Futebol

07/05/2018 11:42:45
O genial legado holandês

Por Alex Medeiros

Muitos amantes do futebol como espetáculo talvez não saibam estabelecer há quanto tempo o mundo se delicia com o estilo "tiki taka" praticado pela equipe do Barcelona da chamada "Era Messi".
Alguns juram que começou com o trabalho de base nas "canteras", uma espécie de berço estelar.

Há aqueles que apostam que tudo vem desde o tripé Deco, Ronaldinho Gaúcho e Eto'o, dirigido pelo holandês Rijkaard e que ganhou tudo. Tese contraditada pelos que juram que o tripé mágico é o posterior, com Xavi, Iniesta e Messi. Mas o que poucos sabem é que já se vai quase meio século de uma planejada epopeia holandesa.

Voltemos ao ano de 1974, Copa do Mundo na Alemanha, a seleção do Brasil entrando na era pós-Pelé/Tostão, e buscando o tetra com alguns ícones do tri (Rivelino, Jairzinho, Paulo Cezar) reforçados por uma nova geração com Marinho Chagas, Nelinho, Carpegiane, Leivinha.

Ao final da primeira fase da competição, o planeta Terra virou uma laranja mecânica, o povo em encantamento com um tal futebol total da Holanda formada por magrelos cabeludos, lúdicos hippies seguindo um líder chamado Johan Cruijff, camisa número 14.

No banco, o responsável por tudo aquilo; um quarentão chamado Rinus Michels que pegou a seleção holandesa das mãos de um treinador tcheco que conseguira a duras custas classificar o time pra Copa. O que poucos sabiam é que a revolução que assistíamos ali já havia ocorrido na Catalunha.

Porque 1974 foi o ano que Rinus Michels encerrou uma crise no Barcelona, que passou os anos 60 e metade dos 70 sem ganhar nada na Espanha. Vitorioso no Ajax, o técnico implantou no Barça seu jogo, levou pra lá o garoto Cruijff e deu o título ao clube no ano em que a Holanda brilhou.

A história da Copa 74 todos conhecem, mas nem todos sabem dos fios históricos e revolucionários que ligaram o futebol da Holanda ao futebol do Barcelona, tanto no princípio com Rinus quanto na sequência com Cruijf, quer seja como jogador, quer seja como técnico.

E foi num 4 de maio de 1988, há exatos 30 anos, que o craque do time voltou ao estádio Camp Nou, agora como treinador para prosseguir com a revolução que até hoje nos encanta. Desceu de um avião da companhia holandesa KLM, duas malas e alguns maços de cigarros Camel.

Cruijff passou a consolidar uma hierarquia iniciada por seu técnico no Ajax, na Holanda e no Barcelona. Se Rinus pegou uma entressafra de taças, ele teve que superar um motim de jogadores. E superou criando um time de sonhos com Laudrup, Stoichkov, Koeman, Romário, Guardiola.

Deu a Guardiola a função que foi sua e criou a sequência de um genoma que parece infinito e total como aquela laranja do seu mentor. Guardiola virou técnico e transferiu seu papel a Xavi, que o enriqueceu com Iniesta e o elevou ao eterno com Messi. Como se vê, em Barcelona o ano que nunca acabou foi 1974. A Catalunha é o protetorado mágico da Holanda.

           


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