Literatura

15/02/2016 14:02:16
Cassandra Rios e o erotismo maldito

Mistério durante décadas, escritora transormou censura em vendagens recordes

 
Uma das mais polêmicas escritoras brasileiras, Cassandra Rios foi a primeira mulher a vender um milhão de exemplares no país - e a mais censurada artista do país. Seus temas eróticos, muitas vezes considerados pornográficos, fizeram com que, nos anos 1970, 36 de seus livros fossem censurados. Sem falar nas brigas na Justiça. Um único livro, "Eudemônia", rendeu-lhe 16 processos. Em 1976, por exemplo, de seus 36 livros publicados até então, 33 estavam proibidos e apreendidos.

 

O sucesso popular da autora de "O Prazer de Pecar", "Tessa, a Gata", "Carne em Delírio" e "A Paranóica" - levado ao cinema com o título de "Ariela" - não garantiu o mesmo reconhecimento no meio literário. Durante anos, Cassandra foi chamada de escritora sem qualidade e chegou a ser tachada de comunista e obscena. Nos anos 1980, quando vendia 300 mil exemplares de cada novo livro, conquistou a simpatia de Jorge Amado, que passou a defendê-las das críticas.
 
Cassandra, porém, preferia ignorá-las. Começou a escrever pequenos textos aos 12 anos de idade. Aos 16, estreou profissionalmente, com "A Volúpia do Pecado". Numa de suas raras entrevistas, afirmou que se considerava perseguida por ser mulher. "Não me considero marginalizada, eu é que marginalizo e ignoro a crítica".
 
No livro "Repressão e Resistência - Censura a Livros na Ditadura Militar", a pesquisadora Sandra Reimão reproduz o parecer da analisa que determinou a censura de uma das obras de Cassandra, "Copabacana Posto 6 - A madrasta": "O livro de Cassandra Rios traz mensagem negativa, psicologicamente falsa em certos aspectos de relacionamento, nociva e deprimente, principalmente pela conquista lésbica da heroína junto à madrasta e o duplo suicídio final." A escritora morreu em março de 2002, de câncer, aos 69 anos.

 

   


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