BLOG DO ALEX MEDEIROS

06/08/2018
Morreu Joël Robuchon

Luto no mundo gastronômico. Faleceu aos 73 anos o chef de cozinha francês Joël Robuchon, o maior ganhador de estrelas no famoso e rigoroso Guia Michelin, que avalia os restaurantes do mundo inteiro. Foram 32 estrelas.


Nascido em 1945 em Poitiers, na parte central da França, Robuchon recebeu muitos reconhecimentos ao longo da carreira de cozinheiro, sendo considerado o melhor do século XX pela renomada revista Gault & Millau, que revolucionou o universo gastronômico e patrocinou a Nouvelle Cuisine.

Sua morte foi consequência de um tumor no pâncreas, que o levou a um procedimento cirúrgico há um ano. O chef da cozinha do Palácio dos Campos Elíseos, sede do governo francês, Guillaume Gómez, postou no Twitter: "O maior profissional que a cozinha francesa já teve, um exemplo para as futuras gerações de chefs".





06/08/2018
45 anos hoje do programa Fantástico

Num dia como hoje, em 1973, uma noite de domingo, a TV Globo estreava um novo programa, uma revista eletrônica com a função de entreter e também de informar. Fruto da criatividade e antevisão de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, entrou no às 20h o Fantástico: o Show da Vida.

Eu tinha 14 anos e nas imediações da casa dos meus pais existia no máximo uma dezena de televisores, nenhum ainda em cores, apesar das improvisadas telas que imitavam o colorbar dos futuros aparelhos coloridos, só que em faixas horizontais. Era o tempo em que a maioria assistia tudo nos televizinhos.

Apenas no ano de estreia o programa foi apresentado em preto e branco, numa abertura tipo musical, onde um par de crianças adentrava o palco e abria uma cortina para o surgimento de dançarinos circenses, enquanto a música-tema abria com sons de piano, harpa e xilofone, num barulho de águas e sinos.

A letra foi composta pelo próprio Boni, enquanto Guto Graça Mello criou a melodia e os arranjos. A execução ficou com a orquestra e o coral da gravadora Som Livre, que poucos meses depois lançou o LP com a canção em diversos estilos. Não demorou e se tornou a sonoridade das noites dominicais.

Foi um ano de grandes mudanças no Brasil. A cena musical pós Tropicália explodiu com produções que se tornariam épicas, como os discos e canções de Raul Seixas, Secos & Molhados, Luiz Melodia, Sergio Sampaio e Walter Frango. Os bregas e românticos reeditavam a Jovem Guarda na audiência.

Aquele 1973 foi citado literalmente em duas músicas que não paravam de tocar no rádio. Campeão de vendas de discos, Antônio Marcos emocionava cristãos com O Homem de Nazaré, letra de Claudio Fontana: "1973, tanto tempo faz que ele morreu, o mundo se modificou, mas ninguém jamais o esqueceu".

O outro a cantar - e gritar - o ano foi o maluco Raulzito fundindo a cuca do país com a música e letra de Ouro de Tolo: "... ganho quatro mil cruzeiros por mês, eu devia agradecer ao Senhor por ter tido sucesso na vida como artista, eu devia estar feliz porque consegui comprar um Corcel 73".

Na guerra pela audiência das famílias brasileiras, a Globo brigava com a Tupi com suas novelas. Quando o Fantástico estreou naquele agosto, a Tupi tinha acabado de exibir Vitória Bonelli, sucesso que iniciara em setembro de 1972 e tinha grande elenco, destacando um jovem ator chamado Tony Ramos.

A Globo atacava com um time de peso na novela Cavalo de Aço, que sairia do ar no meio do mês da estreia do Fantástico. Não foi fácil para a Tupi enfrentar o talento de Tarcísio Meira, Glória Menezes, José Wilker, Betty Faria, Arlete Sales, Claudio Cavalcanti, Renata Sorrah, Carlos Vereza e Stênio Garcia.

A emissora dos Diários Associados sustentou a briga com Rosa dos Ventos, iniciada em julho logo que terminou Vitória Bonelli e atravessaria o ano inteiro até novembro. No elenco, de novo Tony Ramos e mais Arlete Montenegro, Geraldo Del Rey, Fausto Rocha, Wanda Estefânia, Nicette Bruno, Adriano Reys, Nathália Timberg, Ruthinéa de Moraes e a gata da hora, Nádia Lippi.

Nesses 45 anos de Fantástico, tudo mudou quase para pior: mudaram as novelas, as canções, o entretenimento televisivo e também o próprio Show da Vida, resumido hoje a matérias policiais, aberrações comportamentais e tudo quando é miséria do século XXI. O Fantástico agora é o Show da Morte.





03/08/2018
Mídia, fakenews e Shakespeare

Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a filosofia. Isto se repete com dez entre dez pessoas que jamais leram Hamlet. Assim como há outra coisa maior por trás da cruzada da grande mídia contra os fakenews. Não, mil vezes não. A imprensa clássica não abraçou de repente a verdade.

Falsas notícias sempre existiram, assim como manipulação dos fatos, que ao fim e ao cabo são a mesma coisa. O que os jornalões e as televisões, com rima e tudo, estão fazendo é uma espécie de delação premiada para impedir que aqueles que hoje os repetem não assaltem seus usuários.

A mídia oficial está num cagaço cuja visibilidade extrema não tem jeito de ser camuflada por uma campanhazinha de doutrinação dos leitores, ouvintes e telespectadores, que só tem uma finalidade: não perdê-los para as redes sociais, para os blogs e sites independentes e para grupos do WhatsApp.

O advento da Internet mudou o azimute da comunicação social, tirou da mídia estabelecida a exclusividade dos fatos e a reserva de mercado dos acessos a opiniões e análises. Há um fenômeno que poucos estão percebendo, além da midiazona, que é a onipresença dos aplicativos.

Foram-se os tempos dos leitores privilegiados com acesso a artigos, crônicas, críticas e debates até então restritos aos ambientes acadêmicos, políticos e intelectuais. Nos mais distantes recônditos do país, nos mais esquecidos grotões do mapa, o tal zap zap está fazendo um estrago.

Lê-se tudo pelo Brasil afora, sem precisar dos acessos aos jornais, revistas e canais de TV. Um vaqueiro repassa pra outro textos presumíveis de Arnaldo Jabor, um feirante discute em grupo sobre Lula e Bolsonaro, milhões de brasileiros compartilham o que antes era assunto de uma elite.

Mesas redondas em canais fechados e comentários analíticos em telejornais das grandes redes são desmitificados por versões de um mesmo fato na boca de um youtuber; os velhos plantões das redações sofrem atraso de longos minutos em relação ao fato disseminado no Twitter ou Facebook...

No processo eleitoral que se avizinha, o efeito disso tudo já está nas ruas, através de uma rejeição gigantesca à política. A massa já não tem manobra, molda sozinha, ou em nichos internéticos, sua opinião sobre tudo e sobre todos. É essa realidade que a campanha anti fakenews camufla em si mesma.

Lembra Hamlet, no esforço de esconder de Horácio e Marcellus os detalhes do encontro com o fantasma (seria um fake?). Após revelar tudo, quer que ambos saibam assimilar só para eles o fato. A questão é que entre verdades e mentiras, a imprensa sempre navegou na fronteira das duas. Ser fake ou não ser, eis a questão.





02/08/2018
Violência, saúde e economia na pauta da AL

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte terá uma agenda vasta para o mês de agosto. Importantes debates estão programados para o período, com a realização de seis audiências públicas, discutindo desde violência contra mulher, economia, combate às drogas, proteção à criança e saúde pública.

No dia 7 de agosto, o tema em debate no Poder Legislativo será a Lei Maria da Penha, que trata sobre proteção às mulheres vítimas de violência doméstica. População, autoridades e parlamentares discutirão acerca dos avanços e desafios da legislação, que completa 12 anos. A discussão está prevista para as 14h, no auditório da Casa.

Uma semana depois, no dia 14, o tema em discussão será o combate ao uso de entorpecentes. Também agendada às 14h, o debate vai tratar políticas sobre drogas e famílias junto às comunidades terapêuticas.

Especialistas no assunto estarão no Legislativo para tratar do tema. Um dia depois, o assunto será a discussão do futuro da economia do Rio Grande do Norte.

A Frente Parlamentar em Defesa do Comércio, Indústria, Turismo, Serviços e Empreendedorismo vai discutir junto à população o projeto Mais RN, voltado ao desenvolvimento econômico do estado.

Na segunda-feira seguinte, dia 20, o debate terá como foco o respeito aos direitos da criança e da mulher. Na audiência, também agendada para às 14h no auditório da Casa, sociedade civil organizada, representantes de movimentos sociais e autoridades debaterão junto aos deputados os deveres do Estado para garantir os direitos estabelecidos por lei.

Dois dias depois, em 22 de agosto, os jovens também serão foco do debate, mas em discussão sobre o sistema de garantia à criança e ao adolescente vítima ou testemunha de atos de violência. Representantes do Estado, da área de Segurança Pública, Direitos Humanos e a sociedade civil participarão da discussão.

Ainda no mês, dia 23, a saúde será foco de discussão dos parlamentares. Dessa vez, o sistema de assistência odontológica à população será discutido no auditório Cortez Pereira, às 14h.

Os desafios, problemas e as alternativas para melhorias no atendimento serão discutidas por representantes da Secretaria Estadual de Saúde, unidades de saúde, servidores e representantes de classe.

Todas as audiências públicas são abertas à população, que pode participar dos debates no auditório, tirando dúvidas ou acrescentando ao debate. Além disso, as discussões também são transmitidas pela TV Assembleia para todo o estado.





31/07/2018
Coisas & coisas

COISA COM COISA
UMA COISA É A FLOR
OUTRA A MARIPOSA
 





29/07/2018
Rejeição total na pesquisa da FIERN

A Federação das Indústrias do RN publicou na manhã de domingo, 29, uma nova pesquisa de opinião (não é de hoje que a entidade investe em pesquisas nos anos eleitorais), agora realizada pelo Instituto Certus, averiguando o cenário do estado no âmbito econômico, administrativo e político.

Entre diversas aferições feitas, também foram aplicados questionários sobre a intenção de voto do eleitor potiguar para as eleições de outubro. E o resultado para a disputa ao governo do estado exibiu um quadro que se repete em outras pesquisas anteriores, tanto no RN quanto no Brasil inteiro.

Os índices da aferição espontânea, por exemplo, exibem pela enésima vez a rejeição absoluta do povo ao processo eleitoral, numa consequência clara do descrédito generalizado com a prática política no país nas últimas três décadas, desde que a proliferação de partidos ocupou o serviço público.

Há três décadas (desde meus tempos no Diário de Natal e no Jornal de Hoje) venho alertando os leitores sobre a importância da pergunta respondida espontaneamente, quando o questionário da pesquisa não induz o entrevistado com a apresentação prévia dos nomes dos candidatos.

É muito mais real um resultado na espontânea do que na estimulada. E o que mais uma vez a pesquisa da FIERN e da Certus mostrou foi simplesmente uma indiferença gigantesca do povo com os candidatos, como já vem ocorrendo em outros estados. Ninguém suporta assunto político faz tempo.

A pesquisa espontânea apontou mais de 80% dos eleitores potiguares rejeitando todos os candidatos a governador. Foram 49,15% se dizendo indecisos e 31,35% afirmaram não votar em nenhum. Fátima Bezerra (PT) obteve 8,72%, Carlos Eduardo (PDT) 6,10% e Robinson Faria (PSD) 2,91%.

Essa rejeição popular também se apresenta, inclusive, na aferição estimulada, quando há a presença dos nomes no questionário. Foram, 34,11% dizendo não votar em nenhum, enquanto 10,43% estão indecisos. Fátima Bezerra 29,15%; Carlos Eduardo, 15,39% e Robinson Faria, 6,31%.

Foi feita também uma averiguação do sentimento do eleitor com a eleição para presidente da República, e a indiferença potiguar se apresentou robusta na pesquisa espontânea, onde uma maioria de 65% rejeitou todos os nomes. O líder entre os citados, Lula (que nem é candidato), teve 24%.

Uma pergunta instigante na pesquisa foi sobre o poder de influência do voto, onde 52,48% responderam que ninguém influencia, enquanto 19,72% disseram ser os prefeitos. Já 5,25% responderam os vereadores; 6,38% o padre católico; 4,18% o pastor evangélico; e 3,83% o deputado estadual.

Uma coisa curiosa na divulgação da pesquisa é que foi feita apenas na página da FIERN no Twitter, iniciativa justificada pela própria pesquisa que mostrou 69,39% dos eleitores acessando a Internet. Entretanto, as postagens obtiveram pouquíssimas curtidas e compartilhamentos no microblog do passarinho azul.





27/07/2018
O esquema bancário suspeito de Toffoli

A revista Crusoé chegou às bancas exibindo uma reportagem-bomba na capa, representada graficamente na foto do ministro do STF, Dias Toffoli, futuro presidente da corte, o órgão máximo de defesa da Constituição.

Segundo a matéria, baseada em minuciosa investigação técnica de profissionais do Banco Mercantil, o ministro mantém uma conta gerenciada por um assessor do próprio STF onde depósitos mensais de R$ 100 mil são feitos, oriundos de uma conta do Itáu pertencente à sua mulher, que adminisrra um escritório de advocacia.

O rastreamento dos depósitos e também das retiradas sugerem um esquema suspeito que não passou pela fiscalização do COAF - o Conselho de Atividades Financeiras, nem pelo Banco Central. Há também uma espécie de triângulo afetuoso-pecuniário com transferência de metade dos R$ 100 mil para uma ex-esposa de Toffoli.

Veja a íntegra da explosiva reportagem no site da revista Crusoé, aqui: 
www.crusoe.com.br





26/07/2018
Textos liberados para todos

Alguns nomes icônicos estão na lista dos autores com textos sob domínio público a partir deste 2018. A começar pelo americano Winston Churchill, o romancista que durante o início do século XX foi bem mais conhecido que o mítico político britânico, que por sinal também foi escritor e até ganhou o Nobel.

Apesar de ofuscado pelo inesquecível primeiro-ministro do reino, o Churchill romancista conseguiu a proeza de ser inclusive um best-seller. Muitos dos seus livros foram por vezes atribuídos ao Churchill inglês, que só escreveu um romance, chamado Savrola. Ambos também eram pintores e trocaram cartas.

A iniciativa foi do político da Inglaterra, solicitando um entendimento com o xará dos EUA quanto à autoria nas capas dos respectivos livros. O inglês informou que publicaria suas obras como Winston S. Churchill (S de Spencer), deixando ao americano o uso do Winston Churchill. E assim foi acertado e feito.

No meio dos escritores com textos liberados dos direitos autorais está um inglês não muito famoso quanto Churchill, mas cultuado até hoje por tribos de contraventores culturais e filosóficos. Seu nome é Aleister Crowley, que ficou notório como ocultista, pintor, poeta e romancista. Foi até espião recrutado.

Frequentou a Universidade de Cambridge e praticava montanhismo, período em que aderiu a uma espécie de seita chamada Ordem Hermética que o treinou nos rituais de magia cerimonial. Se aventurou em regiões inóspitas na Escócia e no México, e estudou práticas hindus e budistas na Índia.

No começo do século XX, enquanto passava a lua de mel com a esposa Rose Edith no Egito, declarou ter sido contatado por uma entidade sobrenatural de nome Aiwass. Tal figura teria lhe fornecido o Livro da Lei, com o qual ele compôs sua própria seita chamada Thelema, onde tudo é permitido, é da lei.

Crowley se tornou guru de onze entre dez roqueiros durante as décadas de 1960 e 1970, influenciando músicos, poetas e compositores, com destaque no Brasil para Raul Seixas e Paulo Coelho, que se inspiraram na Thelema para compor a música Sociedade Alternativa, cuja letra cita o satanista britânico.

Sob domínio público também estão as obras surrealistas do pintor belga René Magritte, que subverteu percepções da realidade com imagens provocativas de objetos comuns, mas inseridos em contextos incomuns. Ele dizia que suas criações evocavam mistérios. E muito influenciaram a geração da pop art.

Por falar em obra provocativa, quem também está na lista é a americana Alice Babette, personagem importante da transgressora vanguarda de Paris no início do século XX. Ela e a escritora Gertrude Stein se encontraram na capital francesa, sobreviventes do devastador terremoto de 1906, em São Francisco.

Se tornaram amantes e nos anos da "geração perdida", entre a Primeira Guerra e o "crash" de 1929 montaram acampamento na casa parisiense para abrigar artistas expatriados como Hemingway, Picasso, Scott Fitzgerald, Ezra Pound, Matisse, John dos Passos, T. S. Eliot e posteriormente James Joyce.

Uma curiosidade na obra de Gertrude é que seu livro mais popular foi exatamente a biografia de Alice Babette, de 1933. A autobiografia viria 30 anos depois, quase 20 anos depois da morte de Gertrudes. Alice publicou também um livro cheio de receitas próprias, entre elas uma mistura de frutas, nozes e maconha que acabou batizada com o nome "brownies de Alice B. Toklas".





25/07/2018
Resta o Prêmio Multishow

Neymar não precisa brigar este ano pela "bola de bronze" de terceiro melhor do mundo. Se bem que não seria fácil superar uns quinze caras que jogaram mais que ele na temporada. Ontem, a FIFA pôs uma pá de cal no fracasso da Copa e no deboche mundial a que o jogador foi exposto, num recorde de memes.

Dez craques estão na lista da disputa do The Best, o prêmio criado como paralelo à Bola de Ouro da revista France Football, e nela não consta o camisa 10 da seleção de Tite, que, aliás, também ficou fora da lista dos melhores técnicos do mundo. Foram selecionados onze treinadores, sem o brasileiro.

Horas depois da divulgação dos candidatos ao prêmio, a mídia de Pindorama tratou de buscar argumentos que servissem de unguento ao universo pacheco que desde as eliminatórias da Copa 18 sonhava e delirava com um Neymar absoluto, como Pelé, ou mágico, como Garrincha, levando o Brasil ao título.

O jogo sujo das simulações de faltas, as quedas como armas de malandragem, os chiliques de menino mimado, tudo isso forjou os resultados pessoais que afastaram o jogador das honrarias que ele sonha como glória, mas caindo no pecado de não se inserir no sucesso coletivo. Tem sido assim desde o Santos.

Pois foi assim na trágica final interclubes em que o time paulista tomou um vareio de bola do Barcelona; e Neymar assistindo Messi jogar para depois atirar elogios que vislumbravam a transferência para o clube catalão. E lá chegando, viveu incomodado com a coadjuvância, até nos gols de Suarez.

Se foi para o PSG deixando a porta do Barça fechada exatamente no setor da torcida, que o bombardeou de desaforos. Baixou em Paris como um invasor mal-humorado, peitando Cavani sem entender que o uruguaio era o ídolo da bastilha. Agora já sabe que terá outra sombra, bem maior, de MBappé.

Na semana passada, o portal de notícias Onda Cero, da Espanha, publicou matéria revelando que a diretoria do PSG só considera invendível o garoto que virou símbolo da conquista francesa em campos russos. Se Neymar não sentiu o problema, seu despreparado pai decerto já viu que não vai ser tão fácil.

O inferno astral do jogador e os esforços da mídia pacheca em tentar esconder a rejeição mundial me lembra aqueles tempos em que o peladeiro Robinho era o sonho de consumo da torcida nacional. A imagem catapultada por robustos jabás travestidos de marketing era quase um novo símbolo cívico da Pátria.

Na coluna de O Jornal de Hoje e no Twitter, eu remava contra a corrente pra frente em favor do boçal da Vila. Qualquer pedalada ridícula que ele aplicava num zagueiro botocudo era motivo de louvação da choldra. Até dondoca semiletrada me abordava em restaurante repetindo as loas de Galvão Bueno.

No ano passado, fui fuzilado por não apostar na ascensão europeia do PSG só pelo fato da presença de Neymar. Pra provocar, apostei que o time não iria longe na Champions; e que não foi mesmo. Antes e durante a Copa do Mundo, era uma expectativa só no país: o hexa estava no papo e Neymar reinaria.

Aí vieram os fricotes do rapaz (chamam-no de menino Ney), as quedas premeditadas, a histeria contra juízes, imprensa e até colegas de bola. Depois veio o deboche internacional e agora a ausência na lista da FIFA. Mas, quem sabe, o tosco estágio de ator mambembe reserve ainda o Prêmio Multishow.





24/07/2018
A figurante inesquecível

Na penumbra do mundo de glamour do cinema, por trás dos holofotes, longe das câmeras de Hollywood, há muitos sonhos destruídos, episódios sórdidos, carreiras efêmeras e talentos que se dissolvem no ar da noite para o dia, artistas que jamais experimentaram a glória, mesmo por um tempo breve.

E há também, em grande quantidade, estrelas e astros que brilham por algum tempo, mas que a escuridão dos traumas e das angústias pessoais acabam apagando esse brilho. Gente como a atriz Grace Lee Whitney, a loirinha que em 1966 conquistou a geração Star Trek na pele da ordenança Janice Rand.

A personagem assessorava o Capitão Kirk, eterno papel de William Shatner, e mesmo tendo a aprovação dos fãs do épico seriado de Gene Roddenberry logo começou a ser empurrada para os corredores e o fundo de cena da nave Enterprise. Tímida e discreta, Grace Lee tinha então 36 anos naquele tempo.

Não se sabe os motivos da evaporação gradual do seu papel, principalmente para os fatos cenográficos e reais ali expostos, já que a paquera entre o capitão e sua ordenança contaminara os artistas Shatner e Whitney. Mas ele próprio concordara em reduzir a presença de Janice perto de James T. Kirk.

A vida real de Grace era um buraco negro de sentimentos contidos, que não escapavam para o mundo lá fora. Tudo só veio à tona em 1998, quando ela aos 68 anos publicou sua autobiografia, revelando feridas que atravessaram sua juventude sem qualquer cura e sonhos que nunca conseguiu realizar.

No auge da participação em Star Trek, ela encarou uma dura jornada de assédios no ambiente de trabalho, até que um dos produtores a estuprou no próprio set de filmagens da rede de televisão NBC. Isto somado à revelação de que era filha adotiva (fato doloroso desde os 7 anos) foi um choque estelar.

Depois do estupro, sua batalha diária se dividiu em três frentes: manter o emprego na série, fazer terapia contra depressão e tentar escapar do vício do álcool e das pílulas de dieta pra segurar o corpo sedutor. Mas não há mal que não traga o pior, e ela foi demitida do seriado 24 horas após ser violentada.

Grace Lee merecia um destino de êxito profissional e de equilíbrio pessoal; já buscava o mundo artístico aos 3 anos cantando na luz da geladeira e estreou nos palcos ainda adolescente, chegando depois a Broadway. Os primeiros passos no cinema foram num filme de Billy Wilde e na série Gunsmoke.

Em 1976, quando se recuperou do álcool e administrou os traumas, ela foi procurar o próprio Gene Roddenberry, que a colocou nos filmes da saga. A série havia parado desde 1969 e ela retorna na versão das telas, mas não conta com o apoio moral dos colegas, apenas de Leonard Nimoy, o Dr. Spok.

Em seu livro, ela conta sobre os ataques sexuais sofridos pelas atrizes naqueles anos. Tornou-se uma voz presente nos eventos sobre Star Trek, interagindo com os fãs, e manteve uma forte amizade com Nimoy, o prefaciador da sua autobiografia. Morreu em maio de 2015, pouco tempo depois do velho amigo. Tinha 85 anos.





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