BLOG DO ALEX MEDEIROS

11/02/2019
Ricardo Boechat, um ícone

Quando ele divulgou por três vezes na sua coluna do Jornal do Brasil um livro que lancei no Leblon, agradeci brincando no e-mail dizendo que "o melhor jornalista do Brasil é um argentino". Naquele tempo, 2002, eu assinava artigos quinzenais no JB, onde ele acabara de estrear, convidado por Augusto Nunes.

Sempre soube que Ricardo Boechat era um jornalista antenado com tudo, fruto do faro de repórter que ele nunca perdeu desde quando começou, há exatos 50 anos, no Diário de Notícias, responsável pela publicação da lista de aprovados no vestibular. Só não sabia que se interessaria nas coisas do RN.

Pelo e-mail, me pediu uma vez informações sobre o boom imobiliário nos litorais de Natal, numa semana em que o craque David Beckham andou por aqui inaugurando um empreendimento. Foi ele quem divulgou que meu livro estava a bordo do avião que levou a seleção brasileira para a Copa de 2002.

Eu só sabia que autografei o livro para Kaká e Rogério Ceni, num evento na Via Costeira, convidado por Edivan Martins, então secretário de esportes. Não havia qualquer relevância no fato do livro na viagem do penta, mas foi pura generosidade publicar a informação que eu jamais soube como ele obteve.

Um dia houve um quiproquó midiático com a falsa gravidez da modelo Luma de Oliveira, que inventou a barriga para refutar convite pra desfilar na Mocidade de Padre Miguel e salvar o casamento com Eike Batista. Foi Ênio Sinedino quem me mostrou a nota dele com minha frase, "mentira tem pernas grossas".

A morte trágica de Ricardo Boechat, surpreendendo um país que tanto lhe deu audiência e estarrecendo toda a comunidade jornalística, é uma notícia terrível a agudizar tantas dores acumuladas num começo de ano que ainda não nos deu uma trégua. Todo jornalista brasileiro tem algo a dizer sobre o argentino.

Foi excelência em todos os setores e divisões da comunicação, de repórter de rua a colunista social, de comentarista de rádio a apresentador de telejornal, de chefe de redação a dublador de cinema. Colecionou prêmios em todas as plataformas, como os três do renomado Prêmio Esso, em jornal, rádio e TV.

Até chegar a fatídica hora da queda do helicóptero, ele tinha feito por dias seguidos, nos veículos do Grupo Band, vários comentários contundentes e até enfurecidos sobre as tragédias em Brumadinho e no Flamengo. Que o licenciamento poético permita que ele ajude as vítimas caso as encontre pelo infinito afora.

Viva Ricardo Boechat!