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06/04/2018 15:51:36
Meio século de uma odisseia

Por Alex Medeiros

Muito já se disse e se escreveu sobre o cineasta e produtor Stanley Kubrick, o gênio perfeccionista que deu ao cinema grandes filmes desde o princípio dos anos 50, com o suspense de guerra "Medo e Desejo", até o fim do século XX, quando morreu em 1999 deixando pronto o controverso "De Olhos Bem Fechados".

Aos que não conhecem bem, recomendo procurar a edição do fanzine K, de Rodrigo Hammer, dedicado ao diretor de uma das maiores obras da sétima arte, "2001: Uma Odisseia no Espaço", que está completando 50 anos do lançamento, em abril de 1968, e gerando eventos comemorativos, exposições e debates.

E aos que já conhecem bem e desejam se aprofundar mais na vida e obra de Kubrick, corram nos sites de vendas, Amazon, Mercado Livre, Estante Virtual, E-Bay, que ainda acham a vigorosa biografia feita por John Baxter e análises e revelações em livros de J. Abrams, Michael Herr e Paul Duncan.

Do tesouro filmográfico de Kubrick, onde brilham "Glória Feita de Sangue" (1957), "Lolita" (1962), "Dr. Fantástico" (1964), "Laranja Mecânica" (1971) e "O Iluminado" (1980), o sci fiction "2001: Uma Odisseia no Espaço" é provavelmente o seu filme mais impactante, aquele que mais gente se aventurou a decifrar.

Era fevereiro de 1964 quando ele conheceu o escritor Arthur Clarke, cujo livro "O Fim da Infância" - lançado no ano em que fez seu primeiro filme - o impressionara pela trama que envolvia raça alienígena predecessora da humanidade. Ambos iniciaram uma longa e fértil troca de correspondência.

Em maio, Kubrick e Clarke brindam o começo da parceria, no apartamento do segundo em Nova York, com direito à visão de OVNI, mas que a NASA disse ser só o satélite Echo 2, de 40 metros de diâmetro, que acabara de ser lançado para substituir o primeiro satélite da história das comunicações.

Clarke entrou na aventura do novo amigo, trancou-se num hotel que tradicionalmente hospedava gente da geração beatnik, e escreveu uma versão do próprio livro como roteiro e argumento, tudo enxertado com as ideias de Kubrick, que antes disso insistia em filmar o texto original do romance.

Cinquenta anos e muitos satélites e discos voadores depois, a obra-mestra da ficção científica segue como referência para novos diretores e o velho Kubrick, já morto, continua deixando de queixo caído as novas gerações de cinéfilos e de críticos que ainda buscam decifrar o que nunca foi dito.

Quanto mais a gente assiste "2001" e pensa no que quis dizer o monstruoso cineasta, mais nos vem à mente a resposta do escritor T. S. Eliot quando pediam para ele explicar o poema Terra Desolada: "Queria dizer o que disse e se pudesse dize-lo de outra maneira o haveria feito". Decifrar Kubrick é vício.

           


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