BLOG DO ALEX MEDEIROS

27/10/2016
O furacão Selena

Aos 16 anos, a adolescente Selena Forrest deixou de ser uma sobrevivente do furacão Katrina para se tornar a menina mais mimada da indústria da moda no momento.

Em apenas um ano e meio, ela saltou dos bancos escolares ginasianos para as passarelas internacionais, desfilando para grandes marcas como Louis Vuitton e Chanel.

Selena carrega nas costas uma história pessoal difícil. A jovem e sua família foram vítimas do furacão que em agosto de 2005 arrasou o estado americano da Louisiana.

A tragédia os obrigou a abandonar a casa em New Orleans e se mudarem para Los Angeles, onde seus pais reiniciaram a vida. A garota sequer lembra direito de tudo, mas ouviu com detalhes a narrativa do pai.

Dez anos depois, no começo de 2015, ela foi descoberta por um caçador de modelos quando estava comprando bebidas com seu irmão e seus primos para uma excursão à praia.

Enquanto um segurança da loja questionava seu irmão, por causa da idade do grupo, uma mulher se aproximou de Selena e perguntou se alguma vez ela tinha pensado em ser modelo.

"Foi tudo muito caótico porque a polícia estava nos dando bronca e de repente aquela mulher estava conversando comigo", disse a menina à revista New York Post. Uma semana depois já estava contratada na L.A. Models.

Com altura de 1,80m e medidas perfeitas para as referências do mundo fashion, Selena assinou em fevereiro deste ano um contrato com a agência Next Models, a mesma de Kate Upton.

Poucos dias depois estava abrindo o desfile de Proenza Schouler na Semana da Moda de Nova York. "Estava muito nervosa, mas ao mesmo tempo emocionada, sou muito tímida", disse.

Jamais havia saído dos EUA e de repente se viu entrando e saindo de aviões para desfilar em Paris, Milão, Roma, Havana e Rio de Janeiro. Seu rosto estampa capas de diversas revistas pelo mundo afora.





27/10/2016
Futuro da Ceasa em debate na AL

A situação da Central de Abastecimento do Rio Grande do Norte (Ceasa) voltou a ser ponto de discussão na Assembleia Legislativa, na tarde de ontem (26).

Por iniciativa da deputada Márcia Maia (PSDB), foi realizada uma audiência pública em que representantes do Poder Público e permissionários da Ceasa debateram sobre o futuro do órgão que emprega milhares de pessoas.

Os deputados garantiram que destinarão recursos de emendas para a obra no local e o Governo do Estado disse que cogita mudança na forma de gestão da Ceasa.

No encontro, o principal ponto debatido foi o curso das obras de drenagem e de esgotamento sanitário. Com menos de seis meses para finalizar as obras, prazo determinado em acordo entre Ceasa e Justiça, os parlamentares falaram sobre a necessidade de dar celeridade ao processo para que as datas sejam respeitadas.

"O ideal é que essa comissão de acompanhamento do processo se reúna já na próxima semana para avaliar como está o andamento do caso. Temos que correr logo para que não fique em um prazo apertado mais à frente", disse o deputado Fernando Mineiro (PT). "Temos que estar atentos a isso e acompanhar permanentemente a execução dessas obras", disse Márcia Maia, que junto ao deputado Fernando Mineiro garantiu que destinarão emendas parlamentares impositivas para o orçamento de 2017.

O fato da Ceasa permanecer em Natal também foi comemorada pelos permissionários e deputados. Márcia Maia informou que dará entrada a um pedido de Moção de Apoio à permanência da central em Natal na Assembleia Legislativa, para garantir que ela não saia do local. O presidente da Associação dos Permissionários, Raimundo Nonato, disse que todos os 4,2 mil trabalhadores da central comemoraram a permanência.

"Temos que enaltecer a atuação dos deputados, que estão ao nosso lado nessa luta que promoveram esse debate para debatermos uma quetsão tão importante para o Estado", disse Raimundo Nonato.

Quem também elogiou a iniciativa foi o representante do Sistema Fecomércio, Laumir Barreto. Para o empresário, a situação a que chegou a Ceasa, com o risco de fechamento, serviu para que a sociedade voltasse os olhos à importância que têm a central para a economia potiguar.

"Felizmente, chegou-se a um bom termo e quem ganha com isso não são só os permissionários, mas todo o estado. Podem contar com o apoio irrestrito da Fecomércio", garantiu Laumir Barreto.

Mudança

Outro assunto discutido durante a audiência foi a possibilidade de que a Ceasa passe ao controle da iniciativa privada. O diretor-presidente do órgão, Theodorico Netto, afirmou que o Governo do Estado estuda o caso, mas ainda não tem uma definição sobre como seria a mudança no controle. As dúvidas são sobre como os permissionários poderiam passar a gerir a Ceasa, se através de ONG, Organização da Sociedade Civil de Interesse público (Oscip) ou até de outra forma, sendo vendida.

Para Theodorico, a atitude poderá contribuir com a atividade comercial no setor. "A atividade comercial deve ser gerida pela iniciativa privada. É mais barata, mais eficiente e poderá prestar um serviço de melhor qualidade. É algo que ainda está em discussão", disse Theodorico Netto.

Laumir Barreto, da Fecomércio, concordou com a necessidade de mudança e gerência da Ceasa pela iniciativa privada. "Acreditamos que é uma atividade que não é privativa do estado e que, por isso, é importante que a produção fique com o comerciante, com o empreendedor", opinou.

Pelo lado dos permissionários, houve mais cautela quanto ao assunto. Raimundo Nonato afirmou que, no momento, é mais importante se concentrar nas adequações determinadas pela Justiça e que um processo para mudança de controle da Ceasa pode demorar. Contudo, Nonato disse que a Associação dos Permissionários, através de assessoria jurídica, está analisando o caso.

"A parte jurídica está analisando como isso pode ocorrer, mas reafirmo que de imediato precisamos das obras e que ela venha a ser concluída para que tenhamos tranquilidade no dia a dia", afirmou.

A deputada Márcia Maia, que presidiu a maior parte da audiência Pública, disse que ainda não analisou a questão e que é muito cedo para se ter um posicionamento firmado sobre o tema.

"Estamos acompanhando o processo para que as obras possam transcorrer normalmente e que a Ceasa siga funcionando. Ainda não sabemos ao certo quais são os planos do Governo e vamos acompanhar também", garantiu.





Veja o video:

26/10/2016
70 anos de Belchior

Coração Selvagem, clássico de 1977.





25/10/2016
O eterno capitão do tri

Nós, os meninos natalenses de 1970, jogávamos bafo com chapinhas metálicas do Álbum Olé. Eram figurinhas diferentes das demais que todos colecionavam naqueles anos, feitas de alumínio ou aço, e que dificultavam o jogo de levantá-las numa tapa.

A vitória da seleção brasileira de futebol no México lançou o país numa euforia cívica que durou mais de um mês. O que deixou a gurizada em estado de graça e catapultou as vendas de tudo aquilo que se referisse a futebol, principalmente os craques do tri.

Nos corredores do Grupo Escolar Felizardo Moura, os intervalos eram preenchidos com a sopa estatal e com a empolgação privada dos meninos em louvação a Pelé, Tostão, Rivelino, Gérson, Clodoaldo, Jairzinho, Piazza, Everaldo, Brito, Félix e Carlos Alberto.

Eram os primeiros dias de julho, no retorno das férias escolares, e eu vibrei quando a saliva na palma da mão desvirou a chapinha do capitão. A trapaça valia a pena, já que nem a alma e nem vontade eram pequenas. Só me faltava Carlos Alberto.

O capitão do tri foi um típico caso de amor de fim de festa com o povo brasileiro. A Copa se iniciara com os shows de Pelé, Jair e Tostão, mas encerrara com o gol que se perpetuaria no imaginário coletivo de uma nação. No país dos generais, nós amávamos um capitão.

Nas primeiras aulas de literatura da singela escola, a imaginação de um moleque de 11 anos inseriu Carlos Alberto na poesia de Manuel Bandeira. Já adulto, percebi que misturara dois gênios naquela ingênua demonstração de fã e torcedor.

Na folha de um "borrão" da marca Pirajá, ousei atentar contra a obra do mestre pernambucano: "Bão que Bolão / senhor capitão / é gol, é gol / no meu coração / não é de tristeza / não é de aflição / o tri é do povo / senhor capitão".

Ora, se cada um de nós tem hoje uma visão para definir a bela conquista num lance - como "a marcha de Tostão", "os canhões de Rivelino", "o furacão em Jairzinho", "os pulos do gato Félix" ou "o passeio a caráter de Clodoaldo", eu tenho duas com o capitão.

Carlos Alberto pode ter nos garantido aquela copa com dois gestos e duas ações de grande líder. Primeiro, no duelo do século XX com a Inglaterra, deu uma porrada no ponta Francis Lee, que cutucava nossas canelas e até agrediu nosso goleiro. O inglês se aquietou e sumiu do jogo.

Segundo, a apoteótica corrida em diagonal, avançando sobre a área italiana, na partida final, para mandar aquele petardo que estabeleceu a goleada de 4 x 1 e a posse definitiva da Taça Jules Rimet. Estas imagens se eternizaram com uma terceira pós-Copa: o capitão beijando o troféu.

Mas Carlos Alberto não foi apenas o capitão do tri, por mais que sua liderança e categoria tivessem sido suficientes para a FIFA ter lhe concedido o título de melhor lateral direito do século XX. Há muito mais insígnias e galões naqueles ombros de craque.

Já nos juvenis do Fluminense, ele apresentou suas armas comandando alguns títulos, e repetindo o feito na seleção brasileira juvenil. Aos 17, assumiu a posição de lateral no lugar de Jair Marinho, o titular que saiu por contusão, para se consolidar.

Destemido, vigoroso e extremamente hábil para um zagueiro, Carlos Alberto fez História no Santos de Pelé, uma máquina de gols e conquistas na década de 1960. Quando Zito deixou a equipe, adivinhem com quem ficou a braçadeira de capitão?

Por onde passou - no Botafogo, no Flamengo, no Cosmos de Nova York ou no Newport Beach da Califórnia - foi sempre um líder e o melhor lateral ou zagueiro direito das temporadas. Seu futebol vistoso e agressivo fez escola nas laterais do mundo todo.

O saudoso treinador Zezé Moreira se dizia impressionado com a capacidade de Carlos Alberto se adaptar em qualquer posição. Não por coincidência, ao encerrar a carreira, o craque se adaptou como técnico, dando títulos ao Flamengo e ao Fluminense.

Agora, meis século depois daquela alegria que tomou conta do Brasil no beijo do capitão na Taça do Mundo, e diante da notícia da sua morte, me vejo outra vez menino em Natal, jogando com os versos de Manuel Bandeira: "Bão que bolão / senhor capitão / peso mais pesado / não existe não".





21/10/2016
Saída pelo Uruguai

O filho de Lula, Luis Cláudio Lula da Silva, também conhecido como Lulinha e Luleco, pegou o rumo do Uruguai para trabalhar nas divisões de base de um time de futebol. 

Antes de faturar muito com uma pequena empresa que recebeu gordos investimentos, ele havia trabalhado no departamente de prepação física do Corinthians, clube do coração do pai.

Dizem as más línguas que Lulinha já está tratando do aluguel de uma boa casa para receber Lula. O Uruguai sempre foi uma rota de fuga dos militantes da esquerda brasileira.





20/10/2016
MG vai proibir testes em animais

Você já parou para pensar se o shampoo que você usa no cabelo ou o creme que hidrata a sua pele são produtos testados em animais? E mais! Você sabe como esses testes são realizados? Diariamente, inúmeros laboratórios no Brasil e no mundo, submetem animais a todos os tipos de ‘experimentos', ignorando o seu sofrimento.

Por qual motivo? Para ganhar com um dos negócios mais lucrativos do planeta: o mercado da beleza. Pesquisa encomendada pela HSI(Humane Society International) ao Ibope, confirmou que dois terços da população brasileira é terminantemente contra os testes realizados em animais.

A boa notícia é que Minas Gerais está prestes a seguir o exemplo dos países da União Europeia, onde desde 2009, a prática é proibida, assim como a comercialização dos produtos testados. A medida proposta pelo Projeto de Lei 2.844/15, de autoria dos deputados Fred Costa e Noraldino Júnior, foi analisada hoje, 19, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Antes de ser votado em 1° turno no Plenário, o projeto será encaminhado para análise nas Comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, de Desenvolvimento Econômico e de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO).

O PL prevê as sanções aplicáveis às pessoas físicas ou jurídicas que, por ação ou omissão, descumprirem a proibição que se pretende estabelecer, e dispõe que o poder público poderá destinar os valores recolhidos com multas ao custeio das ações, publicações e conscientização da população sobre guarda responsável e direitos dos animais. Além de atribuir aos órgãos competentes da administração pública estadual o exercício do poder de polícia.

Fonte: Revista Encontro





20/10/2016
Falta de água preocupa Gustavo Carvalho

A seca que aflige a população do Rio Grande do Norte voltou a ser tema de pronunciamento na Assembleia Legislativa. Nesta quinta-feira (20) o deputado Gustavo Carvalho (PSDB) externou a sua preocupação com o abastecimento de água nos municípios do Alto Oeste potiguar e cobrou providências do Governo do Estado.

"Os mananciais do Estado estão se exaurindo e agora os poços tubulares também começam a secar. A preocupação com o abastecimento deixa de ser apenas com a pecuária e passa a ser também com a população dos municípios que estão vivendo esse momento de angústia. Fala-se que em 40 dias algumas regiões vão estar desabastecidas e em calamidade", disse Gustavo.

O parlamentar citou como exemplo a situação da cidade de Marcelino Vieira, no Alto Oeste. "Ontem todas as caixas d'água que atendem o município estavam secas. Não havia água em local nenhum. Hoje, a única coisa que nos abrande é a expectativa de um inverno regular em 2017, conforme divulgado pela Emparn", relatou.

Gustavo comentou ainda a destinação por parte do Governo Federal de recursos na ordem de R$ 4,5 milhões para investimento em ações hídricas no RN e sugeriu ao Executivo estadual a criação de uma comissão permanente envolvendo a Defesa Civil e o Gabinete Civil para estudar soluções emergenciais para o abastecimento de água no Estado.

"É necessária a permanente mobilização e priorização no abastecimento de água no Rio Grande do norte, sobretudo no Alto Oeste potiguar. Sei que todas as demais regiões estão sofridas, mas no Alto Oeste a situação é de calamidade completa. O Governo do Estado precisa buscar uma suplementação de recursos ou remanejamento orçamentário", concluiu Gustavo Carvalho.

O deputado Galeno Torquato (PSD), presidente da Frente Parlamentar da Água na Casa Legislativa, se somou ao pronunciamento e destacou as reuniões que participou durante a semana com o presidente da Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern), Marcelo Toscano, e com o secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Mairton França, para reforçar a necessidade de alternativas e ações hídricas para os municípios do Alto Oeste potiguar.





20/10/2016
Perdido em Marte

O robô da missão ExoMars, batizado de Schiaparelli, parece ter se perdido no planeta vermelho, disse hoje a Agência Espacial Europeia.

Os controladores da missão perderam o contato com a pequena sonda onde viajava Schiaparelli, que era a grande esperança para a exploração de Marte.

O robô parecia ter feito o seu caminho com segurança através da atmosfera dura de Marte e na sua superfície. Mas algo deu errado e agora os controladores ficaram incapazes de falar com ele.

A sonda chegou a enviar comunicação à sua nave-mãe, a Gas Orbiter Trace, durante a descida, mas o sinal foi perdido antes mesmo do pouso.

"Nós não temos uma posição ainda para determinar a condição dinâmica sobre a qual a sonda tocou o solo marciano", declarou Andrea Accomazzo, chefe de missões espaciais da ESA.

O fracasso da missão tem ecos fantasmagóricos da Beagle 2, a sonda da nave britânica Mars Express, que foi dada como perdida em 2004 antes de enviar imagens de Marte.

O robô carregava instrumentos destinados a analisar a atmosfera marciana que ajudariam a entender se seria possível a existência de vida por lá, mas seu principal objetivo era testar a segurança de pouso e navegação para uma missão bem maior, em 2020.

Antes de sumir, Schiaparelli ainda enviou para a Terra cerca de 600 megabytes de dados, informações que serão usadas tanto para entender mais sobre o planeta quanto para determinar precisões para viagens futuras.

O robô tinha viajado durante sete anos a bordo da nave Gas Orbiter Trace, numa missão de parceria da Agência Europeia com a Rússia. A missão ExoMars pretende também inserir os EUA na busca por vida em Marte.





Veja o video:



13/10/2016
Bob Dylan, artista maior da raça

A primeira notícia que me chamou a atenção na manhã de hoje quando assistia ao noticiário da CNN (versão em espanhol) foi da morte do escritor e dramaturgo italiano Dario Fo, 90, ganhador do Nobel de Literatura de 1997.

Poucos minutos depois, o prestigiado galardão distribuído anualmente pela Academia Sueca voltava à pauta do noticiário com o anúncio oficial do vencedor do Nobel de Literatura em 2016. Vibrei com a escolha por Bob Dylan.

O maior compositor da história humana (opinião minha) surpreendeu a famosa casa de apostas Ladbrokes, que havia previsto vitória do escritor japonês Haruki Murakami, uma espécie de Fortaleza que todo ano é candidato a subir.

Nas previsões, onde não constava o autor de "Just Like a Woman" e "Like a Rolling Stone", o queniano Ngugi Wa Thiong era o segundo colocado, seguido do americano Philip Roth, do albanês Ismail Kadare e da americana Joyce Oates.

Diante dos LPs de vinil de Dylan e de alguns livros, como o seu primeiro "Tarântula", que comprei em 1987 com o primeiro salário de redator publicitário, via uma conexão astral entre ele e o anarquista Dario Fo, que acabava de morrer.

Um Nobel morto e um novo Nobel para consagrar um artista e sua obra na assertiva do dramaturgo que disse um dia: "Um teatro, uma literatura, uma expressão artística que não fale do seu próprio tempo não tem relevância".

Pois é isso que é Robert Allen Zimmerman, o cara que adotou como sobrenome o nome do poeta inglês Dylan Thomas, ídolo da geração beatnik onde ele próprio se incorporou e despontou para cantar seu próprio tempo.

Bob Dylan é a mistura perfeita de música e literatura, influenciado por Thomas numa ponta e pelo ícone folk Woody Guthrie na outra. Na soma cognitiva das duas figuras, ele compôs a mais abrangente obra musical de todos os tempos.

Na histórica "Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade", em agosto de 1963, lá estava sua voz e seu violão dividindo a atenção da multidão e se somando ao sonho e ao discurso do líder negro Martin Luther King.

Três meses depois, com o assassinato do presidente John Kennedy, preferiu não seguir à risca o guru Goothrie e seu "violão de matar nazistas", e trocou o folk ativista pelo rock ‘n' roll que estava mudando a cabeça do mundo.

A vida literária de Dylan se inicia três anos depois, em 1966, quando após casar em segredo e sofrer um sério acidente de moto, publica Tarântula, um experimento poético visivelmente repleto de influência de William Burroughs.

Havia lido "Almoço Nu", que o poeta beat publicou em 1959, e fica notório que bebeu nesta fonte. Tarântula é um apanhado de prosas poéticas e que podem ser lidas aleatoriamente, ou mesmo de trás para frente como alguns poemas.

O livro de estreia é recheado da atmosfera caótica do mundo beatnik, como caótica estava sua vida no intervalo forçado pelo acidente. No entanto, o Dylan literário foi fundamental para explodir o outro musical nesse período.

Os grandes clássicos da magistral discografia foram compostos ali, entre 1966 e 1968, conquistando a crítica e fundindo a cuca dos fãs que estavam injuriados com sua adesão à guitarra elétrica, obrigatória no rock britânico.

Foi, de certo modo, dizem, uma maneira também de mostrar aos Beatles, que ele conhecera em 1964, sua verve livresca em contraponto ao livro "In His Own Write", que John Lennon havia lançado em março daquele mesmo ano.

Vale salientar, porém, que os críticos literários e a mídia especializada não foram generosos com nenhum dos dois livros; bateram duro em Lennon e Dylan como quem destrói a esperança de um aprendiz de escritor ou de poeta.

Entre muitas biografias escritas sobre ele por terceiros, há seus próprios relatos - sem trajetória temporal organizada - no livro "Crônicas - Volume Um" (com previsão e promessa de mais outros dois volumes), lançado em 2004.

Com o Nobel, ora dirão que há parcos livros para tamanha honraria. Mas, não foi o Bob literário quem faturou o prêmio, e sim o Dylan musical. "por ter criado novas formas de expressão poética no quadro da grande tradição da música americana", argumentou a Academia Sueca.

Não é difícil compreender a grandiosidade da sua obra. Basta ouvir seus discos para se perceber sua condição de farol para a geração dos Beatles e dos Rolling Stones. Ou então debruçar-se sobre alguns livros sobre ele.

Em "No Direct Home - A Vida e a Música de Bob Dylan", o jornalista Robert Shelton, a partir do seu texto para o The New York Times, fez a versão dylaniana do Gênesis, apresentando a criação do seu vasto universo musical.

Leiam "Dylan: A Biografia", assinada por Howard Sounes, que também é biógrafo de Charles Bukowski. Ou "A Balada de Bob Dylan", onde o autor Daniel Epstein detalha pra nós a inesgotável capacidade inventiva do cantor.

O Nobel 2016 está mais do que bem escolhido. E o conceito de Dario Fo é luva na mão de obra do ganhador. Se na política, não haveria século XX sem Winston Churchill; nenhuma pedra de arte rolaria na cultura mundial sem a voz e a poesia de Bob Dylan.





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