BLOG DO ALEX MEDEIROS

23/04/2016
A década de Prince

No começo dos anos 1980, quando no Brasil os ventos da Tropicália já não sopravam e davam lugar ao sopro de uma nova onda - new wave - e ao barulho de uma lira paulistana, dois jovens e grandes artistas americanos iniciavam uma disputa pela audiência da nova música negra, filha legítima do Rhythm and Blues.

Seus nomes eram Michael Jackson, o ex-menino prodígio da big family Jackson Five, empurrado na carreira-solo pela genialidade de um produtor e compositor chamado Quincy Jones; e Prince, um jovem multi-instrumentista, fã de James Brown, patrocinado pelo executivo Owen Husney, que o colocou na Warner.

Ambos explodiram nas paradas. Michael com suas canções de temáticas social, sexual e étnica; além de uma dança que segundo Caetano Veloso jogava o rebolado de Elvis e Mick Jagger ao plano dos robôs. Prince, com um potencial inovador em várias frentes, como o RB, o funk, o hard rock e o rap, que ainda sequer rastejava.

Menos comercial que o rival, Prince conseguiu romper o mercado com vendas espetaculares e uma popularidade fenomenal. Seus concertos eram de ruptura com o status quo do showbiz, sobretudo suas declarações de cunho político e as atitudes de confronto à indústria discográfica.

Os números do seu sucesso (vendeu milhões de discos e foi, junto com Michael Jackson, dos primeiros a romper a casa de US$ 100 milhões em contratos) não foram suficientes para livrá-lo da pecha de músico inconformado e rebelde. Foi boicotado por isso e teve dificuldade de sair dos limites dos EUA e Inglaterra.

Desde 1978, quando completou apenas 20 anos, a carreira de Prince rendeu mais de 40 discos, numa produção que sempre prezou pela qualidade técnica e pelo virtuosismo das suas interpretações e manejo dos muitos instrumentos. Alguns álbuns já são História, como "Parade", "Lovesexy", "Around the world in a day" e os revolucionários "Purple Rain" e "Sign o' The Times".

Nos anos do auge da juventude da minha geração, Prince e Michael Jackson não apenas foram os herdeiros legítimos da música negra, como souberam tocar o legado de caras incríveis como John Lee Hooker, James Brown, Little Richard, Chuck Berry, Ray Charles e Jimi Hendrix.

Dominaram o planeta dos anos 1980 na batalha das vendas de discos, cada um com seu estilo e temperamento, e durante todo o tempo do duelo íntimo de mercado só foram molestados por uma terceira figura, branca, que logo formou com eles o trio parada dura da década: Madonna, a única agora entre nós.





23/04/2016
Os livros e as rosas são eternos

Em Barcelona, o dia 23 de abril é a data em que a cidade é tomada por barracas de livros e rosas em comemoração ao santo padroeiro da Catalunha, São Jorge, e também aos namorados e à liberdade de expressão. Não apenas os catalães, mas gente de toda a Europa ocupam as ramblas nessa celebração de cultura e tradição.

É o Dia de Sant Jordi, como se diz por lá, popularizado em toda a Catalunha a partir do século XVI e que em 1840 ganhou uma grandiosa feira das rosas para festejar os corações apaixonados.

A tradição seguiu se curso e Sant Jordi sempre esteve nas ruas das cidades catalães, representado na fé do povo e no perfume exalado pelas milhares de rosas expostas em barracas ou nas mãos de floristas ambulantes.

Até que em 1975 morre o ditador Francisco Franco e o cheiro da democracia começa a se espalhar por toda a Espanha, levando os fiéis do santo padroeiro catalão a incorporarem os livros na festa popular. E lá se vão 40 anos de literatura perfumada exposta nas ramblas, no bairro gótico, no Maremágnum, nas vizinhanças do Parque Guell.

O 23 de abril na cidade de Gaudi é, sem dúvida, um dos mais grandiosos eventos mundiais de culto aos livros, que na opinião dos mais respeitados intelectuais jamais terá o fim dos jornais, por mais poderosa seja a via internética. Quem nunca viu a festa de Sant Jordi, anote a data para uma próxima viagem.

Os livros e as rosas da Catalunha lhes esperam.





20/04/2016
Temeridade com Michel

Reconhecendo o impeachment de Dilma, petistas já batizam o novo cenário como "Governo Temeroso".





19/04/2016
A caneta de Michel

Michel Temer sonha com a cadeira de Dilma Rousseff faz tempo. Foi o pecado da gula que o fez praticar o deslize do vídeo vazado no WhatsApp, antecipando o impeachment da petista e um posicionamento como novo mandatário da República.

Não é de agora que o chefe de uma das bandas do PMDB vem treinando discurso com o uso de teleprompter de acrílico, daqueles que Barack Obama mostrou ao mundo na primeira posse e que a própria Dilma tem usado, desde a campanha com João Santana.

Mesmo antes do vídeo enviado ao seminário de Lisboa, Temer já vinha ensaiando com assessores e aliados uma postura adequada para um provável e iminente pronunciamento à Nação. Alguns colunista de âmbito nacional dizem que ele dita as palavras das falas para um assesor, depois corrige o texto completo.

Chegou a dizer recentemente, ironizando Dilma, "eu nunca tive um João Santana para escrever para mim". Nessa parte, há controvérsias. O vice pode até ser um bom acadêmico do Direito, como dizem, mas não elabora os próprios discursos. Pelo menos nas últimas duas décadas, confia a missão redacional ao dileto amigo e consultor de marketing Gaudêncio Torquato.





19/04/2016
Super-heróis em espanhol

Os desenhistas espanhóis que fizeram sucesso no mercado de HQ dos EUA são motivos para uma bela exposição patrocinada pelo jornal ABC, de Madrid, no museu particular do famoso diário.

As artes com os super-heróis marcados pelo trabalho silencioso e discreto dos ilustradores da Espanha estão atraindo jovens e adultos ao Museu ABC. São obras de 47 artistas da nona arte que atuam há alguns anos no mercado de HQ americano, principalmente com personagens da Marvel e DC Comics.

Intitulada "Superhéroes con Ñ", a exposição é a primeira do gênero na capital espanhola e reúne um conjunto de desenhos englobando desde os pioneiros nos anos 1950 até os consagrados desenhistas dos anos 1990 até hoje.

Lá estão trabalhos originais de nomes como Rafael López Espí, que desenhou as primeiras revistas da Marvel na Espanha. E também dos consagrados Carlos Pacheco, Ramón Bachs, Miguel Ángel Sepúlveda, David Aja, Pepe Larraz, Enrique Vegas e Paco Roca.





18/04/2016
Nordeste independente

A aprovação da abertura de impeachment contra Dilma Rousseff, ontem na Câmara Federal, foi consumada na simbologia da ausência de Eduardo Campos, aquele que para muitos a teria vencido na eleição de 2014 não fosse o fatídico acidente aéreo na manhã de 13 de agosto do mesmo ano.

Coube à bancada do seu estado, Pernambuco, o voto que definiu a vitória da oposição no plenário. Uma vitória sobre o partido de outro pernambucano, Lula, que se imaginou acima do bem e do mal e acabou tomando uma aula de articulação política "made in Temer & Cunha".

Quando o deputado Bruno Araújo (PSDB), chorando pela emoção e pressão dos gritos do plenário, selou com seu voto o impeachment de Dilma, foi como se a eleição de 2014 voltasse ao ponto de partida, zerasse o cronômetro do tempo, e reparasse o truque eletrônico da turma de Dias Toffoli.

Porque nada, e nem ninguém, me convence de que a estreita vitória de Dilma sobre Aécio Neves no segundo turno não tenha sido engendrada nas urnas de Pernambuco, forjadas na fragilidade de um sistema de votação jamais adotado por nenhuma grande nação.

Para pontuar, lembro de como foi o primeiro turno da eleição presidencial no estado de Nelson Rodrigues, de Clarice Lispector, de Alceu Valença, de Capiba, de Manuel Bandeira, de Chico Science e de João Cabral de Melo Neto: vitória maiúscula de Marina Silva, que herdou os votos de Eduardo Campos.

Após o estado de Luiz Gonzaga depositar quase 50% dos votos dos pernambucanos na candidata amazônica, tudo sumiu como numa enchente de rio e no segundo turno Dilma apareceu com pouca margem sobre Aécio, como se não houvesse nenhuma transferência para o tucano. Foi a mágica da informática.

Hoje, quando o Brasil acorda para um novo dia, como dizia aquela canção do tempo em que Chico Buarque se dizia inimigo da iniquidade, o desgoverno do PT está contando os dias para o seu fim, derrubado no voto parlamentar dos representantes de Pernambuco, a pátria nordestina de Eduardo.

Durante muito tempo, os ideólogos da esquerda tupiniquim se vangloriavam da hegemonia eleitoral do PT na região empobrecida e castigada pela seca. Suas bolsas-esmolas substituíram outras moedas eleitorais, como carros-pipa, enxovais, dentaduras, contas de luz e tijolos.

Ontem, as bancadas de diversos estados nordestinos, como o Rio Grande do Norte, a Paraíba e Pernambuco, contribuíram enormemente para a derrota inicial da quadrilha do mensalão e do petróleo. Me pareceu a consumação de uma profecia lírica dos poetas Bráulio Tavares e Ivanildo Vila Nova: "Imagine o Brasil ser dividido e o Nordeste ficar independente".

Pois ficou, viu Lula, viu Dilma? Tchau, querida, e leve o PT junto! (AMed)





Veja o video:

16/04/2016
É o fim

Todos pelo fim da organização criminosa





16/04/2016
Juan Fangio, o Pelé da F1

A revista Veja destaca em seu site e na última edição um estudo que aponta os melhores pilotos de Fórmula Um de todos os tempos, onde a liderança pertence ao argentino Juan Fangio, pentacampeão da modalidade nos anos 1950.

O estudo pertence à renomada Universidade de Sheffield, na Inglaterra, que resolveu desconsiderar qualquer impacto do poder das escuderias e da potência dos carros, valorizando assim somente o talento pessoal dos pilotos.

Conduzido pelo cientista Andrew Bell, do Instituto de Metodologia Sheffield, o estudo concluiu que os automóveis de F1 têm peso seis vezes maior que os pilotos (85% x 15%) na conquista das vitórias ou da posição no pódio.

Juan Fangio, que obteve suas vitórias numa época em que tocar o carro no braço era determinante para fazer a diferença nas pistas, foi eleito o maior de todos os tempos. Já o alemão Michael Schumacher, recordista com sete campeonatos, ficou na nona colocação.

O segundo colocado na lista de Sheffield é o francês Alain Prost, tetracampeão da categoria nos anos 1980/1990 e chamado na época pelos próprios colegas de "O Professor". Depois dele, o espanhol Fernando Alonso vem em terceiro, seguido pela lenda britânica Jim Clark, o "escocês voador" bicampeão em 1963 e 1965.

Um dos maiores ídolos esportivos do planeta, o brasileiro e tricampeão Ayrton Senna aparece em quinto lugar no estudo da universidade inglesa, enquanto o austríaco Niki Lauda, considerado um fenômeno pela imprensa especializada, nem foi citado entre os 100 mais.

Algumas surpresas já estão provocando polêmicas e levando os fãs da F1 a refutarem a pesquisa. As posições de pilotos com Senna e Schumacher, a ausência de Lauda, e a presença de Christian Fittipaldi colado em Lewis Hamilton são fortes motivos para as críticas à Universidade de Sheffield.


Apesar de ter disputado apenas três temporadas na breve carreira da modalidade, o sobrinho de Emerson Fittipaldi está apenas quatro posições (em 12º) atrás do tio bicampeão e juntinho do alemão Sebastian Vettel, o décimo, e do inglês Hamilton, o décimo primeiro.

Outro brasileiro sem títulos, mas com duas décadas de experiência e dois vice-campeonatos na Ferrari, Rubens Barrichello aparece em 39º na lista, à frente de mitos como Jack Brabham (40º), Alan Jones (43º), Bruce McLaren (45º) e Clay Regazzoni (48º).

Abaixo, o Top 10 de Sheffield:

1. Juan Fangio
2. Alain Prost
3. Fernando Alonso
4. Jim Clark
5. Ayrton Senna
6. Jackie Stewart
7. Nelson Piquet
8. Emerson Fittipaldi
9. Michael Schumacher
10. Sebastian Vettel 





15/04/2016
Ruth Aquino na Época

"Não há ouros nem copas nesse baralho viciado do poder. Se existe alguma carta fora do baralho é a população iludida, falida e desprezada pelos governantes, federais, estaduais e municipais, e seus representantes no Congresso. As outras cartas fora do baralho são a Ética e o Orçamento. O Brasil de hoje é o Brasil do caos e da irresponsabilidade – na Educação, na Saúde, na Segurança Pública, na Previdência, na Infraestrutura. Só a liberdade de expressão e a democracia nos salvam.

Estamos entre a dama de espadas Dilma Rousseff e o valete de paus Michel Temer, dois zeros à esquerda ou à direita, dois políticos sem carisma, sem planos consistentes, sem uma história política que os credencie a liderar 200 milhões de brasileiros. Uma chapa de doer essa, Dilma e Temer. Dois presidentes acidentais. A diferença entre eles é que uma já fracassou. O outro... está recebendo o beija-mão no Jaburu e gravando áudios de posse antecipada. 

Dilma era e sempre foi um poste. Na falta de companheiros afastados por malfeitos, como José Dirceu e Antonio Palocci, nomes preferidos por Lula, Dilma foi eleita com os votos emprestados do líder das massas. Lula continua um dos maiores favoritos para a eleição de 2018, mesmo que, para uma multidão de brasileiros de todas as classes sociais, ele possa ser na verdade “o chefe da quadrilha”. (RA)"

--Leia a integra do artigo no site da revista  Época www.epoca.com.br





15/04/2016
Impeachment já

No ano da desgraça de Fernando Collor, 1992, o processo de impeachment foi tão rápido que sequer precisou instalar a comissão de senadores que analisaria o caso antes da votação. O afastamento do então presidente da República passou direto para o plenário e foi votado em apenas 48 horas. O resto é História.





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