BLOG DO ALEX MEDEIROS

20/12/2018
Beto versus Mineiro

A campanha eleitoral de 2014 nem havia começado. Faltavam ainda alguns poucos dias para o período oficial das convenções partidárias, onde os candidatos ao governo Henrique Alves e Robinson Faria faziam suas costuras em busca de apoios que fortalecessem a luta, principalmente no horário da TV.

Poucos sabem, muitos negarão, mas naquele momento a então deputada federal Fátima Bezerra paquerou com o PMDB - leia-se família Alves - esperançosa de compor a chapa majoritária na condição de senadora. Já a ex-governadora Wilma de Faria aguardava os fatos, também de olho no PMDB.

As coisas tomaram novos rumos, os rumos modificaram as coisas, e lá se foi o PT negociar com o PSD de Robinson, enquanto Wilma se compôs com Henrique. Aí, poucos dias antes da convenção que homologaria a chapa Robinson-Fátima, os sismógrafos registraram movimentações em Mossoró.

O PP se aproxima do PSD visando uma aliança e colocando panos quentes na relação então desgastada entre Robinson Faria e Rosalba Ciarline, que formaram chapa em 2010 contra Iberê Ferreira. O PP tinha como principal objetivo eleger Beto Rosado deputado federal, na vaga que foi do seu pai.

O PT chiou com a nova sigla que chegava na coligação que ele estava formando com o PSD. Após as tradicionais plenárias (oriundas da fase estudantil dos seus líderes), os petistas foram em bloco - ou em cordas de caranguejo - conversar com Robinson e refutar a adesão do PP de Beto.

Mas não esperava a contundência com que o então vice-governador defendeu a aliança com o PP, de vital importância para vitaminar os minutos do horário eleitoral na TV e no rádio. O PT, óbvio, radicalizou e fez manha. Não ficaria na coligação se tivesse que dividir palanque com as tropas rosadas de Mossoró.

Robinson também radicalizou e avisou que sem o PP retiraria a candidatura. Não via chances numa luta só com o PT de aliado. E surpreendendo os petistas, ali diante dele na sua sala, sugeriu que Fernando Mineiro ou Fátima Bezerra assumissem a cabeça da chapa. Daria apoio total à alternativa.

Com duas posições radicais na conversa, ensaiou-se o rompimento. O que seria o terceiro durante aquele período de acertos e pingos nos is. Robinson decidiu hibernar na sua casa de praia e fechou as portas para o PT. Sequer atendeu telefonema de Mineiro, com quem mantinha estreita amizade.

E só abriu num domingo, após insistência e muita paciência do então presidente do PT, Eraldo Paiva, que foi lá avisar que o partido voltou atrás e iria aceitar a coligação com o PP de Beto Rosado. Faltavam poucos dias para a convenção, que aconteceu em paz numa grande festa na Zona Norte.

De briga mesmo só as demonstrações de força do PT e do PP, que invadiram o espaço Nélio Dias com militantes e charangas. Os muitos ônibus que vieram de Mossoró foram uma decoração à parte no acostamento da Avenida João Medeiros. Não foi fácil ao PT de Mineiro engolir o PP de Beto Rosado.

Quatro anos depois daqueles episódios, temos de novo o PP e o PT numa outra disputa, menos barulhenta e mais protocolar. À margem de um processo judicial alheio, Beto e Mineiro disputam as sobras de votos de suas coligações e, outra vez, o petista parece que vai ter que engolir o pepista. Faltam dez dias para acabar o ano.