BLOG DO ALEX MEDEIROS

11/01/2018
Dos anais da Copa 70

Em 1969 a Revista do Esporte parou de circular. A falência não poderia chegar em ano tão impróprio, quando o craque Tostão danou-se a fazer gols ajudando a seleção de Saldanha a garantir a classificação para a Copa do México.

O ídolo do Cruzeiro jogou por ele e Pelé, que não andava bem por uma contusão e um problema no olho (o próprio Tostão passaria por problema pior e acabou fazendo cirurgia no olho esquerdo).

No alvorecer de 1970, a editora Abril decidiu ocupar o vazio aberto pela Revista do Esporte e lançou a Placar. Na edição número 0, só dois jogadores mereceram mais de uma página: Pelé e George Best.

Ao se aproximar a Copa, foi escalada uma seleção de jornalistas e colaboradores para cobrir o evento na terra de Cantinflas. E o cartunista Henfil ficou responsável por uma página de humor sempre relativa à seleção brasileira.

Entre as coisas que mais irritavam o ranzinza técnico Zagallo, tinha destaque biliar o fato de que não fora ele a montar a orquestra afinada por Saldanha. E ninguém tinha mais prazer em cutucar as fraquezas humanas do que o criador do provocador e politicamente incorreto Fradim.

Numa das páginas impagáveis do irmão de Betinho na Placar, uns quadrinhos com Zagallo durante uma coletiva de imprensa. No meio de dezenas de microfones, câmeras e fios, uma voz pergunta: "Mister Zagallo, é verdade que quem escala o time é o Pelé?".

No quadro seguinte, um então jovem Lobo babando ódio em estado pré-infarto, gritando que aquilo era intriga da imprensa comunista, carrega uma passeata de repórteres em direção ao vestiário para que todos ouçam a resposta na boca do próprio Rei do futebol. "Pelé, diga pra eles a verdade. É você que escala a seleção?".

O number one do esporte bretão, todo ensaboado, responde com a monárquica sinceridade: "É mentira. Eu só dou umas dicas, quem escala é o Gerson!".

PS - Crônica em homenagem aos 77 anos do craque Gerson, o canhotinha de ouro da seleção tricampeã do mundo.