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02/05/2016 01:40:31
Strazzer: talento que marcou época

Ele chegou a ser um dos atores de maior popularidade na TV Brasileira dos Anos 1970

Leonino, Carlos Augusto Strazzer nasceu em São Caetano do Sul (SP), no primeiro domingo de agosto de 1946, dia 4. "Sou de Leão e procuro viver pelo coração", disse em certa entrevista. Sua carreira como ator começou vinte anos depois, em 1966, no Teatro de Arena, interpretando "Les Fourberies de Scapin", de Molière. Depois, claro, vieram muitos sucessos no palco, como "Evita" e "A Moratória", de Jorge Andrade, que lhe rendeu seu primeiro prêmio da APCA, como ator coadjuvante.

Além de teatro, Strazzer fez também cinema, embora pouco. Participou de Gaijin - Os Caminhos da Liberdade (1980), "O Mistério do Colégio Brasil" (1988), entre outros. A estreia na telinha deu-se em 1970. Foi na TV Record, quando interpretou Manuel do Alpendre em "As Pupilas do Senhor Reitor", primeiro grande trabalho do autor Lauro César Muniz (baseado no romance homônimo de Júlio Dinis) no gênero telenovela. Logo após, repetiu a parceria em "Os Deuses estão Mortos", um sucesso de crítica.

Em 1972, Strazzer transferiu-se para a TV Tupi, onde finalmente conseguiu emplacar personagens relevantes e, assim, ganhar projeção nacional de seu trabalho. Interpretou Carlos em "Éramos Seis" (1977), adaptação do romance homônimo de Maria José Dupré por Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho. A morte de seu personagem, que consta na obra literária, foi providencial, pois a emissora queria o ator para protagonizar "O Profeta", que estreou enquanto "Éramos Seis" ainda tinha dois meses de exibição pela frente. Na nova novela, de Ivani Ribeiro, ele deu vida à Daniel, um paranormal que se desvirtua e usa seus poderes para ganhar dinheiro. A trama foi muito bem aceita pelo público, e Strazzer levou seu segundo APCA.

Na sequência, em 1978, viveu Albertinho Limonta na segunda versão de "O Direito de Nascer" feita pela Tupi. O personagem era o centro da narrativa, pois a grande questão da história era saber qual de suas duas mães (a que o colocou no mundo ou a que o criou) tinha mais direito sobre ele. Parece mexicano, mas era um típico dramalhão cubano - a trama era uma reprodução da radionovela cubana de Félix Caignet.

Ao fim de "O Direito de Nascer", Carlos Augusto Strazzer foi contratado pela TV Globo. Estreou lá na novela "Coração Alado", de Janete Clair. Em seguida, apareceu ao lado de Maitê Proença em "Jogo da Vida", de Silvio de Abreu. Entre uma cena e outra, os dois construíram uma amizade tão forte que Strazzer acabou vindo a ser padrinho de consagração da filha única de Maitê, Maria.

Foi durante "Que Rei Sou Eu?" que Strazzer descobriu que estava contaminado pelo vírus HIV. O diagnóstico lhe afastou das gravações da novela por dois meses. Enquanto se tratava, o ator apareceu ainda em duas minisséries, "O Cometa" (1989), na Bandeirantes, e "O Sorriso do Lagarto" (1991), na Globo. Seu último trabalho, no entanto, foi como diretor da peça "Dorotéia" (1992), de Nelson Rodrigues. 

 

   


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