História

05/03/2018 15:42:24
Está fazendo 50 anos

Por Alex Medeiros

Há 50 anos o mundo vem sendo moldado e definido, nos mais diversos aspectos, do social ao filosófico, do cultural ao político, nos acontecimentos de 1968, o ano mais emblemático do século XX, aquele que dizem jamais ter terminado.

Uma onda de protestos e revoltas levantou estudantes pelo mundo afora, como se houvesse um alinhamento de emoções numa juventude que já estava interagindo numa mesma linguagem estimulada pelo rock ‘n' roll, pelo movimento hippie e pela revolução sexual.

E se há um cronograma possível daqueles dias, que possa emoldurar os fatos nas paredes da história, pode-se decretar o início da explosão o dia 1 de março, quando milhares de alunos secundaristas de origem mexicana ocuparam as ruas de Los Angeles reivindicando melhorias nos colégios. Os atos se espalharam por outras cidades.

Em abril, o líder religioso Martin Luther King é baleado num hotel em Memmphis. Em Oakland, militantes do grupo Black Panthers trocam tiros com a Polícia. Os distúrbios estudantis avançam pelo país, em São Francisco o "verão do amor" cultua o rock, as drogas e o amor livre, e combate a Guerra do Vietnã.

Na França, uma série de reclamações é apontada contra o governo do general Charles de Gaulle. Em 2 de maio estudantes universitários saem as ruas de Paris, os protestos eclodem noutras cidades, os trabalhadores aderem e decretam greve geral. Paris arde. Fogo, pau e pedra.

Na Califórnia, o senador Bobby Kennedy vence as primárias do Partido Democrata e sai candidato à Casa Branca, onde cinco anos antes estava seu irmão John. Mas toma um tiro e morre no dia seguinte. Na Tchecoslováquia, tropas soviéticas invadem a capital Praga para abortar a primavera que tentava acabar com o inverno comunista.

No Brasil, a morte do estudante Edson Luís, no Rio, provoca a passeata dos cem mil, a maior até então feita no país. Os jovens brasileiros estão divididos em tribos, erguendo punhos contra os militares, usando cabelos longos e minissaias contra a caretice.

Nos cinemas, as mudanças de comportamento eram representadas por produções com questionamentos inseridos em dramas, aventuras e ficção. Foi o ano de 2001: Odisseia no Espaço, Planeta dos Macacos, Barbarella, Beijos Proibidos, O Bebê de Rosemary, Teorema...

Canções faziam a cabeça da moçada e o festival Monterrey Pop acendeu o pavio psicodélico no oceano de rebeldia que se abria como a apontar uma nova terra prometida. Foi nesse mar lisérgico que os Beatles lançaram um submarino amarelo.

O quarteto cantava Revolution e aqui uma tropa colorida barbarizava com o disco-movimento Tropicália, tendo à frente Caetano Veloso declarando Soy Loco Por Ti América. Chico Buarque alertava sobre uma Roda Viva e os Incríveis traduziam o grito pacifista de um garoto que amava Beatles e Rolling Stones.

O ano traumático encerrou estampando na capa branca de um álbum dos Beatles a esperança de paz e amor pregada nas ruas e praças. Na noite da véspera de Natal, as TVs exibiram a tripulação da Apollo 8 lendo em órbita da Lua trechos do livro Gênesis, da Bíblia. A semente de 1968 estava lançada e tudo estava apenas começando.

           


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