História

25/10/2013 18:07:44
Biografias não ruborizadas

Mulheres famosas vão desnudar em livros suas histórias pessoais.

Duas meninas problemáticas, que fizeram dos seus demônios referências na história da juventude a partir dos anos 1960 até hoje, estão finalizando as próprias biografias, sem esconder nada do muito de pecados e deslizes que compuseram suas trajetórias.
A alemã Christiane Vera Felscherinow ficou conhecida mundialmente a partir de 1978, talvez como a drogada mais célebre entre tantas cópias de Janis Joplin, quando expôs sua adolescência pós-1968 para os jornalistas Horst Rieck e Kai Hermann.
A americana Courtney Michelle Harrison tinha quatro anos quando Christiane F. se mudou com a família para uma Berlim com suas ruas então inseridas no conturbado contexto político-cultural de 1968, o mítico ano que insiste em jamais acabar.
A alemã teria seu nome transformado numa marca representativa dos malefícios das drogas na saúde física e social dos jovens. Apesar do título original do livro, "Os Filhos da Droga", foi como Christiane F. que grande parte do mundo conheceu a obra.
Em 1984, Courtney aproveitou o espírito aventureiro dos 20 anos de idade e uma fatia de herança da avó para viajar pelo mundo, passando inclusive pelo Rio de Janeiro onde o eterno clima de Sol e praia se misturava ao sentimento coletivo de eleições diretas.
Nesse ínterim, o livro de Christiane continuava vendendo como cerveja, repetindo edições em cima de edições, circulando nas salas de aulas em debates preventivo, ao mesmo em tempo em que as experiências da moça estimulavam outras meninas.
Courtney voltou para os EUA na condição de namorada do músico Julian Cope, que como ela perambulava pela cena carioca. Os shows esporádicos do rapaz serviram de laboratório para a garota, que virou vocalista de algumas bandinhas de garagem.
As vendas do livro biográfico renderam uma overdose de grana para a drogada alemã, que aos poucos foi resgatando a vida normal, se é que suas viagens lisérgicas devolvam normalidade. Mas, o fato é que a indigência dos tempos da heroína ficou para trás.
Foi cantando, em 1986, que a loirinha americana chamou a atenção do cineasta inglês Alex Cox, que a convidou para o filme "Sid e Nancy", uma narrativa da conturbada vida do baixista Sid Vicious, da banda Sex Pistols, e sua namorada Nancy Spungen.
Nesse período, a imagem de Christiane F. tornou-se símbolo maior da degradação a que pode chegar um adolescente a partir do consumo compulsivo das drogas. Enquanto ganhava com os direitos autorais, seus amigos de desventura morriam em Berlim.
Fracassada na segunda tentativa no cinema, Courtney Love passou a integrar diversas bandas, mas sendo expulsa de todas. Até que o dinheiro da vovó acabou, tendo que sobreviver fazendo striptease em boates e inferninhos. Logo, retornou a Los Angeles.
A biografia autorizada de 1978 resolveu as finanças de Christiane, hoje com 52 anos, que resolveu repetir a dosagem literária, agora por conta própria, para contar a segunda vida que teve após o vendaval de tóxico e sexo entre a puberdade e a juventude.
Ao juntar sua essência hippie com a pegada grunge de Kurt Cobain, Courtney conqusitou seu espaço no mundo pop, pagando o alto preço da violentação de si mesma com as drogas, a violência e porções ensandecidas de um punk rock que não alisa.
Christiane F. conta o tudo de um depois angustiante no livro "Minha Segunda Vida", com narração da escritora Sonja Vukovic. As vendas servirão para incrementar os trabalhos da fundação que leva o seu nome e ajuda adolescente químico-dependentes.
Courtney Love não quer esconder nada (viu, Chico, Roberto e Caetano?) na biografia que expõe sua vida volátil e litigiosa com Kurt Cobain e outros parceiros, como o músico Billy Corgan e o ator Edward Norton. Duas mulheres se desnudando em livros.

       


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