Literatura

22/10/2019 10:12:17
Prefácio para meu novo livro

Por João Galvão*


Alex Medeiros, jornalista, escritor fanático por futebol e torcedor do Coríntians de Caicó, do Botafogo do Rio de Janeiro, da Seleção Argentina e do Liverpool (fácil de se saber a razão), apreciador de cinema, música, artes em geral, letrista de canção popular, paizão, amigo que leva a sério essa palavra e poeta (y otras cositas más), abre a gaveta da sua memória e nos apresenta sua trajetória pessoal, que é a mesma estrada trilhada por sua geração, através da obra dos Beatles pela síntese do Haikai.

Alex Medeiros envereda nos mistérios do minimalismo pictórico do Haikai (Haiku), instantâneos da trilha sonora da vida de muitos, mas que foram vistos pela memória da vida deste poeta que passeia com talento por diversas formas e estilos textuais. Suas sínteses em três linhas nos presenteiam com 50 leituras de momentos de sua vida, representando muitas outras vidas, como se revisitasse os retratos 3x4 que guardamos nas nossas gavetas e que avivam, escrevem e transportam nossas histórias.

Nós todos estamos ali, em maior ou menor intensidade. Esses haicais temáticos, fotoescritos em três linhas a partir do material criativo dos Fab Four, retomam o que aqueles quatro rapazes ousaram fazer como grande música modificadora de comportamentos na década de 1960 e o que os impulsionou a decidir viver disso em uma cidade operária da Inglaterra. Jagger&Richards (outros que sonharam igual e ainda fazem o sonho não ter acabado) definiram com precisão em Street Fighting Man o dilema da juventude pobre inglesa - But what can a poor boy do except to sing for a rock'n'roll band?

Temos aqui um apanhado em 3x4 de 50 canções, 50 momentos marcados como imagens perenes na história das mudanças sociopolíticas dos anos sessenta, começando nas canções de amor simples, juvenil (Love Me Do), amadurecendo nas canções que liam a sociedade em mutação (Blackbird), a solidão das cidades (Eleanor Rigby) e que marcaram posição na militância pacifista com M maiúsculo (Revolution).

Os haikais de Alex Medeiros enveredam com sucesso no difícil trabalho de eternizar o momento em rimas em línguas diferentes. Neste trabalho, ele nos brinda com rimas ricas, rimas pobres, rimas perfeitas e rimas em eco. Delicioso experimentar a oralidade bilíngue ao se fazer a leitura dos haikais, levando-nos a correr para os vinis, CDs, VHSs, vídeos, DVDs e Blu-ray Discs - que todo Beatlemaníaco que se preza tem, ou usar a modernidade das plataformas de streaming.

De há muito, a forma tradicional do haikai já não é mais o elemento primordial, uma vez que a captura do momento sempre foi o seu elemento essencial, a imagem torna-se seu elemento significativo mais relevante. A síntese contida nessa forma poética sempre nos leva à reflexão. A imagem captada, visual ou sonora, transforma-se em história individual e segue como o legado que as artes nos presenteiam.

Neste trabalho poético-histórico, há 50 momentos em que podemos desfrutar a alegria do bom e velho rock'n'roll no amor doméstico do Ob-La-Di, Ob-La-Da, em Penny Lane como o paradigma do lugar de todo e cada sonho, nas viagens e amores por um dia dos jovens dos anos sessenta e no despertar feliz com a lembrança da magnífica noite de ontem.
50 momentos fotografados pela mente de Alex Medeiros que nos levam na sua e na nossa Turnê Mágica e Misteriosa. Roll up! For the Magical Mystery Haikai Tour.

       


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