BLOG DO ALEX MEDEIROS

30/12/2018
O triunvirato nacionalista nas Américas

O México, o Brasil e os Estados Unidos. Os três gigantes americanos - onde moram 660 milhões de pessoas do 1 bilhão que vive no continente - serão governados a partir de terça-feira, ao mesmo tempo, por três líderes que abraçam o nacionalismo.

Um triunvirato incomum, um equilíbrio, com Washington como principal farol, em que Jair Bolsonaro pretende ser seu parceiro predileto e com o Governo de Andrés Manuel López Obrador receoso dessa aproximação, temeroso de ficar emparedado e com a necessidade de se entender, pelo menos, com seu vizinho do norte.

Enquanto isso, um fator permeia o ambiente. A cada vez maior presença da China na região pode terminar por distorcer e ser o convidado externo do jogo a três do nacionalismo americano.

A geopolítica do continente irá girar em torno de Trump, López Obrador e Bolsonaro, três líderes com os quais a política externa não pode ser entendida sem um reforço prévio da interna. No papel, López Obrador e Donald Trump deram demonstrações de querer ter boa relação.

Se o inquilino da Casa Branca afirmou que fará grandes coisas com seu novo vizinho, o presidente mexicano, que chegou ao poder em 1 de dezembro, disse que não tem intenção de entrar em conflito com o vizinho do norte. Sua forma de fazer política, as maneiras, os gestos que tanto importam nesses tempos, não é tão diferente, como López Obrador se esforçou em demonstrar em apenas um mês.

Os dois não têm exatamente uma boa sintonia com a imprensa tradicional, mas estão permanentemente presentes nela, tentando marcar a agenda. Nenhum hesita em assumir erros, culpar suas equipes e voltar atrás em decisões controversas.