BLOG DO ALEX MEDEIROS

21/08/2017
Paris está longe da Europa

Neymar foi o primeiro craque do Santos que conseguiu experimentar momentos gloriosos na Vila Belmiro após o reinado de Pelé. Desde os tempos do rei, ninguém havia elevado tanto o astral da torcida do Peixe, nem atraído para si mesmo os holofotes da mídia mundial.

Ainda na condição de juvenil, vestiu a camisa galáctica do Real Madrid e foi destaque nos jornais de Madrid, apresentado como um investimento do clube merengue nas terras tropicais. Não ficou por lá, voltou pra serra, e carregou o Santos na conquista de uma Libertadores, a terceira do time somada às duas da era Pelé.

Já na condição de melhor jogador brasileiro em atividade, disputou a primeira taça em âmbito mundial e foi surpreendido por uma goleada diante do Barcelona, ocasião em que após um show de Lionel Messi abordou o craque argentino e se declarou seu fã. Aquele agrado lhe seria útil no futuro.

Foi transferido para o Barcelona em 2013, pouco depois de completar 21 anos, numa negociação milionária e suspeita que ficou conhecida como "Neymargate", alusão da imprensa espanhola ao escândalo político da era Nixon nos EUA. Mas isso não abalou o jovem craque, que logo se adaptou ao timaço catalão, formando um trio goleador com Messi e Suarez.

O sonho e a promessa de conquistar uma Bola de Ouro como melhor do mundo não vingaram; teve que se contentar com a coadjuvância frente ao protagonismo de Messi, à idolatria catalã com Iniesta e a profusão de gols de Suarez. Quando todos esperavam ao menos uma Bola de Bronze, viu o troféu nas mãos do francês Griezmann.

Não estou aqui tirando o brilho do craque nem detratando sua trajetória, mas apenas expondo fatos que passam desapercebidos aos olhos de grande parte da mídia e, principalmente, dos torcedores mais fanáticos. Nos quatro anos de Barcelona, Neymar não se tornou a estrela do clube, porque - segundo alguns analistas - o sistema de jogo do Barça só existe para agigantar Messi.

Entretanto, foi nesse tal sistema messiânico que o uruguaio Suarez danou-se a fazer gols, superou o próprio Neymar na artilharia azul grená e conquistou a simpatia da torcida e até da imprensa da Catalunha, aquela mesma que cuspiu manchetes mandando o brasileiro ir-se logo para Paris.

E ele foi, muito mais por amor e desafio do que pela fortuna envolvendo a transação. Nos memes da web brasileira, muitos postaram que se fosse só pelo desafio, ele deveria ter ido pro Vasco ou pro São Paulo. Piadas à parte, Neymar entrou em Paris como um Napoleão lúdico em busca de poder e diversão.

E conquistou a cidade luz, acendeu a Torre Eiffel com as cores do PSG e botou a torcida parisiense para cantarolar Aquarela do Brasil, obra imortal do flamenguista Ary Barroso. Na estreia, um aperitivo do talento diante do modesto Guingamp e no segundo jogo, mentor da goleada no sempre irregular Toulouse.

Explosões de ufanismo na mídia brasileira repercutindo a ovação da imprensa parisiense com as jogadas do craque. Me assustam a histeria e o maniqueísmo de jornalistas quando a notícia produzida envolve elementos de paixão popular. Até o próprio Neymar já sabe da deficiência história do campeonato francês; assim como sabe que os dois primeiros adversários são do quilate da Portuguesa Santista, eterna fregueza do Santos.

O futebol na França vive à margem da vizinhança desde que o esporte surgiu na Bretanha. No país não há sequer um derbi, uma rivalidade interclubes, ninguém mata ou morre por time nenhum por lá. O único momento glorioso foi uma Copa do Mundo em casa (graças ao maestro Zidane), e as cenas de espetáculo em solo sueco, na Copa de 1958, até ser atropelada pela seleção do mestre Didi, do gênio Garrincha e do moleque Pelé.

Prefiro festejar uma verdadeira genialidade de Neymar quando o PSG começar a enfrentar times de verdade na Champions League, torneio aonde o futebol francês acumula fracassos e que, agora segundo muitos, encontrará a glória nos pés do boy da Vila Belmiro. Prefiro não achar, mas ter a certeza de que Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Manchester City, Bayern, Juventus e outros são desafios bem mais verdadeiros que Guinpang e Toulouse.

Que os deuses protejam o sonho de Neymar!





21/08/2017
Gente estúpida

O Brasil muito provavelmente deve ser o único país desse pequeno planeta onde os estudantes se mobilizam e ganham as ruas para protestar contra o aumento de R$ 0,20 numa passagem de ônibus, mas silenciam diante da ameaça de um rombo sem precedentes no erário quando o Congresso Nacional se destina a torrar R$ 3,6 bilhões nas eleições de 2018.

O tal fundo partidário, que existe para financiar a farra dos partidos, é uma excrescência e um tapa na cara de uma sociedade em crise profunda numa republiqueta onde autoridades realizam desvios de verbas públicas, numa epidemia de corrupção que atinge todos os poderes, o Ministério Público e os tribunais de contas.

No Brasil, esquerda e direita se assemelham no culto ao Estado, na defesa do controle estatal sobre os destinos da nação. No meio dessa dicotomia do atraso, os jovens parecem ter contraído a "síndrome de Estocolmo", uma enfermindade psicológica em que a vítima se identifica com o bandido.





21/08/2017
"NO ESPERADO DIA DO ECLIPSE"

Por Graco Medeiros

21 de agosto de 2017:

Há 28 anos eu estava em Belo Horizonte, na Praça Sete, esperando um busão logo após a jornada de trabalho. Ainda não tinha internet e nem os smartphones de hoje.

Subi e tocava Raul no rádio do ônibus, numa profusão como nunca tinha visto antes. Uma música atrás da outra.

Em 1989 Raulzito vivia no mais completo ostracismo. Fiquei feliz e pensei: 'porra, estão resgatando o mago'.

Mas, logo ao descer (viagem curta), um pressentimento funesto se assenhorou de mim...

Encarei o motorista - ray-ban contra ray-ban -, e perguntei só de migué:

- Essa rádio só toca Raul, véi?

Ele respondeu:

- Raul Seixas morreu, meu irmão.

Entrei no primeiro boteco da rua Diamantina e comecei a encher a cara.

Depois, sai na rua sem rumo, escutando nos rádios dos carros, nas casas, nos bregas da Lagoinha e até em igreja evangélica, os versos de "Tente Outra Vez".

Nos demais bares, ao vivo ou na caixa, sempre algum outro bêbado ou bicho grilo lombrado começava a mandar o tão conhecido ultimato, que se tornou famoso e onipresente:

- "Toca Rauuuuuul!!!"

(GM)





17/08/2017
Eugénio de Castro

Eugénio assim mesmo com agudo em vez de circunflexo. Grafia lusitana no nome de um dos maiores poetas da terra de Fernando Pessoa e de Luís de Camões.

Morreu num dia como hoje, em 1944, quando a Europa respirava ainda as cinzas da Segunda Guerra, mesmo com os ventos da esperança soprando nas tropas aliadas que avançavam sobre o terror das hordas de Hitler.

Nasceu na cidade de Coimbra, em março de 1869, poucos dias depois que a escravatura foi abolida em terras portuguesas e no ano em que duas invenções teriam papel relevante no comportamento das pessoas no século XX que se avizinhava: o chicleteeo vibrador.

É tido como o pai do Simbolismo em Portugal, ao estrear na literatura com o livro "Oaristos", quando tinha apenas 21 anos. Publicou três dezenas de obras poéticas, inovando na linguagem e no uso de rimas até então não utilizadas na boa terra.

Em 1938, aos 69 anos, encerrou a produção com o livro"Últimos Versos". Para marcar aqui a data da sua morte, publico o poema "Três Rosas", um floreado para prováveis três moças que mexeram com o poeta. Fato que ocorre até hoje com alguns vates de coração mole. Viva Eugénio de Castro!

Três Rosas

Sempre, mas sobretudo nas brumosas
Horas da tarde, quando acaba o dia,
Quando se estrela o céu, tenho a mania
De descobrir, de ver almas nas cousas.

Pendem deste gomil três lindas rosas;
Uma é rosada, a outra branca e fria,
Rubra a terceira; e a minha fantasia
Torna-as humanas, vivas, amorosas.

Sei que são rosas, rosas só! mas nada
Impede, enquanto cai lá fora a chuva,
Que a minha mente a fantasiar se ponha:

Por ser noiva a primeira, é que é rosada;
Branca a segunda está, por ser viúva;
A vermelha pecou ... e tem vergonha!






17/08/2017
Aldeia de papel

Natal provavelmente deve ser a única cidade ainda no planeta onde uma propaganda de TV convoca o telespectador a procurar um gazeteiro para comprar jornal impresso.





14/08/2017
Zé Limeira revisitado

Meu país varonil é uma falácia
foi Cascudo quem disse na bodega
jamais houve povinho assim tão brega
desde o veraneio de Hitler na Alsácia
um bandido assaltando uma farmácia
avisou que Brasília se alopra
que adianta essa bosta ganhar copa
Safadão mais amado que o Noel
o Brasil vai ganhar prêmio Nobel
quando Trump invadir Constantinopla

Michel Temer roubou mas tá fazendo
Dilma fez mas roubou na cara dura
ambos os dois enganaram a ditadura
e escaparam com os rabinhos fedendo
não trabalho nem rezo nem fodendo
pra tirar a nação da bancarrota
já dizia o poeta Garcia Lorca
numa carta postada ao coronel
o Brasil vai ganhar prêmio Nobel
quando Trump invadir Constantinopla

O mundo é plano e o futebol é pleno
o que digo no boteco não se escreve
vi Pelé uma vez com Milton Neves
tuitando para o Galvão Bueno
quando Sócrates morreu pelo veneno
Casagrande quase bateu as botas
no Corinthians o Palmeiras não se acopla
desde o tempo da Princesa Isabel
o Brasil vai ganhar prêmio Nobel
quando Trump invadir Constantinopla

Lampião foi um craque da História
um zagueiro do sertão pernambucano
uma vez deu carrinho por engano
derrubando o técnico Otto Glória
contrataram um tal de John Dória
pra trocar com o Lula uma pelota
Maradona deu uma cambalhota
traduzida no inglês pelo Joel
o Brasil vai ganhar prêmio Nobel
quando Trump invadir Constantinopla

Quanta gente ignorante, feia e rude
entre a Linha do Equador e a Inglaterra
tá na hora de uma terceira guerra
com direito a filmagem em Hollywood
que a Friboi do Joesley me ajude
a jogar num bom time da Europa
lá direi em microfone sem canopla
para todo o planeta via Embratel
o Brasil vai ganhar prêmio Nobel
quando Trump invadir Constantinopla





14/08/2017
Ainda o fator Pacheco

O mundo, em especial o Brasil, jamais deu relevância ao futebol francês, raros os momentos em que na terra da filosofia e da literatura surgiram craques geniais como Kopa, Platini e Zidane, este último responsável direto pela única conquista da França numa Copa do Mundo.

Desde 1912 até os dias de hoje, todos os brasileiros ignoraram a existência do modesto clube do Guimgamp, mesmo quando este contou em seus quadros com um jovem da Costa do Marfim chamado Drogba.

Porém, desde o dia da estréia de Neymar pelo PSG, time de Paris que divide com o Mônaco e o Lyon a hegemonia do discreto campeonato francês, milhares de brasileiros trataram de vestir a velha e costumeira fantasia de pitaqueiro esportivo para enaltecer o gol e a assistência do ex-astro do Barcelona na vitória por 3 x 0 do PSG.

Poucos comentaristas, exceto alguns da equipe ESPN, destacaram a diminuta importância do Guimgamp na liga nacional francesa.

Pouquíssimos foram moderados no ufanismo nativo e evitaram patriotadas na análise da estréia do ex-garoto da Vila Belmiro. Que Neymar é craque, ninguém duvida; mas seria mais producente e racional esperar jogos menos fáceis.

Por que tratar como adversário real quem em verdade não passa de um simplório sparring? O Guimgamp não passa de um ABC ou América sonhando em ser Bragantino ou Bangu.

Só isso.





01/08/2017
Vagas abertas em 44 cursos da Escola da AL

A Escola da Assembleia divulgou para o segundo semestre de 2017 o calendário de atividades letivas. A disponibilidade de vagas deve ser consultada de acordo com o grau do curso escolhido.

Para capacitação pessoal, a Escola dispõe de cursos de informática para o editor de textos Microsoft Word e também curso de música. A capacitação técnica oferece cursos de Legislação e Política Urbana; Eficácia do Serviço Público; Direito Administrativo; Assessoria de Imprensa no Setor Público, dentre outros.

Há ainda as oficinas técnicas. Nelas foram agrupados os cursos de fluxo processual, elaboração de projetos; gestão e planejamento; licitação e contratos.

No programa de pós-graduação, a Escola da Assembleia oferece Mestrado Profissional em Gestão Pública e Mestrado em Gestão da Informação e do Conhecimento, além de Doutorado em Administração Pública.

Enfermagem Oncológica

Para suprir uma demanda dentre as pós-graduações oferecidas, a Escola da Assembleia lançou também edital para a área da Saúde, com curso de especialização em Saúde Pública: Enfermagem Oncológica, com início ainda no segundo semestre de 2017.

A especialização tem como público alvo servidores da Assembleia Legislativa e dos órgãos conveniados à Escola até a data da publicação do Edital. Destina-se à qualificação de servidores dos Legislativos Federal, Estadual e Municipal, objetivando fomentar a modernidade do processo de gestão do Poder Legislativo e promover a valorização do servidor.

As inscrições estão abertas e seguem até o dia 25 de agosto, das 8h às 17h, na Central de Atendimento da Escola da Assembleia, localizada à Rua Açu, nº 426, Tirol.





01/08/2017
Nem deus é unânime

Sexta-feira amanheço em São Paulo e meu café da manhã vai ser no charmoso shopping da Vila Olímpia. Não é o café em si que me atrairá tão cedo, mas a loja Saraiva Megastore, onde me espera um exemplar da revista britânica Four Four Two.

A mais importante revista de futebol do mundo continua gerando polêmica no Brasil com sua edição especial trazendo um ranking com os 100 melhores jogadores da História. Além de Maradona e Messi na frente de Pelé, a lista dos dez primeiros tem três argentinos (Di Stefano completa o trio) contra dois brasileiros (Ronaldo Nazário faz companhia ao rei).

Os 100 leitores aqui desse blog sabem que na minha lista Pelé e Messi a encabeçam, e que eu nunca colocaria Maradona na frente de Cruijff, Di Stefano e George Best. Mas é preciso sempre lembrar que até os Beatles perderam a condição de unanimidade após o avanço do fanatismo pelos Rolling Stones e até pelo Guns N' Roses (na capa da biografia está escrito 'a maior banda de rock de todos os tempos', pode?)

Quando vejo rankings que questionam a hegemonia de Pelé não me surpreendo nem saco da espada patriótica dos pachecos. Me lembro que quando a mídia francesa batizou o "negão" de "rei" a geração do meu pai não admitia tamanha injustiça com Zizinho, com Leônidas da Silva ou com Friedenreich.

O primeiro foi o gênio que reinou até chegar Pelé (o próprio craque do Santos queria ser Mestre Ziza nas peladas da infância em Bauru), seus contemporâneos fãs diziam que nada era igual a ele. O segundo foi um matador letal, de uma incrível habilidade, nosso primeiro artilheiro em copas (7 gols em 1938) e que aperfeiçoou a plasticidade da bicicleta criada pelo chileno Ramón Unzaga. E o terceiro foi um fenômeno dos primeiros anos do futebol em solo nacional, primeiro brasileiro a superar a marca dos 1.000 gols (1.329), nosso primeiro astro.

Evidente que a maioria de nós (e grande parte da mídia) não vai engolir o ranking da Four Four Two, assim como na Argentina muita gente não admitiria alguém na frente de Maradona (el dios, como dizem). Mas em âmbito mundial a unanimidade de Pelé já caiu alguns degraus, assim como caiu a dos Beatles, a de Muhhamad Ali e a de Eusébio em Portugal (a revista coloca Cristiano Ronaldo em 5º e o gênio dos anos 60 em 23º). Na verdade, até no Brasil o rei tem sofrido reveses assim: em 2002, a Rádio Globo fez uma enquete a partir do programa Quintal da Globo e após milhares de telefonemas, a maioria decidiu que Garrincha foi o maior de todos os tempos nos campos da Pátria.





01/08/2017
Os 13 anos de fantasia

Todo mundo lembra do tempo em que o governo Lula era uma ilha cercada de mentiras que se transformaram em mitos no discurso da militância. Todos diziam que o País tinha economia de primeiro mundo, acreditavam piamente que Lula pagara a dívida externa e se vangloriavam dos empréstimos a países pobres com ditaduras ricas, como Cuba e Venezuela.

Eram tantas as fantasias que muitos achavam até que os brasileiros flanavam no turismo pelo mundo como os japoneses e chineses, apontando narizes e máquinas de fotografias por aí. O PT fez muita gente acreditar até que Lula era um intelectual colunista do maior jornal do planeta, o The New York Times. Lembram?

As pernas curtas da mentira tropeçaram quando se soube que o chefe petista, assim como outros presidentes de países periféricos, assinava apenas um texto num boletim digital que a empresa responsável pelo NYTIMES direcionava para a internet desses mesmos países. Só isso.

As mesmas pernas pisaram na bola quando mentiram sobre a presença de torcedores brasileiros na Copa do Mundo da África. Omitiram que enviamos "menas gente" (na linguagem de Lula) que México, Chile e até a quebrada Grécia. E os míseros 6 mil pachecos de 2010 podem diminuir em 2018, na Rússia, consequência da crise profunda provocada pela corrupção do mensalão e petrolão. Até agora, menos de 900 pacotes foram negociados para a próxima copa.

Enquanto isso, as candinhas do PT ainda seguem repetindo o mesmo esfarrapado discurso das mentiras sobre obras que Lula e Dilma nunca fizeram, a não ser na mente fantasiosa da ignóbil militância.





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