Música

04/08/2016 07:52:52
Morre a musa de Leonard Cohen

Por Alex Medeiros

A norueguesa Marianne Ihlen tinha apenas 22 anos quando chegou na ilha grega de Hydra carregando um filho de seis meses após ser abandonada pelo marido e pai da criança.

Naquele paraíso do Mediterrâneo, que servia de point lúdico para intelectuais, poetas e hippies dos anos 1960, ela um dia entrou numa lojinha tipo as tabernas britânicas para comprar leite para o bebê e outros alimentos.

Pouco depois, um rapaz muito atencioso a convidou para juntar-se à sua mesa, onde havia alguns amigos dele. Era o jovem poeta canadense Leonard Cohen, que acabara de chegar para morar também na ilha.

A partir daquele dia, começaria ali uma história de amor que duraria quase uma década e inspiraria um dos maiores compositores da música pop pela vida afora. Marianne tornou-se a eterna garota que Cohen amou na juventude.

Musa de várias das músicas do artista, como a canção "So long Marianne", ela faleceu na semana passada, na capital Oslo, aos 81 anos, vítima de uma leucemia. Cohen, de 82 anos, soube da doença através de um amigo.

Porém, antes de Marianne partir, o velho escritor escreveu-lhe uma carta de despedida, onde declarava ter sido ela a grande musa do seu trabalho. Segundo a TV CBS, Cohen diz que jamais deixou de amá-la.

"Chegou um momento em que nossos corpos e almas começaram a se falar mesmo separados", escreveu o compositor, que ainda avisa na carta que ele está presente ao lado dela em espírito, segurando a sua mão como na primeira vez.

Cohen também diz que a amou por sua beleza e sabedoria, e que a seguirá pelo infinito, que nada mais precisaria dizer porque ela sabia do seu amor. "Nós nos reencontraremos ao final do caminho que é um novo começo", disse.

O amigo que levou a carta até o leito de morte de Marianne disse à imprensa que no momento em que lia a carta, segurando a mão dela - como pediu Cohen - ela a apertou na parte em que ele diz estar segurando sua mão.

A carta chegou no hospital de Oslo minutos antes de Marianne perder a consciência e entrar em coma. Morreu dois dias depois. Ela e Cohen viveram na ilha de Hydra numa casa sem água e luz que o poeta comprou com uma herança da avó.

Foi ali, embalado pelo amor de Marianne, que ele compôs belos poemas e elaborou seu primeiro álbum onde se inclui a balada "So long Marianne". Viveram ainda no Canadá e EUA, e desde que se separaram mantiveram uma admiração mútua.

   


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