História

25/07/2016 09:12:30
A explosão do bikini

Por Alex Medeiros

Em julho de 1946, quando o estilista francês Louis Réard lançou nas passarelas uma inusitada roupa de banho que demonstrava uma divisão em duas partes do maiô feminino, a jornalista franco-americana Diana Vreeland, famosa naqueles anos pelas colunas de moda nas revistas Vogue e Harper's Bazar, escreveu um comentário que virou sentença: "É a invenção mais importante deste século, depois da bomba atômica".

Bem longe de Nova York, onde Diana vivia, militares e cientistas americanos usavam as ilhas do arquipélago Bikini, no Pacífico, para uma série de testes bélicos assustadores: entre os dias 1 e 25 de julho daquele 1946, a ilha e o mar foram palcos de explosões atômicas, menos de um ano depois do bombardeio nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagazaki.

Neste 25 de julho, faz 70 anos da explosão que confirmou o êxito dos testes, quando uma bomba atômica de 23 quilotons sacudiu o oceano a 90 pés (27 metros) de profundidade. Uma bola de fogo subaquática se transformou numa gigantesca bolha de gás quente que atingiu simultaneamente a superfície e o fundo do mar.

Enquanto o fundo oceânico ficava com uma cratera rasa de 30 pés de profundidade e 2 mil léguas de largura, lá em cima a água subiu como um gêiser, criando o que tecnicamente se chama "cúpula de pulverização" contendo 2 milhões de toneladas de água que formaram uma coluna de 6 mil pés de altura, 2 mil pés de largura em paredes de 300 pés de espessura.

O vácuo aberto pela bolha de gás causou um tsunami que provocou uma onde de 94 pés de altura que atingiu a praia da ilha Bikini e ainda gerou mais nove ondas de 15 pés que afundou e emborcou navios e outras embarcações, algumas sendo atiradas na areia.

Para se ter ideia, o navio Arkansas, que estava mais próximo da explosão, foi alçado pela coluna de água que subia como se fosse de papel. Tinha 562 pés de comprimento e pesava 27 mil toneladas. As imagens do cogumelo atômico em Bikini se somaram as da Segunda Guerra e teve início a era das explosões nucleares.

E como uma propaganda subliminar daqueles anos, os biquínis se espalharam pelas praias e piscinas do planeta exibindo curvas femininas capazes de matar o mais durão dos homens. A diferença é que a imagem de um belo corpo de mulher dentro das duas peças de Louis Réard é realmente sublime.

   


Comentários