BLOG DO ALEX MEDEIROS

31/01/2019
No palco da Casa Branca

Ronald Reagan provavelmente foi o melhor presidente dos EUA nos últimos 60 anos. Tanto no sentido interno quanto no aspecto externo. O ex-ator de filmes de faroeste foi personagem essencial (com protagonismo de John Wayne) no processo político dos anos 80 que derrubou o castelo de ilusões do comunismo.

Sua passagem pela Casa Branca talvez tenha inspirado outros dois artistas de cinema, ambos até mais importantes que ele no cenário da sétima arte. O primeiro, Clint Eastwood, já gostava de política desde a juventude, quando se filiou ao Partido Republicano. E frequentou os palanques de Ronald Reagan.

O segundo, o brutamontes Arnold Schwarzenegger, em que pese ser parte da família Kennedy (é casado com uma sobrinha do ex-presidente assassinado) sempre foi ligado aos republicanos desde os primeiros anos nos EUA. Tornou-se amigo pessoal tanto de Reagan quanto dos ex-presidentes Bush, pai e filho.

Clint Eastwood e Arnold Schwarzenegger encararam as urnas em períodos diferentes e se elegeram. O eterno mocinho do gênero spaghetti italiano foi prefeito da cidade de Carmel, na Califórnia, entre 1986 e 1988, enquanto o exterminador governou a própria Califórnia durante o período de 2003 a 2011.

Pois eis que agora, como a seguir o rastro dos três astros que saíram das telas para os gabinetes políticos, o ator Dwayne Johnson, famoso pelos diversos filmes que protagoniza ano a ano, revelou numa entrevista durante o Sundance Film Festival que não descarta a ideia de disputar a presidência dos EUA.

"Eu não descarto isso. Não descarto a ideia se eu puder fazer um impacto maior de alguma maneira, ou me cercar potencialmente de pessoas boas", disse o grandalhão que já foi de tudo nas aventuras mais fantasiosas, de fada a super-herói, de segurança de aeroporto a rei imortal, de boxeador a ladrão.

Se reconhecendo inexperiente na empreitada, o ator disse que tem muitos amigos políticos, como ex-presidentes e senadores, uma espécie de cartão de visita a ser impresso um dia. Uma candidatura de Dwayne Johnson não seria surpreendente num país que já elegeu tantos perfis de pura ficção. O atual presidente Donald Trump, por exemplo, pode não ter sido ator, mas sempre esteve por perto dos holofotes.

       



30/01/2019
Alerta de vórtice polar nos EUA

O gelo glacial cai sobre as cidades americanas. A região do meio-oeste dos EUA se prepara dias de frio extremo com a chegada de um vórtice polar, que baixará a temperatura para 50 graus negativos em vários locais.

Em muitas cidades, as autoridades já declararam estado de emergência. Por todo o país, aeroportos foram fechados e centenas de voos cancelados.

O governador do estado de Illinois, J.B. Pritzker, declarou zona de desastre e alertou para uma séria ameaça à saúde a exposição a temperaturas polares extremas, esperadas para as próximas horas.

Um vórtice polar é um ciclone com força e duração em grande escala, situado perto dos polos.

       



28/01/2019
Delivery energético

O Google sabe aonde você trabalha e como são seus movimentos cotidianos, além de conhecer com precisão seus hábitos e gostos de consumo. A Amazon sabe muitos tipos de coisas que você compra e já pode ter acesso ao teor das conversas que você tem dentro de casa; caso você use o aplicativo Alexa.

Todos os dias, os gigantes da tecnologia digital acumulam mais e mais informações sobre todos os seus usuários. E nunca estão suficientemente satisfeitos com essas informações, sempre criando atalhos e algoritmos para expandir ainda mais o conhecimento das nossas características e gostos.

A nova invasão do Google e Amazon em nossos perfis deverá trazer grandes dores de cabeça para as empresas de energia elétrica, como a Cosern. Os dois gigantes decidiram entrar com força nos negócios da eletricidade, agora que seus dispositivos inteligentes estão além dos computadores e celulares.

A nova realidade do avanço da internet alcançando os objetos tipo eletrodomésticos, com televisores, geladeiras, fogões, fornos elétricos e termostatos atrelados aos nossos telefones e até relógios de pulso, as duas empresas começam a ter acesso ao volume de energia consumido nos lares.

Tal fato acendeu a luz de novos investimentos tecnológicos e então o Google e Amazon já tratam de montar suas próprias empresas energéticas para aproveitar essa informação do nosso consumo de eletricidade, os tipos de aparelhos mais utilizados, para oferecer seus novos serviços totalmente direcionados.

Para entender o novo ataque empresarial de ambas, basta conhecer os tipos de empresas adquiridas por elas nos últimos anos. O Google comprou a Nest, empresa que fabrica termostatos inteligentes; e a Amazon comprou a Ring, fabricante de códigos e senhas que permitem entregas em sua casa na sua ausência.

Google e Amazon são ousadas e pioneiras em suas áreas e formam parte de uma indústria que não para de crescer, exatamente a de equipamentos conectados. Se a Samsung fabrica geladeiras inteligentes ou a iRobot produzem aspiradores que funcionam sozinhos, Amazon e Google já têm os dois.

As estatísticas favorecem a sede de investimentos dos gigantes tecnológicos. Somente em 2018, os dispositivos eletrônicos para uso residencial ultrapassaram a marca de 40 milhões de unidades vendidas nos EUA, segundo o Wall Street Journal, que divulgou a nova empreitada da Amazon e do Google.

       



28/01/2019
A ditadura sitiada

O momento presente na Venezuela parece título de livros do jornalista Elio Gaspari, o napolitano que herdou parte da biblioteca do general Ernesto Geisel. O regime bolivariano do ditador Nicolás Maduro tem o aparente controle da situação, mas os militares que lhes dão suporte sabem que o fim está próximo.

Desfalcados de uma parte considerável do regimento, os militares ainda ao lado do poder comunista percebem a complicação que é o grosso da nação seguindo a liderança do presidente interino Juan Guaidó, que já prometeu imunidade aos soldados e oficiais patriotas que optarem pelo apoio ao povo.

A maioria dos militares que seguem ordens do ditador é dividida hoje em dia entre as conexões com o tráfico de drogas e o monitoramento do setor da inteligência cubana. Mas todos sabem que precisam tomar uma decisão urgente, talvez a mais importante das suas vidas, antes que o regime caia.

Terão que escolher entre abandonar um navio à deriva ou se afundar num apoio inglório à uma ditadura sitiada pela opinião pública local e externa. Enquanto a pressão internacional fecha o cerco em torno do fantoche de Hugo Chávez, o tempo corre numa última chance de escaparem ilesos no processo.

A Assembleia Nacional liderada por Guaidó já garantiu e ofereceu imunidade a todos os militares que desejarem ficar ao lado da maioria. A derrota anunciada de Maduro guarda uma esperança de futuro para homens que ainda podem garantir seus empregos e liberdade que possibilite ganhar algum dinheiro.

O militar americano e professor da US Army War College, Evan Ellis, disse ao Los Angeles Times que "Maduro se encontra em uma situação muito difícil". Disse também que a solidariedade russa e chinesa não garante a manutenção do governo, as duas potências só querem o reequilíbrio econômico do país.

A resistência popular está tomando dimensões perigosas e cada vez chegando mais perto do centro do poder. Ellis diz que não há garantias de que Maduro saia disso ileso, falta-lhe cada vez mais estrutura, dinheiro e legitimidade, um tripé essencial para o atual governo encarar um confronto de teor radical.

A fala do ministro da Defesa, Vladimir Padrino, bradando "nada faremos fora da Constituição", foi tão somente uma reação de retórica, um suspiro de voluntariedade para vender a ideia de coesão no governo. Só que no centro do comando militar já é visível o desgaste do chavismo dividindo as patentes.

A parte que foi doutrinada ao tempo de Hugo Chávez e treinada com tática e logística cubanas já envelheceu em sua prática de máfia. Não consegue liderar outra parte mais jovem que se ergueu na crise indefensável e adotou postura patriótica e moralista. É nesse quadro conjuntural que o fim do regime entrou em contagem regressiva. Depois de sitiada, a ditadura cairá de madura.

       



25/01/2019
A renúncia do Jean Wyllys

Controvérsia, divergência
há algo por trás de Wyllys
que queimou a resistência

       



24/01/2019
Os grupos da Copa América 2019

Em solenidade realizada na noite desta quinta-feira, 24, a Conmebol sorteou os grupos da 46a edição da Copa América 2019 que acontecerá no Brasil entre os dias 14 de junho e 7 de julho.

Todas as seleções da América do Sul estarão competindo, acrescentadas equipes convidadas do Japão e do Qatar. O sorteio foi apresentado pelos jornalistas da Rede Globo, Tadeu Schmidt e Fernanda Gentil.

Alguns ex-craques da seleção brasileira estiveram presentes no palco, como Zico, Ronaldinho Gaúcho e Cafu, além dos atuais jogadores Zé Roberto, Lugano e Marta, do técnico colombiano Francisco Maturana e dos ex-jogadores Zanetti, da Argentina, e Romerito, do Paraguai.

Veja abaixo como ficaram os grupos. O Brasil estreia contra a Bolívia no grupo mais fácil que tem ainda Venezuela e Peru. A Argentina estreia contra a Colômbia, o Uruguai pega o Equador na abertura do seu grupo.

GRUPO 1
Brasil
Bolívia
Venezuela
Peru

GRUPO 2
Argentina
Colômbia
Paraguai
Catar

GRUPO 3
Uruguai 
Equador
Japão
Chile

       



24/01/2019
De volta aos anos de Collor

Já em exibição no canal Fox Premium e disponível em alguns aplicativos a segunda temporada da série ambientada na cena urbana do Rio de Janeiro, recheada de atores argentinos, com direção de Tomás Portella e René Sampaio, numa produção da Barry Company e Fox Networs Group Brasil.

Impuros é o título da série criada por Alexandre Fraga e estrelada pelo ator Raphael Logam, que interpreta Evandro do Dendê (Dendê é uma comunidade carioca onde impera o crime). Ele é um jovem favelado prestes a completar 18 anos e que sonha poder ganhar o próprio dinheiro de forma limpa e honesta.

O cenário temporal da trama é os anos 1990 durante o período do governo Fernando Collor e o ponto seminal da guerra do tráfico nos morros. Quando está para se alistar nas Forças Armadas, Evandro perde um irmão delinquente em confronto com a polícia e então resolve matar todos os envolvidos.

Desde o lançamento da primeira temporada, em outubro do ano passado, até chegar a segunda temporada, a trajetória do protagonista avança da ira juvenil para uma ação metódica que o transforma num dos principais chefes do tráfico em todo o continente latino-americano, enquanto o país de Collor ferve.

Na expansão continental das atividades criminosas do homem do Dendê justifica-se a invasão de artistas argentinos na produção originalmente brasileira. Entre todos destaca-se Jean Pierre Noher, ator admirado pelo diretor Walter Salles e por ninguém menos do que a atriz Fernanda Montenegro.

Estão lá também dois nomes bastante populares no país Hermano, o ator Germán Palácios e a atriz Julieta Zylberberg. Pelo lado brasileiro, destacam-se Cyria Coentro, Fernanda Machado, André Gonçalves (famoso também por se envolver em confusão) e Rui Ricardo Diaz, que interpretou Lula no cinema.

A série também está sendo exibida na Argentina e tem merecido bons comentários na mídia hermana. Não é apenas um roteiro sobre crimes e o submundo do narcotráfico, mas também uma história sobre relações humanas num ambiente de equilíbrio e conflitos entre poderes e à margem deles.

Para o diretor Tomás Portella, em entrevista à imprensa carioca, o projeto da série "é especial porque mostra uma visão de guerra sem heróis e sem vilões, onde todos são os dois dentro de suas realidades". Impuros é uma série que expõe um Brasil de trinta anos atrás com uma conjuntura mais que atual.

       



23/01/2019
Trinta anos sem Dali

Ontem fez 30 anos da morte do pintor espanhol, de origem catalã, Salvador Dali, senão a maior expressão surrealista das artes plásticas, talvez o próprio surrealismo, como ele mesmo se auto definiu um dia. Foi talvez o artista que mais reuniu unanimidade positiva quanto à arte e negativa quanto ao perfil pessoal, misto de ironia desbocada e ira fina com viés ideológico.

A pintura de Dali quando explodiu em cores vastas e cenários oníricos, praticamente fundiu a cuca do planeta. Não foi fácil aos críticos de arte, com seus vocabulários limitados pela razão narrar ou explicar suas imagens desconectadas das sinapses bem-comportadas da maioria da humanidade.

Os primeiros contatos da minha geração com as estranhas pinturas de Salvador Dali foram em visões miniaturizadas. Seus quadros reproduzidos em quadradas figurinhas de álbum, colecionadas juntamente com imagens de frutas, animais, roupas típicas, calhambeques e artistas de TV e cinema.

Ali em meados da década de 60, lembro que uns cromos com obras dele - uns relógios amolecidos e estendidos como roupas, e tigres avançando sobre uma mulher nua - chamava nossa atenção muito mais com as figurinhas de El Greco, Da Vinci, Rembrandt, Monet, Velázquez, Degas, Renoir e outros.

Pinturas que sugeriam viagens lisérgicas e que se aproximavam, pelo menos aos nossos olhos juvenis, à ficção das histórias em quadrinhos. Aqueles felinos saltando das nuvens, como atravessando uma fenda do espaço-tempo, lembravam as revistinhas do Fantasma, do Mandrake ou do Flash Gordon.

O que nós não sabíamos naquela época é que, enquanto Dali era festejado por seu talento com os pincéis, era execrado pelas pinceladas verbais da sua língua inquieta e por posicionamentos sócio-políticos considerados incorretos pelo establishment intelectual. O que tinha de espetacular, tinha de execrável.

Uma coleção de adjetivos acusatórios se acumulou em torno da sua figura, quase tão triste quanto o Quixote de Cervantes, que por sinal ele ilustrou por duas décadas, entre 1946 e 1964: egomaníaco, interesseiro, covarde, ganancioso, farsante, reprimido sexual e fascista. Um perfil tão plural que acabou mitificado na cultura de massa.

Há um livro, "Clube do Execrável", escrito pela dupla Malcolm Otero e Santi Giménez, com capítulos dedicados a diversas personalidades da história que teriam comportamentos condenáveis unidos às virtudes. Gente como Marx, Chaplin, Hitchcock e Churchill. A vastidão negativa de Dali se espalha por várias páginas.

Misture-se num acelerador de particularidades todos os adjetivos pejorativos e os elogios direcionados a Dali, que mesmo assim será sempre difícil defini-lo com alguma precisão, a mais mínima possível. Não dá pra entender quem derramou amor pela mulher, Gala, e se derreteu com outras e até com alguns homens, como Garcia Lorca.

Criou um estilo revolucionário que encantava artistas e intelectuais de esquerda, enquanto se declarava simpático a Franco e Hitler. Só ele mesmo para ser expulso do movimento surrealista por André Breton, um dos mentores, e ter se tornado sua maior representação. Foi da escrita automática de Breton que saiu o anagrama do seu nome endinheirado: Dólares A Vida.

       



23/01/2019
Viva Lula

Depois da feitura do documentário "Arredia e Tão Só", um tributo aos moradores da velha Redinha de peixes, rezas e cajus, o diretor Augusto Lula está na sua toca em Ponta Negra concluindo mais um filmete, agora sobre o cangaceiro Jararaca, o parceiro de Lampião sepultado na cidade de Mossoró e que todo ano, durante o feriado dos mortos, seu túmulo atrai romarias.

       



23/01/2019
As estatuetas do streaming

Em 2017 e 2018, a renomada revista Variety pautou o mundo do cinema em dois momentos distintos, mas de temática exatamente igual. No primeiro ano, o diretor do Festival de Cannes anunciou que os filmes produzidos pela produtora Netflix ficariam de fora da mostra competitiva.

No ano seguinte, coube a um diretor da Netflix avisar que seus filmes não iriam ser inscritos no festival francês, em protesto pelo ocorrido no ano anterior, quando as produções "Okja" e The Meyerowitz Stories" foram impedidas de competir.
Nas duas vezes, destaquei aqui no Galo Informa.

O nó da polêmica é que pelas regras de Cannes só podem participar os filmes com estreias mundiais ou nacionais em salas de cinema e não em outras plataformas de mídia, como TV, computadores e celulares. Inclusive cineastas como Costa Gavras e Wim Wenders ficaram ao lado de Cannes.

Ontem, 22 de janeiro, a Netflix teve todos os motivos para esquecer 2017 e 2018 e festejar bastante 2019. Seus serviços, representados pelos filmes Roma, de Alfonso Quarón; A Balada de Buster Scruggs, dos irmãos Coen; e End Game, dos irmãos Russo, tiveram 14 indicações para o Oscar.

Somente Roma, o filme mexicano em estilo noir, recebeu 10 indicações, uma marca espetacular e até certo ponto esperado por parte de cinéfilos e críticos. Se as indicações se confirmarem em estatuetas, na festa do dia 24 de fevereiro, a Netflix dá um salto para frear limites como os de Cannes.

Roma não é apenas o primeiro do serviço de streaming a disputar o prêmio de melhor filme, mas também concorre a outras categorias importantes, como melhor diretor, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante e melhor filme estrangeiro. Pode até perder para A Favorita ou Green Book, mas já fez história. A Netflix põe glamour no cinema das telas domésticas.

       



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