BLOG DO ALEX MEDEIROS

27/04/2016
Coisas de cinema

Enquanto "Os Intocáveis" alimentam uma "Rede de Corrpução" e "A Grande Ilusão" esconde as "Intrigas de Estado", uma "Tropa de Elite", em "Vício Frenético", ganha status de "Todos os Homens do Presidente" para manter os "Segredos do Poder" enquanto "Os Fantasmas se Divertem".





26/04/2016
Nem PT, nem PMDB

Saiu uma nova pesquisa Ibope.

E o resultado é, como se esperava, a rejeição generalizada aos dois partidos que comandam a República com seus satélites.

Para 62% dos brasileiros, Dilma e Temer devem pegar o beco juntos para que o País passe por novas eleições presidenciais.

Na opinião de 25%, Dilma deveria continuar no Planalto, mas com um novo pacto entre o governo e a oposição.

E apenas 8% desejam ver o vice-presidente Michel Temer assumir a presidência da Nação.

Com o impechment da Dilma praticamente definido, o PMDB poderá assumir mais uma vez os destinos do Brasil sem ter precisado de um único voto nas urnas.

Foi assim com o colégio eleitoral de 1985. De lá para cá, o partido esteve sempre
na linha de frente do governo federal sem ter um só líder com condições de disputar
uma eleição direta para presidente.





25/04/2016
A canalhice na Síndrome de Dora

Lênin ensinou aos militontos do comunismo internacional uma tática canalha de ataque aos opositores. O mantra bolchevique era "acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é".

Na América Latina, quem melhor seguiu à risca o tosco ensinamento foram os bolivarianos de Hugo Chávez e os petralhas de Lula. Corruptos e dissimulados, acusam de ladrão a todo mundo que não pense igual a eles.

Recentemente, uma tática também canalha, mas diferente da leninista, tem sido utilizada em Natal. Trata-se de formular algum barulho midiático ou uma denúncia nas redes sociais para tentar abafar por aqui a repercussão nacional de crimes e deslizes de uma oligarquia qualquer.

Eu chamei de "Síndrome da Dora", uma referência ao personagem da atriz Fernanda Montenegro no filme Central do Brasil. Algum clone da missivista arrumou um assunto com três meses de atraso para ver se a zoada abafava as bombas da nova fase da operação Lava-Jato, que explodirá também no RN, como mostra hoje uma página de O Globo.





25/04/2016
Tucano da espécie Muro

O PT implantou uma república da gatunagem, saqueou o patrimônio público e ganhou uma eleição de forma desonesta com derrame de dinheiro sujo e burlando as urnas eletrônicas sob a vigilância do ex-advogado Dias Toffoli. O ponto exato da fraude foi na apuração de Pernambuco. Já escrevi sobre isso.

Pouco tempo depois, graças ao espírito público de um juiz de primeira instância lá do Paraná, a roubalheira petista foi desbaratada e as ligações criminosas do governo Dilma com o mensalão e o petrolão acabaram vindo à luz do dia e da Justiça. Para fazer valer a Constituição, a oposição abriu o processo de impeachment, como fez contra Collor em 1992 com a ajuda do PT.

Aí, quando finalmente a quadrilha da ideologia rococó está prestes a ser presa e a sumir nos esgotos da História, quando o Brasil tem a chance de pelo menos tentar reparar o estrago, num novo governo de característica provisória (mesmo tocado pelos delinquentes do PMDB), setores do PSDB (o partido rival do PT) querem tirar o corpo fora e não dar contribuição.

E estes setores são liderados exatamente por quem foi surrupiado no golpe eleitoral da Dilma, o senador Aécio Neves, ora vejam. Enquanto a imprensa fala das intenções de parceria do governador paulista Geraldo Alckmin e do senador idem José Serra, o neto de Tancredo Neves decide correr da raia.

Com seu jeitão de eterno menino mimado, de quem só joga se for dono da bola, Aécio quer manter a velha imagem do muro, a versão tucana dos três macacos sábios lá do santuário de Toshogu, no Japão. Parece coisa de playboy frouxo em baile de debutante: paquera, atanaza a garota, e quando ela quer, sai de fininho da festa.

Te manca, Aécio, ninguém aqui é japonês como os macacos do templo. Estamos todos de olhos bem abertos.





23/04/2016
A década de Prince

No começo dos anos 1980, quando no Brasil os ventos da Tropicália já não sopravam e davam lugar ao sopro de uma nova onda - new wave - e ao barulho de uma lira paulistana, dois jovens e grandes artistas americanos iniciavam uma disputa pela audiência da nova música negra, filha legítima do Rhythm and Blues.

Seus nomes eram Michael Jackson, o ex-menino prodígio da big family Jackson Five, empurrado na carreira-solo pela genialidade de um produtor e compositor chamado Quincy Jones; e Prince, um jovem multi-instrumentista, fã de James Brown, patrocinado pelo executivo Owen Husney, que o colocou na Warner.

Ambos explodiram nas paradas. Michael com suas canções de temáticas social, sexual e étnica; além de uma dança que segundo Caetano Veloso jogava o rebolado de Elvis e Mick Jagger ao plano dos robôs. Prince, com um potencial inovador em várias frentes, como o RB, o funk, o hard rock e o rap, que ainda sequer rastejava.

Menos comercial que o rival, Prince conseguiu romper o mercado com vendas espetaculares e uma popularidade fenomenal. Seus concertos eram de ruptura com o status quo do showbiz, sobretudo suas declarações de cunho político e as atitudes de confronto à indústria discográfica.

Os números do seu sucesso (vendeu milhões de discos e foi, junto com Michael Jackson, dos primeiros a romper a casa de US$ 100 milhões em contratos) não foram suficientes para livrá-lo da pecha de músico inconformado e rebelde. Foi boicotado por isso e teve dificuldade de sair dos limites dos EUA e Inglaterra.

Desde 1978, quando completou apenas 20 anos, a carreira de Prince rendeu mais de 40 discos, numa produção que sempre prezou pela qualidade técnica e pelo virtuosismo das suas interpretações e manejo dos muitos instrumentos. Alguns álbuns já são História, como "Parade", "Lovesexy", "Around the world in a day" e os revolucionários "Purple Rain" e "Sign o' The Times".

Nos anos do auge da juventude da minha geração, Prince e Michael Jackson não apenas foram os herdeiros legítimos da música negra, como souberam tocar o legado de caras incríveis como John Lee Hooker, James Brown, Little Richard, Chuck Berry, Ray Charles e Jimi Hendrix.

Dominaram o planeta dos anos 1980 na batalha das vendas de discos, cada um com seu estilo e temperamento, e durante todo o tempo do duelo íntimo de mercado só foram molestados por uma terceira figura, branca, que logo formou com eles o trio parada dura da década: Madonna, a única agora entre nós.





23/04/2016
Os livros e as rosas são eternos

Em Barcelona, o dia 23 de abril é a data em que a cidade é tomada por barracas de livros e rosas em comemoração ao santo padroeiro da Catalunha, São Jorge, e também aos namorados e à liberdade de expressão. Não apenas os catalães, mas gente de toda a Europa ocupam as ramblas nessa celebração de cultura e tradição.

É o Dia de Sant Jordi, como se diz por lá, popularizado em toda a Catalunha a partir do século XVI e que em 1840 ganhou uma grandiosa feira das rosas para festejar os corações apaixonados.

A tradição seguiu se curso e Sant Jordi sempre esteve nas ruas das cidades catalães, representado na fé do povo e no perfume exalado pelas milhares de rosas expostas em barracas ou nas mãos de floristas ambulantes.

Até que em 1975 morre o ditador Francisco Franco e o cheiro da democracia começa a se espalhar por toda a Espanha, levando os fiéis do santo padroeiro catalão a incorporarem os livros na festa popular. E lá se vão 40 anos de literatura perfumada exposta nas ramblas, no bairro gótico, no Maremágnum, nas vizinhanças do Parque Guell.

O 23 de abril na cidade de Gaudi é, sem dúvida, um dos mais grandiosos eventos mundiais de culto aos livros, que na opinião dos mais respeitados intelectuais jamais terá o fim dos jornais, por mais poderosa seja a via internética. Quem nunca viu a festa de Sant Jordi, anote a data para uma próxima viagem.

Os livros e as rosas da Catalunha lhes esperam.





20/04/2016
Temeridade com Michel

Reconhecendo o impeachment de Dilma, petistas já batizam o novo cenário como "Governo Temeroso".





19/04/2016
A caneta de Michel

Michel Temer sonha com a cadeira de Dilma Rousseff faz tempo. Foi o pecado da gula que o fez praticar o deslize do vídeo vazado no WhatsApp, antecipando o impeachment da petista e um posicionamento como novo mandatário da República.

Não é de agora que o chefe de uma das bandas do PMDB vem treinando discurso com o uso de teleprompter de acrílico, daqueles que Barack Obama mostrou ao mundo na primeira posse e que a própria Dilma tem usado, desde a campanha com João Santana.

Mesmo antes do vídeo enviado ao seminário de Lisboa, Temer já vinha ensaiando com assessores e aliados uma postura adequada para um provável e iminente pronunciamento à Nação. Alguns colunista de âmbito nacional dizem que ele dita as palavras das falas para um assesor, depois corrige o texto completo.

Chegou a dizer recentemente, ironizando Dilma, "eu nunca tive um João Santana para escrever para mim". Nessa parte, há controvérsias. O vice pode até ser um bom acadêmico do Direito, como dizem, mas não elabora os próprios discursos. Pelo menos nas últimas duas décadas, confia a missão redacional ao dileto amigo e consultor de marketing Gaudêncio Torquato.





19/04/2016
Super-heróis em espanhol

Os desenhistas espanhóis que fizeram sucesso no mercado de HQ dos EUA são motivos para uma bela exposição patrocinada pelo jornal ABC, de Madrid, no museu particular do famoso diário.

As artes com os super-heróis marcados pelo trabalho silencioso e discreto dos ilustradores da Espanha estão atraindo jovens e adultos ao Museu ABC. São obras de 47 artistas da nona arte que atuam há alguns anos no mercado de HQ americano, principalmente com personagens da Marvel e DC Comics.

Intitulada "Superhéroes con Ñ", a exposição é a primeira do gênero na capital espanhola e reúne um conjunto de desenhos englobando desde os pioneiros nos anos 1950 até os consagrados desenhistas dos anos 1990 até hoje.

Lá estão trabalhos originais de nomes como Rafael López Espí, que desenhou as primeiras revistas da Marvel na Espanha. E também dos consagrados Carlos Pacheco, Ramón Bachs, Miguel Ángel Sepúlveda, David Aja, Pepe Larraz, Enrique Vegas e Paco Roca.





18/04/2016
Nordeste independente

A aprovação da abertura de impeachment contra Dilma Rousseff, ontem na Câmara Federal, foi consumada na simbologia da ausência de Eduardo Campos, aquele que para muitos a teria vencido na eleição de 2014 não fosse o fatídico acidente aéreo na manhã de 13 de agosto do mesmo ano.

Coube à bancada do seu estado, Pernambuco, o voto que definiu a vitória da oposição no plenário. Uma vitória sobre o partido de outro pernambucano, Lula, que se imaginou acima do bem e do mal e acabou tomando uma aula de articulação política "made in Temer & Cunha".

Quando o deputado Bruno Araújo (PSDB), chorando pela emoção e pressão dos gritos do plenário, selou com seu voto o impeachment de Dilma, foi como se a eleição de 2014 voltasse ao ponto de partida, zerasse o cronômetro do tempo, e reparasse o truque eletrônico da turma de Dias Toffoli.

Porque nada, e nem ninguém, me convence de que a estreita vitória de Dilma sobre Aécio Neves no segundo turno não tenha sido engendrada nas urnas de Pernambuco, forjadas na fragilidade de um sistema de votação jamais adotado por nenhuma grande nação.

Para pontuar, lembro de como foi o primeiro turno da eleição presidencial no estado de Nelson Rodrigues, de Clarice Lispector, de Alceu Valença, de Capiba, de Manuel Bandeira, de Chico Science e de João Cabral de Melo Neto: vitória maiúscula de Marina Silva, que herdou os votos de Eduardo Campos.

Após o estado de Luiz Gonzaga depositar quase 50% dos votos dos pernambucanos na candidata amazônica, tudo sumiu como numa enchente de rio e no segundo turno Dilma apareceu com pouca margem sobre Aécio, como se não houvesse nenhuma transferência para o tucano. Foi a mágica da informática.

Hoje, quando o Brasil acorda para um novo dia, como dizia aquela canção do tempo em que Chico Buarque se dizia inimigo da iniquidade, o desgoverno do PT está contando os dias para o seu fim, derrubado no voto parlamentar dos representantes de Pernambuco, a pátria nordestina de Eduardo.

Durante muito tempo, os ideólogos da esquerda tupiniquim se vangloriavam da hegemonia eleitoral do PT na região empobrecida e castigada pela seca. Suas bolsas-esmolas substituíram outras moedas eleitorais, como carros-pipa, enxovais, dentaduras, contas de luz e tijolos.

Ontem, as bancadas de diversos estados nordestinos, como o Rio Grande do Norte, a Paraíba e Pernambuco, contribuíram enormemente para a derrota inicial da quadrilha do mensalão e do petróleo. Me pareceu a consumação de uma profecia lírica dos poetas Bráulio Tavares e Ivanildo Vila Nova: "Imagine o Brasil ser dividido e o Nordeste ficar independente".

Pois ficou, viu Lula, viu Dilma? Tchau, querida, e leve o PT junto! (AMed)





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