Cotidiano

15/11/2015 02:50:43
Canecão: patrimônio da Cultura Brasileira

Palco de apresentações antológicas, casa de shows carioca gerou passado de glórias

 
Originalmente concebida como uma grande cervejaria em Botafogo, o Canecão foi inaugurado em 1967, tornando-se uma das grandes referências nacionais para espetáculos de médio e grande porte. Vários artistas nacionais e internacionais se apresentaram em seu palco, entre os quais Maysa, Chico Buarque na turnê As Cidades, Marisa Monte e até o alternativo Los Hermanos. Também se destacaram os shows do mesmo Chico Buarque (na turnê Carioca) e os de Roberto Carlos em 2007. 
 
A temporada realizada por Maysa, em 1969, merece referência especial: fez com que o Canecão se tornasse popular entre o meio artístico, e logo, a casa virasse um palco sagrado para todos as grandes personalidades da MPB. Já o pesquisador musical Ricardo Cravo Albim, no Dicionário MPB, preferiu exaltar a dimensão do papel exercido pela casa de espetáculos no cenário artístico. "Dificilmente se poderão listar todos os artistas que passaram pelo Canecão, uma das maiores e mais importantes casas de show da América do Sul", afirma. Foi naquele palco que, em um dos shows no fim dos anos 80, Tim Maia agradeceu à Brahma pelo patrocínio, pedindo um copo de Antarctica. Isso antes de existir a AmBev. As histórias são muitas.
 
Na verdade, não há como negar a importância da casa. Basta rever a trajetória de grandes nomes inquestionáveis da música brasileira como Roberto Carlos, Tom Jobim, Elis Regina, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Chico Buarque, Cazuza, Marisa Monte, Ney Matogrosso e Martinho da Vila para perceber que todos os caminhos levam a um palco em comum.
 
Durante todo o tempo de funcionamento, o local foi operado pelo empresário Mario Priolli. Ele conseguiu o espaço da Associação dos Servidores Civis da UFRJ que, na época tinha a posse do lugar. Depois de muitos anos, a UFRJ retomou o prédio. Priolli nunca pagou aluguel à Universidade. Calcula-se que hoje o aluguel do Canecão supere os R$ 200 mil por mês, tanto que em uma das propostas feitas por Prioli, a Universidade havia de resgatar R$ 6 bilhões presos na Justiça, depósito judiciais bloqueados, justamente para pagar aluguéis atrasados. Mas essa proposta não colou. 
 
Em 17 de maio de 2010, o Canecão foi reaberto mediante uma liminar judicial que devolveu a posse provisória ao antigo inquilino. A ideia de guardar os documentos que hoje se encontram no instituto foi de Maneco Valença, produtor da casa desde sua fundação e primo-irmão de seu proprietário. Um trabalho que começou já na década de 1960.

       


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