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08/05/2016 22:47:58
O teatro maldito de Plínio Marcos

Dramaturgo e gênio maldito, ele conseguiu se destacar no auge da Ditadura com textos ácidos e desbocados

Sua vida insubmissa, seus textos desbocados e cheios de fúria, sua teimosia em não aceitar cortes, em não negociar com a Censura, levaram à proibição de toda sua obra. Proclamando-se um "autor maldito", Plínio Marcos de Barros se destacou pelo enfoque quase naturalista que imprimia a diálogos e situações, sempre cortantes e carregados de gírias de personagens oriundas das camadas sociais periféricas.

Gênio da marginália, viveu até a juventude em Santos, quando ingressou em um circo-teatro onde ocupava diversas funções e destacou-se como o palhaço Frajola. Em 1958 foi chamado para substituir um ator no grupo amador que Patrícia Galvão, mais conhecida como Pagu, e seu marido Geraldo Ferraz mantinham na cidade. Lá conheceu autores como Samuel Beckett e Fernando Arrabal. Desses contatos resultou a primeira encenação amadora de um texto seu, Barrela, em 1959, dirigido por ele próprio, centrado numa curra em uma cela de prisão, o que provocou escândalo na sociedade santista.

Plínio exerceu diversas funções, como vendedor de álbuns de figurinhas, camelô, e, no início dos anos 1960, técnico da TV Tupi . Em 1966, sob a direção de Benjamin Cattan, ele e Ademir Rocha interpretaram Dois Perdidos Numa Noite Suja, no Ponto de Encontro, bar da Galeria Metrópole, em São Paulo, o que marcou sua estreia como profissional.

Navalha na Carne, a obra seguinte, enfrentou graves problemas com a Censura, o que desencadeou mobilização da classe teatral. Leituras no Teatro de Arena e no teatrinho particular de Cacilda Becker e Walmor Chagas reúnem a crítica e artistas, que pressionam pela liberação do texto, permitindo à montagem estrear em 1967. Porém o pungente desempenho de Ruthinéa de Moraes, vivendo a prostituta explorada pelo proxeneta, só foi liberado para maiores de 21 anos. O mesmo papel irá impulsionar a carreira de Tônia Carrero, na montagem carioca sob a direção de Fauzi Arap, em 1968.

Fervoroso defensor dos seus direitos, Plínio envolveu-se em agudo debate, transmitido pela TV, com a Deputada Conceição da Costa Neves, no qual advogou pela liberdade de expressão. Já nome nacional e articulista do jornal Última Hora, dispôs de uma tribuna para arremeter contra a Censura e a Ditadura.

Plínio Marcos deixou grande número de obras inéditas, como O Bote da Loba, 1997, além de peças infantis (As Aventuras do Coelho Gabriel, 1965; O Coelho e a Onça, 1988; Assembléia dos Ratos, 1989). É o autor dos roteiros cinematográficos Rainha Diaba, filme de Antônio Carlos Fontoura realizado em 1971, e Nenê Bandalho, filme de Emílio Fontana, de 1970.  

 

   


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