BLOG DO ALEX MEDEIROS

16/03/2016
Do poeta Gabo Penaforte

Como o crime se encaixa
no brasileiro jeitinho
o Lula foi de fininho
e pegou de volta a faixa 





16/03/2016
Cinismo, leniência e leninismo

Aloizio Mercadante só faltou se declarar marxista-kardecista, tamanha foi sua solidariedade diante do sofrimento pessoal de Delcídio Amaral. E olha que o ministro da Educação sempre detestou o senador, nunca sequer respeitou seus cabelos brancos.

É incrível a capacidade dos petistas com formação leninista de juntar à perfeição retórica e cinismo. Sentam diante de uma platéia de jornalistas, com transmissão para o País inteiro, e se derramam em humanismo para ilustrar a mentira.

Outro dia o padre Fabio Mello, um dos superstars da igreja católica, declarou que prefere conviver com um ateu decente do que com um religioso canalha. Os adjetivos que ele usou não foram bem esses, mas não altera o significado do seu recado.

Na questão da podridão que envolve o PT e seus cúmplices, empresariais e partidários, penso que é mais sanitário discutir com fanáticos religiosos do que com petistas dissimulados. São todos especialistas em mentir para salvar a ideologia.

Surpreendeu a cara de pau de Mercadante em insistir na tese de que procurou o assessor de Delcídio por pura compaixão humana, por ter valores morais que o deixaram arrasado ao ver a situação da família do senador que ele detesta.

Não muito diferente do ministro da Educação, a horda de petistas que habitam as redes sociais, inclusive alguns com qualificação acadêmica (pasmem), saiu em sua defesa minimizando o conteúdo da delação premiada e a gravação do assessor.

O cinismo é tanto que nenhum deles disfarçou nas postagens para encontrar o contra-argumento em favor do colega militante. A mesma delação que refutam é utilizada para condenar os nomes da oposição citados por Delcício Amaral.

A desonestidade intelectual da esquerda brasileira já levou o poeta Bráulio Tavares a cunhar no passado a frase "a direita nunca me enganou, a esquerda já". Sempre que leio a petralhada cuspindo teses no Twitter e Facebook para defender o partido que virou organização criminosa, lembro de Shakespeare: "Oh! que formosa aparência tem a falsidade!"





14/03/2016
Animais e o bicho homem

Desde a tenra juventude, tenho me manifestado no Dia da Poesia, em 14/3, de maneiras distintas, em atos coletivos (anos 80) ou isoladamente (até os dias atuais publicando poemas em jornal ou internet).
A poesia divide a data com os animais, que para muitas pessoas são encantadores como um bom poema. Nunca criei bichinho de estimação; mas, na infância havia gatos e porquinhos da Índia na casa dos meus pais, por iniciativa de mamãe e meu irmão.
Hoje, quero destacar a data pela primeira vez contando um belo caso sobre a relação gente-bicho, narrada pelo mestre Câmara Cascudo em seu clássico consagrado "O Tempo e Eu", de 1968, o ano em que um gato alvinegro chamado Nito sumiu lá de casa deixando minha mãe entristecida por semanas.
Cinco anos antes, em 63, a filha de Cascudo, Ana Maria, era uma jovem promotora pública na cidade de São Gonçalo, pertinho de Natal.
Um dia, em visita à delegacia para tomar ciência das ocorrências policiais, foi informada de uma prisão por agressão. Pediu ao delegado para ver o prisioneiro e ao ter acesso indagou-lhe do ocorrido.
O homem disse que não praticou crime, apenas quis castigar com a justiça dos seus punhos um elemento que maltratou um cachorro. Ana perguntou se ele viu a covardia do outro ou apenas ficou sabendo por terceiros.
Para seu espanto, o preso revelou que só soube e que a única testemunha era o próprio animal. - "Você está querendo dizer que fala com os animais?", perguntou a promotora.
E o espanto aumentou com a resposta: - "Falo, sim, senhora, compreendo todos, e é isso que tá deixando minha vida complicada". Antes de qualquer reação de Ana Maria, o homem apontou algumas galinhas que atravessaram a sala e avisou: - "Essas aqui, por exemplo, não têm jeito. Não há como andarem direito".
A filha do mestre do folclore levantou, olhou para o delegado e mandou soltar o improvisado advogado e justiceiro dos animais.
Deve ter lembrado que 700 anos antes um jovem frade começou a conversar com bichos, foi chamado de louco, ignorado pelo Vaticano, mas acabou virando santo e patrono de todas as espécies que habitam a natureza terrena.
No noticiário diário há sempre casos de bichos salvando gente. E de gente maltratando bicho; numas vezes mutilando, noutras os devorando. Difícil entender o bicho homem, né?





12/03/2016
Nádia Lippi, a grande borboleta

O filme "Motyle" (traduzido por aqui como As Borboletas) é um clássico do cinema polonês dirigido em 1972 pelo cineasta Janusz Nasfeter. A obra é um poema épico em homenagem ao primeiro amor e aos sonhos românticos que escancaram a vida da gente na pré-adolescência.

Narra a aventura do garoto Eddie, de 12 anos, que vai passar as férias de verão na casa da tia Heli, moradora de um bucólico lugar às margens de um grande lago. O menino faz amizade com outros três e descobre a paixão na contemplação da pequena Monika, que com ele curte passeios pela mata, banhos no lago e olhares gêmeos em direção ao céu.

Quando assisti "Motyle" pela vez primeira, em meados dos anos 1980, numa sessão matutina do saudoso Cine Rio Grande, foi impossível não mergulhar num mar de memórias, numa lúdica viagem aos primeiros anos da minha adolescência, ali entre 1972 e 1975, quando experimentei os primeiros impactos cardíacos das paixões germinais.

Lembrei da emoção que me invadia quando a moreninha dos cabelos de Iracema aparecia na casa do vizinho, durante as férias escolares. Disputei sua atenção com o colega que morava em frente. Parada dura, mas acabei vencendo aquela batalha pelo amor platônico da menina.

Pouco tempo depois, meu vício pela televisão me transportou dos seriados americanos para as telenovelas da Tupi, Excelsior, Globo e Record, todas elas habitando as páginas dos álbuns de figurinhas que a gurizada do bairro curtia em ritmo constante. Até então, minha atriz preferida vinha do cinema, a voluptuosa americana Raquel Welch (capa da minha carteira de plástico comprada na Feira das Quintas).

Mas, aí veio uma paulistana louríssima que eu já havia visto de relance nas novelas "A Menina do Veleiro Azul" (de Ivani Ribeiro, 1969) e "A Revolta dos Anjos" (de Carmem da Silva, 1972). Foi só em "Rosa dos Ventos" (de Teixeira Filho, 1973), que eu percebi totalmente a beleza angelical da atriz Nádia Lippi, que no ano seguinte, em "A Barba Azul" (de Ivani Ribeiro, 1974) substituiu de vez Raquel Welch na minha carteirinha.

Eu não perdia um capítulo, só para esperar a aparição de Babi, estonteante num shortinho ou minissaia, os lábios suculentos e um olhar felino que hipnotizava. Com ela, esqueci também a moreninha do vizinho, pois logo surgiu na rua uma branquinha quase clone da atriz. Bingo! Meu coração mudou de endereço na rapidez da passagem de um frame na TV.

De novo eu estava vivendo a fantasia do pequeno personagem do filme polonês de Nasfeter. E a jovem Nádia Lippi se fez "Fada Madrinha" da minha nova paixão. Lembro que pelo menos três músicas da trilha sonora da novela serviram de fundo para meus sonhos juvenis naqueles anos: aprendi Shadows, de Demis Roussos, num "embromation" fluente; me arrepiava ouvindo Don't Let Me Cry, de um tal Mark Davis que logo se tornaria Fábio Jr.; e berrava imitando um imitador de Tim Maia, chamado Tony, que cantava "Procuro Por Você", versão de Yours Until Tomorrow, da Carole King, que era o tema de Babi.

Depois daqueles anos, guardados em mim como férias de verão que nunca acabam, conservei a admiração por Nádia Lippi não apenas pelos trabalhos que fez na TV, no cinema e no teatro, mas também pela importância histórica da sua estampa de musa da minha geração. Um grande diferencial para as divas contemporâneas de Raquel Welch é que Nádia era da mesma faixa etária daqueles que a idolatraram na juventude.

Hoje, sábado, 12 de março, quando transcorre mais um seu aniversário, rememoro minhas paixões adolescentes que habitaram meu ser dividindo espaço com a imagem televisiva de uma atriz que deixou sua marca na dramaturgia nacional e no consciente coletivo das pessoas. E para inseri-la no contexto amoroso do clássico filme "Motyle", de 1972, chamo a musa de "Grande Borboleta", aquela que Caetano Veloso disse "Seja completa mente solta". Querida Nádia Lippi, toma esta crônica como um beijo!





10/03/2016
A arte do crime

As versões sobre como, quem e o porquê do encontro entre o ator Sean Penn e o rei do tráfico Joaquin "El Chapo" Guzmán não param de crescer. A mais recente veio à luz depois que o caso passou a ter probabilidade de se tornar um documentário televisivo nos EUA e já com o título de "El Chapo & Sean Penn: Desvario na Selva", segundo afirma o jornal The Daily Mail.

De acordo com o roteiro do documentário, o motivo real que levou Penn a entrevistar o bandido mexicano não foi em verdade a entrevista, publicada um dia depois que El Chapo foi preso, mas uma conversa agendada para conhecer o traficante e discutir os detalhes sobre um filme em que o ator o encarnaria nas telas.

O tal filme seria dirigido pelo cineasta Oliver Stone, famoso por obras como Platoon (1986), JFK (1990) e os dois thrillers sobre Wall Street (1987 e 2010), que armou o encontro para que Penn cumprisse também uma outra missão: adquirir os direitos de dramatização da vida do líder do Cartel de Sinaloa, pela bagatela de R$ 6 milhões.

Pouco tempo antes do encontro, El Chapo havia assistido na íntegra a série Narcos, sobre o colombiano Pablo Escobar, produzida pela Netflix, e ficou sonhando com algo semelhante para ele. Oliver Stone tem uma boa experiência no submundo do crime, com duas pérolas de referência, no roteiro de Scarface (1983) e na direção de Selvagens (2012).





10/03/2016
Fazendo uma fezinha no Brasil

Estamos prestes a ter de volta na cena urbana nacional o jogo do bicho, os bingos e os cassinos, estes últimos proibidos desde 1946.
  
A Comissão Especial do Desenvolvimento Nacional aprovou ontem, quarta-feira (9), o substitutivo do senador Blairo Maggi (PR-MT) para o Projeto de Lei do Senado (PLS) 186/2014, do senador Ciro Nogueira (PP-PI).

O texto amplia o leque dos jogos de azar permitidos no Brasil, regulamentando o jogo do bicho (que foi à bancarrota no Rio de Janeiro pelo martelo da então juíza Denise Frossard que depois virou deputada), os bingos e os cassinos.

Blairo Maggi informou terem sido apresentadas 16 emendas, das quais acatou cinco. Uma delas propõe estender os requisitos de idoneidade a todos os sócios da pessoa jurídica que detenha direitos para exploração de jogos de azar.

Outra emenda amplia a proibição de que detentores de mandatos eletivos explorem jogos de azar, de forma a abranger também cônjuge, companheiro ou parente em linha reta até o 1° grau. O projeto agora segue para a análise do Plenário do Senado.





10/03/2016
Delfim saiu do grupo

Execrado pela esquerda nos anos 1970 como o símbolo da economia do governo militar, o economista Delfim Netto atravessou quatro décadas como representante do capitalismo e das classes dominantes, até que o PT chegou ao poder e lhe fez guru de Lula, conselheiro econômico da companheirada.

Até ontem, pelo visto.

A mídia reproduziu agora o seguinte comentário do velho intelectual de direita:

"É hora de enfrentar a esquerdopatia eleitoral oportunista, que esconde o corporativismo do PT."

O barco de Dilma deu água mesmo.





08/03/2016
Cultura da delinquência

Quem me conhece, sabe muito bem do meu posicionamento quanto aos gastos públicos com instituições voltadas para setores como cultura e turismo. Acho que quem faz e incrementa ambos é a sociedade civil, são os artistas em sintonia com o mercado.

Alguém sabe o nome do ministro da Cultura dos EUA, ou do ministro do Turismo da Inglaterra? Já leram ou viram alguma coisa a respeito do secretário de Cultura ou Turismo de Nova York, de Londres, de Frankfurt, de Estocolmo, de Berlim?

A estrutura estatal brasileira voltada para a Cultura vive um fluxo de desperdício desde a volta das eleições diretas para os cargos executivos, em 1982. Vivemos entre milhões para Luan Santana e Claudia Leite e migalhas para poetas e músicos suburbanos.

Nos dois casos, o paternalismo governamental está presente. Como se o processo cultural fosse apenas uma agenda de eventos. Defendo o fechamento da FJA desde o final dos anos 1970, quando a poesia urbana se engajou na militância política.

Em meados dos anos 1980, participei de dois projetos alternativos de cunho jornalístico e literário, dois tabloides que não poupavam bombardeio no cabide de emprego instalado na Fundação: Os jornais A Franga e o Preto no Branco achincalhavam.

Sei de parentes e afilhados de políticos que viveram por décadas, entrando o século XXI, recebendo à distância polpudos salários pagos pela folha da FJA. Gente que até fez morada e vida no exterior e em estados do Sudeste. Como hoje tem na Assembleia.

A entidade tem apenas a fachada de fomento da cultura, mas é uma estrutura estéril desnecessária e muitas vezes voltada para o assistencialismo lítero-musical como se patrocínio disso ou daquilo estabelecesse mesmo uma política cultural de longo alcance.

Esta semana, ao ver a histeria ideológica do presidente Crispiniano Neto, num surto de guerrilha dos anos 1960, reforcei mais ainda minha posição de frontal oposição à existência da velha casa criada por Aluízio Alves e fundada por Walfredo Gurgel.

O cara sequer usou sua tradicional linguagem de rimas em quadrinhas para agredir gregos e troianos - ou leigos e tucanos, pra ficar inserido no contexto - com ameaças de fogo em carros da imprensa e até vitupérios ensandecidos contra o juiz Sergio Moro.

Uma breve navegada na timeline do Twitter de Crispiniano, durante os últimos cinco dias, fiquei curioso sobre a sua carga horária na Fundação. O homem vomita sandices contra opositores do PT em série, a cada hora. Deve ser a cultura da operação padrão.

Como se já não fosse um fato gravíssimo de incitação ao crime, como as postagens convocando o MST a atacar os "infiéis" com foices, machados e enxadas, sua delinquência virtual atingiu também a imagem do governo e do governador Robinson.

A maioria dos meus leitores, independente das escolhas políticas, conhece o perfil sereno e respeitoso de Robinson Faria. Eu convivo com o governador, meu amigo de longa data, diariamente, e atesto o pacifismo e a elegância dele desde a juventude.

As palavras maledicentes do presidente da Fundação José Augusto não encontram nenhuma via sequer de ligação com a estampa republicana do governador. O destempero contra veículos de comunicação e cidadãos livres não cabe no governo.

Aprendi durante os tempos de movimentos estudantis e culturais que pessoas públicas não estão dissociadas das suas manifestações individuais. O presidente do órgão de Cultura deveria guardar seu deslize verbal para os seus versos de pé-quebrado.





Veja o video:

03/03/2016
Novo boato sobre o fim do Foo Fighters

Depois que o vocalista e guitarrista da banda americana Foo Fighters, Dave Grohl, apareceu sozinho na festa do Oscar, colocando música no vídeo em memória dos artistas falecidos em 2015, cresceram de novo os rumores de uma possível dissolução do grupo.

A tese que reveste os boatos é de que o mau relacionamento de Grohl com o baterista Taylor Hawkins estaria levando o primeiro a iniciar uma carreira solo, como já fizera quando da fundação do Foo Fighters, projeto que ele investiu de forma solitária.

Em resposta, a banda produziu e postou um vídeo de sete minutos em que descarta e ironiza os rumores sobre seu próprio fim. O vídeo começa com uma assustadora música que acompanha a captura de capas de sites e portais que publicaram a notícia da atuação de Grohl na entrega do Oscar.

Depois, inicia-se uma espécie de falso documentário de humor mostrando um arrogante Dave Grohl se propondo a ensinar como é fácil fazer música eletrônica, "apenas apertando um botão". Ao final, um texto avisa: "Pela milésima vez, nós não vamos nos separar".





03/03/2016
O sabor da pré-história

Uma gastronomia de um milhão de anos. É assim que podemos chamar o livro de receitas escrito pela dupla Eudald Carbonell e Cinta Bellmunt, e com fotografias de Maria Ángeles Torres, lançado recentemente na Espanha e ainda sem tradução para o português.

Em "Recetas Paleo: la Dieta de Nuestras Orígenes para una vida Saludable" (editora Cúpula), o trio usou pitadas de arqueologia, jornalismo e olhar fotográfico - as especialidades profissionais dos três - para compor os sabores dos tempos do Paleolítico, ou o gosto na mesa dos nossos ancestrais mais remotos (mesa aqui é ilustração rasteira, como o chão das cavernas).

Na dieta do distante passado humano não havia pastas, nem produtos lácteos, atesta a publicação. Carbonell diz que naquele tempo nossos ancestrais não sintetizavam ainda a lactose. O que se vê, segundo comprovações arqueológicas, é muita alimentação vegetariana e carnes de animais, com destaque para as partes do corpo como tíbias e fêmures.

Uma das receitas comentadas pelos autores é medula de bisão-americano com framboesa, apresentada com toques de humor: "primeiro deve-se dispor de um bisão, depois ter licença para mata-lo, se for o caso de não ser um experiente caçador". O estilo pré-histórico de cozinhar ou servir a mesa está a disposição dos leitores, um milhão de anos depois.





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