BLOG DO ALEX MEDEIROS

21/01/2019
A poesia é ela

(Um poema do mano Graco Medeiros nos anos 80)

A poesia
não tem dia
não tem hora
é um bicho caipora
aparece e evapora
como o corvo dos umbrais

A poesia
como amor dos carnavais
e a luz dos pantanais
chega e some de repente
qual um bote de serpente
e o par nos bacanais

A poesia
não tem cortesia
é humor de velha tia
fazendo o bolo da festa
comendo logo a fatia
para ter direito à sesta

A poesia
é uma bruxa
é uma gueixa
é uma fada
rapariga depravada
mostrando os seios na feira

Uma dama
uma donzela
uma rameira
a menina da cancela
à meia-noite, sexta-feira

E lá vem ela
é ela sim
a velha parca fiandeira
tecendo e dando risada
é ela sim
a maldita colhedeira
com a foice na estrada

É ela
Agora vejo bem
é ela
e já vem
minha louca columbina
minha gata querubina
rindo e vindo para mim
é ela sim!