BLOG DO ALEX MEDEIROS

30/12/2017
A palavra do ano

Nem "empoderamento", nem "sextou", nem "fake news" e muito menos "treta". A palavra do ano na minha opinião surgiu na Espanha e ganhou a mídia tradicional e as redes sociais do mundo neste 2017.

Pela força nefasta que ela representa nesses tempos de incertezas econômicas e intolerâncias ideológicas, eu escolho "Aporofobia", um neologismo criado pela filósofa espanhola Adela Cortina, usado em vários artigos e que penetrou nos textos jornalísticos da Europa e EUA.

Apesar de muitas vezes usada como significado de uma xenofobia específica contra imigrantes e refugiados, a palavra carrega em verdade uma dosagem escrota de aversão aos pobres, como identificou a própria criadora do termo.

"A rejeição aos refugiados não se produz por sua condição estrangeira, mas sim porque são pobres", sentenciou Cortina num dos últimos artigos publicados este ano.

Se transportarmos a "Aporofobia" para a conjuntura brasileira, principalmente observando o histérico debate nas redes sociais, veremos o horrendo sentimento disfarçado nas teses dos novos playboys desfilando em novas siglas partidárias que vendem a redenção do Brasil numa ilusória política de mercado.

Herdeiros de toda a podridão sócio-política de um país espoliado à direita e à esquerda, os jovenzinhos com gravatas no ego tentam evangelizar as almas sedentas de horizonte, apontando a utopia de seus próprios delírios monetários.