BLOG DO ALEX MEDEIROS

23/01/2019
As estatuetas do streaming

Em 2017 e 2018, a renomada revista Variety pautou o mundo do cinema em dois momentos distintos, mas de temática exatamente igual. No primeiro ano, o diretor do Festival de Cannes anunciou que os filmes produzidos pela produtora Netflix ficariam de fora da mostra competitiva.

No ano seguinte, coube a um diretor da Netflix avisar que seus filmes não iriam ser inscritos no festival francês, em protesto pelo ocorrido no ano anterior, quando as produções "Okja" e The Meyerowitz Stories" foram impedidas de competir.
Nas duas vezes, destaquei aqui no Galo Informa.

O nó da polêmica é que pelas regras de Cannes só podem participar os filmes com estreias mundiais ou nacionais em salas de cinema e não em outras plataformas de mídia, como TV, computadores e celulares. Inclusive cineastas como Costa Gavras e Wim Wenders ficaram ao lado de Cannes.

Ontem, 22 de janeiro, a Netflix teve todos os motivos para esquecer 2017 e 2018 e festejar bastante 2019. Seus serviços, representados pelos filmes Roma, de Alfonso Quarón; A Balada de Buster Scruggs, dos irmãos Coen; e End Game, dos irmãos Russo, tiveram 14 indicações para o Oscar.

Somente Roma, o filme mexicano em estilo noir, recebeu 10 indicações, uma marca espetacular e até certo ponto esperado por parte de cinéfilos e críticos. Se as indicações se confirmarem em estatuetas, na festa do dia 24 de fevereiro, a Netflix dá um salto para frear limites como os de Cannes.

Roma não é apenas o primeiro do serviço de streaming a disputar o prêmio de melhor filme, mas também concorre a outras categorias importantes, como melhor diretor, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante e melhor filme estrangeiro. Pode até perder para A Favorita ou Green Book, mas já fez história. A Netflix põe glamour no cinema das telas domésticas.