Marco Rubio, um dos seus mais fieis aliados no ambiente do congresso americano.

Rubio desembarcou na cidade colombiana de Cúcuta, que faz limite com a Venezuela, acompanhado do embaixador dos EUA na OEA - Organização dos Estados Americanos, Carlos Trujillo; o congressista Mario Díaz-Balart; o embaixador da Colômbia em Washington, Francisco Santos; e o diretor da Agência de Assistência dos EUA, Usaid, Mark Green.

O senador americano enviou um ultimato às Forças Armadas da ditadura bolivariana: "Está na hora de tomar uma decisão correta. O momento da decisão é chegado". Para Marco Rubio, "este é um processo irreversível por parte dos EUA e dos demais países".

Ontem, o ministro das relações exteriores da Espanha, Josep Borrell, disse que está preocupado com uma grande escalada militar dos EUA e Colômbia na Venezuela, cujo ditador demora em aceitar a entrada da ajuda humanitária que chega pela cidade colombiana de Cúcuta, que já tem um grande contingente de soldados e equipamentos bélicos americanos.

       



14/02/2019
A ideologia de apelação

Quando Stan Lee criou seus primeiros personagens de quadrinhos, junto com o velho parceiro Jack Kirby (criador do Capitão América), o grupo de super-heróis Quarteto Fantástico, em 1961, concebeu o jovem Tocha Humana (Johnny Storm) como um jovem de classe média, cabelos loiros e olhos claros.

Era irmão da Mulher Invisível (Sue Storm) e cunhado do líder Senhor Fantástico (Reed Richards). O biotipo dos irmãos se assemelhava no toque familiar que Kirby e outros desenhistas da Marvel davam em seus rabiscos e ilustrações. Então, 54 anos depois da criação de Lee, o Tocha tornou-se um garoto negro.

O filme de 2015 foi um desastre de bilheteria, e, obviamente, não foi por causa da alteração étnica do personagem, apesar da grande maioria dos fãs refutar a iniciativa apelativa de prestar homenagem às questões políticas e sociais. Mas mostrou que mudanças radicais no original prejudicam a mística dos heróis.

Dois anos antes do fracassado filme do Quarteto, o filme Cavaleiro Solitário (o velho Zorro das balas de prata das revistinhas da Ebal), de 2013, caiu do cavalo e nem a genialidade do ator Johnny Depp na pele do índio Tonto evitou a indiferença dos fãs com os excessos visuais na concepção do personagem.

A Editora Marvel, noutro exemplo de equívoco provocado pela intempestividade ideológica desses tempos, poderia muito bem ter resgatado um antigo super-herói da Era de Ouro, mas acabou deixando-o no limbo ao anunciar que iria tirá-lo do armário. O primeiro Lanterna Verde virou gay e se manteve esquecido.

Já os fãs dos super-heróis da editora DC Comics, a rival da Marvel, estão mantendo uma discrição silenciosa sobre o seriado da Supergirl, como um sinal crítico ao exagerado protagonismo da irmã da protagonista e sua namorada, duas personagens que jamais existiram nas aventuras da prima do Superman.

Brevemente, chega às telas do mundo mais uma espetaculosa odisseia do mítico personagem James Bond, o agente 007 criado em 1953 pelo escritor britânico Ian Fleming. O consagrado mulherengo a serviço do reino terá de novo a mesma mise-en-scène, as mesmas armas e uma nova pele. Será um agente negro.

A mesma solução de aparência ideológica foi adotada também no raquítico cinema brasileiro com a produção biográfica que levará às telas as ações terroristas do líder comunista Carlos Marighella, morto em 1969 na Alameda Casa Branca, em São Paulo, após tentar escapar de um cerco policial.

O diretor do filme, o também ator Wagner Moura (baiano como Marighella), que nunca escondeu sua simpatia militante pelo comunismo, captou dez milhões de reais da Lei Rouanet para prestar culto ao terrorista e dar-lhe a pele negra do cantor Seu Jorge que interpretará o ativista de olhos verdes, do PCB e da ALN.

Sim, Carlos Marighella não era um negro. Era um nordestino de tez morena, os olhos claros, e que naqueles anos 60 estava mais para Caetano Veloso do que para Wilson Simonal. Só faltou o delegado Sérgio Fleury de vilão trans.

Tais alterações de teor político nas artes não me parecem relevantes para classes e gêneros, e nem para os autores. Daniela Mercury continua sem produzir nada novo depois que assumiu um casamento lésbico. Há gente do movimento gay interpretando o ato como oportunista, assim como faz Chico Buarque numa retroativa rebeldia estudantil.

       



14/02/2019
A ideologia de apelação

Quando Stan Lee criou seus primeiros personagens de quadrinhos, junto com o velho parceiro Jack Kirby (criador do Capitão América), o grupo de super-heróis Quarteto Fantástico, em 1961, concebeu o jovem Tocha Humana (Johnny Storm) como um jovem de classe média, cabelos loiros e olhos claros.

Era irmão da Mulher Invisível (Sue Storm) e cunhado do líder Senhor Fantástico (Reed Richards). O biotipo dos irmãos se assemelhava no toque familiar que Kirby e outros desenhistas da Marvel davam em seus rabiscos e ilustrações. Então, 54 anos depois da criação de Lee, o Tocha tornou-se um garoto negro.

O filme de 2015 foi um desastre de bilheteria, e, obviamente, não foi por causa da alteração étnica do personagem, apesar da grande maioria dos fãs refutar a iniciativa apelativa de prestar homenagem às questões políticas e sociais. Mas mostrou que mudanças radicais no original prejudicam a mística dos heróis.

Dois anos antes do fracassado filme do Quarteto, o filme Cavaleiro Solitário (o velho Zorro das balas de prata das revistinhas da Ebal), de 2013, caiu do cavalo e nem a genialidade do ator Johnny Depp na pele do índio Tonto evitou a indiferença dos fãs com os excessos visuais na concepção do personagem.

A Editora Marvel, noutro exemplo de equívoco provocado pela intempestividade ideológica desses tempos, poderia muito bem ter resgatado um antigo super-herói da Era de Ouro, mas acabou deixando-o no limbo ao anunciar que iria tirá-lo do armário. O primeiro Lanterna Verde virou gay e se manteve esquecido.

Já os fãs dos super-heróis da editora DC Comics, a rival da Marvel, estão mantendo uma discrição silenciosa sobre o seriado da Supergirl, como um sinal crítico ao exagerado protagonismo da irmã da protagonista e sua namorada, duas personagens que jamais existiram nas aventuras da prima do Superman.

Brevemente, chega às telas do mundo mais uma espetaculosa odisseia do mítico personagem James Bond, o agente 007 criado em 1953 pelo escritor britânico Ian Fleming. O consagrado mulherengo a serviço do reino terá de novo a mesma mise-en-scène, as mesmas armas e uma nova pele. Será um agente negro.

A mesma solução de aparência ideológica foi adotada também no raquítico cinema brasileiro com a produção biográfica que levará às telas as ações terroristas do líder comunista Carlos Marighella, morto em 1969 na Alameda Casa Branca, em São Paulo, após tentar escapar de um cerco policial.

O diretor do filme, o também ator Wagner Moura (baiano como Marighella), que nunca escondeu sua simpatia militante pelo comunismo, captou dez milhões de reais da Lei Rouanet para prestar culto ao terrorista e dar-lhe a pele negra do cantor Seu Jorge que interpretará o ativista de olhos verdes, do PCB e da ALN.

Sim, Carlos Marighella não era um negro. Era um nordestino de tez morena, os olhos claros, e que naqueles anos 60 estava mais para Caetano Veloso do que para Wilson Simonal. Só faltou o delegado Sérgio Fleury de vilão trans.

Tais alterações de teor político nas artes não me parecem relevantes para classes e gêneros, e nem para os autores. Daniela Mercury continua sem produzir nada novo depois que assumiu um casamento lésbico. Há gente do movimento gay interpretando o ato como oportunista, assim como faz Chico Buarque numa retroativa rebeldia estudantil.

       



14/02/2019
O Dia de São Valentin

A lenda mais conhecida ou a teoria mais reconhecida historicamente sobre a origem do Valentine's Day, o tradicional Dia dos Namorados que se celebrou ontem, dia 14, por todo o mundo, não tem um final feliz, ao contrário do que se imagina e do que se supõe para uma data dedicada ao amor e às paixões.

É uma história de perseguição, torturas e morte, ocorrida na Roma do século III, quando o cristianismo se expandia rapidamente pelo Império Romano, sem que o poder estabelecido nada pudesse fazer para impedir. Governava, o imperador Claudio II, o Gótico, que proibiu o casamento dos seus soldados.

Numa época de conjunturas políticas repletas de instabilidade, o reinado de Claudio II foi breve como muitos outros, que enfrentaram uma série de problemas, como invasão de bárbaros, epidemias de varíola e outras pestes. Por isso, o governo queria todos os soldados comprometidos só com as lutas.

Acreditando que os homens solteiros eram mais valentes e dispostos, exatamente por não estarem presos emocionalmente a suas famílias, o imperador combateu o matrimônio, provocando alvoroço e desgosto nos jovens. Nesse contexto surge a figura de Valentim, bispo da província de Terni.

Diante da proibição de Gótico ao casamento, o sacerdote decide se rebelar e clandestinamente começa a realizar a união de jovens soldados com suas namoradas, em ritos que seguiam os novos preceitos da doutrina cristã. Muitos solteiros foram a ele convencidos de que não deviam atender ao imperador.

O prestígio do bispo de Terni aumentou em Roma e chamou a atenção e a indignação de Claudio II, que o mandou chamar em palácio para conhecê-lo. Valentin não só aceitou o convite como aproveitou para propagar a fé cristã e tentar doutrinar o soberano, chamando-o para seguir os preceitos de Jesus.

O sacerdote do amor conseguiu convencer o mandatário de Roma, que dias depois mudou de opinião, pressionado e influenciado por líderes políticos e militares que logo impuseram uma ação imediata de combate às solenidades matrimoniais sob a ótica do cristianismo, ainda refutado pelas elites romanas.

Um oficial do exército romano chamado Astérius (homônimo do rei de Creta) começou a perseguição a Valentin com táticas não ortodoxas, tentando primeiramente expô-lo ao ridículo, sem sequer o escrúpulo de usar a própria filha, Júlia, que nascera cega. Mandou o religioso curá-la diante do povo.

Diz a lenda que o milagre operado em nome de Cristo converteu o militar e toda a sua família ao cristianismo. Mas as consequências daquilo seriam terríveis para Valentin, que após um período de ensinamentos a Júlia, apaixonou-se pela aluna, o que gerou sua prisão e uma condenação à morte.

Martirizado na masmorra, depois foi executado por decapitação no dia 14 de fevereiro de 269. Na véspera da execução, enviou uma carta à sua amada e concluiu com "do seu Valentim", termo que pelos séculos seguintes tornou-se tradição nos bilhetes, cartas, poemas e nas atuais postagens dos amantes.

       



12/02/2019
O inglês voador

Morreu o segundo melhor goleiro do século XX. Aos 81 anos, o britânico Gordon Banks deixou os campos da vida e se foi, vencido por um câncer que enfrentava desde 2015, com bravura e esperança. "Se eu já parei Pelé, por que não posso parar um câncer?", indagou quando saiu o terrível diagnóstico.

Quando defendeu a quase indefensável cabeçada do rei do futebol em junho de 1970, na segunda partida da Copa do Mundo no México, Banks já estava destinado a virar lenda do esporte que o seu povo criou e organizou. Foi peça importante na conquista da copa anterior, a única da seleção da Inglaterra.

Oriundo do time do Leicester, estreou no "real team" em abril de 1963, já com 26 anos, diante da seleção da Escócia. Em maio, diante de 92 mil pessoas no estádio de Wembley, fechou o gol contra a seleção do Brasil que vinha de um bicampeonato mundial em 1958 e 1962. O jogo terminou 1 x 1, graças a ele.

Na Copa do Mundo de 1966, disputada em solo britânico, Gordon Banks foi uma das grandes figuras responsáveis pela campanha vitoriosa, abaixo apenas (talvez) de Bobby Charlton e Bobby Moore. A vitória por 4 x 2 sobre a Alemanha na final teve nas mãos dele um muro quase intransponível.

Quatro anos depois, a Inglaterra chegou no México como uma das favoritas, ao lado da Alemanha, da Itália e do Brasil. O confronto entre ingleses e brasileiros já na segunda rodada foi uma batalha de logística, com um papel essencial de Banks e também do goleiro da Canarinho, Félix. Era hora do almoço no Brasil.

E era uma sala estreita, na casa do vizinho Seu Daniel, meninos sentados no chão e adultos aboletados no sofá e algumas cadeiras. Todos atentos ao televisor em preto e branco, torcendo pelo escrete de Zagallo e as feras.

Num dos primeiros ataques do Brasil, ficou logo estabelecido que ali se iniciava uma das mais incríveis partidas de futebol da história. O ponta Jairzinho avançou pela direita vencendo dois zagueiros e antes que a bola saísse pela linha do tiro de meta, o craque botafoguense consegue cruzar para a área.

A cena que veio a seguir se eternizou na memória de quem presenciou ao vivo e virou registro histórico para as gerações que vieram depois. Pelé sobe junto com um inglês, um tórax acima no ar e cabeceia com força em direção ao chão. Banks num voo rasteiro, praticamente batido, ergue a mão, num reflexo.

O rei Pelé já havia pousado e iniciava uma corrida para comemorar, mas, estupefato, ele e o mundo, a mão do goleiro inglês havia encontrado a bola mesmo na mudança de trajetória imposta pela cabeçada perfeita do craque. Banks só acreditou que havia feito a defesa porque Pelé brecou a vibração.

O Brasil venceu o jogo por 1 x 0 num gol de Jairzinho que só aconteceu porque o gênio Tostão fez algo que nenhum atacante do planeta jamais ousou fazer: uma sequência de dribles em torno do zagueiro Bobby Moore e de mais dois ingleses, girando na órbita sem desgrudar o pé esquerdo para o direito cruzar.

Na semifinal, a Inglaterra pegou a Alemanha num jogo também histórico, um confronto épico com toques de guerra. Gordon Banks fez defesas incríveis, mesmo sofrendo dores intestinais por causa dos temperos mexicanos. Foi pego pelo Mal de Montezuma, uma vingança contra o império britânico.

Depois daquela copa, mesmo sem ser campeão de novo, Banks consolidou a glória pessoal eleito pela FIFA como o segundo melhor goleiro do século XX, atrás apenas do russo Lev Yachin, além de ter feito a mais espetacular defesa de todos os tempos. Uma defesa que desafiou a física e entrou no campo dos milagres.

       



11/02/2019
Ricardo Boechat, um ícone

Quando ele divulgou por três vezes na sua coluna do Jornal do Brasil um livro que lancei no Leblon, agradeci brincando no e-mail dizendo que "o melhor jornalista do Brasil é um argentino". Naquele tempo, 2002, eu assinava artigos quinzenais no JB, onde ele acabara de estrear, convidado por Augusto Nunes.

Sempre soube que Ricardo Boechat era um jornalista antenado com tudo, fruto do faro de repórter que ele nunca perdeu desde quando começou, há exatos 50 anos, no Diário de Notícias, responsável pela publicação da lista de aprovados no vestibular. Só não sabia que se interessaria nas coisas do RN.

Pelo e-mail, me pediu uma vez informações sobre o boom imobiliário nos litorais de Natal, numa semana em que o craque David Beckham andou por aqui inaugurando um empreendimento. Foi ele quem divulgou que meu livro estava a bordo do avião que levou a seleção brasileira para a Copa de 2002.

Eu só sabia que autografei o livro para Kaká e Rogério Ceni, num evento na Via Costeira, convidado por Edivan Martins, então secretário de esportes. Não havia qualquer relevância no fato do livro na viagem do penta, mas foi pura generosidade publicar a informação que eu jamais soube como ele obteve.

Um dia houve um quiproquó midiático com a falsa gravidez da modelo Luma de Oliveira, que inventou a barriga para refutar convite pra desfilar na Mocidade de Padre Miguel e salvar o casamento com Eike Batista. Foi Ênio Sinedino quem me mostrou a nota dele com minha frase, "mentira tem pernas grossas".

A morte trágica de Ricardo Boechat, surpreendendo um país que tanto lhe deu audiência e estarrecendo toda a comunidade jornalística, é uma notícia terrível a agudizar tantas dores acumuladas num começo de ano que ainda não nos deu uma trégua. Todo jornalista brasileiro tem algo a dizer sobre o argentino.

Foi excelência em todos os setores e divisões da comunicação, de repórter de rua a colunista social, de comentarista de rádio a apresentador de telejornal, de chefe de redação a dublador de cinema. Colecionou prêmios em todas as plataformas, como os três do renomado Prêmio Esso, em jornal, rádio e TV.

Até chegar a fatídica hora da queda do helicóptero, ele tinha feito por dias seguidos, nos veículos do Grupo Band, vários comentários contundentes e até enfurecidos sobre as tragédias em Brumadinho e no Flamengo. Que o licenciamento poético permita que ele ajude as vítimas caso as encontre pelo infinito afora.

Viva Ricardo Boechat!

       



08/02/2019
Morre o ator Albert Finney

O ator britânico Albert Finney, a estrela indicada ao Oscar pelas atuações em filmes como "Tom Jones" e "Skyfall", morreu hoje aos 82 anos de idade.

A família de Finney disse ao jornal Los Angeles Times que ele "morreu pacificamente depois de uma doença curta com os mais próximos a ele ao seu lado".

Finney foi uma estrela rara que conseguiu brilhar longe dos holofotes de Hollywood por mais de cinco décadas depois de ganhar fama internacional em 1963 no papel-título de "Tom Jones".

O filme ganhou uma das cinco indicações ao Oscar. Seguiram-se outras com "Morte no Expresso Oriente", "O Fiel Camareiro", "A Sombra do Vulcão" e "Erin Brockovich".

       



08/02/2019
Meninos do Flamengo

Quando um jovem morre
a humanidade se descompleta
não em estatística demográfica
sim em essência universal
e se morrem alguns, vários
garotos e seus sonhos
é tragédia humanitária
Uma dor no Rio de Janeiro
incêndio de sempre fevereiro
avança pelos rios do planeta
Que aconteceu com esta cidade
da noite para o dia? perguntou
Carlos Drummond de Andrade
e agora essa resposta
de caos, tragédias humanas
Minha alma chora, como disse
Wally Salomão, parodiando
o Tom do Samba do Avião
no poema Mal Secreto
E o Cristo Redentor ali
vendo tudo sem segredo
fogo ardendo no Flamengo
um Rio de calor infernal
enxurrada de lama, 40 graus
como cantou Fernandinha
purgatório da beleza e caos
Alô, tristeza do Flamengo
bem que eu quis escrever
um poema de amor
feito Antonio Maria
mas, minha valsa chora
chorinho de dor, quanta dor.

(Alex Medeiros, 8/2/19)

       



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