BLOG DO ALEX MEDEIROS

14/01/2019
Asterix aos 60, segue o baile

Só pra não perder o costume - travestido de estilo - de me contextualizar na narrativa, informo que eu tinha cinco dias de vida quando a primeira aventura de Asterix foi publicada em Paris, nas páginas da revista Pilote. Era o dia 29 de outubro de 1959 e a tiragem de "Asterix, o Gaulês" foi de apenas seis mil exemplares.

Dois anos depois, em 1961, o personagem criado pela dupla René Goscinny e Albert Uderzo ganhou edição própria e em 1965 passou a ter circulação de dois álbuns por ano num sucesso tão espetacular que uma pesquisa na época revelou que dois de cada três franceses já tinham lido alguma aventura do afobado velhote.

Asterix chegou no Brasil em 1967, em publicações da editora Bertrand Ibis com traduções de Maria José Mauperrin e Paulo Madeira Rodrigues. Depois passou a ser editado pela Cedibra (ex Bruguera, uma das especializadas em álbuns de figurinhas naqueles anos). A paixão por super-heróis impediu melhor contato com as edições que meu irmão levava para casa.

Já na casa dos vinte anos, adentrando a década de 80, passei a fazer melhor leitura das aventuras de Asterix, inclusive adquirindo os velhos álbuns da infância e que ainda guardo no meu anárquico acervo de quadrinhos, misturados com "os capas-duras" de Flash Gordon, Tarzan e Príncipe Valente.

Ao longo das décadas, Asterix foi editado com periocidade bem apropriada para seus qualificados fãs, com álbuns anuais que foram traduzidos para 111 idiomas pelo planeta afora espalhados em 380 milhões de cópias, uma marca que se se assemelha ás vendas dos grandes artistas da música pop.

Agora, quando o personagem que inspirou até um dos mais representativos blocos de carnaval de Natal (orgulho de ter sido folião da Bandagália, levado por Eugênio Cunha e Chico Alves) completa 60 anos, é anunciado o lançamento de mais um álbum especial e que terá a estratosférica tiragem de cinco milhões de exemplares.

A notícia foi dada pelo jornal dominical Le Journal du Dimanche, uma espécie de O Poti de Paris, numa entrevista do desenhista Didier Conrad e o roteirista Jean-Yves Ferri. O álbum de número 38 (o quarto da dupla) está tendo a supervisão de Albert Uderzo (aos 91 anos e fiel à obra que criou com o amigo já falecido).

O jornal publicou os primeiros rascunhos do novo álbum, que terá o roteiro concluído em 6 de junho. Segundo Conrad e Ferry, o lançamento mundial será no dia 24 de outubro, cinco dias antes da obra imortal completar 60 anos.

Nesse dia tão especial, eu também estarei sexagenário. Espero que com a saúde e o espírito irrequieto de um velho gaulês entre a festa e a batalha.