BLOG DO ALEX MEDEIROS

12/03/2016
Nádia Lippi, a grande borboleta

O filme "Motyle" (traduzido por aqui como As Borboletas) é um clássico do cinema polonês dirigido em 1972 pelo cineasta Janusz Nasfeter. A obra é um poema épico em homenagem ao primeiro amor e aos sonhos românticos que escancaram a vida da gente na pré-adolescência.

Narra a aventura do garoto Eddie, de 12 anos, que vai passar as férias de verão na casa da tia Heli, moradora de um bucólico lugar às margens de um grande lago. O menino faz amizade com outros três e descobre a paixão na contemplação da pequena Monika, que com ele curte passeios pela mata, banhos no lago e olhares gêmeos em direção ao céu.

Quando assisti "Motyle" pela vez primeira, em meados dos anos 1980, numa sessão matutina do saudoso Cine Rio Grande, foi impossível não mergulhar num mar de memórias, numa lúdica viagem aos primeiros anos da minha adolescência, ali entre 1972 e 1975, quando experimentei os primeiros impactos cardíacos das paixões germinais.

Lembrei da emoção que me invadia quando a moreninha dos cabelos de Iracema aparecia na casa do vizinho, durante as férias escolares. Disputei sua atenção com o colega que morava em frente. Parada dura, mas acabei vencendo aquela batalha pelo amor platônico da menina.

Pouco tempo depois, meu vício pela televisão me transportou dos seriados americanos para as telenovelas da Tupi, Excelsior, Globo e Record, todas elas habitando as páginas dos álbuns de figurinhas que a gurizada do bairro curtia em ritmo constante. Até então, minha atriz preferida vinha do cinema, a voluptuosa americana Raquel Welch (capa da minha carteira de plástico comprada na Feira das Quintas).

Mas, aí veio uma paulistana louríssima que eu já havia visto de relance nas novelas "A Menina do Veleiro Azul" (de Ivani Ribeiro, 1969) e "A Revolta dos Anjos" (de Carmem da Silva, 1972). Foi só em "Rosa dos Ventos" (de Teixeira Filho, 1973), que eu percebi totalmente a beleza angelical da atriz Nádia Lippi, que no ano seguinte, em "A Barba Azul" (de Ivani Ribeiro, 1974) substituiu de vez Raquel Welch na minha carteirinha.

Eu não perdia um capítulo, só para esperar a aparição de Babi, estonteante num shortinho ou minissaia, os lábios suculentos e um olhar felino que hipnotizava. Com ela, esqueci também a moreninha do vizinho, pois logo surgiu na rua uma branquinha quase clone da atriz. Bingo! Meu coração mudou de endereço na rapidez da passagem de um frame na TV.

De novo eu estava vivendo a fantasia do pequeno personagem do filme polonês de Nasfeter. E a jovem Nádia Lippi se fez "Fada Madrinha" da minha nova paixão. Lembro que pelo menos três músicas da trilha sonora da novela serviram de fundo para meus sonhos juvenis naqueles anos: aprendi Shadows, de Demis Roussos, num "embromation" fluente; me arrepiava ouvindo Don't Let Me Cry, de um tal Mark Davis que logo se tornaria Fábio Jr.; e berrava imitando um imitador de Tim Maia, chamado Tony, que cantava "Procuro Por Você", versão de Yours Until Tomorrow, da Carole King, que era o tema de Babi.

Depois daqueles anos, guardados em mim como férias de verão que nunca acabam, conservei a admiração por Nádia Lippi não apenas pelos trabalhos que fez na TV, no cinema e no teatro, mas também pela importância histórica da sua estampa de musa da minha geração. Um grande diferencial para as divas contemporâneas de Raquel Welch é que Nádia era da mesma faixa etária daqueles que a idolatraram na juventude.

Hoje, sábado, 12 de março, quando transcorre mais um seu aniversário, rememoro minhas paixões adolescentes que habitaram meu ser dividindo espaço com a imagem televisiva de uma atriz que deixou sua marca na dramaturgia nacional e no consciente coletivo das pessoas. E para inseri-la no contexto amoroso do clássico filme "Motyle", de 1972, chamo a musa de "Grande Borboleta", aquela que Caetano Veloso disse "Seja completa mente solta". Querida Nádia Lippi, toma esta crônica como um beijo!





10/03/2016
A arte do crime

As versões sobre como, quem e o porquê do encontro entre o ator Sean Penn e o rei do tráfico Joaquin "El Chapo" Guzmán não param de crescer. A mais recente veio à luz depois que o caso passou a ter probabilidade de se tornar um documentário televisivo nos EUA e já com o título de "El Chapo & Sean Penn: Desvario na Selva", segundo afirma o jornal The Daily Mail.

De acordo com o roteiro do documentário, o motivo real que levou Penn a entrevistar o bandido mexicano não foi em verdade a entrevista, publicada um dia depois que El Chapo foi preso, mas uma conversa agendada para conhecer o traficante e discutir os detalhes sobre um filme em que o ator o encarnaria nas telas.

O tal filme seria dirigido pelo cineasta Oliver Stone, famoso por obras como Platoon (1986), JFK (1990) e os dois thrillers sobre Wall Street (1987 e 2010), que armou o encontro para que Penn cumprisse também uma outra missão: adquirir os direitos de dramatização da vida do líder do Cartel de Sinaloa, pela bagatela de R$ 6 milhões.

Pouco tempo antes do encontro, El Chapo havia assistido na íntegra a série Narcos, sobre o colombiano Pablo Escobar, produzida pela Netflix, e ficou sonhando com algo semelhante para ele. Oliver Stone tem uma boa experiência no submundo do crime, com duas pérolas de referência, no roteiro de Scarface (1983) e na direção de Selvagens (2012).





10/03/2016
Fazendo uma fezinha no Brasil

Estamos prestes a ter de volta na cena urbana nacional o jogo do bicho, os bingos e os cassinos, estes últimos proibidos desde 1946.
  
A Comissão Especial do Desenvolvimento Nacional aprovou ontem, quarta-feira (9), o substitutivo do senador Blairo Maggi (PR-MT) para o Projeto de Lei do Senado (PLS) 186/2014, do senador Ciro Nogueira (PP-PI).

O texto amplia o leque dos jogos de azar permitidos no Brasil, regulamentando o jogo do bicho (que foi à bancarrota no Rio de Janeiro pelo martelo da então juíza Denise Frossard que depois virou deputada), os bingos e os cassinos.

Blairo Maggi informou terem sido apresentadas 16 emendas, das quais acatou cinco. Uma delas propõe estender os requisitos de idoneidade a todos os sócios da pessoa jurídica que detenha direitos para exploração de jogos de azar.

Outra emenda amplia a proibição de que detentores de mandatos eletivos explorem jogos de azar, de forma a abranger também cônjuge, companheiro ou parente em linha reta até o 1° grau. O projeto agora segue para a análise do Plenário do Senado.





10/03/2016
Delfim saiu do grupo

Execrado pela esquerda nos anos 1970 como o símbolo da economia do governo militar, o economista Delfim Netto atravessou quatro décadas como representante do capitalismo e das classes dominantes, até que o PT chegou ao poder e lhe fez guru de Lula, conselheiro econômico da companheirada.

Até ontem, pelo visto.

A mídia reproduziu agora o seguinte comentário do velho intelectual de direita:

"É hora de enfrentar a esquerdopatia eleitoral oportunista, que esconde o corporativismo do PT."

O barco de Dilma deu água mesmo.





08/03/2016
Cultura da delinquência

Quem me conhece, sabe muito bem do meu posicionamento quanto aos gastos públicos com instituições voltadas para setores como cultura e turismo. Acho que quem faz e incrementa ambos é a sociedade civil, são os artistas em sintonia com o mercado.

Alguém sabe o nome do ministro da Cultura dos EUA, ou do ministro do Turismo da Inglaterra? Já leram ou viram alguma coisa a respeito do secretário de Cultura ou Turismo de Nova York, de Londres, de Frankfurt, de Estocolmo, de Berlim?

A estrutura estatal brasileira voltada para a Cultura vive um fluxo de desperdício desde a volta das eleições diretas para os cargos executivos, em 1982. Vivemos entre milhões para Luan Santana e Claudia Leite e migalhas para poetas e músicos suburbanos.

Nos dois casos, o paternalismo governamental está presente. Como se o processo cultural fosse apenas uma agenda de eventos. Defendo o fechamento da FJA desde o final dos anos 1970, quando a poesia urbana se engajou na militância política.

Em meados dos anos 1980, participei de dois projetos alternativos de cunho jornalístico e literário, dois tabloides que não poupavam bombardeio no cabide de emprego instalado na Fundação: Os jornais A Franga e o Preto no Branco achincalhavam.

Sei de parentes e afilhados de políticos que viveram por décadas, entrando o século XXI, recebendo à distância polpudos salários pagos pela folha da FJA. Gente que até fez morada e vida no exterior e em estados do Sudeste. Como hoje tem na Assembleia.

A entidade tem apenas a fachada de fomento da cultura, mas é uma estrutura estéril desnecessária e muitas vezes voltada para o assistencialismo lítero-musical como se patrocínio disso ou daquilo estabelecesse mesmo uma política cultural de longo alcance.

Esta semana, ao ver a histeria ideológica do presidente Crispiniano Neto, num surto de guerrilha dos anos 1960, reforcei mais ainda minha posição de frontal oposição à existência da velha casa criada por Aluízio Alves e fundada por Walfredo Gurgel.

O cara sequer usou sua tradicional linguagem de rimas em quadrinhas para agredir gregos e troianos - ou leigos e tucanos, pra ficar inserido no contexto - com ameaças de fogo em carros da imprensa e até vitupérios ensandecidos contra o juiz Sergio Moro.

Uma breve navegada na timeline do Twitter de Crispiniano, durante os últimos cinco dias, fiquei curioso sobre a sua carga horária na Fundação. O homem vomita sandices contra opositores do PT em série, a cada hora. Deve ser a cultura da operação padrão.

Como se já não fosse um fato gravíssimo de incitação ao crime, como as postagens convocando o MST a atacar os "infiéis" com foices, machados e enxadas, sua delinquência virtual atingiu também a imagem do governo e do governador Robinson.

A maioria dos meus leitores, independente das escolhas políticas, conhece o perfil sereno e respeitoso de Robinson Faria. Eu convivo com o governador, meu amigo de longa data, diariamente, e atesto o pacifismo e a elegância dele desde a juventude.

As palavras maledicentes do presidente da Fundação José Augusto não encontram nenhuma via sequer de ligação com a estampa republicana do governador. O destempero contra veículos de comunicação e cidadãos livres não cabe no governo.

Aprendi durante os tempos de movimentos estudantis e culturais que pessoas públicas não estão dissociadas das suas manifestações individuais. O presidente do órgão de Cultura deveria guardar seu deslize verbal para os seus versos de pé-quebrado.





Veja o video:

03/03/2016
Novo boato sobre o fim do Foo Fighters

Depois que o vocalista e guitarrista da banda americana Foo Fighters, Dave Grohl, apareceu sozinho na festa do Oscar, colocando música no vídeo em memória dos artistas falecidos em 2015, cresceram de novo os rumores de uma possível dissolução do grupo.

A tese que reveste os boatos é de que o mau relacionamento de Grohl com o baterista Taylor Hawkins estaria levando o primeiro a iniciar uma carreira solo, como já fizera quando da fundação do Foo Fighters, projeto que ele investiu de forma solitária.

Em resposta, a banda produziu e postou um vídeo de sete minutos em que descarta e ironiza os rumores sobre seu próprio fim. O vídeo começa com uma assustadora música que acompanha a captura de capas de sites e portais que publicaram a notícia da atuação de Grohl na entrega do Oscar.

Depois, inicia-se uma espécie de falso documentário de humor mostrando um arrogante Dave Grohl se propondo a ensinar como é fácil fazer música eletrônica, "apenas apertando um botão". Ao final, um texto avisa: "Pela milésima vez, nós não vamos nos separar".





03/03/2016
O sabor da pré-história

Uma gastronomia de um milhão de anos. É assim que podemos chamar o livro de receitas escrito pela dupla Eudald Carbonell e Cinta Bellmunt, e com fotografias de Maria Ángeles Torres, lançado recentemente na Espanha e ainda sem tradução para o português.

Em "Recetas Paleo: la Dieta de Nuestras Orígenes para una vida Saludable" (editora Cúpula), o trio usou pitadas de arqueologia, jornalismo e olhar fotográfico - as especialidades profissionais dos três - para compor os sabores dos tempos do Paleolítico, ou o gosto na mesa dos nossos ancestrais mais remotos (mesa aqui é ilustração rasteira, como o chão das cavernas).

Na dieta do distante passado humano não havia pastas, nem produtos lácteos, atesta a publicação. Carbonell diz que naquele tempo nossos ancestrais não sintetizavam ainda a lactose. O que se vê, segundo comprovações arqueológicas, é muita alimentação vegetariana e carnes de animais, com destaque para as partes do corpo como tíbias e fêmures.

Uma das receitas comentadas pelos autores é medula de bisão-americano com framboesa, apresentada com toques de humor: "primeiro deve-se dispor de um bisão, depois ter licença para mata-lo, se for o caso de não ser um experiente caçador". O estilo pré-histórico de cozinhar ou servir a mesa está a disposição dos leitores, um milhão de anos depois.





03/03/2016
Arquivo de Bob Dylan vira espaço acadêmico

Um surpreendente arquivo secreto com décadas de documentos acumulados pelo gênio pop Bob Dylan, que inclui gravações desconhecidas, manuscritos e instrumentos musicais, será exposto em Tulsa, no estado de Oklahoma (EUA), informou a George Kaiser Family Foundation.

No lote de 6 mil objetos que engloba mais de 60 anos de trabalho se encontram as primeiras gravações do músico, datadas de 1959, assim como um caderno com as letras escritas de alguns de seus sucessos como "Tangle Up In Blue" e "Simple Twist Of Fate", do disco Blood on the Tracks, de 1975.

A coleção, que foi vendida à GKFF e à Universidade de Tulsa por um valor entre US$ 15 milhões e US$ 20 milhões, está atualmente sendo catalogada e digitalizada no Brady Arts District de Tulsa.

Bob Dylan é um artista de costumes nômades, uma figura esquiva quanto ao convívio social, e está imerso numa turnê sem fim desde o final do século XX, tendo já feito mais de 100 shows num só ano em todo o mundo e ainda encontrando tempo para as gravações de estúdio.

À imprensa, ele disse estar feliz por finalmente seus arquivos terem encontrado uma casa. Num comunicado oficial da GKFF, o presidente Ken Levit assinalou que Dylan "é um tesouro nacional cujo maior trabalho continua enriquecendo as vidas de milhões de pessoas pelo mundo".

"Esperamos que, como resultado, Tulsa logo atrairá os fãs e os estudiosos da obra de Bob Dylan", destacou Levit. Por seu lado, o autor de "Like a Rolling Stone", considerada a mais importante canção da história do rock, se mostrou satisfeito com o destino da sua coleção, que tem como um dos mais icônicos objetos a jaqueta de couro que ele vestiu no Festival de Newport em 1965, ano em que surpreendeu todos adotando uma guitarra elétrica.

"Estou muito contente que meus arquivos, que foram compilados durante todos esses anos, tenham finalmente encontrado uma casa e vão estar acompanhando os trabalhos de Woody Ghtrie", disse o artista se referindo ao Woody Guthrie Center que guarda parte da obra do cara que foi seu grande ídolo musical e ainda é considerado um dos mais populares cantores dos EUA.

O decano da Universidade de Tulsa, Steadman Upham, afirmou que a "dylanologia" é uma coisa crescente na área da pesquisa em ciências sociais e humanidades, e a cidade se converterá no epicentro internacional da pesquisa acadêmica em tudo que se relacione com Bob Dylan e também com a Pop Art.





31/12/2015
FELIZ ANO NOVO

PARA OS AMIGOS E LEITORES





22/12/2015
A modelo do ano

Ela lembra Brigitte Bardot na suculenta juventude dos anos 1950. Com 22 anos, a modelo alemã Anna Ewers acaba de desbancar beldades que foram destaque na mídia e no mundo fashion em 2015, como Gigi Hadid e Kendall Jenner.

Retratada recentemente numa série de toalhas do fotógrafo Mario Testino, ela foi eleitra a top do ano pelo site www.models.com, pouco tempo depois de ganhar espaço no ranking do site como uma das 50 modelos mais importantes da atualidade.

No seu currículo, só neste 2015, Anna protagonizou algumas campanhas para Alexander Wang, Balenciaga, Mango, Moschino e Marc Jacobs, e capas para revistas como "Vogue" Paris, Alemanha e Inglaterra. Também desfilou para Chanel e Versace.





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