BLOG DO ALEX MEDEIROS

11/07/2016
Os campeões improváveis

Lisboa se transformou numa maré de gente, num tsunami de emoções. A capital portuguesa nunca viu tantas pessoas nas ruas desde novembro de 1755, quando o terremoto arrasou tudo. Ontem, porém, era o mundo todo surpreendido, menos Portugal.

Longe de Lisboa, mais gente festejou em Londres o título português da Eurocopa. Eram os azarões das apostas que acreditaram no improvável e cravaram a "seleção das quinas" nas famosas casas de prognósticos esportivos da capital britânica.

Quando o torneio iniciou as quartas de final, ninguém em estado normal de atenção - imune ao emocional de torcedor - arriscaria apontar Portugal, País de Gales ou Islândia com chances de chegarem, ao menos, na partida decisiva. Havia os grandes no meio.

As apostas se dividiram entre a campeã mundial Alemanha, a sempre terrível Itália e a anfitriã França com sua jovem geração comandada pelo craque Griezmann. Os lusos e os galeses tinham apenas o brilho individual de seus mitos: Ronaldo e Gareth Bale.

Quiseram os deuses do futebol que ambos travassem duelo na semifinal, e aí se impôs a estrela do maior deles, o herdeiro legítimo do trono do rei Eusébio. E lá foi Ronaldo em busca da glória que faltava a Portugal, o título continental que escapou em 2004.

O time passou pela primeira fase sem ganhar um jogo no tempo regular. Lembrou a Itália de 1982 que ao empatar três jogos adentrou as fases seguintes vencendo e derrubando a superseleção favorita do Brasil. Aí Ronaldo se agigantou sobre Gales.

Quando passou pela Alemanha, num jogo insosso que iludiu seus torcedores com dois gols, a França confirmou as suspeitas de um favoritismo que desde o começo existiu nas casas de apostas e nas análises da mídia esportiva. Era a marcha da Marselhesa.

A grande final não foi um jogo digno de uma apoteose, como em históricas decisões das copas (vide o Brasil de 70, a Alemanha de 74, a Argentina de 86 e a França de 98). Quando Ronaldo deixou o campo, os franceses dominavam o jogo na posse da bola.

Impossível não fazer comparações naquela imagem do craque português sentado, chorando e acariciando sua dor. A imprensa e as redes sociais resgataram o drama de outro Ronaldo, o brasileiro, impotente no mesmo Stade de France, em julho de 1998.

Havia, no entanto, uma diferença. Se o brasileiro se ausentou do jogo em corpo e alma, o português era ele próprio a alma da sua seleção; e assumiu o comando emocional dos seus companheiros, ditando do banco os caminhos para uma vitória quase impossível.

Mas, como o impossível só existe até que apareça alguém para duvidar e provar o contrário, como pregava o cientista Albert Einstein, a seleção de Portugal avançou sobre a sombra do favoritismo francês e com um gol solitário iluminou a história do país.

Contra toda a improbalididade, a equipe driblou a lógica e conquistou pela primeira vez uma taça de campeão continental. No Panteão dos Heróis, o espírito de Eusébio se levantou e paira desde ontem, glorificado em Ronaldo, sobre uma Lisboa em festa.





11/07/2016
Sísifo e o chilique dos poderosos

"A pior ditadura é a do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer", disse Rui Barbosa. A sentença do jurista soteropolitano cabe como uma luva no sentimento de um ateu como eu, quando imagino uma Alta Corte de Justiça prenhe de pecados.

Diferente é quem professa uma fé religiosa e pode rogar a um deus onipotente quando falha a justiça dos homens. Já ao ateu, não. Quando lhe falta a justiça, cai sobre ele a tragédia de Dante, e só tem que abandonar toda a esperança no barco de Caronte.

Fui menino e adolescente durante o regime militar, vi e participei das campanhas pela volta do voto livre, acompanhei cada passo do processo de redemocratização e da devolução do poder republicano aos civis e aos partidos políticos de distintas cores.

Desde então, não me lembro de algum mandatário manifestar-se jurídica ou policialmente contra a prática da opinião e do pensamento. Minha geração fritou Fernando Collor nos muros e camisetas, massacrou José Sarney em textos e charges.

Nem o alagoano nem o maranhense moveram um só advogado na abertura de processo, cível ou criminal, visando censurar uma crítica, por mais dura que esta fosse. FHC e Lula experimentaram conjuntura semelhante e absorveram tudo democraticamente.

Desde a campanha eleitoral que elegeu Dilma Rousseff, as ruas do Brasil foram invadidas por bonecos gigantes (e também portáteis) representando a petista e seu padrinho político Lula. Outros petistas menores também são alvos da picardia urbana.

Apesar da ira canina da militância vermelha, ninguém foi levado às barras dos tribunais por despejar de forma irônica no passeio público seu sentimento de oposição ao PT. Mesmo na mídia, jornalistas nada sofreram por seus artigos supostamente violentos.

Mas, bastou uma piadinha aqui, um bonequinho acolá, e um assessor do presidente do STF Ricardo Lewandowski, subiu nas tamancas da deusa Themis e, confundindo a venda dos seus olhos com cegueira, apelou à Polícia Federal para punir os críticos.

A reação de duas vias pede para investigar também os que andam por aí, nas passeatas, falando mal do colega Rodrigo Janot, o procurador-geral da República, alvo de outro pixuleco. Os bonecos foram batizados com os nomes de "Petrolowski" e "Enganô".

Nem os generais fartos de poder absoluto chegaram a tanto com o humor cortante da turma do Pasquim nos anos 1970. No máximo, enviavam um censor - geralmente um burocrata - para conversar com Tarso, Jaguar, Sergio Cabral, Millôr, Ziraldo...

No Brasil de hoje, onde o humor não anda lá muito inteligente (diga-se), alguns chiliquentos do Judiciário e do Ministério Público, vez em quando, misturam a vaidade e o espírito autoritário num mesmo armário e quando saem de lá é uma frescura só.

"A liberdade absoluta mete a justiça a ridículo. A justiça absoluta nega a liberdade", afirmou o escritor e filósofo franco-argelino Albert Camus em seu ensaio "O Mito de Sísifo". A pedra de Lewandowski e de Janot ainda precisa subir e descer muitas vezes.







08/07/2016
Lula volta ao ataque

O PT voltou a ter esperanças no retorno de Dilma Rousseff ao Planalto. Os últimos acontecimentos político-policiais atingindo figuras próximas a Michel Temer, como Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, reanimaram as lideranças petistas.

Tanto que Lula voltou a atacar e está de volta à Brasília, encastelado no Hotel Golden Tulip onde armou casamata para buscar votos em favor de Dilma na reta de chegada do julgamento do impeachment no plenário do Senado.

Nos primeiros contatos com senadores da base dilmista e com indecisos da oposição, Lula usou todo o poder verbal e o feitiço peculiar para dizer que a vida vai melhorar para todos quando Dilma sentar de novo na cadeira de comando.

Na próxima semana, faz um périplo pelo Nordeste, visitando a Bahia, o Ceará e Pernambuco. Nada de RN na agenda, pois aqui só tem o voto de Fátima Bezerra e a oposição bem definida dos outros dois senadores, José Agripino (DEM) e Garibaldi Filho (PMDB).





04/07/2016
Leiloando o marketing

Às favas com os escrúpulos. A antiga frase de Jarbas Passarinho na imposição do Ato Institucional nº 5 pelo general Médici nunca sai de moda, principalmente no ambiente dos negócios e da política, geralmente misturados em ano eleitoral como este 2016.

Há poucos dias, um parente de um candidato encontrou a forma mais fácil de convencer um marqueteiro a baixar o preço pedido para tocar a campanha que está quase começando. Pediu outras propostas a dois outros marqueteiros, e quando viu que ambas eram menores que a do primeiro foi a ele que, de pronto, barateou.

Não precisa dizer que os outros dois, no papel de tapias do leilão, ficaram decepcionadamente irados com a técnica utilizada pelo parente do candidato.  





04/07/2016
Ameaçado de morte, Kajuru sumiu

Um dos apresentadores esportivos mais polêmicos do País, Jorge Kajuru está desaparecido desde sábado, segundo denunciou pelo Twitter um colega que trabalha como redator e produtor dele.

"Sou produtor e redator do Kajuru. Socorro, ele está desaparecido desde as 14h de sábado. Tudo muito estranho", escreveu o produtor na página oficial do microblog do jornalista. "Quem tiver informações dele, por favor, ligue no (62) 98146-3203", concluiu.

De acordo com o apresentador Cesar Filho, da TV Record, Kajuru estava sendo ameaçado. "Atenção! Jorge Kajuru está desaparecido. Ele me confidenciou, há algum tempo, que vinha sofrendo ameaças... Qualquer informação, ligue para a polícia!", escreveu Cesar.

Afeito a celeumas na TV e no rádio e com temperamento explosivo, Kajuru ficou famoso por atacar figuras célebres do esporte e da política. Chegou a ser agredido ao vivo por um lutador durante uma entrevista.

Seu comportamento já rendeu mais de 130 processos judiciais e algumas demissões nas muitas emissoras de TV e rádio onde já trabalhou. Segundo Cesar Filho, Kajuru foi visto pela última vez em Goiânia, cidade onde tem fortes desafetos.

Em 2002, ele declarou ter sido obrigado a se retirar do estado de Goiás pelo governador Marconi Perillo, após publicar o livro "Dossiê K", em que revelava os esquemas de corrupção do político. Foi condenado a pagar R$ 30 mil e a cumprir pena de um ano e seis meses de prisão em regime aberto.

Em algumas entrevistas, Kajuru já disse que foi jurado de morte por um político de Goiás em 1999. Chama atenção o fato de, apesar de ter desaparecido às 14h de sábado, Kajuru ter postado uma mensagem em sua conta no Twitter por volta das 23h do mesmo dia, elogiando o trabalho de Vladimir Netto, repórter que lançou um livro sobre a Operação Lava Jato.

As mensagens seriam escritas pelo assessor porque ele, por conta de problemas médicos, tem dificuldade de visão. Foi esse assessor quem teria denunciado o sumiço na página do Twitter.

 





04/07/2016
Jornal diz que Kajuru está morto

O portal do jornal O Extra, de Goiânia, publicou ontem à noite que um corpo encontrado no município de Goianésia seria do jornalista Jorge Kajuru, desaparecido desde a tarde do sábado, segundo um seu colega de trabalho.

O Extra não noticiou mais nada e nenhum veículo até agora confirmou a versão de que o cadáver encontrado é mesmo do apresentador esportivo.





04/07/2016
PGR investiga presidente do STJ

A Procuradoria-Geral da República está aprofundando as investigações sobre o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Francisco Falcão, por suspeitas de que a offshore LLC Areia Branca, aberta há dez anos em Miami em nome de Djaci Falcão, ex-ministro do STF e pai do presidente do STJ, seja usada para ocultação de patrimônio. A informação é da coluna de Lauro Jardim, na edição de O Globo de domingo.

A Areia Branca tem como sócio Djaci Neto, advogado e filho do presidente do STJ. Djaci pai morreu há quatro anos, mas responde pela empresa até hoje, de acordo com os procuradores. Há também investigações sobre imóveis no exterior (apartamento e escritório) com valores acima de US$ 3 milhões, todos em nome de parentes de Francisco Falcão, segundo Lauro Jardim.

"Não existe nada disso. Meu pai nunca teve conta ou empresa no exterior. Meu filho tem, sim, mas está tudo declarado no Imposto de Renda dele. Não tenho nada com essa offshore. Aliás, nem sei o que é offshore. O que é uma offshore?", respondeu perguntando o presidente do STJ.





04/07/2016
O prefeito não engole o PMDB

Em princípio o PMDB de Henrique Eduardo Alves poderá indicar o vice na chapa do primo Carlos Eduardo Alves (PDT). A opção está na mídia faz tempo, mas a questão é que entre quatro paredes o prefeito de Natal procura um jeito de se desgrudar do partido da família, principalmente por causa dos efeitos da Operação Lava Jato.

Os nomes para compor com ele estão na ordem do dia: Hermano Morais, Álvaro Dias, Marcelo Queiroz, Fred Queiroz... No entanto, Carlos se nega a bater o martelo no prego, que continua com a ponta esticada como que apontando para as incertezas de uma aliança que pode contaminar sua campanha.

Não se espantem caso o PMDB lance um candidato próprio a prefeito. E aí há duas leituras para Carlos Eduardo: por um lado, se livra do possível prejuízo de imagem, mas por outro atira no contexto mais uma candidatura que pode garantir o segundo turno, um perigo para sua reeleição.





02/07/2016
Milhares em Londres contra o Brexit

Milhares de pessoas realizam neste sábado, em Londres, a "Marcha pela Europa", uma manifestação de repulsa ao resultado do referendo de 23 de junho que decidiu pelo afastamento do Reino Unido da União Europeia.

A passeata se iniciou ao meio-dia (9h em Brasília) no Park Lane e avançou em direção à praça do Parlamento Britânico, atravessando o centro da capital inglesa. Duas palavras de ordem se destacam na multidão, "UE, te quero" e "Esperança em lugar do òdio".

Alguns curtos discursos pelo caminho pedem que o Parlamento use sua soberania para salvar a Inglaterra da crise. Segundo setores da imprensa londrina, muitos eleitores que votaram em favor do "Brexit" já se arrependeram e estão agora no meio da marcha.





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