História

08/10/2017 00:00:00
Uma vida e um poema em 1985

Por Alex Medeiros

Na foto, Petronio Tinoco, Marana Torrezani e Wilson Freire na casa do primeiro em Cotovelo, sábado 30/09.

Quando eu morava em SP, lá se vão mais que 30 anos, Petrônio e Wilson, então jovens médicos residentes, fizeram o parto de Valéria Torrezani em 25/11/1985 trazendo à vida minha filha Marana.

Horas depois Wilson deixou um poema para mim na cabeceira do leito de Valéria, um lindo decassílabo numa folhinha de papel que se perdeu na mudança de volta a Natal, mas que jamais saiu da minha memória.

Enquanto Marana crescia, eu ia recitando os versos, até que aos 11 ou 12 anos ela também decorou. Décadas se passaram sem contato com o grupo de médicos que se reunia naqueles anos em minha casa de Cotia, até que Petrônio também voltou ao RN e me deu o paradeiro de Wilson, um doutor em poesia que se tornara o principal letrista do repertório musical do multiartista Antonio Nóbrega.

Recentemente, minha filha descobriu meu velho amigo no Facebook e se identificou lembrando dos anos da nossa amizade, obviamente digitando pra ele os versos daquele poema.

Em resposta, Wilson confirmou as lembranças dos anos 80 em Cotia e confessou olhos úmidos com o contato da menina que ele trouxe à luz da vida. Mais emoção ao ler a sua poesia que já não lembrava os versos.

Ontem, numa ensolarada tarde na Praia de Cotovelo, Petrônio e sua mulher Darina promoveram um reencontro depois de 32 anos entre eu e Wilson, com a presença de Marana, num dia mágico em que o agora renomado poeta, romancista e documentarista resolveu transformar a história daquele parto e daquele poema num curta metragem.

De novo e mais uma vez os versos de cordel foram declamados, provocando emoção em todos nós:

"Te saúdo poeta proletário
em meu nome e em nome da poesia
tua filha ganhou a luz do dia
é Marana um nome libertário
o tupi-guarani é seu berçário
que do ventre Valéria se valeu
hoje a chama da vida se acendeu
é mais uma que vem para ser luta
segurar no batente e na labuta
a esperança que em nós sobreviveu".

   


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