BLOG DO ALEX MEDEIROS

31/08/2018
O legado de Onã e a moral

Morrer aos 17 anos, ficar cego antes dos 30, gerar um balaio de milacrias nas genitais e contaminar até a saúde do coração. Tais coisas seriam as consequências, os riscos reais, para aqueles que se tornam devotos de Onã, o neto de Jacó que provocou o termo onanismo, sinônimo da masturbação.

Eu disse "seriam" porque só são, pelo menos, para um estranho manual publicado na França em 1830 e que traz na capa o enigmático título "Livro sem Nome", como que referindo "en passant" ao gesto do "coitus interruptus" de Onã na relação com Tamar, a irmã viúva do seu irmão, como conta o Gênesis.

O manual narra em pequenos cartazes, chamados de selos, a desventura de um jovem solitário em Dakota do Sul (EUA) numa cruzada (trocadilho involuntário) constante que se torna letal, onde ele entra numa espiral de decadência física. O ato é comparado aos grandes vícios químicos da época.

Aqueles tempos do século 19 ainda eram bastante influenciados pela moral de décadas anteriores e mantinham em evidência os discursos religiosos e médicos que apontavam a velha e popular punheta como uma degeneração do corpo e uma perdição da alma. Os guardiões da moral só pensavam naquilo.

A Era Vitoriana, por exemplo, produziu muitas lições didáticas condenando a masturbação e dando dimensões apocalípticas aos danos físicos, ao enorme número de doenças provocadas, e, principalmente, à condenação da alma por um pecado que, apesar de não enquadrado nos mortais era quase isso.

Já no alvorecer do século XX, o ato de fazer justiça ao prazer com as próprias mãos passou a ser combatido com argumentos científicos, através de gravuras que ilustravam consultórios médicos. Nas escolas, havia caças aos meninos assanhados, candidatos a contrair "oftalmia espermotréica", a cegueira.

O velho e hoje esquecido manual francês passou a insignificância com o avanço dos estudos psicológicos, a força de uma literatura emergente nos chamados anos perdidos e os primeiros indícios da revolução sexual que explodiria nos anos 1960. Some-se a tudo os conceitos da psicanálise.

Das personalidades com peso na formação de uma consciência coletiva, Sigmund Freud foi o primeiro a usar uma visão não condenatória e apontar argumentos racionais e biológicos. Chamou de um grande hábito oriundo de uma necessitava primitiva. E influenciou outros doutores em torno dele.

O psiquiatra de origens austríaca e ucraniana, Wilhelm Stekel, que colaborou com Freud vários anos, publicou em 1920 o livro Impotência Masculina, onde aborda perturbações psíquicas na função sexual, mas absolvendo a masturbação da acusação de causa de doenças físicas ou psicológicas.

Os anos 1960 e 1970, que provocaram profundas mudanças no comportamento humano, nos campos político, social, cultural e sexual, inseriram a masturbação no cenário da fantasia erótica, dissolvendo a sombra de preconceito e pecado. A via solitária emplacou na mão e contramão.

Se duas décadas antes o poeta James Joyce já tinha enaltecido a serventia do ato, lembrando que "estava sempre à nossa mão", o cineasta Woddy Allen ilustrou apelando para ninguém desprezar, já que era "fazer sexo com a pessoa que você mais ama". Minha geração viveu a tara nas revistas, com coelhinhas e estrelas de cinema capazes de cegar a gota serena.





28/08/2018
Pedro Dirceu Caroço

O ano de 1975 começou com o presidente da República Ernesto Geisel nominando e nomeando os governadores dos estados (eleição direta só viria em 1982) e planejando com seu chefe da Casa Civil, general Golbery, uma abertura "lenta, gradual e segura" para uma retomada democrática no Brasil.

Ao entregar a Golbery do Couto e Silva as rédeas da abertura, Geisel unia sua intenção de amenizar o extremismo do regime (que combatia o extremismo da esquerda) à confiabilidade que seu principal auxiliar oferecia aos setores democráticos, tais como o MDB, o PCB e os movimentos operários de SP.

Naquele ano, o sindicalista Luiz Inácio da Silva dava os primeiros passos para se tornar Lula elegendo-se presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, contando com o apoio de trabalhadores e patrões, e tendo o auxílio tático e clandestino de Golbery e dos empresários Wolfgang Sauer e Mário Garnero, da Volks.

A abertura de Geisel seguiu em frente até o fim do seu governo, ganhando até um programa na TV Tupi, batizado de Abertura e apresentado por Gláuber Rocha, que malgrado a cara feia dos leninistas entrevistou Golbery e o chamou de "gênio da raça". A esquerda batizou o general como "bruxo da ditadura".

Em 1975, muita gente ainda estava exilada fora do país - a maioria retornaria a partir de 1979 quando Geisel assinou a anistia "ampla, geral e irrestrita". Mas um ex-líder estudantil acusado por terrorismo achou por bem voltar de Cuba naquele primeiro ano do quarto presidente militar. E foi se instalar no Paraná.

O mineiro José Dirceu de Oliveira e Silva, então com 29 anos, fez plástica em Havana e entrou na cidade de Cruzeiro do Oeste com a nova identidade de Carlos Henrique Gouveia de Mello. As duas primeiras providências foram arrumar jeito de ganhar dinheiro e encontrar uma companheira pra recomeçar.

Botou o olho em Clara Becker, uma viuvinha de 34 anos que administrava uma loja de roupas. Naquele ano, as rádios do país tocavam o sucesso de Genival Lacerda, "Severina Xique-Xique", composição de João Gonçalves, poeta de Campina Grande muitas vezes censurado pelas letras de duplo sentido.

A letra cantava, "Pedro Caroço, filho de Zé Fagamela, passa o dia na esquina fazendo aceno pra ela; ele tá de olho é na boutique dela". O enredo da canção, com a dona da boutique sendo paquerada, caiu como uma luva. Os moradores de Cruzeiro do Oeste apelidaram o tal Carlos Henrique de "Pedro Caroço".

Escondido no interior paranaense, Dirceu ouviu e leu as notícias sobre a morte de Lúcio Flávio, o bandido mais procurado e charmoso do Rio de Janeiro. E lembrou de quando atiçava estudantes nas ruas paulistanas. Naquele 1975, poderia ter lido o livro "Vigiar e Punir", lançado pelo filósofo Michel Foulcaut.

Pensando na reconstrução, ensaiando vida com Clara, cabia melhor a leitura de "A Família Constrói o Mundo", lançado em São Paulo pelo arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns. Afinal, até o maluco Raul Seixas casaria em 75 cantando ironia contra moderninhos: "mas pra eles é careta se alguém falar de amor".

Em 2018, no dia 4 de setembro, em plena Semana da Pátria, o mentor petista lança "Zé Dirceu - Memórias", que escreveu numa cadeia do mesmo Paraná onde buscou refazer o caminho da militância delinquente travestida de revolução. Fala das decepções com Lula e insulta ministros do Supremo.

Uma das mágoas tem dosagem de ciúmes; quando Lula o substituiu por José Genoíno no discurso da festa da vitória, em 2003. No documentário Entreatos, que João Moreira Salles fez durante a campanha, fica claro que Dirceu era o único com ascendência sobre o presidente. Era outra vez o "Pedro Caroço".





27/08/2018
Silêncio nada inocente

Curo ressaca me deitando de frente para a televisão, fazendo cansar os olhos na leitura das legendas de algum filme. E quando a ressaca me traz a insônia, busco retomar o sono do mesmo jeito. Quebrantar as pálpebras e cansar os olhos são partes do moto contínuo das noites de ressaca e insônia, invariavelmente com um filme no meio.

Na madrugada da quinta-feira passada, revi O Silêncio dos Inocentes, com Anthony Hopkins e Jodie Foster, disponível no serviço de streaming da Amazon, o Prime Vídeo. A escolha teve motivação dupla, primeiro por um fato recente, segundo pelo ano de lançamento do filme, 1991, quando lancei meu primeiro livro.

Explico: circulou nas redes sociais um flyer sobre a referência no cartaz oficial de uma arte de Salvador Dali na borboleta que cobre a boca de Foster. E quando lancei meu livro em abril de 91, viajei dois ou três meses depois para um fim de semana em Recife e assisti a estreia de O Silêncio dos Inocentes, num shopping.

É um dos grandes thrillers de terror psicológico, baseado no livro de 1988 do escritor Thomas Harris, o criador do personagem Hannibal Lecter e autor de outros romances que geraram filmes, como Domingo Negro (1975) e Dragão Vermelho (1981). Com direção de Jonathan Demme, o filme narra o difícil diálogo da agente do FBI Clarice Starling com o perigoso prisioneiro Hannibal Lecter.

O Silêncio dos Inocentes foi marcante pelas interpretações de Hopkins e Foster, que impuseram o clima de sutil violência - nas falas dele - e pavor - no olhar dela - além da própria trama do bem construído roteiro fiel ao romance de Harris. Mas há um fato que foi essencial para estabelecer a brilhante interlocução da dupla, digna das duas estatuetas do Oscar que cada um levou em 1992.

Aqueles espetaculares gestos e olhares que consagraram a tensão do relacionamento da agente com o psicopata teve o luxuoso auxílio de Anthony Hopkins, que foi magistral em fugir do script para dar a Jodie Foster a capacidade de superar o nervosismo e construir a essência psicológica do seu pergonagem.

Anos depois do filme, ambos revelaram em entrevistas distintas que na primeira cena em que Hannibal e Clarice ficam frente a frente, o ator surpreendeu todos repreendendo a atriz como se não houvesse ainda iniciado a filmagem. Conhecendo o histórico pessoal de Jodie, ele a chamou de caipira, zombou do sotaque sulista, e, antes que ela perdesse o rumo, fez olhares para que entendesse a jogada.

Jodie Foster nunca deixou de agradecer e elogiar o improviso de Anthony Hopkins que a fez encarnar perfeitamente a assustada e ao mesmo tempo determinada Clarice Starling, a jovem policial que caçou um assassino em série com a ajuda dos conselhos e dicas de um dos mais aterradores psicopatas da história do cinema.





24/08/2018
Miscigenando o homo sapiens

Os denisovanos são, junto com os neandertais, os parentes extintos mais próximos dos seres humanos, segundo ficou comprovado numa nova pesquisa realizada na Alemanha após análises dos restos de um indivíduo que teria sido fruto da relação entre ambas as espécies. O estudo foi publicado na Nature.

Os cientistas envolvidos na investigação dos restos mortais já sabiam por estudos anteriores que os neandertais e os denisovanos teriam tido filhos em algum momento histórico, mas nunca imaginaram que poderiam ter a sorte de encontrar elementos apontando uma descendência real dos dois grupos.

De acordo com reportagens publicadas ontem na Europa após a divulgação da revista Nature, a descoberta se constitui na primeira prova direta do encontro sexual entre os dois remanescentes do homo sapiens. O achado foi graças a um pequeno fragmento de osso, com dois centímetros de largura.

Isso permitiu aos pesquisadores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, situado na cidade alemã de Leipzig, analisar parte dos restos mortais. "O fragmento fazia parte de um osso e por ele podemos estimar que o indivíduo tinha 13 anos de idade", disse um dos cientistas envolvidos.

O osso, que foi encontrado em 2012 numa caverna de Denísova, na Sibéria, por cientistas russos, foi levado até Leipzig para ser submetido a uma análise genética, que comprovou se tratar de um hominídeo. O local siberiano é único do mundo onde se achou restos de denisovanos, por isso o nome.

"Um aspecto interessante deste genoma é que nos permite aprender coisas sobre as populações: os neandertais por parte da sua mãe e os denisovanos por parte do seu pai", explicou o professor Fabrizio Mafessoni, do instituto alemão e coautor do estudo que foi publicado na revista científica.

De acordo com os pesquisadores, a mãe se encontrava geneticamente mais perto dos neandertais que viviam na Europa ocidental do que dos que residiam nas cavernas de Denisova. Isto mostra que os neandertais migraram entre as Eurásias ocidental e a oriental dezenas de milhares de anos antes do seu desaparecimento.

O pai denisovano, por sua parte, tinha ao menos um antepassado neandertal em sua árvore genealógica. "Desde este genoma podemos detectar múltiplas interações anteriores entre neandertais e denisovanos", disse Benjamin Vernot, um dos investigadores.

"É surpreendente que tenhamos encontrado este menino", reconheceu Svane Pääbo, o diretor do departamento de genética evolutiva do Instituto Max Planck. "Quiçá os neandertais e os denisovanos não tiveram muitas oportunidades para se conhecer, mas quando o fizeram, devem ter se encontrado com mais frequência do que já tínhamos pensado", sentenciou.





23/08/2018
Lula e Maluf

Comparados em licença poética ou profética aos dois vizinhos de Jesus no Gólgota, os dois políticos que fizeram carreira em São Paulo encarnariam respectivamente os ladrões Dimas, o bom, e Gestas, o mau. O primeiro foi crucificado à direita do Cristo e o segundo à sua esquerda.

Na literatura apócrifa do cristianismo, o bom ladrão reconheceu Jesus e se resignou no cumprimento da pena pelos crimes. O mau ignorou o nazareno, o desafiou a salvar-se a si mesmo e era de uma extrema impenitência.

Nos dois históricos, Maluf foi bem mais digno do que Lula, assim como Dimas em relação a Gestas.





22/08/2018
O suposto abuso da assediada

A atriz e roteirista italiana Asia Argento decolou sua carreira no combustível da fama do pai, o consagrado cineasta Dario Argento. Hoje aos 42 anos, ela conta com três dezenas de filmes, tendo estreado nas telas ainda uma criança de 11 anos no thriller de terror Demônios II, do diretor Lamberto Bava, em 1986.

A partir de outubro do ano passado, o nome da artista compôs uma plêiade de estrelas de Hollywood citadas em reportagem do The New York Times como vítimas de assédio por parte do produtor Harvey Weinstein, um dos mais poderosos da indústria do cinema. Até hoje rola investigação contra ele.

As denúncias se tornaram um poderoso alicerce para a criação do movimento Time's Up (o tempo acabou), chancelado por 300 mulheres de peso midiático como Meryl Streep, Angelina Jolie, Ashley Judd, Gwyneth Paltrow, Lea Seydoux, Cate Blanchett, Natalie Portman, Gloria Steinem e Asia Argento.

Quase um ano depois da verdadeira caçada feminista aos machistas da sétima arte, o mesmo jornal de Nova York surpreendeu o mundo domingo com a revelação de que Argento molestou sexualmente um ator adolescente e negociou seu silêncio sobre o caso por 380 mil dólares. O jornal diz ter provas.

O ator Jimmy Bennett, hoje com 22 anos, acusa a atriz de tê-lo assediado e molestado em 2013, quando ele havia completado 17 anos, num hotel da Califórnia, estado em que a idade legal de consentimento sexual é de 18 anos. Asia conheceu Jimmy quando ele tinha 8 anos, no filme Maldito Coração.

Ao saber da matéria do NYT, ela divulgou um comunicado através da assessoria, rechaçando o conteúdo da notícia e negando qualquer contato íntimo com o ator. "Nunca tive relação sexual com Bennett. Estou profundamente afetada pela leitura da reportagem absolutamente equivocada".

Argento disse também que não há mais remédio para as pessoas contestarem as mentiras e protegerem-se em todos os sentidos. Segundo o jornal, o ator que também é músico de rock garante que foi agredido sexualmente num quarto de hotel. Fotos do casal foram enviadas anonimamente à redação.

A atriz, entretanto, não nega haver dado dinheiro ao jovem ator, mas assegura que o fez com o único propósito de ajudá-lo economicamente quando ele se encontrava com dificuldades financeiras. O advogado de Argento acusa Bennett de ter chantageado o falecido namorado dela, o chef Anthony Bourdain, a quem o ator exigia altas somas para não expor a atriz.





21/08/2018
As patranhas dos petralhas

Aí o Fernando Haddad, com aquela mesma cerimônia abilolada de quando tomou uma surra do janota João Dória, foi às redes sociais e sentenciou: "É muito raro que um Estado desafie as Nações Unidas. Uma decisão que tem peso sobre nosso ordenamento jurídico. Essa decisão da ONU é de garantia do regime democrático".

Poucas horas depois espocou a luz da verdade no pântano da mentira em que o Partido dos Trabalhadores acostumou-se a mergulhar na tentativa de fazer valer seus desejos politiqueiros, capazes de lançar inveja sobre os mais delinquentes partidos que ilustram o tecido criminal da República.

A decantada declaração do "Conselho de Direitos Humanos da ONU" em favor da legitimação da candidatura de Lula era tão somente um simulacro de direito internacional, era um insosso e inodoro panfleto de um reles comitê de militantes políticos e jurídicos em rito de inquilinato informal.

Mais uma invencionice dos dirigentes e advogados do PT para enganar desavisados e ao mesmo tempo dar aviso de sonho delirante aos fanáticos seguidores de Lula. Outra balela compondo a tabela periódica das patranhas dos petistas, uma nova mentira para ser repetida à exaustão como ensinou o mentor publicitário do nazismo (primo do comunismo), Joseph Goebbels.

Assim como já acontecera com outros tantos "fake news" paridos no coletivo doentio da Orcrim, a petralhada danou-se a ecoar na internet o fajuto documento com a verborragia de sempre, maquiando de importância. Mais uma vez, Gleisi Hoffmann postou latidos virtuais como faz com todas as notícias falsas fabricadas em favor do seu condenado favorito.

Já havia feito isso com a piada da indicação de Lula ao Prêmio Nobel da Paz, fato defecado na demência intelectual do argentino Adolfo Esquivel, uma versão arquitetônica de um famigerado cientista brasileiro, ambos ridicularizados em seus ambientes profissionais pelo conjunto da obra politicamente escatológica e pelo perfil temperamental de loroteiros.

Houve também o risível caso do terço abençoado pelo papa Francisco, noticiado dias antes da Copa da Rússia no próprio perfil de Lula no Twitter. Teria sido enviado para o petista pelas mãos de outro maluco argentino chamado Juan Grabois. Indagado pela imprensa, o Vaticano negou o mimo católico, um rosário que a PF não deixou entrar na carceragem de Curitiba.

No conjunto de inverdades dos petralhas, que acabam caindo no campo da piada, é difícil elencar o caso mais ridículo. Um dos espetacularmente mentirosos foi aquele que transformou Lula em colunista do maior jornal do planeta, o americano The New York Times. Pareceu ficção tirada do filme "Tanga", lançado em 1987 pelo cartunista Henfil, que, aliás, era petista.

Durante meses, jornalistas brasileiros e brasileiros residentes em Nova York buscavam a cara de Lula nas edições do diário, sem sucesso, enquanto por aqui a militância entorpecida e doutrinada gozava a idolatria num boletim virtual que um escritório do jornal distribuía na América Latina com textos de tudo quanto é político, do Brasil a Porto Rico, da Argentina a El Salvador.

De tanto inventar e acreditar na própria mentira, o PT vai construindo seu cabedal de futilidades com o objetivo de camuflar a decadência moral, ética e política da legenda e de vários dos seus dirigentes, a maioria com uma folha policial comparada aos maiores corruptos que um dia já combateu.





12/08/2018
Nos armários da DC Comics

Em meados de 2012, quando os estúdios DC Comics decidiram atender o universo gay estampando em seus quadrinhos um super-herói saído do armário, os executivos resgataram um personagem esquecido nos anos 1940, mas com a mesma identidade de outro famoso desde 1960: Lanterna Verde.

Tratava-se do Lanterna Verde criado pela dupla Bill Finger e Martin Nodell, um ano depois da chegada do Batman e do Capitão Marvel ao mundo de aventuras onde já reinava o Superman. Com a afirmação da Era de Prata, o primeiro Lanterna, Alan Scott, perdeu popularidade para o novo, Hall Jordan.

Portanto, o super-herói do anel do poder verde, que voa pelos quadrinhos desde os anos 1960, não é o que foi inserido na fantasia lgbt e sim o que se estabeleceu como o principal Lanterna Verde, membro da Liga da Justiça e que na vida civil é piloto de avião. O outro foi um consolo politicamente correto.

Seis anos depois do ocorrido, eis que a DC Comics utiliza outra vez o mesmo expediente para dar uma satisfaçãozinha à homomilitância, dessa feita inserindo no mundo do Batman uma heroína lésbica que vestirá a roupa da Batwoman, mais um personagem secundário da sua tropa interminável.

É preciso não confundir a Batwoman com a famosa Batgirl, presença constante nas aventuras do Batman e do Robin, tanto nas revistinhas quanto na TV e cinema. Na verdade, a primeira é a tia de uma das tantas batgirls que já assumiram o auxílio sensual nas batalhas do dono da mansão Wayne.

Mary Elizabeth Kane, a Beth Kane, surgiu no contexto de Gotham City em 1961, criada pelo mesmo Bill Finger do Lanterna Verde. Tinha uma queda pelo Robin e se tornou a primeira Batgirl, sobrinha de Kathy Kane, a Batwoman. A partir de 1967, Beth deu lugar a Bárbara Gordon, a bela filha do comissário.

Nos roteiros de Gardner Fox e nos traços de Carmine Infantino, um dos gênios da Era de Prata, Bárbara se impôs como a Batgirl mais popular, e na pele da atriz Yvonne Craig se eternizou no icônico seriado do Batman na TV da década de 60, dividindo a atenção dos marmanjos com Julie Newmar, a Mulher Gato.

No final dos anos 80, surgiu uma terceira Batgirl: Cassandra, uma adolescente com deficiência na fala, lutadora de artes marciais. A quarta foi Stephanie, também chamada "Salteadora". Nos percursos e percalços dos roteiros do universo do morcego, Beth se tornou "Labareda" e Bárbara virou "Oráculo".

Quanto à Batwoman, que desde 1956 esteve em segundo plano nas aventuras do Cavaleiro das Trevas, acaba de ganhar espaço numa série de TV e será interpretada pela atriz australiana Ruby Rose, que tem na vida real todos os motivos e estímulos para dar um perfil lésbico à personagem resgatada.

Ruby se assumiu homossexual com apenas 12 anos, sofreu bullying nas escolas que nunca conseguiu permanecer e foi estuprada por um parente. Em entrevistas depois de anunciada como Batwoman, ela disse estar realizando um sonho de criança. A atriz se divide entre a dramaturgia e a militância lgbt.





09/08/2018
Música é a melhor notícia

O slogan da rede CBN é "a rádio que toca notícias". Desde sua inauguração, no final de 1991, tem sido a única sintonia radiofônica que tenho no som do carro. Se não a estou ouvindo é porque as opções CD e pen-drive estão em uso. Aliás, no quesito música prefiro a CBN a qualquer outra emissora.

Como outros milhões de ouvintes espalhados pelo país, sou viciado no programa Sala de Música, apresentado por João Marcello, o filho da cantora Elis Regina com o jornalista e produtor cultural Ronaldo Bôscoli. No final da tarde, ele bate um papo com Tatiana Vasconcellos e Fernando Andrade.

A conversa, descontraída e animada, se dá em torno de uma canção que o primogênito da Pimentinha pesquisou e escolheu para comentar com os parceiros e os ouvintes. É uma primorosa aula historiando a composição e gravação da obra e muito também sobre a vida e carreira do autor ou cantor.

Tudo que é gênero desfila nos poucos minutos em que o trio exibe o bom gosto musical do programa, de rock a bossa nova, de jazz a chorinho, de samba de raiz a forró de pé de serra. O atavismo sonoro presente em João Marcello, um atento ouvido desde o ventre, enriquece a música além do que já sabíamos.

Um ecletismo sem preconceito está presente na honestidade intelectual dos comentários dele. Mês passado, em dois programas que o longo percurso do carro permitiu minha audição, o rapaz saltou de Beatles para Gilliard numa naturalidade espantosa para quem aprendeu a erguer paredes preferenciais.

Primeiro, resgatando um papo do dia anterior durante um happy hour com ouvintes convidados, contou sobre como a humanidade e a ciência devem aos Beatles o advento da ressonância magnética. É que a gravadora EMI tinha também um setor de pesquisas médicas e desejava ler o corpo humano.

Como os recursos necessários para a empreitada eram enormes, foi graças à explosão mundial da banda de Liverpool que o faturamento permitiu o investimento para que os primeiros equipamentos de ressonância fossem elaborados e produzidos. Todos nós devemos essa aos Fab Four.

Na outra vez, me surpreendeu o enaltecimento de João Marcello ao cantor natalense Gilliard Cordeiro, quando pediu para Tatiana Vasconcellos mandar tocar a música "Festa dos Insetos", do começo dos anos 80, e que ficou popular no Brasil inteiro com o improvisado título "A Pulga e o Percevejo".

Versando um pouco sobre a carreira do artista, lembrou que era um cara de estilo romântico, da escola de Roberto Carlos, mas que tinha uma voz suave e bem diferente de alguns que hoje se utilizam da mamata do computador. E contou que a canção conquistou crianças e famílias na época da sua infância.

Sua experiência em estúdios garantia que aquilo era uma música bem feita, redondinha em termos de arranjos e execução, e carregada de valores eternos que poderão jogá-la no domínio público como clássicos tipo "Cai Cai Balão". É preciso entrar na Sala de Música da CBN para ouvir e cantar boas notícias.





07/08/2018
A musa do carrasco de Lennon

Quando John Lennon pisou pela primeira vez nos EUA, em 1964, havia no Texas um garoto que ao mesmo tempo que assistia os Beatles no programa Ed Sullivan Show via o pai espancar a mãe. No dia que Elvis Presley morreu, em 1977, o mesmo garoto - agora com 22 anos - tentava suicídio no Hawaí.

Entre os 9 e 22 anos, Mark Chapman passou por bullying, drogas, psicopatia e delírios de poder e celebridade. Em 23 de outubro de 1980, se demitiu do emprego e no último cartão de ponto assinou John Lennon no lugar do próprio nome. Fez as malas, pegou um livro de J.D. Salinger e foi para Nova York.

Passou a frequentar o Central Park e as cercanias do Edifício Dakota, lugares onde o líder dos Beatles passeava e morava respectivamente. A década de 80 iniciara com Lennon voltando a produzir após o silêncio musical do final da década anterior. Em novembro, lançou com Yoko o álbum Double Fantasy.

Antes disso, a revista Esquire publicou um longo artigo destacando a fase de reclusão do artista, a vida doméstica num apartamento decadente e, provavelmente, concentrado apenas em contar os milhões no banco e cuidar do filho pequeno, nascido em 1975. Chapman leu, antes de ir pra Big Apple.

E leu também, bastante, o romance O Apanhador no Campo de Centeio, única obra célebre de Salinger que fala de um adolescente depressivo, mentiroso, mau aluno e temperamento dividido entre afeto e ódio. No dia 8 de dezembro de 1980, ele ficou circulando diante do prédio onde morava John Lennon.

O compositor passou aquele dia se deslocando para entrevistas sobre o novo disco, algumas vezes parando para dar autógrafos aos muitos fãs que sempre seguiam seus passos. Numa das vezes, o próprio David Chapman foi alvo da gentileza do beatle. Mas, na segunda vez, foi abatido com quatro tiros.

Trinta e oito anos depois do assassinato que desolou milhões de fãs dos Beatles em todo o mundo, e a poucos dias do criminoso ter sua pena avaliada mais uma vez, uma entrevista no jornal inglês The Mirror agita a beatlomania.

Gloria Hiroko Chapmam, a mulher do assassino, revelou que o marido lhe avisou da ideia de matar Lennon dois meses antes de concretizar o crime. Ela disse que quando ouviu a notícia no rádio e na TV, logo teve a certeza de que sabia quem foi o autor dos disparos na zona oeste do famoso Central Park.

Em setembro de 1980, Chapman foi até Nova York e voltou assustado com uma ideia arriscada que tinha o objetivo de tornar seu nome famoso. Gloria disse ao jornal que o marido lhe contou e que teria desistido por amor a ela. Na segunda viagem dele, ela disse que não imaginou que o motivo era o mesmo.

Ela revelou que Chapman mentiu ao dizer que havia jogado no mar a pistola adquirida ao tempo do emprego de segurança no Hawaí. Contou que estava vendo TV e viu os créditos "John Lennon foi baleado por um homem branco".

Glória ainda espera o marido, que no dia 20 próximo terá seu décimo pedido de liberdade condicional avaliado pela justiça americana. Já a viúva de Lennon, Yoko Ono, jamais aceitou a soltura do homem que calou o autor da canção Imagine, um hino pacifista feito em 1971, no auge da Guerra do Vietnã.





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