BLOG DO ALEX MEDEIROS

03/01/2019
2019 nas telas de ontem

A mídia repercute nos primeiros dias do ano novo a reação de muitos cinéfilos com duas produções de ficção científica dos anos 1980 e que destacavam em seus roteiros um cenário futurista contextualizado num 2019 distópico e apocalíptico. O filme Blade Runner (1982) e o desenho Akira (1988).

Ambos tentaram antecipar no nosso imaginário a vida trinta anos adiante, nos aspectos tecnológico, arquitetônico e comportamental. O filme, baseado no romance de Philip K. Dick; e a animação, adaptada do mangá de Katsuhiro Otomo. Ridley Scott dirigiu o primeiro, enquanto Otomo dirigiu sua criação.

Felizmente, o tom profético da ficção não se consolidou agora, pelo menos nesses primeiros dias em que entramos em 2019 e rabiscamos os dias vindouros até que um novo reveillon faça velho o ano novo. Não houve a terceira guerra mundial, nem nos submetemos ao teste de Voight-Kampff.

Até que temos ouvido falar numa provável terceira guerra, quando postos diante de gestos e farpas de figuras como Kim Jong Un, Hassan Rohani, Tayyip Erdogan, Maduro, Putin e Trump. Mas não precisamos aplicar testes nas pessoas para descobrir quem é e quem não é um ser robótico inteligente.

Lembrar do fato que duas obras cinematográficas de mais de trinta anos atrás inseriram em suas tramas o ano de 2019 remete-nos a uma boa coincidência envolvendo ambas, pois depois de Blade Runner e Akira a ficção científica nunca mais foi a mesma nas telas de cinema. Uma mudança de azimute.

Vi Akira há muito pouco tempo, já nos primeiros anos do terceiro milênio, quando passei a comprar mangás para meu filho caçula. Já Blade Runner, assisti poucos anos após seu lançamento no Brasil, em julho de 1982, num momento histórico em que retornavam as eleições diretas para governador.

Para quem, como eu, aos 22 anos, consumia ficção científica nos moldes de velhas produções como Star Trek, Perdidos no Espaço e Túnel do Tempo - e que ainda se iniciava na era Star Wars - o impacto do filme com Harrison Ford e Rutger Hauer foi suficiente para repetecos quando surgiram as fitas VHS.

Na virada dos anos 80 para 90, aluguei inúmeras vezes Blade Runner. Lembro bem que imaginava meus filhos mais velhos com trinta anos em 2019, e ficava tentando vislumbrar o mundo deles. Tinha dúvidas se eu estaria por aqui, como estou agora. Resisti aos vícios, às tormentas pessoais e à tecnologia. Viva 2019!