Literatura

13/12/2015 03:05:55
Lester Bangs

Nascido a 13 de Dezembro, Lester Bangs foi amado e odiado com a mesma intensidade

 
Lester Bangs chegou ao público pouco depois de completar duas décadas de errática existência. Em 1969, publicou seu primeiro artigo pela Rolling Stone, onde já se via o espírito afeito à doutrina, ao convencimento das retinas que o leem, particularidade que, segundo o próprio autor, vinha de sua incursão juvenil obrigatória pelo âmago das Testemunhas de Jeová - a vocação de "querer que as pessoas gostem da mesma coisa que eu".
 
Demitido da revista por cultivar rusgas com músicos, vai para "Creem", publicação mais anárquica e disponível para seus textos transgressores. Ali, emprega, pela primeira vez, os termos "`Punk" e "Heavy Metal". Expõe, de maneira tórrida e textualmente espetacular, sua relação dúbia com Lou Reed, pilar do ideal roqueiro construído com a ajuda de Bangs e sua máquina de esculpir ídolos. Ainda publicaria, vez ou outra, na "NME" e no underground "Village Voice", antes de sucumbir a uma overdose de medicamentos, já desgostoso com os rumos do Rock'n' Roll.
 
Escreveu sobre discos, e só. Mas ali havia muito mais do que música. Ele escreveu Rock, "que não é simplesmente o escrever sobre Rock", como lembrou Wu Ming. Dedos frenéticos na máquina de escrever, ele militou pela honestidade da música e perpretou, entre as engrenagens das máquinas do estúdio, o elemento humano que ali necessitava sobreviver. Certa feita, costurou os tecidos de Astral Weeks, de Van Morrison, com observações de humanidade extrema.

   


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