Quadrinhos

01/02/2016 00:56:16
O justiceiro diferente

Ken Parker é referência para quem colecionava quadrinhos entre as décadas de 1970 e 1980

 
Quando Sydney Pollack resolveu filmar o clássico faroeste Jeremiah Johnson (Mais Forte Que a Vingança, no Brasil), com Robert Redford, um emocionante roteiro baseado em dois livros - Mountain Man, romance de Vardis Fisher, e Crow Killer, uma história real escrita por Raymond W. Thorp e Robert Bun-ker - ele jamais poderia imaginar que sua realização inspirasse Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo, dois dos maiores artistas italianos, a criar uma história em quadrinhos que se tornaria lendária.
 
Mas foi a partir do conceito deste filme que surgiu Ken Parker, um dos mais cultuados personagens das histórias em quadrinhos italianas. "Rifle Comprido", como é chamado pelos índios, é o próprio Redford desenhado. Em sua primeira aventura, ele ainda é um caçador que vive nas montanhas e vende peles de animais para sobreviver. E a semelhança com a realização de Pollack termina aí.
 
Para desenvolver as aventuras de Ken Parker, o roteirista Giancarlo Berardi e o desenhista Ivo Milazzo não trilharam o lugar-comum. Criativos e conscientes de que suas histórias ultrapassam o simples entretenimento, eles jamais iriam buscar o lugar comum em roteiros de faroeste. Na época, início da década de 1970, os dois trabalhavam nas histórias de Tiki, Il Ragazzo Guerrero, com as aventuras de um jovem índio da tribo Carajás, na Amazônia, que denunciavam a violência da região, o abuso das autoridades e o massacre de aldeias indígenas. Como se vê, argumentos pouco usuais, principalmente se considerarmos o período em que elas foram criadas.
 
No Brasil, a série original de Ken Parker foi lançada pela Editora Vecchi em novembro de 1978 e só terminou de ser publicada em no número 56, de agosto de 1983, ano em que a editora fechou as portas, deixando os leitores brasileiros sem as últimas seis aventuras (na Itália, a série durou 59 edições). Assim, o personagem ficou afastado das bancas brasileiras - exceto por algumas poucas edições esporádicas - até o ano 2000, quando a Mythos Editora passou a publicar uma nova série de Ken Parker, com 18 edições (batizada, na Itália, de Ken Parker Magazine).
 
Além dessa iniciativa, a Tendência Editorial e, em seguida, o Clube dos Quadrinhos-Cluq iniciaram o relançamento de toda a série clássica em formato maior e tiragem limitada, incluindo as quatro últimas aventuras que não haviam sido publicadas no Brasil (a editora Best News tentou continuar a série no início dos anos 1990 a partir do ponto que a Vecchi deixou, mas não passou de duas edições). Na verdade, esse relançamento foi uma iniciativa - e um verdadeiro tour de force - do editor Wagner Augusto, do Cluq, que passou a ter os direitos sobre os produtos de Berardi/Milazzo no Brasil.

   


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