BLOG DO ALEX MEDEIROS

10/07/2018
Bié, bié, Brasil pacheco

Sou órfão da geração de Zico, Sócrates e Falcão. Réu confesso - e, às vezes, possesso - desde o tombo diante de Paolo Rossi, naquele fatídico 1982, não torço mais pela seleção brasileira, herdando gesto da geração do meu pai que desencantou após a Copa de 1950. E sou avesso ao mundinho dos pachecos.

De 1990 até hoje, cada vez que o time da CBF tropeça numa copa eu faço questão de lembrar e repetir uma assertiva do escritor Paulo Mendes Campos, que percebia como poucos a mediocridade da imprensa esportiva em sua prática diária de vender como análises emoções chinfrins de arquibancada.

O cronista botafoguense, autor de livros como "O Gol é Necessário" e "Os Bares Morrem Numa Quarta-Feira", sentenciava a ignorância da mídia esportiva dizendo que esta não havia chegado sequer na Semana de Arte Moderna de 1922. Morto há 27 anos, Mendes continua em dia na sentença.

É a imprensa esportiva o alicerce sem massa cinzenta que sustenta a catedral de pieguice das multidões uniformizadas que, como cardumes de zumbis patrióticos, se aglomeram de quatro em quatro anos para viver a ilusão do futebol como sentimento único a vestir a ignorância com roupa de cidadania.

Gostei, torci e fiz piadas na derrota para a Bélgica. Sim, sou adepto da tese de que não basta festejar a queda da selecinha amarela, mas urge tripudiar ao máximo, como um esforço teimoso no objetivo de expor o ufanismo medíocre de validade bissexta, representado nas bandeirinhas e fantasias sazonais.

Como nos 7 x 1 de 2014, botei o aplicativo emocional em modo gozo quando vi e ouvi as lamentações da imprensa pacheca, a busca do improviso desnorteado de Galvão Bueno em seu padrão bobo da corte, o crupiê da euforia prévia em dia de fantoche das circunstâncias e das frustrações.

Lembrei de todas as resenhas dos canais esportivos antes da Copa, da chiadeira antecipada nos perfis oficiais de cada um dos seus apresentadores, comentaristas e repórteres. Gargalhei nas desculpas e consolos inúteis posteriores à vitória belga, versões adaptadas ao campeão moral de 1978.

Mais hilário ainda foi o circo de proteção armado em torno da reputação de Neymar, quando a imprensa mundial começou a ridicularizá-lo logo após o jogo contra o México. Numa caricatura da fábula de Esopo, tentavam salvar a galinha dos ovos de ouro, infelizmente já decepada nas redes sociais.

No mais novo fracasso, reedita-se no imaginário da Pachecolândia as mesmas conspirações de sempre: o pseudocampeão moral de 78, que empatou os dois primeiros jogos; os derrotados por água batizada em 90; os goleados por trama da Nike em 98; e os atropelados nos 7 x 1 porque Neymar não jogou. Kkkk!

É uma pena que, como disse Paulo Mendes Campos, não seja apenas a mídia boleira a única atrasada no tempo. É triste, constrangedor, constatar que o fanatismo nas copas continua sendo o fator que revela até num intelectual um imbecil escondido na camisa usada como um fardão de amarela notoriedade.





09/07/2018
Um Nobel para Garcia Lorca

Para muitos o maior poeta espanhol, Federico Garcia Lorca é uma ausência permanentemente presente no imaginário do seu povo, que jamais conseguiu dar um merecido sepultamento ao seu corpo, fuzilado em 1936 por milícias franquistas durante o começo da Revolução Civil Espanhol.

Quando se completam 120 anos do seu nascimento e 110 da sua primeira obra, "Impressões e Paisagens", três deputados representantes da região da Andaluzia, berço do escritor, querem um Nobel de Literatura póstumo para Lorca no ano em que um escândalo sexual cancelou a honraria na Suécia.

Os parlamentares Alberto Garzón, Miguel Ángel Bustamante e Eva García Sempre deram entrada com o projeto no Congresso pedindo que o parlamento encaminhe para que o governo espanhol faça oficialmente a solicitação do prêmio à Academia Sueca responsável pelo Nobel, alterando suas normas.

Há algum tempo, as nominações póstumas não são mais consideradas na academia, e por isso os deputados andaluzes fazem um chamamento ao governo para solicitar a suspensão de tais normas, de maneiras que Garcia Lorca seja contemplado pela importância da sua obra para a Cultura mundial.

No pedido, os deputados apelam para que seja reconhecida "a trajetória de uma personalidade excepcional, símbolo imortal do diálogo entre a literatura e a sociedade civil". Um Nobel representa a reparação ao terrível assassinato do poeta que em vida foi referência para Pablo Picasso, mais velho que ele.

Quando jovem, escreveu no poema "Céu Vivo" um quase epitáfio de lirismo profético: "Eu não poderei queixar-me / se não encontrei o que buscava / próximo das pedras sem sumo e dos insetos vazios / não verei o duelo do sol com as criaturas em carne viva". Um Nobel póstumo há de ser desejo do mundo.







04/07/2018
Os safados Sobrinhos do Capitão

Ironia pura, destilada com genialidade e inteligência, foi o componente mais elogiado na fórmula dos Sobrinhos do Capitão, personagens originalmente chamados de Katzenjammer Kids e que teve revistinha publicada no Brasil pela saudosa editora Ebal.

Criada pelo alemão naturalizado norte-americano Rudolph Dirks e publicada pela primeira vez a 12 de dezembro de 1897, no American Humorist, a revista fazia parte do suplemento de domingo do New York Journal, de William Randolph Hearst. Nela surgiu os tradicionais "balões" de conversações.

O contexto das aventuras é numa colônia alemã na África, numa pensão onde a proprietária, a gorda viúva "Mama Chucrutz", tinha como hóspedes o Capitão - um gordo de barbas negras (que, ao contrário do que sugere o título adotado no Brasil, não é o tio dos garotos), marinheiro aposentado e que sofre de gota, o Coronel, um caça-gazeteiros que vive a perseguir os moleques, caracterizado como um baixinho com uma longa barba branca e, finalmente, os dois heróis, os malandrinhos Hans e Fritz.

Depois de pendengas judiciais entre 1912 e 1914, Dirks deixou a organização Hearst e começou uma nova tirinha, primeiramente chamada de Hans und Fritz e depois The Captain and the Kids, distribuida pela United Features. Os protagonistas eram os mesmos personagens de The Katzenjammer Kids, continuada por Harold Knerr. As duas versões separadas competiram até 1979, quando The Captain and the Kids parou de ser publicada após seis décadas.

Para criar os personagens, Dirks bebeu na fonte de Wilhelm Busch, criador de Max und Moritz - precursora dos quadrinhos. No Brasil ambas as séries receberam o nome de Os Sobrinhos do Capitão mas a da United Features chegou a publicar no Brasil primeiramente e com exclusividade no O Globo Juvenil Semanal com o nome de O Capitão e os Meninos (às quintas-feiras e sábados) a partir de 1938 e depois no Gibi semanal como O Capitão e os Meninos (às sextas-feiras e domingos) a partir de 1941.

As revistas foram publicadas pela Ebal na revista Capitão Z, a partir de 1961, e posteriormente saíram noutras editoras. Em 1987 o cartunista paulistano Angeli criou a tira de Os Skrotinhos, como uma forma de homenagear os antigos personagens. Há suspeitas não confirmadas de que Henfil também teria se inspirado na picardia e nas presepadas dos "bad boys" para rabiscar os seus endiabrados Fradinhos e o Capitão Zeferino.





04/07/2018
Harry Kane quer marca de Jairzinho e Ghiggia

O artilheiro inglês do Tottenham marcou mais uma vez, chegou a seis gols e se igualou ao compatriota Gary Lineker, que atingiu a mesma marca na Copa de 1986. Faltam agora dois gols para Kane igualar o feito de Ronaldo Nazário, que fez oito gols em 2002.

No ritmo em que vai, o atual artilheiro da Copa da Rússia pode chegar na marca histórica que pertence ao uruguaio Ghiggia e ao brasileiro Jairzinho, que fizeram gols em todos os jogos nas respectivas copas de 1950 e 1970.





03/07/2018
Nas copas da História VII

Transcorriam 27 minutos do segundo tempo, o Uruguai vencia Portugal por 2 x 1 e o placar perduraria até o final da partida. Escrevo isso para que se leia hoje e também depois, e depois e depois. O autor dos dois gols uruguaios fez uma careta, olhou pro banco e pediu substituição. O que se viu depois foi épico.

O artilheiro Cavani, ídolo do PSG, acabara de ter uma lesão na perna direita e, expressando dor, buscou caminhar para fora do campo. Então, se aproxima Cristiano Ronaldo, que o ampara no ombro e o leva até a lateral do gramado. Em minutos, o gesto viralizou nas redes sociais e nas capas de sites e blogs.

A imagem dos dois adversários no jogo gerou comentários de enaltecimento ao gesto solidário do craque português, que mesmo sabendo ser Cavani o carrasco que estava desclassificando sua seleção, colocou a gentileza em campo, ajudando um colega de profissão num momento de contusão.

Uma cena que automaticamente me levou a vasculhar as velhas revistas de futebol que coleciono como um catador de lances mágicos ao longo do tempo que acompanho as copas. Fui em busca dos registros de um dos instantes mais belos e emocionantes da Copa do Mundo de 1962, realizada no Chile.

A seleção brasileira jogava sua segunda partida, contra a boa Tchecoslováquia, que dias antes vencera a Espanha. Aos 25 minutos do primeiro tempo, o volante Zito repetiu uma jogada típica que fazia no Santos FC: limpou um zagueiro e tocou de bandeja para Pelé na entrada da área.

O rei meteu um petardo, a bola zuniu em direção ao gol levantando a torcida, onde estavam lívidos e preparando o grito o poeta Thiago de Mello e o jornalista Mário Filho (que deu nome ao Maracanã). O goleiro Shroiff deu um leve tapa, a bola explodiu na trave e seguiu viagem de cometa ao escanteio.

Nesse momento, Pelé colocou a mão na coxa esquerda e deixou a dor transfigurar seu rosto. Zito e Didi perceberam a gravidade e olharam para o banco. O rei percebe também, mas tenta acalmar os colegas e dá sinal que pode continuar. Mas enganava a todos e a si próprio; se arrastava em campo.

Foi se exilar pela lateral do gramado, recebendo a bola e logo devolvendo em curtos passes que só pioravam seu estado, uma distensão na virilha. Foi aí que aconteceu um dos lances mais belos de todas as copas: o craque e capitão tcheco Masopust, dá uma ordem ao seu time: "ninguém toca nele, só marca".

No último contato com a bola, outra vez lançada por Zito, Pelé avança superando centímetros de grama que pareciam latifúndios, o lateral Lala se aproxima; o rei olha pra ele, que para com as mãos na cintura. Mais adiante, a voz do líder: "deixa ele, não vai, não, só marca". Grandiosamente Masopust.

Pelé busca a linha lateral, desiste de lutar; o massagista Mário Américo vai em sua direção. Masopust se aproxima, pega o braço do rei e o ajuda a sair. Décadas depois, ambos se encontraram em São Paulo, pouco antes de Masopust morrer. Pelé dizia nunca ter visto um europeu jogar tanto em estilo sul-americano. Foi o maior e mais nobre do futebol tcheco.





02/07/2018
Beyoncé toma susto na Polônia

A cantora Beyoncé já provou que sabe se adaptar aos cenários mais extravagantes em qualquer palco, inclusive os dos seus próprios shows.

Sábado passado, durante uma apresentação em Varsóvia, na Polônia, ela teve que descer do cenário através de uma escada de mão depois que o mecanismo de acesso a uma alta plataforma falhou, causando susto nela e no público.


Já era o final do show e Beyoncé aparecia na companhia do seu marido, o rapper Jay-Z, que a acompanha na turnê internacional. O planejado era um encerramento épico numa altura de vários metros a
cima dos fãs, quando o mecanismo travou, deixando o casal preso.

A produção acalmou ambos, que concluiram a canção Forever Young e foram retirados com segurança, mas com Beyoncé precisando antes retirar todo o aparato em torno do vestido. O contratempo foi gravado por milhares de celulares da platéia.





02/07/2018
A carta de Einstein e Elsa

Uma carta escrita pelo cientista Albert Einstein com sua segunda esposa Elsa no dia em que ele renunciou ao passaporte alemão, por causa da perseguição nazista, foi arrebatada num leilão da casa Nate D. Sanders, em Los Angeles, por 25 mil dólares. O documento tem data de 28 de março de 1939.
Einstein escreveu quatro páginas a bordo do navio S. S. Belgenland, que zarpou do porto de Nova York com destino à cidade belga de Antuérpia. A carta foi encaminhada à sua irmã Maja Winteler-Einstein e logo depois foi até o consulado alemão para entregar o passaporte, retornando então aos EUA.
Seis anos antes, ele e sua família estavam a caminho dos EUA quando Adolf Hitler foi nomeado chanceler da Alemanha. Era o dia 30 de janeiro de 1933. Ali durante a travessia ele foi informado que tropas nazistas invadiram seu apartamento em Berlim. Havia uma recompensa de US$ 5 mil por sua cabeça.
O começo da missiva é feito por Elsa, que faz reflexões sobre as preocupações do casal com o filho de Einstein, Tetel, cuja mãe era Mileva Maric, primeira mulher do físico. Elsa também lamentava a prisão de todos os grandes amigos de Einstein. E depois acalma a cunhada: "há perspectivas de futuro".
Adiante, revela que o casamento tem passado por dificuldades por causa do emocional do marido com o sofrimento dos filhos Hans e Tetel, que souberam de uma entrevista do pai nos EUA onde ele narra a perseguição do nazismo aos judeus como eles todos. "Não fale de política com os meninos", implora.
Quando o navio chegou à Antuérpia, muitos amigos de Einstein foram encontrá-lo. Até os reis da Bélgica, Alberto I e Isabel, estavam no porto. Nos trechos da carta escritos pelo cientista, há críticas à Inglaterra por ser flexível com Hitler e comentários sobre os problemas mundiais da Grande Depressão.
Após entregar o passaporte, Einstein e Elsa voltaram aos EUA, juntos com milhares que fugiam do nazismo. Einstein viveu nos EUA até o fim dos seus dias, trabalhando para o futuro da Ciência no Instituto de Estudos Avançados de Princeton, em Nova Jersey. Elsa morreu em 1936; ele em 1955.





28/06/2018
Vivaldo visita hospital de Ceará-Mirim

O deputado estadual Vivaldo Costa (PSD) comentou, na sessão desta quinta-feira (28) na Assembleia Legislativa, a visita que fez ao Hospital Doutor Percílio Alves de Oliveira, em Ceará-Mirim. Vivaldo disse que atendeu convite da direção da unidade, para prestar contas de ações executadas com recursos de emenda parlamentar de seu mandato.

"O Percílio Alves é uma das unidades de saúde mais bem estruturadas do Rio Grande do Norte", afirmou Vivaldo, justificando que o hospital, que atende ainda a 26 municípios da região, dispõe de serviços como Raio-X, cirurgias,maternidade, banco de leite e pronto-socorro.

"Durante a visita eu vi a satisfação das pessoas que aguardavam atendimento", disse Vivaldo, que percorreu os setores do hospital acompanhado do prefeito Marconi Barreto (PSDB), de vereadores e da população.

Restaurante Popular - Em seu pronunciamento, o deputado Vivaldo Costa adiantou que ainda nesta quinta-feira o governador Robinson Faria (PSD) estará em Ceará-Mirim para inaugurar uma unidade de Restaurante Popular e um matadouro. Também visitará escola em construção acompanhado da secretária de Educação, Cláudia Santa Rosa.





27/06/2018
Messi glorificado em revistas

No clima de Copa do Mundo, duas grandes revistas internacionais elegeram Lionel Messi o melhor jogador da história do futebol.

Primeiro foi a Paper Magazine, de Nova York, que usou o trocadilho G.O.A.T. (palavra que significa Bode e é abreviatura de Melhor de Todos os Tempos), depois a Voetbal International, a mais importante revista de futebol da Holanda, fundada em 1965 e que inspirou a diagramação da Placar, quando criada em 1970 no Brasil.

Há poucos meses, a britânica Four Four Tour, uma das três principais revistas esportivas da Europa ao lado das francesas L'Equipe e France Football, elegeu o craque do Barcelona, o segundo melhor da História, atrás de Maradona e à frente de Pelé.





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