BLOG DO ALEX MEDEIROS

22/03/2018
Contos e crônicas

O engenheiro e músico Fernando Fontes, guitarrista da banda de rock e blues Efeito Doppler, está lançando seu primeiro livro, "Dois Consecutivos", no próximo sábado, 19h, no Barões do Café, no Shopping Seaway. Tem duas capas (lado A e B) para que o leitor leia até de trás pra frente. O livro sai pelo selo independente Máquina, do próprio autor.





22/03/2018
Abril vermelho, azul e amarelo

Ontem me chamaram a atenção duas colunas do diário paulista O Estado de São Paulo, a do valente paraibano José Nêumanne Pinto e a da versátil repórter Vera Magalhães, que acompanho desde seus tempos na Ilustrada com o editor potiguar Rodrigo Levino.

Nêumane escreveu que Lula poderia ser "beneficiário de anistia num lance sórdido, conhecido no popular como tapetão". Depois alfinetou o STF que poderia se "configurar como puxadinho da mal afamadíssima justiça desportiva".

Confiando no feeling e na própria leitura de conjuntura, Vera afirmou que "o senador Aécio Neves não deve ser candidato a nada nas eleições em outubro". E logo após, reafirmou no microfone da Rádio Jovem Pan, informando que o mineiro conversou com os advogados e tomou a decisão.

Ambos alvos da Operação Lava Jato, Lula e Aécio não tem em comum apenas a condição de ícones dos dois partidos que há quase três décadas dividem o fanatismo partidário no País. Num ilustrado túnel das suas carreiras, a luz que se vê ao final é a de uma cela de cadeia.

Enquanto um se debate nas ruas, tentando vestir-se de mártir, o outro se recolhe ao limbo eleitoral. Agem de forma diferente, mas sabem que há similaridade em seus futuros. A Justiça - leia-se establishment - vai buscar uma saída salomônica para amainar as trincheiras petistas e tucanas: xadrez para os dois. E pode ser em abril.

Aguardemos.





22/03/2018
Justiça tardia e pai fujão

O ator Dado Dolabella, 37 anos, está preso há mais de um mês numa cadeia de São Paulo por não pagar a pensão alimentícia referente a um dos seus três filhos.

De acordo com o portal G1, o artista deve mais de 190 mil reais a um filho que teve com uma estudante de direito. A informação foi confirmada pela mãe do ator, a também atriz Pepita Rodrigues.

"Ele está lá e eu estou como uma mãe pode estar nesta situação: muito mal", disse Pepita. Dado Dolabella foi preso no dia 5 de fevereiro e, segundo as autoridades, poderá ficar preso durante mais um mês se não pagar o que deve.

O ator já tinha contestado o valor cobrado pela mãe do filho. "O valor da pensão está errado, eu não recebo mais o que recebia. Eu queria poder dar mais ao meu filho", afirmou quando foi preso.

O caso de Dolabella não é o único em que alguém célebre acaba na cadeia por não pagar pensão de alimentos. No começo da semana, amigos do jogador de basquete Lucas Tischer, ex-pivô da seleção brasileira, pagaram sua dívida de R$ 4,7 mil para tirá-lo do xadrez.

Um caso que deu audiência foi o do ator Paulo Cesar Pereio, que foi preso e chorou na TV, em 1994; já os ex-craques de futebol, Romário, Roberto Carlos e Edilson também sofreram ordem de prisão.

Há poucos dias, muitos se comoveram com a desventura da jogadora Cristina Pirv, tentando ajuda do pai dos filhos, o ídolo do vôlei Giba.

Dizem que a prisão por não pagamento de pensão alimentícia é a única coisa no Brasil que não distingue rico de pobre nem famoso de anônimo. No entanto, um caso que se arrasta por anos num forum de Parnamirim excede a regra.

Tratado até como "segredo de Justiça", o processo de ação de alimentos contra um canalha chamado Gil Tomás começou quando sua filha era bebê; hoje a menina tem 16 anos e jamais recebeu auxílio do safado. No Brasil, a justiça tardia é patifaria.





20/03/2018
Os amarelinhos de Flávio

A inteligência do empresário Flávio Rocha é suficiente para não lhe deixar se iludir com uma multidão uniformizada.
O marketing preliminar na imagem de um comício repleto de camisas amarelas não pode nem deve fazê-lo crer que uma candidatura está madura.





20/03/2018
Os goleadores da Europa

Apesar de algumas ligas já apresentarem seus prováveis campeões da temporada, graças às campanhas impecáveis do Manchester City na Inglaterra, do Barcelona na Espanha, do Bayern na Alemanha e do PSG na França, a disputa pela Chuteira de Ouro está cada dia mais acirrada.

Domingo, com os quatro gols marcados contra o Girona, o português Cristiano Ronaldo entrou de vez na briga que vem sendo liderada gol a gol pelo egípcio Mohamed Salah, pelo argentino Lionel Messi, o britânico Harry Kane, o uruguaio Edson Cavani e o brasileiro Jonas (que tem peso menor devido à liga portuguesa).

Confira abaixo os onze (11) artilheiros que brigam no momento pelo prêmio que ano a ano confronta Messi e Ronaldo (cada um com 4 troféus), e que tem Suarez em busca do seu terceiro:

Salah (Liverpool) 56 pontos (28 gols)
Messi (Barcelona) 50 pontos (25 gols)
Kane (Tottenham) 48 pontos (24 gols)
Cavani (PSG) 48 (24 gols)
Immobile (Lazio) 48 (24 gols)
Jonas (Benfica) 46,5 (31 gols)
Lewandowski (Bayern) 46 (23 gols)
Icardi (Inter) 44 (22 gols)
Ronaldo (R. Madrid) 44 (22 gols)
Luis Suárez (Barcelona) 42 (21 gols)
Agüero (Manchester City) 42 (21 gols)





19/03/2018
O ibope de Marielle

O assassinato da vereadora Marielle Franco deu uma dimensão eleitoral à sua imagem que não existia na cena carioca. A covardia da execução universalizou indignações, sua morte unificou tendências distintas, a ausência dos seus atos na conjuntura do Rio ampliou pelo País o grito contra a violência.

Marielle se tornou bandeira à esquerda e à direita, amplificou discursos de paz, virou plataforma política de todos. Quando viva, os seus agora milhões de órfãos sequer tinham noção do ativismo dela nas periferias. Nenhum jornalista ou sociólogo prognosticou sua importância no processo eleitoral que se avizinha.

Em recente pesquisa para deputado estadual (ela seria candidata), seu nome não apareceu na lista dos 60 mais lembrados pelo eleitor (a AL-RJ tem 41 cadeiras). Há dez mulheres citadas, duas delas liderando a preferência popular: Adriana Accorsi, do PT, e Adriete Elias, do PMDB.

Ontem, analistas dos mais variados veículos de comunicação, estimavam o papel de Marielle no contexto da crise de segurança e nas ações de apoio aos direitos das mulheres. E exibiam a repercussão da tragédia na mídia estrangeira. Mostravam a revolta popular em atos públicos por todo o Brasil.

Na pesquisa, outras mulheres com mandato político são lembradas, talvez pela atuação parlamentar ou militância partidária: Cristina Lopes (PSDB), Dária Rodrigues (PP), Eliane Pinheiro (PMN), Flávia Morais (PDT), Isaura Lemos (PCdoB), Lêda Borges (PSDB) e Vanuza Valadares (PMDB).

O filósofo Nietzsche dizia que "o que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte". No caso de Marielle Franco, pelo menos no impacto dos primeiros dias de indignação, ocorreu o contrário. A morte fortaleceu sua imagem. Morta, ela fez iluminar no consciente coletivo um surpreendente legado que em vida estava invisível.

PS - O cartoon é de César Lobo





14/03/2018
Para sempre 14 de março

Éramos jovens, a vida deslumbrante
em nossas roupas o tempo celebrado
cabeça ao vento, o passo descuidado
olhar armado no futuro de um instante

A poesia, o nosso rumo doravante
verso e reverso no avesso, o outro lado
recosturando os estilos do bordado
e aproximando o presente do distante

Quarenta anos das primeiras passeatas
de comunhões e diferenças democratas
as oficinas de sonhos tão profundos

Hoje ainda somos os sacos de batatas
e de areia cercando velhas casamatas
nas mesmas ruas do nosso fim de mundo.





14/03/2018
O latíbulo de uma espécie

Lembrando de Stephen Hawking

Por Anjo Augusto*

Eu nasci e cresci como um arbusto
na indiferença transeunte das estradas
um rebento do amor das empregadas
na prenhez ectópica de um susto
sou bisneto daquele outro Augusto
como aponta meu nome de batismo
não morri por um puro preciosismo
da genética e do jogo do destino
fiquei velho sem deixar de ser menino
sou a antítese de todo silogismo


Meu sangue formou-se em nebulosas
transfusões de uma suruba etnia
sou a soma carmática da anarquia
dois pedaços de raças raivosas
atavismo de almas poderosas
duas faces de pútridas feridas
uma vida lembrando de outras vidas
dois odores de vômitos ideológicos
eu sou claro e escuro, sou ilógico
a resposta de perguntas indevidas.


Tenho forte teor de panclastite
misturado no mijo e na saliva
gamogênese por força radioativa
condutora voraz de cervicite
sem antídoto algum pra que evite
minha ardente e sexual pantofagia
provocada por toda hebefrenia
alomórfica, caliente e pueril
tenho orgasmo vandálico e varonil
e amor quiasmático sem valia.


Nunca quis o equilíbrio, sou tumulto
não semeio a paz, eu planto guerra
sou da roda o ferrugem que a emperra
sou sem alma um cadáver insepulto
não me apraz o cortejo, sim o insulto
organizo a inércia num tormento
faço graça onde pede-se um lamento
prego horror onde impera mansidão
rasgo bíblias e incendeio alcorão
sou liberto de todo sentimento.

Há espectros de carnes apodrecidas
flutuando em minha sala de estar
e por estar nesta sala um pop star
não se assombram ninfetas raparigas
voluptuosas, são todas ensandecidas
trepadeiras em flor adolescente
e os fantasmas querendo virar gente
me imploram a mediúnica paixão
mas, um ateu, prometeu, vate pagão
exorcizo uma gata em cama quente.


Há um odor de entranhas estelares
nos lençóis encardidos dessa moça
marcas de pus e de sangue, uma poça
entre anéis, algemas, cintos, colares
há vestígios de missas e altares
na fumaça de incenso de maconha
vídeo, foto, sexo, muita bronha
nas digitais encarnadas na vagina
que mistérios envolve essa menina
quando mata, morre ou quando sonha?


Quis um dia encarnar Gregory Peck
pra beijar muitas divas do cinema
peguei negra, loura e morena
e tracei luluzinhas de pileque
ganhei calos na mão pelas chacretes
nos domingos de mil maracanãs
de quadrinhos, de janes e tarzans
de um Brasil ainda no sossego
sem TV de faustões e descarregos
de amassos inocentes nos divãs.


Quando enfim destroçaram a inocência
da nação estuprada nas legendas
fui partido e espalhado pelas fendas
do tecido social da incoerência
me tornei minha própria experiência
na carência de uma vil ciclotimia
hoje sou um caráter em doze vias
meus apóstolos são eu no coletivo
quando mato é pra manter-me vivo
nos retalhos doutra genealogia


No varal genealógico há vidas secas
penduradas nas pontas retorcidas
há espíritos, almas desconhecidas
esticadas de uma cerca a outra cerca
se enxovalha uma vida que se perca
por tão vis interesses sub-humanos
se é de fome, se morre por engano
se é de guerra, se morre por morrer
não se diga que a morte é renascer
ser fantasma aqui e noutro plano.


A tristeza enjaulada nas manhãs
as manhãs deslizando nas marés
as marés carregando barnabés
barnabés enganando anciãs
anciãs debruçadas em maçãs
as maçãs embrulhadas em papéis
os papéis amassados nos convés
os convés desejados por irmãs
as irmãs enjauladas nas manhãs
e as manhãs começando pelos pés.

*Anjo Augusto é fruto cerebral-uterino cuja figura pulsativa se estampou nessa pobre dimensão a partir do acúmulo cognitivo das histórias em quadrinhos, livros de ficção científica e mitologia, seriados de cowboys e super-heróis, filmes de viagens no tempo e poesias de cordel surrealistas e hai-kais de realismo fantástico. Nasceu em 14 de março de 1994.





13/03/2018
Ismael: o melhor dos Alves

Nesses mais de trinta anos rabiscando em jornal e papeando em rádio e TV, tive naturalmente livre acesso à política potiguar e quase todos os seus personagens, contando evidentemente a partir do começo dos anos 1980, quando a política estudantil me atirou no universo partidário.

Ganhei três grandes amizades advindas do mundo político: o saudoso senador Carlos Alberto de Sousa, o atual governador Robinson Faria e o ex-deputado federal Ismael Wanderley, que me entristece agora com sua partida, após três décadas de boa amizade.

Conheci Ismael em 1986, o ano da vitória de Geraldo Melo ao governo do RN numa brava e dura disputa contra João Faustino. Eu era um jovem redator na campanha do candidato a deputado estadual Rui Barbosa, o camisa 10 da Assembleia.

Por duas ou três vezes, participei de conversas entre Ismael e Rui, ambos acordados numa dobradinha nos bairros de Natal, principalmente naqueles em que o presidente do ABC FC gozava da popularidade que faltava no então genro de Aluízio Alves.

Ismael fez uma campanha acirrada dentro do próprio PMDB, disputando voto a voto com José Bezerra Marinho uma vaga na Constituinte a se realizar em 1988. Ganhou com parca diferença e foi um dos dois únicos potiguares da bancada federal a receber nota 10 do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar. O outro foi Wilma de Faria.

Naquele ano, ajudou sua então esposa Ana Catarina Alves a se eleger vereadora de Natal estabelecendo um recorde de votos que só foi derrubado quase duas décadas depois. Seu estilo viril na defesa das ideias o aproximou de parte da esquerda; tendo ajudado até candidatos majoritários do PT.

Em 1992, o jornalista Casciano Vidal me procurou dizendo que Ismael estava querendo montar uma equipe para fazer a campanha de Ana a prefeita de Natal. Me juntei com os amigos Osvaldo Oliveira e Eugênio Pereira e fomos comandar a comunicação. O casal perdeu a campanha e eu ganhei dois bons amigos.

Nesses anos todos, Ismael sempre fez parte das minhas rodas de resenhas, participou de diversas confrarias como a do "Porquinho" e a do "Sábado Conduto", ambas com uns trinta anos de animadas e às vezes polêmicas conversas sobre tudo, principalmente política.

Ria muito e ao mesmo tempo me mandava pra merda quando eu dizia "Garibaldi, uma ova! O melhor dos Alves é Ismael!". A brincadeira, em verdade, guardava em si um retrato dele que só quem convivia podia perceber. O homem valentão, contundente, era também o cara que ligava para os amigos chamando para um café só por sentir saudade.

Ismael faleceu nesta segunda-feira, 12, mas a saudade dele já doía há algum tempo, desde quando os problemas de saúde o prenderam na cama e numa cadeira de rodas. No último encontro, quando com amigos o visitei, eu fiquei buscando em sua fisionomia frágil aquele bravo amigo que a vida me deu e que agora tirou. Não haverá mais café pra matar a saudade.





12/03/2018
Chegou o álbum da Copa 2018

A Editora Panini lança oficionalmente hoje, ao meio-dia, na página especial do Facebook, o tão esperado álbum da Copa do Mundo 2018. Durante meses o assunto foi tratado com tons de mistério para estimular os milhões de colecionadores que de quatro em quatro anos se envolvem na lúdica atividade.

Na Europa, o livro ilustrado já está circulando (foto) destacando na capa os craques Ronaldo, Messi, Toni Kroos, De Bruyne e Harry Kane. A capa brasileira certamente foi adaptada para inserir Neymar. Vamos aguardar. O álbum e as figurinhas estarão à venda a partir da quinta-feira, dia 15.





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