BLOG DO ALEX MEDEIROS

29/12/2018
O compositor da melancolia

A música pop perdeu no último dia 19 o compositor norte-americano Norman Gimbel, autor de temas para o cinema e a televisão e que se tornou célebre com sucessos como Sway (versão do clássico mexicano Quien Será), Girl of Ipanema (a tradução da imortal Garota de Ipanema) e muitos outros ao longo de 65 anos criativos de carreira.

Mas, de todos os seus trabalhos o mais famoso foi Killing me Softly, gravado em 1973 pela cantora Roberta Flack, uma balada que estourou nas paradas do mundo inteiro e se tornou hit de gerações. Só pode entender a força de uma balada como aquela quem a dançou de ouvido e peito colados de paixão.

A bela canção carregada de uma vibração melancólica encantou pessoas de todas as idades naqueles primeiros anos da década de 70. A parceria com o inseparável amigo Charles Fox, autor da melodia, rendeu o prêmio de Música do Ano no Grammy de 1973. Na voz de Roberta Flack, ficou cinco semanas como número 1 na Bilboard.

Na biografia de Fox, o músico diz que ele e Gimbel fizeram juntos mais de 150 canções, muitas premiadas e até hoje gravadas, como I Got a Name, também de 1973 e sucesso na voz de Jim Croce, cujo disco foi lançado um dia após sua morte num acidente aéreo em setembro daquele ano.

A música foi tema do filme The Last American Hero (com a versão brasileira O Importante é Vencer), que narra a história real do piloto da Nascar, Junior Johnson e estrelado pelo ator Jeff Bridges. Anos depois a canção foi destaque nos filmes Tempestade de Gelo (73), Django Livre (2013), Invencível (2014), Logan (2017) e Lego Ninjago (2017).

A primeira estatueta do Oscar para a dupla veio em 1980 com a canção It Goes Like it Goes, composta no ano anterior e gravada por Jennifer Warnes como tema do filme Norma Rae, um drama biográfico sobre a operária Crystal Lee que liderou campanha contra as condições de trabalha numa indústria do Alabama.

Pouco tempo depois, em 1975, uma outra música com letra de Norman Gimbel recebe mais um Oscar, de melhor canção original no filme Uma Janela Para o Céu. Na interpretação, Olívia Newton-John. A obra ganhou fôlego três anos depois com a bela versão cantada pelo showman Barry Manilow.

É importante destacar que a versão em inglês que Gimbel fez para a obra-prima de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, e que lhe deu um prêmio Grammy em 1965, transformou o padrão do jazz contemporâneo e abriu espaço para dezenas de releituras de Garota de Ipanema ao longo do tempo.

A morte de Gimbel, que estava com 91 anos, só foi anunciada pela família e pelos representantes dos seus direitos autorais na sexta-feira, 28. Nos primeiros registros da imprensa americana sobre sua morte, ele foi tratado como um escritor e compositor talentoso e prolífico. A cantora Roberta Flack exprimiu pesar nas redes sociais.

O velho parceiro de tantos sucessos, Charles Fox, disse que sempre achou Killing me Softly "uma das mais belas obras saídas da caneta de Norman". Ainda na biografia que publicou em 2010 ele afirmou: "A poesia de Norman Gimbel tem uma extraordinária beleza, sensibilidade e compreensão da condição humana". Em 1984, o autor ganhou uma estrela no Hall da Fama dos Compositores.