BLOG DO ALEX MEDEIROS

05/12/2018
A bola do mundo todo

O atual presidente da FIFA, o suíço-italiano Gianni Infantino, tem se mostrado um grande globalista, mais até que os recentes sucessores. Sua gestão não para de criar condições para a expansão dos negócios do futebol pelos cinco continentes do planeta. Chega já no Ártico, que parece ser outro continente.

A careca lustrosa do executivo tem se destacado nas mais distantes arquibancadas, se traçarmos a distância geográfica a partir da sede da entidade maior do futebol, em Zurique, na Suíça. Ele foi o primeiro dirigente da FIFA a viajar para ver uma final de Taça Libertadores na América do Sul.

Sua ida a Buenos Aires não teve como único e exclusivo objetivo assistir o duelo Boca vs River, por mais que ele e o resto do mundo saibam que o clássico platino é um dos mais empolgantes entre todos os grandes clássicos. Infantino veio aos trópicos com a mesma intenção que irá à China e EUA.

Ele quer o futebol ocupando todas as terras do globo terrestre, e para isso, tem o elemento mais forte para seus argumentos: a Copa do Mundo e os 300 bilhões de dólares que o popular esporte gera todo ano. A passagem exitosa do torneio pela Rússia e a próxima parada no Qatar estimulam a pretensão.

Quando a sede da Copa do Mundo de 2022 foi confirmada no rico emirado do mundo árabe, pouco tempo depois a FIFA soltou a boa nova de que a Copa de 2026, nos EUA, Canadá e México, contaria com 48 seleções, num acréscimo de 16 países aos 32 atuais. Mas agora, Infantino cresceu os olhos e quer mais.

De repente - quem sabe estimulado por cálculos recentes de cifras futuras - ele quer aumentar a quantidade de seleções já no próprio Qatar, propondo ainda que o rico país aceite que se espalhe por outras nações algumas chaves da Copa. Vai apelar para que os jogos de 2022 já sejam compartilhados.

Numa entrevista recente, o dirigente máximo do futebol declarou que seria muito bonito a Copa do Mundo ser compartilhada com outros países pelo Qatar, se antecipando ao formato previamente definido para ocorrer em 2026 na América do Norte. A ideia é que o futebol crie laços entre os países árabes.

Infantino sabe e admite que não é fácil, a essa altura, com as obras do Qatar avançadas, propor o compartilhamento. Mas também acredita que para o futebol nada é impossível, por mais que transpareça muito complicado. As confederações continentais aceitarão certamente 48 equipes já no Qatar.

Entretanto não basta a FIFA e seu presidente desejarem; é preciso respeitar acordos firmados anteriormente com o país sede, que pode muito bem não concordar em dividir uma festa que praticamente já pagou antecipado a decoração.

Além de 48 seleções, ainda há uma proposta da Copa ocorrer a cada dois anos. Há de se ter cuidado com a vulgarização, lembrando da fábula dos ovos dourados da galinha.