BLOG DO ALEX MEDEIROS

01/12/2018
A Libertadores universal

A mídia argentina e a pacheca estão unidas no mimimi provinciano, criticando a final da Taça Libertadores no estádio Santiago Bernabéu, em Madrid. Ambas cegas no provincianismo peculiar dos trópicos. Não entendem o fator comercial e a força expansiva para reforçar a imagem do futebol latino na Europa.

Se um superclássico como Boca Juniors x River Plate não fosse importante como interesse global, não teria havido a batalha de grandes cidades como Paris, Miami, Doha e Madrid, todas interessadas em sediar a final histórica, a mais importante em toda a história de 58 anos do evento iniciado em 1960.

Para quem não sabe, já havia torcedores europeus e também japoneses em Buenos Aires quando a final foi cancelada, no triste episódio do ataque ao ônibus do Boca por torcedores delinquentes do River, aliás coisa que existe em todas as torcidas de lá, de cá e além-mar. Imaginem a presença no jogo em Madrid.

Os contratos e consequências comerciais de uma final latina no estádio do Real Madrid compensam o fato de muitos torcedores domésticos não conseguirem assistir ao jogo num gramado da capital argentina. Mas milhares viajarão, como sempre fazem nas copas do mundo, quando os hermanos são quase maioria.

Convém lembrar que na Espanha residem mais de 120 mil argentinos, mais de 75 mil brasileiros, sem falar nos uruguaios, colombianos, chilenos e equatorianos que juntos somam mais de 1 milhão de almas. Alguém duvida que haverá deslocamentos de milhares de europeus para curtir o embate sul-americano?

Os ingleses, considerados os torcedores mais apaixonados por futebol, aprendem desde cedo que apesar dos muitos clássicos internos dos muitos clubes britânicos, é preciso fazer pelo menos uma vez na vida a travessia do Atlântico para assistir uma partida entre Boca x River. E muitos cumprem.

Ontem e hoje, passando a vista nos sites dos principais jornais argentinos e assistindo as resenhas dos canais esportivos brasileiros, não pude deixar de ficar estarrecido com a rejeição ridícula ao negócio armado pela Conmebol na final em Madrid. Quem nasceu para bodega nunca irá virar shopping center.

O romantismo patológico da mídia latina não sai do barro parnasiano para avançar no asfalto da poesia concreta. Me remete sempre ao botafoguense e craque das letras Paulo Mendes Campos sentenciando que a imprensa esportiva nacional sequer tinha chegado na Feira de Arte Moderna de 1922.

Esse povo não aprende sobre expansão, mesmo vendo a própria liga espanhola iniciar negociações para ter jogos em Miami. Não entendem quando Barcelona, Real Madrid, Manchester United, Liverpool, Juventus criam filiais na China, Japão, Austrália, EUA... Sonham com Flamengo x Corinthians no Piauí.

Enquanto a FIFA expande a Copa do Mundo por países remotos, numa espécie de cruzada templária da bola, ficam aqui as redações bairristas pelejando por fazer dos clássicos apenas peladas na própria cozinha. O UOL falou em traição aos heróis San Martin, Bolívar e Tupac Amaru. Omi, vão tomar no olho da rua!