BLOG DO ALEX MEDEIROS

16/01/2019
Colecionando alguns sonetos

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A saudade penetrando pela porta
refletindo nas noites sem espelho
o olhar se fechando de vermelho
e o poeta pisando em folhas mortas

A saudade noturna é uma fogueira
a queimar meu corpo que te espera
o teu vulto na esquina é uma quimera
um delírio, uma lombra passageira

Onde estás, em que beco, em que universo
tu se escondes de mim e do meu verso
numa espera que em mim nunca se cansa

Quando o corpo requer tua presença
eu te busco em tua estrela de nascença
e espero esperando de esperança.

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Não embriagues o pudor com a poesia
esparrame a paixão em qualquer cama
nem apague o amor posto que é chama
de maneira que transborde em utopia

Hoje e sempre todo olhar é flamejante
se o desejo dia e noite te incendeia
seja a alma aquecida pelas veias
seja o sangue um riacho escaldante

Não precisa um padrão de movimento
nem ação vocabular de sentimento
tal quem chega como quem vai embora

O que importa é sentir encantamento
no calor de um instante, de um momento
cujo tempo há de ser sempre o agora.