BLOG DO ALEX MEDEIROS

16/02/2018
Enredo eleitoral

O carnavalesco da escola de samba Paraíso do Tuiuti, Jack Vasconcelos, acabou sendo mais vitorioso do que a agremiação com o vice-campeonato na Marquês de Sapucaí. Vai explorar naturalmente o sucesso para tentar fortalecer sua candidatura a deputado federal pelo PT do Rio.





16/02/2018

Vem aí Contos do Mundo Delirante, mais um livro da escritora e professora universitária Cellina Muniz, cearense que adotou Natal há sete anos. O livro encerra uma trilogia iniciada com O Livro de Contos de Alice N, de 2012, e Uns Contos Ordinários, de 2014.





15/02/2018
Padres, pastorinhas e pastores

Ao final do ano passado, uma aliança inusitada apareceu na imprensa e nas redes sociais, uma sintonia de propósitos e ira santa entre padres católicos e pastores evangélicos, todos liderados por seus bispos. O ponto em comum não era Jesus, mas uma reação moral à Rede Globo.

Acusado de manipular a opinião pública, o império midiático carioca virou alvo dos sermões e homilias; as duas igrejas pedindo abertamente aos seus fiéis para boicotarem sua programação que atentava contra os princípios cristãos e a essência da família brasileira.

Neste começo de ano, o aplicativo WhatsApp vem sendo congestionado com vídeos de lideranças religiosas, novamente católicas e evangélicas, desta feita focando a mira nos políticos e nos governos das três esferas da República. Há padres e pastores se revelando oradores de passeatas e comícios, alguns com leitura de conjuntura de invejar sociólogo de botequim.

Sinceramente, mesmo sendo ateu convicto e blasfemador, eu gosto quando vejo chefes religiosos trazendo seus seguidores para o mundo real e material, alertando para fatos que se não salvam a alma, podem minorar os problemas que afligem o corpo. Só não gosto da hipocrisia do discurso do sujo falando do mal lavado.

Quando ouço a divinização do protesto contra a forma de aplicação dos recursos públicos, contra as reformas fiscais e previdenciárias, não posso evitar de sentir um asco por saber que tal verborragia é emitida por um setor campeão de benesses e de auxílios luxuosos. Não há no mundo, capitalista ou socialista, um setor que se expandiu tanto sem pagar impostos quanto as igrejas.

Os padres e pastores que berram ao céu palavras sobre sonegação, que se solidarizam com os sem-terra e sem-teto, que golpeiam governantes exigindo segurança pública, poderiam liderar a revolução sócio-teológica dando exemplos: pagando impostos sob a atividade religiosa, não usando policiais como guarda-costas e cedendo pedaços do seu enorme patrimônio imobiliário para suas almas pastorinhas.





12/02/2018
Os petistas caem matando

Peço perdão pela analogia que faço. Mas observando a condenação de Lula e a reação do PT diante do Poder Judiciário foi automático lembrar do melhor filme de bang bang da história do cinema, Butch Cassidy and the Sundance Kid, uma bela obra de 1969 protagonizada pelos astros Paul Newman e Robert Redford.

Como muitos dos fãs do filme, eu sempre imaginei cenas posteriores ao grand finale, quando a imagem congela deixando na nossa mente a conclusão ou continuação do destino dos dois bandoleiros cercados por soldados bolivianos. Escrevi até uma crônica no Jornal de Hoje como pretenso argumento para um remake.

E o que o clássico de George Hill e William Goldman tem a ver com a politicagem nacional? É que invariavelmente aquele final nos faz imaginar a reação típica do pistoleiro de faroeste, que cercado pelos inimigos escolhem morrer levando com eles algumas más companhias. E é isso que vejo no day after do julgamento de Lula.

A condenação além de inviabilizar uma candidatura do líder partidário, desmonta qualquer alternativa para suprir o vácuo da sua ausência na eleição. O trio de juízes desarmaram o poder de reação do PT, que diante da terrível circunstância saiu estabanado a metralhar (ou petralhar) o Poder Judiciário e suas benesses salariais. E o pior é que conseguiu atingir o reino da toga.

Com a revelação dos gordos e imorais valores pagos como auxílio moradia para os juízes protagonistas da operação Lava Jato, como o paranaense Sergio Moro e o carioca Marcelo Bretas, a militância petista conseguiu, com invejável histeria vingativa, lançar juízes, desembargadores, ministros, procuradores, promotores e o escambau nas barras do tribunal popular.

As redes sociais, contando até com opositores radicais do pensamento de esquerda, logo se contaminaram com críticas duríssimas aos senhores da Lei. A sociedade grita e quer um basta nos penduricalhos que mesmo numa legalidade de letra quase morta carrega a vergonha da imoralidade. O Judiciário está nu após ter praticamente matado o PT, que caiu disparando tiros certeiros.

Brasil que segue...





12/02/2018
Quincy Jones e Paulo Cezar Caju

Abril-maio de 2002, Rio de Janeiro. Eu lançava na cultuada Livraria Argumento, no Leblon, o livro "Todos Juntos, Vamos - Memórias do Tri", a coletânea com crônicas de personalidades locais e nacionais narrando seus testemunhos da conquista da Copa do Mundo pela seleção brasileira, em 1970, no México.

O seridoense Augusto Ariston, figura respeitada na cena carioca desde os anos 60, advogado e jornalista, naquele instante chefe do gabinete do Palácio Guanabara, conseguiu arregimentar boa parte da colônia potiguar e gente badalada dos mundos do futebol, jornalismo, política e empresariado.

Na companhia do seu compadre Ismael Wanderley, armou mesa no charmoso e aconchegante Restaurante Severino, nos fundos da livraria, me deixando no centro da loja entregue aos convidados que chegavam para os autógrafos. O programa Quintal da Globo, da rádio homônima, botou um repórter para entradas ao vivo com alguns craques que para lá foram atraídos.

Carlos Alberto Torres, o eterno capitão do tri; Rogério, o ponta do Botafogo que foi cortado mas acompanhou a seleção como olheiro de Zagallo; o canhota Gerson, gerente das feras; e Paulo Cezar Caju, cracaço de bola em todos os times onde atuou, principalmente no meu Botafogo. Não demorou, conseguiu me convencer, com um drible de lábia, liberar a cerveja no bar.

Em pouco tempo, emulado pela loura suada, Caju ficava interrompendo a feitura de um autógrafo e puxando conversa comigo com o seu exemplar folheando na minha cara. A conversa se transformou em queixa, em crítica, em verdadeira ira com todas as fotos de Pelé e algumas de Jairzinho. Queria paridade, mesmo destaque pra ele. Batia no peito e gritava, "PC black panther, Pelé negro branco".

Lembrei do hilário episódio quando li ontem no site americano Vulture (traduzido no Google, obvio) uma entrevista com o lendário produtor e arranjador Quincy Jones, hoje com 84 anos e com a língua tão afiada quanto a de Paulo Cezar. O velho detona dois mitos da história da música pop, Beatles e Michael Jackson.

Dizendo que só fala a verdade e que não tem medo de nada, acusou Michael Jackson de roubar canções e letras alheias, chamou o quarteto de Liverpool de péssimos músicos, e não economizou autoelogios e bravatas ufanas como "não tenho nada a perder". O amigo de Donald Trump só livrou a cara de Eric Clapton, aquele apelidado de "Deus".

Em 2002, meus argumentos com o jogador bêbado foi que todos reconheciam seu talento, mas os donos da bola na Copa 70 foram aqueles que ele apontava como paparicados no livro. Ele era Paulo Cezar, mas os caras eram Pelé e Jairzinho.

Faltou ao repórter da Vulture trazer o entrevistado para a realidade, apenas prestando uma informação: ele era Quincy Jones, gênio, mas os outros eram Beatles e Michael Jackson. Que nem cabe adjetivação.





09/02/2018
Alemanha poderá liberar maconha

O assunto já é velho nos EUA e a liberação do uso recreativo da maconha já é realidade em algumas cidades. No Brasil, um ex-presidente da República reforçou o coro de intelectuais, artistas e usuários e há anos defende publicamente uma atenção não policial ao caso.

"Na história da humanidade, nunca houve uma sociedade sem o uso de drogas. Isso é algo que deve ser aceito". As aspas não são do colunista, mas de um grupo de estudo pertencente à Polícia da Alemanha, que acaba de enviar ao governo a sugestão de descriminalizar a maconha em todo o país.

A entidade policial BDK, sigla em alemão para Associação de Diretores Criminais, passou a defender abertamente a descriminalização total do consumo de maconha. O diretor do grupo e deputado, Andre Schulz, disse ao jornal Bild que a proibição estigmatiza pessoas e acaba "estimulando que carreiras criminosas comecem".

Ele argumentou que "a proibição da canabis sempre foi, historicamente, arbitrária e não inteligente". Lembrou que já é aceito na Alemanha o uso medicinal da planta, e que o uso recreativo deveria ser encarado como é com os cigarros e as bebidas alcóolicas. Schulz defende que continue proibido para quem vai dirigir automóveis e similares.

A iniciativa dos policiais da BDK repercutiu na Inglaterra, que também debate no momento um pedido parlamentar em favor da descriminalização. O jornal The Independent entrevistou o analista político Steve Rolles, que declarou ser "sempre bom ouvir pedidos de reforma sobre o tratamento da canabis proveniente de setores da Polícia, porque ele tem a autoridade da experiência diante do fracasso da guerra travada até agora".

O debate na Alemanha e Inglaterra ganhou força após pesquisas revelarem que o uso da maconha para fins médicos levou a uma redução significativa dos crimes violentos nos EUA. Nove estados americanos e o Distrito de Columbia legalizaram a droga. Um estudo foi publicado no The Economic Journal confirmando a redução de roubos e assassinatos em 12,5%.





07/02/2018
Sangue no YouTube

O maior portal de vídeos do planeta não consegue estabelecer um critério para sua política comercial com anúncios publicitários, que mais das vezes abrem vídeos de violência ou inadequados até para maiores. Há um vídeo, por exemplo, que mostra o Comando Vermelho decapitando uma jovem, logo após exibição de propaganda do Midway Mall.





05/02/2018
Hoje é o Dia Mundial da Nutella

Evidentemente não foi alguém "raiz" que inventou a data, mas o fato que me faz agir como blogueiro nutella em divulgar isso é que o dia de hoje é dedicado ao famoso creme de avelã, criado na Itália em 1963 e que desde fevereiro do ano passado provocou uma das maiores ondas de memes no planeta.

Não se sabe bem como a frescura começou, nenhum ´pesquisador de Google ou acadêmico de boteco realizou estudos para historiar as comparações que se multiplicaram em escala exponencial e que agora estão aí, como ilustrações verbais e plásticas da cena urbana, de Natal a Vladivostok, do Oiapoque ao Jiqui.

E como a provar que esse mundo anda nutelado, raquítico pela ausência da musculatura dos grandes valores morais e culturais, muita gente pelo mundo vai comemorar a nascitura efeméride, estimulada pelos restaurantes, bares, cafés e bistrôs, que oferecerão promoções com guloseimas inventadas a partir do produto italiano.

Portanto, hoje nada de oferecer nada à base de chocolate para o seu amor, quer seja ele uma paquera raiz ou um crush nutella. Leve-o para um bar com decoraçãozinha oriental e paredes em dégradée, ouvindo som sertanejo ou forró pasteurizado.

Não vá emborcar garrafas em botecos de mesas com tamboretes, rolando CD de rock ou samba, enfumaçado no cigarro e com o cheiro de gordura encharcando vossas narinas.

Desenvolva uma conversinha sobre o processo criativo da comédia, mostre como sociologicamente é dispensável piadas que chateiem quaisquer tipos de raças, grupos sociais, religiões, torcidas de futebol e fãs do Pablo Vittar.

Uma discreta simpatia pelos partidos de esquerda tem tudo a ver para demonstrar sua essência avelã dos trópicos. Ah, e na hora do sexo, peça licença para mordiscar os bicos dos seios e se desculpe caso seu joelho faça pressão involuntária nas coxas do mozão. Viva o dia da nutella!





05/02/2018
Cair, sim, tropeçar no passo, não

O bloco carnavalesco pernambucano O Galo da Madrugada é o maior do mundo, e completa 40 anos neste 2018 com um formato simples para explicar o sucesso: é gratuito. O bloco paraibano Muriçocas do Miramar é o maior do mundo no quesito pré-carnavalesco, faz 32 anos e segue o esquema do homólogo recifense: é gratuito.

O carnaval de rua de Olinda, Recife e Rio de Janeiro, com suas centenas de blocos e fanfarras contaminaram o resto do país e agora contam com a companhia de cidades como São Paulo, Belo Horizonte e outras que experimentam um boom na folia de rua graças à gratuidade do passo no meio das ruas, independente de quem compra camisa.

Há anos, várias pessoas em Natal batalham para devolver à cidade um carnaval de rua nos moldes do que já existiu até princípio dos anos 70 e depois entrou numa entressafra de décadas. O esforço rendeu os frutos que estamos colhendo dos últimos anos para cá, em que pese o caldo de cultura que o modelo baiano impôs com o sucesso estrondoso do Carnatal.

A folia foi se espalhando, sem corda e sem abadá, nos devolvendo a espontaneidade dos tempos dos blocos chamados de elite, onde carros alegóricos eram puxados por tratores. As paradinhas em ambientes residenciais pré-estabelecidos, também chamadas de "assaltos", deram lugar aos bares e botecos. Os blocos se multiplicam entre Petrópolis e Ponta Negra.

Mas nesse passo e compasso da alegria momesca, não se pode perder o rumo do resgate que ainda não se concretizou e que depende bastante desse formato descontraído e relativamente barato para os foliões.

Eu temo um retrocesso quando vejo blocos em crescimento adotando formatos oriundos das micaretas do axé. Já basta a compra de camisetas, bem baratas em comparação aos abadás; e vejo um risco na venda de ingressos para shows em locais fechados.

O nosso carnaval de rua vem superando os contratempos do passado, não pode comprometer o futuro com um contrapasso.





05/02/2018
Começa o ano parlamentar

Após 45 dias de recesso, começou o ano do Congresso Nacional - embora haja uma nova interrupção com o feriado de carnaval em alguns dias. As atenções estarão voltadas para a tentativa do governo de aprovar a reforma da Previdência. O presidente Michel Temer não esteve presente na abertura dos trabalhos, mas mandou uma mensagem em que pede urgência no assunto da reforma. O pré-carnaval de SP foi marcado por duas mortes em uma briga em um posto de combustível.

Abrindo os trabalhos
Pela Constituição, deputados e senadores deveriam ter retornado às atividades na última sexta, mas o presidente do Congresso, Eunício Oliveira (PMDB-CE), marcou a abertura para hoje. O presidente Temer mandou uma mensagem em que afirma que "consertar" a Previdência Social é a "tarefa urgente" do momento. Conforme o calendário anunciado, a votação da reforma está marcada para o próximo dia 19.





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