Literatura

01/03/2016 01:28:36
Procura-se Agatha Christie

Desaparecimento da Dama do Suspense envolveu as mais disparatadas teorias

 
Naquela manhã fria de dezembro, uma garoa fina caía sobre a pequena cidade de Guilford, ao sul de Londres, quando um carro da polícia saiu da estrada e estacionou a alguns metros de outro veículo, que havia se chocado com uma árvore nas proximidades do lago. O acidente parecia não ter sido muito grave, já que os danos ao carro eram mínimos. As duas portas do veículo estavam abertas. Nenhum sinal dos ocupantes, exceto por um par de luvas e um elegante casaco de pele deixado no banco de trás. Os papéis do veículo apontavam como proprietário o senhor Archibald Christie, morador de Berkshire, a alguns quilômetros dali.
 
Pouco depois, os policiais chegaram à residência de Christie e o que parecia apenas mais um acidente trivial dava início a um grande mistério. O carro, na verdade, pertencia à esposa de Archibald, a famosa escritora Agatha Christie, que na noite anterior, dia 3 de dezembro de 1926, por volta das 20h45, saíra de casa despedindo-se com um beijo em sua filha Rosalind. A família preparava-se para queixar-se do desaparecimento quando os policiais chegaram. No mesmo dia, os vespertinos londrinos estampavam manchetes sobre o caso e especulavam: um rapto, um assassinato? O que teria acontecido, aos 36 anos, com a Rainha do Crime, a maior escritora do país?
 
Em princípio, a polícia descartou as opções de rapto ou seqüestro, já que não encontrou nenhuma nota, bilhete ou pedido de resgate. Como se fosse uma história de suspense da própria escritora, começaram a aparecer boatos de que ela havia morrido afogada no lago ou assassinada e enterrada no bosque onde o carro foi encontrado. Logo as investigações descobriram um relacionamento extraconjugal do coronel Archibald Christie, piloto do Corpo Real de Aviadores durante a Primeira Guerra, com quem a escritora se casara em 1914 e teve Rosalind, então com 7 anos. O marido agora era suspeito do desaparecimento de Agatha Christie.
 
As investigações apuraram que a escritora realmente chocou seu carro contra uma árvore. Ela, então, apanhou a bolsa, saiu do carro, caminhou até a estação ferroviária mais próxima e tomou o trem para Harrogate, onde se hospedou em um luxuoso hotel, na verdade uma espécie de retiro no norte da Inglaterra, utilizando justamente o sobrenome da amante do marido. Os testemunhos dos empregados do hotel contam que a escritora apresentava-se como sendo da África do Sul e dizia que em breve voltaria à Cidade do Cabo. Pelo visto, a escritora capaz de inventar as mais intrincadas soluções para os crimes em seus livros criou, afinal, um mistério sem solução para sua vida pessoal.

   


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