BLOG DO ALEX MEDEIROS

04/05/2017
Macron vence último debate

No último debate presidencial na França entre Emmanuel Macron e Marine Le Pen, o candidato do Em Movimento foi considerado o mais convincente por 63% dos telespectadores em uma pesquisa feita pela emissora pública "BFM TV".

Além disso, os 1.314 entrevistados destacaram que ele foi "mais honesto", mais "alinhado" com o pensamento dos eleitores e tem "os melhores planos". Outras pesquisas feitas pelos principais jornais franceses com seus leitores apontaram que o candidato centrista foi melhor do que a líder ultranacionalista.

O debate entre os dois, que foi definido pela imprensa francesa como uma "luta de boxe", reuniu mais de 15,1 milhões de pessoas em frente à TV no país. O número só é menor daquele realizado em 2012, entre Nicolas Sarkozy e François Hollande, quando 17,8 milhões de telespectadores acompanharam a conversa.

O tom agressivo do confronto foi o destaque da imprensa francesa, que considerou algo inédito nessa fase da corrida eleitoral. Atacado por ter feito parte do governo de Hollande, Macron disse após o debate que "precisou se defender" e esclarecer as "mentiras" que o partido de Le Pen, a Frente Nacional, publica nas redes sociais.

Entre algumas das "mentiras", segundo o candidato de centro, está a de que ele teria contas escondidas ou empresas offshores nas Bahamas. Por conta disso, seu comitê avalia abrir um processo contra Le Pen. A candidata, por sua vez, disse que "não tem provas" sobre uma possível conta dele nas Bahamas, mas "que não quis fazer uma insinuação".

Os franceses vão às urnas neste domingo (7) para definir quem será o próximo presidente da França. As últimas pesquisas de opinião, publicadas antes do debate, mostram que Macron tem 59% das intenções de voto contra 41% de Le Pen.





04/05/2017
Ezequiel quer campanha educativa sobre rotatórias

As rotatórias são importantes instrumentos viários que foram criadas para a organização do trânsito nos cruzamentos com grande fluxo, para reduzir a velocidade dos carros e minimizar os conflitos de preferenciais nas vias públicas. Os benefícios são o baixo custo de instalação, redução no consumo de combustível e possibilidade de seguir em qualquer direção. No entanto, muitos motoristas, mesmo experientes, ainda se confundem com as regras de circulação quanto à preferência de passagem e geram acidentes nesses locais.

Preocupado com o crescente número de ocorrências nas rotatórias instaladas no Estado, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB) decidiu solicitar do Governador Robinson Faria (PSD) e do diretor geral do DETRAN, Júlio César Câmara a realização de campanha educativa sobre o uso correto desses equipamentos.

"As rotatórias são uma eficiente solução para disciplinar o fluxo de veículos nas áreas críticas do sistema viário, onde não existem os semáforos, além de organizar o tráfego nas interseções formadas por ruas, avenidas ou rodovias conectadas. O significativo aumento de acidentes nesses locais fez com que solicitasse essa ação educativa, que tem o objetivo de orientar os condutores e conscientizá-los sobre a importância de respeitar a sinalização", afirma o deputado Ezequiel Ferreira.

O cumprimento da sinalização por parte dos condutores já seria suficiente para resolver esses pequenos embates de preferência. Praticamente todas as rotatórias das cidades devem ter uma placa de "Pare" em frente a cada um dos entroncamentos.

De acordo com o artigo 29 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às seguintes normas. Quando veículos, transitando por fluxos que se cruzem, se aproximarem de local não sinalizado, terá preferência de passagem: a) no caso de apenas um fluxo ser proveniente de rodovia, aquele que estiver circulando por ela; b) no caso de rotatória, aquele que estiver circulando por ela; c) nos demais casos, o que vier pela direita do condutor. Em resumo a regra é: tem preferência àquele que estiver circulando na rotatória.





03/05/2017
Meu ano dos livros

Concluídos dois dos três livros que imagino conseguir lançar ainda em 2017. O primeiro e o segundo estão praticamente prontos para impressão, o terceiro (mais complicado no aspecto gráfico) demora mais.

Começo de junho e metade de julho espero lançar "Amar é só uma Frase", um apanhado de versos hai-kais que venho postando nas redes sociais. A edição do livro é de Mário Ivo, que caprichou no projeto para que se transformasse num belo presente de Dia dos Namorados. 

Depois vem "80 Tons de Alice", um livro mais recheado de poemas em vários estilos, desde versos livres, decassílabos, sonetos, quadrinhas e hai-kais. Versa sobre uma viagem emocional do poeta reproduzindo na vida real um arquétipo da personagem imortal de Lewis Carrol.

O terceiro livro, que provavelmente só saia no final do ano, é um trabalho de fôlego que iniciei em 2006 numa conversa no estúdio do cartunista Ziraldo, no Rio de Janeiro. São 235 crônicas enaltecendo os maiores craques da história do futebol desde 1863, ano oficial do início de um campeonato na Inglaterra.





02/05/2017
José Dias defende reforma trabalhista

O deputado José Dias voltou a defender a reforma trabalhista, aprovada pela Câmara Federal no dia 27 de abril. Para ele, as mudanças são necessárias e não violarão o direito do trabalhador, como alguns defendem. O parlamentar, em pronunciamento na Assembleia Legislativa nesta terça-feira (2), falou sobre a situação econômica do país, sobre os protestos do último dia 28 e disse esperar que a matéria seja aprovada no Senado Federal.

"As pessoas deveriam ler e entender que a reforma, proposta pelo Governo Federal, não irá, de forma alguma, violar os direitos dos trabalhadores. Ao contrário, qualquer um verá que ela é positiva e necessária para o desenvolvimento do País", disse o deputado.

José Dias citou algumas mudanças com a reforma, como por exemplo a que acaba a obrigatoriedade do imposto sindical e reduz a força tutelar dos sindicatos. "No Brasil, existem 17 mil sindicatos. Em países da Europa, existem apenas 60 ou 80 entidades como essa. Nos Estados Unidos, por exemplo, só tem cerca de 100 sindicatos", disse ele.

Relatando a situação econômica do país e a desigualdade social, o parlamentar disse que o Brasil "é a ilha do atraso", apesar das riquezas naturais, situação geográfica e dimensões territoriais privilegiadas. "Não sabemos aproveitar esse potencial", lamentou Dias. Ele chamou de "desumano" o fato de o trabalhador público se aposentar com teto de R$ 33 mil, enquanto o trabalhador na iniciativa privada tem um teto pouco mais de R$ 4 mil e defendeu também a Reforma Previdenciária.

José Dias lamentou o número de desempregados no país. "São 14 milhões de brasileiros desempregados e 20 milhões com subemprego sem relação formal com o empregador. Essa reforma não irá nos igualar aos países desenvolvidos, mas irá diminuir as injustiças".

O deputado ainda relatou os protestos ocorridos no dia 28 de abril. "Para mim, foi uma esculhambação geral. O Brasil parou não porque os trabalhadores decidiram, voluntariamente, paralisar. O Brasil parou porque grupos organizados usando táticas de guerrilhas interditaram avenidas e impediram trabalhadores de chegarem ao trabalho", disse.

José Dias finalizou seu discurso enaltecendo o presidente da República, Michel Temer (PMDB). "Não sou do partido do presidente, mas sou dos que reconhecem o desprendimento do presidente da defesa que ele faz ao que julga ser necessário para salvar o país", concluiu.





30/04/2017
Nosso ídolo ainda é o mesmo

O clima cultural de São Paulo, naquele começo de anos 80, estava dominado pelos ventos que sopravam novidades no rock nacional com a nova pegada dos muitos grupos que surgiam sem parar. E também pelo fator local da então geração do Teatro Lira Paulistana, aberto em 1979 em Pinheiros.

Sem qualquer suspeita de que dali a dois anos eu mesmo estaria vivendo na grande Paulicéia, desembarquei do ônibus no Terminal do Tietê, na companhia do amigo Carlos Soares, e fomos gozar da hospedagem e da gentileza da socióloga Salete Machado, que eu conhecia quando da sua passagem como professora pela UFRN.

Lembro que na saída de Natal, alguns colegas que participavam da organização do saudoso Festival de Artes do Forte dos Reis Magos me sugeriram procurar contato com nomes da Lira, como Itamar Assunção, Cida Moreira e Arrigo Barnabé, o maior expoente do movimento musical.

Estávamos bem perto da cena do crime, posto que o apartamento ficava a poucos metros da Praça Benedito Calixto, local do teatro. Lembro que praticamente assistimos o nascimento da hoje gigantesca feira de artes e antiguidades do bairro, fomos testemunhas das primeiras barraquinhas instaladas por ali.

Enquanto rodávamos pelas galerias de arte, sebos e botecos da moda, passávamos horas no recém-inaugurado Centro Cultural Vergueiro, na rua homônima, respirando o ar das novas tendências musicais representadas nas canções da Blitz, Ultrage a Rigor, Legião Urbana, Cazuza e outros que os frequentadores ouviam. E tinha, claro, a turma do Arrigo.

Carlos Soares procurava contatos para expor suas telas, aí alguém soprou pra gente que o cantor Belchior curtia artes plásticas e tinha um espírito de mecenato com os jovens artistas. Logo, tínhamos o endereço do poeta que mais influenciou minha geração com suas músicas: Rua México, no bairro Brooklin.

Não tive dúvidas. Falei pra meu amigo que se havia um nome a ser contatado para um pulo em Natal e cantar na fortaleza, este era Belchior. Maior que a soma de todos os outros nomes que me foram sugeridos. Era um ícone da minha rebeldia juvenil; na adolescência, meus cabelos cresceram regados em seus versos.

Dividindo a moradia com o cantor piauiense Jorge Melo, que se incorporou à onda cearense que invadiu o País com Fagner, Ednardo e outros, Belchior foi de uma enorme delicadeza na recepção aos dois garotos natalenses que desceram do norte pra cidade grande. Os olhos de Carlos se abuguelaram com o comentário do compositor sobre suas pinturas: "Pia, Jorge, o cara é artista mermo!".

Menos sorte tive eu e a galera do Festiva de Artes. Belchior não poderia, mesmo que houvesse cachê e o escambau, vir a Natal no fim do ano, pois tinha compromisso pessoal em Londres, onde iria buscar algumas primeiras edições de velhos e clássicos livros. Naquele tempo, entrava até em leilão em busca de edições número um de grandes autores da literatura. E Jorge Melo colecionava partituras de bandinhas de coretos de interior.

Desde então, nunca mais Belchior deixou de ser um dos principais artistas do meu culto musical. Cada passo que dei na vida está registrado, de alguma forma nas suas canções; poucos como ele fizeram tão bem a leitura poética e a prosa sociológica da minha geração e da anterior.

Seu cartão de apresentação para mim, ainda moleque no bairro das Quintas, foi "Apalo Seco", na voz de Fagner que eu ouvia na velha Rádio Rural e depois no programa de Big Terto, nosso Tertuliano Pinheiro, acho que na Rádio Nordeste (onde estive imprensado numa multidão para ver Rita Lee in loco).

E logo veio "Apenas um rapaz latino americano", que saltou do rádio caseiro e ganhou os altofalantes dos ônibus, evidentemente quando um motorista mais sensível não mudava a emissora. O percurso com Belchior até à Escola Winston Churchill se transformava numa viagem astral, se é que vocês me entendem.

Mas, nenhuma música dele ficou incrustada por tanto tempo em mim do que "Coração selvagem", faixa que deu nome ao disco de 1977. A balada amorosa teve uma profunda influência no meu jeito de me relacionar com as mulheres e na feitura da minha poesia. Impossível não umedecer os olhos ao ouvi-la.

"Mas quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar, que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar, tempo para ouvir o rádio do carro, tempo para a turma do outro bairro ver e saber que eu te amo". Alguém da minha geração é capaz de negar três vezes que já passou por isso?

A morte de Belchior abre um buraco na MPB e cava um vazio enorme nos seus fãs. Foi o poeta maior das nossas rebeldias e sonhos quase impossíveis. Olho para trás, no espelho dele, e revejo minha juventude embalada em seu canto. Há algum tempo, ele estava muito cansado com o peso da cabeça, viveu entre o sonho e o som.

Sem ele, como podemos pedir uma balada nova falando de brotos e coisas assim? Resta a lembrança das camisas sujas de batom, mesmo que o passado seja uma roupa que não nos serve mais. Vai, Belchior, ser black bird no caminho de volta às estrelas. E obrigado por nos ensinar que é preciso sempre rejuvenescer.





30/04/2017
100 dias de Trump

Ao completar 100 dias como mandatário dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump disse em entrevista à Reuters que achou que o trabalho como presidente seria mais fácil e que sente falta da sua "antiga vida".

Nos mais de três meses que está no cargo, o republicano disse que sente falta de coisas simples, como dirigir. Ele assumiu em 20 de janeiro e é o 45º presidente dos EUA.

"Eu amava a minha vida anterior. Eu tinha tantas coisas. Isso (a presidência) dá muito mais trabalho do que aquilo que fazia antes. Eu pensei que poderia ser mais fácil. Você realmente fica preso em um pequeno casulo, porque existe uma segurança maciça e você não consegue ir a lugar algum. Eu gosto de dirigir e não posso mais", disse, em tom de desabafo.

Trump também tocou em assuntos espinhosos, como a tensão com a Coreia do Norte e afirmou que há chances de haver um confronto "muito, muito grande" com o país asiático.

Segundo o republicano, o comportamento do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, é complicado. "Ele tem 27 anos, seu pai morre, então toma o poder e, assim, fala o que quer. Mas não é tão fácil assim, especialmente com esta idade. Você sabe que têm muitos generais lá e muitas outras pessoas que gostariam de fazer o que ele está fazendo. Não estou dando crédito a ele. Só estou afirmando que é uma coisa muito difícil de fazer. Quanto a saber se ele é ou não racional, não tenho opinião sobre isso. Espero que seja racional."

Donald Trump também foi enfático ao falar sobre o combate ao terrorismo islâmico, uma de suas principais bandeiras na corrida eleitoral, quando derrotou a democrata Hillary Clinton.

"Nós não podemos deixá-los vir aqui (EUA). Eu tenho que dizer, existe um fim. E tem que ser a humilhação. Caso contrário, é realmente difícil (que haja um fim). Estamos realmente erradicando algumas pessoas muito ruins. Quando você dá uma olhada no que está acontecendo, com o corte das cabeças... Nós não vimos isso desde tempos medievais. Certo?", disse.

Trump também disse ser injusto o tratamento que seu país está recebendo pelo Acordo Climático de Paris e declarou que vai anunciar uma decisão em duas semanas sobre a permanência dos EUA no pacto. A saída do acordo também era uma das promessas eleitorais, já que, para ele, as posições assumidas pelo governo de Barack Obama no acordo prejudicam a economia americana.





30/04/2017
O fator Palocci

Homem forte dos governos Lula e Dilma, Antonio Palocci pretende delatar informações comprometedoras contra esses governantes. A informação é destaque na edição da revista Isto É que começou a circular nesta sexta-feira. A publicação afirma ter feito contato com três fontes diferentes que tiveram acesso ao resumo do que o ex-ministro. Ele está preso numa cela em Curitiba desde o ano passado, devido à Operação Lava-Jato.Entre as revelações que o ex-ministro fará, segundo a revista:

- Palocci confirmará que é mesmo o "Italiano" das planilhas da Odebrecht e detalhará o destino de mais de R$ 300 milhões recebidos da empreiteira em forma de propina, dos quais R$ 128 milhões são atribuídos a ele.

- Contará como, quando e em quais circunstâncias movimentou os R$ 40 milhões de uma conta-propina destinada a atender as demandas de Lula. Quem teria sacado o dinheiro e entregue para Lula é um ex-assessor seu, o sociólogo Branislav Kontic, também preso pela Lava-Jato. Havia, por exemplo, uma senha, que apenas os três sabiam.

- Palocci está também disposto a revelar, segundo a Isto É, como foram obtidos R$ 50 milhões para a campanha presidencial de Dilma, num negócio fechado entre o PT e a Odebrecht, com a ajuda de Lula e do ex-ministro Guido Mantega. Palocci contratou esta semana um especialista em delação premiada, o advogado Adriano Bretas.





28/04/2017
No impressionismo do amor

Vinte anos. Parece que foi ontem. A enfermeira carregando o pacotinho de lençol e lá dentro o menininho bicolor em branco e rosa, os olhinhos entreabertos no primeiro contato com o mundo do lado de fora do ventre materno.

Do primeiro impacto de emoção e alegria, o primeiro susto. De repente, o rosa foi mudando para um quase roxo. Um contratempo respiratório que logo foi contornado pela agilidade da moça que eu nunca soube o nome.

O nome foi tirado, sim, do célebre pintor francês, Pierre Auguste Renoir. Aí virou Renoir Martins Medeiros, primeiro filho da mamãe estreante e terceiro do papai já viajado em fraldas e banhos mornos.

Nas primeiras horas, o apartamento da maternidade se tornou uma galeria de arte em miniatura. Micro cópias de obras de Renoir, impressas em papel vegetal, foram anexadas em bombons e chocolates como brindes aos amigos que foram lá conferir a vernissage do nascimento.

Sim. É hoje. Exatos vinte anos depois. O menino cresceu, criou barba, entrou na faculdade aos 16 anos pensando em fazer neurociência ou engenharia biomédica (optou pela segunda). Um dos tios, Graco, foi quem notou a diferença familiar no resultado do ENEM: "Porra, um neto de Seu Luiz vazou pra Exatas?". Foi. Os irmãos e primos da linhagem paterna enveredaram por Humanas.

Alguns traços físicos comigo são diametralmente opostos nas semelhanças emocionais. O jovem que eu fui não amarra os tênis dele na atenção com os estudos. Ah, não esperem brechas permanentes na sua agenda para compromissos que não sejam importantes. Desocupado é o pai.

Renoir é minha obra amorosa que as artes nunca permitiram. Surgiu quando eu já havia abdicado de poesia e publicidade. Mas logo depois, sua presença contribuiu de forma essencial para a retomada da literatura, quando voltei a produzir crônicas como nos tempos de bad boy.

Na sua infância, quando aderiu aos jogos de computadores, uma canção do K-Pop (termo que remete às bandas e artistas jovens da Coreia do Sul) que era trilha sonora de um dos seus games favoritos inundava a casa. Não lembro o nome da garota coreana que cantava.

Eu passei a gostar da música e quando dei por mim estava condicionado a produzir os textos de manhã cedo ouvindo, de modo que quando Renoir acordava tarde me provocava o temido "branco" que apavora redatores. Num livro que terminei e que terá 235 crônicas, podem por na conta do meu menino parte da inspiração.

Meus amigos sabem como sou abestalhado por meus filhos. São a parte vital que alimenta meus momentos de sorrisos e palhaçadas. O lado ranzinza pertence à rejeição que tenho do mundo, às vezes. Numa das vezes em que meu caçulinha contribuiu para encher de graça minha sala, foi quando reuni amigos para ver futebol, final dos anos 90, acho.

Um dos amigos se interessou pelos quadros nas paredes da sala. Expliquei um a um o estilo e os autores, até que disparei: "mas lá dentro eu tenho um Renoir original". Meu amigo quase engasga no gole de uísque com tamanha revelação. Aí quando eu gritei o nome do artista francês, surgiu correndo o pivetinho, chupeta na boca e brinquedos nas mãos.

Aquela imagem de Renoir só de fraldas, rindo para os confrades na sala, é o quadro mais impressionista das minhas lembranças da sua infância. E ele agora, aos vinte anos, é a tinta mais forte do meu renascentismo diário.





28/04/2017
Bill Cosby confirma cegueira

Após mais de dois anos sem conceder nenhuma entrevista, o ator Bill Cosby confirmou ao site NNPA Newsswire que ficou completamente cego. Ele recordou do dia em que despertou e disse à sua esposa: "não posso ver". Posteriormente, os médicos confirmaram que a doença do artista não tinha cura.

Cosby deixou de atuar em dezembro de 2015, e no ano seguinte enfrentou um processo judicial após ser denunciado por assédio sexual. Em torno de 50 mulheres disseram ter tido algum tipo de abordagem indevida, mas o ator não foi processado, pois seus advogados provaram na Justiça que ele era totalmente cego. Sua filha chegou a publicar uma carta defendendo a inocência do pai.

Ele foi o primeiro ator negro a atuar como protagonista numa série de TV nos EUA, na produção I Spy, da rede NBC, nos anos 1960. Depois se consagrou cantando e fez história com a comédia The Bill Cosby Show e com a série Fat Albert.

Atravessou as décadas de 70, 80 e 90 com atuações de altos e baixos, mas nunca deixou de estar em evidência na mídia, principalmente pelos posicionamentos políticos que dividiu expoentes negros nos EUA. Criticou as celebridades negras que priorizavam apenas esportes, moda e culto ao corpo, e foi criticado por desprezar em seus discursos situações socias que atrasam a formação de jovens negros.





28/04/2017
A greve dos barnabés

Segundo dados oficiais do IBGE e outras instituições, o Brasil está com 14 milhões de desempregados, um volume que supera a população de muitos países.

Nesse oceano de gente sem esperança de estabilidade, há um dado que poucos comentam, nem mesmo a imprensa: não há um só funcionário público compondo a triste estatística. Porque estes não perdem o emprego, não importa o tamanho da crise nem o inchaço da máquina pública.

Pois bem, no momento em que a organização criminosa PT e seus tentáculos como a CUT e MST, com apoio das universidades públicas e da igreja católica, realizam piquetes e badernas para impedir o povo de trabalhar, constata-se que os protagonistas da famigerada greve geral são todos servidores públicos.

São eles, com o empreguinho garantido no dinheiro do erário, que estão nas portas das fábricas, das empresas privadas, impedindo o trabalhador de entrar no local de trabalho. Passarão o dia farreando nas avenidas fazendo da greve o princípio de mais um feriadão e parasitismo. Cegos seguidores da ideologia do atraso.

Enquanto isso, as reformas estão passando no Congresso, anunciando o fim das regalias dos sindicatos na modernidade de novas leis trabalhistas alinhadas com o novo mundo onde já não cabem teses historicamente apodrecidas no túmulo do socialismo e do comunismo.





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