Cotidiano

05/02/2019 18:54:43
O ocaso do ditador

Por Alex Medeiros

Houve um tempo em que ditadores caíam como eventos sazonais. Alguns, mesmo apodrecidos, demoravam a ir ao chão. Guardei aos trinta e poucos anos os fogos que decidi queimar quando Fidel Castro se fosse pro inferno. Com tanto tempo guardados, deram chabu e improvisei a alegria com gritos.

Hoje em dia não há muitos momentos para assistir algo tão saboroso do que ver um tirano despencando do poder ou morrendo num leito hospitalar, cercado por asseclas e eleitores imbecis, como ocorreu com Hugo Chávez, por exemplo. Agora, é espetacular ver a madureza da ditadura na Venezuela.

A maturação dos dias finais de Maduro aponta o seu crepúsculo e nos faz antever o naufrágio do sistema narcobolivariano implantado pelos comunistas semiletrados do chavismo. A pressão internacional contra o canalha, seu aperreio se agarrando à ilusão, são um combustível para o meu entusiasmo.

Não tem preço acompanhar a contagem regressiva do assassino aquartelado com seus militares corruptos. Lembra o acompanhamento televisivo que o mundo livre teve no tempo de Saddam Hussein, as horas passando debaixo de mísseis e o sacripanta iraquiano a se esconder, até ser apanhado num buraco.

Torcer pelo fim de Nicolás Maduro - e tanto faz um fim político ou físico - tem aquele mesmo sabor de quando o ditador líbio Gaddafi foi abatido por revoltados do seu próprio país. Não precisa ter prurido moral ou religioso ao desejar a morte de um criminoso que plantou ódio, miséria e desolação.

Políticos filhos da puta como Maduro, ou ditadores inescrupulosos como o nicaraguense Daniel Ortega, são como aqueles cordeiros nos rituais da história antiga: sacrificá-los tem importância psíquica, cultural e até divina no consciente coletivo da comunidade solapada por eles. Não farão falta.

Filhote do sectarismo chavista, herdeiro eleitoral do sargentão que tinha mania de falar com mortos, Maduro pegou rápido o diploma de déspota como a suprir a ausência de currículo escolar. Foi o tempo todo um discípulo teleguiado pelo profeta alucinado que se achava a reencarnação de Simon Bolívar.

Com o apoio também de parte da igreja, a ditadura bolivariana se alimentou das místicas de Deus e Bolívar, imagens com força social suficiente ao domínio da ignorância popular. Tomara que o safado do Maduro provoque os EUA e que sofra uma intervenção militar. Que ao final ele vá ao encontro de Chávez, Fidel ou o diabo. Vade retro, ditador!

       


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